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NEUROPATIA PERIFERICA

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Testes mais especializados podem revelar doenças sangüíneas, cardiovasculares, doenças do tecido conectivo ou neoplasias. Testes de força devem ser usados quando houver evidências de câimbras ou fasciculações. Avaliação da sensibilidade inclui o estudo da sensibilidade vibratória, toque superficial, posição das articulações, temperatura e dor, revelando dano sensitivo e quais tipos de fibras estão envolvidas.
Baseados nos resultados de exame físico geral e neurológico, história do paciente e exames, estudos mais específicos podem ser realizados para determinar a extensão e a natureza das lesões nervosas.
-Tomografia computadorizada é um exame indolor, não invasivo, produzindo imagens em duas dimensões de órgãos, ossos e tecidos. Raios X ultrapassam todo o corpo em diferentes ângulos e são detectados por um scanner computadorizado. Os dados são processados e mostrados como se o corpo fosse fatiado, permitindo análise das estruturas internas do corpo. Tomografias em Neurologia podem ajudar ao detectar irregularidades ósseas ou vasculares, tumores cerebrais e cistos, hérnias discais, estenose lombar e outras doenças.
-Ressonância Magnética pode examinar a qualidade do músculo e suas dimensões, detectar infiltração de gordura dentro do músculo e determinar se um determinado nervo encontra-se sob compressão em seu trajeto. O equipamento da ressonância cria um intenso campo magnético ao redor do corpo. Mudanças nos átomos, após esse intenso campo, irão compor diferentes sinais de ressonância, de acordo com a estrutura dos tecidos estudados. Um processo computacional capta essas diferentes ressonâncias teciduais,formando uma imagem em três dimensões ou uma imagem "fatiada" da área estudada.
-Eletromiografia envolve a inserção de agulhas nos músculos a fim de comparar a atividade elétrica quando estão em repouso e quando estão sob contração. A Eletromiografia pode diferenciar entre uma doença do músculo e uma doença do nervo.
-O estudo das velocidades de condução nervosa pode medir precisamente o grau de lesão de um nervo, revelando se os sintomas são causados por alteração da mielina ou do axônio. Durante este teste, há um estímulo elétrico que aciona um determinado nervo, o qual responde gerando seu próprio estímulo elétrico. Um eletrodo, colocado ao longo do trajeto do nervo, irá captar a transmissão deste impulso ao longo do seu axônio. Velocidades lentas de transmissão e bloqueio do impulso tendem a indicar dano à bainha de mielina, enquanto a redução da intensidade do impulso é um sinal de lesão do axônio.
-Biopsia de nervo envolve a remoção e exame da amostra do tecido nervoso, mais freqüentemente nos membros inferiores. Embora este teste possa acrescentar alguma informação no tocante à etiologia do processo, deve-se lembrar que é um procedimento invasivo, de difícil realização e pode por si causar efeitos colaterais neuropáticos.
Neuropatia Diabética Dolorosa
 A neuropatia diabética dolorosa caracteriza-se por sintomas distais nos membros inferiores e/ou superiores, do tipo adormecimento, queimação, frio, formigamento, agulhamentos e cãibras. Quando estes sintomas são severos, eles devem ser tratados; o tratamento que produz melhores resultados inclui anticonvulsivantes, antidepressivos e opioides; substâncias tópicas como lidocaína, capsaicina e isosorbida spray podem melhorar o resultado do tratamento farmacológico. Tratamento não farmacológico com eletroestimulação percutânea (PENS) é uma boa opção não farmacológica e com poucos efeitos adversos. A EMTr já é aprovada na frança para tratamento da dor neuropática crônica necessitando ainda de mais evidências para um emprego em escala ampliada. Os tratamentos tópicos e não farmacológicos permitem não somente ampliar o efeito analgésico, mas também reduzir o uso de medicamentos orais e consequentemente seus efeitos adversos
NEUROPATIA DIABETICA DOLOROSA
O sistema nervoso periférico corresponde a porção do sistema nervoso que parte da medula para os tecidos como músculos, tendões, órgãos como coração, fígado etc; o comprometimento dos nervos periféricos por causas variadas é conhecido como neuropatia periférica. No diabetes mellitus ocorre neuropatia periférica em 16% dos casos; esta neuropatia é uma complicação na evolução natural do diabetes e quando a mesma se manifesta pode estar associada a outros transtornos relacionados ao diabetes (alterações da retina e dos rins por exemplo) assim como pode ser uma das primeiras manifestações do diabetes. É importante salientar que o quadro doloroso presente em um paciente diabético deve ser analisado de forma clinica detalhada pois além da dor relacionada á neuropatia o paciente pode também apresentar dores nociceptivas relacionadas a uma serie de transtornos incluindo processos vasculares, faciite plantar, artrose etc; também é possível a presença outros tipos de dor neuropática tais como radiculopatias , plexopatias, neuropatia truncal.
Na neuropatia diabética clinicamente estabelecida ocorre uma perda de sensibilidade tátil e vibratória (adormecimento) nos membros inferiores e mais raramente nos membros superiores; estas alterações tomam a forma de uma bota nos membros inferiores e a forma de uma luva nos membros superiores, conforme demonstrado na figura 2. Em geral a bota é mais comum, podendo limitar-se ao tornozelo mas podendo atingir os joelhos ou mesmo a coxa nos quadros mais avançados; a bota pode ser associada a uma luva em um número menor de casos.
Este quadro assim completo é chamado de polineuropatia distal simétrica em virtude de ocorrer nas extremidades, e ser similar do lado direito e esquerdo. Estas alterações podem ser confirmadas por um exame dos nervos e músculos (eletroneuromiografia) cujo diagnóstico mostra uma neuropatia do tipo de axonal ou mais raramente do tipo desmielinizante ou uma combinação de ambos.
Sintomas espontâneos ou provocados, variando desde leve incômodo a dores lancinantes, iniciam-se na maioria dos casos pelas extremidades dos pés (distalmente), podendo mais raramente fazê-lo pelas mãos ou simultaneamente nos pés e mãos. Freqüentemente as regiões distais adormecidas apresentam formigamentos, queimação, frio, agulhamentos, dor em pontada e cãibras. As extremidades também podem estar dolorosas ao tato e em casos mais avançados, o simples contado da pele com o lençol, com a meia ou com o sapato pode provocar sensações desagradáveis e mesmo dor (alodinia); redução da força muscular também pode ocorrer distalmente e neste caso a marcha pode estar prejudicada; insônia é um sintoma muito comum.
Um segundo tipo de neuropatia diabética dolorosa é a neuropatia dolorosa aguda, na qual os pacientes diabéticos sem uma polineuropatia estabelecida começam a apresentar dor severa em queimação nos pés, com ocorrência noturna e perda de peso; esta neuropatia ocorre em geral em períodos de descontrole do diabetes e o quadro clínico estabiliza assim que a glicemia é melhorada.
O terceiro tipo de neuropatia dolorosa do DM é a neuropatia dos pacientes com intolerância a glicose; salientamos que estes pacientes desconhecem que estão apresentando um quadro inicial de DM; a glicemia de jejum assim como a eletroneuromiografia destes pacientes podem ser normais mas o teste de tolerância a glicose é alterado. Desta forma esta neuropatia pode ser a primeira manifestação do DM e o teste de tolerância a glicose deve ser feito em todos pacientes com os sintomas supracitados.

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