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S14P2 Rever o processo de hematopoese Estudar a anemia megaloblástica e ferropriva (definição, epidemiologia, etiologia, fatores de risco, fisiopatologia, manifestações clínicas e diagnóstico com achados laboratoriais e exames complementares). Compreender as formas de prevenção e controle messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 Jordana Lemos Hematopoese Definição É o processo de formação e desenvolvimento das células sanguíneas como hemácias, leucócitos e plaquetas. A hematopoese muda de local ao longo da vida: Na 2° semana de gestação começa no saco vitelino 2°mês de gestação passa a ser no fígado e baço 7° mês de gestação em diante ocorre na medula óssea, que torna o local principal por toda a vida Após o nascimento em crianças ocorre principalmente nos ossos longos como fêmur e tíbia. Nos adultos é concentrada nos ossos chatos do esqueleto axial como pélvis, esterno, costelas e vértebras. Tipos de Medula Óssea Medula óssea vermelha: Ativa Rica em células-tronco Responsável pela hematopoese Medula óssea amarela: Inativa Composta principalmente por gordura Durante a infância, a medula vermelha nos ossos longos é substituída gradualmente pela amarela. Em situações de maior demanda como em anemia grave, a medula amarela pode voltar a se transformar em medula vermelha para aumentar a produção de células sanguíneas. Hematopoese Medular VS Extramedular Medular: Ocorre na medula óssea, sendo o processo fisiológico normal Extramedular: Ocorre fora da medula (fígado e baço) geralmente em condições patológicas, quando a medula não suporta a produção, como em anemias crônicas e mielofibrose. Células Envolvidas A hematopoese é hierárquica: Células-tronco hematopoéticas pluripotentes Capazes de autorrenovação vitalícia Dão origem a todas as linhagens sanguíneas Células progenitoras (unipotenciais) Também chamadas de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) Comprometidas com uma linhagem específica como progenitora de eritrócitos, progenitora de linfócitos Autorrenovação limitada. Células Precursoras Primeiros estágios identificáveis morfologicamente como eritroblasto ou mieloblasto. Perdem a autorrenovação e apenas se dividem até amadurecer. Células Maduras Funcionais: Eritrócitos, Leucócitos e Plaquetas Regulação da Hematopoese A produção é regulada por citocinas e fatores de crescimento hematopoético (FEC), que funcionam como “hormônios do sangue”. Eritropoetina (EPO): estimula a produção de hemácias Trombopoetina (TPO): estimula a formação de plaquetas GM-CSF (Fator estimulador de colônia de granulócitos e monócitos): estimula granulócitos e monócitos. G-CSF: Proliferação de neutrófilos M-CSF: Formação de macrófagos Interleucinas e interferons: participam do desenvolvimento dos linfócitos. Esses fatores garantem que a produção de células sanguíneas seja ajustada às necessidades do organismo. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Jordana Lemos Anemia Megaloblástica Definição É um tipo de anemia causada por alteração na síntese do DNA das células que se formam na medula óssea, especialmente as células precursoras dos glóbulos vermelhos (eritroblastos). Como resultado ocorre crescimento anormal das células, com: Núcleo imaturo: com cromatica frouxa e delicada Citoplasma mais maduro: causa uma assincronia entre núcleo e citoplasma Eritroblastos grandes (megaloblastos) e hemácias aumentadas no sangue (macrocitose). Nesse contexto, a medula óssea fica hipercelular (aumento do número total de células hematopoéticas por estímulo da anemia), tentando compensar a destruição precoce dessas células defeituosas. O que leva à eritropoese ineficaz, pois muitas células morrem ainda dentro da medula antes de amadurecerem. Fisiopatologia A anemia megalobástica é um distúrbio da maturação celular causada por defeito na síntese do DNA. RNA e as proteínas continuam sendo produzidos normalmente DNA, que precisa ser duplicado antes da divisão celular, não consegue ser replicado direito. Isso faz com que o núcleo das células fique imaturo, enquanto o citoplasma amadurece normalmente Esse descompasso se chama: dissociação núcleo- citoplasmática Na medula isso causa: Eritroblastos grandes e imaturos: megaloblastos Neutrófilos hipersegmentados Diminuição da divisão celular: pancitopenia (queda de hemácias, leucócitos e plaquetas). Para o DNA ser produzido corretamente, o corpo precisa de duas vitaminas fundamentais: Vitamina B12 (cobalamina) Ácido fólico (folato) Atuam juntas na formação da timina, uma das bases do DNA. O citoplasma amadurece normalmente, graças à síntese de proteínas e RNA, mas o núcleo amadurece lentamente, porque o DNA não é sintetizado de forma adequada. Com isso o sangue periférico mostra poucas hemácias (anemia) e macrocitose (VCM alto), também há leucopenia e trombocitopenia leves, pois o defeito afeta todas as linhagens. O DNA é feito de quatro bases nitrogenadas, que são os trifosfatos de desoxirribonucleotídeo (dNTPs): dATP (adenina) dGTP (guanina) dTTP (timina) dCTP (citosina) Para a célula duplicar o DNA precisa desses quatro prontos e equilibrados, mas se faltar dTTP, a replicação fica incompleta ou errada. O problema central está na conversão de dUMP para dTMP, ou seja, desoxiueidina monofosfato para desoxitimidina monofosfato. Essa reação precisa da coenzima folato 5-metil- tetraidrofolato (5-MTHF), então se faltar B12 ou B9, essa conversão não acontece com isso: DNA não produz timina A célula fica com dUTP (uridina) em excesso Uracila (base do RNA) pode ser incorporada no DNA DNA fica instável e provoca quebras de fita. A vitamina B12 ajuda a regenerar o tetraidrofolato (THF), que é a forma ativa do folato. O folato (THF) é quem doa grupos de carbono para formar a timidina monofosfato (TMP), usada para montar o DNA. Quando há falta de B12 ou folato, o corpo não consegue produzir DNA adequadamente, e as células que precisam se dividir rapidamente, como as da medula óssea, param na fase de síntese, tornando-se grandes, frágeis e imaturas. Como resultado, as células defeituosas são destruídas ainda na medula (eritropoese ineficaz) gerando a anemia megaloblástica. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 Jordana Lemos Fatores de Risco Dieta pobre em carne, leite ou vegetais verdes que são fonte de B12 e folato Idosos: menor acidez gástrica tendo má absorção de B12 Alcoolismo crônico Doenças intestinais: Crohn, celíaca Gravidez e lactação: maior consumo Uso prolongado de medicamentos antifolato: metotrexato, anticonvulsivantes, trimetoprima, Cirurgias gástricas: gastrectomia, bypass gástrico Cobalamina (B12) A cobalamina é uma vitamina essencial do complexo B que participa de reações enzimáticas essenciais, principalmente na formação do DNA e no metabolismo de ácidos graxos e aminoácidos. Síntese É sintetizada apenas por microrganismos como bactérias e arqueias, nenhum animal ou planta a produz. Ruminantes como vacas, conseguem produzi-la no intestino graças às bactérias da flora intestinal. Humanos por outro lado, dependem de alimentos de origem animal, pois a absorção ocorre após o estômago, onde a produção bacteriana do intestino grosso não é aproveitável Absorção A B12 nos alimentos está presa a proteínas. No estômago, o ácido clorídrico e as enzimas gástricas como pepsina, liberam a vitamina dessas proteínas, assim que fica livre se liga à proteína ligadora de R (haptocorrina) para proteção do ácido gástrico. No duodeno, a tripsina pancreática degrada a haptocorrina, e a B12 é transferida para o Fator Intrínseco que segue até o íleo (parte final do delgado). No íleo terminal se liga a receptores específicos chamados cubilina, que ficam nas microvilosidades dos enterócitos. Precisam de uma proteína (amnionless-AMN) para internalizar o complexo via endocitose, dentro da célula o Fator Intrínseco é destruído e a vitamina livre e entra na corrente sanguínea ligada a umanova proteína, a transcobalamina II. Esse processo, leva cerca de 6h. Etiologia Deficiência de B12 - Cobalamina Falta de fator intrínseco: proteína do estômago necessária para absorção da B12. Ocorre por anemina perniciosa: doença autoimune que destrói as células gástricas. Gastrectomia: remoção do estômago tendo ausência de fator intrínseco Má absorção intestinal Doença de Crohn: inflama o íleo terminal, onde a B12 seria absorvida Ressecção do íleo Esteatorreia crônica: gordura em excesso nas fezes que prejudica a absorção Uso de certos medicamentos: metformina, omeprazol a longo prazo Dieta vegetariana estrita: sem suplementação Gravidez: necessário maior demanda Deficiência de transcobalamina II: proteína transportadora da B12 no sangue. Deficiência de Ácido Fólico - Folato Má absorção intestinal Alcoolismo crônico: prejudica absorção Doenças intestinais: celíaca, neoplasias Uso de anticonvulsivantes: como a fenitoína, que interfere no metabolismo do folato. Gravidez e lactação: aumenta a necessidade Anemias hemolíticas: maior destruição e reposição de hemácias Uso de anticoncepcionais orais Psoríase e dermatite esfoliativa: Maior renovação celular e maior consumo de folato Diálise: elimina folato do sangue O fígado secreta B12 diariamente na bile, que será reabsorvida junto com mais vitamina proveniente da dieta, então o corpo recicla a B12 constantemente em um processo chamado Circulação Êntero-Hepática. Se a absorção intestinal estiver prejudicada essa reciclagem é perdida, e a deficiência surge rapidamente. Como vegetarianos estritos mantêm a reciclagem normal, a deficiência aparece lentamente, em anos. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Jordana Lemos Transporte Ativo O transporte é feito por uma proteína chamada PCFT (proton-coupled folate transporter) que está na borda em escova do enterócito (lúmen intestinal) Cerca de 60 a 90 μg de folato são excretados na bile todos os dias e reabsorvidos no intestino. Todos os folatos alimentares são convertidos dentro da mucosa intestinal 5-metil-tetraidrofolato (5-MTHF) — que é a principal forma ativa e circulante. Função O folato é uma coenzima essencial para a transferência de unidades de carbono único, que é vital para a síntese de DNA, RNA e proteínas. Sem ele não há produção de DNA/RNA, pois participa na formação de duas bases purinas - adenina e guanina. É uma vitamina hidrossolúvel do complexo B (B9), mas o que chamados de “ácido fólico” é a forma sintética e inativa, usada em suplementos, que precisa ser reduzida no fígado Os folatos naturais já estão parcialmente reduzidos a forma de di-hidrofolato (DHF) ou tetraidrofolato (THF) que são as formas ativas no metabolismo. As fontes ricas são fígado, leveduras, espinafre, verduras verde-escuras e nozes, porém é sensível ao calor, então ao cozinhar em muita água destrói grande parte. Absorção Ocorre na parte superior do intestino delgado (duodeno e jejuno). O folato dos alimentos precisa ser quebrado pra ser absorvido, isso ocorre na mucosa intestinal, mas apenas 50% é absorvido Folato (ácido fólico) Transporte no Sangue Depois de absorvida, a B12 precisa viajar até os tecidos, e isso é feito por duas proteínas principais de transporte, cada uma com função diferente. Haptocorrina (Transcobalamina I): Produzida por neutrófilos é encontrada em fluídos como saliva, leite, bile, suco gástrico. Liga-se fortemente à B12, mas não entrega a vitamina às células. Atua como estoque circulante e meio de eliminação ao levar para o fígado para excreção pela bile. Transcobalamina II Forma ativa de transporte Produzida pelo fígado, macrófagos, íleo e endotélio vascular Carrega pequenas frações, mas é a que realmente fornece vitamina aos tecidos Se o intestino estiver com má absorção essa recirculação se perde e a deficiência aparece rapidamente. No plasma cerca de 33% liga-se frouxamente à albumina e o restante fica livre presente em todos os fluidos corporais como plasma, líquor, leite bile. Manifestações Clínicas Muitos pacientes não têm sintomas no início, a deficiência pode ser descoberta por acaso em um hemograma de rotina, que mostra um VCM aumentado indicando que as hemácias estão maiores que o normal Quando a anemia se torna mais grave, o corpo sofre pela redução na oxigenação dos tecidos, surgindo sintomas típicos: Fraqueza, fadiga e palidez: pela diminuição da hemoglobina Anorexia e perda de peso: o metabolismo fica alterado e há redução do apetite Diarreia ou constipação: o trato gastrointestinal também tem alta taxa de renovação celular, então sofre com o defeito no DNA. Glossite (língua vermelha, lisa e dolorida): perda das papilas linguais. Queilose angular (rachaduras nos cantos da boca): também pela renovação epitelial prejudicada Icterícia leve (indireta): pela destruição de hemácias imaturas dentro da medula óssea Hiperpigmentação cutânea: alteração reversível da coloração da pele Trombocitopenia: plaquetas diminuem e surgem equimoses (manchas roxas) Leucopenia: redução dos leucócitos causando maior suscetibilidade a infecções especialmente respiratórias e urinárias. Sintomas específicos da deficiência de B12 B12 é essencial para formação da bainha de mielina, sua ausência causa Parestesia periférica Fraqueza muscular Dificuldade para andar (marcha atáxica) Perda da propriocepção e da sensação vibratória messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 Jordana Lemos Sintomas específicos para deficiência de Folato Participa na metilação de dopamina, serotonina e outros neurotransmissores, sua ausência causa: Depressão Apatia Psicose Comprometimento cognitivo Sinal de Romberg positivo Hiperreflexia Hipotensão postural Impotência sexual Incontinência urinária ou fecal Demência e confusão mental Depressão Alucinações e delírios Perda de memória e lentificação cognitiva Anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar) Hemograma Alterações típicas no hemograma e no esfregaço: Hemácias macrocíticas e ovaladas: macrócitos ovalados VCM aumentado: >100fL Neutrófilos hipersegmentados: mais de 5 lobos Reticulócitos baixos: medula ineficaz Diagnóstico laboratorial das deficiências Dosagem sérica de B12 Folato sérico Folato eritrocitário: Mede o estoque corporal, menos influenciado pela dieta recente. Esfregaço de sangue: analisar alterações morfológicas. Teste de Schilling: Indica se há transtornos na absorção da vitamina B12 e se esses transtornos dependem ou não do fator intrínseco. Consiste em: (a) aplicar uma injeção in- tramuscular de 1.000 m de vitamina B12, para prover os depósitos; (b) administrar, a seguir, uma quantidade conhecida de B12 radioativa por via oral. Se os depósitos estiverem saturados, essa B12 oral será eliminada no prazo de 24 horas pela urina, onde é dosada. Em indivíduos normais, essa eliminação será de 5-30%. Prevenção pela Alimentação Vitamina B12 (Cobalamina) Fontes alimentares: Presente apenas em alimentos de origem animal: Fígado, carne vermelha, frango, peixe e frutos do mar Leite e derivados (queijo, iogurte) Ovos Prevenção: Consumir quantidades adequadas dessas fontes. Em vegetarianos estritos (veganos), é essencial o uso de suplementos de B12 ou alimentos fortificados (leite vegetal, cereais matinais enriquecidos). Idosos e pessoas com gastrite atrófica também podem precisar de suplementação, pois produzem menos fator intrínseco, necessário para absorver B12 no intestino. Ácido Fólico (Folato ou Vitamina B9) Fontes alimentares: Verduras de folhas verde-escuras (espinafre, couve, brócolis) Leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão-de- bico) Frutas cítricas, abacate e banana Fígado e vísceras Cereais e farinhas enriquecidos com ácido fólico (obrigatório no Brasil desde 2004) Prevenção: Manter uma dieta equilibrada rica em vegetais e leguminosas. Mulheres em idade fértil devem ingerir 0,4 mg de ácido fólico/dia, começando antes da gestação,para prevenir defeitos do tubo neural no feto e também a anemia megaloblástica. Controle Clínico e Diagnóstico Precoce Hemograma anual em grupos de risco: detecta macrocitose (VCM > 100 fL). Dosagem sérica de vitamina B12 e folato nos pacientes com: Neuropatias periféricas inexplicadas Glossite, fraqueza, perda de peso ou diarreia História de dieta restritiva ou desnutrição Teste do ácido metilmalônico e homocisteína: ajudam a distinguir qual vitamina está deficiente: ↑ Ácido metilmalônico: deficiência de B12 ↑ Homocisteína: deficiência de B12 ou folato messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Jordana Lemos Anemia Ferropriva Definição É uma condição em que há diminuição da concentração de hemoglobina no sangue devido à deficiência de ferro, o mineral essencial para a produção de hemoglobina, a proteína dos glóbulos vermelhos responsável, pelo transporte de oxigênio para os tecidos. Quando o organismo não dispõe de ferro suficiente: A síntese de hemoglobina é comprometida A eritropoese (formação de hemácias) torna-se ineficiente As hemácias formadas são microcíticas (menores) e hipocrômicas (com menos pigmento hemoglobínico). Portanto, a anemia ferropriva é uma anemia microcítica e hipocrômica decorrente da depleção das reservas corporais de ferro. Fatores de Risco A prevalência da anemia ferropriva está diretamente relacionada a condições fisiológicas, alimentares e patológicas que alteram o equilíbrio entre a ingestão, absorção e perda de ferro. Incide preferencialmente em mulheres em idade fértil e em crianças, sendo mais rara nos homens adultos. Mulheres em Idade Fértil Menstruação: perda crônica de sangue mensal, levando à perda contínua de ferro. Gestação: aumento da necessidade de ferro para expansão do volume sanguíneo materno e formação do feto e placenta. Lactação: o ferro também é utilizado na produção de leite materno. Nesses casos, a necessidade de ferro excede a ingestão dietética habitual, levando ao balanço negativo. Dieta pobre em ferro: pouco consumo de carnes e vegetais verdes agrava o risco Crianças Crescimento rápido: há aumento da demanda de ferro para produzir mais hemoglobina e massa muscular Desmame precoce ou aleitamento exclusivo prolongado: o leite materno tem ferro biodisponível, mas em pequena quantidade, podendo não suprir as necessidades após os 6 meses Outros grupos de risco Idosos: especialmente com dietas restritivas ou sangramentos digestivos ocultos como úlceras e câncer de cólon. Pacientes com parasitoses intestinais: como ancilostomíase, comuns em áreas tropicais, que causam perda crônica de sangue pelo intestino. Pessoas desnutridas ou vegetarianas: sem suplementação adequada. Pacientes com doenças gastrintestinais: comprometem a absorção de ferro como em doença celíaca, gastrite atrófica, gastrecnomia prévia. Etiologia A anemia ferropriva se instala quando ocorre balanço negativo de ferro, ou seja, a perda/necessidade de ferro excede sua ingestão e absorção, pode ocorrer por: Aumento da necessidade Situações fisiológicas de crescimento ou aumento da produção de hemácias: Infância e adolescência: crescimento rápido Gravidez: formação fetal e aumento da massa eritrocitária Lactação: transferência de ferro ao leite materno Treinamento físico intenso: em atletas. Excesso de Perda Hemorragias agudas ou crônicas: são a causa mais comum de deficiência de ferro em adultos, pode ocorrer por: Menstruação abundante: menorragia Sangramentos uterinos anormais Úlceras gástricas, varizes esofágicas, gastrite erosiva e diverticulite Câncer de estômago ou cólon Parasitoses intestinais Doações de sangue frequentes Cada mL de sangue contém cerca de 0,5 mg de ferro messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 Jordana Lemos Má absorção do ferro alimentar Mesmo que a dieta contenha ferro suficiente, ele pode não ser absorvido adequadamente, por: Doenças intestinais: celíaca, Crohn, diarréias crônicas Ressecção gástrica ou intestinal: reduz a superfície de absorção Hipocloridria ou uso crônico de antiácidos e inibidores de bomba de prótons: diminuem a solubilização do ferro Gastrite atrófica: comum em idosos Síndromes disabsortivas: em crianças O ferro é absorvido principalmente no duodeno e jejuno proximal e requer meio ácido e integridade da mucosa intestinal Fisiopatologia Estágio I - Balanço negativo de ferro Nesse primeiro momento, há uma redução das reservas corporais de ferro, sem ainda haver anemia. O organismo gasta mais ferro do que absorve como em perdas crônicas de sangue, alta demanda e má absorção isso resulta em algumas alterações laboratoriais: Ferritina sérica ↓: primeiro marcador a cair, pois reflete o estoque de ferro. Ferro sérico normal: ainda há ferro sendo liberado dos estoques TIBC (Capacidade Total de Ligação do Ferro): normal; Hemograma normal: sem alteração de hemoglobina, VCM ou CHCM. A anemia ferropriva se desenvolve progressivamente, passando por três estágios principais até resultar em anemia clínica manifesta. Ela reflete o desequilíbrio entre a necessidade de ferro e a quantidade absorvida e armazenada pelo organismo. Dieta deficiente em ferro Dietas pobres em ferro heme, encontrado em carnes vermelhas, vísceras e peixes, e ricas em fitatos ou taninos presentes em grãos integrais, chás e café, reduzem a absorção. Vegetarianos estritos e pessoas com dieta inadequada por pobreza ou restrição alimentar estão em risco. O ferro heme é absorvido mais facilmente que o não- heme, que depende de vitamina C para aumentar a biodisponibilidade. Nota-se que o organismo ainda mantém a produção normal de hemoglobina, mas as reservas estão sendo consumidas. O ferro armazenado nos macrófagos (ferritina e hemossiderina) é utilizado para manter a síntese de hemoglobina, até se esgotar completamente. Estágio II - Eritropoiese deficiente em ferro Nessa fase, as reservas estão praticamente esgotadas e o ferro sérico começa a cair, tendo as seguintes alterações: Ferritina está muito baixa: mostrando ausência de ferro nos macrófagos e na medula óssea. Transferrina (TIBC) aumenta: para tentar capturar mais ferro circulante Há queda da saturação da transferrina: pois, há pouca quantidade de ferro transportável disponível para a medula óssea. A protoporfirina eritrocitária (precursor da hemoglobina) aumenta: pois, o ferro está ausente para completar a molécula de hemoglobina Começam a surgir hemácias microcíticas e hipocrômicas: menores e pálidas Reticulócitos hipocrômicos aparecem precocemente VCM e CHCM começam a cair. O intestino tenta aumentar a absorção de ferro, regulada pela hepcidina (hormônio hepático que reduz a absorção intestinal e libera ferro dos estoques). Quando há deficiência, a hepcidina é inibida, permitindo maior absorção intestinal, porém essa compensação é limitada (máximo de 3 a 4mg/dia) Com isso, a síntese de hemoglobina torna-se deficiente, e a medula óssea passa a produzir hemácias menores e com menos pigmento. No início, há hipoproliferação eritroide: poucos eritrócitos produzidos. Depois, há hiperplasia eritroide: a medula tenta compensar, mas as hemácias são anormais e pouco funcionais. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Jordana Lemos Com isso, o corpo não consegue suprir o ferro necessário à eritropoiese, resultando em anemia hipocrômica microcítica típica. Estágio III - Anemia Ferropriva Instalada Nesse estágio, a anemia está estabelecida e os sintomas aparecem A síntese de hemoglobina está comprometida por falta de ferro, levando à hipocromia e microcitose evidentes. O ferro sérico está muito reduzido e a saturação da transferrina está abaixo de 10-15%, A medula óssea tenta compensar a baixa hemoglobina com hiperplasia eritroide (aumento da produção de células vermelhas),mas como não há ferro, essa produção é ineficaz. Logo, ocorre alterações morfológicas no sangue: Hemácias microcíticas, hipocrômicas e poiquilócitos (deformadas) Células em alvo Formas em lápis ou charuto Anisocitose: tamanhos variados de hemácias. No exame laboratorial aparece: Hemoglobina, hematócrito, ferro sérico: baixos Ferritina sérica: MUITO baixa Saturação da transferrina: abaixo de 10% TIBC (transferrina total) e Protoporfirina eritrocitária: alta VCM (microcitose) e CHCM (hipocromia): baixos Manifestações Clínicas Como a hemoglobina é o principal transportador de oxigênio: Menos Hb = menos O₂ chegando aos tecidos. O organismo tenta compensar esse déficit aumentando: o trabalho cardíaco (taquicardia); a frequência respiratória; a extração de oxigênio pelos tecidos. Esses mecanismos de compensação explicam grande parte dos sintomas. Sintomas Gerais Taquicardia, palpitações, sopro sistólico funcional: O coração aumenta a frequência e o débito para compensar a baixa oxigenação. Fadiga fácil, fraqueza, tontura, cefaleia: Menor oxigenação cerebral e muscular Palidez de pele e mucosas: Menor quantidade de hemoglobina nos capilares Anorexia, náuseas leves: Redução do metabolismo gastrointestinal e hipóxia das mucosas. Esses sintomas são proporcionais à intensidade e à velocidade de instalação da anemia. Se aguda: sintomas mais intensos e súbitos. Se crônica: o corpo se adapta parcialmente: sintomas mais discretos. Sintomas específicos da deficiência de ferro (ferropenia tecidual) Glossite atrófica: Inflamação e atrofia das papilas da língua superfície lisa, avermelhada e dolorida Ocorre porque o ferro é necessário para a regeneração epitelial. Queilose angular (queilite angular): Fissuras dolorosas nos cantos da boca Pela atrofia da mucosa labial. Coiloniquia: Unhas finas, quebradiças e em “colher” (côncavas). Resultado da diminuição do ferro nas enzimas responsáveis pela queratinização. Alopecia e pele seca: Redução da proliferação celular por carência de ferro Menor crescimento de pelos e cabelos. Apetite por substâncias não alimentares: Compulsão por ingerir gelo, terra, papel, amido, etc. Comportamento clássico da deficiência grave de ferro. Acredita-se estar ligado a alterações dopaminérgicas e deficiência de ferro no SNC. Achados Laboratoriais Hb e hematócrito baixos VCM baixo (microcitose) e HCM baixo (hipocromia) Ferritina sérica baixa (reflete estoque de ferro) Saturação de transferrina baixa TIBC (capacidade total de ligação do ferro) alta, pois o corpo tenta captar mais ferro livre messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 S15P1 Estudar as anemias hereditárias: talassemia e falciforme (definição, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas e diagnóstico com achados laboratoriais e exames complementares). Compreender as formas de prevenção e controle messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Manifestações relacionadas à vaso-oclusão Dor intensa, intermitente, localizada em ossos longos, esterno, coluna, mãos e pés (síndrome mão-pé em crianças): Oclusão de vasos nos ossos, músculos e vísceras. Febre, dor torácica, hipoxemia, infiltrado pulmonar → causa principal de morte: Oclusão nos capilares pulmonares Jordana Lemos Anemia Falciforme Definição A doença falciforme é um tipo de anemia hereditária que caracteriza-se pelo fenótipo clínico e hematológico resultante de mutações na hemoglobina. A forma mais comum é a homozigose para a hemoglobina S (HbSS). Ocorre mutação, que ocasiona em substituição do ácido glutâmico (Glu, E) pela valina (Val, V) na posição 6 da cadeia β da hemoglobina. Como consequência ocorre formação da hemoglobina S (HbS), que tem propriedades anormais de polimerização sob baixas tensões de oxigênio. Fisiopatologia A anemia falciforme é causada por uma mutação pontual no gene da cadeia β da hemoglobina (Hbβ). O ácido glutâmico (Glu), que é hidrofílico, é substituído por uma valina (Val), que é hidrofóbica, na posição 6 da cadeia, assim, a hemoglobina anormal é chamada hemoglobina S (HbS). A HbS, quando desoxigenada nos capilares, polimeriza, formando fibras filamentares dentro do eritrócito. Essa polimerização depende de fatores como: Baixa tensão de O2 Baixa temperatura Acidose local (pH baixo) O resultado é a deformação das hemácias em forma de foice ou falciformes, deixa de ser bicôncavo e elástico, tornando-se alongado e rígido, em forma de foice. A falcização é irreversível após certo tempo, mesmo se a hemoglobina voltar a ser oxigenada. A presença de polímeros dentro da célula causa alterações nos canais iônicos causando: Desidratação da célula pela saída de potássio e água Aumento da concentração corpuscular de HbS: facilita ainda mais a polimerização Exposição da fosfatidilserina no folheto externo: reconhecida por macrófagos causando hemólise precoce Situações que desencadeiam crises: Infecções agudas por vírus e bactérias Desidratação Exposição ao frio: vasoconstrição Estresse Acidose Altitude elevada Como resultado, as hemácias ficam mais densas, frágeis e com vida útil muito curta (cerca de 20 dias, em vez de 120). Hemólise A hemólise ocorre tanto extravascular (baço e fígado), como intravascular (plasma), a Hb livre se liga ao óxido nítrico e reduz a vasodilatação, causando disfunção endotelial e vasoconstrição. Isso leva à anemia crônica hemolítica, icterícia, aumento de bilirrubina e colelitíase (pedras na vesícula). Vaso-oclusão Além disso, quando eritrócitos falcizados aderem ao endotélio, por causa da hipóxia, neutrófilos e monócitos também se aderem liberando substâncias inflamatórias. Com isso, plaquetas liberam trombospondina, aumentando a coagulação. Tudo isso, forma microtrombos e bloqueia vasos pequenos. Como consequência há crises vaso-oclusivas dolorosas, infartos teciduais especialmente no baço, ossos, rins e pulmões. A inflamação sistêmica aumenta ainda mais a rigidez vascular e a coagulação, gerando um ciclo vicioso: hipóxia → falcização → vaso-oclusão → isquemia → inflamação → mais hipóxia → mais falcização. Manifestações Clínicas messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 Jordana Lemos Dor crônica, limitação de movimento, deformidades ósseas: Isquemia óssea repetida, Osteonecrose. Perda da função imunológica com risco aumentado de infecções graves: Oclusões repetidas causam fibrose esplênica. AVC isquêmico: Vaso-oclusão cerebral. Manifestações relacionadas à hemólise crônica Fadiga, palidez, icterícia discreta: Anemia crônica, pela meia-vida reduzida da hemácia Icterícia: Aumento da bilirrubina não conjugada. Cálculos biliares (colelitíase pigmentada): Bilirrubina alta na bile ocasiona precipitação de pigmentos biliares. Úlceras de perna: Isquemia + hemólise resulta em dano endotelial e inflamação crônica Diagnóstico As manifestações costumam aparecer após os 6 meses de vida, quando a HbF (fetal) diminui. O diagnóstico clínico baseia-se em: História de crises dolorosas recorrentes; Icterícia crônica; Esplenomegalia inicial e posterior asplenia; Alterações ósseas (expansão medular); História familiar e etnia compatível. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Jordana Lemos Talassemia Definição Talassemia é uma anemia hereditária causada por mutações nos genes das globinas, que resultam em redução (talassemia +) ou ausência (talassemia 0) na síntese das cadeias polipeptídicas que compõem a hemoglobina. Então é uma deficiência quantitativa de globina, o problema é a quantidade de globina produzida. A hemoglobina normal adulta (HbA = α₂β₂) é formada por: 2 cadeias α (alfa) — codificadas por genes no cromossomo 16 2 cadeias β (beta) — codificadas por genes no cromossomo 11 As talassemias resultam de mutações ou deleções nesses genes β-talassemiaMutações no gene β-globina → diminuem (β⁺) ou impedem (β⁰) a produção de β-globina. Isso causa acúmulo de cadeias α-globina sem parceiro para formar HbA, sendo que essas cadeias livres são instáveis, pois oxidam e precipitam dentro dos eritroblastos na medula óssea. Esses agregados de α-globina danificam a membrana celular e causam morte precoce dos precursores eritroides, ou seja, eritropoiese ineficaz. As poucas hemácias que chegam à circulação são deformadas, frágeis e hipocrômicas, sofrendo hemólise, principalmente extravascular no baço. Como resultado, ocasiona em: Anemia microcítica e hipocrômica grave Reticulocitose moderada: reticulócitos são hemácias jovens recém liberadas, ou seja a medula tenta compensar. Eritropoiese ineficaz Sobrecarga de ferro: por transfusões e absorção intestinal aumentada. É classificada em: β-talassemia major (Doença de Cooley): Ocorre quando ambos os genes β (um de cada cromossomo 11) estão mutados de forma grave (β⁰/β⁰ ou β⁰/β⁺). β-talassemia minor (ou traço talassêmico): Apenas um gene β está alterado (β⁺/β ou β⁰/β). O outro gene normal compensa parcialmente a produção da cadeia β Fisiopatologia O problema central da talassemia é o desequilíbrio na produção das cadeias globínicas. A hemoglobina precisa sempre de duas cadeias α + duas não-α (β, γ ou δ), quando uma delas está deficiente, a outra sobra em excesso, sendo o início do dano. α-Talassemia Deleções ou mutações nos genes α-globina, terá menos cadeias α disponíveis. Isso gera excesso de cadeias β (ou γ), que formam tetrâmeros anormais: No feto: γ₄ (Hb Bart’s) No adulto: β₄ (HbH) Essas hemoglobinas anormais são instáveis e com baixa afinidade funcional por O2. Ocorre hemólise e destruição dos precursores eritroides, semelhante ao que acontece na β-talassemia. Isso resulta desde formas leves (traço) até hidropsia fetal (sem vida, quando há ausência total de cadeias α). Isso gera consequências sistêmicas Anemia hipocrômica microcítica: devido à baixa síntese de Hb. Eritropoiese ineficaz: destruição dos precursores eritroides na medula estimula ↑ EPO e causa hiperplasia medular. Expansão óssea: face em “máscara mongólica”, ossos largos e deformados. Esplenomegalia e hepatomegalia: pela destruição extravascular das hemácias. Sobrecarga de ferro (hemossiderose): absorção intestinal aumentada + transfusões frequentes, causa lesão hepática, cardíaca e endócrina. Aumento de HbF (fetal) e HbA₂: tentativa compensatória de produção de globinas não-β. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 Jordana Lemos Retardo do crescimento e atraso puberal Causa: anemia crônica + hipóxia tecidual + sobrecarga de ferro que lesa hipófise e gônadas. Manifestações: Baixa estatura; Puberdade tardia (50%); Amenorreia secundária (25%); Hipodesenvolvimento ponderal e estatural (em crianças com doença de Cooley — β-talassemia major). O corpo prioriza o aporte de oxigênio para órgãos vitais (cérebro, coração), reduzindo o crescimento ósseo e o desenvolvimento endócrino. Manifestações Clínicas Alterações ósseas Ocorre expansão da medula óssea para tentar compensar a anemia, isso resulta em reabsorção do osso cortical e deformações ósseas, como: Face em “roedor”: proeminência malar e maxilar com protrusão dos dentes superiores; Crânio em torre: aumento do volume craniano; Osteoporose: ocorre em ~50% dos pacientes, mesmo nos tratados; Massas hematopoéticas extramedulares: podem formar-se em medula óssea expandida ou tecidos paravertebrais (característica da talassemia intermédia). O estímulo constante à medula óssea para produzir hemácias causa deformações ósseas visíveis. Esplenomegalia e hepatoesplenomegalia Ocorre destruição aumentada de hemácias (hemólise) + sequestro esplênico. Pode reter até 40% dos eritrócitos circulantes: piora da anemia; Aumento do volume plasmático: sobrecarga cardíaca; Hiperesplenismo: destruição de plaquetas e leucócitos. .Comprometimento cardíaco Anemia crônica causa aumento do débito cardíaco, que resulta em hipertrofia e insuficiência cardíaca; Sobrecarga de ferro (hemossiderose): deposição de ferro no miocárdio resulta em cardiomiopatia e arritmias; Pode haver hipertensão pulmonar e tromboembolismo. Resultando em Insuficiência cardíaca congestiva . Endocrinopatias Causa: depósito de ferro nas glândulas endócrinas que resulta em disfunção hormonal. Manifestações: Diabetes melito (lesão pancreática); Hipotireoidismo; Hipoparatireoidismo; Hipogonadismo (puberdade atrasada); Insuficiência adrenal secundária. O eixo hipotálamo-hipófise é particularmente sensível à toxicidade do ferro. Tromboembolismo Ativação plaquetária; Interação entre eritrócitos anormais e endotélio; Trombocitose (pós-esplenectomia); Disfunção endotelial. Complicações: trombose venosa profunda, embolia pulmonar, AVC. Diagnóstico Talassemia: ferro normal ou alto + sinais de hemólise. Anemia ferropriva: ferro e ferritina baixos + ausência de hemólise. Hemograma VCM baixo: Microcitose (hemácias menores que o normal) HCM baixo: Hipocromia (hemoglobina intracelular reduzida) Diferencia de anemia ferropriva pela presença de concentração de hemoglobina quase normal em alguns tipos de talassemia Hemácias em alvo (target cells): células com coloração central clara e anel periférico de hemoglobina. Pontuação basofílica: grânulos basofílicos dispersos. Corpos de Howell-Jolly: restos nucleares dentro da hemácia, indicativos de eritropoese acelerada ou esplenectomia. Eritroblastos circulantes: imaturos, normalmente na medula. Mielograma (medula óssea) Hiperplasia eritroblástica: aumento de precursores da série vermelha. Hipoplasia relativa da série granulocítica: redução relativa de precursores de leucócitos. Aumento de macrófagos medulares: fagocitando restos de eritroblastos degenerados e hemossiderina. Presença de macroeritroblastos e megaloblastos: indica possível deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, mas não é específica da talassemia. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040 https://www.studocu.com/pt-br?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=apg-iii-hemolinfopoetico Jordana Lemos Eritropoese ineficiente: Citoplasma com hemoglobina deficiente (pálido). Inclusões citoplasmáticas (depósitos de cadeias α não pareadas). Núcleos irregulares e picnóticos. Formas bizarras de eritroblastos, com coloração azulado no citoplasma. Diagnóstico por imagem Radiografias, TC e RM: Úteis para detectar alterações ósseas secundárias à eritropoese ineficiente, como: Expansão da medula óssea facial (ossos do crânio em “capacete de soldado”). Lesões viscerais ou hepatoesplenomegalia. messages.downloaded_by lOMoARcPSD|54967040