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AVALIAÇÃO NEUROPSICOLOGICA DA ATENÇÃO INSTRUMENTOS DE AUXÍLIO DIAGNÓSTICO DOS

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por Noronha et al. (2006), foram comparados 
os testes AC e AS com o objetivo de estudar os construtos de atenção concentrada e 
sustentada, com vistas a possibilitar um melhor entendimento da relação existente entre 
ambos. A amostra foi composta de 212 candidatos a Carteira Nacional de Habilitação. Os 
resultados mostraram que as medidas de Concentração e a Velocidade com Qualidade do 
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teste AS apresentaram correlações positivas e significativas com o AC, embora fracas (0,28 
e 0,40 respectivamente). 
O ponto de interesse no presente trabalho é discutir justamente esses constructos 
teóricos a luz da neuropsicologia, pois não é raro esses testes (d2, AC e AS) serem 
utilizados na avaliação de déficit de atenção por psicólogos. 
Spreen & Strauus (1998) citam que o teste d2 fornece uma medida de busca visual e 
inibição de respostas. Baixos escores podem refletir déficit de atenção, lentidão de resposta, 
problemas com mudanças de respostas ou negligência espacial unilateral, sendo útil assim 
como auxílio no diagnóstico de adolescentes e adultos com TDA/H. 
Quanto ao teste AS, como discutido anteriormente, considera-se que as tarefas de 
atenção sustentada requerem a detecção de sinais transitórios ou breves por tempo 
relativamente prolongado e que nestas tarefas verificamos o decréscimo da concentração, 
caracterizado pelo gradual declínio na taxa de detecção de sinais não freqüentes com o 
decorrer do tempo ou o aumento na velocidade de resposta, que dependem de fatores 
perceptuais e da capacidade de tomada de decisão. Já tarefas de atenção seletiva 
comumente envolvem a apresentação de estímulos relevantes e irrelevantes, avaliam a 
resistência a algumas formas de distração e, portanto, requerem a focalização dos recursos 
de processamento. Sendo assim, numa análise crítica, o teste AS fornece mais uma medida 
de atenção seletiva ou concentrada do que propriamente uma medida de atenção sustentada. 
O pressuposto de tais medidas são discutidas mais adiante. 
 
Teste das Trilhas 
 
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Um teste muito utilizado pelo neuropsicólogo em diversas patologias, para 
avaliação da atenção visual, é o Teste das Trilhas (Trail Making Test – figura 3). O teste foi 
originalmente desenvolvido em 1944 para avaliação de rapidez visuo-motora (Lezak, 
1995). Consiste de duas partes: na parte A o sujeito deve conectar, com uso do lápis, 
consecutivamente 25 números, e no menor tempo possível; na parte B o sujeito deve 
conectar os números alternados com letras, também consecutivamente. Posteriormente foi 
desenvolvida uma versão paralela - o Color Trail Test - para minimizar a influência da 
linguagem e também para uso com crianças (Spreen & Straus, 1998, Lee et al, 2000). Nessa 
versão são apresentados números em círculos coloridos e o participante deve alternar entre 
a sequência de números e cores. 
 
 
 
 
Normas americanas de adultos a partir de 15 anos e crianças (versão Color Trail 
Test) de 6-15 anos de idade, podem ser encontradas em Spreen & Straus (1998). 
No Brasil, Monitel & Capovilla (2007b), apresentam uma versão por eles 
desenvolvida, muito semelhante a outras versões adaptados em diversas culturas, com 
evidências de validade, realizada em grupos de crianças com TDA/H. 
Na literatura nacional e internacional as especificações dos mecanismos atencionais 
envolvidos nesta tarefa são consensuais. Lezak (1995) destaca que esse é um teste de 
escaneamento visual envolvendo a velocidade motora e funções de atenção. Já Spreen & 
Straus (1998) definem como um teste de rapidez, atenção, flexibilidade mental e função 
motora. Capovilla (2007) cita que o teste das trilhas “objetiva avaliar aspectos de 
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manutenção da atenção e capacidade de alternar entre estímulos relevantes” (p 15). Já 
Nitrini et al (2005) assim definem “...avaliando atenção seletiva, velocidade de 
processamento perceptual e flexibilidade mental” (p 722). 
Quanto a análise neuropsicológica do teste, segundo Lezak (1995) quando o tempo 
para realizar a parte A é muito menor do que na parte B o paciente provavelmente tem 
dificuldades em seguimento conceitual complexo. Mas desempenho abaixo do esperado em 
ambas as partes provavelmente é ligado a dano cerebral, no entanto não é possível obter-se 
indicadores precisos se o problema é de lentidão motora, incoordenação, dificuldades de 
escaneamento visual, pobre motivação ou confusão conceitual. Adicionalmente, no caso de 
avaliação com crianças, existe ainda o fator de que o profissional deve estar atento ao fato 
de que o teste é altamente dependente do conhecimento de seqüências de números e letras. 
 
Teste Stroop 
 
Outro teste muito comum na avaliação neuropsicológica da atenção é o Teste 
Stroop. O paradigma Stroop tem sido utilizado como medida de atenção seletiva e 
flexibilidade cognitiva, envolvendo o controle de interferência produzindo um conflito 
entre processos automáticos e respostas novas (Lezak, 1995). Desenvolvido inicialmente 
por John Ridley Stroop, em 1935, existem diversas versões atualmente, mas de forma geral 
são apresentados aos participantes três cartões. No primeiro o participante deve ler uma 
lista de palavras com nomes de cores o mais rápido que puder; no segundo o participante 
deve ler uma lista de palavras com os nomes de cores e essas são grafadas com as cores 
correspondentes, no último (condição incongruente), são apresentadas nomes de cores 
impressos em outras cores. Os escores gerados são referentes ao tempo de reação, número 
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de erros, facilitação e interferência (Spreen & Strauss, 1998). Num estudo de revisão Gelain 
(2007) aponta as diferentes formas do teste de Stroop: em relação ao material utilizado 
(papel, slides, ou versão computadorizada), quanto à variação do número de cores 
utilizadas (três, quatro ou cinco) e a forma de avaliar o teste, ou seja, o escore pode ser o 
tempo, erro ou ambos, ou o número de itens lidos ou nomeados dentro de um determinado 
limite. Há ainda a versão Stroop Emocional – informatizado - que consiste na apresentação 
de 60 palavras-estímulo relacionadas emoções ajustadas para valência e excitabilidade a 
partir de lista de palavras emocionais; e o Stroop Numérico no qual são utilizados números 
ao invés de palavras. 
Gelain (2007) salienta que devido ao uso muito amplo do Stroop, diferentes 
explicações para esse efeito de interferência do teste foram propostas: a primeira diz 
respeito à Teoria da Velocidade do Processamento, pois a interferência ocorre porque as 
palavras são lidas mais rapidamente do que as cores são nomeadas; a segunda relaciona-se 
a Teoria da Atenção Seletiva, onde a interferência ocorre porque a nomeação da cor requer 
mais atenção do que ler. 
Tem sido sugerido que o efeito Stroop é dependente da escolaridade e pode ser 
influenciado pelas habilidades de leitura, assim pode não explorar o controle inibitório em 
indivíduos que não são leitores fluentes, como é o caso de crianças (Brocki and Bohlin, 
2004). Assim, a literatura internacional desenvolveu versões para uso em crianças, que não 
requerem habilidades de leitura. Na versão Day-Night Stroop desenvolvida em 1994 por 
Gerstadt e colaboradores (ver Brocki and Bohlin, 2004, 2006; Nichelli, et al, 2005) para uso 
a partir de 3 anos e 6 meses de idade, a criança deve responder “dia” quando exposta a uma 
figura que contenha uma cena noturna, ou “noite” a uma figura com cena diurna. 
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No Brasil as pesquisas em diversos grupos de pacientes são inúmeras, utilizando o 
Teste Stroop como proposto por Spreen & Straus (1998), mas há poucos estudos que 
apresentem normas nacionais. Duncan (2006) apresenta um estudo com 130 estudantes de 
12-14 anos de idade utilizando a versão Victoria;

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