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TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO AULA 2 Profª Carolina de Souza Walger A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Olá, aluno, seja bem-vindo! Neste encontro vamos conhecer a definições de Treinamento e Desenvolvimento, que são diferentes conceitos que fazem parte do mesmo subsistema. Vamos identificar as cinco etapas para a realização de um treinamento eficaz, focando especificamente as etapas de: Levantamento das Necessidades de Treinamento e Desenvolvimento, Definição do Plano de Treinamento e Definição do Programa de Treinamento. Por fim, vamos conhecer os 10 passos para a logística de um treinamento, identificando quais são os procedimentos aos quais os organizadores devem estar atentos a fim de que tudo dê certo no programa a ser desenvolvido. Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO Em 2013, o Brasil passou por inúmeras manifestações públicas, você lembra? A grande questão é que tanto manifestantes quanto policiais não estavam preparados para lidar com os conflitos que surgiram. Leia um trecho da reportagem da jornalista Juliana Castro publicada no site do jornal O Globo em 2014, que relata um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Rio de Janeiro1. RIO – Manifestantes fugindo de bombas de gás lacrimogêneo e vandalismo eram cenas finais de um enredo que se tornou conhecido no fim de muitos protestos, desde junho do ano passado [2013]. Sete meses depois de a população tomar as ruas, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela como as próprias forças de segurança se sentem despreparadas para agir diante de grandes atos – que prometem se repetir durante a Copa do Mundo. Ao todo, 64% dos policiais militares e civis entrevistados admitiram não ter recebido orientação e treinamento adequado para lidar com as manifestações. Você acredita que os policiais necessitam de treinamento? Que tipo de treinamento poderia ter sido realizado para que eles estivessem mais preparados para a situação? 1 Elaborado com base em Freire, 2014. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 3 TEMA 1 – DEFINIÇÕES DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO Vivemos na era do conhecimento, na qual as pessoas e seus conhecimentos são considerados o principal patrimônio das organizações, pois é isso que irá diferenciá-las de seus concorrentes. O foco desse subsistema é ajudar o indivíduo a adquirir e desenvolver conhecimentos e/ou comportamentos mais funcionais que os utilizados até o momento, para sua maior competência e ajustamento psicossocial e organizacional. Assim, os programas de treinamento e desenvolvimento são entendidos como um processo educacional aplicado de maneira sistemática e organizada, pela qual as pessoas aprendem conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA) em função de objetivos definidos. Os programas de treinamento e desenvolvimento são processos de aprendizagem contínuos e cíclicos que provocam mudanças. Os principais objetivos desse subsistema, resumidos por Kops, Silva e Romero (2013), são: Aperfeiçoar a formação profissional da pessoa, fazendo com que ela adquira um maior conhecimento em sua área de atuação. Permitir que a pessoa conheça o negócio, a missão, os princípios e valores da organização. Permitir ao colaborador especialização em uma função específica, podendo otimizar os resultados de seu trabalho. Contribui para atrair e reter os profissionais. Oferecer à pessoa atualização, aperfeiçoamento e desenvolvimento das competências, conhecimentos, atitudes e habilidades, preparando-as para assumir novas funções e cargos. Embora Treinamento e Desenvolvimento representem um único subsistema da área de recursos humanos, estamos falando de duas práticas diferentes. Ou seja, treinamento é uma prática, e desenvolvimento é outra. É evidente que são práticas interligadas, mas tem objetivos e formas de trabalho diferentes. Por definição, compreendemos o treinamento como os processos orientados para o presente, com foco no cargo atual, que têm o objetivo de melhorar o desempenho em curto prazo e em corrigir falhas e dificuldades atuais, A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 4 adaptando o indivíduo a um cargo ou função. O treinamento envolve-se mais com a preparação para a função na área operacional. Portanto, podemos dizer que o treinamento é qualquer atividade que contribua para tornar uma pessoa apta a exercer uma função ou tarefa. Esses processos são de curto prazo, aplicados de maneira sistemática para que as pessoas adquiram conhecimentos e habilidades em função de objetivos específicos, como preparar as pessoas para a execução imediata de tarefas do seu cargo. Em última análise, o treinamento irá desenvolver competências que permitem ao trabalhador melhorar o seu desempenho, a sua produtividade e sua capacidade de inovação. Assim, o alcance dos objetivos organizacionais é favorecido. Por sua vez, o desenvolvimento foca o futuro, os cargos a serem ocupados a médio ou longo prazo, aperfeiçoa a pessoa para uma carreira. Desenvolver pessoas é incentivar o autodesenvolvimento para a busca de renovação dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes. Via de regra, o desenvolvimento focaliza atividades de cunho comportamental. O processo de desenvolvimento inclui o treinamento, mas vai além. Ele contempla uma linha de crescimento para que o indivíduo esteja preparado para novos desafios. De acordo com Lotz e Gramms (2012), pensar o desenvolvimento de pessoas significa refletir acerca de experiência, vivências e capacidades individuais, em um processo desenvolvido ao longo da vida do indivíduo. Ainda para as autoras, isso ocorre porque os ganhos pessoais ampliam a visão que o indivíduo tem do mundo e se refletem na trajetória e no resultado profissional dessa pessoa. Dessa forma, a preocupação com o desenvolvimento deve ser das organizações, mas também das pessoas de forma individual. O investimento em desenvolvimento traz diversos benefícios para as organizações e para as pessoas, como: Agrega valor às pessoas e à organização. Permite participação ativa dos gerentes e de suas equipes. Favorece a ligação das pessoas com o negócio da empresa. Permite o aprimoramento pessoal como parte da melhoria da qualidade de vida das pessoas. Gera uma contínua preparação da empresa e das pessoas para o futuro. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 5 Permite que as práticas de treinamento e desenvolvimento sejam adequadas às diferenças individuais dos aprendizes. Enfatizam técnicas grupais e solidárias. Favorecem a motivação e a realização pessoal. Geram a incessante busca pela excelência. Permitem o compartilhamento de informações. De acordo com o objetivo que se tem, os programas de treinamento e desenvolvimento serão estruturados de forma diferente. Quando o objetivo é a simples transmissão de informações para aumentar o conhecimento das pessoas, palestras informativas são suficientes. Esse tipo de treinamento deve ser utilizado quando a preocupação é com dados genéricos da organização, seus produtos ou serviços, sua estrutura organizacional, suas políticas e diretrizes, regras e regulamentos. Quando o objetivo é desenvolver habilidades e destrezas voltadas para melhorar a execução das tarefas requeridas pelo cargo, são necessários os treinamentos técnicos. Esse tipo de treinamento é utilizado para operação de máquinas, equipamentos e ferramentas, por exemplo. O treinamento do tipo desenvolvimento ou modificação de atitudes/comportamentos é utilizado com objetivode sensibilização ou conscientização para determinados aspectos comportamentais. Pode, também, envolver a aquisição de novos hábitos e atitudes, principalmente em relação a clientes ou usuários. O treinamento do tipo desenvolvimento de conceitos está dirigido para elevar o nível de abstração e conceitualização de ideias e de filosofias, com o objetivo de desenvolver um pensamento mais amplo e estratégico. Leitura obrigatória Leia o capítulo 1 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Conheça mais sobre a diferença entre Treinamento e Desenvolvimento, consultando os links (acessos em 6 ago. 2019): A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 6 TEMA 2 – LEVANTAMENTO DE NECESSIDADES DO TREINAMENTO Para executar um programa de treinamento e desenvolvimento, é necessário planejar adequadamente o processo para que os resultados sejam alcançados. Essa estrutura tradicional propõe que sejam seguidas as seguintes etapas: 1. Levantamento de Necessidades de Treinamento 2. Definição do Plano de Treinamento 3. Definição do Programa de Treinamento 4. Aplicação do Programa de Treinamento 5. Avaliação da Efetividade do Treinamento O Levantamento de Necessidades de Treinamento (LNT) é a primeira etapa de um programa de treinamento e desenvolvimento e consiste em verificar as necessidades de capacitação percebidas na empresa. Segundo Knapik (2012), uma necessidade de treinamento é uma carência de conhecimentos ou de habilidades que devem ser adquiridas pela pessoa para desempenhar bem o seu trabalho. Então, o objetivo é descobrir as carências de preparo profissional, isto é, o gap entre o que o empregado deve saber fazer e o que ele de fato sabe e faz. O LNT é a etapa do diagnóstico das necessidades, determina quem precisa de que tipo de treinamento e que tipo de conteúdo ele deve ter. Esse levantamento garante que os recursos de treinamento sejam bem empregados em área de real necessidade. É importante uma pesquisa detalhada para identificar as necessidades de treinamento e poder propor programas que atendam à necessidade da organização. Para iniciar a realização do LNT podemos começar com a análise de três dimensões: a dimensão organizacional, a dimensão das tarefas e a dimensão A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 7 das pessoas. Cada uma dessas dimensões irá apresentar diferentes necessidades de treinamento. A análise da organização ocorre com base no diagnóstico de toda a empresa, do ambiente, das estratégias e dos recursos, a fim de determinar o que enfatizar com o treinamento. Existem mudanças gerais que demandam treinamentos, independente da área funcional do empregado. Por exemplo, se a área geográfica na qual a empresa está instalada passa a ser uma área de risco de terremotos, todas as pessoas da organização precisam ser treinadas sobre procedimentos de segurança em casos de terremotos. A análise das tarefas envolve o estudo das competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) exigidas para os diversos cargos da organização para que as tarefas possam ser executadas. Isso significa que pessoas que ocupam determinado cargo deverão passar por algum tipo de treinamento específico para que possam realizar o seu trabalho. Por exemplo, se toda a área de produção de uma empresa utiliza um determinado sistema tecnológico para a produção, todas as pessoas que trabalham nessa área precisam passar pelo treinamento do sistema, independentemente de seus conhecimentos e habilidades prévias na área de produção. A análise das pessoas está relacionada ao estudo do perfil dos empregados, quais são conhecimentos, habilidades e atitudes prévios e quais precisa desenvolver para a melhor execução de suas tarefas. Mesmo que um cargo tenha um requisito básico obrigatório, exigindo que todos os seus ocupantes tenham determinado conhecimento, pode ser que na execução da tarefa uma pessoa demonstre mais habilidade que outra – o que faz com que aquele indivíduo especificamente deva ser treinado. Por exemplo, para contratar os vendedores da minha empresa posso exigir que todos tenham formação superior e experiência com vendas, mas no dia a dia de trabalho observo que um dos meus vendedores possui dificuldades com cálculos, o que prejudica suas negociações. Nesse caso, posso enviar apenas esse funcionário para um treinamento de cálculo aplicado. Além da análise dessas três dimensões, existem algumas situações que, por si só, demonstram a necessidade de um programa de treinamento e desenvolvimento. Isto é, alguns acontecimentos na empresa, ligados a necessidades futuras ou passadas, indicam que treinamentos devem ocorrer. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 8 Eventos que ainda não ocorreram, mas estão previstos para acontecer, irão provocar mudanças estruturais e comportamentais, exigindo a organização de programas de treinamento. Dentre essas necessidades chamadas de futuras, temos: necessidade de expansão do negócio; necessidade de fusão ou aquisição de empresas por um grupo empresarial; necessidade de admissão de novos colaboradores; aumento da demanda de mercado; corte do número de funcionários; transferências, promoções, férias ou licença de colaboradores; mudança nos métodos e procedimentos de trabalho; lançamento de novos produtos; introdução de novas tecnologias ou equipamentos. Da mesma forma, eventos que já ocorreram ou estão ocorrendo impactam o negócio e indicam a necessidade de realização de treinamentos. Dentre esses eventos, encontram-se: queda na produtividade; aumento no número de defeitos ou erros; problemas de comunicação; problemas de relacionamento; grande número de acidentes de trabalho; atendimento deficiente ao cliente; pouca cooperação no trabalho; má administração do tempo; aumento do número de reclamação de clientes. Quando nos deparamos com essas situações, já podemos imaginar que serão necessários treinamentos para que as pessoas deem conta dessas novas demandas de trabalho ou corrijam falhas que estão acontecendo. Porém, existem outros métodos formais para realizar o LNT, que são: Avaliação de desempenho: os resultados das avaliações realizadas, independentemente do tipo de avaliação ou do método utilizado, indicam necessidades individuais de cada colaborador. Esse resultado pode A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 9 indicar necessidade de treinamentos individualizados para que o colaborador possa desenvolver melhor o seu trabalho. Observações: a observação da rotina de trabalho pode indicar necessidades de melhoria de processos e procedimentos e resultar em indicações de programas de treinamento individuais ou grupais. Questionários: com a aplicação de questionários aos colaboradores, eles podem indicar os treinamentos dos quais sentem necessidade para melhor desenvolver o trabalho. Reuniões: as reuniões com gestores ou departamentos podem ter o mesmo resultado dos questionários, nos quais as pessoas indicam os treinamentos de que sentem falta ou que indicam para a sua equipe. Entrevista de desligamento: a entrevista realizada com colaboradores que são demitidos ou pedem demissão nos ajuda a entender melhora organização e identificar falhas que podem ser corrigidas por meio de programas de treinamento e desenvolvimento. Análise de cargos e funções: a comparação entre a descrição de cargo e os conhecimentos, habilidades e atitudes que o funcionário possui evidencia os treinamentos necessários para o seu bom desempenho. Análise dos resultados dos treinamentos: após a realização de treinamento, este deve ser avaliado e, a partir disso, novas carências ou novas necessidades podem ser identificadas. Pesquisa de clima organizacional: essa pesquisa avalia o nível de satisfação dos colaboradores em relação à organização, à gestão e ao trabalho, podendo indicar necessidades de treinamento. Leitura obrigatória Leia o capítulo 2 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Leia o artigo “Levantamento de Necessidades de Treinamento: reflexões atuais” de Pedro Paulo Murce Meneses e Thais Zerbini, disponível no link: . Acesso em: 6 ago. 2019. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 10 TEMA 3 – DEFINIÇÃO DO PLANO E DO PROGRAMA DE TREINAMENTO A definição do plano de treinamento é a etapa na qual se definem os objetivos do treinamento, ou seja, é a definição dos critérios para o sucesso do treinamento. Nessa etapa devemos responder às perguntas: “O que o participante deverá ser capaz de fazer ou saber após o treinamento?” e “Como pode ser avaliada a consecução do objetivo do treinamento?”. Isso significa que, ao definir o plano de treinamento, devemos justificar, com base nas necessidades identificadas e nos resultados esperados, por que determinado treinamento é importante. Essa é uma etapa fundamental para a negociação do financiamento do treinamento por parte da direção da empresa. É preciso deixar claro qual é o problema identificado, como ele será resolvido e qual resultado se espera. Por sua vez, a definição do programa de treinamento é a etapa na qual se deve projetar o programa de treinamento, definindo tema, conteúdos, metodologia, recursos e orçamento. O principal foco é pensar o que será repassado, como será aprendido e como aquilo que será aprendido será transferido para o trabalho. Nesse momento, as necessidades identificadas devem ser desdobradas em cursos, número de participantes por curso, número de turmas, definição se serão cursos internos ou externos e se terão instrutores internos ou externos e demais decisões. Nessa etapa é necessário responder às seguintes perguntas: O que será ensinado? Para quem será dirigido? Quando será ensinado? Como será ensinado? Quem deverá ensinar? Cada evento deve ter o seu programa de treinamento, contendo: título do evento; objetivo; público-alvo; conteúdo programático; período, data, duração total em horas; local do evento; A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 11 metodologia, didática do curso, técnicas que serão aplicadas; recursos necessários; forma de avaliação a ser realizada; instrutor; custo previsto. Confira aqui um exemplo de como deve ser o programa de treinamento: Quadro 1 – Exemplo de programa de treinamento Leitura obrigatória Treinamento: Público-alvo: Instrutor: Pedro Paulo Local: Sala de treinamento da empresa Carga horária: 8 horas Período: duas manhãs / 20 e 25 de junho Metodologia: Recursos necessários: Avaliações: Técnicas de Oratória 20 vendedores Objetivos do treinamento: Conteúdo do treinamento: - Conhecer técnicas de oratória - Desenvolver a oratória - Melhorar a comunicação Módulo 1 - 4 horas - Filmagem dos participantes - Teoria sobre técnicas de oratória - Exercícios práticos de oratória Módulo 2 - 4 horas - Feedback aos alunos - Exercícios práticos de oratória - A oratória no processo de vendas - Exposição dialogada - Técnicas vivenciais de oratória - Filmagem dos alunos - Feedback - Computador - Data show - Filmadora Filmagem dos alunos no início e no final para identificação da absorção das tecnicas na prática A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 12 Leia o capítulo 2 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Confira algumas dicas para montar um treinamento acessando o link: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 4 – LOGÍSTICA PARA A ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS Antes de falarmos sobre a aplicação ou execução do programa de treinamento e desenvolvimento, queremos compartilhar a proposta do autor Fernando Cardoso (2006) sobre a realização de um treinamento. O autor propõe dez passos para a logística de produção e realização de um programa de treinamento. Conhecer esses dez passos pode ajudá-lo na organização de treinamento na sua empresa, garantindo que tudo acontecerá corretamente e dentro do cronograma. 4.1 Primeiro passo: definindo a forma O primeiro passo consiste na definição da forma em que o treinamento será realizado, pois cada um terá uma necessidade em termos de logística. Os meios possíveis são: Treinamento presencial ministrado por profissionais de sua empresa: em geral utilizado para assuntos específicos empresa, sendo o ministrante um dos colaboradores. Treinamento presencial ministrado pelo RH: nesse caso o ministrante é um colaborador do setor de recursos humanos. Treinamento presencial realizado por uma consultoria na versão aberta: treinamento realizado por uma consultoria externa, divulgado para o mercado, em que se pode realizar uma ou mais inscrições e toda a estrutura já está pronta. Treinamento presencial realizado por uma consultoria na versão in company: treinamento realizado por consultoria externa em que todos os alunos são de sua empresa. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 13 E-learning de prateleira: treinamento feito por meio da internet, com assunto geral e não específico da sua empresa. E-learning customizado: treinamento feito por meio da internet, desenvolvido conforme a sua necessidade. On the job: treinamento prático, ministrado no local e no dia a dia de trabalho. Job rotation: forma de treinamento ou qualificação em que o profissional troca de função para conhecer todo o processo. Manual de autotreinamento: em papel. 4.2 Segundo passo: definindo o fornecedor Essa etapa abrange desenvolver e/ou adequar o conteúdo do treinamento aos objetivos estabelecidos. Para tanto, é necessário definir o fornecedor do conteúdo de treinamento. Quando o conteúdo do treinamento diz respeito a questões específicas da organização, o ideal é utilizar um colaborador que já possua o conhecimento necessário. Contudo, nem sempre essa pessoa estará preparada para ministrar um treinamento, por isso é necessário preparar esse colaborador para ser um instrutor. Quando não é possível utilizar um colaborador interno para essa tarefa, a empresa tem de buscar especialistas externos que possam se apropriar desse conteúdo para ministrá-lo. 4.3 Terceiro passo: contratação de fornecedores A primeira etapa deste passo será escolher alguns fornecedores que irão conhecer a sua necessidade e apresentar uma proposta de trabalho. A partir disso, você poderá analisar o custo-benefício de cada proposta e optar por aquela que agregue mais valor à sua organização. Diversos fatores podem influenciar essa decisão, como por exemplo: o fornecedor ser uma entidade reconhecida, ser especialistano conteúdo proposto ou no meio em que o treinamento acontecerá, ter uma metodologia diferenciada, oferecer customização, viabilidade econômica etc. Portanto, a escolha deve priorizar aquele fornecedor que for mais adequado à necessidade e aos objetivos do seu projeto. 4.4 Quarto passo: produção do projeto A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 14 O quarto passo é a etapa de produção do projeto, ou seja, tudo o que foi discutido até aqui deverá ser desenvolvido por uma equipe interna ou pelo fornecedor contratado. Para a realização dessa etapa são necessárias reuniões para definição de conteúdo, metodologia, tipo de avaliação, definição de cronograma, acompanhamento e validação de algumas etapas da produção. É necessário definir a produção do material audiovisual e o material entregue aos alunos. 4.5 Quinto passo: data e local Agendar um treinamento nem sempre é uma tarefa simples. O quinto passo consiste em determinar a data do treinamento, o local, os recursos de apoio, o hotel e o transporte dos alunos e instrutores. Você terá que conciliar a disponibilidade de data dos alunos, dos instrutores e da sala de aula, portanto, é importante fazer isso com bastante antecedência. Também será necessário definir o local do treinamento, se será realizado na própria empresa ou em ambiente externo, avaliando os custos e as vantagens envolvidas. A organização de almoço ou coffee break também é importante. Faz-se necessário providenciar todos os recursos necessários, como computador, projetor multimídia, equipamento de som, DVD, microfone e tudo o que for necessário para que o treinamento aconteça. 4.6 Sexto passo: convocação dos alunos O sexto passo consiste na convocação dos alunos, o que pode ser feito utilizando múltiplas estratégias e recursos da organização. Existem, basicamente, dois caminhos para chamar os participantes. A primeira delas é a convocação. Quando convocamos um colaborador, significa que a sua presença é obrigatória, ele não poderá escolher se quer ou não participar – ele deve participar. A outra possibilidade é o convite. Nesse caso, os treinamentos podem ser amplamente divulgados a todos os colaboradores, e apenas aqueles que tiverem interesse irão participar. 4.7 Sétimo passo: apoio e alimentação Para treinamentos diurnos deverá ser providenciado almoço e coffe break para os alunos e instrutores. Esses intervalos são importantes para as pessoas A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 15 relaxarem e discutirem com os colegas. Durante todo o treinamento, o ministrante deverá ter água à vontade. Nesta etapa também deverá ser definido se haverá pessoal para recepção dos alunos e suporte para as tarefas, como entregar material didático e crachás, ligar equipamentos, solucionar problemas, anotar recados, providenciar cópias de material etc. 4.8 Oitavo passo: documentos necessários Quando realizamos um treinamento, precisamos providenciar uma série de documentos e isso deve ser feito com antecedência para evitar correrias e indisposições no momento do treinamento. É preciso providenciar a lista de presença dos participantes, os crachás, a avaliação de reação, os certificados, reprodução do material didático, pastas, canetas, papel rascunho. Esses são exemplos básicos, é importante conferir com a organização do evento e com o ministrante se existem outros documentos necessários a serem providenciados. 4.9 Nono passo: avaliação do treinamento O nono passo consiste na avaliação do treinamento. Vamos resumir aqui algumas possibilidades: Avaliação de reação: deve ser aplicada ao final de um treinamento. Nessa avaliação vamos verificar o grau de satisfação dos participantes em relação a questões gerais do treinamento, como local, organização, ministrante e material didático. Avaliação de aprendizagem: essa avaliação pode ser feita no término do treinamento por meio de uma prova, avaliando os conteúdos apreendidos pelos participantes. Avaliação da aplicação da aprendizagem no trabalho: essa avaliação só poderá ser feita em um determinado período após o treinamento – de uma semana a um ano – para verificar se o treinando está aplicando os conhecimentos na prática. Avaliação do retorno do investimento: essa avaliação é feita pelos organizadores do evento, comparando o dinheiro gasto com o resultado concreto que o treinamento gerou. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 16 4.10 Décimo passo: documentar o histórico O décimo e último passo para a logística de um programa de treinamento prevê que se deve documentar o histórico do treinamento. É importante documentar quais foram os treinamentos realizados, o número de alunos presentes e ausentes, as notas nas avaliações, as aprovações e reprovações, os investimentos envolvidos, quem foi o instrutor, o fornecedor de cada um dos serviços envolvidos, a avaliação do instrutor, a avaliação do curso e a avaliação do fornecedor, entre outras informações. Os dez passos para a logística de um programa de treinamento favorecem o cumprimento dos objetivos e dos prazos determinados em cronograma. A logística é necessária para o desenvolvimento e a realização de cada intervenção de treinamento de sua empresa. Utilizado como um guia, o seu programa de treinamento irá cumprir os objetivos e prazos determinados. Lembre-se: comece definindo a forma pela qual o treinamento será realizado; escolha um fornecedor competente no assunto do treinamento; elabore um projeto detalhado; defina data, local e recursos necessários; convoque ou convide os participantes; providencie a documentação necessária e a avaliação que será realizada. Com esses cuidados, o seu treinamento será um sucesso! Leitura obrigatória Leia o artigo: SAMPAIO, J. R.; TAVARES, K. C. Estrutura e Programas de T&D: O caso das empresas públicas e sociedades de economia mista do estado de Minas Gerais. Revista de Administração Contemporânea, v. 5, n. 1, 2001. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. Saiba mais Leia o artigo “Planejando e Executando Treinamentos”, disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. TROCANDO IDEIAS Você já participou de algum programa de treinamento e desenvolvimento na empresa em que trabalha ou já trabalhou? Caso não tenha passado por essa A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 17 situação, converse com algum conhecido e peça para que ele conte a você como foi a experiência dele. NA PRÁTICA Você está trabalhando como Analista de Recursos Humanos na empresa Top Inovações. O seu gestor lhe informa da necessidade de ampliação da equipe coordenada pelo engenheiro de computação. A previsão é que nos próximos 2 meses sejam contratados 10 novos assistentes para o setor. Sua tarefa será conduzir o programa de treinamento dessa nova equipe. Com base nessas informações você deve estruturar o seu trabalho e planejar as seguintes etapas: 1. Como você irá realizar o levantamento de necessidades de treinamento? Faça a proposta que metodologia irá utilizar e como irá executá-la. 2. Qual será o projeto e o programa de treinamento e desenvolvimento elaborado? Detalhe o seu programa com todos os itens necessários. FINALIZANDO Neste encontro, vimos que o treinamento é focado no presente, no curto prazo, visando à adequação das pessoas aos cargos que ocupam. Já o desenvolvimento tem foco no futuro, em longo prazo, pensando nos futuros desafios que um profissional pode enfrentar. Também aprendemos que diferentes objetivoslevam a diferentes tipos de treinamento, que podem ser de transmissão de informação, desenvolvimento de habilidades, desenvolvimento de comportamentos ou desenvolvimento de conceitos. Outro tema importante deste encontro foi a proposta das cinco etapas para um treinamento eficaz, que são: levantamento das necessidades de treinamento; definição do plano de treinamento; definição do programa de treinamento; aplicação do programa de treinamento; e avaliação do programa de treinamento. Por fim, você pôde conhecer os 10 passos para a logística de um treinamento, identificando que são diversos os cuidados a serem tomados pelos organizadores de um programa de treinamento. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 18 REFERÊNCIAS CARDOSO, F. Logística para a produção e realização do treinamento em dez passos. In: BOOG, G.; BOOG, M. (Orgs.) Manual de Treinamento e Desenvolvimento: processos e operações. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. CASTRO, J. Em pesquisa, 64% dos policiais assumem não ter treinamento adequado para lidar com protestos. O Globo, 2 fev. 2014. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. COMO montar um treinamento. André Ganzevitch Escritório de Consultoria. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. CONHEÇA a diferença entre treinamento e desenvolvimento. Destino Negócio, 9 set. 2015. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. FRAGOSO, C. As diferenças entre Treinamento e Desenvolvimento. RH Portal, 2 set. 2015. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. FREIRE, D.A.L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. KNAPIK, J. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: InterSaberes, 2011. KOPS, L. M.; SILVA, S. F. C; ROMERO, S. M. T. Gestão de Pessoas: conceitos e estratégias. Curitiba: InterSaberes, 2013. LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de Talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. MARQUES, J. R. Qual a diferença entre treinamento e desenvolvimento de pessoas?. José Roberto Marques, 4 abr. 2016. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. MENESES, P. P. M.; ZERBINI, T. Levantamento de necessidades de treinamento: reflexões atuais. Análise, v. 20, n. 2, p. 50-64, jul./dez. 2009. Disponível em: A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 19 . Acesso em: 6 ago. 2019. SAMPAIO, J. R.; TAVARES, K. C. Estrutura e Programas de T&D: O caso das empresas públicas e sociedades de economia mista do estado de Minas Gerais. Revista de Administração Contemporânea, v. 5, n. 1, 2001. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. SILVA, A. Planejando e executando um treinamento. Comunidade Adm, 7 maio 2009. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com