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1 
 
 
 
Finanças 
Comportamentais 
 
PROFESSOR MORGAN HOUSEL 
 
2 
 
 
 
Sumário 
 
 
 
O comportamento como fator de enriquecimento ........................................ 3 
O limite do conhecimento do mercado .......................................................... 7 
O papel da sorte ............................................................................................... 9 
Riqueza é aquilo que não se pode ver.......................................................... 14 
O custo e a mentalidade para enriquecer no mercado de ações ............... 15 
Otimismo ou pessimismo? ............................................................................ 16 
Disposição para assumir riscos ................................................................... 17 
Vieses sobre o risco ...................................................................................... 19 
Dívidas, dinheiro poupado e habilidade de resistir ao bear market .......... 21 
Tomando o controle do tempo com dinheiro .............................................. 24 
Ninguém pensa em você tanto quanto você mesmo .................................. 26 
Lidando com os ciclos de mercado pelo otimismo racional ...................... 27 
Vantagens e desvantagens ........................................................................... 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
O comportamento como 
fator de enriquecimento 
 
 
Podemos começar esta disciplina abordando uma questão essencial 
para os investidores: por que eles continuam a cometer os mesmos 
erros que cometiam há 100 anos? Para entender melhor esse ponto, 
Morgan Housel explora o comportamento relacionado ao 
investimento, destacando a psicologia do dinheiro como a resposta 
para a questão. 
 
A verdade é que lidar bem com o dinheiro não está relacionado à 
inteligência, à instituição de ensino que você frequentou ou à 
complexidade das equações matemáticas que aprendeu a fazer. 
 
 
 
 
O que realmente faz a maior diferença no investimento é a psicologia. 
No final das contas, não se trata exatamente daquilo que você sabe, 
mas sim de como você se comporta. 
 
Uma história que resume a psicologia do dinheiro é a de Grace 
Groner. Nascida em uma fazenda perto de Chicago, em 1910, Grace 
teve uma vida difícil. Ela ficou órfã ainda na infância, nunca se casou, 
não teve filhos e viveu em uma casa simples, de apenas um quarto, 
vestindo roupas usadas e trabalhando como secretária. Descrita 
como uma mulher amável, ela levou uma vida humilde e faleceu em 
2010, aos 100 anos. 
 
4 
 
 
Quando Grace Groner morreu, deixou todos que a conheciam 
chocados ao descobrirem que ela havia doado 7 milhões de dólares 
para instituições de caridade. Aqueles que a conheciam ficaram 
perplexos e se perguntaram como uma humilde secretária órfã 
conseguiu acumular uma quantia tão grande. 
 
Ao investigarem suas contas bancárias e relatórios financeiros, 
perceberam que ela não ganhou na loteria, nem recebeu uma 
herança milionária. O que Grace fez foi pegar o pouco dinheiro que 
conseguiu economizar de seu trabalho como secretária, investir no 
mercado de ações e deixá-lo intocado por 80 anos. Esta, 
basicamente, foi toda a sua história. 
 
 
 
Em contraste, vamos comparar o feito notável de Grace com a vida 
de Richard Fuscone. Nascido em uma família rica, ele frequentou a 
Universidade de Harvard e obteve um MBA na Universidade de 
Chicago. Trabalhou em Wall Street nos anos 1980, tornando-se um 
dos homens mais importantes e poderosos no mundo das finanças. 
Richard foi vice-presidente do Merrill Lynch e dirigiu uma de suas 
maiores divisões, antes de se aposentar aos 40 anos para se tornar 
filantropo. Resumindo, Richard foi extremamente bem-sucedido em 
sua carreira nas finanças. 
 
Aqui temos uma coincidência temporal: duas semanas após a morte 
de Grace Groner, que deixou toda a sua fortuna para instituições de 
caridade, Richard declarou falência. Ele informou ao juiz que a crise 
financeira de 2008 o destruiu completamente. Richard não tinha 
 
5 
 
renda, nem ativos, estava completamente falido. Sua única maneira 
de alimentar a família era vendendo os móveis de sua casa. 
 
 
 
 
 
Essas histórias de Grace e Richard são particularmente reveladoras. 
Perceba que em nenhuma outra área é possível que alguém sem 
formação acadêmica, experiência ou família rica se saia muito melhor 
do que uma pessoa com a melhor educação, experiência e apoio 
financeiro familiar. 
 
Esse tipo de discrepância não ocorre em nenhum outro campo. O 
que isso demonstra? Que lidar bem com o dinheiro não está 
relacionado ao conhecimento formal sobre finanças, à inteligência ou 
à instituição de ensino frequentada. Afinal de contas, Richard possuía 
todas essas vantagens, mas isso não importou no final. 
 
Lidar bem com o dinheiro depende muito mais do 
comportamento. Grace, por exemplo, tinha paciência e um 
pensamento voltado para o longo prazo, o que foi importante 
para seu acúmulo de capital. Esse comportamento é essencial, 
mas difícil de ensinar, pois não pode ser facilmente resumido em 
gráficos e fórmulas. A verdade é que a questão da psicologia do 
investimento é frequentemente ignorada, mesmo sendo o aspecto 
mais importante do investimento. 
 
Um dos pontos mais importantes sobre dinheiro, que é fácil de 
entender, mas raramente ensinado nas escolas, é a diferença entre 
finanças e matemática. Em matemática, há uma resposta certa para 
todos: 2 mais 2 sempre será 4, independentemente de quem você é 
 
6 
 
ou de onde você vem. Essa abordagem tende a ser aplicada também 
ao ensino das finanças, mas isso é equivocado. 
 
A realidade das finanças é que pessoas de diferentes origens, 
partes do mundo, idades e níveis de renda chegam a conclusões 
diferentes sobre o que é certo para elas. Não existe uma resposta 
universalmente correta. Isso é particularmente evidente quando se 
compara a experiência financeira de pessoas em diferentes países. 
 
Nos EUA, por exemplo, a geração atual nunca experimentou 
realmente uma inflação significativa. Em contraste, em muitas outras 
partes do mundo, a inflação é uma realidade constante. 
 
Na Austrália, antes da Covid, não houve recessão por 30 anos, um 
cenário bem diferente de muitas outras economias. Essa diversidade 
de experiências molda as percepções e estratégias de investimento 
de cada indivíduo. 
 
Portanto, é fundamental entender que o que funciona para um 
investidor pode não funcionar para outro, devido às suas 
experiências e contextos únicos. O comportamento financeiro e a 
adaptação às circunstâncias pessoais são mais importantes do que 
seguir uma fórmula única ou um conselho padronizado. 
 
Todo mundo enxerga o mundo através da lente de suas próprias 
experiências. Essas experiências moldam a visão de mundo de cada 
indivíduo, levando a diferentes compreensões de como a economia 
funciona. Diferente de matemática ou ciências exatas, onde há uma 
compreensão fundamental uniforme, a economia é vista de maneiras 
variadas por diferentes pessoas. 
 
Essas diferentes visões resultam em objetivos, tolerâncias de risco e 
aspirações diversos. Em vez de buscar uma resposta certa para as 
finanças, o mais eficaz é ser introspectivo. Cada pessoa deve avaliar 
sua própria visão do mundo, objetivos e tolerância ao risco. O que 
funciona para um pode não funcionar para outro, e isso é aceitável. 
É essencial encontrar o que funciona para cada pessoa 
individualmente, em vez de tentar aplicar uma resposta universal a 
questões financeiras. 
 
Esse é um ponto importante que Morgan Housel destaca ao discutir 
o universo dos investimentos. Ele menciona que, ao longo da última 
 
7 
 
década, mudou sua perspectiva sobre o julgamento das estratégias 
de investimento alheias. 
 
Antes, ele acreditava que havia uma única maneira correta de 
investir, e qualquer abordagem diferente estava errada. Agora, ele 
reconhece que há inúmeras formas de investir com sucesso, desde 
quese encaixem na personalidade e nos objetivos de cada 
investidor. 
 
Esse reconhecimento leva a uma compreensão mais profunda de 
que, ao aprender sobre finanças, muitas pessoas buscam tomar 
decisões financeiras racionais, acreditando que existe uma resposta 
certa a ser seguida. No entanto, Housel sugere que, em vez de focar 
em ser racional, as pessoas deveriam buscar ser razoáveis. Ser 
razoável envolve entender e aceitar a diversidade de estratégias de 
investimento e encontrar a abordagem que melhor se adapta às 
circunstâncias individuais, em vez de tentar seguir uma fórmula 
universal de sucesso financeiro. 
 
A forma como cada pessoa toma decisões financeiras deve estar 
alinhada com sua personalidade e objetivos, mesmo que outros não 
concordem. Se as decisões forem razoáveis e funcionarem para o 
indivíduo, isso é o mais importante. 
 
O limite do conhecimento 
do mercado 
 
Housel menciona que, ao viajar para fora dos EUA, fica surpreso com 
a frequência com que as pessoas discutem os preços das moedas 
estrangeiras e o valor de suas moedas em relação a outras. Nos 
EUA, esse não é um tema comum. 
 
Cada pessoa tem sua própria visão de como a economia e o mercado 
funcionam, baseadas em suas experiências individuais. Isso resulta 
em percepções incompletas da realidade econômica, pois ninguém 
tem uma visão perfeita de como a economia funciona. Housel 
enfatiza que todos somos prisioneiros das experiências que tivemos, 
e essas experiências moldam nossa compreensão do mundo. 
Portanto, é preciso reconhecer que nossa visão é limitada e aceitar 
 
8 
 
que outras perspectivas podem ser igualmente válidas, mesmo que 
diferentes das nossas. 
 
Ele destaca a dificuldade de entender plenamente as experiências 
dos outros, mesmo com empatia e leitura sobre diferentes realidades. 
Ele menciona uma palestra que fez com Daniel Kahneman, psicólogo 
e economista que ganhou o Prêmio Nobel em Economia e que 
cresceu na França ocupada pelos nazistas. Kahneman explicou 
como essas experiências o tornaram pessimista sobre o mundo e a 
humanidade. 
 
Housel reconhece que, embora tenha empatia com aqueles que 
cresceram em 
situações difíceis, 
como zonas de guerra 
ou pobreza, nunca terá 
a mesma compreensão 
emocional profunda 
que aqueles que 
realmente viveram 
essas experiências 
possuem. No final, 
todos somos 
prisioneiros do nosso 
passado quando 
pensamos sobre como 
o mundo funciona. 
 
Ao perguntar a 
Kahneman como os 
investidores podem 
abrir suas mentes para 
as experiências dos 
outros, Kahneman respondeu que não há muito que se possa fazer; 
é um fato da vida. No entanto, ao insistir um pouco mais, Kahneman 
sugeriu duas coisas que poderiam ser feitas. 
 
Uma das sugestões de Kahneman para abrir a mente dos 
investidores é conversar com pessoas que estão em situações 
diversas, especialmente de gerações ou países diferentes. Essas 
pessoas tiveram experiências econômicas muito distintas, e tentar 
entender suas visões do mundo pode expandir os horizontes para 
partes do mundo que normalmente não se consideraria. 
Daniel Kahneman, que ganhou o prêmio Nobel de Economia 
 
9 
 
 
A outra sugestão é ficar próximo de alguém que esteja em uma 
situação emocional diferente da sua, alguém que não seja da família 
ou um colaborador próximo. 
 
Essa pessoa deve ser alguém com quem se pode falar sobre dinheiro 
sem carregar o mesmo peso emocional ou vieses que se tem sobre 
o próprio dinheiro. De acordo com Kahneman, ter uma perspectiva 
externa e emocionalmente diferente pode ajudar a tomar decisões 
financeiras melhores e mais equilibradas. 
 
O papel da sorte 
 
 
Uma parte importante no universo dos investimentos que é 
frequentemente ignorada é o papel da sorte. A sorte é uma força 
poderosa que influencia muitos aspectos do sucesso financeiro, 
mas frequentemente é desconsiderada por duas razões 
principais. Primeiramente, reconhecer a sorte no sucesso de 
alguém pode soar rude ou desmerecer o esforço dessa pessoa. Em 
segundo lugar, admitir para si mesmo que seu próprio sucesso pode 
ser resultado de sorte pode ser desconfortável e prejudicial ao ego. 
 
Em todos os casos de grande sucesso financeiro, a sorte tem algum 
papel, embora não seja o único fator. Reconhecer isso é fundamental 
para uma compreensão mais equilibrada do sucesso nos 
investimentos. 
 
Por exemplo, figuras como Elon Musk, Warren Buffett e Bill Gates 
são frequentemente citadas como modelos de sucesso. Embora seja 
possível aprender muito com essas pessoas, não se pode replicar a 
sorte que contribuiu para seus sucessos. Bill Gates, por exemplo, 
frequentou a única escola secundária nos Estados Unidos que 
possuía um computador na época, o que foi um golpe de sorte que 
facilitou o início de sua trajetória na Microsoft. 
 
Portanto, é fundamental reconhecer que, além da inteligência, talento 
e trabalho duro, a sorte desempenhou um papel significativo no 
sucesso dessas figuras. Tentar copiar apenas suas estratégias sem 
levar em consideração a sorte pode ser perigoso e levar a uma 
compreensão distorcida do que é necessário para alcançar o 
 
10 
 
sucesso nos investimentos. Apreciar o papel da sorte ajuda a 
formar uma visão mais realista e equilibrada sobre como 
alcançar objetivos financeiros. 
 
Por isso, é mais eficaz identificar aspectos das vidas destas pessoas 
bem-sucedidas que podem ser replicados. Por exemplo, pode-se 
buscar imitar a paciência de Warren Buffett (que investe por décadas 
no mesmo ativo), a ética de trabalho de Elon Musk, que trabalha 20 
horas por dia, e a tenacidade e competitividade de Bill Gates. Essas 
são qualidades que podem ser replicadas independentemente das 
circunstâncias pessoais ou da sorte que cada um desses investidores 
teve. 
 
Um exemplo notável da importância dessas qualidades na gestão de 
investimentos é a história do fundo de investimento Long-Term 
Capital Management (LTCM) que quebrou em 1998 nos Estados 
Unidos. Este fundo tinha em sua equipe algumas das mentes mais 
brilhantes do mundo financeiro, incluindo ganhadores do Prêmio 
Nobel em Economia e doutores de Harvard e MIT. 
 
Apesar disso, o fundo quebrou devido ao uso excessivo de dívida 
para alavancar seus investimentos. Quando houve uma pequena 
instabilidade no mercado, o fundo não conseguiu se sustentar e faliu. 
 
 
 
 
 
 
11 
 
Essa história ilustra que, além de inteligência e conhecimento 
técnico, a gestão prudente e a compreensão dos riscos são 
essenciais. O uso excessivo de alavancagem pode ser desastroso, e 
a falta de preparação para adversidades pode levar ao fracasso 
mesmo os investidores mais inteligentes. Portanto, ao buscar 
modelos a seguir, é crucial focar nas qualidades que podem ser 
controladas e desenvolvidas, como paciência, ética de trabalho e 
resiliência, em vez de tentar replicar circunstâncias fortuitas. 
 
Warren Buffett fez um comentário incisivo após a falência do 
fundo Long-Term Capital Management, dizendo: "Se você 
arrisca o que precisa para ganhar o que não precisa, isso é 
tolice." Ele se referia aos investidores brilhantes que perderam tudo, 
apesar de já serem extremamente ricos, porque assumiram riscos 
excessivos para ganhar mais dinheiro – algo que eles não 
precisavam. 
 
Outra história relevante é a de Bernie Madoff, conhecido por provocar 
a maior fraude financeira de todos os tempos. Seu esquema Ponzi 
roubou 20 bilhões de dólares de investidores. Um aspecto 
interessante é que, nos anos 1980, antes de iniciar a fraude, Madoff 
ganhava cerca de 30 milhões de dólares por ano de maneira 
totalmente legal. Ele era um dos empresários mais bem-sucedidos 
do mundo antes de começar suas atividades fraudulentas. 
 
Essas histórias destacam a importância de reconhecer os riscos 
desnecessários e o papel que a sorte e o comportamento 
desempenham no sucesso financeiro. Tomar riscos excessivos para 
ganhar mais do que o necessário pode levar a consequências 
desastrosas, independentemente da inteligência ou do sucesso 
anterior. 
 
O que é fascinantesobre esse assunto é que, se alguém está em 
uma situação desesperadora, como ter um filho com fome em casa, 
roubar uma mercearia pode ser compreensível. No entanto, quando 
uma pessoa é extremamente bem-sucedida e rica e ainda assim 
decide assumir riscos excessivos para ganhar mais dinheiro, 
isso não faz sentido. A ideia de arriscar o que se precisa para 
ganhar o que não se precisa é a raiz de muitas decisões 
financeiras equivocadas. 
 
É importante para todos ter uma noção clara do que é suficiente em 
termos de dinheiro, risco e tempo de trabalho. Definir o que é 
 
12 
 
suficiente ajuda a evitar a tentação de assumir riscos 
desnecessários, que podem levar à ruína financeira. Sem essa 
clareza, a aprendizagem pode vir de forma dolorosa, quando esses 
riscos excessivos resultam em perdas significativas. 
 
Um dado interessante ilustra a importância da paciência e do 
pensamento a longo prazo nos investimentos. Warren Buffett, um dos 
investidores mais bem-sucedidos do mundo, tem um patrimônio 
líquido de cerca de 100 bilhões de dólares. Surpreendentemente, 
99% desse valor foi acumulado após seu 50º aniversário, e 98% após 
seu 65º aniversário. Isso demonstra que a acumulação de riqueza 
significativa leva tempo e é resultado de paciência e estratégias de 
investimento a longo prazo. 
 
Compreender o que leva ao sucesso nos investimentos é essencial. 
Na indústria de investimentos, passamos muito tempo tentando 
responder como Buffett conseguiu ser tão bem-sucedido. Analisamos 
minuciosamente como ele pensa sobre ciclos de negócios, equipes 
de gestão e valorizações, todos tópicos complicados e importantes. 
No entanto, uma razão crucial para sua riqueza é que ele investiu por 
80 anos. 
 
Se Buffett tivesse se aposentado aos 60 anos, como muitas pessoas 
fazem, ele nunca teria se tornado um nome famoso e não teria 
acumulado 99% de sua fortuna. O fator determinante de sua riqueza 
não é apenas sua habilidade como investidor, mas o fato de ter sido 
um bom investidor por um longo período. Isso destaca a importância 
do tempo nos investimentos. 
 
Para pessoas normais, não há aspecto mais importante para o 
sucesso nos investimentos do que o tempo. A variável mais crucial 
que determinará o sucesso ou fracasso é a duração do investimento. 
Muitos investidores focam em como obter os maiores retornos, mas 
a questão mais importante é quanto tempo você pode manter seus 
investimentos. O tempo é um fator não óbvio, mas faz toda a 
diferença no resultado final dos investimentos. 
 
A questão mais importante que um investidor deve se fazer não 
é "como posso obter os maiores retornos?", mas sim "quais são 
os melhores retornos que posso obter ao longo de um período 
prolongado?". Dado que o tempo é um fator fundamental nos 
investimentos, é isso que realmente leva ao sucesso. Obter retornos 
consistentes por um longo período de tempo resultará em muito mais 
 
13 
 
sucesso e riqueza do que tentar conseguir os maiores retornos em 
um curto período. 
 
Howard Marks, considerado um dos maiores investidores da 
atualidade, conta a história de um amigo cujos retornos anuais nunca 
ficavam acima da metade superior dos outros investidores. 
Geralmente, ele estava no 50º percentil quando consideravam o 
retorno da sua carteira apenas em um determinado ano. 
No entanto, considerando um período de 10 anos, ele estava entre 
os 5% melhores. Isso mostra que retornos medianos sustentados ao 
longo do tempo podem levar à geração significativa de riqueza. 
 
Uma verdade nos investimentos que confunde muitas pessoas é que 
é possível estar errado metade do tempo e ainda assim ter um 
desempenho excelente. Nos últimos 40 anos, 40% das empresas 
listadas em Bolsa nos EUA foram à falência, mas o índice S&P 500 
ainda apresentou bons retornos. 
 
 
 
Isso ocorre porque uma minoria dos investimentos gera a maior parte 
dos retornos. Portanto, mesmo que muitos investimentos falhem ao 
longo do tempo, os poucos que têm sucesso podem compensar 
consideravelmente. 
 
O mesmo acontece nos últimos anos, quando olhamos o 
desempenho de empresas como Amazon, Apple e Facebook (Meta): 
o desempenho dessas ações compensa a baixa performance de 
diversos outros papéis, fazendo com que, na média, o índice tenha 
uma boa valorização. 
 
 
14 
 
Riqueza é aquilo que não se 
pode ver 
 
É importante diferenciar entre "ficar rico" e "manter-se rico". Ficar rico 
exige otimismo e disposição para correr riscos. Manter-se rico, por 
outro lado, requer uma abordagem conservadora e aversão a riscos, 
costumeiramente entendida como pessimista. 
 
Para alcançar sucesso nos investimentos e manter a riqueza, é 
preciso equilibrar otimismo e pessimismo. Guardar dinheiro como um 
pessimista significa estar preparado para surpresas, recessões e 
quedas de mercado, assegurando que se possa sobreviver 
financeiramente a esses períodos difíceis. Investir dinheiro como um 
otimista, por outro lado, envolve acreditar no crescimento e no poder 
dos juros compostos a longo prazo, apostando no potencial de 
recuperação e expansão dos mercados. 
 
O segredo é aprender a fazer esses dois aspectos coexistirem. Quem 
guarda dinheiro precisa estar preparado para as adversidades 
inevitáveis, garantindo que possa aproveitar as oportunidades de 
crescimento quando surgirem. Por outro lado, quem investe de forma 
otimista aposta no futuro, mas precisa ter uma base financeira sólida 
para suportar períodos de instabilidade. 
 
Uma história pessoal ilustra bem esse ponto. Quando Housel estava 
na faculdade, trabalhou como manobrista em um hotel de luxo em 
Los Angeles. Frequentemente, ele via pessoas dirigindo Ferraris, 
Lamborghinis e Rolls Royces. Inicialmente, pensava que todas essas 
pessoas eram ricas. Com o tempo, começou a conhecê-las melhor e 
percebeu que nem todas eram financeiramente estáveis, apesar das 
aparências. Algumas tinham gastado todo dinheiro que tinham para 
comprar o carro, por exemplo. 
 
A lição que ficou é que a verdadeira riqueza é aquilo que você 
não vê. Podemos ver seu carro, sua casa e suas roupas, mas 
não podemos ver sua conta bancária ou seus investimentos. 
Não sabemos, portanto, quão rica uma pessoa é. A riqueza 
verdadeira é o dinheiro que você não gastou. São os carros, casas e 
roupas que você não comprou. Essa é a verdadeira definição de 
riqueza, e ela é invisível no mundo. 
 
15 
 
 
Isso é diferente de como a maioria das coisas funciona. Se alguém 
está em boa forma física, é fácil perceber. Mas não podemos ver sua 
conta bancária. Isso engana muitas pessoas, fazendo com que 
admirem modelos financeiros que não são realmente ricos. Você 
nunca sabe quanto dinheiro as pessoas têm até que as conheça bem. 
Portanto, vamos reforçar: a riqueza é o que você não vê. 
 
O custo e a mentalidade 
para enriquecer no 
mercado de ações 
 
 
O mercado de ações tem o potencial de gerar muita riqueza ao longo 
do tempo. No entanto, isso tem um custo. Assim como em qualquer 
coisa na vida, se você deseja algo valioso, há um preço a pagar. No 
contexto do mercado de ações, o custo de admissão é suportar muita 
volatilidade e incerteza. O mercado pode subir e descer, e é 
fundamental entender como lidar com essa volatilidade. 
 
Existem duas maneiras de enxergar a volatilidade. A primeira é vê-la 
como uma multa. Nesse caso, se o seu portfólio cair 20%, isso é 
interpretado como um erro. A visão de multa implica que você fez 
algo errado, deve se sentir culpado e aprender a nunca repetir o erro. 
A segunda maneira de encarar a volatilidade é como uma taxa. Uma 
taxa, diferente de uma multa, é simplesmente o preço de admissão 
para obter algo valioso no futuro. Se o seu portfólio cair 20%, isso é 
visto como a taxa necessário para obter os benefícios do crescimento 
a longo prazo. 
 
A maioria dos investidores encara a volatilidade como uma multa, 
pensando que cometeram um erro. No entanto, ver a volatilidade 
como uma taxa de admissão pode mudar a perspectiva, permitindo 
lidar melhor com as oscilações domercado e focar nos ganhos a 
longo prazo. 
 
O mercado de ações engloba dezenas de milhões de investidores ao 
redor do mundo, desde adolescentes aprendendo a investir até 
 
16 
 
fundos de doações (conhecidos como endowments) que se planejam 
para investir pelos próximos 100 anos. O importante é entender que 
cada investidor tem um horizonte de tempo diferente. Alguns estão 
investindo para as próximas décadas, enquanto outros estão focados 
nos próximos minutos. Todos participam do mesmo mercado, mas 
jogam jogos diferentes com regras diferentes. 
 
Para um day trader, o objetivo e as estratégias são muito 
diferentes de um investidor de longo prazo que visa os próximos 
10 ou 20 anos. Reconhecer seu próprio horizonte de tempo e 
entender que ele difere dos outros é fundamental para uma 
abordagem de investimento bem-sucedida. Isso ajuda a manter a 
perspectiva correta e a tomar decisões que estejam alinhadas com 
seus próprios objetivos e tolerância ao risco. 
 
Um erro comum que os investidores cometem é ser um investidor de 
longo prazo, mas começar a seguir as dicas dos traders, que estão 
jogando um jogo completamente diferente. Esses investidores 
podem ver traders vendendo rapidamente e pensar que deveriam 
fazer o mesmo, sem perceber que os horizontes de tempo e as 
estratégias são bem distintas. 
 
Estabelecer seu próprio horizonte de tempo e seguir as regras que 
se aplicam a ele é fundamental para o sucesso. Não se deve buscar 
orientações ou informações de pessoas que jogam um jogo diferente, 
pois isso pode levar a decisões equivocadas. 
 
Otimismo ou pessimismo? 
 
 
Quando se discute economia, o pessimismo tende a soar mais 
inteligente do que o otimismo. Se alguém afirma que uma recessão 
está chegando, isso atrai mais atenção do que dizer que há grandes 
oportunidades no mercado. O pessimismo chama a atenção e 
preocupa as pessoas, enquanto o otimismo pode parecer uma 
tentativa de vender algo. No entanto, manter uma perspectiva 
otimista e focar em um horizonte de longo prazo pode ser mais 
benéfico para os investimentos. 
 
Isso é particularmente relevante quando observamos as manchetes 
de jornais. As pessoas são mais impressionadas e prestam mais 
 
17 
 
atenção às notícias pessimistas, mesmo que as notícias otimistas 
sejam mais importantes ao longo do tempo. As boas notícias 
geralmente acontecem lentamente, enquanto as más notícias 
surgem de repente. 
 
Por exemplo, o crescimento econômico tende a ocorrer ao longo 
de muitos anos e não faz manchetes diárias. No entanto, eventos 
negativos como pandemias ou ataques terroristas podem 
ocorrer de repente e dominar as manchetes. 
 
Apesar de, no longo prazo, o crescimento ser mais poderoso e gerar 
a maior parte da riqueza, as notícias ruins sempre capturam nossa 
atenção de uma maneira que as boas notícias não conseguem. Isso 
reforça a importância de manter uma perspectiva otimista e focada 
no longo prazo, mesmo diante da volatilidade e das notícias 
negativas que podem surgir. 
 
 
Disposição para assumir 
riscos 
 
Seja na carreira ou nos investimentos, o sucesso ao longo do tempo 
está diretamente relacionado à disposição de assumir riscos. O risco 
é o que proporciona recompensas ao longo do tempo. No entanto, é 
fundamental entender que, apesar de ser importante assumir riscos 
para crescer, é igualmente importante evitar a ruína financeira. 
 
Querer tomar risco para aumentar a riqueza é essencial, mas é 
importante garantir que, em nenhuma circunstância, haja o risco de 
uma catástrofe financeira que o tire do jogo. Portanto, além de buscar 
o crescimento financeiro, o objetivo principal deve ser a resiliência 
financeira. Isso significa ter recursos suficientes para sobreviver a 
recessões, quedas de mercado ou pandemias, garantindo liquidez 
para enfrentar qualquer crise sem ser forçado a sair do mercado. 
 
Resumindo, a chave para o sucesso a longo prazo não é apenas 
conseguir grandes retornos, mas sim permanecer no jogo por 
um longo período. 
 
 
18 
 
Mesmo obtendo retornos médios, a consistência ao longo de 50 anos 
pode levá-lo a alcançar todos os objetivos financeiros e ainda mais. 
Assim, o objetivo é ser “financeiramente inquebrável”, podendo 
enfrentar adversidades e continuar investindo ao longo do tempo. 
 
Adotar essa mentalidade permite navegar pelos altos e baixos do 
mercado, focando na sustentabilidade e na continuidade, em vez de 
buscar ganhos rápidos que podem levar a riscos excessivos e 
potencial ruína. 
 
Há muitos anos, Housel conversou com um gestor de fundos 
chamado Mohnish Pabrai, um dos melhores investidores de nossa 
época e um dos seus favoritos. Ele havia investido em uma empresa 
chamada Delta Financial, que acabou falindo, resultando na perda 
total de seu investimento. 
 
Quando discutiram o que ele aprendeu com essa experiência, ele 
disse algo surpreendente: "Eu não me arrependo de nada. Ainda era 
um ótimo investimento. Mesmo tendo perdido todo o meu dinheiro, 
foi a decisão certa." E ainda afirmou que repetiria o investimento. 
 
Isso destaca um aspecto crucial sobre probabilidade e investimento. 
Muitas pessoas enxergam as decisões em termos de certo ou errado, 
mas a realidade é mais complexa. No mundo dos investimentos, é 
possível tomar uma boa decisão que não dá certo e, ao mesmo 
tempo, tomar uma decisão ruim que acaba funcionando. 
 
A probabilidade é o que importa. 
Pabrai explicou que as chances 
de sucesso estavam a seu favor 
com o investimento na Delta 
Financial. Se ele continuasse a 
tomar decisões com boas 
probabilidades, mesmo que 
algumas não dessem certo, ele 
se sairia bem no longo prazo. 
 
Essa perspectiva é 
contraintuitiva, mas essencial 
para o sucesso nos 
investimentos. Ela sublinha a 
importância de entender que, no mundo real, os resultados não são 
sempre uma simples questão de certo ou errado. O foco deve estar 
Mohnish Pabrai 
 
19 
 
nas decisões baseadas em boas probabilidades, 
independentemente dos resultados individuais. 
 
Muitas pessoas vão julgar se você estava certo ou errado com base 
nos resultados. No entanto, é crucial focar no processo de tomada de 
decisão ao investir. Analisar como as decisões são feitas, em vez de 
apenas os resultados, é a abordagem correta. Pensar em termos de 
probabilidade, ao invés de ver tudo como preto ou branco, é vital para 
ser um bom investidor. 
 
Vieses sobre o risco 
 
A maioria dos investidores não precisa ser o melhor do mundo para 
atingir seus objetivos financeiros, como aposentadoria ou educação 
dos filhos. Em vez de tentar superar a média, o objetivo deve ser 
evitar ser um mau investidor. Para a maioria, ser um investidor 
mediano é suficiente para alcançar tudo o que se deseja e até mais. 
 
Muitos erros e decisões ruins surgem quando as pessoas tentam ser 
excelentes investidores, buscando retornos excepcionais. Isso pode 
levar a comportamentos arriscados que resultam em perdas e 
retornos abaixo da média, comprometendo seus objetivos 
financeiros. Portanto, a melhor estratégia para a maioria das pessoas 
é ser um investidor “normal”, evitando riscos desnecessários e 
focando em consistência e longo prazo. Essa é a abordagem que 
Housel adota na gestão do seu próprio dinheiro. 
 
Muitas vezes, os erros dos investidores surgem quando eles não 
estão satisfeitos com a mediocridade e tentam ser melhores, mas 
acabam piorando seu retorno médio e às vezes até mesmo 
quebrando. 
 
Carl Richards, um planejador financeiro que Morgan Housel respeita 
e admira, diz que "o risco é o que resta quando você pensa que 
pensou em tudo". Isso significa que, apesar de todos os nossos 
esforços para analisar a economia e prever o mercado de ações, o 
que realmente importa são as surpresas e os riscos imprevistos que 
permanecem. 
 
Essa perspectiva pode parecer desesperadora, pois implica que não 
temos controle total sobre o que vai acontecer. O maior risco 
 
20 
 
econômico do próximo ano, ou dos próximos cinco ou dez anos, 
provavelmente será algo que ninguémestá discutindo hoje, pois será 
uma surpresa completa. Essa realidade enfatiza a importância de ser 
cauteloso e preparado para enfrentar o inesperado, mantendo uma 
abordagem de investimento 
equilibrada e a longo prazo. 
 
 A Covid-19 é um exemplo clássico 
de risco imprevisto. Ninguém previu 
a pandemia e seu impacto 
devastador até que ela realmente 
aconteceu. Historicamente, sempre 
foi assim: os maiores riscos são 
aqueles que ninguém está 
discutindo ou prevendo. 
 
Existem duas maneiras principais 
de lidar com esses riscos. Primeiro, 
é importante reconhecer que a 
ilusão de controle é tentadora, mas 
enganosa. Em vez de tentar 
prever e controlar todos os 
eventos futuros, devemos nos preparar para lidar com o 
inesperado. Isso significa aceitar que não sabemos o que vai 
acontecer e garantir que nossas finanças tenham margem para 
absorver surpresas e incertezas. 
 
Em segundo lugar, é crucial distinguir entre expectativas e previsões 
específicas. Fazer uma previsão, como afirmar que a próxima 
recessão ocorrerá em junho de 2023, é bem diferente de ter uma 
expectativa baseada em padrões históricos, como esperar que haja 
duas recessões por década. Esta sim é uma abordagem mais 
realista. Não é necessário saber quando ou como a próxima 
recessão ocorrerá, mas sim ter uma expectativa baseada em 
tendências históricas. 
 
Preparar-se para o futuro envolve aceitar a incerteza e garantir que 
nossas finanças estejam robustas o suficiente para enfrentar 
quaisquer surpresas. Essa mentalidade ajuda a navegar pelas 
incertezas econômicas e a manter a resiliência financeira a longo 
prazo. 
 
 
21 
 
Quando alguém pergunta se haverá uma recessão ou se o mercado 
de ações vai cair, a resposta é sempre sim, mas sem precisão sobre 
quando ou o que causará isso. Ter expectativas em vez de previsões 
é essencial. Ninguém pode prever com exatidão o que acontecerá na 
economia ou no mercado de ações. Ao invés de tentar adivinhar 
esses eventos, o melhor é ter uma expectativa e estar preparado para 
lidar com eles quando ocorrerem. 
 
A forma de resumir isso é que você deve investir em preparação, não 
em previsão. Estar preparado significa ter uma estratégia financeira 
robusta que possa absorver choques inesperados e manter a 
resiliência a longo prazo. Essa preparação inclui ter liquidez 
suficiente, diversificação adequada e uma mentalidade de longo 
prazo que permita enfrentar a volatilidade e as surpresas inevitáveis. 
 
Não tente prever o que vai acontecer a seguir, apenas invista em sua 
própria preparação. Em vez de gastar tempo tentando prever o 
futuro, concentre-se em se tornar mais robusto financeiramente. Isso 
significa reduzir dívidas, aumentar a margem para erros e 
economizar mais dinheiro. Tornar-se mais financeiramente resiliente 
é a melhor maneira de se preparar para o futuro, em vez de assumir 
que podemos prever o que vai acontecer. 
 
Dívidas, dinheiro poupado 
e habilidade de resistir ao 
bear market 
 
Uma maneira de pensar sobre dívida e dinheiro poupado é que cada 
pequeno pedaço de dívida representa uma parte do seu futuro que 
pertence a outra pessoa. Por outro lado, cada pedaço de poupança 
é uma parte do seu futuro sob seu controle. Quando você pensa 
nesses termos, fica claro o quão poderoso e prejudicial a dívida e a 
poupança podem ser. A dívida tira opções de você, enquanto a 
poupança oferece opções. 
 
Dado que o futuro é incerto e ninguém sabe o que acontecerá nos 
próximos cinco ou dez anos, é essencial ter o máximo de opções 
possível para lidar com essa incerteza. Talvez a economia caia e 
 
22 
 
você precise se adaptar. Talvez surja uma nova oportunidade que 
você queira aproveitar. Não sabemos quando ou o que acontecerá, 
mas estar preparado e ter opções é a melhor estratégia para fazer 
bem financeiramente no longo prazo. 
 
Pensar na dívida como algo que tira opções e na poupança como 
algo que adiciona opções deixa claro o que é necessário 
financeiramente para prosperar a longo prazo. Quanto mais opções 
você tiver, melhor estará preparado para lidar com qualquer situação, 
seja ela boa ou ruim. 
 
A verdade é que durante um mercado em alta, todos parecem ser 
gênios e acreditam que são extremamente inteligentes e ricos. No 
entanto, a verdadeira habilidade de um investidor só é provada 
quando ele sobrevive a uma calamidade. As pessoas que se 
saem bem em um mercado em alta e conseguem continuar 
investindo durante períodos de baixa são aquelas que realmente 
demonstram habilidade. 
 
Avaliar o sucesso como investidor exige um horizonte de tempo mais 
longo do que muitas pessoas imaginam. Muitas vezes, aqueles que 
têm um bom desempenho em seis meses ou um ano acreditam que 
isso prova suas habilidades, mas o verdadeiro teste é a capacidade 
de se manter e prosperar a longo prazo, mesmo diante de 
adversidades. 
 
Você não pode realmente provar sua habilidade como investidor até 
enfrentar um grande mercado em baixa e sobreviver a ele. Em 
momentos de crise, muitos investidores que pensavam ser 
habilidosos percebem que estavam apenas surfando uma onda que 
estava fora de seu controle. Entenda que pode levar pelo menos 10 
anos, ou mais, para avaliar se alguém é realmente hábil ou se estava 
apenas aproveitando um mercado favorável. 
 
Uma questão interessante é o motivo de as pessoas cometerem os 
mesmos erros de forma repetida, especialmente em momentos de 
bolhas de investimento. Mesmo após eventos como a bolha das 
empresas de tecnologia no início dos anos 2000, onde o mercado 
subiu rapidamente e depois colapsou, vemos os mesmos padrões se 
repetirem. 
 
Uma razão para isso é que todo investimento ruim começa como uma 
boa ideia que foi levada ao extremo. Cada vez que uma bolha 
 
23 
 
estoura, nos perguntamos por que fomos tão imprudentes. A 
realidade é que essas bolhas começam com boas ideias que são 
exageradas até níveis insustentáveis. 
 
Geralmente, uma nova tecnologia traz grandes promessas e 
expectativas de mudança no mundo. Nos anos 90, a internet foi um 
exemplo claro disso. As pessoas acreditavam que a internet mudaria 
o mundo, e estavam certas. No entanto, isso não significava que 
deveriam pagar qualquer preço pelas empresas de tecnologia, 
elevando os preços a níveis insustentáveis. Mesmo estando corretos 
sobre o impacto da tecnologia, muitos investidores perderam todo o 
seu dinheiro ao exagerar nas valorizações. 
 
Se olharmos para a história, vemos que isso é um padrão recorrente. 
No século XIX, nos Estados Unidos, as ferrovias representavam a 
grande inovação tecnológica. As pessoas acreditavam que as 
ferrovias mudariam o mundo, e realmente estavam certas. No 
entanto, quase todos que investiram nelas perderam seu dinheiro. 
Isso mostra que é possível ter a ideia certa e a tecnologia correta, 
mas ainda assim perder dinheiro ao levar essas ideias a extremos 
irracionais. 
 
Essas bolhas são enganosas por essa razão. Uma boa ideia e a 
tecnologia certa podem ser acompanhadas de avaliações 
completamente erradas sobre o valor que se deve pagar por essas 
empresas. É por isso que essas bolhas continuam ocorrendo 
repetidamente e provavelmente sempre ocorrerão. As pessoas são 
seduzidas pelas promessas das novas tecnologias, mas esquecem 
de avaliar racionalmente os preços que estão pagando. 
 
O planejamento financeiro é crucial para garantir que você possa 
pagar pela aposentadoria, pela educação dos filhos e por outras 
metas financeiras importantes. No entanto, a parte mais 
importante de qualquer planejamento financeiro é estar 
preparado para que o plano não saia exatamente como previsto. 
 
Podemos passar o dia todo planejando o que achamos que o futuro 
será, como o mercado de ações vai se comportar, como será nossa 
carreira e quais serão nossos gastos futuros. No entanto, não importa 
o quão detalhado seja o nosso planejamento, o futuro sempre traz 
surpresas. Isso é válido não só para a economia, mas também para 
nossas vidas pessoais. 
 
 
24 
 
A vida frequentemente segue caminhos diferentesdo que 
planejamos, tanto de formas positivas quanto negativas. Ninguém, 
aos 20 anos, sabe exatamente como será o resto da vida. Todos 
começam a planejar suas carreiras e finanças com base em 
suposições que frequentemente se mostram incorretas. 
 
Portanto, a chave para um bom planejamento financeiro é estar 
disposto a ajustá-lo conforme necessário. Isso inclui ter margem para 
erros, ficar aberto a mudar de ideia e aceitar surpresas. É essencial 
ter flexibilidade e resiliência financeira para adaptar-se às mudanças 
e imprevistos que inevitavelmente surgirão. 
 
A habilidade financeira mais importante é ter espaço para cometer 
erros sem que isso acabe com seu futuro. Você até pode ter um plano 
sobre o que você acha que pode acontecer, mas esteja sempre estar 
preparado para o caso de o mundo seguir um caminho 
completamente diferente do que você imaginou. 
 
Talvez você pense que o crescimento econômico será de 5%, mas 
se for de apenas 2%, você precisa estar preparado para isso 
também. Da mesma forma, se você espera que sua carreira dure 
mais 20 anos, mas ela terminar em 15, é necessário estar pronto para 
lidar com essa mudança. 
 
Planejar algo e não seguir este plano à risca não é intuitivo para a 
maioria das pessoas. Todos querem precisão ao prever o futuro, mas 
isso raramente acontece. Portanto, quanto mais espaço para erros 
podemos incluir em nossos investimentos e em nosso planejamento 
de carreira e futuro, melhor estaremos preparados para enfrentar 
imprevistos ao longo do tempo. 
 
Tomando o controle do 
tempo com dinheiro 
 
Uma pergunta fundamental, mas frequentemente subestimada, é: o 
que o dinheiro faz por você? A resposta imediata que muitos dariam 
é que o dinheiro permite comprar coisas, como uma casa mais bonita 
ou um carro mais luxuoso. No entanto, a verdadeira utilidade do 
 
25 
 
dinheiro vai além de comprar bens materiais, mas sim a possibilidade 
de trazer felicidade ao proporcionar controle sobre o seu tempo. 
 
Quando você pode usar o dinheiro para controlar seu calendário e 
fazer o que quiser, quando quiser, pelo tempo que desejar e com 
quem quiser, isso realmente melhora a qualidade de vida. 
 
Uma história ilustrativa sobre isso vem de uma empresa onde 
Morgan Housel trabalhou. O diretor de recursos humanos contou que 
quando um funcionário ameaçava sair caso não recebesse um 
aumento, raramente era apenas sobre o dinheiro. Havia um problema 
mais profundo, como insatisfação com o trabalho. Os funcionários 
pensavam que um aumento os faria mais felizes, mas isso raramente 
resolvia a questão. 
 
O verdadeiro desejo era por mais controle e flexibilidade em suas 
vidas. Portanto, o maior benefício que o dinheiro pode proporcionar 
é a capacidade de controlar seu tempo e ter flexibilidade para viver 
onde quiser, se aposentar quando desejar e dedicar tempo às 
atividades e pessoas que são importantes para você. Isso é o que 
realmente traz felicidade, mais do que simplesmente possuir bens 
materiais, embora eles também possam ser apreciados. 
 
Carl Pillemer, um gerontólogo 
nos Estados Unidos, realizou um 
projeto fascinante onde 
entrevistou mil americanos 
idosos, a maioria com idades 
entre 90 e 100 anos. Ele 
perguntou a eles sobre as lições 
que aprenderam ao longo da 
vida, e essas conversas foram 
transformadas em um livro 
chamado "30 Lessons for 
Living". Uma citação desse livro 
destaca que, entre as mil 
pessoas entrevistadas, 
nenhuma desejou ter ganhado 
mais dinheiro, trabalhado mais 
duro ou acumulado mais 
riquezas. 
 
 
26 
 
Ao contrário, quase todos disseram que desejavam ter passado mais 
tempo com a família e amigos, e se envolvido mais na comunidade 
para torná-la um lugar melhor. Isso mostra que, olhando para trás, o 
que realmente importa é o tempo dedicado às pessoas e atividades 
significativas. Essa lição é poderosa: embora coisas materiais 
possam proporcionar conforto e prazer, o uso do dinheiro para 
ganhar controle sobre o tempo e passar mais tempo com pessoas 
queridas é o que realmente traz satisfação duradoura. 
 
Portanto, enquanto é natural desejar uma vida confortável, o 
verdadeiro valor do dinheiro está em proporcionar liberdade para 
viver de acordo com os próprios termos, priorizando relacionamentos 
e experiências significativas. Usar o dinheiro dessa maneira, para ter 
mais controle sobre o próprio tempo, é essencial para uma vida bem 
vivida. 
 
Ninguém pensa em você 
tanto quanto você mesmo 
 
 
Um dos ensinamentos financeiros mais importantes que Morgan 
Housel aprendeu aconteceu quando ele trabalhava como valet em 
um hotel em Los Angeles durante a faculdade. 
 
Sempre que alguém chegava ao hotel dirigindo um carro luxuoso, 
como uma Ferrari ou um Lamborghini, ele nunca pensava "uau, essa 
pessoa é incrível". Em vez disso, pensava que, se estivesse no lugar 
do motorista, as pessoas achariam que ele era incrível. A ironia era 
que ele não se importava com o motorista, mas pensava que, se ele 
estivesse dirigindo aquele carro, as pessoas se importariam com ele. 
 
Essa lição mostrou-lhe que ninguém está pensando em você tanto 
quanto você imagina. Muitas vezes, as pessoas desejam mais 
dinheiro, um carro melhor ou uma casa maior, superestimando o 
benefício e a admiração que receberão dos outros. Na realidade, 
ninguém pensa em você tanto quanto você mesmo. 
 
Essa percepção limitou as aspirações de Housel de possuir coisas 
para impressionar os outros. Claro, ele queria um carro bom e uma 
casa confortável, mas entendeu que as pessoas superestimam a 
 
27 
 
admiração que receberão pelos seus bens. As pessoas podem 
pensar que são admiradas pelo que vestem ou dirigem, mas os 
outros realmente não se importam tanto quanto elas imaginam. 
 
Esse desejo de possuir coisas materiais para parecer bem aos olhos 
dos outros pode desviar a atenção das pessoas ao pensar sobre 
dinheiro. Elas aspiram bens materiais acreditando que isso trará mais 
felicidade e admiração dos outros, mas isso raramente acontece. 
 
Lidando com os ciclos de 
mercado pelo otimismo 
racional 
 
A história econômica de quase todos os países é marcada por ciclos 
de crescimento e recessão. Esses ciclos de "boom" e "bust" (altos e 
baixos) ocorrem repetidamente. A pergunta é: por que não podemos 
ter uma economia estável e moderada que permaneça em um nível 
razoável constantemente? A resposta é que otimismo e pessimismo 
sempre levarão a esses ciclos de crescimento e retração. 
 
O que a economia está tentando fazer é explorar todas as 
oportunidades disponíveis. Quando há uma oportunidade, alguém vai 
tentar aproveitá-la para ganhar dinheiro. No entanto, ninguém sabe 
exatamente onde estão os limites do otimismo e do pessimismo até 
que esses limites sejam ultrapassados. A economia se torna 
extremamente otimista porque as pessoas precisam testar esses 
limites para descobrir quanta oportunidade existe. Elas só sabem que 
exploraram todas as oportunidades possíveis quando começam a 
perceber os limites, e é aí que os ciclos de crescimento e retração se 
manifestam. 
 
Não há oportunidade para explorar até que se ultrapassem as 
fronteiras. É só depois de passar por esses limites que se pode olhar 
para trás e reconhecer que foi longe demais. Mesmo sabendo onde 
essa fronteira está, há sempre a possibilidade de mais oportunidades 
a serem exploradas. 
 
 
28 
 
Isso explica por que a economia sempre oscila entre altos e baixos 
extremos, nunca permanecendo em um nível calmo e estável. A 
única maneira de saber onde estão esses limites é ultrapassá-los. 
Esse ciclo de otimismo e pessimismo extremos se repete 
continuamente. 
 
Um conceito importante é o de ser um "otimista racional". Isso não 
significa acreditar que tudo será ótimo no futuro, o que seria uma 
visão complacente e irrealista do mundo. Um otimista racional 
entende e aceita que o futuro será uma sequência constante de 
contratempos, surpresas, recessões e notícias ruins, tanto na vida 
pessoal quanto globalmente. 
 
No entanto, se alguém conseguesuportar todas essas adversidades 
e continuar ao longo do tempo, eventualmente as boas notícias 
prevalecerão. Isso é o que define um otimista racional. Esse tipo de 
otimismo é fundamentado na confiança de que, apesar dos desafios 
e dos ciclos de pessimismo, as principais economias mundo serão 
mais ricas e desenvolvidas em 10, 20 ou 50 anos. 
 
Porém, é certo que o caminho até lá será marcado por uma 
sequência constante de surpresas e decepções. Haverá recessões, 
falências de empresas, inflação alta e aumentos nas taxas de juros 
ao longo do tempo. 
 
Esse processo será uma linha constante de desafios, mas ao olhar 
para trás, em 10, 20 ou 50 anos, será possível ver o progresso 
alcançado. Nos últimos 30 anos, as maiores economias do mundo 
cresceram significativamente, apesar de enfrentarem muitos 
obstáculos. Durante esse período, houve recessões, inflação alta e 
outros problemas econômicos que dominaram as notícias. 
 
Nos próximos 10 anos, as manchetes econômicas mais 
proeminentes provavelmente serão sobre riscos, recessões, pessoas 
ficando mais pobres, perda de dinheiro e inflação. No entanto, 
também haverá progresso, e olhando para trás, será possível ver o 
quanto a economia avançou. Esse otimismo racional reconhece as 
dificuldades, mas confia no crescimento a longo prazo, essencial 
para entender a dinâmica dos mercados e da economia global. 
 
Isso é o que define um otimista racional: ser otimista a longo prazo, 
mas aceitar e estar disposto a suportar uma linha constante de 
recessões no curto prazo. 
 
29 
 
Vantagens e desvantagens 
 
Há muitas coisas que parecem vantagens, mas acabam se tornando 
problemas. Um exemplo interessante disso é a história do alce 
irlandês. Há muitos anos, existia o alce irlandês, que possuía 
galhadas enormes. Essas galhadas eram uma vantagem porque 
podiam ser usadas para derrotar outros animais, servindo como 
proteção e armas. 
 
 
 
 
 
No entanto, os alces irlandeses estão agora extintos. O problema foi 
que essas galhadas enormes exigiam uma quantidade imensa de 
comida para crescer. Quando houve uma mudança climática e o 
ambiente não podia mais sustentar a necessidade alimentar desses 
animais, eles morreram. 
 
O que parecia uma grande vantagem acabou se tornando a ruína 
desse animal. No mundo dos investimentos, algo semelhante pode 
acontecer. Por exemplo, durante um mercado em alta, ter dinheiro 
em caixa pode parecer um problema, já que o mercado está subindo 
e o dinheiro não está rendendo nada, perdendo valor para a inflação. 
 
Essa situação, que parece uma âncora, pode, no entanto, se tornar 
uma grande vantagem quando o mercado inverte e cai. Nesse 
momento, ter liquidez permite aproveitar oportunidades de compra a 
preços baixos, demonstrando como algo que parecia desvantajoso 
pode, na verdade, se transformar em uma grande vantagem. 
 
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Quando o mercado está em alta e você tem dinheiro em caixa, você 
pode se sentir frustrado, questionando suas decisões financeiras e 
vendo o dinheiro como uma âncora que impede seu progresso. No 
entanto, ter liquidez permite aproveitar a queda dos preços para 
comprar ativos a valores mais baixos, garantindo a sobrevivência 
financeira durante períodos de crise. O que antes parecia um 
problema se transforma na chave para o sucesso a longo prazo. 
 
Essa abordagem garante que você não enfrente uma ruína 
financeira, como aconteceu com o alce irlandês, e permite que você 
prospere mesmo em tempos difíceis.

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