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MORFOFUNCIONAL 
 
 
ANATOMIA 
O útero é um órgão muscular oco, 
piriforme, com paredes espessas. Na 
mulher adulta, o útero geralmente 
encontra-se antevertido (inclinado 
anterossuperiormente em relação ao 
eixo da vagina) e antefletido (fletido ou 
curvado anteriormente em relação ao 
colo, criando o ângulo de flexão), de 
modo que sua massa fica sobre a bexiga 
urinária. 
 
As regiões anatômicas do útero incluem 
a porção mais superior em forma de 
cúpula, por onde entram as tubas 
uterinas, chamada fundo do útero; a 
porção maior e mais larga, chamada 
corpo do útero; e a porção inferior mais 
estreita que se abre na vagina, chamada 
colo do útero. 
 
 
 
 
SUSTENTAÇÃO DO ÚTERO 
A principal sustentação do útero é 
muscular, feita pelo diafragma da pelve, 
principalmente pelo músculo levantador 
do ânus, que sustenta a vagina e, 
indiretamente, o útero. 
Além disso, o útero é mantido em 
posição por 4 pares de ligamentos: 
● Ligamento largo do útero → prega 
de peritônio que se estende da 
lateral do útero até as paredes da 
pelve. Ajuda a manter o útero, as 
tubas uterinas e os ovários em 
posição; 
● Pregas/ligamentos retouterinos 
(uterosacros) → vão do útero até o 
sacro, passando lateralmente ao 
reto. Ajudam principalmente a 
impedir o deslocamento anterior e 
inferior do útero; 
● Ligamentos transversos do colo → 
vão do colo do útero e parte 
superior da vagina até a parte 
lateral da pelve. São importantes 
para a sustentação do colo uterino 
e também conduzem vasos e 
nervos; 
● Ligamentos redondos do útero → 
saem da região lateral do útero, 
logo abaixo das tubas, atravessam 
o canal inguinal e chegam ao lábio 
maior do pudendo. Sua principal 
 
 
função é ajudar a manter o útero 
inclinado anteriormente 
(anteversão). 
● Ligamento útero-ovárico → vai do 
ovário até a região lateral do útero, 
abaixo da implantação da tuba 
uterina. Sua principal função é fixar 
o ovário ao útero. 
 
 
PAREDES DO ÚTERO 
A parede uterina é formada por 3 
camadas: perimétrio, miométrio e 
endométrio, da mais externa para a mais 
interna. 
1. Perimétrio (camada externa): 
● É a camada serosa, formada 
pelo peritônio visceral que 
recobre externamente o 
útero; 
● Lateralmente, continua-se 
com o ligamento largo do 
útero; 
● Quando o peritônio se reflete 
do útero para os órgãos 
vizinhos, forma 2 escavações: 
○ Escavação 
vesicouterina → entre 
o útero e a bexiga. 
○ Escavação retouterina 
→ entre o útero e o reto. 
2. Miométrio (camada média): 
● É a camada mais espessa 
da parede uterina, 
constituída principalmente 
por músculo liso; 
● Suas fibras apresentam 
disposição longitudinal, 
circular e espiral, sem limites 
muito bem definidos entre 
elas; 
● É mais espesso no fundo e 
corpo do útero e mais fino no 
colo. 
 
3. Endométrio (camada interna): 
● É a mucosa que reveste a 
cavidade uterina e 
apresenta 2 camadas: 
○ Camada funcional → 
porção superficial, 
formada por epitélio 
colunar e glândulas 
uterinas. Durante a 
menstruação essa 
camada é eliminada; 
○ Camada basal → 
porção profunda que 
permanece após a 
menstruação e é 
responsável pela 
regeneração da 
camada funcional no 
ciclo seguinte. 
 
 
 
 
IRRIGAÇÃO DO ÚTERO 
A irrigação do útero é realizada 
principalmente pela artéria uterina, 
ramo da artéria ilíaca interna, com 
contribuições das artérias ovárica e 
vaginal. Esses vasos apresentam 
anastomoses, formando uma rede que 
garante boa vascularização uterina. 
1. O sangue arterial chega à pelve a 
partir da aorta abdominal: 
Aorta abdominal → aa. ilíacas comuns → 
a. ilíaca interna → a. uterina → útero. 
2. A artéria uterina segue 
medialmente em direção ao útero 
e chega à região do colo uterino. 
Depois, ela se divide 
funcionalmente em: 
● Ramo ascendente → sobe 
pela margem lateral do 
útero, irrigando 
principalmente o corpo e 
fundo uterinos; 
● Ramos descendentes → 
participam da irrigação do 
colo uterino e da porção 
superior da vagina, 
comunicando-se com a 
artéria vaginal. 
3. A artéria vaginal geralmente é 
ramo da ilíaca interna e irriga 
principalmente a vagina, mas seus 
ramos superiores também 
participam da irrigação do colo 
uterino. 
4. A artéria ovárica nasce 
diretamente da aorta abdominal, 
inferiormente às artérias renais, e 
segue em direção ao ovário. Além 
de irrigar o ovário e a tuba uterina, 
envia ramos uterinos que chegam 
ao fundo do útero e se 
anastomosam com o ramo 
ascendente da artéria uterina. 
 
5. Quando a artéria uterina chega ao 
útero, seus ramos penetram no 
miométrio e formam as artérias 
arqueadas. Essas artérias 
percorrem o miométrio, 
acompanhando a curvatura da 
parede uterina. Delas surgem as 
artérias radiais que seguem em 
direção ao endométrio. 
 
 
6. Ao atingir o endométrio, as artérias 
radiais originam 2 tipos principais 
de vasos: 
● Artérias retas → camada 
basal do endométrio; 
● Artérias espiraladas → 
camada funcional do 
endométrio. 
 
 
 
DRENAGEM VENOSA DO ÚTERO 
A drenagem venosa do útero ocorre 
principalmente através do plexo venoso 
uterino, uma extensa rede de veias 
localizadas ao redor das margens 
laterais do útero. Esse plexo recebe o 
sangue venoso proveniente do 
endométrio e do miométrio e apresenta 
comunicação com os plexos venosos 
vaginal e ovárico. 
1. O sangue da parede do útero é 
coletado por pequenas veias que 
convergem para o plexo venoso 
uterino. Desse plexo surgem as 
veias uterinas, que acompanham 
a artéria uterina e desembocam 
nas veias ilíacas internas. 
2. Na região do colo do útero, o plexo 
venoso uterino apresenta 
comunicação com o plexo venoso 
vaginal. Assim, o sangue da região 
inferior do útero e do colo pode 
comunicar-se com as veias da 
vagina, que também drenam em 
direção às veias ilíacas internas. 
3. Na região do fundo do útero, o 
plexo venoso uterino também se 
comunica com as veias 
relacionadas ao ovário e à tuba 
uterina, formando uma 
comunicação com o plexo venoso 
ovárico. 
4. A partir do plexo venoso ovárico, o 
sangue segue pelas veias 
ováricas, cuja drenagem é 
diferente à direita e à esquerda: 
● V. ovárica direita → drena 
para a veia cava inferior; 
● V. ovárica esquerda → drena 
para a veia renal esquerda, 
que drena para a veia cava 
inferior. 
 
 
 
 
 
 
DRENAGEM LINFÁTICA DO ÚTERO 
A drenagem linfática uterina varia 
conforme a região do útero (fundo, corpo 
e colo). 
Fundo do útero: 
● Grande parte dos vasos linfáticos 
acompanha os vasos ováricos, 
seguindo superiormente até os 
linfonodos lombares 
(para-aórticos). 
● Além dessa via, os vasos linfáticos 
provenientes da região 
superolateal do fundo uterino 
podem acompanhar o ligamento 
redondo do útero, atravessar o 
canal inguinal e alcançar os 
linfonodos inguinais superficiais. 
 
Corpo do útero: 
● Drena principalmente para os 
linfonodos ilíacos externos. 
 
Colo do útero: 
● Apresenta drenagem 
predominantemente pélvica. Seus 
vasos linfáticos seguem 
principalmente para os linfonodos 
ilíacos internos e sacrais, 
apresentando também 
comunicação com os linfonodos 
obturatórios e ilíacos externos. 
● A partir desses grupos pélvicos, a 
linfa pode seguir para a cadeia 
linfonodal progressivamente mais 
superiores, alcançando os 
linfonodos ilíacos comuns e, 
posteriormente, os linfonos 
lombares (para-aórticos). 
 
IMPORTÂNCIA CLÍNICA: como o colo 
apresenta ampla drenagem linfática 
pélvica, a disseminação linfática do 
carcinoma cervical envolve 
principalmente cadeias pélvicas, 
podendo posteriormente alcançar 
cadeias mais superiores. 
 
HISTOLOGIA UTERINA 
A parede uterina é composta por 3 
camadas: 
● O endométrio é a mucosa do 
útero; 
● O miométrio é a camada muscular 
espessa. Esta é contínua com a 
camada muscular da tuba uterina 
e da vagina. As fibras musculares 
lisas também se estendem nos 
ligamentos conectados ao útero; 
● O perimétrio, a camada serosa 
externa ou revestimento peritoneal 
visceral do útero, é contínuo com o 
peritônio pélvico e abdominal,além do que consiste em mesotélio 
 
 
e em uma camada fina de tecido 
conjuntivo frouxo. 
 
 
 
COLO DO ÚTERO 
A mucosa do colo uterino (cérvice) é 
diferente do endométrio do corpo do 
útero. Ela possui cerca de 2 a 3 mm de 
espessura, apresenta glândulas 
cervicais produtoras de muco e não 
possui artérias espiraladas. Por isso, 
sofre poucas alterações de espessura 
durante o ciclo menstrual e não 
descama durante a menstruação. 
Histologicamente, o colo do útero é 
dividido em ectocérvice e endocérvice: 
● Ectocérvice: é a porção do colo que 
se projeta para dentro da vagina e, 
por estar exposta ao ambiente 
vaginal, apresenta um epitélio 
mais resistente (epitélio 
estratificado pavimentoso não 
queratinizado). É semelhante ao 
epitélio da vagina e possui várias 
camadas celulares, 
proporcionando maior resistência 
ao atrito. 
 
 
● Endocérvice: corresponde ao canal 
cervical e apresenta epitélio 
simples colunar secretor de muco. 
Esse epitélio forma glândulas 
cervicais ramificadas, 
responsáveis pela produção do 
muco cervical. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
● Junção escamocolunar (JEC): é o 
ponto de encontro entre o epitélio 
estratificado pavimentoso da 
ectocérvice e o epitélio simples 
colunar da endocérvice. Sua 
localização varia ao longo da vida 
em resposta principalmente às 
alterações hormonais. 
 
Zona de transformação: região do colo 
uterino onde ocorre a substituição do 
epitélio simples colunar endocervical 
por epitélio estratificado pavimentoso 
por metaplasia escamosa. Durante a 
idade reprodutiva, a eversão do epitélio 
endocervical o expõe ao ambiente 
vaginal, favorecendo esse processo 
adaptativo. 
A zona de transição corresponde à 
região entre a junção escamocolunar 
original e a nova junção escamocolunar 
formada após a metaplasia. 
Durante a metaplasia escamosa, o novo 
epitélio pavimentoso pode recobrir e 
obstruir os orifícios das glândulas 
endocervicais. Como essas glândulas 
continuam produzindo muco, ocorre 
retenção da secreção e dilatação 
glandular, formando os cistos de Naboth, 
que são alterações benignas. 
 
 
Embora a metaplasia seja um processo 
fisiológico e não neoplásico, as células 
metaplásicas imaturas desta região são 
particularmente suscetíveis à infecção 
persistente por HPV de alto risco, razão 
pela qual a maioria das lesões 
precursoras e dos carcinomas de colo de 
útero surge nesta região. 
 
 
 
 
 
NEOPLASIAS DO ÚTERO E COLO UTERINO 
As neoplasias podem apresentar 
comportamento benigno ou maligno, 
diferenciando-se principalmente pelo 
grau de diferenciação/anaplasia, padrão 
de crescimento, capacidade de 
infiltração dos tecidos adjacentes, 
angiogênese e possibilidade de 
metástase. 
 
LEIOMIOMA UTERINO (BENIGNO) 
É uma neoplasia benigna constituída por 
células musculares lisas. 
Histologicamente, apresenta 
crescimento bem delimitado, sem 
comportamento infiltrativo, e suas 
células apresentam baixos grau de 
anaplasia, mantendo maior semelhança 
com o tecido de origem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARCINOMA DO COLO UTERINO 
(MALIGNO) 
Diferentemente do leiomioma, as 
neoplasias malignas do colo uterino 
apresentam maior grau de anaplasia, 
alterações celulares mais acentuadas e, 
quando invasivas, capacidade de 
romper a membrana basal e infiltrar o 
estroma cervical. 
 
Carcinoma in situ: 
● Atipias + pleomorfismo + mitoses 
● Membrana basal preservada 
● Sem invasão do estroma. 
 
 
Carcinoma epidermoide (escamoso): 
● Maior anaplasia 
● Mitoses atípicas 
● Invasão da membrana basal 
 
 
● Infiltração do estroma 
● Reação desmoplásica → resposta 
do tecido conjuntivo à invasão das 
células neoplásicas, caracterizada 
pela ativação de fibroblastos e 
maior deposição de matriz 
extracelular/colágeno ao redor 
dos focos tumorais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adenocarcinoma da endocérvice: 
● Origem no epitélio glandular 
endocervical 
● Pleomorfismo 
● Figuras mitóticas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADIAMENTO DO CÂNCER DE COLO DE 
ÚTERO 
O estadiamento FIGO (Federação 
Internacional de Ginecologia e 
Obstetrícia) classifica o câncer do colo 
uterino de acordo com a extensão da 
doença, considerando desde tumores 
restritos ao colo até aqueles que 
invadem estruturas pélvicas ou 
apresentam disseminação à distância. 
Estágio I — tumor restrito ao colo 
uterino 
O carcinoma permanece limitado ao 
colo do útero. 
 
 
 
 
 
Estágio II — ultrapassou o colo, mas 
não chegou à parede pélvica 
O tumor ultrapassa o útero/colo, mas 
ainda não alcança a parede pélvica 
nem o terço inferior da vagina. 
 
Estágio III — progressão para vagina 
inferior, parede pélvica e/ou 
linfonodos 
Aqui a doença apresenta maior extensão 
pélvica. 
● IIIA: atinge o terço inferior da 
vagina, mas não a parede pélvica. 
● IIIB: alcança a parede pélvica e/ou 
provoca hidronefrose ou rim não 
funcionante pela obstrução do 
ureter. 
● IIIC: presença de metástase 
linfonodal: 
○ IIIC1: linfonodos pélvicos; 
○ IIIC2: linfonodos 
para-aórticos. 
Estágio IV — invasão de órgãos 
adjacentes ou metástase à distância 
É o estágio de maior extensão. 
● IVA: tumor invade órgãos pélvicos 
adjacentes, principalmente 
mucosa da bexiga ou do reto. 
● IVB: presença de metástases à 
distância, podendo atingir, por 
exemplo, pulmão, fígado, ossos e 
linfonodos distantes. 
 
 
RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NO CÂNCER 
DO COLO UTERINO 
A ressonância magnética (RM) permite 
visualizar com boa definição os tecidos 
moles da pelve e, no câncer do colo 
uterino, é utilizada principalmente para 
avaliar a extensão local do tumor e sua 
relação com as estruturas ao redor do 
colo. 
Na sequência ponderada em T2, o 
estroma cervical normal apresenta 
baixa intensidade de sinal (hipossinal), 
aparecendo mais escuro. Já o tecido 
 
 
tumoral apresenta, em geral, sinal mais 
elevado em relação ao estroma cervical, 
sendo visualizado como uma massa 
levemente hiperintensa. 
 
 
 
 
 
	Estágio I — tumor restrito ao colo uterino 
	Estágio II — ultrapassou o colo, mas não chegou à parede pélvica 
	Estágio III — progressão para vagina inferior, parede pélvica e/ou linfonodos 
	Estágio IV — invasão de órgãos adjacentes ou metástase à distância

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