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AVALIAÇÃO NEUROPSICOLOGICA DA ATENÇÃO INSTRUMENTOS DE AUXÍLIO DIAGNÓSTICO DOS

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Os escores são o percentual de erros de desatenção: quando a criança não levantou a 
mão em resposta à palavra-alvo “não” antes da apresentação da palavra seguinte; erros de 
impulsividade quando a criança levantou a mão para outra palavra ao invés da palavra 
“não”. A vigilância é obtida calculando-se o número de respostas corretas para a palavra 
“não” para cada uma das seis apresentações. O estudo apresenta dados para crianças de 6-
11 anos de idade. 
 
Teste TAVIS 
 
Um teste semelhante ao paradigma do CPT e comercializado no Brasil é o TAVIS-
III desenvolvido originalmente por Duchesne e Mattos (1997), que permite avaliar os 
diferentes níveis da atenção visual, através de 3 tarefas (Coutinho et al., 2007): 
Tarefa 1: Consiste em fazer o examinando responder seletivamente a um estímulo-alvo, 
ignorando a presença de outros estímulos (distratores). Envolve a apresentação de estímulos 
de forma seqüencial e exigem que o sujeito identifique um alvo entre vários outros 
 27 
estímulos distratores, respondendo exclusivamente a ele. Tais tarefas exigem escaneamento 
visual e importante capacidade de seletividade visual. Um resultado comprometido nesta 
tarefa pode ser indicativo de problemas com a seletividade. 
Tarefa 2: Nesta tarefa, o examinando deve prestar atenção e responder alternadamente a 
dois parâmetros diferentes: cor/forma (para adolescentes) ou igual/diferente (para crianças). 
Envolve o aspecto da alternância, exigindo a habilidade de mudar o foco de atenção entre 
conceitos diferentes (adolescentes) ou entre diferentes parâmetros de um mesmo conceito 
(crianças). 
Tarefa 3: Esta tarefa requer que o examinando permaneça continuamente atento à tela do 
computador por um longo período de tempo, objetivando responder rapidamente ao 
aparecimento de um estímulo. Portanto, demanda primordialmente atenção sustentada, uma 
vez que é de longa duração (10 minutos para adolescentes e de 6 minutos para crianças). 
De forma importante, os próprios autores destacam que, testes de atenção, muitas 
vezes, englobam apenas um ou outro aspecto dessa função, limitando as interpretações 
possíveis a partir do resultado obtido. O TAVIS-II, por outro lado, fornece informações 
relevantes sobre aspectos relacionados à seletividade, alternância de conceitos e sustentação 
separadamente, fornecendo ainda escores referentes ao número de erros por ação, ao 
número de erros por omissão e ao tempo médio de reação em cada uma das três tarefas. 
A normatização do TAVIS-III foi realizada com uma amostra de 631 crianças e 
adolescentes de 6-17 anos de idade da Cidade do Rio de Janeiro (Coutinho et al, 2008). 
Num estudo comparando o desempenho de crianças com TDA/H e controles, Coutinho et 
al. (2007) verificaram que os índices referentes ao tempo médio de reação em tarefa de 
atenção seletiva, número de erros por omissão em tarefa de alternância de conceitos e 
número de erros por ação em tarefa de sustentação da atenção revelaram-se os melhores 
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discriminadores entre os grupos. Concluíram assim que se trata de um teste sensível para a 
identificação dos déficits atencionais. 
 
Considerações Finais 
 
 
Finalizando, algumas considerações serão feitas relativas ao crescente 
desenvolvimento e utilização de testes computadorizados na avaliação neuropsicológica. 
Diversos fatores acentuam a importância do uso de versões informatizadas de 
procedimentos de investigação neuropsicológica. Primeiramente cita-se a otimização do 
tempo, pois não há necessidade de cálculos de escores nem consultas a tabelas; a maior 
precisão na administração e correção com a obtenção de variáveis específicas, tais como 
tempo de reação em segundos; redução de variações na aplicação, minimizando os erros 
comuns feitos pelos examinadores; e a possibilidade do examinador permanecer livre para 
avaliação qualitativa do comportamento durante a execução da tarefa (Coutinho et al, 2007; 
Felstein et al. 1999). 
No entanto, não deve haver a utilização preferencial, num processo de avaliação, de 
uma ou outra modalidade (computadorizada versus uso de lápis e papel), pois a correta 
investigação de distúrbios cognitivos, em especifico dos distúrbios de atenção, deve 
envolver a seleção de instrumentos que abrangem as diversas modalidades de 
processamento da informação, ou seja, as modalidades visuais, auditivas, a transposição 
visuo-motora, verbal-visual, as habilidades verbais e não-verbais, atividades com e sem uso 
de lápis e papel, na medida em que as informações fornecidas serão importantes no 
 29 
planejamento de estratégias de intervenção, principalmente nos distúrbios do 
desenvolvimento (Miranda, 2006). 
 
 
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