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## Resumo da Reclamação Trabalhista de Francisco Muriçoca contra Chiks Serviços Ltda e Charlie VailleEste documento trata de uma Reclamação Trabalhista proposta por Francisco Muriçoca, que atuou como Supervisor de Serviços Gerais para a empresa Chiks Serviços Ltda, prestando serviços nas dependências da empresa Charlie Vaille, ambas pessoas jurídicas privadas. O Reclamante, atualmente desempregado, busca a tutela jurisdicional para reconhecimento de seus direitos trabalhistas, alegando diversas irregularidades cometidas pelas Reclamadas durante o período de trabalho, que se iniciou em 10/10/2013 e foi abruptamente encerrado em fevereiro de 2018, sem justificativa e com salários atrasados.### I – Da Gratuidade da JustiçaFrancisco requer o benefício da justiça gratuita, fundamentado no artigo 790, §4º da CLT e artigo 98 do CPC, por estar desempregado e não possuir condições financeiras para arcar com as custas processuais sem prejuízo próprio e de sua família. A alegação de insuficiência econômica é presumida verdadeira, conforme súmula 463 do TST, e amparada pelo princípio constitucional do acesso à justiça (artigo 5º, inciso XXXV, da CR/88). O pedido está devidamente acompanhado da declaração de hipossuficiência, e o Reclamante é assistido por advogada, o que não impede a concessão do benefício.### II – Da Relação de Trabalho e CompetênciaO Reclamante foi admitido pela Chiks Serviços Ltda para exercer a função de Supervisor de Serviços Gerais, com atribuições que incluíam supervisão de limpeza e vigilância, aquisição de materiais, organização de equipes e comunicação via e-mail com a sede da empresa em São Paulo. Apesar do vínculo empregatício, a empresa nunca assinou a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do trabalhador, configurando grave infração legal. O salário pago era de R$ 1.000,00 mensais, valor inferior ao piso da categoria e incompatível com a função de supervisão exercida.A competência para julgamento da ação é da Vara do Trabalho de Maracanaú/CE, local onde o serviço foi prestado, conforme artigo 651 da CLT, mesmo que a empresa tenha sede em São Paulo.### III – Do Mérito#### Reconhecimento do Vínculo EmpregatícioO Reclamante requer o reconhecimento formal do vínculo empregatício, com a devida anotação retroativa na CTPS, com base no artigo 3º da CLT, que define os elementos do vínculo: pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação. A ausência da assinatura da CTPS pela empresa configura fraude trabalhista, passível de denúncia ao Ministério do Trabalho, conforme artigos 13 e 29 da CLT. O princípio da primazia da realidade reforça que o que importa é a prática efetiva da relação de trabalho, independentemente da formalização documental.#### Diferença SalarialO salário pago ao Reclamante era inferior ao piso da categoria e ao salário mínimo, contrariando a Constituição Federal (artigo 7º, inciso VI) que garante a irredutibilidade salarial, salvo acordo coletivo. Assim, requer-se o pagamento das diferenças salariais devidas durante todo o período trabalhado.#### Rescisão IndiretaO Reclamante pleiteia a rescisão indireta do contrato de trabalho, com base no artigo 483, alínea “d”, da CLT, por descumprimento das obrigações contratuais pela empresa, que encerrou o contrato sem justificativa e deixou de pagar salários e verbas rescisórias. A rescisão indireta equivale a uma demissão sem justa causa, com direito às verbas correspondentes.#### Responsabilidade SubsidiáriaA ação inclui a responsabilização subsidiária da Tomadora de Serviços, Charlie Vaille, com base na súmula 331, incisos IV e VI, do TST, que estabelece que a tomadora responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas não cumpridas pela prestadora, desde que participe da relação processual. Assim, ambas as empresas são litisconsortes passivas, conforme artigo 113, inciso I, do NCPC.#### Verbas Rescisórias e Direitos TrabalhistasO Reclamante requer o pagamento das seguintes verbas:- Depósitos do FGTS de todo o período trabalhado, acrescidos da multa de 40% (artigo 18 da Lei nº 8.036/90 e artigo 477 da CLT);- 13º salário proporcional, conforme Lei nº 4.090/62;- Saldo de salário referente ao mês de fevereiro de 2018, não pago;- Férias proporcionais acrescidas de 1/3 constitucional, conforme artigo 146 da CLT e artigo 7º, XVII, da CR/88;- Aviso prévio indenizado, conforme artigo 487 da CLT, devido à ausência de comunicação prévia da rescisão;- Seguro desemprego, conforme artigo 7º, II, da CR/88, por se tratar de desemprego involuntário.#### Dano MoralO Reclamante também pleiteia indenização por dano moral, fundamentada no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal, e nos artigos 186 e 927 do Código Civil. O dano decorre da conduta da empresa que, durante mais de cinco anos, utilizou a força de trabalho do Reclamante sem assinar sua CTPS, deixando-o desprotegido, e o desligou abruptamente, sem justificativa e com salários atrasados, causando-lhe sofrimento e insegurança.### IV – Dos PedidosDiante do exposto, o Reclamante requer:- Designação de audiência de conciliação ou mediação (artigo 334 do NCPC);- Concessão da justiça gratuita;- Citação das Reclamadas para responderem à ação;- Reconhecimento e anotação retroativa do vínculo empregatício na CTPS;- Reconhecimento da rescisão indireta do contrato;- Reconhecimento da responsabilidade subsidiária da Tomadora de Serviços;- Pagamento integral das verbas rescisórias e direitos trabalhistas;- Indenização por dano moral em valor a ser arbitrado pelo juízo;- Condenação das Reclamadas ao pagamento de honorários advocatícios, custas processuais e sucumbenciais.### V – Das Provas e Valor da CausaO Reclamante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente documental, pericial, testemunhal e depoimento pessoal das Reclamadas. O valor da causa será atribuído conforme os cálculos das verbas pleiteadas.---## Destaques- O Reclamante trabalhou como Supervisor de Serviços Gerais sem ter sua CTPS assinada, configurando fraude trabalhista.- Requer reconhecimento do vínculo empregatício, diferenças salariais, rescisão indireta e pagamento de verbas rescisórias.- Pleiteia a responsabilidade subsidiária da Tomadora de Serviços, conforme súmula 331 do TST.- Solicita indenização por dano moral devido à conduta omissa e abusiva das Reclamadas.- Pede concessão da justiça gratuita e a condenação das Reclamadas ao pagamento de honorários e custas processuais.