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Fisioterapia no 
pós-operatório 
de cirurgias de 
membros inferiores 
e-book
Introdução
Princípios da reabilitação pós-cirúrgica
Visão geral das cirurgias oprtopédicas comuns
Protocolos de reabilitação por cirurgia
Cirurgias de quadril
Lesões ligamentares no joelho
Estruturas cartilaginosas ou meniscais do joelho
Considerações especiais
Referências
............................................................................................................... 3
............................................................ 8
................................................................................................. 8
Entorse de tornozelo ............................................................................................... 12
............................................................................ 9
....................................... 10
Pacientes atletas
Pacientes idosos
Pacientes com doenças crônicas
.................................................................................................... 15
Pacientes pediátricos ............................................................................................ 15
Pessoas com deficiência ....................................................................................... 16
...................................................................................................... 15
..................................................................... 15
.................................................................................... 14
............................................................................................................. 18
............................................ 4
.......................................................... 6
índice
INTRODUÇÃO
A fisioterapia desempenha um papel crucial no pós-operatório (PO) de cirurgias ortopédicas, 
sendo fundamental para a recuperação funcional, redução da dor, prevenção de complicações e 
melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Evidências científicas sustentam a importância de um 
programa de reabilitação bem estruturado e individualizado para alcançar esses objetivos. Após 
uma cirurgia ortopédica, a fisioterapia é essencial para restaurar a mobilidade articular e fortalecer a 
musculatura que sustenta e movimenta o segmento corporal afetado. 
Estudos demonstram que a intervenção fisioterapêutica precoce, incluindo exercícios de 
mobilidade e fortalecimento, pode acelerar significativamente a recuperação funcional dos 
pacientes e o retorno às atividades diárias. Além disso, a fisioterapia no PO desempenha um papel 
importante na gestão da dor. Diversas técnicas contribuem para a redução da dor, minimizando a 
necessidade de medicamentos analgésicos. A redução do uso de opioides, em particular, é uma 
vantagem significativa, considerando os riscos associados ao seu uso prolongado. 
A prevenção de complicações no PO é outra área em que a fisioterapia se mostra vital. A 
imobilidade prolongada após a cirurgia pode levar a complicações como trombose venosa 
profunda e pneumonia. Intervenções fisioterapêuticas que promovem a mobilidade precoce e o 
cuidado com a função pulmonar podem reduzir o risco dessas complicações. A reabilitação 
também tem um impacto significativo na restauração da independência funcional e na melhoria da 
qualidade de vida dos pacientes. Programas de fisioterapia focados em atividades da vida diária e 
no treinamento funcional ajudam os pacientes a retomar a confiança e a capacidade de realizar 
tarefas cotidianas. 
A fisioterapia é um componente essencial no PO de cirurgias ortopédicas, com evidências 
científicas robustas apoiando sua eficácia na recuperação funcional, gestão da dor, prevenção de 
complicações e melhoria da qualidade de vida. A implementação de um programa de reabilitação 
personalizado e baseado em evidências é crucial para otimizar os resultados pós-operatórios e 
promover a recuperação integral dos pacientes. 
3
VISÃO GERAL DAS CIRURGIAS 
ORTOPÉDICAS COMUNS
4
A artroplastia de quadril é a substituição articular do quadril por componentes protéticos. Esse 
procedimento cirúrgico pode ocorrer em toda a superfície articular (total) ou somente em parte 
dela (parcial), e geralmente envolve a substituição do componente femoral. A escolha entre a 
artroplastia total ou parcial está relacionada ao grau de comprometimento articular, bem como às 
características clínicas da condição. É uma cirurgia ortopédica comum realizada para aliviar a dor e 
restaurar a função em pacientes com a articulação do quadril gravemente danificada, quando o 
tratamento conservador não é mais eficaz. Durante o procedimento, o cirurgião remove a 
articulação do quadril danificada e a substitui por uma prótese composta de componentes 
metálicos, cerâmicos ou plásticos. A prótese visa replicar o movimento natural da articulação, 
permitindo ao paciente retornar às atividades diárias com menos dor e melhor mobilidade. 
As lesões ligamentares também são tratadas por meio de cirurgias ortopédicas e variam de acordo 
com o perfil do paciente. Atualmente, a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior é o 
procedimento padrão para pacientes ativos com ruptura do ligamento (lesões grau I e II com 
instabilidade do joelho e grau III), utilizando a artroscopia. Para a substituição do ligamento, 
pode-se utilizar autoenxerto, aloenxerto ou enxerto sintético. No caso das lesões do ligamento 
cruzado posterior, o procedimento é indicado para pacientes com lesões agudas ou crônicas de 
grau III que apresentem instabilidade, ou em casos de lesões de vários componentes ligamentares 
da mesma articulação. 
Para lesões do ligamento colateral medial, normalmente são necessárias cirurgias para lesões grau 
III, que incluem reparo ou reconstrução ligamentar com autoenxerto dos tendões do 
semitendinoso/grácil e do tendão do quadríceps, sendo o tendão do tibial anterior utilizado como 
última opção. Em lesões isoladas e agudas do ligamento colateral lateral de grau III, o reparo pode 
ser realizado quando o ligamento sofre avulsão do seu local de fixação. 
5
Para as lesões biomecânicas instáveis nas estruturas meniscais, que causam bloqueio na 
articulação do joelho e dores constantes, o tratamento cirúrgico por meio da meniscectomia parcial 
é resolutivo, apresentando bons resultados no alívio da dor, melhora da função e satisfação do 
paciente ao longo do tempo. No entanto, é necessário cuidado, pois desequilíbrios 
neuromusculares podem surgir após a meniscectomia, favorecendo o desenvolvimento de 
osteoartrose do joelho. Para lesões condrais em pacientes com comprometimento significativo das 
atividades da vida diária, idade avançada e deformidades instaladas, o tratamento cirúrgico pode 
ser uma opção. O procedimento envolve a preservação da articulação com a restauração das 
superfícies articulares, como a ATQ. 
Na articulação do tornozelo, as entorses são uma das lesões musculoesqueléticas mais comuns, 
ocorrendo com maior frequência nos membros inferiores e correspondendo a aproximadamente 
80% de todas as lesões de tornozelo. Normalmente, as lesões de grau III (entorse severa, ruptura 
completa ligamentar, edema, dor severa e perda de função e movimento) e casos de instabilidade 
crônica do tornozelo são indicados para o procedimento cirúrgico. A cirurgia para entorse de 
tornozelo é realizada em casos graves, onde há lesões significativas dos ligamentos que não 
respondem adequadamente ao tratamento conservador. 
A maioria das entorses é tratada com métodos não cirúrgicos, como repouso, gelo, compressão e 
elevação, fisioterapia e uso de órteses. A cirurgia para entorse de tornozelo geralmente envolve a 
reconstrução ou reparo dos ligamentos danificados. Existem várias técnicas cirúrgicas, incluindo a 
reparação direta dos ligamentos rompidos ou a reconstrução ligamentar com o uso de enxertos 
tendíneos. A escolha da técnica depende da gravidade da lesão, da atividade do paciente e daspreferências do cirurgião. 
PRINCÍPIOS DA 
REABILITAÇÃO PÓS-CIRÚRGICA
6
O sucesso na reabilitação envolve o acompanhamento e triagem do paciente desde o período que 
antecede o procedimento propriamente dito. A abordagem Enhanced Recovery After Surgery 
(ERAS) é uma estratégia voltada à redução do estresse e à recuperação pós-cirúrgica através de 
uma abordagem multidisciplinar antes, durante e após o procedimento. O objetivo é acompanhar o 
indivíduo desde o período pré-operatório, uma vez que diversos fatores podem impactar o 
aumento de complicações e o retardamento no restabelecimento da funcionalidade no período 
pós-operatório. 
O protocolo Fast Track é adaptado à condição do paciente e melhora os métodos tradicionais de 
reabilitação usando práticas baseadas em evidências. Os programas Fast Track tiveram início com 
as cirurgias de ATQ e apresentaram desfechos como: redução no tempo de internação no 
pós-operatório, período de recuperação mais breve, retomada funcional rápida e redução da 
morbimortalidade. O motivo para o início com a ATQ deve-se ao impacto financeiro que o 
procedimento tem para o sistema de saúde, tornando prioritário otimizar os recursos disponíveis 
para acelerar a recuperação e reduzir o tempo de internação sem comprometer os resultados. O 
protocolo é dividido em três fases: pré-operatória, intraoperatória e pós-operatória. 
7
No momento pré-operatório, realiza-se a triagem do paciente quanto ao conhecimento sobre o 
procedimento cirúrgico, o que pode reduzir a ansiedade em relação à cirurgia, aumentar a 
motivação para o processo de reabilitação e promover a saúde mental e a educação em saúde do 
paciente. As orientações incluem o controle do tabagismo (fator que aumenta a chance de 
complicações no pós-operatório), o consumo de álcool (fator que aumenta a morbidade no 
pós-operatório), a avaliação da anemia (fator que eleva a morbimortalidade e o tempo de 
internação após o procedimento), a pré-reabilitação (implementação rápida para a redução do 
tempo de internação e treinamento para o paciente utilizar dispositivos auxiliares de marcha) e a 
identificação de obesidade ou mal estado nutricional (fatores de risco para complicações 
pós-operatórias). 
O objetivo final é selecionar um paciente funcionalmente saudável no pré-operatório, 
independentemente do sexo e da idade, que possa suportar a cirurgia planejada com o mínimo de 
estresse biológico. 
No período intraoperatório, são reforçadas informações sobre o protocolo de anestesia (incluindo o 
tipo de anestesia, geral ou medular), a abordagem cirúrgica e o risco de sangramento durante o 
procedimento. 
No período pós-operatório, são implementadas terapias multimodais para reduzir o uso de 
medicamentos opioides, monitorar a hipotensão ortostática, observar sintomas pós-anestesia 
como vômitos e náusea, gerenciar a retenção urinária (complicação comum decorrente da 
anestesia medular), realizar profilaxia antitrombótica e promover mobilização precoce. 
A fisioterapia começa com a preparação do paciente para o procedimento, incluindo a realização de 
exercícios isométricos do segmento lesionado (considerando o nível de dor, o entendimento do 
paciente e a sua motivação), exercícios ativos dos segmentos livres, do membro contralateral e dos 
membros superiores. Esses exercícios devem ter o objetivo de facilitar funções específicas, como 
levantar o quadril para auxiliar na higienização das partes íntimas e adquirir uma posição mais 
confortável para se alimentar, entre outros. 
Estudos demonstram que pacientes que participam de programas de reabilitação bem 
estruturados tendem a apresentar melhores resultados funcionais e uma maior satisfação com a 
cirurgia em comparação com aqueles que não recebem fisioterapia adequada. 
8
PROTOCOLOS DE 
REABILITAÇÃO POR CIRURGIA
Nas cirurgias de quadril, como a artroplastia, a intervenção fisioterapêutica deve iniciar 
imediatamente, ou seja, logo após o procedimento. Esse processo varia conforme o serviço, o tipo 
de cirurgia, o perfil do paciente e a disponibilidade de recursos do serviço de saúde. Nos primeiros 
30 dias (fase inicial), o objetivo é educar o paciente sobre as limitações decorrentes do 
procedimento cirúrgico realizado e os impactos funcionais, como as limitações nos movimentos de 
flexão, adução e rotação medial do quadril na abordagem cirúrgica anterior, e na extensão e rotação 
lateral do quadril na abordagem cirúrgica posterior. 
Deve-se promover a descarga de peso de forma progressiva, iniciando no 1º dia pós-operatório, 
considerando o processo de recuperação e o tipo de material da prótese (prótese cimentada pode 
receber descarga de peso já no primeiro dia, enquanto próteses híbridas devem seguir um 
protocolo progressivo ao longo dos dias). É importante incentivar as transferências da cama para a 
cadeira e vice-versa, realizar exercícios ativos para os grupos musculares do tríceps sural, 
quadríceps e glúteo, começando com isometria e progredindo para exercícios isotônicos. Também 
pode ser feito o treino de marcha, incluindo deambulação, descarga de carga progressiva, aumento 
da velocidade, mudança de direção e passagem de obstáculos. Além disso, realizar exercícios 
articulares ativos para ganho ou manutenção da amplitude de movimento articular. 
Na fase intermediária, que pode durar até 4 meses, deve-se priorizar o retorno do paciente às 
atividades de rotina e laborais, além de atividades como dirigir e prática de atividades físicas 
supervisionadas e moderadas. Caso não haja restrição, a descarga de peso deve ser total. Os 
exercícios de fortalecimento devem contribuir para a manutenção da amplitude de movimento e 
ganho de força para glúteo, quadríceps e tríceps sural, utilizando a cadeia cinética fechada com 
foco na funcionalidade do paciente. É importante enfatizar o fortalecimento da musculatura do 
tronco e dos membros superiores, bem como o retorno às atividades diárias. Também devem ser 
realizados treinamentos de capacidade cardiopulmonar, equilíbrio e propriocepção. Após o quinto 
mês, encorajar o paciente a retomar totalmente as atividades, especialmente aquelas que envolvam 
descarga de peso total, com independência para as transferências e funcionalidade. Os exercícios 
de fortalecimento e de capacidade cardiopulmonar devem ser planejados de acordo com a 
necessidade e o contexto do paciente, visando devolver suas condições para realizar atividades de 
forma independente e segura. 
CIRURGIAS DE QUADRIL
LESÕES LIGAMENTARES NO JOELHO
9
Para lesões ligamentares do joelho, as principais diferenças entre os programas de reabilitação 
estão na progressão, no tempo de recuperação necessário antes do início da corrida e no retorno às 
atividades diárias, laborais e esportivas. Na fase inicial da reabilitação, deve-se focar na redução da 
dor e do edema articular, com ênfase na descarga de peso e na independência funcional. É 
importante promover a mobilidade patelar, manter a extensão e flexão do joelho, ativar o 
quadríceps e controlar o neuromuscular. Recursos como exercícios passivos, ativos-assistidos e 
ativos são utilizados para manter a mobilidade articular, reduzir o edema e ganhar função. 
Crioterapia, aplicada por 20 minutos três vezes ao dia, estimulação elétrica para drenagem do 
edema e manutenção da força muscular do quadríceps, além de laser e ultrassom para contribuir no 
reparo tecidual, podem ser utilizados conforme a tolerância do paciente e a disponibilidade no 
serviço. 
O foco deve ser o ganho dos movimentos do joelho (flexão/extensão) para evitar alterações 
biomecânicas que possam gerar compensações durante a marcha. Exercícios de alongamento para 
todo o membro inferior (quadril, joelho e tornozelo) ajudam a manter a mobilidade e a função dos 
tecidos moles adjacentes à articulação envolvida. A contração muscular voluntária associada à 
contração muscular evocada eletricamente contribui para a ativação direta dos neurônios motores 
e o recrutamento dos motoneurônios inibidos pela dore pelo edema após o procedimento 
cirúrgico. 
ESTRUTURAS CARTILAGINOSAS 
OU MENISCAIS DO JOELHO 
10
Em pacientes que passaram por procedimentos nas estruturas cartilaginosas ou meniscais do 
joelho, é crucial controlar as cargas compressivas durante a descarga de peso e o treino de marcha 
na fase inicial, sendo recomendável o uso de dispositivos auxiliares de marcha. O treino de marcha 
pode começar nas barras paralelas, com o uso bilateral de muletas, depois unilateral no membro 
contralateral e, por fim, sem dispositivo algum. A marcha deve ser estimulada com flexão de quadril 
e joelho na fase de balanço, para evitar um padrão claudicante com o joelho em extensão. 
Na fase intermediária das lesões de joelho, o objetivo é a normalização da força muscular do 
quadríceps e dos isquiotibiais, a propriocepção e o equilíbrio, além da recuperação da confiança e 
função do membro operado. Também é importante o retorno gradual à corrida, desde que a função 
motora esteja adequada para a tarefa. Sinais clínicos de processo inflamatório (dor, calor, rubor, 
edema e perda de função) devem ser monitorados, pois podem indicar sobrecarga. 
A força muscular e o (des)equilíbrio podem ser avaliados com dinamômetro isocinético ou portátil, 
auxiliando no direcionamento do treinamento. Variáveis como frequência, volume e carga externa 
são definidas com base na fase de reabilitação do paciente e podem ser ajustadas durante o período 
de reabilitação para ambos os membros (sadio e operado). 
O fortalecimento muscular pode iniciar com contrações isométricas, com atenção especial à 
articulação envolvida. Na ausência de dor, contrações isotônicas devem ser incorporadas ao 
treinamento, com foco na fase excêntrica, que gera maior sobrecarga musculotendínea e promove 
melhores ganhos de massa e força muscular. A combinação da contração muscular voluntária com 
o uso de corrente elétrica (eletroestimulação neuromuscular ou corrente russa) pode potencializar 
os ganhos funcionais durante a reabilitação. O treinamento resistido de baixa intensidade com 
restrição de fluxo sanguíneo pode ser empregado em casos de pacientes que ainda apresentam 
dor. 
A literatura sugere que o estresse metabólico, a fadiga, a tensão mecânica e a hiperemia reativa 
resultantes da restrição sanguínea são capazes de promover adaptações musculares com esforço 
mínimo, alcançando ganhos potenciais semelhantes aos do treinamento de moderada intensidade. 
Na contração isotônica, diversas opções terapêuticas podem ser usadas para a carga externa, como 
caneleiras, faixas elásticas, cadeira extensora, cicloergômetro, leg press e dinamômetro isocinético, 
tanto em cadeia cinética aberta quanto fechada. À medida que se avança nas etapas da reabilitação 
e no restabelecimento da função motora e articular, a próxima fase deve focar no ajuste dos 
movimentos funcionais, laborais e esportivos por meio do treinamento neuromuscular, utilizando 
diferentes métodos. 
Nesta fase, a capacidade do sistema aferente/eferente em ajustar o controle motor necessário para 
as demandas é fundamental para o posicionamento correto, controle postural e controle angular 
durante as atividades. Recursos que podem ser utilizados incluem a transição de superfícies 
estáveis para instáveis, uso de pranchas, balancinhos, bases unipodais ou bipodais, exercícios livres 
com resistência, pesos livres ou faixas elásticas, e exercícios estáticos e dinâmicos (considerando a 
experiência dos pacientes e suas atividades diárias ou esportivas). Além disso, outros grupos 
musculares, como adutores, abdutores e rotadores externos dos quadris, a musculatura do core e a 
musculatura intrínseca dos pés, devem ser fortalecidos para maximizar os ganhos após uma lesão 
no joelho. 
Em fases mais avançadas da reabilitação, o treinamento pliométrico é importante para treinar a 
reação do sistema neuromuscular ao armazenar energia elástica durante o movimento excêntrico e 
transferi-la para a fase concêntrica do movimento. Podem ser utilizados saltos bipodais e unipodais, 
saltos em superfícies estáveis e instáveis (como camas elásticas e terrenos gramados), e saltos em 
diferentes direções (laterais, diagonais e rotacionais). O profissional deve avaliar a necessidade do 
treinamento pliométrico para cada paciente. 
Na fase mais avançada, o objetivo é alcançar a força e resistência muscular máximas, melhorar o 
controle neuromuscular e otimizar o desempenho durante tarefas e atividades vigorosas, bem 
como laborais, visando o retorno à prática esportiva. O fisioterapeuta deve conhecer os objetivos do 
paciente quanto ao retorno às práticas e atividades físicas. Para pacientes envolvidos em esportes, o 
fisioterapeuta deve treinar os gestos esportivos específicos e planejar a transição da prática 
individual para a coletiva, além de organizar o retorno aos jogos. 
Os critérios para o retorno às atividades devem ser baseados em parâmetros cinético-funcionais 
objetivos, associados aos critérios tradicionais, como o tempo de recuperação pós-cirúrgica e a 
eficácia da articulação afetada. Os fatores a serem avaliados incluem: amplitude de movimento 
ativa total para flexão e extensão; ausência de dor e edema; desempenho ≥ 85% em testes 
funcionais em comparação com o lado não afetado; escores ≥ 90% em avaliações subjetivas; no 
desempenho muscular, comparação bilateral do quadríceps ≥ 85%, dos isquiotibiais ≥ 85%, e a razão 
entre isquiotibiais e quadríceps de 55-60%. Com base nesses critérios, estima-se que o paciente 
poderá retomar as atividades diárias, laborais e esportivas com baixo risco de novas lesões e com 
melhor desempenho. 
11
ENTORSE DE TORNOZELO 
12
A reabilitação após uma cirurgia para entorse de tornozelo é um processo crítico e estruturado, 
visando restaurar a funcionalidade, reduzir a dor e prevenir futuras lesões. Esse processo é 
geralmente dividido em três fases distintas, cada uma com objetivos e estratégias de tratamento 
específicos. 
Na fase inicial, que ocorre nas primeiras semanas após a cirurgia, o foco é a redução da dor e do 
edema, além de proteger a área operada. O método RICE (Repouso, Gelo, Compressão e Elevação) 
é comumente utilizado para controlar o inchaço e a dor. O paciente pode utilizar uma órtese 
imobilizadora ou estabilizadora para o tornozelo, permitindo a cicatrização dos tecidos. 
Mobilizações passivas e exercícios de amplitude de movimento sem carga são introduzidos para 
prevenir a rigidez articular. Técnicas de terapia manual, como mobilizações suaves, também podem 
ser aplicadas para reduzir a dor e melhorar a mobilidade. A eletroterapia pode ser utilizada para 
controlar a dor e o inchaço. 
A fase intermediária inicia-se após algumas semanas, dependendo da cicatrização dos tecidos, e 
foca na restauração gradual da força, flexibilidade e propriocepção. Exercícios de amplitude de 
movimento mais ativos e alongamentos são introduzidos para melhorar a flexibilidade do tornozelo. 
O fortalecimento muscular é um componente crucial nesta fase; exercícios isométricos são 
seguidos por exercícios isotônicos para os músculos do tornozelo, tríceps sural e estabilizadores do 
joelho. Exercícios de propriocepção, como o uso de pranchas de equilíbrio e superfícies instáveis, 
são incorporados para melhorar o controle neuromuscular e prevenir futuras lesões. 
O paciente pode começar a suportar peso progressivamente, conforme tolerado, inicialmente com 
a ajuda de dispositivos auxiliares de marcha e, gradualmente, caminhar sem suporte. Os exercícios 
unipodais incluem: apoio com o joelho estendido (progressivamente com olhos abertos e fechados, 
joelho estendido e flexionado), apoio unipodal com o joelho flexionado a 30° em superfície instável 
(progressivamente com olhos abertos e fechados), e exercícios de alcance da perna contralateral 
em diferentes direções (com ou sem theraband). Saltos unipodais, controlando a aterrissagem por 
4 segundos, também são recomendados para reforçar o controle e a estabilidade do tornozelo. 
Na faseavançada, que pode começar a partir do terceiro mês, o objetivo é o retorno completo às 
atividades diárias e esportivas. Nesta fase, o foco é maximizar a força, a resistência e a 
propriocepção do tornozelo. Exercícios de resistência e de alto impacto, como saltos e corridas, são 
introduzidos gradualmente. Treinamentos funcionais específicos para o esporte ou atividade que o 
paciente deseja retomar são implementados para garantir que o tornozelo seja forte e estável o 
suficiente para suportar essas atividades. 
Exercícios pliométricos e de agilidade ajudam a preparar o tornozelo para movimentos rápidos e 
multidirecionais. Além disso, a continuidade dos exercícios de equilíbrio e propriocepção é vital 
para manter a estabilidade e prevenir recidivas. A reabilitação pós-cirúrgica de uma entorse de 
tornozelo é um processo progressivo e personalizado, adaptado às necessidades e à evolução do 
paciente. O acompanhamento regular por um fisioterapeuta é essencial para ajustar o plano de 
reabilitação conforme necessário e garantir uma recuperação segura e eficaz. A adesão do paciente 
ao programa de reabilitação é crucial para alcançar o melhor resultado possível e retornar às 
atividades normais ou esportivas com confiança e funcionalidade total. 
13
CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS
14
A reabilitação de pacientes no pós-operatório de cirurgias de membros inferiores é um 
componente crucial do processo de recuperação e deve ser adaptada às necessidades específicas 
de cada tipo de paciente. A variação nas condições de saúde, idade, nível de atividade 
pré-operatória e objetivos individuais requer uma abordagem personalizada para otimizar os 
resultados da reabilitação. Abaixo, seguem algumas considerações importantes sobre a 
reabilitação para diferentes tipos de pacientes. 
15
Pacientes idosos frequentemente enfrentam desafios adicionais, como comorbidades e uma 
capacidade reduzida de recuperação. A reabilitação para esse grupo deve ser progressiva e 
cautelosa, com um foco inicial na mobilidade e na prevenção de complicações, como trombose 
venosa profunda e pneumonia. Exercícios de baixo impacto e um retorno gradual e supervisionado 
são recomendados. Além disso, a educação sobre prevenção de quedas e o fortalecimento 
muscular gradual são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e a independência funcional. 
PACIENTES IDOSOS
Pacientes com doenças crônicas, como diabetes ou doenças cardiovasculares, exigem uma 
abordagem multidisciplinar na reabilitação. A gestão cuidadosa das condições subjacentes é 
crucial para evitar complicações. Programas de reabilitação devem incorporar exercícios de 
intensidade moderada, monitoramento regular dos sinais vitais e controle glicêmico. A fisioterapia 
deve ser adaptada para minimizar o estresse sobre o sistema cardiovascular e outros órgãos 
afetados, garantindo segurança e eficácia no processo de recuperação. 
PACIENTES COM DOENÇAS CRÔNICAS
A reabilitação de crianças após cirurgias de membros inferiores deve considerar o crescimento 
contínuo e o desenvolvimento motor. Programas de reabilitação devem ser lúdicos e envolventes, 
utilizando atividades que motivem a criança a participar ativamente. A colaboração com pais e 
cuidadores é essencial para garantir que os exercícios sejam realizados corretamente em casa. 
Além disso, o monitoramento regular é necessário para ajustar os exercícios conforme a criança 
cresce e se desenvolve. 
PACIENTES PEDIÁTRICOS
Para atletas, a reabilitação pós-operatória foca em um retorno seguro e eficiente ao nível anterior de 
desempenho esportivo. A ênfase é colocada na restauração da força, flexibilidade, resistência e 
propriocepção. Fases avançadas da reabilitação incluem treinamento específico para o esporte, 
exercícios pliométricos e programas de agilidade. O acompanhamento regular e a avaliação de 
desempenho são essenciais para garantir que o atleta esteja preparado para retornar ao esporte 
sem risco aumentado de nova lesão. 
PACIENTES ATLETAS
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Pessoas com deficiência podem exigir adaptações específicas na reabilitação. Isso inclui o uso de 
dispositivos de assistência, como órteses ou cadeiras de rodas, e a personalização de exercícios para 
acomodar limitações físicas ou cognitivas. A abordagem deve ser ampla e multiprofissional, 
considerando tanto os aspectos físicos quanto emocionais da reabilitação. A inclusão de terapeutas 
ocupacionais, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde pode ser necessária para desenvolver 
um plano de reabilitação abrangente e eficaz. 
A reabilitação pós-operatória de cirurgias de membros inferiores deve ser individualizada, levando 
em consideração as características e necessidades específicas de cada paciente. A colaboração 
entre a equipe médica, fisioterapeutas, familiares e, quando necessário, outros profissionais de 
saúde é essencial para proporcionar um ambiente de recuperação seguro e eficaz. A adesão do 
paciente ao programa de reabilitação e o acompanhamento regular são fundamentais para 
alcançar os melhores resultados possíveis e promover a independência funcional e a qualidade de 
vida. 
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
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REFERÊNCIAS
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