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admUnidade I MÓDULO 1 CLIENTES: DEFINIÇÕES E ENTENDIMENTOS Objetivo resumido desse módulo Ao final desse módulo, você será capaz de compreender termos como cliente, comprador, cliente final, consumidor etc., objetivando que não ocorram interpretações errôneas, uma vez que, embora muitos dos termos sejam semelhantes, não são sinônimos e, uma boa identificação dos casos estudados requer saber exatamente ‘quem é quem’ no contexto dos clientes e das organizações. Além disso, poderá entender, de maneira breve, porque o comportamento do consumidor é visto como um processo. 1. Definições básicas e entendimentos Aqui são apresentadas algumas das principais definições e entendimentos para o termo cliente. Esse conhecimento servirá de apoio para que haja entendimento em cada um dos módulos desta disciplina, sendo assim, compreende-los é fundamental. São eles. 1.1 Cliente É possível compreender o cliente como aquele que é o destinatário de um produto, entendendo-se como produto o resultado de um processo e, entendendo-se como processo um conjunto de atividades inter-relacionadas que transformam entradas em saídas. Neste sentido, é valido compreender que um produto tanto pode estar relacionado a uma mercadoria (tangível) como a um serviço (intangível). O termo cliente, portanto: “Designa uma pessoa ou unidade organizacional que desempenha papel no processo de troca ou transação com uma empresa ou organização. (...) O terno cliente refere-se a pessoas que assumem diferentes papéis no processo de compra, como o especificador, o influenciador, o comprador, o pagante, o usuário ou aquele que consome o produto”. (Bretzke, apud Dias, 2003, p.38). “Constituinte, em relação ao advogado, ou procurador. Divididos em mercado-alvo, podem ser: consumidores, industriais, revendedores, empresas governamentais e internacionais. 2. Forma pela qual os publicitários designam os anunciante, os empresários em geral, quando vinculados a uma agencia de propaganda.” [Moreira; Pasquale; Dubner. 1999, p.89] ”Deve-se considerar o cliente como o destinatário dos produtos da organização. Pode ser uma pessoa física ou jurídica. É quem adquire (comprador) e/ou que utiliza o produto (usuário / consumidor).” (FPNQ, 2004: p.50). “Designa uma pessoa ou unidade organizacional que desempenha papel no processo de troca ou transação com uma empresa ou organização. (...) O termo cliente refere-se às pessoas que assumem diferentes papéis no processo de compra, como o especificador, o influenciador, o comprador, o pagante, o usuário ou aquele que consome o produto, (...).” (Dias, 2003: p.38). 1.2 Marketing e Marketing de Relacionamento Marketing é visto, dentre outras possibilidades, como um conjunto de processos humanos, sociais e administrativos por meio dos quais se estabelece e se facilita a troca de produtos e serviços de valor entre compradores e vendedores, os quais segundo Kotler e Keller (2006) e Pinheiro e Gullo (2011) estão em busca da satisfação de suas necessidades, desejos e objetivos. Os estudos sobre o cliente, principalmente o comportamento de compra, a satisfação e a fidelização, estão no cerne da área de Marketing, da qual emana o Marketing de Relacionamento, que visa estabelecer – por meio de ferramentas específicas com o composto de marketing, dentre outras – relacionamentos duradouros e mutuamente vantajosos para os compradores (clientes) e os vendedores (organizações). 1.3 Compostos de Marketing O composto de marketing, também conhecido como mis de marketing, em inglês marketing mix, ou simplesmente como 4Ps, compreende, principalmente, a abordagens sobre o produto, o preço, a praça e a promoção, condição que leva o composto a ser chamado, corriqueira e simplesmente de ‘4Ps’. Os 4Ps representam a visão que a empresa vendedora tem das ferramentas de marketing disponíveis para influenciar compradores. Do ponto de vista de um comprador, cada ferramenta de marketing é projetada para oferecer um benefício ao cliente. Robert Lauterborn (1990) sugeriu que os 4Ps do vendedor correspondem aos 4Cs dos clientes. Quadro 1 - A correlação sugerida por Robert Lauterborn: Produto Cliente (requerem soluções) Preço Custo (para o cliente) Praça Conveniência Promoção Comunicação Fonte: Adaptados de Lautenborn (1990). A correlação sugerida por Lauterborn (1990) ajuda a compreender que o foco do marketing é o cliente e para tanto é preciso proporcionar conveniência, comunicar essas conveniências, sempre ao menor custo para não pesar no orçamento do cliente. Já que estamos falando sobre clientes, os 4Cs não podem ser deixados de lado, pois, servem para demonstrar que toda medida de uma organização (com ou sem fins lucrativos) está ligada aos seus clientes e/ou consumidores, pois, sabem que para existir precisam deles, bem como os mesmos sabem que os produtos que compram facilitam suas vidas, solucionam problemas cotidianos etc. Para reflexão: Discuta a frase: “Não há pior cliente que cliente nenhum.” Ou seja, é melhor ter todos os piores clientes, desde que sejam de fato clientes ativos, pois sem eles não existe organização. Veja o quadro, a seguir, que a apresenta a relação dos 4Cs com os clientes, ou seja, com a relação que se estabelece com os clientes. Quadro 2 – Dos 4Cs aos clientes Clientes Conveniência Comunicação Custos Necessidade e Desejos dos clientes Produtos / Serviços Fonte: Desenvolvido pelo autor. 1.4 Consumidor O termo consumidor trata do “indivíduo que compra bens ou serviços para consumo próprio.” [Moreira; Pasquale; Dubner. 1999, p.103] 1.5 Comprador Trata-se da pessoa que faz a compra. 2. Do indivíduo que adquire o produto ou serviço. [Moreira; Pasquale; Dubner. 1999, p.97] É a pessoa que está presente no ato da compra executando-a. 1.6 Pagante É quem paga pelo produto ou serviços adquirido, podendo, portanto não ser a mesma pessoa do comprador ou mesmo do consumidor. (Porém, direta ou indiretamente o pagante pode ser considerado como cliente). Nota, o pagante não precisa estar presente no fechamento da compra, pois, ele pode ter enviado o dinheiro, cheque ou cartão por exemplo. 1.7 Cliente Externo “É, geralmente, aquele que paga pelos produtos e serviços sem participar do processo de produção e realização do mesmo. Ele sobre o impacto dos produtos e serviços oferecidos sem fazer parte da organização.” (Bogmann. 2000, p.36) Em outras palavras, o cliente externo é genericamente o ‘cliente’, porém, o termo ‘externo’ remete ao fato que ele (cliente externo) não faz parte da organização, não trabalha nela e nem possui qualquer tipo de relação profissional com a mesma. Este é um termo importante porque há clientes internos, e é importante para as organizações diferenciá-los. 1.8 Cliente Interno É aquele que faz, ou deixa de fazer, o que é necessário para que a expectativa do cliente final seja satisfeita e positivamente superada. É a peça principal na qualidade total em serviços. De acordo com Bognmann (2009, p.39) o cliente interno é a pessoa que trabalha em nossa empresa e influencia o processo produtivo e de fornecimento de serviços. Para Meireles (2003, p.191) dentro de uma empresa acontecem várias situações nas quais os departamentos ou as pessoas fornecem produtos uns aos outros, essa visão do autor sugere que se estabelece uma relação clientelística entre os envolvidos, portanto, os receptores (das atividades internas) são denominados clientes internos. De certa forma é possível explicar que o cliente interno é o mais esquecido dentre os tipos de clientes e, não por acaso, o primeiro em qualquer processo de vendas. Sugestão de leitura: Estude o capítulo 16, ‘Clientes Internos’, do livroGestão do Relacionamento com o Cliente, da editora Cengage, 2012, para maior aprofundamento sobre esse assunto. 1.9 Cliente Pessoal “É aquele que influencia nossas vidas e nosso desempenho no trabalho. O termo ‘cliente pessoal’ remete ou é formado pelas pessoas que amamos: a esposa, o marido, os filhos, os amigos e todos aqueles que convivem conosco, alimentado nossas necessidades emocionais e sociais”. [Bogmann. 2000, p.38] Clientes pessoais, são importantes porque muitas vezes, compram em determinados estabelecimentos apenas porque tem afinidade conosco (pessoa – funcionário daquele estabelecimento). Ou seja, os clientes pessoais são levados pelas relações de amizade. 1.10 Cliente da Concorrência É o cliente externo que não compra de nossa empresa, mas sim, dos nossos concorrentes. A soma dos nossos clientes externos com os clientes da concorrência forma a massa de clientes ativos que chamamos de mercado atual. O número de clientes externos que temos em relação ao mercado atual determina a nossa participação no mercado em um determinado território definido.” [Bogmann. 2000, p.39] De certa forma o cliente da concorrência é o cliente que queremos para nós, pois, por algum motivo ele prefere fazer negócio com outro (nosso concorrente). 1.11 Cliente Lucrativo É uma pessoa, residência ou empresa que, ao longo do tempo, rende um fluxo de receita que excede por margem aceitável o fluxo de custos de atração, venda e atendimento da empresa relativa a ele. [Kotler, 2000. p.77]. 1.12 Então, o que é um cliente? · Um Cliente é a “pessoa mais importante do mundo nesse escritório...” quer ele se comunique pessoalmente ou por carta etc. · Um Cliente não depende de nós... nós é que dependemos dele. · Um Cliente não interrompe nosso trabalho... é a finalidade dele. · Não estamos fazendo um favor em servi-lo... ele está nos fazendo um favor dando a oportunidade de fazê-lo. · Um Cliente não é alguém com quem discutir ou debater. Ninguém jamais venceu uma discussão com um Cliente. · Um Cliente é uma pessoa que nos traz seus desejos. É nossa obrigação lidar com eles de maneira lucrativa, para eles e para nós. [Kotler, 2000. p.71] - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as 4 questões propostas a seguir. 1 - Explique qual a diferença entre cliente e consumidor? 2 - Já que, os papéis de um cliente, dentre outros, podem ser (a) comprador, (b) consumidor e (c) pagante, explique cada um deles. 3 - O que diferencia um cliente externo de um cliente interno? 4- Como você entende cliente lucrativo? Nota sobre a atividade: Todas as questões para reflexão propostas acima são encontrados nesse material, pois, cada uma delas refere-se a um item diretamente abordado. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1.13 Clientes: outras reflexões e entendimentos e o comportamento do consumidor visto como processo Em geral, um cliente é uma pessoa ou uma unidade organizacional que desempenha um papel na consumação de uma transação com o profissional de marketing ou com uma entidade. Os clientes de uma empresa podem estar atuando como membros de uma família ou representantes de outra empresa. Por sua vez, o termo consumidor tem sido usado para se referir apenas aos mercados de bens de consumo. O termo correspondente para o mercado industrial tem sido cliente (Sheth; Mittal; Newman, 2001, p.29). Mas, lembre-se que, por definição, consumidor é quem consome, também entendido como cliente final, já os clientes tendem a ser aqueles ligados ao processo de relacionamento (como compradores, pagantes ou usuários em caso de empresas). Logo, o cliente e o consumidor podem ser a mesma pessoa, mas também podem não ser, veja o exemplo: Eu vou ao supermercado comprar iogurte para meu filho. Questiona-se: · Quem é o cliente em relação ao supermercado e quem é o consumidor (em relação ao produto)? Resposta: · Eu sou o cliente por ativar o processo de negociação para aquisição do produto iogurte (resumo do processo: ir ao supermercado, identificar o produto, passar no check-out, pagar, embalar, voltar para casa). – Por sua vez, meu filho ao consumir o iogurte será identificado como sendo o ‘consumidor’ do produto (igual a cliente final). Qual a importância de saber este tipo de diferenciação? Ela serve, por exemplo, para descrever corretamente um planejamento estratégico de marketing quando se descreve a quem se direciona a campanha (aos clientes ou consumidores) dado que podem não ser as mesmas pessoas... É bom lembrar, Lembre-se, por exemplo, que as propagandas televisivas de brinquedos infantis podem ter dois públicos distintos, (a) a criança potencial consumidora do produto ou (b) os pais, potenciais compradores (pagantes). Para cada uma deles a propaganda apresentará um tipo de orientação, pois, a linguagem que atinge cada um dos públicos é diferente. 1.14 O Comportamento do Consumidor é um Processo Em seus estágios iniciais de desenvolvimento, a área (comportamento do consumidor) com frequência era chamada de comportamento do comprador, o que refletia uma ênfase na interação entre consumidores e produtores no momento da compra. A maioria dos profissionais de marketing reconhece agora que o comportamento do consumidor é um processo contínuo, e não só o que acontece no instante em que um consumidor entrega dinheiro ou apresenta seu cartão de crédito e, em troca, recebe uma mercadoria ou serviço. (Solomon, 2002, p.24) O processo é muito maior e interativo do que simplesmente realizar o processo de comercialização entre um ofertante e um demandante. A troca, uma transação em que duas ou mais organizações ou pessoas dão e recebem algo de valor, é uma parte integrante do marketing [e, portanto, processo de relacionamentos entre pessoas e organizações]... Embora a troca continue sendo uma parte importante do comportamento do consumidor, a visão mais abrangente enfatiza todo o processo de consumo, o que inclui as questões que influenciam o consumidor antes, durante e depois da compra. (ibid: 24) 1.15 O Comportamento do Consumidor envolve muitos atores diferentes Geralmente se pensa no consumidor como uma pessoa que identifica uma necessidade ou desejo, faz uma compra correspondente a tal necessidade/desejo e, então, dispõe do produto/serviço. Em muitos casos, no entanto, deferentes pessoas podem estar envolvidas nessa sequência de eventos. O comprador e o usuário de um produto podem não ser a mesma pessoa, como quando um pai escolhe roupas para um adolescente (e faz escolhas que podem resultar em um “suicídio da moda” na visão do adolescente). Em outros casos, outra pessoa pode agir como influenciador, fazendo recomendações a favor ou contra certos produtos sem realmente comprá-los ou usá-los. Por exemplo, a “cara feia” de um amigo quando alguém experimenta uma calça nova pode influenciar mais do que qualquer coisa que os pais possam fazer. Finalmente, os consumidores podem tomar a forma de organizações ou grupos. Uma ou várias pessoas podem tomar decisões envolvidas na compra de produtos que serão utilizados por muitos, como quando um encarregado de compras encomenda material de escritório para a empresa. Em outras situações organizacionais, as decisões de compra podem ser tomadas por um grande número de pessoas – por exemplo, contadores, designers, engenheiros, equipes de vendas e outros –, todas elas com algo a dizer em cada fase do processo de consumo. (Solomon, 2002, p.25) 1.16 A Estrutura Organizacional deve atender aos clientes As organizações atuais precisam revisar a estrutura que desenvolverampara então avaliar se estão adequadas as expectativas de seus clientes ou não. Se não estiverem, é preciso saber o que causa esta circunstância e como resolvê-la? Muitas organizações tradicionais, ainda hoje, são estruturadas com base em departamentos que, por sua vez, tendem a se concentrar quase que exclusivamente no que realizam, sem se preocuparem com o que sucede nas outras áreas. O mesmo não acontece com organizações mais modernas e mais atentas que buscam se estruturar na forma de processos como modo de atender às necessidades dos clientes (externos e internos) (Silva e Zambon, 2006, p.11). 1.17 Exemplo de Exercício Resolvido Veja a seguir um exemplo de exercício para seu estudo, com a resposta correta e, com o comentário sobre o mesmo. Questão: Partindo do entendimento de que a palavra shopper da língua inglesa, na língua portuguesa é compreendida como “comprador”, fica fácil compreender porque empresas como Coca-Cola e Lego fazem o que pode para chamar atenção do shopper no ponto de venda. Tal objetivo, chamar a atenção do comprador, está relacionado? a. Ao comportamento de compra do consumidor. b. Ao comportamento de venda da empresa. c. Ao comportamento de Coca-Cola e da Lego em seu âmbito cultural e organizacional. d. Ao sistema de fechamento de venda adotado pela empresa. e. As pessoas que atendem aos clientes. Resposta correta: Letra “A”. Comentário: Assim como o texto apresenta no parágrafo de número 1, o objetivo de chamar a atenção do shopper (comprador) está relacionado ao comportamento de compra do consumidor, isso ocorre porque a empresa as empresas sabem que alguns segundos a mais de atenção dos consumidores para com seus produtos pode significar vender mais, afinal, quando mais atenção os compradores dão a determinado produto, por exemplo, mais interessem poderem desenvolver pelo mesmo. Exercício 1: Leia as afirmativas a seguir e assinale a incorreta: A É preciso considerar o cliente como o destinatário dos produtos da organização. O cliente pode ser uma pessoa física ou jurídica, a que adquire o produto (comprador) e/ou a que o utiliza (usuário / consumidor). B Pode parecer estranho ou redundante fazer a seguinte afirmação: o primeiro passo para o comprometimento de sua organização em servir eficazmente os clientes é descobrir quem são eles. C Cliente interno é aquele que as organizações atendem pessoalmente em sua residência, pois, o que condiciona o termo “interno” é a ideia de que o cliente deve estar em total condição de satisfação. Pode ainda ser considerado cliente interno o atendido por profissionais de vendas de seu contexto social próximo (amigos) ou vendedores que vão de porta em porta. D “Cliente” designa uma pessoa ou unidade organizacional que desempenha um papel no processo de troca ou transação com uma empresa ou organização. O termo cliente referese às pessoas que assumem diferentes papéis no processo de compra, como o especificador, o influenciador, o comprador, o pagante, o usuário ou aquele que consome o produto. Consumidor e cliente final são, de certa forma, a mesma pessoa. E Aquele comprador que irá revender, ou processar para revender, o produto adquirido é considerado ‘cliente intermediário’. Exercício 2: Leia as afirmativas a seguir e assinale a incorreta: Clientes são A quaisquer pessoas impactadas pelo produto ou processo. Podem ser externos ou internos. B são os destinatários dos produtos da organização. C pessoas ou unidades organizacionais que desempenham papel no processo de troca ou transação com uma empresa ou organização. D são os valores pagos por algo, pois, eles são capazes de fazer isso por serem os detentores do capital. E pessoas que assumem diferentes papéis no processo de compra: o especificador, o influenciador, o comprador, o pagante, o usuário ou aquele que consome o produto. Exercício 3: Sobre as mulheres (comportamento da consumidora) está incorreto afirmar que A cada vez mais rapidamente a mulher avança em sua carreira e em seus hábitos de consumo. B cada vez mais a mulher é determinante do processo de compra de produtos e/ou contratação de serviços. C as empresas ainda não sabem muito bem como atender as mulheres. Embora algumas organizações já caminhem nessa direção, a maioria delas ainda precisa se aprofundar no mundo de consumo feminino. D as mulheres são hoje uma grande oportunidade para quem vende planos de saúde, serviços financeiros, carros, produtos de telecomunicações, conforme afirma o consultor americano Tom Peters, em sua obra The Circle of Innovation. E ainda não é conhecido o peso da influência feminina (da esposa) na compra de casas e apartamentos. Bem como ainda não se sabe que recentemente as mulheres passaram a negociar as condições financeiras dos contratos desse tipo. Exercício 4: Reflita sobre duas indagações a seguir. I Quando uma organização compra produtos de outra organização com a finalidade de consumir tais produtos ela pode ser chamada de II Já quando, a mesma organização compra produtos da outra organização com a finalidade de revender, após algumas transformações, ela pode ser chamada de Assinale a alternativa que completa as afirmativas acima: A I Cliente final e II Cliente final. B I Cliente final e II Organização consumidora. C I Cliente externa e II Cliente externo. D I Cliente final, ou seja, organização consumidora e II Cliente intermediária. E I Cliente instrumental e II Cliente experimental. MÓDULO 2 CLIENTES COMO INÍCIO E FIM DOS PROCESSOS ORGANIZACIONAIS Objetivo Ao final desse módulo, você vai ser capaz de compreender porque os clientes podem ser vistos como inicio e fim dos processos organizacionais, o sentido do clicentrismo (clientocentrismo), e as ondas da qualidade. 2. Definições Iniciais Todas as definições desse item foram extraídas do glossário dos Critérios de Excelência/2004, da FPNQ. 2.1 Processo Conjunto de recursos e atividades inter-relacionadas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas). Essa transformação deve agregar valor na percepção dos clientes do processo e exige certo conjunto de recursos. Os recursos podem incluir pessoal, finanças, instalações, equipamentos, métodos e técnicas, numa sequência de etapas e ações sistemáticas. O processo poderá exigir que a sequência de etapas seja documentada por meio de especificações, de procedimentos e de instruções de trabalho, bem como que as etapas de medição e controle sejam adequadamente definidas. 2.2 Processos Relativos ao Produto Processos diretamente relacionados à criação de valor para os clientes. Estão associados, diretamente, tanto à manufatura de bens como a prestação de serviços necessários para atender as necessidades dos clientes e da sociedade. Compreendem, normalmente, os processos de projeto, processos de produção (fabricação de bens ou prestação de serviços), processos de execução e de entrega do produto (expedição, transporte e distribuição de bens ou conclusão de um serviço) e os processos-fim ou finalísticos (prestação de serviços públicos) 2.3 Processos de Apoio Processos que dão suporte aos processos relativos ao produto (projeto, produção e entrega de produtos) e que são usualmente projetados em função de necessidades relacionadas à estrutura e aos fatores internos à organização. Os processos de apoio dependem do perfil e do ramo de atividades da organização, podendo incluir, dentre outros, pesquisa e desenvolvimento, manutenção e utilidades, vendas, marketing, controle da qualidade, suprimentos, logística, desenvolvimento da tecnologia da informação. 2.4 Produto Resultados de atividades ou processos. Considere que: · O termo produto pode incluir serviços, materiais e equipamentos,informações ou uma combinação desses elementos. · Um produto pode ser tangível (como por exemplo, equipamentos ou materiais) ou intangível (por exemplo, conhecimento ou conceitos), ou uma combinação dos dois. · Um produto pode ser intencional (por exemplo, oferta aos clientes), ou não intencional (por exemplo, um poluente de efeitos indesejáveis). 2.5 Atributos do Produto Propriedades importantes para um desempenho adequado do produto que, na percepção do cliente, possa exercer influência na sua preferência ou na sua fidelidade. Essas são características que normalmente diferenciam os produtos da organização em relação aos dos concorrentes, entre as quais se incluem preço e valor para o cliente. 2.6 Desenho do Processo Organizacional Para as organizações (empresas, governos e Terceiro Setor) tudo o que se realiza faz parte de um processo ou grupo de processos, ou ainda subprocessos organizacionais. Por exemplo, para que se emita um documento qualquer, existe todo um grupo de processos, que por sua vez exigem um conjunto de insumos interligados e atuantes para que possa se realizar. Quando aprendemos a dirigir o mesmo ocorre, ou seja, demandamos um conjunto de variáveis, processo para que algo ocorra. Se as organizações, realmente, conhecerem muito bem cada um de seus processos elas poderão melhorar sua capacidade competitiva, melhorar sua relação com o mercado (cliente) e obter mais lucros. 2.7 Os Clientes e os Projetos de Produtos e Projetos de Processos A definição dos projetos de produtos e projetos de processos é fundamental para a melhor compreensão da inter-relação entre os processos (de qualquer projeto). 2.7.1 Projeto de produtos Projetar produtos significa projetar-se aquilo que vai ser produzido (formato, cor, tamanho, funções, embalagem, desempenho etc). Regra geral o que se admite é que, pensando-se em clientes externos, um produto terá mais chances de ter sucesso no mercado se for produzido a partir das necessidades que se deseja atender, isto é, dos clientes. Uma coisa é uma empresa identificar necessidades não atendidas e desenvolver produtos (bens ou serviços) que possam atendê-las, outra coisa é produzir algo que já se sabe fazer, para depois se verificar se existem clientes para o produto. Quem tiver interesse poderá investigar o volume de novos produtos lançados a cada ano que não tem sucesso no mercado. Feita essa investigação talvez valha a curiosidade de se verificar se os produtores de tais produtos mal sucedidos identificaram previamente os clientes que desejariam atender e quais suas respectivas necessidades. Muito provavelmente não o fizeram. 2.7.2 Projeto de processos Projetar processos significar projetar-se como fazer o produto (bem ou serviço) que irá ser produzido. Define os recursos necessários (mão de obra, matérias primas, equipamentos etc.) e a sequência das atividades necessárias para a produção. Aqui também se admite que os envolvidos no processo produtivo precisam estar preocupados em gerar produtos compatíveis com as necessidades dos clientes. 2.7.3 Clientes como início e fim dos processos As explicações acima parecem ser suficientes para sugerir que um bom processo deve começar com o projeto do produto e este, por sua vez, deve estar baseado nas necessidades de clientes que se deseja atender. Em outros termos, um bom processo deve começar a partir das necessidades dos clientes. Um processo somente terá sentido se dele saírem produtos que atendam as necessidades dos clientes, o que nos leva a dizer que os clientes constituem-se o fim de quaisquer processos. 2.7.4 Pense nisso: os processos a partir dos clientes Dentre as justificativas de se estudar o cliente como início e fim dos processos organizacionais, destaca-se o fato de que, quanto mais se conhece cada cliente, maiores serão as chances de se realizar atividades que de fato atendam a suas necessidades e desejos, o que tende a proporcionar maior rentabilidade do processo total de negociação (lucro) para as partes (organizações e clientes). Conhecendo cada processo é mais fácil descrever o posicionamento que a organização possui ou devo possuir para cada contingência enfrentada, por exemplo, as ligadas a suporte técnico, garantias etc.; além disso, torna a organização homogênea no que tange as informações transmitidas aos clientes, ou seja, diminui o risco de erros provenientes de informações desencontradas ou inacabadas etc. Os clientes tendem a retornar e realizar novas compras nas organizações que os atendem com coerência, prontidão, exatidão, gentileza, dentre outros. Isso equivale a dizer que, o produto e/ou serviço certo, no lugar certo, pelo preço certo, com a negociação certa, com a entrega certa são valorizados pelos clientes, sejam ou não clientes finais (consumidores). 2.8 Origens do Clicentrismo e as Ondas da Qualidade Em seguida são apresentadas e explicadas as origens do clicentrismo (cliente no centro ou cliente como foco) e as ondas da qualidade. 2.8.1 Origens do Clicentrismo O que justifica nossa preocupação com o entendimento claro do significado da palavra clientes e com o entendimento de que processos são estruturados para atender necessidades de clientes é o fato de que, cada vez mais nossas organizações devem ser ‘clicentristas’, isto é, centradas em clientes. (Maiores detalhes sobre esse tema podem ser encontrados na obra de Meirelles: Sistemas administrativos clicentristas: organizações com foco no cliente, 2001). Talvez, atualmente, pareça algo óbvio pensar que as organizações concentrem-se no atendimento das expectativas dos clientes. Do mesmo modo, parece estar claro que as organizações estão preocupadas com a questão da qualidade daquilo que fazem, só que isto nem sempre foi assim. Para o Prof. Marco Cesar Goldbarg, autor do livro Qualidade Substantiva, o movimento de qualidade pode ser dividido em ondas, sendo a primeira onda, surgida no final da década de 1950, centrada no controle de qualidade e a segunda onda, que começa dar seus primeiros passos na década de 1970, centrada no cliente. O movimento ou linha de pensamento clicentrista, ajuda muito as organizações ainda pouco engajadas nos clientes a desenvolver relacionamento sustentado no conhecimento de quem são os clientes, seus perfis e preferências etc. Para as organizações que já seguem esta linha, existem ainda mais benefícios, pois, valorizam sobremaneira as pessoas com as quais fazem negócios. 2.8.2 As Ondas da Qualidade São duas as ondas da qualidade apresentadas aqui. Cada uma representando um momento importante do reconhecimento do que é qualidade e a relação dela com o cliente. Em outras palavras, o que é qualidade, remete para o fato de haver pelo menos uma visão técnica (estruturada e desenvolvida pela indústria por determinadas especificações metódicas ou técnicas – do que é qualidade de um produto) e a visão do cliente (reconhecimento do que ele pensa ‘ser de qualidade’ ou ‘ter qualidade’, variando de pessoa para pessoa e não, necessariamente, regulado pela técnica). 2.8.3 Primeira onda da qualidade total Na abordagem de Goldbarg (2000), a essência da primeira onda da qualidade é a preocupação com a conformidade daquilo que é produzido, entendendo-se conformidade como a produção de bens conforme, isto é, de acordo, com as especificações planejadas. Nas palavras desse autor “...na dimensão da técnica com o conceito de Qualidade apontando para a conformidade, o foco do processo produtivo só poderia acabar centrado no bem produzido. Fabricar um bem isento de defeitos, cumprir plenamente as especificações, eliminar desperdícios etc., são ações perfeitamente contempladas pelas técnicas da Qualidade Cartesiana. Asnormas e especificações incidem, via de regra, sobre o produto. Na dimensão da implementação prática os procedimentos de melhoria contínua e normalização, bem como a promoção da participação e do comprometimento da força de trabalho permitiram que a conformidade fosse perseguida de forma metódica.” A origem da conformidade é evidenciada pelos princípios de Philip B Crosby: · Qualidade é definida como conformidade a requisitos. · A medida da qualidade é o preço da não conformidade. · O sistema que leva a qualidade é a prevenção. · O padrão de execução é o zero defeito. A primeira onde da qualidade se notabilizou pela mentalidade voltada para a prática de técnicas e o uso de ferramentas que permitissem um alto grau de higidez [saúde] do tecido organizacional. Uma organização otimizada em seus processos, sendo capaz de produzir com confiabilidade exatamente aquilo que desejava produzir.” (Goldbarg, 2000, p.79) 2.8.4 Segunda onda da qualidade total Ainda citando Goldbarg (2000), a busca da conformidade foi suficiente como uma resposta no cenário do após guerra. O mundo, contudo, continuava girando e novos desequilíbrios foram produzidos na relação das organizações produtivas com seu ambiente. A visão do Controle da Qualidade Total (TQC) primitivo estava principalmente voltada para dentro da organização e para a solução de problemas de racionalização da produção. A década de 1970 produz uma silenciosa revolução nessa dimensão. Nasce lentamente e sem alardes, uma nova figura de comprador, cada vez menos consumidor e cada vez mais cliente. Na medida em que essa figura passou a demandar por atenção e não somente por produtos adequados a determinadas necessidades específicas, a situação foi se complicando para o produtor ou prestador de serviços desatento. Dentro desse [novo] padrão de exigência: · Cabe ao cliente e não a um setor técnico definir o que venha a ser qualidade. · O cliente pode não ter sempre razão, mas deve ser sempre ouvido. · É muito mais barato preservar um cliente antigo do que buscar um cliente novo. · Clientes são parceiros e não apenas compradores. · Um bom cliente é bem mais raro que um bom produto. O antigo entendimento sobre o que seria qualidade pouco a pouco vai tornando-se inadequado para proporcionar uma solução ao problema da sobrevivência organizacional. Cumpre redesenhá-lo. Na segunda onda o conceito de qualidade incorpora o atendimento das necessidades e das expectativas do cliente. A nova definição, além de colocar o cliente como foco do esforço organizacional, utiliza a visão sistêmica de compreender o então denominado ‘processo produtivo’. Nessa definição de qualidade tanto o produto como o processo de atendimento estão contemplados. A satisfação do cliente é realizada pela ausência de ‘defeitos” ou atributos negativos e pela presença de atributos positivos ou utilidade do produto ou serviço oferecido.” (Gobdbarg, 2000, p.80-88) Compreender as ondas da qualidade ajuda a compreender o movimento de transformação que redefiniram a realidade das organizações a partir do que os clientes passaram a pensar sobre os produtos e/ou serviços. Muitas das alterações ocorridas advieram das próprias posturas competitivas das organizações (buscando diferenciais e superação sobre os concorrentes) e advieram dos clientes que passaram a esperar por melhoramentos no processo de relacionamento, como facilidade de acesso aos produtos, comparação entre produtos similares, diferentes formas de pagamento e crédito etc. Sugestão: Sempre que possível estude a literatura disponível na bibliografia desse material, mas não fica restrito a ela, existem outros livros e fontes interessantes que poderem ampliar se conhecimento sobre o conteúdo dessa disciplina. Acesse o site da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) para maiores informação sobre a mesma e sobre suas respectivas publicações: < http://www.fnq.org.br/ > - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir. 1 - Explique o que é um ‘projeto de produto’. 2 - Explique o que é um ‘projeto de processo’. 3 - Por que os clientes podem ser vistos como início e fim dos processos organizacionais? 4 - Explique a primeira e a segunda, ondas da qualidade. 5 - Como se entende o clicentrismo? 6 - Por que o movimento clicentrista é importante para a organização e para os clientes da mesma? 7 - Por que as ondas da qualidade são importantes para as organizações e para os clientes? Nota sobre a atividade: Todas as questões para reflexão propostas acima são encontrados nesse material, pois, cada uma delas refere-se a um item diretamente abordado. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 2.9 Exemplo de Exercício Resolvido Questão: Como, resumidamente, você explicaria o significado da expressão “o processo de decisão de compra do cliente”, para um amigo ou familiar que pediu ajuda a você na busca por maior entendimento sobre o assunto? A resposta correta deve considerar / conter: O processo de decisão de compra do cliente trata-se dos elementos pessoais, emocionais e técnicos que um cliente utiliza para chegar a uma decisão de compra que, nesta condição, poderá estar baseada na razão (necessidades) ou na emoção (desejo), portanto, o processo de decisão de compra é o entendimento e análise das condições e justificativas que um cliente utiliza-se para decidir-se pela compra ou não e em que condições isso poderá ocorrer. Exercício 1: A decisão de compra é influenciada, entre outros fatores, pelo nível de conhecimento do consumidor a respeito do produto que compra. Analisando as afirmações acima, concluise que? (ENADE ADM 2006): Muitas empresas brasileiras têm tentado exportar os seus produtos. No entanto, a exportação pode requerer que estes sejam adaptados. Sobre isso, analise as afirmativas abaixo. Produtos importados sempre devem ser analisados à luz da cultura local. PORQUE A As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. B As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. C A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa. D A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira. E As duas afirmações são falsas. Unidade II MÓDULO 03 SEGMENTAÇÃO DE MERCADO E DEFINIÇÃO DE CLIENTES-ALVO Objetivos Ao final desse módulo, você deverá ser capaz de compreender o sentido, uso e importância da segmentação de mercado. Além disso, compreenderá os tipos de segmentação de mercado e, o que é e, para que serve a diferenciação. 3. SEGMENTAÇÃO DE MERCADO E DEFINIÇÃO DE CLIENTES-ALVO 3.1 A Segmentação de Mercado O conceito de segmentação de mercado, considerado uma das ferramentas mais importantes do marketing, começou a projetar-se no meio acadêmico e gerencial a partir da segunda metade do século passado, quando surgiram os trabalhos de Wendell Smith (1956) e de Engel, Fiorillo e Cayley (1972). Seu objetivo era claro: diante da impossibilidade de atingir todos os consumidores, seja devido à heterogeneidade de necessidades, valores, dispersão geográfica, gênero ou padrões culturais, as organizações direcionaram seus esforços para grupos específicos de consumo. Por meio dessa filosofia empresarial, fragmenta-se o mercado total em inúmeros micromercados, cada qual englobando consumidores que apresentam particularidades que os fazem semelhantes em termos de atitudes, comportamentos, valores, localização, etnia, sexo, uso e emprego dos produtos. (Parente, 2003, p.234). No Brasil, o assunto foi abordado pela primeira vez em 1972por meio de uma tese de doutoramento de Geraldo L. Toledo da Universidade de São Paulo. A partir daí, as atenções para a segmentação aumentaram significativamente e velozmente. Em 1991, foi definitivamente incorporada nas opções estratégicas brasileiras através da obra de Richers e Lima (Segmentação: opções estratégicas para o mercado brasileiro). Resumidamente, para Churchill Jr. e Peter (2000, p.207), a estratégia de segmentação consiste na utilização do marketing diferenciado, isto é, o uso de ações de marketing projetadas especificamente para cada grupo de clientes identificados. Um exemplo de segmentação: “Durante os anos 1980, a American Express tentou crescer com aquisições, passando a oferecer vários tipos de serviços financeiros. A Amex aumentou de tamanho, mas os lucros diminuíram e seu valor de mercado caiu mais de 50% entre 1987 e 1991. No início dos anos 1990, um novo time de executivos comandado por Harvey Golub e Ken Chenault passou a segmentar e a sub-segmentar continuamente seus clientes em grupos cada vez menores e, a partir daí, criou tipos diferentes de cartão e de programas de fidelidade para cada um desses grupos, como cartões para professores, para executivos em viagens, grandes ou pequenas empresas etc. Eles dobraram o tamanho da companhia por meio de uma estratégia que envolve basicamente dois pontos: segmentação de mercado e foco na venda de serviços mais sofisticados com a meta de aumentar o valor médio de venda por cliente. A American Express repetiu essa fórmula por cerca de oito anos. Nesse período cresceu muito mais do que a média do seu mercado” (Zook, 2004, p.80). Quando a organização adota a perspectiva do marketing de segmento, decide atender grupos de clientes que têm entre si algumas características em comum, com produtos e serviços dirigidos a esses públicos. Boa parte das empresas, atualmente, investem elevadas somas para identificar esses grupos e suas preferências, para elaborar produtos que agradem à média dos clientes. (Betanho. Segmentação de Mercado e identificação de Clientes-alvo. _In.: Gestão do Relacionamento com o Cliente. 2006). 3.2 Significado de Segmentação de Mercado No livro “Gestão de Marketing” publicado em 2003 e de autoria dos professores do Departamento de Mercadologia da FGV-EAESP e convidados, o capítulo 2, de autoria do Prof. Sergio Roberto Dias, trata de “Analise de Mercado”. A maior parte desse capítulo é destinada ao estudo do tema segmentação de mercado. Sem dúvida é mais uma boa fonte de pesquisa. Na abordagem de Dias (2003), “Se você está pensando em desenvolver seu próprio negócio, ou em lançar um novo produto no mercado, ou, ainda, se foi recentemente contratado para se responsabilizar pelo marketing de alguma empresa, então uma das perguntas que deverá fazer a sim mesmo, antes de qualquer coisa, é: · A quem interessa este produto? · Quem pode estar interessado em receber este benefício que meu produto (ou serviço) oferece? · Quem é o meu cliente? Além dessas questões, algumas outras podem muito contribuir para o mesmo entendimento e fazem com que saibamos um pouco mais sobre os clientes. São elas: · Qual é o perfil do meu cliente potencial? · Que tipo de pessoa e de consumidor ele é? · Quais são seus hábitos de compra? · Qual seu estilo de vida? Esse é o ambiente da segmentação de mercado. Então, o que vem a ser isso (segmentação de mercado)? O autor Art Weinstein (no livro Segmentação de Mercado), define a segmentação de mercado como o processo de dividir os mercados em grupos de consumidores potenciais com necessidades e/ou características semelhantes entre si, e que, provavelmente terão comportamentos de compras semelhantes”. (Weinstein apud Dias, 2003, p.18) Para Churchill Jr. e Peter. “segmentação de mercado é o processo de dividir um mercado em grupos de compradores potenciais com necessidades, desejos, percepções de valores ou comportamentos de compra semelhantes”. (2000, p.204). É importante lembrar que os profissionais de marketing não criam segmentos; sua tarefa é identificá-los e decidir em quais vão se concentrar. ( Kotler e Keller *2006, p.237). A aplicação prática da segmentação requer competente visão estratégica no contexto (perfil) da organização. 3.3 Formas ou Critérios para a Segmentação Veja o quadro a seguir, extraído da obra de Dias, que resume forma e critérios de segmentação de mercado. Segmentação demográfica É o processo de identificar segmentos de mercado com base nas características da população” ( tais como: faixa etária, sexo, estado civil etc.). Segmentação socioeconômica É o processo de identificar segmentos de mercado com base nas características sociais e econômicas da população, como renda, posse de bens, escolaridade, classe social e ocupação profissional. Segmentação geográfica É o processo de identificar segmentos de mercado com base em critérios geográficos, como localização e densidade populacional. Segmentação por benefícios É o processo de identificar segmentos de mercado com base nos benefícios procurados pelos clientes (status, desempenho etc.). Segmentação por grau de utilização É o processo de identificar segmentos de mercado com base no nível de consumo. Segmentação psicográfica É o processo de identificar segmentos de mercado com base no modo como as pessoas pensam (autoconceito, personalidade, valores) e levam suas vidas (estilo de vida, atividades, interesses e opiniões). Fonte: Dias, 2003, p.20-23. Seguindo a mesma linha de raciocínio do quadro anterior, como outra forma de explicar a segmentação (mercado de clientes finais) na visão de outros importantes autores, temos: a. Demografia: independentemente das unidades geográficas, o que importa são as características distintivas básicas de grupos sociais. Assim, idade e ciclo de vida, tamanho da família, sexo, renda, ocupação, grau de instrução, raça, geração, nacionalidade e classe social podem ser utilizados em conjunto ou separadamente para entender as orientações atitudinais e comportamentais de grupos de clientes (Kotler e Keller, 2006; Churchill Jr. e Peter, 2000). b. Geografia: divisão do mercado em unidades geograficamente distintas. É possível definir o mercado com respeito a blocos econômicos, continentes, países, regiões, estados, cidades e bairros (Kotler e Keller, 2006). c. Benefício: esta variável consiste no agrupamento de clientes de acordo com os benefícios que buscam nos produtos e serviços, como economia de tempo ou dinheiro, serviços agregados, funcionalidade entre outros, enfim, os motivos básicos pelos quais os clientes são atraídos por diferentes ofertas (Sheth, Mittal e Newman, 2001; Hooley, Saunders e Piercy, 2005; Churchill Jr. e Peter, 2000; Richers, 1991). d. Psicografia: os compradores são separados em grupos com base em seu estilo de vida, personalidade, valores e envolvimento com o produto – portanto, baseado em características psicológicas dos clientes (Kotler e Keller, 2006; Sheth, Mittal e Newman, 2001). Um dos critérios de classificação psicográfica é o VALS 2, que estuda os clientes de acordo com a auto-orientação (princípio, status e ação) e seus recursos (renda, instrução, autoconfiança, saúde, desejo de comprar, inteligência e energia pessoal) (Churchill Jr. e Peter, 2000). e. Comportamento: os clientes podem ser agrupados de formas diferentes se a atenção do pesquisador de marketing se voltar aos conhecimentos acumulados, à atitude do cliente, ao uso que ele faz dos produtos, ocasiões de consumo e seu perfil de resposta. Os papéis de compra e a forma como são exercidos podem afetar o comportamento do cliente. Dividi-los em função do nível de uso (contumazes, medianos e leves) pode ajudara estabelecer estratégias para a atração e retenção dos clientes mais rentáveis (Kotler e Keller, 2006; Churchill Jr. e Peter, 2000). 3.4 Algumas Vantagens da Segmentação Veja a seguir algumas das principais vantagens da segmentação referentes à relação cliente e organização: · É possível conhecer melhor cada cliente, seu perfil e características. · É possível servir melhor o cliente que se conhece mais. · É possível quantificar (contar) com maior exatidão quem são os clientes. · É possível cuidar melhor do tipo e da intensidade da distribuição dos produtos e serviços oferecidos. · É possível utilizar melhor os recursos de propaganda. · É possível pesquisar melhor. · É possível planejar melhor. As vantagens são muitas, e muito maiores do que o custo de sua não aplicação. Segmentar é conhecer melhor o mercado em que se atua ou se pretende atuar, é tornar-se mais ágil para reagir às mudanças, em especial as mudanças de comportamento do consumidor e econômicas e, é a capacidade de concentrar esforços em grupos cujo potencial de retorno é mais elevado. - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir. 1 - O que é segmentação de mercado? 2 - Qual a importância da segmentação de mercado? 3 - Por que as organizações mais desenvolvidas em ferramental de segmentação tendem a conhecer melhor seus clientes? 4 - Quais os principais tipos (ou formas) de segmentação? Explique cada um deles. 5 - Disserte sobre as principais vantagens da segmentação de mercado. 6 - Disserte sobre os fatores que você imagina serem os principais desafios de um processo de segmentação de mercado. Nota sobre a atividade: Todas as questões para reflexão propostas acima são encontrados nesse material, pois, cada uma delas refere-se a um item diretamente abordado, mas não se restrinja ao item na hora de estudar. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Informações adicionais É fundamental estudar o capítulo 02 (Segmentação de Mercado e Identificação de Clientes- alvo) do livro da bibliografia básica. E, faça os exercícios sugeridos para maior fixação dos conceitos. 3.5 Características da Segmentação de Mercado: principais variáveis da segmentação do mercado consumidor Veja a seguir as principais variáveis apresentadas por Kotler, quanto as principais variais de segmentação para os mercados consumidores e para os mercados industriais. Principais variáveis de segmentação para os mercados consumidores. VARIÁVEIS DESDOBRAMENTOS TÍPICOS GEOGRÁFICAS Região Tamanho do Município Tamanho da Cidade ou da Área Metropolitana Concentração Clima DEMOGRÁFICA Idade Sexo Tamanho da família Ciclo de vida da família Renda Ocupação Educação Religião Raça Nacionalidade PSICOGRÁFICA Classe Social Pacífico, Montanhas, Noroeste Central, Sudoeste Central, Nordeste Central, Sudeste Central, Atlântico Sul, Atlântico Médio, Nova Inglaterra. A, B, C, D. Abaixo de 5.000; 5.000 - 20.000; 20.000 - 50.000; 50.000 - 100.000; 100.000 - 250.000; 250.000 - 500.000; 500.000 - 1.000.000; 1.000.000 - 4.000.000; 4.000.000 ou mais. Urbana, suburbana, rural. Norte, Sul. --- Abaixo de 6 anos; 6 - 11; 12 - 19; 20 - 34; 35 - 49; 50 - 64; 65 ou mais. Masculino, feminino. 1 a 2; 3 a 4; 5 ou mais. Jovem solteiro; jovem casado sem filhos; jovem casado com filho ou mais novo abaixo de 6 anos; jovem casado com filho mais novo acima de 6 anos; meia idade, casado, com filhos; meia idade, casado, sem filhos menores; idosos solteiros; outros. Abaixo de $5.000; $5.000 - $10.000; $10.000 - $15.000; $15.000 - $20.000; $20.000 - $25.000; $25.000 - $30.000; $30.000 - $50.000; $50.000 ou mais. Liberal e técnico; gerentes, funcionários públicos e proprietários; funcionários de escritórios e vendedores; artesãos e encarregados; operários; fazendeiros; aposentados; estudantes; donas de casa; desempregados. 1º grau completo; 1º grau incompleto; 2º grau completo; 2º grau incompleto; universitário completo; universitário incompleto; pós- graduado. Católica, protestante, judaica, outras. Branca, negra, oriental. Norte-americana, britânica, francesa, alemã, sueca, italiana, latino- americana, japonesa, outras. Miseráveis; pobres; classe operária; classe média; classe média-alta; classe alta e classe alta-alta. Metódicos; impulsivos; intelectuais. Estilo de Vida Personalidade COMPORTAMENTAL Ocasiões Benefícios Condição de usuário Taxa de uso Grau de lealdade Estágio de aptidão Atitude relativa ao produto Compulsiva; sociável; autoritária; ambiciosa. Normais; especiais. Qualidade; serviço; economia. Não usuário; ex-usuário; usuário em potencial; usuário principiante; usuário habitual. Pequena; média e grande. Nenhum; médio; forte; completo. Inconsciente; consciente; informado; interessado; desejoso; disposto a comprar. Entusiástica; positiva; indiferente; negativa, hostil. Fonte: Kotler, 1995, p.241. Além de conhecermos as principais variáveis ou características dos tipos de segmentação de mercado é importantes, lembrar que – genericamente – existem algumas variáveis principais para a segmentação de mercados industriais. As principais variáveis de segmentação para os mercados industriais são: · Variáveis demográficas; · Variáveis operacionais; · Abordagens de compra; · Fatores situacionais; e · Características pessoais. Lembrando que quando tratamos de um mercado industrial, ou simplesmente indústria, não estamos falando apenas de uma organização, mas sim, da soma de todas as organizações que atuam e competem no mesmo segmento. Por exemplo, indústria farmacêutica compostas por todos os laboratórios farmacêuticos existentes. Mas atenção: que fique claro que cada indústria possuía, a partir de seus produtos e clientes, segmentos de atuação dentro de seu contexto industrial maior, por exemplo, fabricação de medicamentos que tratam de problemas pulmonares ou medicamentos que tratam de problemas do coração. Veja a seguir, as principais variáveis de segmentação para os mercados industriais de acordo com Kotler (1995: p.247): Variáveis Demográficas · Setor industrial: Quais indústrias devemos focalizar? · Tamanho da empresa: Qual o tamanho das empresas que devemos focalizar? · Localização: Quais áreas geográficas devem ser focalizadas? Variáveis Operacionais · Tecnologia: Que tecnologias de cliente devem ser focalizadas? · Status de usuário/não usuário: Devem ser focalizados grandes, médios, pequenos usuários ou não usuários? · Capacidade do cliente: Devemos focalizar os clientes que necessitam de muitos ou de poucos serviços? Abordagens de Compra · Organização da função compra na empresa: Devemos focalizar as empresas com departamentos de compras altamente centralizados ou descentralizados? · Estrutura de poder: Devemos focalizar as empresas orientadas para engenharia, finanças etc.? · Natureza dos relacionamentos existentes: Devemos focalizar as empresas com as quais temos forte relacionamento ou, simplesmente, ir atrás daquelas mais desejáveis? · Política geral de compras: Devemos focalizar as empresas que estão procurando qualidade, serviços ou preço? Fatores Situacionais · Urgência: Devemos focalizar as empresas que precisam de entregas ou serviços rápidos e repentinos? · Aplicação específica: Devemos focalizar em certas especificações de nosso produto, em vez deem todas? · Tamanho do pedido: Devemos focalizar em grandes ou em pequenos pedidos? Características Pessoais · Similaridade entre comprador-vendedor: Devemos focalizar as empresas cujo pessoal e valores sejam similares aos nossos? · Atitudes em relação a riscos: Devemos focalizar os clientes que assumem risco ou evitá-los? · Lealdade: Devemos focalizar as empresas que demonstram alta lealdade a seus fornecedores? 3.6 A Diferenciação no Contexto da Segmentação de Mercado Antes de segmentar é preciso estar consciente ‘do que é’ e ‘para que serve’ a diferenciar. Para Sheth, Mittal, Newman (2001, p.404), a segmentação de mercado está relacionada à idéia de diferenciação. Sendo que, diferenciação é o modo pelo qual os profissionais de marketing fazem suas ofertas de forma diferente da concorrência, a fim de tornar-se a escolha do cliente. Fazer ofertas de forma diferente implica criar e implementar o composto de marketing (produto, preço, praça e promoção). Para diferenciar-se de seus concorrentes, os profissionais da área de marketing utilizam três tipos de diferenciação: a genérica, a focalizada e a segmentada (Sheth, Mittal, Newman, 2001: 404). Veja a seguir a explicação de cada uma delas. a. Diferenciação genérica É uma diferenciação global (ou geral), feita em uma base não focalizada, o que significa que a diferenciação não se destina a nenhum grupo específico de clientes. Em vez disso, uma empresa faz uma oferta melhorada para todo o mercado. Esse tipo de diferenciação é adequada para empresas que são capazes de apresentar seus produtos e serviços como superior aos da concorrência em todo o mercado. Por exemplo, foi o que fez Henry Ford, ao perceber que os carros disponíveis em sua época não eram bem-fabricados e, ao mesmo tempo, vendidos a um preço muito alto. Seguindo uma estratégia de diferenciação genérica, Ford criou o sistema de linha de montagem, que produzia um carro mais confiável com produtividade melhorada. Consequentemente, foi capaz de oferecer um produto melhor a um preço mais baixo (600 dólares, quando foi lançado) que os concorrentes. Essa abordagem proporcionou a Ford uma liderança de mercado. b. Diferenciação focalizada Uma abordagem em que a empresa identifica um segmento de mercado específico e, então, cria um programa de marketing para atrair esse segmento. Tal estratégia se opõe à diferenciação genérica, em que um único programa de marketing indiferenciado é oferecido a todos, ou seja, na diferenciação focalizada é oferecido, geralmente, diversos programas de marketing direcionados aos segmentos. As empresas geralmente atuam como agentes de “nicho” nesse tipo de diferenciação. Exemplo: algumas empresas estão formulando produtos específicos para mercados étnicos. Tanto a Revlon quanto a Max Factor têm uma linha de produtos de beleza específicos para a população afro-americana. A base química é diferente para esses cosméticos, refletindo as diferenças de necessidades genéticas e físicas dessa população. Essa estratégia de diferenciação também foi expandida para as populações hispânica e asiática. Naturalmente as populações agradecem produtos adequados ao seu perfil. c. Diferenciação segmentada Esse terceiro tipo de diferenciação, envolve a divisão do mercado total em segmentos que são homogêneos por algumas características dos clientes (como demografia, psicografia e padrões de uso), e depois o tratamento de cada um desses segmentos como um mercado distinto, para o qual todos os elementos do composto de marketing são diferentes. Exemplo: o setor automotivo, pois, basta olhar para os deferentes tipos de soluções que mesmo oferece, por exemplo, carros utilitários, monovolumes etc. Carros compactos, station wagon e sedans etc. As diferentes categorias de preços dos produtos, ligados a marca, ao acabamento e a tecnologia empregada dentre outros. Além disso, o estilo e o perfil do comprador, pois, mesmo quando o poder aquisitivo não está em jogo, há carros para um público mais jovem e talvez, o mesmo casso em outra configuração para um público mais exigente em termos de requinte e conforto etc. Outro exemplo é a Gap, Inc. a empresa começou em 1969 com o nome Gap Stores, vendendo jeans da Levi’s, oferecendo muito mais estilos e tamanhos do que uma típica loja de departamentos. Além disso, ali as mercadorias eram exibidas de forma mais organizada que nas lojas de departamentos. Assim, a loja era em si um exemplo de diferenciação genérica em relação a outras lojas que vendiam jeans. Anos depois, em 1983, a empresa adquiriu a Banana Replublic, vendendo roupas casuais para clientes da classe alta. Mais recentemente, em 1994, abriu outra cadeia de lojas, a Old Navy, dessa vez tendo como alvo clientes de baixa renda. Em 1986, a Gap também inaugurou uma nova divisão a GapKids, tendo como segmento-alvo as crianças. (Sheth, Mittal e Newman, 2001, p.407). Recomendação: Para maiores informações sobre este assunto, recomenda-se o estudo do capítulo 12: Diferenciação e Segmentação de Mercado: respondendo as diferenças dos clientes (Sheth, Mittal e Newman, 2001: 402-437). Mas, você encontrará o tema diferenciação em muitas outras obras, pois, trata-se de um assunto com ampla abordagem. 3.7 Critérios de Segmentação Shet, Mittal e Newmann (2001, p.412), afirmam que existem três bases fundamentais para identificar segmentos em qualquer mercado, são elas: perguntar o quê segmentar, quem (público que será segmentado), e por quê segmentar? A seguir, é apresento um quadro explicativo das três bases para identificação de segmentos de mercado. O mesmo ajuda e entender porque tais perguntas são realmente fáceis de aplicar e compreender. Quadro – Bases da Segmentação de Mercado Bases Tipos de segmentação Características O quê? Segmentação por uso A abordagem costumeira da segmentação por uso é dividir os clientes de acordo com seu nível de uso, isto é, de acordo com a quantidade que consomem. Além disso, podemos incluir a frequência / repetição das compras. Quem? Segmentação demográfica Essa abordagem identifica subgrupos de clientes com base em suas características descritivas (por exemplo, idade, sexo, classe social). Por quê? Segmentação psicográfica Essa abordagem relaciona-se com os motivos pelos quais os clientes se comportam da maneira como o fazem; esses motivos são encontrados nos diferentes benefícios que os clientes buscam em um produto, e nos diferentes estilos de vida que desejam que o produto promova. Fonte: Sheth, Mittal e Newman, 2001, p.412. 3.8 Exemplos de Clientes-alvo de empresas selecionadas As empresas citadas nestes exemplos são vencedoras do Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ) e as informações aqui apresentadas constam dos Relatórios de Gestão por elas apresentados à FPNQ e disponibilizados ao público após o processo de premiação. Tais Relatórios de Gestão constam da bibliografia da disciplina. a. Caterpillar Brasil Ltda. (vencedora PNQ/1999). · Produtos: Motoniveladoras, tratores de esteiras, pás carregadeiras, moto-escrêiperes, compactadores e escavaderias. · Segmentação: “Há três níveis de segmentação básicos: por região (norte, nordeste, exportação etc), por ramo de negócio do cliente (construção, florestal, mineração, agricultura, industrial) e por porte do cliente (pequeno, médio, grande, governo)” (p.15). b. Bahia Sul Celulose (vencedora PNQ/01) · Produtos: Celulose e papel branco de imprimir e escrever não revestido. Veja no quadro a seguir a identificação de clientes alvo: Quadro – Identificação de Cliente-alvo da Bahia Sul Celulose. Segmentação Diretrizes para identificar clientes-alvo Celulose Mercado Externo Solidezfinanceira e diferenciação mercadológica. Dependência das qualidades da fibra de eucalipto. Características logístico/comerciais que permitam minimizar despesas e problemas com sazonalidades. Disponibilidade para cooperações técnicas e pesquisas. Atuação, preferencialmente, em nichos de mercados diferentes dos da Bahia Sul. Mercado Interno Potencial para absorverem volumes regulares contratados e eventuais “volumes não contratados”. Disponibilidade para cooperações técnicas e pesquisas. Localização geográfica que permita boa logística. Idoneidade creditícia. Papel Mercado Compradores regulares e de longo prazo Externo Disponibilidade para cooperações técnicas e pesquisas Localização geográfica que permita boa logística de fornecimento. Idoneidade creditícia. Mercado Interno Compradores regulares e de longo prazo. Disponibilidade para cooperações técnicas e pesquisas. Localização geográfica que permitam boa logística no fornecimento. Idoneidade creditícia. c. Santa Casa – Complexo Hospitalar – Porto Alegre (vencedora PNQ/2002) · Produtos: (a) consultas de ambulatório (de emergência e eletivas); (b) internações hospitalares (clínicas e cirúrgicas); (c) exames auxiliares de diagnóstico e tratamento (clínicos, radiológicos, tomográficos, ecográficos, invasivos, de análise clínicas e hemodinâmicos, entre outros); d) procedimentos cirúrgicos e obstétricos. · Segmentação: O mercado é segmentado em clientes usuários do convênio SUS (Sistema Único de Saúde) e clientes particulares e de outros convênios de saúde. Os clientes da instituição são segmentados em: (a) Clientes usuários de consultas, diagnóstico e tratamento e internações; (b) clientes de convênios; (c) clientes médicos; (d) clientes funcionários e (e) cliente comunidade. A segmentação dos clientes se dá de acordo com suas necessidades e a de mercado por categoria de convênio. d. Estudo especial: o segmento de mercado das pessoas de baixa renda. · Vale a pena ver o artigo “O discreto charme da baixa renda”, publicado pela Revista Exame em 24/09/2003 para se entender como que os mercados das classes de menor renda estão cada vez mais no foco das organizações, no Brasil e no mundo. Em especial, sugere-se verificar o que as empresas brasileiras estão fazendo para atender esse segmento de mercado. 3.9 Alguns Critérios para Realizar um Processo de Segmentação Adequado Segundo Sheth, Mittal e Newman (2001) para que um processo de segmentação tenha sucesso, ele deve satisfazer a três critérios básicos: · Substancialidade – tudo segmento focalizado deve ser grande o suficiente para trazer lucros para a empresa. Não faz sentido para uma empresa no setor de computadores gastar 10 milhões de dólares para pesquisar e desenvolver um produto com preço final de dois milhões, se a probabilidade é que apenas duas empresas o comprem. · Identificabilidade – cada segmento deve ser identificável, de modo que o profissional de marketing possa saber quem é o cliente e quem são suas necessidades, desejos e recursos. · Atingibilidade – finalmente, esses segmentos devem ser atingíveis sem desperdício de recursos. Ou seja, deve haver a possibilidade de discriminar os segmentos pelos hábitos de mídia e pela demografia de seus membros, de modo que o profissional de marketing saiba como anunciar e distribuir o produto, para que possa atingir os segmentos focalizados. (p.433). - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as 4 questões propostas a seguir. 1 - O que é diferenciação? Por que ela e importante? 2 - Explique qual a importância da diferenciação no contexto da segmentação de mercado? 3 - Quais os tipos de diferenciação você conhece, explique cada um? Nota sobre a atividade: Todas as questões para reflexão propostas acima são encontrados nesse material, pois, cada uma delas refere-se a um item diretamente abordado. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 3.10 Exemplo de Exercício Resolvido Questão: Baseado nos conhecimentos adquirido ao estudar sobre a Administração do Relacionamento com o Cliente, apresente uma definição de segmentação de mercado. A resposta correta deve considerar / conter: A segmentação de mercado pode ser compreendida como o esforço de dividir o mercado total em partes, mais ou menos homogêneas, ou seja, em grupos de compradores/clientes que podem requer produtos, serviços e, claro, compostos de marketing específicos. A segmentação de mercado trata do processo de classificar clientes em grupos com necessidades, características e comportamentos que se assemelham, ou seja, cada segmento criado representa a identificação e junção de características comuns a certas pessoas (clientes), agora agrupadas em um segmento específico e diferente dos demais segmentos; isso corresponde a dizer que as pessoas alocadas no segmento “x”, apresentam, dado do critério de segmentação, diferenças conhecidas das pessoas que se encontros em outros segmentos como “y, z, t, n”. Exercício 1: 'Administração do Relacionamento com o Cliente' é A um campo do conhecimento da administração e da administração de marketing, fortemente relacionado ao mercado consumidor, orientado para desenvolver relacionamentos duradouros e mutuamente benéficos entre organizações e clientes. B fazer tudo o que o cliente quer. C afirmar que os clientes sempre têm razão. D orientar sobre a existência de entidades de defesa do consumidor. E ensinar as organizações a induzir os clientes a fazerem apenas o que elas querem. Exercício 2: A abordagem costumeira da segmentação __________________ é dividir os clientes de acordo com seu nível de uso, isto é, de acordo com a quantidade que consomem. Além disso, podemos incluir a frequência / repetição das compras. Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna acima: A segmentação psicográfica. B segmentação por uso. C segmentação demográfica. D Segmentação por benefício final. E segmentação econômica. MÓDULO 4 INTRODUÇÃO AOS ATRIBUTOS VALORIZADOS PELOS CLIENTES 4. ATRIBUTOS VALORIZADOS PELOS CLIENTES Objetivo Ao final dessa aula, você deverá ser capaz de compreender o sentido, uso e importância dos atributos valorizados pelos clientes e como fazer uso deles em favor dos próprios clientes e das organizações; saberá usar os momentos-verdade como forma de identificar atributos; o ciclo de serviço e o pacote genérico de valor para o cliente. 4.1 Atributos valorizados pelos clientes No livro “A única coisa que importa: trazendo o poder do cliente para dentro da sua empresa”, Karl Albrecht (1997), considerado um dos pioneiros na questão relacionada à qualidade em serviços, ao iniciar a explicação do seu modelo Serviço de Qualidade Total (SQT), afirma que são necessários dois tipos de pesquisa para compreender os clientes, são elas a [a] ‘pesquisa de mercado’ e [b] ‘pesquisa da percepção do cliente’. · A Pesquisa de Mercado, nesta conotação, é a investigação da estrutura e da dinâmica do mercado que você se propõe a servir. Ela inclui a identificação de segmentos de mercado, análise demográfica, escolha de nichos críticos no mercado e análise das forças competitivas. · A Pesquisa da Percepção do Cliente vai, pelo menos, um passo além da pesquisa de mercado convencional. Ela procura compreender as expectativas, pensamentos e sentimentos do cliente individual em relação ao serviço produzido e ao provedor do serviço. Seu objetivo é discernir um ou mais fatores críticos na percepção do cliente em relação à experiência total. Isso possibilitaque você elabore um modelo de valor para o cliente, que é um conjunto de critérios que guiam as escolhas do cliente entre você e seus concorrentes.” (Albrecht, 1997, p.62). Um pouco daquilo que Albrecht denomina de pesquisa de mercado você já estudou anteriormente, quando tratamos da questão relacionada à segmentação de mercado e identificação de clientes-alvo. O que queremos ver, a partir de agora, é aquilo que Albrecht chama de pesquisa da percepção do cliente, que a busca da compreensão das necessidades e/ou desejos dos clientes. Em outros termos, uma coisa é você identificar os clientes que deseja conquistar (clientes-alvo) outra coisa é identificar as necessidades e/ou desejos desses clientes, que é o que passaremos a tratar. Embora isso possa parecer uma preocupação óbvia, vale ressaltar que “embora algumas poucas empresas notáveis dediquem intensos esforços à descoberta e à compreensão das necessidades dos clientes, a maioria delas faz relativamente pouco. Muitas nada fazem para entrar nas mentes dos clientes e descobrir o que eles estão pensando e sentindo.” (Albrecht, 1997: 101). Há ainda casos de algumas empresas não fazem nada não porque não querem, mas porque não sabem como, outras pensam que sabem e assumem o caminho errado; com isso, é importante aprender a conhecer os clientes, ouvi-los e responder a eles, uma vez que a idéia está ligada aos atributos valorizados por eles. 4.2 Definindo a Palavra ‘Necessidades’ Uma coisa bastante comum no estudo relacionado à Ciência (ou Arte) da Administração é a falta de significados precisos, e de larga aceitação geral, para os termos técnicos utilizados. Por este motivo, é bastante comum que os autores e pesquisadores cuidem de definir muitas das palavras que utilizam, dentro do contexto dos seus trabalhos. Um destes casos refere-se ao significado da palavra necessidades. Vejamos a seguir algumas abordagem e explicações sobre o sentido deste termo: a. Necessidades: abordagem do PNQ De acordo com os ‘Critérios de Excelência’ do Prêmio Nacional da Qualidade, temos a seguinte definição para a palavra necessidades: “Necessidades: conjunto de requisitos, expectativas e preferências dos clientes ou das demais partes interessadas” (p.52). Os termos contidos nessa definição ajudam muito em sua compreensão, tais termos são, por sua vez, assim definidos: · “Requisitos. Necessidades básicas dos clientes ou das demais partes interessadas, explicitadas por eles, de maneira formal ou informal. Por exemplo, o cliente ‘requer’ que o produto possua características que atendam suas necessidades básicas, claramente especificadas no momento da aquisição. Exemplos de requisitos incluem prazo de entrega, tempo de garantia, especificação técnica, tempo de atendimento, qualificação de pessoal, preço e condições de pagamento.” (p.55). · “Expectativas. Necessidades importantes dos clientes ou das demais partes interessadas, em relação à organização, que normalmente não são explicitadas. Por exemplo, o cliente ‘espera’ que o produto possua características que atendam suas necessidades mais importantes em função de experiências passadas, comparações com produtos similares, nível de tecnologia disponível ou outros fatores. Por exemplo: cortesia do pessoal de atendimento, capacitação técnica dos profissionais, acesso fácil às informações, instalações limpas e resposta rápida a problemas.” (p.51). · “Preferências. Necessidades específicas e particulares dos clientes ou das demais partes interessadas, normalmente não explicitadas por eles. Por exemplo, o cliente ‘prefere’ adquirir um produto que possui características que atendem suas necessidades particulares em detrimento de outros que não as possuem. A capacidade de gerir preferências está ligada à de aprender sobre clientes e demais partes interessadas. Exemplos de preferências incluem: condições de pagamento e de entrega, atributos opcionais, formas de aquisição e de atendimento e marcas específicas.” O importante a ser notado no conjunto de definições acima é que a palavra necessidade não está servindo para designar aquilo que é necessário, no sentido que esta palavra é definida nos dicionários de língua portuguesa, como o Dicionário Aurélio que nos descreve necessidade como: “que não se pode dispensar; que se impõe; essencial; indispensável”. Na verdade, a palavranecessidade na abordagem do PNQ pode envolver tanto aquilo que é necessário (imprescindível), como desejos relacionados a status, prazer ou quaisquer outros motivos não vitais. b. Necessidades: abordagem de Sheth, Mittal e Newman No livro “Comportamento do Cliente”, Sheth, Mittal e Newman (2001), não trabalham com uma definição tão abrangente da palavra necessidade, como aquela utilizada nos Critérios de Excelência do PNQ. Para eles a palavra necessidades deve ser diferenciada da palavra desejos. Na abordagem desses autores: “Necessidade é condição insatisfatória de um cliente, que o leva a uma ação que tornará essa condição melhor. (...) A necessidade nasce de um desconforto nas condições físicas ou psicológicas da pessoa.” “Desejo é o afã de obter mais satisfação do que absolutamente necessário para melhorar uma condição insatisfatória.” Para tais autores os desejos ocorrem quando e porque os seres humanos querem levar suas condições físicas e psicológicas a um nível além do estado de conforto mínimo. Um estômago faminto, um corpo desprotegido exposto a temperaturas extremas, ou as caspas nos cabelos constituem uma necessidade. O mesmo acontece com o isolamento social, o tédio, o desrespeito dos pares ou de outras pessoas, a falta de apoio emocional por parte dos seres amados e o amor não correspondido. No entanto, além desses estados de desconforto, a existência da vontade de obter produtos ou serviços melhores ou em maior quantidade indicam a presença de desejos. Assim, a comida satisfaz uma necessidade, mas a comida de primeira também satisfaz um desejo. Qualquer carro satisfaz uma necessidade de transporte do ponto ‘A’ para o ponto ‘B’, ao passo que um carro da Lexus ou um da Mercedes satisfazem também um desejo de sentir emoção com o desempenho do carro, de obter prestígio, ou de projetar a auto-imagem correta para as outras pessoas consideradas importantes. Só quando as necessidades são satisfeitas é que aparecem os desejos.” (Sheth, Mittal e Newman, 2001, p.59). Leitura complementar sugerida Para saber mais sobre os atributos valorizados pelos clientes, sugere-se a leitura do capítulo 3 (Atributos Valorizados pelos Clientes) e 4 (Priorização dos Atributos Valorizados pelos Clientes) do livro, Gestão do Relacionamento com o Cliente, editora Cengage Learning (2012), da bibliografia básica. Para saber mais detalhes sobre a distinção entre necessidades e desejos, bem como sobre os fatores determinantes das necessidades e os fatores determinantes dos desejos, sugere-se a leitura do item “Necessidades e Desejos dos Clientes”, que está nas págs. 59 a 65 do livro de Sheth, Mittal e Newman: Comportamento do Cliente, Atlas, 2001. 4.3 Atributos Valorizados pelos Clientes Entendida a questão relacionada à definição da palavra necessidades, passamos agora para entender outra palavra: atributos. Para nós, no contexto desta disciplina, a palavra atributos será entendida como o conjunto de valores (preço, atendimento, garantia etc.) que envolvem, ou devem envolver determinado produto (incluindo-se os serviços) de forma que ele possa atender as necessidades dos clientes aos quais se destina. a. Papéis do cliente: abordagem de Sheth, Mittal e Newman Para os autores do livro ‘Comportamento do Cliente’, os clientes têm três diferentes papéis: usuário, pagante e comprador. “O conceito mais amplo de ‘cliente’traz para a discussão três diferentes papéis, que podem ou não ser desempenhados pelo mesmo indivíduo. Independentemente da questão de saber se a mesma pessoa é usuária, pagante e compradora, cada papel dita um conjunto diferente de valores que são buscados pelo cliente” (Sheth, Mittal e Newman, 2001, p.55). Veja Quadro 01 abaixo. Esses autores, que são os mesmos que diferenciam necessidades e desejos, tratam assim a questão daquilo que é valorizado pelos clientes. Quadro 01: Adaptação / montagem para facilitar o entendimento dos Papéis dos Clientes, Valores Universais e Valores Pessoais. Papéis dos clientes Valores universais Valores pessoais Usuários Desempenho = valor funcional ou utilitário. Produtos e serviços são comprados não só por causa de sua função física, mas também pelos benefícios sociais que trazem. Para o usuário esses benefícios são denominadosvalores sociais e emocionais. Entre eles, estão o prazer sensorial, o alcance de estados de humor desejados, a realização de objetivos sociais (por exemplo, status social e aceitação por parte do grupo de referência da pessoa) (p.77). Pagantes Para um pagante, o valor universal é o valor de preço– os preços e outros custos financeiros que se incorre ao adquirir um produto (por exemplo, transporte, manutenção etc) (p.80). Crédito e financiamento (p.81) Compradores Para os compradores, o valor universal é o valor de serviço, o atendimento que os clientes buscam ao adquirirem um produto ou serviço. Esse valor tem três elementos: 1. Aconselhamento e ajuda pré- compra 2. Aconselhamento e ajuda pós- compra, na manutenção do valor de uso do produto. 3. Garantia contra risco de uma compra equivocada, com possibilidade de reembolso e troca de mercadoria (p.83). Conveniência e personalização. (p.85) Fonte: Sheth, Mittal e Newman, 2001, p. 53-71. Importante: Para os autores acima mencionados os valores universais são aqueles que satisfazem as necessidades dos clientes, e os valores pessoais satisfazem os desejos. 4.4 Atributos Valorizados pelos Clientes e Momentos-verdade a. Expectativas comuns dos clientes Na aula anterior tratamos, em linhas gerais, daquilo que os clientes esperam, nos seus diferentes papéis, quando buscam satisfazer suas necessidades e/ou desejos, através de produtos (inclusive serviços). O que passaremos a tratar, agora, é um detalhamento dos fatores que podem provocar tal satisfação de necessidades e desejos. Para tanto faremos uso, inicialmente, do livro ‘Administração de Operações de Serviço’, onde os autores Robert Johnston e Graham Clark (2002), apresentam um conjunto de fatores de qualidade do serviço que são os atributos sobre os quais os clientes podem ter expectativas. Tais fatores são os seguintes: · Acesso.A acessibilidade da localização do serviço, incluindo a facilidade de encontrar o ambiente de sua prestação e a clareza do trajeto. · Estética. A extensão em que os componentes do pacote de serviços estão de acordo ou ao agrado do cliente, incluindo a aparência e a atmosfera do ambiente, a apresentação das instalações, os artigos genuínos e os funcionários. · Atenção/assistência. A extensão em que o serviço, particularmente o pessoal de contato, fornece ajuda ao cliente e dá a impressão de estar interessado no cliente e mostra disposição em servir. · Disponibilidade. A disponibilidade das instalações do serviço, dos funcionários e dos bens oferecidos ao cliente. No caso do pessoal de contato, isso significa o índice de funcionários/cliente e o tempo que cada funcionário dispõe para passar com o cliente individual. No caso da disponibilidade de bens, inclui a quantidade e a variedade de produtos disponibilizados ao cliente. · Cuidado. A preocupação, a consideração, a simpatia e a paciência mostradas ao cliente. Isso inclui a extensão em que o cliente fica à vontade com o serviço e sente-se emocionalmente (em vez de fisicamente confortável). · Limpeza/atratividade. A limpeza, a aparência clara e atraente dos componentes tangíveis do pacote de serviços, incluindo o ambiente, as instalações, os bens e o pessoal de contato. · Conforto. O conforto físico do ambiente e das instalações do serviço. · Comprometimento. O comprometimento aparente dos funcionários com o trabalho, incluindo seu orgulho e satisfação, diligência e perfeccionismo. · Comunicação. A habilidade de comunicar o serviço ao cliente de maneira inteligível. Isso inclui clareza, a totalidade e a precisão da informação verbal e escrita comunicada ao cliente e sua habilidade de ouvi-la e entendê-la. · Competência. A habilidade, a expertise e o profissionalismo com que o serviço é executado. Isso inclui a adoção de procedimentos corretos, a execução correta das instruções do cliente, o grau de conhecimento do produto ou serviço mostrado pelo pessoal de contato, a entrega de produtos finos, a orientação consistente e a habilidade geral de fazer um bom trabalho. · Cortesia. A educação, o respeito e a experiência mostrados pelo pessoal da organização de serviço, principalmente o pessoal de contato, ao lidar com o cliente. Isso inclui a habilidade dos funcionários de não serem desagradáveis e intrusivos quando apropriado. · Flexibilidade. Uma disposição por parte do pessoal do fornecedor a complementar ou alterar a natureza do serviço ou produto para atender as necessidades do cliente. · Cordialidade. O calor e a natureza da abordagem pessoal (em vez da abordagem física) do serviço, particularmente dos funcionários de contato, incluindo a atitude agradável, a habilidade de fazer com que o cliente se sinta bem-vindo · Funcionalidade. A natureza do serviço e sua adaptação ao propósito da ‘qualidade do produto’, das instalações e dos artigos sofisticados. · Integridade. A honestidade, a justiça, a imparcialidade e a confiabilidade com que os clientes são tratados pela organização de serviço. · Confiabilidade. A confiança e a consistência do desempenho das instalações, dos produtos e do pessoal da organização de serviço. Isso inclui pontualidade de entrega e manutenção dos acordos firmados com o cliente. · Responsividade. Velocidade e pontualidade de entrega do serviço. Isso inclui a velocidade da produção e a habilidade da organização de serviço de responder prontamente às solicitações do cliente, com espera e tempo de fila mínimos. · Segurança. Segurança pessoal do cliente e de suas posses enquanto participa ou beneficia-se do processo do serviço. Isso inclui a manutenção da confidencialidade.” (Johnston & Clark, 2002: 135-137). Para reforçar o aprendizado dos atributos ou valores acima mencionados, vale recorrer a H. James Harrington, no livro Aperfeiçoando Processos Empresariais (1993), quando ele afirma que para assegurar que o processo seja eficaz, é preciso que você defina as necessidades e expectativas do cliente e, então, atenda a essas necessidades e expectativas. As necessidades e expectativas dos clientes se relacionam tipicamente às seguintes características do produto e/ou serviço: · Aparência, · Pontualidade, · Exatidão, · Desempenho, · Confiabilidade, · Utilidade, · Facilidade de manutenção, · Durabilidade, · Custo, · Receptividade, · Adaptabilidade, e · Confiabilidade. (Harrington, 1993, p.89). Todas as características vistas acima ajudam a compreender melhor o cliente e a melhorar a relação das organizações com os mesmos, especialmente porque, boa parte delas, certamente, ocorre diariamente. b. Atributosvalorizados pelos clientes intermediários e clientes internos Para tratarmos da questão das diferenças entre os clientes intermediários e os clientes internos, comparativamente aos clientes finais dos produtos derivados dos processos organizacionais, vale recorrer à abordagem de Sheth, Mittal e Newman (2001), apresentada anteriormente. O que se espera, regra geral, em relação aos clientes intermediários, isto é, aqueles que compram para revender ou para transformar, é que seus requisitos referem-se, fundamentalmente a necessidades, ou seja, não tem a ver com desejos. Por este motivo seus valores são aqueles classificados como valor universal. (Veja aula anterior). Os clientes intermediários também apresentam os três papéis: usuários, compradores e pagadores. Quanto a compradores e pagadores é razoável imaginar que seus requisitos não se diferenciam muito dos clientes em geral, com a agravante que o valor preço é um componente de custos e, portanto, interfere na competitividade e rentabilidade dos negócios. No papel de usuários, o valor desempenho tem um significado um pouco diferente daquele que ocorre para os clientes finais visto que o intermediário não usufrui do produto comprado. Para eles (intermediários), a questão desempenho certamente está mais relacionada a questões como facilidade de revenda ou adequação (da matéria prima) ao processo produtivo. Os clientes internos, por sua vez, têm como característica geral, o fato de não atuarem como pagadores (Uma exceção a essa regra encontra-se nas organizações que trabalham na forma de Unidades Estratégicas de Negócios, com a prática de preços internos de transferência.), restando-lhes, então os papéis de usuários e compradores. Como usuários tanto eles podem ser usuários finais como intermediários, sendo que, em ambos os casos o que se espera é que seus atributos estejam relacionados a necessidades, isto é, suas expectativas tendem a relacionar-se aos chamados valores universais (o que, neste caso significa desempenho). O papel de compradores dos clientes internos pode ter ou não significado, dependendo do grau de poder de negociação de cada cliente-interno em relação aos seus fornecedores. c. Momentos-verdade como instrumento para identificação de atributos Pelo que vimos até agora, são vários os papéis exercidos pelos clientes e são vários os atributos/valores que eles podem esperar. A questão que nos fica é a seguinte: como saber que atributo é requerido em cada momento da interação do cliente com seu fornecedor? Para ajudar a responder a esta questão, um conceito que pode ser bastante útil é o conceito de “momento-verdade”, que é assim abordado por Albrecht & Bradford, na obra ‘Serviços com Qualidade’: “(...) um momento da verdade é precisamente aquele instante em que o cliente entra em contato com qualquer setor do seu negócio e, com base nesse contato, forma uma opinião sobre a qualidade do serviço e, possivelmente, da qualidade do produto.” Tenha em mente que o momento da verdade não deve envolver necessariamente um contato pessoal. O cliente sente um momento da verdade quando entra no seu estacionamento. Existem vagas suficientes? O lugar está limpo e bem cuidado? É fácil achar a entrada da empresa? As placas indicativas estão colocadas de modo lógico e são fáceis de ler? Todos estes são potencialmente momentos da verdade, e ocorrem antes que você entre em contato com o seu cliente. Como podemos achar os momentos da verdade da sua empresa? Uma forma consiste em sentar com os gerentes, supervisores e funcionários, e fazer uma lista dos rápidos encontros que os clientes têm com qualquer aspecto da sua empresa – mas você deve estar disposto a fazê-lo de acordo com a perspectiva dos clientes. Não tente racionalizar nem dar desculpas. Apenas faça uma relação de todos os pontos de encontro que conseguir lembrar, através dos quais o cliente pode formar uma opinião sobre a qualidade do seu serviço (e, potencialmente, do seu produto). Você provavelmente terá uma lista bem comprida; isto só é o começo.” (Albrecht, 1992: 29). d. Modelo de ciclo de serviço Uma forma simples de identificação dos momentos-verdade é o chamado “modelo de ciclo de serviço”, que segundo Albrecht & Bradford (1992) é um mapa dos momentos da verdade, conforme vivenciados pelos clientes; é ativado cada vez que um cliente entra em contato com a firma. Assim como há centenas de momentos da verdade em determinado dia de trabalho, também há muitos ciclos de serviço. A técnica usada é simples e eficaz: desenhe um circulo numa prancha de desenho ou em qualquer outra superfície grande. Essa vai ser a base para relacionar os vários momentos da verdade encontrados pelo cliente conforme passa por eles. É importante relacionar esses momentos da verdade na sua freqüência habitual, sempre tomando cuidado para enxergá-los de acordo com o ponto de vista do cliente. A figura abaixo (Figura 01) é o exemplo do ciclo de serviços de um cliente de um supermercado.” (Albrecht, 1992: 30). e. Ciclo de serviço e atributos dos clientes Tendo-se o modelo de ciclo de serviço elaborado, a tarefa agora é simples: basta identificar, para cada momento-verdade identificado no ciclo de serviço, qual ou quais atributos são valorizados pelo cliente. O importante aqui é notar que atender necessidades do cliente é algo que transcende em muito a questão de simplesmente fornecer-lhe o produto que ele deseja obter. Há toda uma série de fatores, de alguma forma inter-relacionados com essa entrega, que também representam necessidades (ou necessidades + desejos) da parte dos clientes. f. Pacote Genérico de Valor para o Cliente Não é fácil ter-se regras gerais quando se trata da questão relacionada à compreensão e atendimento das necessidades e desejos dos clientes. De qualquer forma algumas generalizações podem ser úteis, como é o caso do pacote de valor para o cliente apresentado por Karl Albrech (1997), no seu livro “A única coisa que importa – trazendo o poder do cliente para dentro da empresa.” Na abordagem de Albrecht, embora o projeto específico do pacote de valor para o cliente varie grandemente entre indústrias e organizações, as pesquisas identificaram sete componentes críticos para um pacote ‘genérico’ de valor para o cliente. Estes sete componentes (veja Figura 02) tornam-se a estrutura natural para se avaliar a adequação do projeto de qualquer pacote de valor para o cliente: Ambiental– o cenário físico no qual o cliente experimenta o produto. Pode ser um quarto de hospital, o saguão de um banco, a cabine de um avião, uma cadeira de barbeiro, uma loja de departamentos, a calçada diante de um caixa automático, uma academia de ginástica ou um número ilimitado de possibilidades. No caso de serviços à distância, o ambiente pode ser a própria casa do cliente, ampliada pelo telefone através do qual ele tem contato com a empresa. Estético – a experiência sensorial direta, caso haja, encontrada pelo cliente. Ela pode inclui cenas, sons, sabores, sensações físicas, desconforto, sentimentos, características estéticas de uma mercadoria e o ambiente visual ou psicológico da empresa. Inter-pessoal – as interações do cliente com funcionários ou, em alguns casos, com outros clientes, como parte da experiência total. Esta dimensão inclui amabilidade, cortesia, solicitude, aparência física e competência aparente na execução de certas tarefas. Processual – os procedimentos pelos quais você pede que o cliente passe ao fazer negócios com você. Eles podem incluir esperar, explicar as necessidades dele, preencher formulários, prestar informações, ir a vários locais e ser sujeito a manipulações ou tratamentos físicos. Informativo - os aspectos da experiência do cliente que envolvem a obtenção das informações necessárias para que eleatue como tal. Isto inclui coisas simples, como quer a sinalização em um prédio: possibilita que o cliente descubra onde deve ir, se o cliente pode decifrar a fatura ou a conta, e se ele pode entender a apólice de seguro. Este componente pode incluir fatores críticos, como por exemplo se alguém explicou adequadamente o uso de um item de um equipamento ou se o cliente sabe o que deve esperar depois de um procedimento médico crítico. Entregável– qualquer objeto que fique em poder do cliente durante a experiência do serviço, mesmo que apenas temporariamente. Aqui está certamente incluída qualquer mercadoria comprada, mas também pode estar incluída a bandeja de comida servida a bordo do avião. O item entregue pode não ser um “produto” no sentido comercial no termo, mas não obstante o cliente o recebe. Outros exemplos são os talões de cheques, fitas de vídeo alugadas, cardápios, documentos de viagem e coletes salva-vidas. Financeiro – quanto e como o cliente paga pela experiência total. Em muitos casos, isto é óbvio, é o preço. Em outros, pode ser menos óbvio. Por exemplo, um departamento de serviços internos pode cobrar dos outros pelos seus serviços; nenhum dinheiro muda de mãos, mas os fundos irão de um orçamento para o outro. Uma companhia de seguros pode pagar as despesas médicas, mas mesmo assim o cliente sabe o preço.” (Albrecht, 1997, p.120-121) g. Hierarquia do valor para o cliente Vimos que, na abordagem de Sheth, Mittal e Newman (2001), as pessoas se defrontam com necessidades e desejos cujo atendimento requer diferentes atributos/valores. Para Albrecht (1997), tais atributos relacionados a necessidades e a desejos, podem ser hierarquizados de forma “semelhante à famosa hierarquia de necessidades humanas de Abraham Maslow” (Figura 03). Tal hierarquia é composta de quatro níveis: · Básicos – os atributos absolutamente essenciais da experiência, tangíveis ou intangíveis; sem eles é inútil tentar fazer negócio. O carro novo deve estar adequadamente montado, acabado e preparado para ser entregue. A refeição deve ser comível e o local deve estar limpo. O quarto de hotel deve estar limpo e mobiliado de forma adequada. O produto pedido pelo correio deve ser conforme o que promete o catálogo. · Esperados – os atributos associados da experiência que o cliente acostumou-se a considerar como fazendo parte da prática geral de negócios. Alguém deve explicar as características do carro. O restaurante deve ter uma seleção razoável de pratos no cardápio e preços razoáveis. O hotel deve ter uma cafeteria, um serviço razoável de mensageiros e um sistema confiável de recados para os clientes. A empresa de mala direta deve aceitar devoluções se o cliente não ficar plenamente satisfeito com o produto. · Desejados– atributos que o cliente não espera necessariamente, mas conhece e aprecia se a experiência os incluir. Alguém dá sugestões úteis a respeito dos cuidados com o carro. Os atendentes sugerem pratos especiais ou fazem favores especiais para tornar a refeição mais agradável. O pessoal da recepção pode prover informações a respeito de atividades turísticas locais, ou ajudar com problemas especiais. A empresa de mala direta paga o custo da devolução do item desejado. · Inesperados – atributos “surpresa”, que adicionam valor para o cliente além dos seus desejos ou expectativas normais. O vendedor entrega o carro na casa do cliente, ou em seu escritório. O gerente do restaurante passa pela sala com biscoitos recém-assados, oferecendo-os gratuitamente aos clientes. O funcionário do hotel oferece ao hóspede um copo de suco para ele tomar enquanto espera ser servido. Alguém da empresa de mala direta telefona ao cliente para saber se ele gostou do produto. A Hierarquia do Valor para o Cliente Inesperados Desejados Esperados Básicos Figura 03: A Hierarquia de Valor para o Cliente. (fonte: ALBRECHT, Karl. A Única Coisa que Importa. 1997: 106). Esta hierarquia comunica alguns pontos óbvios a respeito do valor para o cliente. Em primeiro lugar, ela diz que você deve se desempenhar bem nos níveis básico e esperado, apenas para ter o direito de fazer negócio com o cliente. Um restaurante limpo e comida de boa qualidade não são elementos de vantagem competitiva: são um requisito mínimo para competir. Os atributos básicos e esperados são meramente sua entrada para o jogo. A diferenciação dos concorrentes e a vantagem competitiva se estabelecem somente quando você pode faze melhor alguma coisa e o cliente dá valor à diferença.” (Albrecht, 1997, p.105). 4.5 Instrumentos para Ouvir os Clientes 4.5.1 Ouvir Clientes É comum as organizações afirmarem que ouvem seus clientes. De modo geral isso até ocorre, porém com ressalvas, por isso é importante oferecer os instrumentos (meios) que facilitem a comunicação entre clientes e organizações, além disso, é preciso que exista adequada preparação para filtrar as informações dos clientes e identificar o que é necessário responder, em outras palavras, é necessário compreender o que de fato é relevante e o que não é, tanto para o cliente quanto para a organização. 4.5.2 As necessidades declaradas versus necessidades reais: um cuidado inicial No livro ‘A Qualidade desde o Projeto’, J. M.Juran (1992), cuida de alertar para o fato seguinte fato de que os clientes comumente declaram suas necessidades segundo seus pontos de vista e em sua linguagem. Isto acontece especialmente com os clientes externos que compram produtos. Os clientes podem declarar suas necessidades em termos dos bens que desejam comprar. Entretanto, suas necessidades reais são pelos serviços que aqueles bens podem prestar.” (Juran, 1992, p.74). Como exemplo, Juran (1992) utiliza as seguintes situações: Quadro – Necessidades Declaradas e Reais Necessidades Declaradas Necessidades Reais Alimentos Nutrição, sabor agradável Automóvel Transporte Televisor a cores Entretenimento Casa Espaço para viver Pintura da casa Aparência colorida, ausência de manutenção Fonte: Juran, 1992, p.75. Segundo Levitt a distinção entre a orientação para o produto e a orientação para o cliente. Em seu ponto de vista, as ferrovias perderam uma oportunidade de expansão devido ao seu foco ferroviário e não em transportes. Os estúdios cinematográficos também perderam a oportunidade de participar da crescente indústria da televisão, como resultado do seu foco sobre filmes, ao invés de entretenimento. (Levitt apud Juran, 1992, p.75). Claro que os exemplos acima são simples. Quando uma pessoa quer um automóvel ela quer muito mais que transporte, quando ela quer uma casa ela também quer muito mais do que simplesmente um espaço para viver e quando ele faz uma viagem aérea que muito mais do que sair de um ponto e chegar num outro. A esse respeito vale ver os resultados de uma pesquisa realizada pela empresa Qantas Airways, a respeito das necessidades dos clientes das companhias de transporte aéreo de passageiros: Qantas Airways Pesquisa de Necessidades de Passageiros Ordem de Prioridade Ordem Necessidades 1 Nenhuma bagagem perdida 2 Nenhuma bagagem danificada 3 Toaletes limpos 4 Poltronas confortáveis 5 Entrega rápida da bagagem 6 Amplo espaço para as pernas 7 Refeições de boa qualidade 8 Serviço rápido de reserva 9 Tripulação de cabine amigável/eficiente 10 Cabine limpa e arrumada 11 Temperatura/umidadeda cabine confortáveis 12 Assistência para conexões 13 Ser informado dos atrasos 14 Transporte aeroporto-cidade 15 Informações precisas sobre chegadas para parentes e amigos 16 Embarque bem organizado 17 Check-in rápido e cordial no aeroporto 18 Carrinhos para bagagem 19 Chegada no horário 20 Fornecimento de travesseiros/mantas 21 Assistência com alfândega/imigração 22 Partidas no horário Fonte: J.M.Juran. Qualidade desde o projeto. p.100. Não se chega a um “rol” tão completo de necessidades, como o apresentado no exemplo acima, sem um conjunto adequado de instrumentos para se ouvir o cliente. 4.5.3 Os papéis do cliente e a pesquisa sobre seu comportamento Vale recordar que na abordagem de Sheth, Mittal e Newman (2001), os clientes podem exercer os papeis de usuários, pagantes e compradores. Na tabela, adaptada como quadro (quadro 01) abaixo tais autores apresentam suas ideias a respeito da pesquisa do comportamento dos clientes nesses diferentes papéis. A pesquisa é sobre o comportamento do cliente e os três papéis do cliente: Quadro 01. Os papeis de usuários, pagantes e compradores e suas idéias a respeito da pesquisa do comportamento dos clientes. Usuário Pagante Comprador Necessidade de pesquisar o comportamento do cliente. Pesquisar as necessidades e desejos do usuário para novos projetos de produtos. Pesquisar sensibilidade a preços dos clientes. Pesquisar as preferências dos clientes em relação ao leasing. Pesquisar os preços de referência dos clientes. Pesquisar as atitudes dos clientes em relação a fornecedores alternativos (por exemplo, a rede de compras domésticas). Pesquisar o uso, pelos compradores, de sistemas de intercâmbio de dados eletrônicos. Métodos específicos de pesquisa Discussões em grupo. Visitas a clientes Pesquisa motivacional Pesquisa por questionários Pesquisa experimental Pesquisa de processamento de informações Explorar as visões do usuário e identificar necessidades e desejos insatisfeitos Identificar motivos subconscientes dos usuários Explicitar atitudes, crenças e comportamentos dos usuários Testes de paladar cego Testes de uso de produtos Pesquisa sobre como os telespectadores processam mensagens de propaganda Valor percebido e preço de referência como tópicos de discussão em grupos focais e visitas a clientes Pesquisar os clientes em questões como a determinação de preços-alvo, a consciência de preços etc. Podem-se explorar as percepções sobre fornecedores alternativos Pesquisa com os compradores para avaliar atitudes dos fornecedores Mercados de teste Principalmente aplicável ao estudo do processamento de informações pelos compradores Adaptado de Sheth, Mittal e Newman. Comportamento do Cliente, 2001, p.473. 4.6 Ferramentas para Ouvir o Cliente: abordagem de Richard Witheley No livro “Crescimento orientado para o cliente” o consultor Richard Whiteley (1996) apresenta um conjunto de ferramentas para ouvir o cliente, sua natureza, suas vantagens e desvantagens. Tal conjunto de ferramentas é reproduzido abaixo: Ferramenta Natureza e Propósito Vantagens Desvantagens Grupos de Foco Pequenos grupos (de clientes ou de qualquer grupo-alvo) convidados para se reunir com um facilitador, a fim de responder a perguntas abertas. Trata-se de uma técnica simples considerada de extrema utilidade em nossas pesquisas. Proporciona uma íntima visão dos clientes e permite que eles lhe revelem coisas que não mencionariam nas pesquisas de opinião. Pequeno grupo de clientes pode não representar toda a sua base de clientes. Pode ser inadequado para clientes que viajam e, por isso, você pode utilizar técnicas de grupo virtual. Painéis de Clientes Como um grupo de foco, um painel de clientes consiste em um pequeno número de clientes convidados para responder a perguntas abertas. Entretanto, um painel de clientes é um grupo que se reúne regularmente. Reuniões regulares criam uma intimidade até maior do que os grupos de foco. A longo prazo, os clientes que pensam nos seus problemas podem sugerir ideias especialmente boas. Exige considerável esforço gerencial. Entrevistas individuais Oferece nuances dos pensamentos de diferentes clientes. Em grupos, os clientes influenciam as respostas uns dos outros. As entrevistas individuais podem permitir que os clientes articulem pensamentos mais idiossincráticos. Em grupos, os clientes se ajudam mutuamente a articular pensamentos que possam não estar claros em princípio. Nas entrevistas pessoais você perde esse aspecto. Visitas a clientes e observação de sua utilização do produto Um exame cuidadoso de como o cliente utiliza o seu produto provavelmente oferece mais intimidade do que qualquer técnica. Provavelmente o método mais subutilizado. Quando as pessoas que conhecem a finalidade para a qual o produto foi projetado veem como esse produto realmente está sendo utilizado, ocorrem- lhes ideias de melhoria que os próprios clientes nunca proporiam. Menos desvantagens do que você esperaria. Muitos clientes adoram receber visitas. As visitas, no entanto, exigem planejamento. Estabelecem ideias sistemáticas do que você está procurando antes de agir. Números para ligações telefônicas gratuitas As empresas fazem contar em seus produtos ou material promocional números de telefones para contato. Método eficaz de coleta de dados do cliente na ocasião em que os problemas de faro estão ocorrendo. Pode ser dispendioso. Além disso, melhora o índice de satisfação e gera vendas adicionais. Registros de contatos com o cliente Pede-se aos funcionários encarregados de manter contato com o cliente que reportem algo de interessante ou significativo que os clientes digam. Capta dados dos primeiros lugares aos quais os clientes provavelmente recorrem quando têm problemas. O pessoal da linha de frente considera muitos “relatórios de contato com o cliente” um desconforto burocrático. Se quiser obter boas informações, você deve avaliar os registros sobre a qualidade das informações e mostrar que está agindo de acordo com os dados. Linha direta com o serviço ao cliente Número telefônico para o qual o pessoal do serviço ao cliente pode ligar para reportar problemas. Uma caixa de correio de voz pode ser suficiente. Além de fornecer informações, proporciona uma sensação de poder ao pessoal da linha de frente. Os dados devem ser gerenciados cuidadosamente para terem utilidade. Visitas do cliente às instalações da empresa Consiste em convidar os clientes para visitar suas instalações e discutir como você pode oferecer-lhes um melhor serviço. Os clientes apresentam excelentes idéias enquanto estão nas suas instalações. Não oferecem uma compreensão abrangente dos pontos de vista do cliente. Pesquisas de opinião por telefone ou correspondência Estas pesquisas têm um menu de perguntas fixo para um grande número de pessoas. Muito útil para a obtenção de opiniões sobre perguntas fechadas, cuja importância você já determinou ao fazer perguntas abertas em outras situações. Se bem gerenciados, podem fornecer informaçõescientificamente válidas sobre o que os clientes, de um modo geral, pensam. (Reuniões em pequenos grupos não representam de forma confiável o que a base de clientes como um todo pensa.) Obterá poucas informações sobre qualquer outro aspecto que não as perguntas específicas que você fizer. (embora valha a pena ser feita, a pergunta, “Você teria outras sugestões?” raramente gera respostas extensas.) Compradores disfarçados Profissionais que visitam a sua empresa no papel de clientes, que reportam a maneira como foram tratados. Fornece informações precisas sobre o serviço que você oferece. Pode fazer com que os funcionários não se sintam acreditados. Interrogatório do pessoal da linha Em um ambiente descontraído, pergunte Recorre a um conjunto de dados Solução parcial, mas que apresenta riscos. de frente dos departamentos vendas e serviço ao pessoal da linha de frente sobre suas experiências, com a finalidade de obter uma visão do que o cliente enfrenta e quer. que a empresa já possui. Encontro com os clientes nas férias profissionais Método de ouvir o cliente que economiza tempo e custos. Atinge um número maior de clientes por dólar gasto do que qualquer outro método. Pouco tempo para conversar, atmosfera artificial. Fonte: Whiteley & Hessan. Crescimento Orientado para o Cliente. 1996, p.77-79. O que se pode perceber é que a tabela acima apresenta um detalhamento maior das ferramentas para ouvir o cliente, do que aquilo que apresentado por Sheth, Mittal & Newman (2001). Fica a sugestão de se classificar as ferramentas propostas por Whiteley dentro subdivisão proposta por tais autores (pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa), como forma de se integrar as duas abordagens. 4.7 Ferramentas para Ouvir o Cliente: o caso do Hospital Taquaral Uma das publicações da Fundação Prêmio Nacional da Qualidade é o “Caso para estudos – Hospital Taquaral” que é um Relatório de Gestão de um hospital imaginário, que serviu como instrumento para preparação dos examinadores do Prêmio Nacional Qualidade em 1999 e 2000. Neste caso aparece um interessante rol de “métodos utilizados para prospecção de oportunidades de mercado e levantamento da voz do cliente.”, que reproduzimos a seguir. Métodos utilizados para prospecção de oportunidades de mercado e levantamento da voz do cliente. Método Descrição 1 Gemba Técnica originada no Japão, consiste na observação em profundidade de todas as possíveis interações entre clientes e serviços, realizadas no local e no momento que essas interações ocorrem. O responsável procura sempre “andar com os sapatos dos clientes”, observando, sentindo, ouvindo e registrando as experiências do cliente e as oportunidades que surgem. No segundo semestre de 1999 vivenciou-se uma experiência única até hoje: a realização de gembas na UTI Neo-natal, com apoio de uma psicóloga especializada em recém-nascidos. Os dados coletados, representando requisitos tanto das mães como das crianças, estão sendo utilizados atualmente para melhorias em diversos processos que envolvem aquela UTI. 2 Contato Direto Conforme apresentado no item 1.1, membros do Comitê Executivo possuem uma agenda pré-determinada de encontros com as diversas partes interessadas no hospital, inclusive os clientes; além disso, como já citado nesse item, colaboradores são treinados em técnicas para ouvir clientes. Tais práticas fazem com que as entrevistas com clientes sejam oportunidades ricas para a coleta de informações sobre os mesmos. 3 Pesquisa Além da Pesquisa Anual de Satisfação dos Clientes (ver tópico 3.2b), pesquisas quantitativas e qualitativas são desenvolvidas no mínimo uma vez a cada bimestre, visando conhecer a opinião dos clientes perdidos e clientes da concorrência, para que a análise decorrente seja a mais completa possível. Frequentemente são incluídas nas pesquisas (assim como em entrevistas, focus groupse outros métodos) questões sobre os pontos fortes e as principais vantagens dos concorrentes, eventuais mudanças que o cliente queria introduzir no hospital e fatores que levaram os clientes novos a optar pelo Hospital Taquaral. 4 Focus Group Muito utilizado pelo hospital, vem adquirindo características inovadoras nos últimos meses. De julho a novembro de 1999 realizaram-se várias sessões “cruzadas”, quando grupos de clientes foram motivados a discutir sobre desejos e expectativas de outros grupos. Exemplos: pacientes foram ouvidos sobre as necessidades de seus familiares, familiares sobre pacientes, médicos sobre pacientes, convênios sobre médicos e convênios sobre pacientes. 5 SAC Os relatórios gerados pelo SAC são analisados frequentemente, em busca de informações importantes transmitidas pelos clientes, através de suas opiniões, reclamações e sugestões. Treinamentos específicos oferecidos aos atendentes fazem com que estes percebam e registrem informações implícitas transmitidas pelos clientes em suas manifestações. 6 Pesquisa de Mercado As pesquisas de mercado, promovidas tanto pelo Hospital Taquaral (pelo menos uma vez ao ano) quanto por organizações independentes, direcionam as ações do hospital para áreas onde há possibilidade de crescimento. Outras informações colhidas nessas pesquisas são: características de serviços, volume de atendimento, participação e atuação da concorrência e as principais necessidades do mercado. 7 Visitas a Clientes Através das visitas a convênios e médicos (sejam eles clientes efetivos ou potenciais) procuramos obter o máximo possível de informações, inclusive o porquê, no caso dos potenciais, de ainda não terem escolhido o Hospital Taquaral. 8 Field Intelligence O hospital está sempre atento para detectar informações importantes sobre os concorrentes, através do monitoramento de suas ações pela imprensa, por propagandas de laboratórios; por médicos que também trabalham em outros hospitais; por fornecedores, etc. 9 Intercâmbio de Informações Seja formal ou informal, é uma rica fonte de informações. As principais práticas são visitas a outras instituições de saúde, recepção de visitantes ligados à área hospitalar e contato direto de colaboradores do Hospital Taquaral com pessoas de outras instituições. 10 Acompanhamento Pós-serviço As sugestões, reclamações e opiniões de nossos clientes, obtidas pelas práticas de acompanhamento pós-serviço (ver Tópico 3.2b) são coletadas e analisadas em busca de necessidades e expectativas. 11 Análise e Correlação de Dados Com o Balanced Scorecard, os principais indicadores de desempenho do hospital são integrados e correlacionados (ver Item 4.3). Assim, análises periódicas desses indicadores correlacionados podem trazer “mensagens” do mercado. Exemplo disso deu-se no final de 1999, quando pode-se observar um crescimento intenso de um concorrente na área de oftalmologia, inclusive com a captação de pacientes do Hospital Taquaral. A ação, em curso atualmente, foi desenvolver instrumentos específicos para detecção dos fatores de decisão que estão levando esses ex-pacientes a preferir primeiro o concorrente. 12 Workshops com Colaboradores Promovido pela Diretoria de Mercado e Qualidade, tem como participantes membros da força de trabalho que tem contato direto com clientes (por exemplo, assistentes sócias, corpo de enfermagem e médicos). Seu objetivo é levantar necessidades detectadas pelos colaboradores nesse contato com clientes. 13 Participação em Feiras, Congressos e Exposições O hospital se utiliza de feiras, congressos e exposições para detectar possíveis oportunidades, observando novas tendências terapêuticas, resultadosde pesquisas científicas em Universidades e laboratórios, serviços e condutas oferecidos por outros hospitais, evolução tecnológica, etc. 14 Registros Internos do Hospital O SAME (Serviço de Arquivo Médico e Estatística) permite que se analise informações relativas a pacientes que já passaram pelo hospital, além de gerar relatórios estatísticos e de tendências. A avaliação desses registros torna-se extremamente interessante quando usada na procura de tendências futuras. 15 Registros de Associações e Órgãos Oficiais Em busca de oportunidade, tendências do mercado e informações sobre clientes, analisamos informações provenientes do Ministério da Saúde, IBGE, Conselho Regional de Medicina, Secretaria Municipal de Saúde, Direção Regional de Saúde (DIR), CQH e CEG. 16 Livros, Revistas, Papers, outros periódicos e web sites Essas fontes de informações, sejam gerais ou especializadas, são úteis para se conhecer as novidades do mercado hospitalar e de saúde, principalmente de outros países. Bem interpretadas, ajudam a detectar oportunidades e requisitos de clientes. Fonte: Caso para estudo – Hospital Taquaral, p. 19. (Silva e Zambon, 2006, p. 72-74). Tal qual o conjunto de ferramentas apresentado por Whiteley, o rol de métodos para ouvir os clientes, apresentado no caso do Hospital Taquaral, também amplia aquilo que foi apresentado por Sheth, Mittal & Newman. Mais uma vez fica a sugestão de enquadrar os métodos agora apresentados, dentro da classificação desses autores (pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa), como forma de integração de conhecimentos. 4.8 Reflexões Importantes sobre Conhecimento dos Clientes: segmentação, métodos, decisões, conhecimento Muitos instrumentos, meios e técnicas podem ser utilizados para se conhecer os clientes, especialmente no que tange a ouvi-los e oferecer-lhes respostas satisfatórias. Neste sentido é pertinente realizar a seguinte apreciação crítica: “...de nada adianta possuir eficientes meios para ouvir os clientes (captar as informações manifestadas por eles, que apresentam seus interesses, desejos e necessidades) se não houver conhecimento a apuro no ato de utilizar tais informações no momento da “construção” o relacionamento sustentável entre organizações e clientes.” É importante lembrar que os instrumentos utilizados para ouvir os clientes também sofrem críticas, positivas ou negativas, por parte dos próprios clientes, daí a importância de seu uso de forma coerente e contínua, bem como, é importante que sejam realizadas apreciações e revisões frequentes cujos fins objetivem melhoramento permanente dos meios utilizados. Além disso, os clientes podem apresentar maior ou menor aceitação em relação a cada método utilizado, o que justifica, em certos casos, a substituição do método em prática por outro considerado mais eficaz para a situação corrente. Os métodos (meios) são muitos, porém, maiores são as possibilidades de interpretação e uso das informações levantadas por eles. Por exemplo: quando se utiliza, simplesmente, uma pesquisa quantitativa, que por meio de um questionário, aponta o perfil de consumo e tendências de um determinado grupo da população (segmento: homens, entre 25 e 35 anos, renda entre R$5.001,00 a R$8.500,00, moradores de centros urbanos, sem filhos, sem esposa, que residem sozinhos, compram produtos de marcas conhecidas e renomadas, renda em crescimento acompanhando a idade, viajam com frequência etc.), é possível que algumas generalizações sejam feitas frente às condições de consumo e ao que se é consumido, mas, também é importantes conhecer exatamente em que nicho cada membro pesquisado (os clientes em geral) se enquadram. Se todos os membros do segmento citado acima, de uma determinada região, fossem identificados e recebessem uma determinada campanha promocional qualquer, será que seria correto dizer que todos responderiam a uma campanha promocional da mesma maneira? A resposta é, por certo, um NÃO, pois, mesmo dentro de um grupo aparentemente homogêneo há membros diferentes e com diferentes intenções de consumo. Daí a importância de respeitar a individualidade e singularidade de cada cliente, principalmente, quanto mais se sabe sobre ele, quanto mais tempo ele mantém relacionamento com a empresa. Pense, ainda seguindo o exemplo proposto acima, se tal grupo fosse agora separado por: indivíduos que residem com os pais e indivíduos que não residem com os pais; indivíduos que possuem casa própria, indivíduos que estão construindo a casa própria e, indivíduos que estão guardando dinheiro para comprar a casa própria; indivíduos noivos ou recém casados, e indivíduos que não pensam em se casar. indivíduos heterossexuais, indivíduos bissexuais e indivíduos homossexuais etc. Partindo desta condição, se percebe que é possível escolher uma ou mais das categorias de identificação (alocação) acima como forma de identificar melhor o público alvo que se deseja atingir. Com isso, fica mais fácil separar os membros do grupo, com o objetivo de ouvir aqueles que realmente são mais significativos para o negócio, por exemplo, hipotético: ‘Minha empresa comercializa produtos de construção civil, seria mais recomendável, portanto, direcionar meus esforços de comunicação mercadológica para aqueles que estão de fato construindo ou iniciando a construção de residências (...). Além disso, não de pode deixar de destacar que, quanto maior o número de cruzamentos realizados a partir das características levantadas, provavelmente, mais numerosas e precisas serão as informações, para as organizações, no tocante ao conhecimento de seus clientes. Ou seja, ouvir os clientes é uma tarefa difícil, mas através dela é possível direcionar o foco da empresa (suas imagem, seus produtos e serviços) em função justamente de quem se pretende atender (os clientes). Os instrumentos utilizados para ouvir os clientes, o cruzamento das informações levantadas por categorias etc., leva ao conhecimento do que os clientes pensam, esperam e como se manifestam em relação a você (empresa). Do ponto de vista do Marketing Estratégico para o relacionamento com o cliente, está e uma realidade chave, pela qual, todas as organizações passam, algumas “de olhos fechados” e outras, pelo contrario, “de olhos bem abertos”, para aprender o máximo possível com os próprios clientes – alma do negócio. Por fim, mais do que saber qual é o melhor instrumento a utilizar para ouvir os clientes, é importante elencar um ou alguns que consigam realizar esta tarefa, para que a tarefa seguinte possa ocorrer, que é, juntamente o uso de tais informações no processo de tomada de decisão para levar respostas positivas aos clientes e que, naturalmente, sejam positivas em igual proporção à própria empresa. - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividades 1 - Defina necessidade. 2 - Como você explicaria atributos valorizados pelos clientes? 3 - Explique o que são valores universais no contexto desta disciplina. 4 - O que são e para que servem os momentos-verdade? 5 - Disserte sobre a importância da Hierarquia de Valor para o cliente. 6 - O que são instrumentos para ouvir os clientes? 7 - Explique para que servem os instrumentos de ouvir os clientes? 8 - Explique a diferença entre necessidades reais e necessidades declaradas. Nota sobre a atividade: Todas as questões para reflexão propostas acima são encontrados nesse material, pois, cada uma delas refere-se a um item diretamente abordado. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 4.9 Exemplo de Exercício Resolvido Questão: O momento-verdade como instrumento para identificar atributos valorizadospelos clientes pode ser identificado como? a. Momento em que o cliente é questionado através do ciclo de serviços sobre sua satisfação em relação a um determinado produto ou serviço, portanto, o momento- verdade é representativo de uma pesquisa de mercado quantitativa que verifica se o cliente após a compra gostou ou não do produto, e o que pensa dele. b. Momento em que a organização projeta um novo produto ou serviço no mercado, logo, momento em que o objetivo central é desenvolver uma ação concorrencial competitiva que lance a empresa à frente das suas concorrentes diretas, pois, o momento verdade é relatado em função da empresa e não do cliente. c. Precisamente aquele instante em que o cliente entra em contato com qualquer setor do seu negócio e, com base nesse contato, forma uma opinião sobre a qualidade do serviço e, possivelmente, da qualidade do produto. d. É o instante em que uma organização desenvolve um novo contato com seu ‘cliente potencial’ por meio de um novo produto, objetivando torná-lo leal e só depois fiel à organização, com isso, aumentando sua participação de mercado e reconhecimento competitivo. Isso ocorre porque o cliente é a “alma viva” do negócio. e. É o instante em que o cliente define a compra, portanto, o momento verdade é unicamente o momento em que, ocorre o processo de decisão de compra e sua efetiva realização. Tal condição exclui a interpretação do momento verdade como qualquer outra atividade anterior ao ato de comprar. Resposta correta: Letra “C” Exercício 1: “Cliente” designa uma pessoa ou unidade organizacional que desempenha papel no processo de troca ou transação com uma empresa ou organização. O termo referese a pessoas que assumem diferentes papéis no processo de compra: especificador, influenciador, comprador, pagante ou usuário. Compreendido o afirmado acima sobre ‘cliente’, assinale a afirmativa referente ao termo “consumidor”. A Quem consome o produto, podendo ser ou não um cliente. B O cliente do concorrente. C Quem compra um produto que será utilizado por outra pessoa em outro momento e lugar. D O intermediário entre organização e lucro. E Quem recebe os produtos em casa após realizar uma degustação nos supermercados. Exercício 2: Uma transação de mercado requer pelo menos três papéis a serem desempenhados pelos clientes. Com base nos seus estudos sobre os papéis dos clientes, assinale a afirmativa que apresenta corretamente os papéis desempenhados pelos clientes em uma transação de mercado: A (1) comprador – comprar um produto, (2) pagante – pagar pelo produto e (3) usuário / consumidor – quem utiliza ou consome o produto. B (1) pesquisador – aquele que pesquisa o preço do produto, (2) influenciador – aquele que influencia outras pessoas a pensar no que encontraram e (3) pagante – aquele que pagara sempre em dia suas dívidas. C (1) pesquisador, (2) consumidor e (3) verificador. D (1), intelectual – aquele que pensa, (2) formador de opinião – aquele que leva as pessoas a concordarem com algo e (3) cliente intermediário – aquele que faz parte de uma organização. E (1) enxerido – porque ele é muito curioso e pergunta tudo, (2) atrevido – porque ele fica pegando os produtos no ponto de vendas (3) fofoqueiro – porque ele conta tudo para todos. Exercício 3: Do ponto de vista do entendimento das diversas visões que se tem sobre os clientes, o tipo de cliente que influencia nossas vidas e nosso desempenho no trabalho, ou seja, o tipo de cliente formado pelas pessoas que amamos, tratase do A cliente pessoal. B cliente fiel. C cliente ativo. D cliente da concorrência. E cliente funcional. Exercício 4: É importante conhecer os atributos valorizados pelos clientes A para que as empresas possam definir melhor as cores dos produtos, uma vez que certas cores são mais notáveis que outras. B porque eles representam a missão dos clientes na hora de comprar. C para ajudar as organizações a repensarem a própria missão e visão. D porque, conhecendo bem os próprios clientes, suas preferências e interesses tornase mais fácil atende-los de maneira acertada. E (não é importante conhecer os atributos valorizados pelos clientes porque eles mudam muito rapidamente). Exercício 5: Leia atentamente a situação a seguir: Em um dia qualquer um cliente vai até uma conhecida loja no centro da cidade em que reside, ligeiramente próxima a sua casa, compra um produto (um ferro de passar roupas, por exemplo) e volta a sua casa para aguardar a entrega do produto agendada para quatro dias depois, pois só havia o produto exibido no mostruário naquele dia e hora em que a compra foi realizada. Quando o produto é entregue dias depois, o cliente verifica que ele apresenta um defeito e resolve voltar à loja levando o produto para solicitar uma solução. Assinale a afirmativa que apresenta a solução mais sensata que se pode esperar da loja quando o cliente solicitar a troca do produto: A Trocar o produto por outro, mas somente depois de encaminhar o cliente à assistência técnica e for confirmado que o produto não tem conserto. B Não tomar nenhuma providência. Apenas encaminhar o cliente para uma assistência técnica, pois, depois da compra defeitos nos produtos adquiridos passam a ser problema do consumidor. C Em todos os casos de defeito é preciso gerar um cancelamento da venda e a devolução do dinheiro, pois, os clientes não aceitam trocas de trocas de produtos. D Defeitos devem ser identificados pelo cliente no ato da compra e o pedido de troca deve ser imediato, uma vez que a responsabilidade pela substituição do produto é do cliente e não da organização. E Receber o cliente, ouvir o que ele tem a dizer, verificar o defeito do produto e entregar outro produto igual sem defeito. Ou oferecer a oportunidade de escolher outro produto de mesmo valor, pois o cliente pode ter ficado frustrado com o produto e temer que um igual também tenha defeito no futuro. MÓDULO 5 RISCOS AO OUVIR OS CLIENTES 5. RISCOS INIRENTES AO PROCESSO DE OUVIR OS CLIENTES Objetivo Ao final desta aula você deverá ser capaz de discutir os riscos presentes na atividade de ouvir os clientes para quaisquer tipos de organizações. Sensibilizar para a importância de se ouvi-los, especialmente no tocante as suas necessidades reais e declaradas. Você compreenderá ainda o que é e, qual a importância, do processo de seleção de clientes para uma organização. 5.1 Os Clientes Sabem o que Querem Estudar os riscos ao ouvir os clientes nos remete a seguinte indagação: ‘os clientes sabem o que querem?’ Riscos existem sempre que a condição de certeza é inexistente, ou seja, a condição de incerteza é alta. Quando os clientes não estão certos do que realizar (comprar – consumir) algumas dificuldades podem surgir, como por exemplo, podem desenvolver um sentimento de insatisfação e/ou de repúdio sobre algo ou alguém (marca, produto, empresa- lugar, funcionário). Para as organizações, quando mais riscos como este forem evitados, maiores serão as chances de reter clientes satisfeitos. Tal condição deve ser buscada com afinco, de forma que a organização seja reconhecida pela maioria das pessoas que atende como comprometida com o sucesso de seus clientes. 5.2 Mais do que Voltado para o Cliente No livro “Competindo pelo futuro: estratégias inovadoras para obter o controle do seu setor e criar os mercados de amanhã”, Hamel & Prahalad (1995), são críticos quanto à ideia de se ouvir clientes. Para eles os clientes não sabem identificar aquilo de que necessitam, motivo pelo qual, consideram que as empresas devem buscar se antecipar às necessidades dos clientes, ao invés de atender suas necessidades articuladas. Para tais autores, existem três tipos de empresas: · As que tentam levaros clientes para onde eles não querem ir. · As que escutam os seus clientes e respondem às suas necessidades articuladas. · As empresas que levam os clientes para onde eles querem ir, mas ainda não sabem disso. No terceiro tipo estão as empresas que criam o futuro. Elas fazem mais do que satisfazer os clientes; elas os surpreendem constantemente. Empresas do segundo tipo, de acordo com Hamel e Prahalad (1995), talvez estejam em mercados nos quais as necessidades dos clientes já estejam sendo satisfeitas por concorrentes com maior capacidade de prever o futuro. Logo abaixo se encontra transcrito um trecho do livro acima referido, que trata mais detalhadamente desse assunto. Por enquanto nos interessa destacar o seguinte: o fato de Hamel e Prahalad serem céticos a respeito da capacidade dos clientes de identificar produtos/serviços que atendam suas necessidades, não significa que eles não devam ser investigados. O que acontece é que, o que se tem a aprender com os clientes refere-se as suas necessidades (requisitos, expectativas e preferências) não atendidas ou atendidas de forma insatisfatória e, depois disso, buscar formas adequadas e/ou inovadoras de atendê-las. Ao que parece a proposta dos autores pode ser assim traduzida: ao invés de perguntar ao cliente o produto ou serviço que ele deseja, deve-se investigar quais suas necessidades não atendidas (no todo ou em parte). Segundo Hamel e Prahalad (1995): (...) você precisa entender a distinção entre características e benefícios, que é igual à distinção entre características objetivas do produto daquilo que você oferece ao cliente e o valor subjetivo que ele obtém ao experimentá-lo. Caso em questão: várias centenas de milhares de pessoas compram, todos os anos, brocas de um quarto de polegada nas lojas de ferragens. Muito poucas entre elas querem brocas de um quarto: a maioria quer furos de um quarto. Milhões de pessoas pagam para que gás e eletricidade sejam levados até suas casas. Elas não querem gás ou eletricidade. Querem aquilo que o gás ou a eletricidade fazem para elas. A razão pela qual uma pessoa compra um pequeno Honda e outra compra um Mercedes-Benz não está nos produtos em si, mas nos significados que eles têm nas vidas dos respectivos compradores. São esses significados que precisamos descobrir – a verdade oculta por trás das características objetivas. Charles Revson, executivo chefe da multibilionária Revlon, resumiu da melhor forma a ideia do valor subjetivo ao explicar os produtos da sua empresa. ‘Quando ele sai da fábrica é batom’, disse ele, mas quando passa por cima do balcão da loja de departamentos, é esperança. (Albrecht, 1997, p.100). 5.3 Valores e Requisitos Mudam com o Tempo e são Variáveis entre Clientes Segundo Sheth, Mittal e Newman (2001, p.93), os valores de mercado que os clientes buscam são: · Instrumentais. · Dinâmicos. · Hierárquicos. · Cada vez mais diversificados a medida que atingem níveis mais altos. · Sinérgicos. · Específicos dos papéis. · Variáveis entre clientes. Em relação à nossa preocupação com o risco de ouvir os clientes, ênfase especial deve ser dada ao fato que os valores são dinâmicos e variáveis entre clientes. De acordo com Sheth, Mittal e Newman (2001): a. “Os valores de mercado que os clientes buscam mudam com o tempo. Em primeiro lugar, eles mudam porque as necessidades e desejos dos clientes individuais alteram-se em virtude de mudanças em seu estágio de vida e em seus recursos. Em segundo lugar, eles mudam em razão de expectativas que surgem em todo o mercado. À medida que [as organizações] satisfazem e excedem as expectativas do mercado, elas tornam-se um novo ponto de referência pelo qual [as organizações] são julgadas. Se ninguém no mercado oferece um serviço de primeira classe, os clientes estarão satisfeitos com um serviço meramente adequado, por exemplo.” (p.94). b. “(...) o que um cliente valoriza em um produto ou serviço pode não ser valorizado por outro cliente. Conseqüentemente, um produto ou serviço é mais versátil se for capaz de gerar valores múltiplos, para satisfazer pessoas diferentes. Por exemplo, os computadores pessoais têm alto grau de versatilidade porque devem satisfazer a diferentes necessidades: processamento de textos, armazenamento de informações, comunicação com o mundo externo via e-mail, recepção das informações do mundo externo pela Internet, e assim por diante.” (p.94). Não parece ser fácil a missão daqueles cuja missão é ouvir o cliente e/ou se antecipar às suas necessidades: os clientes não sabem identificar aquilo que necessitam, o que eles valorizam parece sempre caminhar para níveis maiores de exigência e, não bastasse isso, o que um cliente valoriza não é – necessariamente – o mesmo que outro valoriza. Que os valores mudam de cliente para cliente é fácil de compreender e constatar, porém, também é necessário entender que os valores de um determinado cliente mudam com o tempo. As necessidades e os desejos dos clientes individuais alteram-se em decorrência de modificações em seu estágio de vida e em seus recursos. Além disso, os valores mudam em razão de expectativas que surgem em todo o mercado (Silva e Zambon, 2006, p.86). Outra referencia importante sobre os valores é o fato de que à medida que atingem níveis mais altos eles se diversificam e cada cliente, pode ter sua própria dimensão de valor para cada produto ou serviço. 5.4 A Miopia de Marketing e o Cuidado ao Ouvir as Necessidades dos Clientes Inicialmente é importante destacar que a miopia de marketing é uma das justificativas para que se instalem problemas desnecessários na estrutura organizacional. Um dos principais obstáculos para que a melhor competência seja atingida ao ouvir os clientes é acreditar que já se sabe o que fazer e como fazer. (Silva e Zambon, 2006, p.84) Muitas organizações apresentam problemas porque não conseguem enxergar corretamente o seu ambiente e o comportamento, expectativas e necessidades de seus clientes. Sendo assim, muitos riscos ao ouvir os clientes não estão ligados à sua forma de pensar e de agir, mas na forma pela qual as organizações entendem o que eles realmente querem dizer. Nesse sentido, a miopia de marketing é um tipo de ato consciente ou inconsciente de muitos profissionais que teimam em não querer enxergar o que está de certa forma, revelado aos seus olhos e ouvidos. É preciso que os clientes sejam estimulados a se pronunciar, então é necessário ouvi- los, interpretá-los, compilar suas falas e tomar medidas no sentido de cumprir suas expectativas, necessidades e desejos, superando-os. Informações adicionais Leia o capítulo 6 (Instrumentos para “ouvir” os clientes) do livro da bibliografia básica, e faça os exercícios sugeridos para maior fixação dos conceitos. 5.5 Selecionando Clientes Antes de tudo é preciso dizer que, o contexto de selecionar clientes não trata apenas de uma forma de identificação, mas sim, de uma forma de seleção, em outras palavras, avaliar ‘quais clientes interessam e quais não interessam’ para o seu negócio, obviamente, com muitas ressalvas, inclusive éticas. O cerne desta dessa aula é o entendimento de que, por mais que se diga que todos os clientes são importantes, que devem ser preservados etc., não é exatamente assim na prática. Eu costumo dizer aos meus alunos a seguinte frase: Não há pior cliente que cliente nenhum. É bastante claro o motivo dessa fala. Toda organização precisa concentrar-se em atender bem e, de certa forma, agradecer pelos clientes que têm, pois, é melhor ter todos os clientes complicados do mundo do que não ter nenhum – o que significariaque o negócio não existe. Então, vamos aos fatos, pense nestas indagações: · Será que todos os clientes são interessantes? · Será que todos são lucrativos? · Será que todos são promissores? Infelizmente a resposta para tais questões é: Não. A verdade é que nem todos os clientes interessam. E por que isso? Justamente, porque, alguns clientes podem ser tão danosos para o negócio, que mantê-los poderia representar muito mais problemas do que simplesmente, deixá-los partir. A esse respeito, na entrevista Invista nas Contas Estratégicas, concedida por Ben Shapiro à Revista HSM Management (1998), aparece a seguinte introdução: Uma empresa deve saber responder a três perguntas para ter uma boa relação com seu cliente: o que está oferecendo, quão diferenciado é isso em relação à concorrência e, também, quanto ganha. Se ela descobrir, no último item, que seu ganho mais parece prejuízo, precisa acionar o alarme. Essa não é uma conta estratégica, ou seja, não tem o potencial de longo prazo. Deve ser reformulada ou dispensada, por mais doloroso que seja. (1998, p.58). 5.6 A Questão dos Clientes Não Rentáveis Por mais que as organizações busquem conhecer seus clientes, para poder conquistá- los, isto não significa que os clientes devam ser mantidos a qualquer custo. Veja a seguir, alguns trechos da entrevista acima mencionada. Os mesmos podem ajudar a melhor compreender essa questão: · Pode acontecer, por exemplo, de alguns clientes exigirem muito e seus produtos e serviços não estarem à altura. Então, você acabará sempre tendo de corrigir erros, fazer grandes esforços e até se endividar com isso. Em relacionamentos desse tipo, os clientes podem estar muito felizes, mas você não. Esses clientes não são contas estratégicas, que é como chamamos, nos EUA, as contas de clientes que mostram um potencial de trabalho de longo prazo. Digo sempre: invista nas contas estratégicas. (p.58). · Uma vez que você tenha a informação sobre a rentabilidade das contas, a primeira providência é dividir em dois grupos os problemas detectados: o dos problemas de caráter interno – os custos da empresa são altos demais para o que os clientes querem – e o dos pedidos com características não rentáveis. Então você age de acordo com o grupo de problemas em que ele se enquadra. Há um modo de lidar com os problemas internos, do primeiro grupo, e outros dois modos para os problemas externos, do segundo grupo. ### _ Modo um: resolva seu problema interno para manter o cliente de forma rentável. Suponhamos que você tem um grupo de contas que exige entrega mais rápida dos produtos, pouco compatível com sua produção em massa. Você pode instalar uma fábrica menor para atender o que algumas empresas chamam de ‘pequenos pedidos’ – pedidos em que há pressa e fazem você voar dentro da fábrica. Você torna muito rentável o que era um negócio não rentável por causa das modificações internas. ### _ Modo dois: descubra as características não rentáveis dos pedidos dos clientes e aponte-as diretamente para o cliente. Diga: ‘veja bem, isso não faz sentido. É muito caro para mim e provavelmente para você.’ Por exemplo, um cliente costuma fazer vários pequenos pedidos depois os altera. Isso cria um enorme problema para você porque há um custo para colocar todos esses pequenos pedidos no sistema – eles interrompem o fluxo de pedidos maiores. E as alterações posteriores são particularmente inconvenientes, porque não é possível planejá-las. O cliente está mexendo na estrutura de custos de sua empresa. Ele pode ouvir o que você tem para dizer, reconhecer e procurar uma solução junto com você. (p.59). · Você pode aumentar o preço, chamar o cliente e abrir o jogo: ‘não posso mais fazer isso pelo que estou cobrando hoje; quero ser um bom fornecedor para você, mas também preciso que seja um bom cliente para mim. Portanto terei que cobrar mais por esses produtos ou esses serviços para que sejam rentáveis. (...) Se não for possível resolver o problema de modo algum, seja interno ou externo, então o cliente é irrecuperável e você simplesmente deve ser afastar dele. (...) Portanto, você tem três modos de agir e um deles, o último, é deixar o cliente ir embora. Você pode fazer isso aumentando o preço continuamente ou simplesmente dizendo ‘tchau’. (p.60). · A pressão sobre preços é enorme e, na maior parte do tempo, você precisa reduzir cada vez mais o custo daquilo que faz, porque o cliente não está disposto a pagar constantemente mais. Acho que, quando pensa nisso, você deve direcionar seus negócios para serem mais e mais eficientes. Não dê aos clientes o que eles não querem, mas somente aquilo que eles realmente querem. (p.62). Esse não é um processo fácil, selecionar clientes requer informações seguras e bem compiladas e capacidade de tomar decisões, assumindo riscos mesmo em momentos conturbados. Ou alguém acha que é fácil assumir a posição, frente ao conselho diretor da empresa, que alguns clientes não servem mais e precisam ser abandonados. Outra questão importante é, o Código de Defesa do Consumidor deixa claro quais as condutas de uma organização frente a seus clientes, portanto, mesmo não tendo uma norma sobre como abandonar cliente, quando é necessário abandoná-los, isso não pode ser feito de qualquer maneira e, em hipótese algum, o cliente pode ser exposto negativamente ao meio. 5.7 Como Selecionar Clientes Primeiramente, é preciso ter bom senso. Não basta imaginar que os clientes não servem mais e pronto, é necessário ter certeza, ou seja, estar respaldado por estatísticas históricas que mostram a evolução do cliente. Além disso, é importante ter em mente que a informação histórica em caso de clientes novos tende a não ser muito segura, pois, pode não haver tempo suficiente para a construção de um histórico seguro, ou o cliente pode ter mudado, por exemplo, seu padrão de consumo, talvez, justamente o que o levou para o seu negócio. A questão de como selecionar clientes nos leva a uma reflexão sobre o fato de o homem ter sempre dois motivos para tudo que faz: uma boa razão e uma razão verdadeira. No que diz respeito à “boa razão”, pode-se afirmar que a lucratividade está totalmente voltada para esse cenário. E, quando se faz referência a “razão verdadeira”, significa que não se deve modificar as estruturas de atendimento, produção e logística, enfim, todos os processos organizacionais, para atender um outro tipo de cliente apenas (Silva e Zambon, 2006, p.97). Selecionar clientes, portanto, é uma questão de estratégia, a organização precisa conhecer muito bem os clientes que tem para saber quando e porque não são lucrativos ou vice-versa, com isso, pode tomar a decisão de mantê-los ou não. A seleção de clientes é uma medida estratégica porque considera a viabilidade de curto, médio e longo prazos de cada cliente, além disso, precisa considerar o tipo de clientes que os concorrentes possuem para então identificar se é vantajoso ou não empenhar esforços e recursos para atraí-los. Você deve se lembrar de que a questão não é abandonar clientes indiscriminadamente, pelo contrário, se isso realmente precisa ser feito, que seja com o máximo de conhecimento sobre as partes e fatores envolvidos, evitando assim que o cliente se sinta discriminado e ataque à empresa na saída. Todo e qualquer negócio deve ser voltado ao cliente e, principalmente, ser focado nele e nas suas necessidades e desejos, passando, portanto, para o sentido de “foco do cliente” é uma verdade que sempre será defendida e estará entranhada nas organizações, do mesmo modo, que todos concordam que o lucro está diretamente ligado à qualidade dos que se faz e para quem se faz, em outras palavras, bons clientes tendem a ser sempre bons clientes se bematendidos. - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir: 1 - Como você entende e explicaria o processo de seleção de clientes? 2 - Qual a importância da seleção de clientes? (Por que selecionar clientes?). 3 - Segundo os autores Zambon e Lemes de Luccas (Selecionando Clientes que Interessam. _In.: Gestão do Relacionamento com o Cliente, 2006, cap.07), o que você faria para selecionar clientes que interessam e que não mais interessam para a organização? 4 - Disserte sobre a seguinte questão. “Como uma organização pode definir que um cliente não é rentável?” 5 - O que você faria para selecionar quais os clientes que não mais interessam para uma loja de departamentos; para uma concessionária de veículos e para uma rede de fast-food? 6 - Quais são os possíveis riscos em caso de não se ouvir os clientes adequadamente? 7 - Discuta a frase: “Nem todos os clientes sabem o que querem, mas todos declaram querer algo.” 8 - Como (e por que) a miopia de marketing pode atrapalhar muitas organizações? 9 – Discuta qual a relação entre a miopia de marketing e os riscos ao ouvir os clientes? - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Informações adicionais Leia o capítulo 8 (Selecionando clientes que interessam) do livro da bibliografia básica, páginas de 91 a 104 e faça os exercícios para maior fixação dos conceitos. 5.8Exemplo de Exercício Resolvido Questão: Sobre a discussão de haver ou não riscos inerentes ao processo de ouvir os clientes, assinale a única alternativa incorreta. a. Não existe nenhum tipo de risco em ouvir os clientes. b. É necessária muita atenção para ouvir o que os clientes têm a dizer, pois, fazendo isso é sempre possível atendê-los melhor e, consequentemente, lucrar mais. c. A falta de atenção ao que os clientes pensam e tem a dizer pode, literalmente, levar uma divisão, produto ou negócio ao declínio. d. Os clientes podem não saber exatamente o que dizer, mas mesmo assim devem ser ouvidos. e. Existe risco os clientes. Resposta: Letra “A”. Comentário: Naturalmente, é incorreto afirmar que ‘não existe nenhum ripo de risco em ouvir os clientes’, pois, como já é de seu conhecimento, muitos podem ser os riscos nesse processo, especialmente, a incapacidade ou incompetência em compreender e registrar o que o cliente tem a dizer (miopia de marketing). Em caso de dúvida sobre esta questão, recorra ao item “Riscos ao ouvir os clientes” em seu livro texto. Exercício 1: Processo de seleção de clientes refere-se a A um contexto em que não basta tratar apenas de identificar clientes, mas sim, de seleciona-los sob a ótica de identificar quais deles interessam para a organização. Porém, deve ficar claro que se trata de uma realidade complexa que exige muito cuidado para evitar problemas de atendimento, de imagem e até mesmo problemas éticos. B um contexto em que basta tratar da forma de identificação de clientes, e não da seleção efetiva, pois, na ótica do gerenciamento do relacionamento com os clientes, todos os clientes – sem exceção – devem ser mantidos a qualquer custo na organização, em quaisquer setores da economia. C uma atividade por meio da qual as organizações tomam conhecimento das preferências dos clientes e, com isso, fazem campanhas de marketing que relacionem determinado produto a outros para garantir que o cliente comprará mais de um produto e assegurar, assim, o lucro da organização. D uma difícil atividade ética de marketing, pois faz referência ao fato de alguns clientes desejarem receber contato (da organização) diariamente, solicitando a ela tal ação por meio de carta ou telefonema; com isso, cada organização demanda tempo e dinheiro para saber o que dizer a cada cliente, quando dizer e qual a função prática do que será dito. Em outras palavras, o processo de seleção de clientes se refere as modalidades de correspondência emails e cartas – utilizadas para a comunicação com os clientes. E um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas compram aquilo o que necessitam. Exercício 2: “Os clientes nem sempre sabem o que querem.” O afirmado acima é A falso, pois os clientes sempre sabem o que querem comprar. B falso, pois como os clientes geralmente esquecem o que querem comprar, eles acabam comprando qualquer coisa. C falso, pois não representa algo relevante para as organizações. D verdadeiro, mas somente no caso da compra de produtos pouco duráveis. E verdadeiro, uma vez que os clientes, muitas vezes impulsionados pelo interesse de comprar, carregam consigo possibilidades do que comprar, mas não uma certeza. Exercício 3: Segundo os estudos do comportamento dos clientes, os valores e os requisitos mudam com o tempo e são variáveis de cliente para cliente. Sheth, Mittal e Newman (2001, p.93) afirmam que os valores mudam, entre outros motivos, porque as necessidades e os desejos dos clientes individuais alteram-se em virtude de mudanças próprias de seus estágios de vida e de seus recursos. A afirmação acima está A incorreta, uma vez que valores e requisitos não se alteram facilmente, pois as pessoas mantêm estáveis o próprio estilo de vida e as próprias necessidades. B incorreta, porque as mudanças no estilo de vida são inteiramente previsíveis, já que ocorrem em função da idade cronológica. C correta, porque as pessoas (clientes) sabem que é preciso conhecer para decidir-se quanto a uma compra, dado o fato de a alteração nos valores e nos requisitos ser previsível em função das diversas faixas etárias. D correta, uma vez que valores e requisitos podem sofrer mutações por muitos motivos, entre os quais alterações no estilo de vida, aumento de renda, alterações de necessidades, como por exemplo as provocadas pelo nascimento de um filho. E correta, já que valores e requisitos das pessoas mudam, inevitavelmente, todos os dias. Exercício 4: Uma das principais causas de problemas ou erros por parte daqueles que tomam decisões sobre os clientes é seu desconhecimento dos conceitos de marketing de relacionamento e da miopia de marketing. Daí a necessidade de desenvolver estudos sobre o comportamento do cliente e sobre técnicas de gerenciamento do relacionamento com clientes. Isto considerado, assinale a afirmativa que faz correta alusão à miopia de marketing: A Um dos principais erros do marketing é buscar muitas informações sobre os clientes. B Um dos principais obstáculos para que a melhor competência seja atingida ao ouvir os clientes é acreditar que já se sabe, de antemão, o que fazer e como fazer. C Um dos mais graves problemas ao ouvir os clientes é supor que eles sempre dizem a verdade. D Os clientes mentem para as organizações e por isso considera-se miopia de marketing o campo do marketing que comete erros sobre os clientes. E Ouvir clientes é fácil. Difícil é armazenar todas as informações. Por isso foi criado o termo “miopia de marketing”: para justificar um excesso de informação, impossível de arquivar. MÓDULO 6 CANAIS DE ACESSO OFERECIDOS AOS CLIENTES 6. CANAIS DE ACESSO DOS CLIENTES ÀS ORGANIZAÇÕES Objetivo Ao final desta aula, você deverá ser capaz de identificar e avaliar alguns dos canais de acesso dos clientes às organizações, especialmente no tocante a eficiência de tais meios.Além disso, compreenderá a importância da padronização do atendimento prestado aos clientes através dos canais de acesso. 6.1 Canais de Acesso dos Clientes às Organizações Os canais de acesso dos clientes às organizações são os meios através dos quais as organizações recebem os mais diversos tipos de contatos de seus clientes. Seja qualfor a forma desejada de contato dos clientes a empresa é ela que deve estar apta a atender a tal expectativa atendendo ao cliente. Por exemplo, as organizações que buscam submeter suas práticas de gestão a avaliação do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ), tem que responder, entre outras coisas, a seguinte questão: “Como são selecionados e disponibilizados canais de relacionamento para os clientes? Apresentar os canais de relacionamento utilizados pela organização.” (FPNQ, 2004: p.30). Esta exigência, contida numa sistemática de avaliação organizacional tão completa e tão rigorosa com é a avaliação do PNQ, certamente serve para indicar que empresas que buscam a excelência do desempenho devem ter, dentre suas práticas de gestão, práticas que permitam que os clientes se relacionem com a organização, sendo que, para isso, um requisito fundamental é que sejam disponibilizados canais de acesso. Os canais de acesso devem oferecer a possibilidade de receber retorno de todas as pessoas que de alguma forma são impactadas pelos resultados da organização. Uma estrutura eficiente de atendimento ao cliente deve incluir um conjunto de fatores ligados a: infra- estrutura (vias pelas quais circulam as interações do cliente com a empresa) e recursos humanos (todas as pessoas envolvidas em cada uma das etapas do processo de interação). Alguns dos elementos que compõem a infra-estrutura: canais (por onde ingressa, transita e retorna a comunicação com o cliente), formulários e padrões de atendimento (ferramentas por meio das quais são estruturadas, registradas e organizadas as interações com o cliente) e equipamentos e softwares (onde são armazenadas, processadas e consolidadas as interações). (Velardez, 2006, p.106). 6.2 Casos de Canais de Acesso No Quadro a seguir estão reproduzidos alguns casos interessantes sobre canais de acesso que as empresas oferecem a céus clientes, são eles: [1] - o Hospital Taquaral, [2] - a Politeno (ganhadora do PNQ 2002), [3] - a Bahia Sul (ganhadora do PNQ 2001), e [4] - o 7º Ofício (casos para estudo), Vejamos: Quadro – Caso de canais de acesso [1] - Hospital Taquaral [2] - Politeno [3] - Bahia Sul (*) [4] - 7.o ofício SAC – Serviço Apoio ao Cliente Centrais de Atendimento ao Visitas a clientes pela força de vendas; SAC-Serviços de Atendimento ao Telefone (0800 e ramal) Carta Fax Contato pessoal Site na Internet 0800-Disque Ambulância Entrevista de saída Contato do Comitê Executivo com os clientes Cliente (telefone) Programa Fat Line e Fast Line Export (contato eletrônico com senha) Sistema de telefonia via satélite e 0800 (conferência telefônica ou videoconferência) Sistema de telefonia celular Correio eletrônico através da home page Telefones fixos e celulares Linha 0800 Home page / Internet Correio eletrônico Visitas dos clientes Feiras e Congressos Cliente Internet Caixas de Sugestão Telefone Pesquisas periódicas Fonte: Elaborado pelo autor com base no conteúdo publicado pela FNQ sobre as empresas. 6.3 Sobre os Serviços de Telefonia Nos canais de acesso acima mencionados, há um destaque para o uso do telefone. A esse respeito sugiro que você seja consulte o site <www.embratel.com.br> e verificado o que vem a ser cada um dos produtos abaixo: § 0300; § 0800 (verificar quais as semelhanças e diferenças com o 0300); § Call Center 21; § Cesta Vox; § DigiDial; § FreePhone; § Vip-et; § Vip-Phone. No referido site aparece a descrição, os benefícios, a aplicação e casos de sucesso relacionados a cada um dos produtos mencionados. 6.3.1 A respeito do atendimento telefônico Ainda a respeito do uso de telefones, vale reproduzir um trecho do livro Marketing de Relacionamento no Varejo (1999), que aparece no capítulo Como preparar o pessoal de atendimento, de autoria de Maria Aparecida Fonseca, Diretora de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Cia. Brasileira de Distribuição. ATENDIMENTO TELEFÔNICO Acabamos de explicitar quão delicado é o atendimento. Se o atendimento feito pessoalmente, in loco, é delicado, imagine o atendimento telefônico. Ele é ainda mais delicado, pois nesse caso não podemos usar outros recursos de comunicação, como o contato visual, a leitura corporal, o sorriso e todas as outras expressões que, se bem utilizadas, sem dúvida, muito contribuem no atendimento. Geralmente, é muito mais difícil imprimir atenção, interesse, cortesia no contato telefônico, tanto para quem oferece o atendimento com o para quem o recebe. As pessoas também parecem sentir-se menos comprometidas quando não há o contato pessoal. Talvez, por tudo isso, o atendimento telefônico represente hoje um dos principais pontos de atrito no que se refere à formação de boa imagem e relações entre as empresas e os consumidores. Em nossa empresa, não é diferente, e, por ser assim, dedicamos atenção especial a essa habilidade de prestar atendimento via telefone, objetivando capacitar nossos funcionários para melhores níveis de desempenho. Nossa estratégia foi então desenvolver um programa de treinamento: “O primeiro alô, o cliente nunca esquece.” Nossa população-alvo, obviamente, foram às telefonistas, e embora tenhamos trabalhado sobre técnicas de atendimento telefônico, nosso grande objetivo foi sensibilizá-las quanto à importância de seu papel profissional. Assim trabalhamos conteúdos tais como: Conscientização do papel profissional. Como receber uma ligação: - a disponibilidade de linhas - atender no primeiro toque: a prontidão; - identificar-se (seu nome e o da empresa ); - o que revela o tom de voz; - atenção exclusiva àquela ligação, sem atividades paralelas. Como realizar o atendimento telefônico: É trabalhada a importância de imprimir eficiência e cortesia por meio de: - estar bem informado e atualizado sobre o que acontece em uma loja, bem como de que maneira; - conhecer o organograma e os nomes dos responsáveis; - conceito de seção e linha de produtos; - ofertas; - campanhas promocionais; - procedimentos básicos; - tipos de pagamentos aceitos pela loja; - política de troca de mercadorias; - horário de funcionamento; - endereço e telefone de outras lojas (quando houver), dentre outros. A arte de ouvir o cliente implica as seguintes características: - com atenção; - sem interrupção; - anotando dados/recados quando necessário (não se deve confiar na memória) A comunicação clara e precisa é ágil: - a linguagem simples e objetiva; - a utilização de termos técnicos; - as informações corretas; - a ingestão de alimentos durante uma ligação - como minimizar o impacto da espera do cliente no telefone. Outros meios complementam a comunicação: - o uso do telex; - o uso do fax. Finalizando uma ligação: - como encerrar uma ligação, com cortesia e educação; - a importância do retorno, quando persistirem pendências.” (Ângelo, C.F.; Giangrande, V., 1999: p. 62 à 64). Veja que o texto acima ajuda e entender a importância o atendimento telefônico. Ele á sem dúvida uma dos principais meios de acesso dos clientes e aos clientes, é um excelente meio para o desenvolvimento e realização de negócios, desde que seja utilizado conscientemente e com responsabilidade. 6.3.2 A respeito do ombudsman e o exemplo do Pão de Açúcar Não consta do conjunto de canais de acesso dos clientes, apresentado na figura 1 acima, a figura do ombudsman, utilizado por algumas organizações, cujo papel é atender e representar o cliente junto à organização buscando solucionar quaisquer problemas que outros não puderam resolver. Independentemente do segmento que represente, é esperado que o ‘ombudsman’ conheçaseus representados e saiba expor suas expectativas, para melhorar o atendimento que a empresa lhes dispensará; atenda as suas reivindicações dentro de critérios legais, de justiça e das promessas que a empresa explicitou; colha seus elogios, transmitindo-os de forma abrangente, para que sirvam de motivação e reforço às atitudes percebidas como positivas; acolha suas sugestões, passando-as às áreas competentes para estudá-las, dando retorno quanto a sua implantação ou não, sempre explicando por que não podem ser implantadas. (...) Um ‘ombudsman’ não pode confundir-se com um juiz – não sendo essa sua função -, podendo e devendo ser um facilitador ou mediador. (Ângelo, C.F.; Giangrande V., 1999: p.22) Um dos casos mais conhecidos da atuação do ombudsman no Brasil é o do Grupo Pão de Açúcar. Para o grupo, que implantou a figura do ombudsman em 1993, os objetivos dessa função são os seguintes: · Conhecer e atender adequadamente às reivindicações dos clientes no sentido de humanizar a relação entre eles e o Grupo Pão de Açúcar. · Tornar a alta administração do grupo consciente da preocupação, das necessidades e dos problemas das comunidades por ele servidas. · Conscientizar as administrações das lojas da necessidade de solução dos eventuais problemas nas próprias lojas onde são causados, promovendo, assim, uma mudança de cultura de toda a gestão. · Criar um canal direto de comunicação com o cliente, que funcionará como um catalisador de ideias para gerar ações destinadas à plena satisfação do consumidor. · Colaborar para o aumento de padrões de qualidade do atendimento, dos produtos e serviços. · Reforçar a credibilidade do Grupo Pão de Açúcar perante os clientes e o mercado. · Colaborar na preservação e disseminação dos padrões éticos do grupo. Veja a seguir a forma como o Grupo pão de Açúcar descrevia o papel do ombudsman em relação a sua estrutura organizacional: · Será independente, de forma a legitimar seu papel de defensor do cliente Pão de Açúcar. · Terá acesso ao presidente, ao vice-presidente e a toda a diretoria do Grupo Pão de Açúcar. · Acionará os mecanismos disponíveis dentro da empresa para solucionar os problemas em sua origem, descobrir como surgiram e a razão de não terem sido resolvidos em primeira instância. · Não deixará nenhum cliente sem atendimento ou resposta. · Representará o cliente de maneira personalizada junto à alta administração da empresa para atender as suas reclamações, sugestões e dúvidas. · Funcionará como um crítico interno. · Criará um sistema de controle e acompanhamento dos problemas resolvidos e não resolvidos para avaliar a eficiência do programa. · Manterá a diretoria executiva informada de todas as queixas, soluções e dificuldades encontradas no processo. · Alimentará as áreas e divisões da empresa com informações específicas por meio de relatórios, reuniões e visitas de campo. O ombudsman do cliente no Grupo Pão de Açúcar recebeu da empresa a estrutura necessária para o funcionamento, compreendendo quatro assistentes e uma coordenadora, bem como equipamento de telefonia e informática. Coube a coordenadora (ombudsman) o desenvolvimento do software necessário. Seguindo as medidas implantadas na busca por resultados satisfatórios, a ombudsman intitulou sua área de Grupo de Representação do Cliente (GRC), para tornar muito claro ao cliente a que se propõe, em outras palavras, para que toda a estrutura chamada ombudsman (pessoas e recursos) serve. Ressaltou-se ainda que o atendimento é função de todos na empresa, mais especificamente dos integrantes das lojas. A atuação do GRC passou a atuar acolhendo os telefonemas dos clientes, anotando seu conteúdo, contatando a loja ou responsável pela solução e voltando ao cliente num espaço de tempo ideal de 48 horas. E sempre que a solução demanda-se mais tempo, o cliente seria avisado rapidamente. Após a solução do problema apontado pelo cliente, é feito contato com o cliente para medir sua satisfação e, obtida esta, o caso é encerrado. Ao final, é remetida carta do ombudsman, agradecendo a oportunidade oferecida pelo cliente para melhoria das atividades. (...) A partir de 1998, foi implantado o serviço ‘fale com a ombudsman’ no site do Grupo Pão de Açúcar, via Internet. O número de mensagens recebidas cresce rapidamente, em 1999, o número já chegava a trinta mensagens por dia, e todas são respondidas em até 24 horas. (Ângelo, C.F.; Giangrande, V., 1999: p.23 a 25) Informações adicionais Para maior aprofundamento de seus estudos, sugiro a leitura do capítulo 9 (Canais de acesso oferecidos aos clientes) do livro da bibliografia básica. 6.4 Padronização do Atendimento aos Clientes: tratamento das reclamações e das sugestões O tratamento dado às sugestões e as reclamações dos clientes pode representar o quanto a empresa está comprometida com os clientes que possui e em sua satisfação. Por isso, tendo novamente como referência os Critérios de Excelência do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) outra questão que deve ser respondida por organizações que se submetem ao PNQ é a seguinte:Como as reclamações ou sugestões dos clientes, inclusive as obtidas por meio de contatos informais, são tratadas e como é assegurado que sejam pronta e eficazmente atendidas ou solucionadas? (FPNQ, 2004: p.30) Em outras palavras, é muito importante destacar como os resultados das análises dessas informações e as ações implementadas são repassadas para os demais setores da empresa e para os clientes. A qualidade da informação é igualmente importante para as pessoas envolvidas e/ou interessadas nelas, bem como a qualidade o trabalho de divulgação (fazer com que as informações cheguem aos destinatários rápida e integralmente). De nada adianta oferecer canais de acesso para que os clientes possam realizar suas sugestões e reclamações, se estes não receberem um tratamento adequado. É disso que trataremos a seguir. 6.4.1 Tratamento de reclamações Sugere-se uma acurada análise dos extratos dos Relatórios de Gestão da Politeno, Bahia Sul, Hospital Taquaral e 7.o ofício, que aparecem na próxima aula (Modulo 03 – Aula 15), pois, permitirá o conhecimento de conjunto de práticas que podem ser adotadas para o registro e tratamento de reclamações. Em síntese as práticas de tratamento de reclamações tendem a envolver: · Recebimento e registro das reclamações. Cabe às organizações definir a quem compete receber reclamações. Pode ser somente um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) ou qualquer pessoa que faça interação com os clientes. O importante é que haja registro da reclamação em formulário próprio, onde se possa identificar o reclamante e a reclamação. Na Bahia Sul, por exemplo, utiliza-se o Relatório de Atendimento ao Cliente (RAC). Afora isso, deve existir, sempre, um ou mais órgãos responsáveis pelo recebimento e tratamento das reclamações. · Análise da procedência de cada reclamação. Nem sempre os clientes têm razão, motivo pelo qual nem todas reclamações são procedentes. Compete à organização designar pessoas competentes para saber avaliar a procedência ou não de uma reclamação. No caso de reclamações não procedentes, deve-se dar retorno ao cliente, justificando a não procedência. · No caso de reclamações procedentes. Dever-se buscar classificá-las segundo o grau de dificuldade / gravidade dos problemas apresentados. Problemas mais simples e rotineiros devem ser, quando possível, resolvidos pelos próprios agentes do atendimento. Problemas mais complexos podem exigir a criação de “grupos de trabalho” para análise e solução de cada problema. Regra geral estes grupos devem seguir métodosespecíficos de análise e solução de problemas (como é o caso, por exemplo, do método MASP – Método de Análise e Solução de Problemas – que têm uma sequência específica e um conjunto de ferramentas adequadas para cada etapa da sequência). · Deve-se fixar um mínimo tempo ideal para a solução dos problemas. Como, exemplo: 24 horas ou 48 horas como tempo máximo de resposta. Caso alguns problemas demandem tempo superior ao mínimo desejado, o cliente deverá ser informado. · Resolvido o problema, o cliente deve ser informado. Lembre-se, por exemplo, do caso do Pão de Açúcar que trata do ombudsman, onde não só se informa o cliente das medidas relacionadas à sua reclamação, como também se avalia sua satisfação em relação às soluções adotadas. · As reclamações e as respectivas soluções devem ser registradas. Em algum banco de dados da organização as informações são constantemente analisadas por órgãos competentes (da própria organização ou externos se for necessário), de forma abrangente. O objetivo é o de tomar medidas voltadas para a redução do número de reclamações combatendo-se as causas geradoras das mesmas, geralmente com a proposta de medidas que buscam evitar sua ocorrência ou sua rápida e eficiente reparação se ocorrerem. · Informar as diferentes áreas da organização. É recomendável que as diferentes áreas da organização sejam informadas a respeito das reclamações recebidas e das providências tomadas, com o objetivo de se evitar fatos geradores de outras reclamações. Além disso, tal medida torna claro para todos os funcionários quais procedimentos foram adotados pela organização para solucionar os problemas, fato que acaba preparando os demais envolvidos a auxiliar os clientes em eventuais problemas solucionando-os rapidamente. 6.4.2 Tratamento de sugestões, dúvidas ou solicitações Procedimentos similares aos das reclamações devem ser dados às sugestões dadas pelos clientes: registro, definição de responsáveis, definição de tempo de resposta e feedback (retorno) aos clientes, são práticas desejadas. O mesmo deve acontecer no que trata de esclarecimentos de dúvidas e solicitações (principalmente de informações). Lembre-se que o que é fundamental em qualquer atendimento a sugestões, dúvidas ou solicitações, assim como reclamações é o bom sendo. Dizer a verdade, registrar o ponto de vista do cliente, estabelecer prazos, dentre outros, não adiantarão de nada se o atendente/respondente não for preparado para lidar com o cliente. Lembre também que, em muitos momentos, os clientes encontram-se exaltados, cansados e indignados com situações cujo erro não é de sua responsabilidade, ou pelo menos, eles pensam que não é. A atenção e a cautela redobradas nesses momentos podem evitar que se perca um bom cliente e, pode até torná-lo um cliente ainda melhor para a organização. Clientes não gostam de surpresas desagradáveis, gostam sim de soluções e agilidade. Mudar as regras constantemente é, sem sobra de dúvida, uma das coisas que mais pode desagradar um bom cliente. Informações adicionais Leia o capítulo 10 do livro da bibliografia básica para mais explicações e complementações. 6.5 Estudos de Caso a. COMO A DISNEY ESCOLHE AS PESSOAS CERTAS Por: Tom Connellan (com adaptações) -Vejamos – disse Mort, revisando seu bloco de anotações. – O próximo a falar será a pessoa que tem as maiores orelhas Cada um olhou a dos outros. - Ah, sim – disse Judy. Ela vasculhou sua bolsa e pôs as grandes orelhas redondas em sua cabeça. - Você me deixou preocupado – disse Alan. – Ainda não estava pronto. Os outros riram enquanto Judy abria sua agenda. - Certo – disse. – Antes de tudo, não é segredo que, para mim, a Disneyworld é um lugar fantástico. Passei semanas entusiasmada com a perspectiva desta visita. “Mas o que nunca contei para ninguém é que um dos meus sonhos sempre foi me tornar membro do elenco (casting). Estive aqui três vezes antes, e em todas elas nutri o desejo secreto de me candidatar. “Assim, decidi fazê-lo nesta manhã. Que momento seria melhor para ver se meus sonhos poderiam se tornar realidade? Foi o que fiz.” - Bem, isso é que é mostrar entusiasmo! – exclamou Alan. - Você pediu emprego aqui? – perguntou Mort. - Lógico! Só me senti um pouco culpada porque sabia que nunca iria trabalhar de fato aqui. Afinal, tenho um ótimo emprego e não iria pedir a minha família que deixasse suas raízes e se mudassem para cá. Mas sempre tive curiosidade de saber se iria conseguir. Sabe como é. - Sim, creio que sei – disse Mort. – E o que aconteceu? - Bem, fui até um membro do elenco e perguntei a ela onde poderia obter informações a respeito de empregos no Magic Kingdom. Ela me orientou, e quando apontou o caminho que deveria tomar, percebi que o fez com dois dedos em vez de um. Assim. – Ela ergueu o braço e mostrou como era o gesto. – Ora, vi que você fez isso outro dia, Mort, e, embora tivesse achado estranho, não pensei muito no caso até ver uma pessoa fazê-lo também. “Por isso, perguntei-lhe o motivo para os dois dedos. Ela explicou que havia duas razões. Primeiro, é mais fácil manter o braço reto com dois dedos, o que facilita a orientação. Experimentem.” Todos experimentaram apontar com um e com dois dedos e concordaram que com dois dedos era melhor. - A outra razão – disse Judy -, é que em algumas culturas não é educado apontar com um dedo, chegando mesmo a ser considerado um insulto. É apenas um pequeno detalhe, mais importante. “Bem, cheguei na Central Casting, a central de escalação do elenco. Ah! E o motivo pelo qual um funcionário é chamado de membro do elenco é porque ele não é contratado, mas entra para participar de um elenco em seu papel respectivo. Outro exemplo de como tudo mostra entusiasmo. A primeira coisa que notei foi uma maçaneta de latão na forma de uma cabeça de taturana, retirada de Alice no País das Maravilhas. Tive a mesma sensação de quando era garotinha e assisti ao desenho animado pela primeira vez.” - Lembro-me de você ter dito que tudo mostra entusiasmo, Mort. Essa maçaneta é um bom exemplo. Poucos convidados chegarão a vê-la, não é exatamente para que eles notem que a maçaneta está naquele lugar. É para prováveis membros do elenco. Pergunto-me quantos deles já perceberam a maçaneta, lembraram do filme e sentiram a mesma onda de saudades que eu. Aposto que isso é um bom componente da magia de trabalhar aqui. “Comecei então a compreender como essas coisinhas vão se acumulando. Sabe, Mort, eu achava que compreendia o que você estava dizendo antes, mas depois que vi a maçaneta de Alice no País das Maravilhas, realmente comecei a compreender. Depois, um dos membros do elenco me disse que a maçaneta fora colocada ali para deixar os candidatos à vontade, mostrando-lhes que tudo mostra entusiasmo. Assim, acho que ela conseguiu atingir exatamente o seu intento. Comigo, funcionou mesmo! “Decidi que seria melhor tirar meu crachá para que as pessoas não ficassem perguntando porque um convidado especial estaria se candidatando a trabalhar aqui. Depois, fui em frente. Passei por um corredor e cheguei a uma sala circular repleta de estátuas de personagens Disney. Percebi que todos estavam pintados de ouro – tal como o carrossel de que você nos falou. Não saberia a diferença, e por isso presumo que se tratava de tinta de ouro 23 K. Devo dizer, Mort, que suas conversas conosco realmente me ajudaram a perceber todos esses detalhes. Se não fossem elas, provavelmente não os teria notado. “Depois, fui até a recepcionista e disse que queria me candidatar. Não sabia o que esperar, mas já havia muitos candidatos por ali, e em pouco tempo levaram-nos para uma sala onde apresentaram um vídeo de alguns minutos. Falava tudo sobre as condições básicas de empregoe coisas assim. “Foi bem objetivo quanto aos elevados padrões que a Disney espera dos membros do elenco. A pessoa que estava nos acompanhando disse que depois de assistirmos ao vídeo provavelmente iríamos achar que ser um membro do elenco da Disneyworld era tudo o que queríamos, ou então não seria algo para nós. Disse que, se não nos sentíssemos encaixados, ninguém iria ficar ofendido se não prosseguíssemos. “Sabe o que aconteceu? Das 25 pessoas que estavam na sala, quatro se levantaram e saíram logo após o vídeo. A princípio fiquei espantada, mas depois percebi que era apenas bom senso. Este não é um lugar para todos. Você pode ser muito talentoso, pode ser um gênio, mas se você precisa se esforçar para manter um sorriso no rosto, vai acabar ficando maluco aqui. O vídeo ajudou algumas pessoas a se selecionarem antes que perdesse mais tempo, e desperdiçassem o da Disney, com entrevistas. “Fiquei, e em pouco tempo fui chamada para entrevista que durou uns 30 minutos.” Judy ficou quieta. Os outros ficaram olhando para ela. - E então? – perguntou Carmen. Judy sorriu. - Consegui. - Ofereceram-lhe emprego? – perguntou Bill. - Com certeza! - Muito bem, Judy! Mas você ia dizendo... - disse Mort. - Sim, é claro que não poderia aceitar, Mort. Contei-lhes que estava me sentindo um pouco culpada por desperdiçar o tempo deles, e por isso, assim que ofereceram emprego, disse logo que não poderia aceitar, pois estava apenas pesquisando. Mostrei-lhes a carta e o crachá. Disse onde trabalhava e o que fazia. Também disse que gostaria de conhecer melhor seus métodos de seleção e contratação. “Disse que me sentia honrada por ter recebido a proposta, especialmente depois de ter aprendido tanto nos últimos três dias sobre o significado de ser um bom membro do elenco. Eles não ficaram nem um pouco aborrecidos, e disseram que teriam prazer em permitir que eu continuasse o processo. Pareciam até contentes com meu interesse no modo como faziam as coisas. Fizeram com que me sentisse melhor”. “O passo seguinte foi uma apresentação sobre benefícios. O entrevistador estava prestes a fazer uma pausa e por isso se ofereceu pra ficar comigo, explicando o processo. Eis o que ele me contou. “No final da entrevista, pode acontecer uma dessas três coisas. Uma: você recebe uma oferta. Duas: dizem-lhe que você não é um candidato muito forte no momento e relacionam os motivos. Três: dizem-lhe que você é um candidato bem forte, mas que não há cargos em aberto no momento e que podem chamá-lo no futuro. “Os entrevistadores fazem rodízio em um período que varia de nove a doze meses, e, juntos, entrevistam 75 mil pessoas por ano. “Depois, vem treinamento. O primeiro é o Tradições, que todos nós conhecemos. Mas isso é apenas o começo. Depois dele, o treinamento que você recebe depende da área a qual você vai, se de hotéis, parques etc. É um treinamento mais especializado. “Depois, os novos membros do elenco recebem de três a cindo dias de treinamento individual, após o que passam por uma verificação final. Nesse ponto, o treinador decide se o novo membro do elenco necessita ou não de mais treinamento antes de ir para o ‘palco’. A última coisa que querem é alguém no palco antes da hora.” - É um treinamento extenso – disse Bill, olhando para Mort. - É verdade – admitiu Mort -, mas também é crítico. Para cada cem dólares de remuneração, as empresas de nível internacional investem cinco ou seis dólares em treinamento. Segundo tenho visto, empresas que incentivam o crescimento de seus funcionários têm maiores lucros. Empresas que desestimulam seus funcionários reduzem suas chances de lucros. Assim, analise o investimento que sua empresa está fazendo nas pessoas para ver se é suficiente. - Ainda há mais – disse Judy, folheando seu bloco de anotações. – Bill, lembra-se daquela bilheteria? Você vai gostar desta. Ticket Takin and Selling (Recepção e Venda de Ingressos) é um curso de duas semanas. Duas semanas! Não era à toda que aquele membro do elenco sabia dizer: “Bem-vinda de volta, Mary.” “Agora, escutem esta! O membro do elenco com quem eu estava conversando trabalhava no Atendimento ao Convidado. O curso de Atendimento ao Convidado também leva duas semanas. Mas o melhor vem agora. Ele disse que o exame para esse curso de duas semanas leva de quatro a seis horas, e foi mais difícil do que as provas de direito constitucional que ele fez na faculdade. Difícil é isso! “Os membros mais experientes do elenco também recebem outros treinamentos. Durante a Career Enhancemente Week (Semana de Aperfeiçoamento da Carreira), você pode ter uma aula chamada Futuras Carreiras, na qual fica conhecendo novas oportunidades que estão surgindo na Disneyworld, e como se preparar para elas.” “Depois, há um curso chamado Wish upon a Star (Peça a uma Estrela), uma espécie de aula sobre motivação. Ali são oferecidas maiores informações sobre a história de Walt Disney. Sobre seus sonhos. E como seus sonhos são importantes. Mostra também como você faz a diferença. Ajuda cada membro do elenco a compreender que ele ou ela faz parte da produção do espetáculo. “Mas o programa de treinamento de que mais gostei foi o We’ve Come a Long Way, Mickey (Foi Longo o Caminho, Mickey). Foi feito para pessoas que já são membros do elenco há muito tempo e ainda não tiveram uma boa oportunidade para sair e ver como as coisas mudaram. Podem ter acrescentado dois hotéis, cinco restaurantes e três atrações desde que você fez o Tradições. Você se afasta de suas atividades e tem três dias de aula, boa parte dos quais você passa percorrendo o parque para ver o que há de novo, de diferente. É educativo, mas também é uma oportunidade de revitalização, de evitar monotonia e a falta de motivação. “Treinamento, treinamento. Estou sendo um pouco repetitiva, não? Mas o que estou querendo dizer é que tive a chance de realizar meu sonho de me tornar membro do elenco, e aprendi muito sobre a quantidade de treinamento necessária para ser um bom membro do elenco. Foi muito interessante. “Quando cheguei aqui, simplesmente presumia que as pessoas eram contratadas e recebiam um ou dois dias de orientação, e depois eram designadas a esta ou aquela vaga disponível. Sabe como é, contrate um bom profissional e deixe-os fazer o que precisam. Mas descobri que fazer com que o convidado se divirta exige muito planejamento, treinamento e esforço. “Se tivesse de resumir isso tudo – é nós, do Sul dos Estados Unidos, não somos conhecidos por isso – diria que convidados felizes não são fruto de acasos felizes.” Frenéticos, Alan e Carmen faziam anotações, tentando acompanhar o que ela dizia. - Vou dizer o que diria à minha empresa: clientes fiéis não são fruto de acasos felizes. São fruto de planejamento detalhado, trabalho impecável de equipe e execução a toda prova. Que tal? - Ótimo, Judy – disse Mort. – Agora, poderia dizer como planeja transformar tudo em ação? - Bem, estive bastante ocupada ouvindo e aprendendo, mas, sim, pensei em algumas coisas... “Sempre analisei a parte pessoal das equações, quase nunca estudei os sistemas. Imaginava que pudéssemos motivas as pessoas a fazer qualquer coisa. Agora, porém, vejo que é preciso contar com sistemas para dar apoio às pessoas desde o princípio. “Assim, a primeira coisa que farei será redefinir o modo como contratamos nossos funcionários de atendimento ao cliente. Sempre fiz essas contratações por meio de entrevistas pessoais, cara a cara. Hoje, enquanto caminhava, percebi que nossos clientes nunca se defrontam com esses funcionários. O contato com eles dá-se por telefone. Bem, há pessoas que causam boa impressão quando são vistas, mas nem tanto quando falam ao telefone. Portanto, de hoje em diante, minha primeira entrevista com todos eles será telefônica. Desse modo, posso ter com o candidato o mesmotipo de contato que o cliente tem. “É claro que ainda irei entrevistá-lo cara a cara, pois há coisas que se descobrem em entrevistas pessoas que nunca serão descobertas ao telefone. Mas vou usar a entrevista telefônica como etapa inicial. “Também tentei pensar em algumas perguntas que poderia fazer para ter uma idéia melhor do modo como as pessoas realmente se comportam. Tenho feito perguntas padronizadas e recebido respostas pré-fabricadas. Eis algumas das novas perguntas que idealizei...” Judy pigarreou para limpar a garganta e leu as perguntas para o grupo. “Houve alguma ocasião em que um cliente pediu algo pouco razoável? Como você resolveu o problema? “Sei que ocasionalmente fico aborrecida quando tenho que lidar com um cliente zangado. Você já teve experiências com clientes difíceis. Como lidou com eles? “Fale-me de uma ocasião em que você fez mais do que o normal para atender um cliente. “Ao chegar aqui hoje, o que, daquilo que fazermos no atendimento ao cliente, achou realmente bem feito? Em que precisamos melhorar? “De que mais gosta no trabalho de contato com o cliente? “De que menos gosta no trabalho de contato com o cliente?” Ela olhou para seus amigos e prosseguiu. - Esta é a melhor de todas: “De vez em quando, todos se cansam da pressão causada pelo contato com o público. O que você faz para se manter alerta, tranquilo e entusiasmado? Como lida com o estresse do contato com a clientela?” Judy cobriu o bloco de anotações com a mão disse imaginar que não havia respostas prontas para essas perguntas. As pessoas precisam me dar respostas verídicas e situações verídicas que irão enfrentar em seu trabalho. Aposto que, como essas, há centenas de boas perguntas que eu poderia fazer, mas já é um começo. - É um ótimo começo! – exclamou Carmen. – Posso tirar uma cópia dessa lista? - Claro, vou datilografá-la quando voltar para o escritório e lhe mandarei uma cópia. – Ela olhou para os outros. – Alguém mais gostaria de uma cópia? Cinco pessoas disseram que sim, inclusive, Mort e Don. - Podem deixar – disse Judy. – Por falar nisso, ainda não recebi os cartões de visita de todos. O meu está aqui. – Ela deu um cartão para cada um. “Outra coisa que vou começar a fazer é o pré-recrutamento. Tenho um amigo que sempre leva muitos cartões de visita onde quer que vá. Quando alguém lhe presta um bom serviço, seja em restaurante, um supermercado ou uma lavanderia, meu amigo dá à pessoa um cartão, diz que esta sempre procurando pessoas de valor, e avisa que, se um dia a pessoa estiver à procura de emprego, deve telefonar para ele. Ele diz que conseguiu alguns de seus melhores funcionários dessa maneira. Vou tentar fazer o mesmo.” - Assim, é isso que vou fazer, em função do que aprendi sobre o modo como a Disney contrata seu pessoal. É claro que não vou fazer exatamente o que a Disney faz, pois nossas necessidades não são as mesmas. Mas vou embutir o conceito de sistemas no modo como fazemos contratações. “E fiquei realmente impressionada com a quantidade de treinamentos dados aqui. Oferecemos alguns cursos e isso funciona, mas poderíamos fazer muito mais. Por isso, vou desenvolver algumas ideias para incrementar o treinamento. Alguns serão treinamentos normais e outros informais. “Posso, por exemplo, chamar uma equipe de oito a dez funcionários de atendimento ao cliente uma vez por semana e pedir-lhes que falem de modo c Omo lidaram com os piores telefonemas. Eles formam a linha de frente do contato diário com os clientes, sei que enfrentam situações difíceis, e sei que conseguem resolvê-las. Mas nunca repartimos esses conhecimentos, nem os incluímos em nosso modo de trabalhar. A forma como nosso melhor pessoal lida com situações difíceis nunca é passada para o papel. Vamos começar a fazer isso. “A seguir, vou começar a estudar outros sistemas. Se a Disney pode usar computadores portáteis para entrevistar as pessoas, então deve haver maneiras de se utilizar melhor a tecnologia. O pessoal que lida com sistemas de informações tem me falado muito de algo a que chamam de middleware. Nunca me esforcei para compreender isso. Mas hei de fazê-lo.” - Middleware é...- começou Alan, mas Judy sequer reduziu a sua velocidade. - Também vou enfatizar bastante aquela lição sobre concorrentes. Como todos sabem, as empresas concessionárias estão tendo dores de cabeça com tantas privatizações e com as novas formas de concorrência. Ficamos falando sobre a importância do serviço ao cliente porque é a única coisa que realmente nos diferencia de outras empresas fora de nosso setor. Tenho de transmitir essa mensagem a todos. Ela esperou para ver a reação do grupo, mas todos ficaram em silêncio. - Bem, creio que era isso – riu. – Ah! Quase me esqueci. Decidi que vou registrar a ideia do Premio Radar O’Reilly. b. A LEALDADE COMO FILOSOFIA Por: Frederick F. Reichheld Nesta entrevista, o “guru” Frederick F. Reichheld explica a estratégia defendida por ele em seu último livro, Princípios da Lealdade, e mostra quais regras seguir para implementá-la. Sinopse · Para Frederick Reichheld, a lealdade é o combustível que impulsiona o sucesso financeiro, especialmente em períodos de incertezas – econômicas e de outros tipos. O especialista em fidelização acredita que a única maneira de uma empresa desenvolver uma base de clientes fiéis é construir relacionamentos a partir de em sólidos compromissos com os funcionários responsáveis pelo atendimento a esses clientes. Isso é o que fazem as companhias que Reichheld chama de “líderes em lealdade”. · Essas empresas são as que superam o desempenho de seus concorrentes no mercado acionário durante os anos 90 – como a locadora de automóveis norte-americana Enterprise Rent-a-Car e a administradora de fundos de investimentos Vanguard, entre outras citadas. Uma pesquisa da firma de consultoria Bain & Company foi a primeira a revelar que um mero aumento de 5% em retenção de clientes é responsável por um crescimento de 30% a 40% na rentabilidade vitalícia gerada por um cliente em setores como os de software e de construção civil e de até 90% nos serviços financeiros e publicidade. · Nesta entrevista, o especialista afirma que a lealdade serve de marco para estabelecer as metas de um negócio e a forma correta de medi-las. Ele sugere quais são as principais regras em que os executivos devem se concentrar inicialmente ao implementar uma estratégia da lealdade – que não é igual a programa de fidelização, como enfatiza Reichheld – e destaca o passo fundamental, que ele chama de “acid teste”,ou “prova de fogo” numa tradução livre do inglês. A entrevista é de William Finnie e Robert M. Randall, editores da revista Strategy & Leadership. Como os executivos encaram sua abordagem da lealdade? Eles a consideram uma estratégia de marketing, uma estratégia para lidar com as pessoas ou uma estratégia corporativa? As três. Trata-se, na verdade, de uma filosofia da liderança que tem implicações sobre como as empresas lidam com seus funcionários, como administram seu marketing e como tratam seus clientes. Fundamentalmente, Princípios da Lealdade (Loyalty Rules!, em inglês) é um livro sobre liderança. A lealdade é a melhor forma de saber se um líder está alcançando resultados financeiros por meio do sucesso de funcionários e clientes ou à custa deles. Como a lealdade se encaixa na discussão sobre estratégia que vem sendo desenvolvida desde o primeiro livro do especialista em estratégia Michael Porter em 1980? Pode-se dizer que é uma estratégia genérica? Acho que, mais do que estratégia, a lealdade é uma estrutura para a empresa pensar sobre seus objetivos e como mensurá-los. Certamente, é necessário ter estratégias e táticas para alcançar as metas. O pressuposto básico da estrutura da lealdadeé a ideia de que a tarefa de uma empresa é atender aos interesses do consumidor final por meio da construção de uma rede de relacionamentos mutuamente benéficos. Como na teoria capitalista há uma predominância de medições contábeis, muitas pessoas se esquecem dos relacionamentos e partem do pressuposto de que a tarefa da empresa é maximizar os lucros. Essa é uma via de mão única. Quando presume que sua principal tarefa é obter vantagens em cima de clientes e funcionários vulneráveis, apertar desnecessariamente os fornecedores, construir sua força no mercado e utilizar esse poder para se aproveitar de outras partes do sistema, a empresa está trilhando um caminho que será rentável, mas por pouco tempo. Os elementos comuns das estratégias da lealdade de que o sr. Trata em Princípios da Lealdade estão resumidos em “Os oito elementos de uma estratégia da lealdade” (Veja o quadro). Há elementos que se concentram nos clientes e outros concentrados nos funcionários. O que deve vir primeiro, funcionários ou clientes, ou tudo deve ocorrer simultaneamente? Os oito elementos de uma estratégia da lealdade, segundo Reichheld 1. Desenvolva uma proposta de valor superior para o cliente. Forneça uma proposta de valor que ofereça aos clientes-chave um valor efetivamente superior quando comparada às ofertas dos concorrentes. 2. Identifique os clientes certos. Saiba quem são os clientes-alvo e desenvolva sistemas para uma aquisição seletiva. A conquista dos clientes certos geralmente depende mais do magnetismo da proposta de valor e das indicações que ela gera do que de habilidades excepcionais de venda. 3. Conquiste a lealdade dos clientes. Trate os clientes como ativos e faça de todo o possível para retê-los e aumentar seu valor vitalício. Prepare políticas de preço, linhas de produto, incentivos aos funcionários e níveis de serviços que reforcem a lealdade dos clientes. 4. Identifique os funcionários certos. Seja tão seletivo ao escolher funcionários quanto ao escolher clientes. Busque pessoas de caráter, que compartilhem os valores da empresa e tenham o talento e as habilidades para alcançar uma produtividade superior. 5. Conquiste a lealdade dos funcionários. Invista pesadamente no desenvolvimento e treinamento de funcionários e construa progressões de carreira e estruturas organizacionais que lhes possibilite a aproveitar ao máximo sua formação e suas habilidades. 6. Ganhe vantagem de custos por meio da produtividade superior. A produtividade superior permite aos funcionários receber salários acima da média e às empresas manter custos mais baixos como porcentagem da receita. 7. Identifique os investidores certos. Em geral, significa estruturas de capital não- tradicionais, como propriedade mútua ou privada. Para as empresas de capital aberto, os investidores certos são aqueles predispostos a manter relacionamentos de longo prazo e que acreditam que só prosperam quando clientes e funcionários também prosperam. 8. Conquiste a lealdade dos investidores. Os membros do alto escalão só prosperam quando os demais integrantes da empresa prosperam. Os investidores precisam ter um retorno justo de suas aplicações antes do pagamento de qualquer gratificação aos dirigentes. Os executivos conquistam a lealdade dos investidores tratando o dinheiro deles da mesma maneira com que tratam o seu. Há dois pontos de vista. Alguns acreditam que não podemos dizer que um grupo de partes interessadas é mais ou menos importante que qualquer outro grupo. Se quiser obter a lealdade, a empresa precisa manter relacionamentos mutuamente benéficos. E não é possível existir clientes leais sem funcionários leais. No entanto, na prática, embora os benefícios financeiros obtidos com a lealdade dos clientes sejam mais óbvios, os líderes precisam, primeiro, garantir a lealdade de seus funcionários. É por meio deles que se consegue mudar a experiência dos clientes. Descobrimos que metade de todo os funcionários da linha de frente das empresas norte- americanas não acredita que a organização mereça sua lealdade, e são essas pessoas que lidam diariamente com os clientes. Nenhum investimento em tecnologia, nenhum truque de marketing e nenhum sistema de milhagem podem superar a barreira de ter metade de seus funcionários achando que não pode confiar na empresa, que ela não fala a verdade e que não recompensa o comportamento leal. O que o sr. chama de lealdade não é o que os profissionais de marketing denominam programas de fidelização, certo? Estes são, na verdade, programas de incentivo? Sim, alguns deles são ótimos programas de incentivo. Minha intenção não é depreciá-los. Alguns programas de milhagem são brilhantes, apropriados e recompensam a lealdade. No entanto, muitos deles são triviais e simplesmente não recompensa a lealdade. Não passam de truques para obter o máximo valor da base de clientes. Acredito que, em geral, o marketing da lealdade aviltou o termo. Lealdade significa trabalhar com uma empresa no longo prazo porque clientes, funcionários e acionistas têm orgulho de estar associados a ela. E, quando ela não oferece o melhor valor, as pessoas acreditam que, se fornecerem o feedback apropriado, a organização resolverá o problema, uma vez que está comprometida com a manutenção de um relacionamento de longo prazo. Como os relacionamentos leais se traduzem em redução de custos? Comparemos o custo de atender um cliente antigo e conquistar um cliente novo. Em uma ampla faixa de empresas, os clientes geram lucros crescentes cada ano que compram de uma empresa. Por quê? Os clientes que retornam tendem a comprar mais de uma companhia ao longo tempo. Com isso, os custos operacionais para atendê-los se tornam menores e, o mais importante, eles recomendam a empresa a outras pessoas. Muitas vezes, eles estão dispostos a pagar um preço mais alto para continuar a comprar dela em vez de mudar para um concorrente com o qual não estão familiarizados ou não se sentem à vontade. Obviamente, nem todo cliente é rentável. A teoria da atratividade econômica dita que as organizações segmentem os clientes para identificar os grupos que apresentam esse potencial e direcionem seus investimentos à construção de relacionamentos. O sr. pode dar exemplos? Vejamos o caso da Vanguard, empresa líder em custos do setor de fundos de investimentos nos Estados Unidos. Quando Jack Brennan foi eleito seu presidente em 1996, os custos do principal produto da Vanguard, o S&P 500 Index Fund, representavam apenas 0,20% de seus ativos. Em 1999, esse percentual baixou para 0,18% - uma melhoria de 10%. Um dos motivos foi que Brennan, como seu antecessor; Jonh Bogle, está comprometido com a retenção de clientes. A paixão de Brennan é selecionar os tipos certos de clientes desde o início, aqueles com alto potencial para relacionamentos de longo prazo. Por exemplo: há alguns anos, a Vanguard recusou um novo investimento institucional que queria investir US$ 40 milhões em um fundo porque suspeitava que o investimento seria de curtíssimo prazo, o que geraria custos extras para toda a base de clientes. Os “líderes em lealdade” também reduzem seus custos construindo relacionamentos de confiança com os funcionários. É o caso da Chick-fil-A, cadeia de restaurantes fasto-foods que dominou com tanta eficácia os aspectos econômicos da lealdade de funcionários que até pode permitir que seus franqueados sejam remunerados pelo dobro ou triplo da media do setor; ao mesmo tempo que geram recursos suficientes para fazer a rede crescer e contribuir com 10% dos lucros para obras de caridade. Clientes, funcionários, fornecedores, distribuidores, parceiros nos canais de distribuição, enfim, praticamente todas as partes interessadas leais de uma empresa são batalhadoras em potencial pela redução de custos. Quando a empresafacilita a operação de um fornecedor sendo flexível quanto a datas de entrega, por exemplo, é bastante provável que ele retribua a gentileza e seja mais flexível na hora de atender a uma necessidade especial dela. E, com o tempo e maior confiança, também é quase certo que esse fornecedor se mantenha leal à empresa, mesmo que um concorrente lhe ofereça um contrato de curto prazo mais atraente. Assim, as duas partes reduzem seus custos e, se a companhia estiver atenta, poderá maximizar a eficiência de suas transações ao mesmo tempo em que amadurece o relacionamento. O sr. acredita que o conceito “as pessoas em primeiro lugar” se torne um paradigma? As “pessoas” vêm antes da estratégia? Sim, e não apenas as pessoas do alto escalão. Se a empresa não contrata funcionários para a linha de frente com os valores e as prioridades adequados, não há como fazer com que eles tratem os clientes corretamente, mesmo dispondo do melhor programa de incentivos do mundo. É preciso contratar o tipo certo de profissional talentoso; caso contrário, o produto não terá qualidade. Além do mais, as estratégias não podem permanecer estáticas na maioria dos setores de atividade, já que hoje a turbulência tornou-se a norma. São as pessoas que precisam modificar e adequar as estratégias à medida que o ambiente em que atuam se transforma. A estratégia é inútil sem pessoas de alta qualidade. Os seis princípios da lealdade, segundo Reichheld 1. Jogue para que todos ganhem. Lucrar à custa dos parceiros é o atalho para um beco sem saída. O foco incansável no valor para o cliente cria as condições para a confiança. Não desperdice recursos em negócios e clientes nos quais você não pode ser o melhor. 2. Seja seletivo. Participar é um privilégio. Transforme o recrutamento em prioridade. Seja seletivo sobre quem não sai do lugar e quem é promovido. Seja igualmente seletivo ao escolher seus clientes. Identifique a fonte de clientes leais. Reformule seu marketing e crie programas que gerem clientes leais. 3. Não complique. A complexidade é inimiga da rapidez e da resposta rápida. Mantenha seus registros estáveis e simples. Organize sua empresa em equipes pequenas para maximizar a responsabilidade, a flexibilidade e a prestação de contas. Enxugue a matriz e continue “alérgico” à hierarquia. 4. Recompense os resultados certos. Parceiros valiosos merecem metas valiosas. Mensure a retenção dos clientes e funcionários certos. alinhe os incentivos recompensando a criação de valor, não a conquista de valor. Faça as pessoas aspirar ao melhor possível eliminando os tetos dos incentivos. Recompense os clientes leais. 5. Ouça com atenção, fale sem rodeios. Os relacionamentos de longo prazo exigem franqueza, comunicação de mão dupla e aprendizado. Mantenha seus parceiros a par de tudo que estiver acontecendo. Utilize menos e melhores pesquisas e conecte-as às ações. 6. Pregue o que você pratica. As ações falam mais alto do que palavras, mas, juntas, elas são imbatíveis. Coloque seus princípios no papel e dissemine-os com paixão. Quais são os princípios da lealdade em que os executivos devem concentrar-se inicialmente para, então, implementar uma estratégia da lealdade? Meu conselho aos líderes é, antes de qualquer coisa, fazer o que eu chamo de “acid test” [prova de fogo]. É preciso uma enorme coragem para perguntar a clientes e funcionários se eles acreditam que a empresa merece sua lealdade. No entanto, se quiserem melhorar, precisam enfrentar a verdade. Por quê? Porque, antes de saber exatamente qual a situação da companhia quanto aos relacionamentos-chaves, não há como aperfeiçoá-los. A prova de fogo esclarece quais das diversas regras os lideres estão violando mais escandalosamente, pelo menos na cabeça dos parceiros. Muitas vezes eles nem acreditam que as estejam violando. Entretanto, se um parceiro acreditar que o líder está quebrando as regras, a base da lealdade poderá ruir. Quando aos princípios da lealdade, eu diria que um dos principais é “recompensar os bons resultados”, uma regra quebrada frequentemente e com consequências dolorosas, quando se oferecem os melhores negócios aos piores clientes, aqueles que são apenas de curto prazo. Em relação aos funcionários, os líderes deixam de definir ou medir sua lealdade e, por isso, muitos acabam confundindo tempo de casa com lealdade. Funcionários leais não precisam permanecer na empresa a vida inteira, mais sim proporcionar um valor superior aos clientes enquanto lá permanecerem – e por isso devem ser recompensados. Lamentavelmente, poucas organizações mensuram efetivamente os resultados para os clientes e os vinculam à remuneração e às recompensas aos funcionários. “Não complique” é outro princípio em que os líderes devem concentrar-se inicialmente. A Bain analisou o tamanho médio das equipes nos Estados Unidos e descobriu que, no mínimo, metade das equipes que trabalham diretamente com clientes é grande demais para garantir a lealdade. Doze pessoas é o número máximo apropriado; equipes de seis a oito integrantes são ainda melhores. Os líderes em lealdade se organizam em pequenas equipes. Os segredos do aumento de lucros dos líderes em lealdade, segundo Reichheld As empresas que compreendem melhor as economias de custo e o aumento nos lucros por meio da lealdade tomam medidas deliberadas. As três medidas abaixo merecem consideração: 1. Modifique os incentivos para aquisição de clientes. Recompense as equipes de vendas e os canais de marketing pela conquista de clientes duradouros. Pense em um corte em comissões ou gratificações caso os clientes abandonem a empresa antes de 18 meses. 2. Redistribua os investimentos de marketing. Classifique sistematicamente todas as campanhas para aquisição de novos clientes com base nos clientes leais que elas possam gerar. Redistribua os recursos para programas que atraiam o mix mais risco de clientes leais. 3. Identifique maneiras de melhorar o desempenho. Prepare os relatórios anuais sobre relacionamentos com fornecedores e intermediários (e também clientes e funcionários) com o mesmo cuidado com que prepara os relatórios anuais para os investidores. Que empresas exemplificam isso? A Southwst Airlines, por exemplo, tem um supervisor para cada dez funcionários; a United e a American, um para cada 20. Os registros contábeis fazem as equipes numerosas parecer baratas porque há um chefe caro para vários funcionários de atendimento aos clientes baratos. Entretanto, não se espera que eles criem lealdade. Eles não estão motivados. Não estão comprometidos. Não acreditam que possam dar uma contribuição valiosa. Isso leva a aumento de custos, pois uma equipe numerosa não tem flexibilidade. Em nosso mundo dinâmico e em constante mudança, o que realmente influencia os custos são a capacidade de resposta rápida e a flexibilidade, não a contabilidade estática formal. Qual sua opinião sobre a abordagem de Jack Welch de diferenciar os funcionários da General Eletric entre os 20% do escalão superior, os 70% que são o cimento que sustenta a organização e os 10% do escalão inferior e, quando um funcionário permanece entre os 10% por dois anos seguidos, é demitido? Pode ser surpreendente, mas a maioria das organizações líderes em lealdade segue esse modelo. A Northwestern Mutual, por exemplo, demite sistematicamente seus funcionários de desempenho mais baixo. A Chick-fil-A descarta 5% de seus franqueados por ano, a maioria por baixo desempenho. Quando as empresas trabalham com equipes pequenas, não cabe aos dirigentes tomar essa decisão. As pessoas de uma equipe pequena que deve gerar resultados têm pouca tolerância com quem não faz sua parte. Em seu livro, o sr. menciona os quatro requisitos necessários para alguém ser promovido na Entreprise Rent-A-Car. Pelaordem, são eles: nota em qualidade de serviço final, crescimento da filial, rentabilidade da filial e número de funcionários possíveis de serem promovidos que foram desenvolvidos pela própria filia. A Enterprise tem um dos melhores sistemas de remuneração e promoção que conheço. É um modelo que eu recomendaria a muitas empresas. Os princípios corretos são reforçados quando a organização remunera e recompensa as pessoas da maneira certa. Ela não transforma pessoas incompetentes em bons profissionais, mais boas pessoas em profissionais de alto desempenho. Por que o sr. atribui tanta importância ao uso de estratégias de marketing que atraiam “o tipo certo de cliente”? Se você quiser matar lentamente sua empresa, atraia parceiros comerciais, clientes, funcionários, investidores ou fornecedores com baixo potencial para relacionamentos de longo prazo mutuamente benéficos. Sempre que uma empresa explora demasiadamente um relacionamento para torná-lo mais rentável e toda vez que um relacionamento se exaure prematuramente, ele rouba custos, energia, possíveis indicações de clientes e crescimento. Na verdade, ele dissipa o capital intelectual. Então, este é o segredo para as empresas: conquistar o tipo de cliente para o qual possam fornecer algo que o incentive a manter o relacionamento com lucro e atrair funcionários que possam prosperar em seu sistema. Em épocas em que a economia vai mal, qual o papel das estratégias da lealdade? Em qualquer crise ou queda na atividade econômica, as pessoas reconhecem a importância da lealdade. Acho que o 11 de setembro fez muita gente nos Estados Unidos reconhecer a importância de manter relacionamentos confiáveis e baseados no compromisso. Isso é muito mais importante do que saber se suas opções de compra de ações lhe permitirão adquirir uma casa de férias de seis ou oito quartos. Os tempos difíceis na economia levam as pessoas a perceberem que fazer as coisas básicas é a única maneira de ganhar dinheiro. Chega de estratégias simplórias para sustentar um índice de crescimento insustentável. Agora é o momento de voltar ao que importa: valor real para os clientes. Uma empresa não pode crescer sem a lealdade dos clientes. E não pode construir a lealdade dos clientes sem funcionários leais. Então, os líderes em lealdade saem fortalecidos quando se aferram a seus valores? Em que empresa você gostaria de ver seu filho trabalhar? Naquela que enfrenta os tempos difíceis como uma equipe e trata as pessoas corretamente ou naquela que os coloca em uma situação difícil e dizem “boa sorte”? Qual a melhor forma de encontrar um grupo de clientes leais com que as empresas possam conversar e aprender? Há várias formas e cada empresa tem seu estilo. Em geral, os líderes em lealdade gastam menos com pesquisas de mercado, porque seus funcionários da linha da frente fazem esse trabalho para eles. Os líderes em lealdade estabelecem canais de comunicação que permitem a esses funcionários e aos executivos entrar em contato com os clientes, comunicar-se com eles e aprender com eles. A eBay é um ótimo exemplo do que uma empresa mais moderna pode fazer. Os dirigentes não se limitam a tomar decisões na matriz. Nas grandes decisões, eles pedem comentários aos clientes e a outras partes interessadas. Depois de tomada, a decisão é comunicada: “Esta foi a decisão que tomamos, e isto foi o que ouvimos de todas as partes. Por tais motivos tomamos essa decisão, que consideramos justa e coerente com nossos princípios”. Com quais clientes leais a empresa deve conversar: os melhores clientes, aqueles com que mantém um relacionamento emocional ou os mais bem-informados? Como a empresa precisa ter lucro, eu conversaria primeiro com os clientes que fizessem parte de meu futuro – em geral, os que estivessem comprando a maioria dos meus produtos e os mais rentáveis. Quando uma empresa deixa os clientes encantados, ganha sua confiança e eles compram apenas dela, só coisas boas podem acontecer. Qual a melhor fonte de dados sobre lealdade? Os índices de retenção e a prova de fogo fornecem informações muito importantes. A pesquisa sobre satisfação tradicional não resolve o problema. ela continua a informar que de 60% a 80% dos clientes que deixam de comprar estão “satisfeitos” ou “muito satisfeitos”. A pesquisa sobre satisfação dos clientes nas mãos do líder certo pode ser útil. Acho que, talvez, a satisfação dos clientes seja prima em segundo grau da lealdade dos clientes. A satisfação dos funcionários, por sua vez, não compartilha gene algum com a lealdade dos funcionários. Qual sua expectativa para o futuro no que diz respeito aos conceitos de lealdade? Minha esperança é que mais líderes reconheçam que não há sucesso de longo prazo sem a construção da lealdade de seus funcionários e clientes. - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir. 1 - Quais as principais vantagens da padronização do atendimento aos clientes? 2 - Quais as principais dificuldades de realizar a padronização do atendimento de clientes. 3 - O que você entende por canais de acesso dos clientes as organizações? 4 - Qual a importância para as organizações de oferecer canais de acesso aos clientes? 5 - Explique o que é e o que faz o ombudsman. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 6.6 Exemplo de Exercício Resolvido Questão Leia os dois trechos a seguir e então responda a questão. [1] Você já sabe que, quando se trata do relacionamento com os clientes, principalmente no que diz respeito a reclamações e/ou sugestões, os canais de acesso aos clientes são algo de vital importância, da mesma forma que também são importantes às sistemáticas padronizadas para o tratamento de reclamações ou sugestões. PORTANTO [2] Não se pode esquecer, entretanto, de que, quando os clientes entram em contato com as organizações, eles querem comunicar-se com pessoas e ser atendidos por pessoas. Também são pessoas que deverão dar encaminhamento às reclamações ou sugestões. Sobre a afirmação acima, é correto afirmar que? a. Ambas estão corretas e a segunda complementa e justifica a primeira. b. A primeira frase está correta é a segunda está incorreta. c. A primeira frase está incorreta e a segunda está correta. d. As frases estão incorretas. e. Ambas as frases estão incorretas e se justificam corretamente, o que faz delas corretas novamente. Resposta: Letra “A”. Comentário: As afirmações estão corretas, e tal como aparece a segunda complemente e justifica a primeira. Além disso, vale dizer que as pessoas (clientes) querem ser atendidos por pessoas, ou seja, buscam e esperam personalização e agilidade na solução de seus problemas, retorno sobre suas reclamações e sugestão...Em caso de dúvida reflita sobre os requisitos exigidos das pessoas que interagem com os clientes. Exercício 1: É possível dizer que há um perfil “perfeito” de atendimento ou de atendente? Com base nos seus conhecimentos sobre gestão do relacionamento com clientes assinale a alternativa que contém a resposta correta para a questão acima. A Não, pois cada caso exige um tipo de aproximação. B Sim, pois há sempre um modelo adequado para cada caso. C Não, pois os modelos perfeitos de atendimento nem sempre são aplicáveis. D Sim, pois, os modelos perfeitos são sempre aplicáveis. E Sim, pois as empresas de seleção já definiram o perfil ideal. Exercício 2: Sabemos que nem sempre as relações entre organizações e clientes ocorrem da forma ideal. Algumas vezes ocorrem falhas provenientes de ambas as partes. Em tais condições a busca de solução para os problemas achasse relacionada ao modo pelo qual essesproblemas foram resolvidos em ocasiões anteriores, ao modo utilizado para o registro de tais ocorrências e do modo pelo qual as dificuldades foram superadas para que se trabalhe no sentido de evitar novas ocorrências indesejáveis. Considere as afirmativas abaixo e assinale a correta. A padronização do atendimento às reclamações e sugestões dos clientes é fundamental por A permitir a aplicação de técnicas de comunicação capazes de corrigir sugestões erradas ou inaplicáveis, bem como apresentar aos clientes justificativas bem elaboradas, mesmo que falsas, para que não seja necessário fazer nada. B propiciar novas perspectivas de solução de problemas apresentados pelos clientes para garantir que eles façam mais reclamações e sugestões. C separar as reclamações reais das informais, por reconhecer a importância de criar um contexto que propicie a ampliação dos casos de reclamação. D evitar erros internos, principalmente porque os erros de relacionamento ocorrem sempre por falhas organizacionais, já que os clientes estão sempre certos. E propiciar às organizações uma base para a análise de fatos, que seja compreensível para todos os funcionários, o que possibilita corrigir adequadamente cada problema e oferecer aos clientes respostas adequadas. Exercício 3: O que são canais de acesso dos clientes às organizações? A São os meios de transporte público que os governos devem desenvolver para que as pessoas possam chegar às empresas e gastar dinheiro, tendo em vista garantir maior receita de impostos. B São as correspondências enviadas por força de uma causa social. Por exemplo, as enviadas ao Papai Noel, ou ao Green Peace com a finalidade de salvar as baleias. C São os meios de pesquisa para identificar o que pensam os clientes e quais suas preferências de consumo, com a finalidade de desenvolver melhores produtos e serviços, devidamente indexados às reais necessidades de consumidores. D São as formas de garantia dada ao cliente no ato da compra, informando sobre procedimentos para a solução, em suas próprias residências, de possíveis problemas técnicos dos produtos adquiridos, sem acionar a assistência técnica ou qualquer outro tipo de ajuda. E São os meios de contato de clientes com as organizações, lembrando que, seja qual for o canal de comunicação telefone, internet, email, fax, carta, contato direto – sua eficiência e eficácia é de responsabilidade das organizações. Unidade IV MÓDULO 7 REQUISITOS EXIGIDOS DOS QUE INTERAGEM COM OS CLIENTES Objetivo Ao final desta aula você será capaz de compreender os requisitos das pessoas que interagem com os clientes. Deverá saber ainda sobre os fatores que causam a satisfação e a insatisfação dos clientes e conhecer algumas formas de como avaliar a satisfação/insatisfação dos clientes. 7. Requisitos Exigidos das Pessoas que Interagem com os Clientes Você já sabe que, quando se trata da questão do relacionamento com os clientes, principalmente no que diz respeito a reclamações e/ou sugestões, sabe-se que a existência de canais de acesso para os clientes é algo de vital importância, da mesma forma que também é bastante importante à existência de sistemáticas padronizadas para tratamento de tais reclamações ou sugestões. O que não se pode esquecer, entretanto, é que quando os clientes entram em contato com as organizações eles querem se comunicar com pessoas e ser atendidos por pessoas. Também são pessoas que deverão dar encaminhamento às reclamações ou sugestões. A questão que fica é: que tipos de pessoas as organizações devem ter, para atender adequadamente os clientes? Qual o preparo que elas devem ter? É para responder tais questões, dentre outras, propõe-se o conteúdos a seguir. 7.1 Perfil dos Atendentes No caso do Hospital Taquaral aparece o Serviço de Apoio ao Cliente – SAC que é responsável por atender reclamações, solicitações e sugestões. Quadro: Hospital Taquaral: Padrões de atendimento Serviço de Apoio ao Cliente · Tempo de atualização de informações no sistema: diariamente (ou sempre que necessário). · Facilidade de acesso: 7 dias x 24 horas. · Tempo de resposta a sugestões e reclamações: máximo de 16 horas. · Perfil dos atendentes: autossuficiência técnica, habilidade de comunicação, e cortesia e empatia; capacidade de gerenciar crises e autonomia para resolver problemas. Os padrões acima tratam da atualização das informações que devem ser acessadas pelos atendentes, mostram quando o cliente poderá recorrer ao SAC, definem um tempo de resposta para reclamações e sugestões e definem o perfil dos atendentes, que é o que nos interessa nesse momento. De acordo com esse perfil, os atendentes devem ter: · Autossuficiência técnica. · Habilidade de comunicação · Cortesia e empatia. · Capacidade de gerenciar crises. · Autonomia para resolver problemas. Com certeza, esse não é um perfil fácil de ser preenchido, motivo pelo qual não é de se esperar que num SAC como esse trabalhem pessoas inexperientes e em início de carreira. a. Autossuficiência técnica Significa que o atendente deve ter conhecimentos técnicos suficientes, a respeito do funcionamento do hospital para, em primeiro lugar, poder entender a manifestação do cliente (solicitação, sugestão ou reclamação) e, depois, tomar as decisões necessárias tanto para resolver a situação como para providenciar o devido encaminhamento, quando for o caso. Essa regra válida para um hospital, também deve ser válida para quaisquer outros negócios. Para alguém entender, solucionar ou encaminhar uma solicitação, reclamação ou sugestão de um cliente, é necessário que o atendente conheça a empresa, aquilo que ela faz e aquilo que fazem suas várias áreas/setores. Ele precisará saber entender aquilo que lhe está sendo comunicado e saber a quem compete dar o passo seguinte, inclusive ele. b. Habilidade de comunicação Saber ouvir e ser claro o suficiente para se fazer entendido é uma outra habilidade essencial de um atendente. c. Cortesia e empatia Entende-se empatia como a capacidade de uma pessoa colocar-se no lugar de outra, sentir como a outra. Ocorrerá empatia no relacionamento com um cliente quando este sentir que quem o está ouvindo o está entendendo perfeitamente bem, simplesmente porque está sabendo colocar-se como se estivesse no lugar dele (o cliente). Cortesia, por sua vez, significa delicadeza, amabilidade e urbanidade. d. Capacidade de gerenciar crises Tratar com pessoas não é algo simples e fácil. Nem todos aqueles que reclamam, tratam os atendentes com cortesia. O que pode ocorrer, isto sim, é a existência de pessoas exaltadas, malcriadas e, muitas vezes, até agressivas. Ter o equilíbrio emocional suficiente para não se deixar envolver pela situação é o que se exige de atendentes. É aqui que, mais do que nunca, se aplica aquele princípio evangélico que diz que quando lhe baterem numa face, você deve dar a outra ao agressor. A este respeito o que se tem percebido é que muitas organizações têm cuidado para que seus colaboradores que se relacionam com os clientes tenham intervalos para descanso, de tempos em tempos, para poder recompor suas energias e seu equilíbrio pessoal. e. Autonomia para resolver problemas A questão de se atribuir autonomia às pessoas da organização não é uma coisa muito simples. Regra geral, para que se possa dar autonomia a alguém, é necessário que: · Quem recebe a delegação de autoridade tenha autossuficiência técnica (conforme tratado acima). · Quem recebe a delegação tenha acesso às informações necessárias para entender/avaliar as manifestações dos clientes, resolveraquilo que poderá ser resolvido no seu âmbito de atuação e encaminhar para quem de direito aquilo que deverá ser encaminhado. · Haja aceitação de erros, visto que quem decide está sujeito a erros. (Só não erra quem não faz). - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir. 1 - Qual a importância de se identificar os requisitos das pessoas que devem interagir com os clientes. 2 - Comente os principais requisitos exigidos das pessoas que interagem com cliente nos seguintes casos: a. Em empresas prestadoras de serviço. b. Em supermercados. c. Em lojas de eletrodomésticos. d. Em concessionárias de automóveis. 3 - Explique porque a ‘autonomia para resolver problemas’ é tão importante para as empresas no tocante ao relacionamento com seus clientes. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 7.2 Avaliação da Satisfação dos Clientes Satisfação dos Clientes = f (desempenho versus expectativas) A respeito da questão relacionada à satisfação do cliente, Kotler (2000), ressalto que a satisfação do comprador após a realização da compra depende do desempenho da oferta em relação às suas expectativas. Nesse sentido, portanto, a satisfação consiste na sensação de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho (ou resultado) percebido de um produto em relação às expectativas do comprador, Fica claro por essa definição que a satisfação é função de desempenho e expectativas percebidas. Se o desempenho não alcançar as expectativas, o cliente ficará insatisfeito. Se o desempenho alcançar as expectativas, o cliente ficará satisfeito. Se o desempenho for além das expectativas, o cliente ficará altamente satisfeito e encantado. (grifo nosso). Como os [clientes] formam suas expectativas? Com base em experiências anteriores em compras, conselhos de amigos e colegas e informações e promessas de profissionais de marketing e concorrentes. Se os profissionais de marketing estabelecem expectativas muito altas, o comprador provavelmente ficará desapontado. Por exemplo, a Holiday Inn realizou campanha há alguns anos denominada ‘Sem surpresas’. Entretanto, os hóspedes dos hotéis continuaram a encontrar uma infinidade de problemas, e a Holiday Inn teve de cancelar a campanha. Por outro lado, se a empresa estabelecer expectativas muito baixas, não atrairá compradores suficientes (embora satisfação àqueles que efetivamente comprarem)” (Kotler, 2000: p.58). Confirmando o que está afirmado no último parágrafo acima, Sheth, Mittal e Newman (2001, p. 514) afirmam o seguinte: Se as comunicações e outros elementos do composto de marketing (por exemplo, propagandas, vendedores, preço, aparência da loja e assim por diante) prometem demais, podem criar expectativas que o produto ou serviço quase com certeza não consegue satisfazer, correndo o risco de causar insatisfação do cliente. Sem dúvida, se as expectativas são muito baixas, a venda pode nem acontecer. A estratégia correta deve ser, portanto, criar expectativas realistas e não prometer demais, e conceber o produto ou serviço de modo que expectativas realistas impliquem um nível de desempenho que mercado-alvo julga atraente o bastante para selecionar a marca. 7.2.1 Instrumentos para avaliação da satisfação dos clientes Certamente são muitos os meios que se tem para acompanhar e medir a satisfação dos clientes. Dentre os meios possíveis, Philip Kotler, (2000:p.60) sugere os seguintes: Quadro: Ferramentas para acompanhamento e medição da satisfação dos clientes. Ferramentas Detalhamento Sistemas de reclamações e sugestões Uma organização centrada no cliente facilita o recebimento de sugestões e reclamações. Muitos restaurantes e hotéis oferecem formulários para que seus clientes relacionem os itens de que gostaram e de que não gostaram. Algumas empresas centradas no cliente criaram sistemas de ligações gratuitas. Há ainda empresas que estão aderindo a páginas Web e e-mail, para facilitar a recepção e resposta das comunicações. Esses fluxos de informação oferecem muitas boas ideias às empresas e permitem que elas ajam com rapidez para solucionar problemas Pesquisas de satisfação de clientes Estudos mostram que, embora os clientes fiquem insatisfeitos com uma a cada quatro compras, menos de 5% dos clientes insatisfeitos reclamam. A maioria dos clientes simplesmente passa a comprar menos ou muda de fornecedor. Os níveis de reclamação, portanto, não são uma boa medida da satisfação dos clientes. Empresas proativas medem a satisfação dos clientes diretamente, realizando pesquisas periódicas. Elas enviam questionários ou telefonam para uma amostragem aleatória de clientes recentes. Também solicitam as opiniões de seus compradores quanto ao desempenho de seus concorrentes. Ao coletar os dados de satisfação dos clientes, é útil medir também o nível da intenção de recompra, que normalmente será alto se houver alto nível de satisfação do cliente. Recomenda-se ainda avaliar a probabilidade de esse novo cliente recomendar a empresa e a marca para outras pessoas, assim como sua disposição para isso. Um alto índice positivo de propaganda boca a boca indica que a empresa está produzindo alto nível de satisfação de clientes. Compras simuladas As empresas podem contratar pessoas para se passar por compradores potenciais, a fim de relatar pontos fortes e fracos vivenciados na compra de produtos da empresa e dos concorrentes. Esses compradores misteriosos podem até testar se a equipe de vendas da empresa está preparada para lidar adequadamente com diversas situações. Assim, um comprador misterioso pode reclamar da comida de um restaurante para testar como o restaurante lido com esse tipo de reclamação. Análise de clientes perdidos As empresas devem contar clientes que deixaram de comprar ou que tenham mudado para outro fornecedor a fim de verificar por que isso aconteceu. Quando a IBM perde um cliente, ela empreende um esforço minucioso para descobrir onde errou. É importante não apenas conduzir entrevistas de saída quando clientes param de comprar, como também acompanhar o índice de perda de clientes. Se este estiver crescendo, é um claro indício de que a empresa não está conseguindo deixar seus clientes satisfeitos. A respeito do conteúdo das pesquisas, uma sugestão que se faz é que se busque identificar, inicialmente, o conjunto de atributos valorizados pelos clientes e a importância relativa de tais atributos. Feito isso o passo seguinte será o de se identificar, através de pesquisa, o grau de atendimento de tais atributos. (Witheley, 1996: cap.6). 7.2.2 Evidências da avaliação da satisfação dos clientes Com o intuito de demonstrar que avaliar satisfação e insatisfação dos clientes é uma prática adotada pelas organizações, principalmente aquelas que têm com valor o foco nos clientes. Reproduzimos abaixo parte dos Relatórios de Gestão de empresas premiadas pelo Prêmio Nacional da Qualidade, que tratam do assunto: O acompanhamento de transações recentes com novos clientes e com produtos já entregues é f eito principalmente através da Pesquisa de Satisfação do Cliente. (...) A Pesquisa de Satisfação avalia itens como a relação com os gerentes de projeto, facilidade em realização de modificações nos projetos, facilidade em agendar reuniões em obra, eficácia na realização de modificações em obra, limpeza do canteiro de obras, qualidade dos serviços prestados (mão de obra civil em pontos específicos e gerais, mão de obra elétrica e mão de obra hidro sanitárias) etc. (...)Como última questão da Pesquisa de Satisfação Pós-Ocupação,há uma pergunta se o cliente construiria novamente com o EEJJ e se indicaria a empresa a um amigo ou conhecido. “Através desse método avalia-se a fidelização dos clientes à organização” (Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum, ganhador do PNQ 2003). A avaliação da satisfação, insatisfação e fidelidade dos clientes e não clientes da Politeno é realizada através de pesquisa. Nos anos de 1995 e 1996, a Politeno realizou, via mala direta, pesquisas próprias junto aos seus clientes. A partir de 1997, utilizando-se do aprendizado das edições anteriores, contratou a empresa InterScience para a realização de pesquisas independentes, tendo sido feitas nos anos de 1997, 1999 e 2001.” (Politeno, ganhadora do PNQ 2002). A instituição realiza sistematicamente a avaliação da satisfação, da insatisfação e da fidelidade dos clientes, através de pesquisas, com todos os segmentos, através de formulários padronizados. (...) Através da análise dos resultados das pesquisas consegue-se identificar os motivos de insatisfação dos clientes, agir corretiva e preventivamente nas suas causas e, assim, melhorar a satisfação dos mesmos. “Os diferentes tipos de pesquisa para cada segmento da clientela tem tratamento diferenciado.” (Santa Casa – Complexo Hospitalar – Porto Alegre, ganhadora do PNQ 2002). 7.3 Um Exemplo de Questionário de Avaliação da Satisfação e/ou Insatisfação dos clientes Quando Sheth, Mittal e Newman (2001), tratam do assunto relacionado às pesquisas sobre o comportamento do cliente, eles abordam dois tipos de pesquisas: (a) as pesquisas qualitativas e (b) as pesquisas quantitativas. A respeito das pesquisas qualitativas eles dizem que “uma característica básica da pesquisa qualitativa é que os métodos qualitativos não solicitam que o cliente limite suas respostas a categorias pré-atribuídas. As respostas são verbais e não numéricas, e pede-se que o entrevistado as faça com as suas próprias palavras. Um aluno que responde a uma questão do tipo verdadeiro/falso ou de múltipla escolha está fornecendo uma resposta quantitativa. Todavia de ele responde a uma pergunta dissertativa, está fornecendo uma resposta qualitativa.”(p.439). Por outro lado, “ na pesquisa quantitativa, as respostas do consumidor estão em uma escala numérica, como em uma escala de 0 a 10.” (p.452) O exemplo a seguir, gentilmente fornecido pela Fundação Prêmio Nacional da Qualidade, mostra como que, num só instrumento de avaliação, pode-se ter pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. A parte quantitativa refere-se àquelas questões onde o cliente (no caso o participante do Curso de Preparação da Banca Examinadora) atribui seus conceitos (++, +, -, ou --) aos itens avaliados. A parte qualitativa, por sua vez, diz respeito às questões abertas, onde os participantes são convidados a dissertar sobre pontos fortes e oportunidades de melhoria relacionadas ao curso, não abrangidos pelos itens quantitativamente avaliados. Cursos e Workshops da FPNQ - Pesquisa de Opinião Nome:_______________________________ Data: ___/___/___ (opcional) (Início do Seminário) A melhoria contínua dos eventos da FPNQ depende de sua realimentação. Conceitue cada um dos quesitos abaixo, utilizando as seguintes notações: (++) excelente; (+) bom; (-) regular; (- -) fraco Quesitos Conceito 1 - A comunicação prévia com a FPNQ (divulgação, inscrição, negociação, etc.) Comentários 2 - O programa do curso e a sua carga horária. Comentários 3 - As publicações distribuídas, tanto sob o aspecto de conteúdo didático como de apresentação. Avalie cada um deles: - Instruções para Candidatura (IC) - Critérios de Excelência(CE) / Primeiros Passos para a Excelência (PP) - Apostila do seminário (xerox) - Relatório de Premiada - Classe Mundial - - Comentários 4 - Os recursos audiovisuais (vídeos, slides, etc.) tanto sob o aspecto de conteúdo como de apresentação. Comentários 5 - A metodologia de ensino (exposições teóricas, trabalhos práticos, trabalho em grupo etc.) Comentários 6 - As instalações utilizadas (conforto, iluminação, espaço físico, segurança, banheiros, facilidade de acesso, apoio logístico às necessidades dos participantes etc.). Comentários Continua no verso O(s) Instrutor(es) do seminário: (conceitue cada um) Nome do Instrutor A Nome do instrutor B 7 - Conhecimento sobre o assunto. 8 - Didática (facilidade de comunicação e esclarecimento de dúvidas). 9 – Administração de conflitos 10 – Atitude, postura e relacionamento interpessoal 11 – Organização 12 – Autoconfiança 13 – Condução do curso (cumprimento do programa dentro do prazo) Comentários (++ ou +) PONTOS FORTES (- - ou -) OPORTUNIDADES PARA MELHORIA FPNQ 57/03 - Rev.1, Mar.04. 7.4 O e-relacionamento Cuidar do relacionamento com os clientes não é uma necessidade recente, porém, são novos alguns meios para que isso possa ser adequadamente realizado. Com o desenvolvimento de novas tecnologias e a profusão destas em diversos setores da economia, o que se vê hoje, é uma alteração marcante no modo pelo qual as organizações, de todos os setores e tipo, interagem com seus clientes, seja vendendo-lhes algo, seja pela forma de informar do lançamento de novos produtos ou serviços, pela forma como as dúvidas são sanadas, as modalidades de pagamento, as possibilidades de entrega, dentre outras. Com o crescimento dos meios e métodos de comunicação com o público-alvo, cresceram as preocupações com o desenvolvimento das estratégias mercadológicas e com a formatação da comunicação desejada. A partir de tal realidade é possível constatar todo um movimento articulado que objetiva reorganizar os recursos das organizações em função de seu perfil (missão e visão) em função do perfil dos clientes que atende, considerando que os clientes possuem necessidades e desejos e que estes muitas vezes, não podem ser matematicamente explicados, o que faz do planejamento estratégico de marketing peça fundamental ao buscar compreender quais são as variáveis (momentos-verdade e atributos) valorizadas pelos clientes e porque. O momento para as organizações é crucial, não apenas porque precisam aprender a lidar com novas ferramentas tecnológicas e mercadológicas, mas porque, se não o fizerem rapidamente, podem perder significativa participação de mercado para a concorrência. Com isso, é importante destacar que, quanto mais sensível a organização e seus dirigentes forem para a compreensão e uso de novas ferramentas, em especial quando se busca saber se os clientes são concordantes com o que se propõe e de que formar isso deve ser feito, maiores serão as chances de se obter sucesso nesse momento da economia mundial em que conhecimento, recursos e disposição de ‘fazer acontecer’ são primordiais. A gestão do relacionamento com o cliente vem se tornando cada vez mais importante para as organizações no que diz respeito à manutenção da estratégia competitiva e da identidade do negócio frente ao mercado. Partindo da necessidade de se gerenciar o relacionamento com os clientes se propõem compreender o e-relacionamento, ou seja, o relacionamento por meio eletrônico, já que este está presente no cotidiano das grandes organizações, namaioria das médias e é cada vez mais comum nas pequenas. Deste contexto nascem algumas indagações: · O que é a gestão do relacionamento com o cliente (e-relacionamento)? · Quais são as novas regras da economia que norteiam o relacionamento entre organizações e clientes e, portanto, que servem como pano-de-fundo para o e-relacionamento? · Quais os novos perigos da era do relacionamento? · Os clientes e as organizações conseguem falar a mesma língua? · O que é permissão (marketing de permissão) no que se refere a gestão do relacionamento com cliente? Muitas outras indagações poderiam ser feitas, mas é necessário que se concentre naquelas que são consideradas genericamente relevantes. 7.5 Entendendo a Gestão do (e-)relacionamento com o Cliente A gestão do relacionamento com os clientes pode ser entendia como o gerenciamento dos meios utilizados para se estabelecer e mensurar os contatos com os clientes, sendo considerado que cada contato pode ter como origem o cliente ou a própria organização. O relacionamento com o cliente se tornou mais notável nas organizações com o desenvolvimento do CRM que entende as interações entre demanda e oferta (cliente e organizações) e as ferramentas tecnológicas necessárias para ter melhor proveito de tais interações, regido pelos princípios e prática da administração. De certo modo é como se o CRM fosse um tipo de ERP (Enterprise Resource Planning – Planejamento de Recursos Empresariais) só que voltado exclusivamente ao cliente. Aliás, em soluções ERP completas, no CRM normalmente está presente. O CRM não é um conceito, bem como não é um projeto, na verdade é uma estratégia de negócios que visa entender, antecipar e administrar as necessidades dos clientes atuais e potenciais de uma organização. É uma jornada de estratégias, processos, mudanças organizacionais e técnicas pelas quais a empresa deseja administrar melhor seu próprio empreendimento acerca do comportamento dos clientes. Acarreta em adquirir e distribuir conhecimento sobre os clientes e usar essas informações por meio de vários pontos de contato para equilibrar rendimentos e lucros com o máximo de satisfação dos clientes. (Brown, 2001: XXIII) Ainda segundo Brown, CRM é um processo de aquisição e retenção de clientes lucrativos (Ibid: 8). Esta definição é especialmente importante, porque reluz na vida das organizações de uma maneira profissional, causando a reflexão de que, não é apenas necessário atender aos clientes, mas é necessário fazer isso de maneira sustentável, ou seja, a relação de ganho deve ser proporcional aos clientes e as organizações, pois, elas também precisam ter suas necessidades atendidas para poder continuar operando. É importante destacar também que a implementação do CRM pode trazer diversas vantagens de marketing para a organização e, tais vantagens, podem ser consideradas no e- relacionamento. Veja algumas delas são: · reduzir custos com propaganda; · diminuir os riscos de comunicações (propagandas) generalizadas, e que podem confundir ou irritar o público-alvo; · melhorar a abordagem de clientes específicos por se concentrar em suas necessidades e na capacidade de atendê-las; · aumentar a capacidade de mensurar o resultado de determinada campanha; · dar suporte a organização para competir por clientes através dos serviços e diferenciais agregados que fornece, não apenas por preço; · acelerar o processo de desenvolvimento e comercialização de produtos; · utilizar mais eficientemente o Data Base Marketing (banco de dados de marketing) que armazena, processa e distribuí informações relevantes para qualquer áreas organizacional solicitantes; · dimensionar melhor o investimento, o que significa, redução de gastos com clientes de baixo valor, e incremento de maiores gastos com clientes mais lucrativos; · realizar a customização de massa; dentre outros. (Inspirado de Brown, 2001:9). Porém, para que qualquer benefício possa ser abstraído da administração do relacionamento com o cliente, seja no e-relacionamento ou no relacionamento tradicional é necessário haver planejamento adequado do uso das informações e recursos disponíveis, e isso, corresponder a saber se o cliente é concordante com certas atitudes da organização ou não. Portanto, entra em cena a necessidade da permissão do cliente, que é, um levantamento através do Marketing de Permissão, para descobrir se o cliente concorda com, por exemplo, ser fonte de informações direta para a empresa, se aceita receber material publicitário, se autoriza à divulgação de seus dados etc. Logo, não basta apenas apoiar-se nos benefícios teóricos que o CRM ou e-CRM (eletronic-CRM) podem trazer, para que se tornem práticas, é fundamental que as organizações hajam com responsabilidade e coerência, desde o momento em que solicitam informações aos clientes (ou simplesmente as capturam) até o momento em que fazem uso dela. As regras do jogo estão, cada vez mais, privilegiando os consumidores (já não era sem tempo!), portanto, respeite-os e as novas regras para que tenha maiores chances de sucesso no século XXI. 7.6 As Novas Regras da Economia que Norteiam o Relacionamento entre Organizações e Clientes Dentre as novas regras da economia que podem ser destacadas como pano-de-fundo para a maximização do valor do relacionamento entre organizações e clientes e, portanto, do e-relacionamento, pode-se destacar: (1) a perda de importância da matéria, (2) a “aceleração” do tempo, (3) a necessidade de se importar com as pessoas, (4) entender que os clientes também são recursos, portanto, também podem ser transformados em agentes de venda, mesmo que de maneira indireta, (5) a participação de mercado deve ser a maior possível, é o que se busca, pois, quanto maior, possivelmente, maior será o valor agregado, (6) a informação é a principal forma de valor para gerar valor, portanto, quanto maior sua quantidade e qualidade, maior o valor do negócio e das atividades pratica, e na era do relacionamento, a informação trás o redimensionamento do papel dos intermediários no e- business / e-commerce com a morte e a revitalização no ambiente Internet (7) a customização deve ser utilizada como diferencial estratégico para agregar valor e reter clientes, (8) a acessibilidade deve ser desenvolvida e aproveitada a partir da ótica do cliente, especialmente na concepção de utilização adequada de espaço e tempo, o que pode gerar percepção de competência além de satisfação, e (9) o repensar de quem são os compradores e os vendedores – o duplo papel dos clientes. Discutindo novos e principais propulsores da economia: a. A matéria perde sua importância O tamanho das organizações deixa de ser justificativa irrefutável de poder e autonomia, bem como, se uma organização fabrica produtos que são maiores e mais pesados que outros, isto não quer, necessariamente dizer que tais produtos tenham maior valor que outros menores e mais leves. Por peso, por exemplo, os automóveis têm menos valor agregado que os computadores e esse menos valor que os softwares de computador. Um outro exemplo que pode ajudar a entender a perda de valor da matéria é a Internet, nela o valor está na informação, nos serviços, no conhecimento e no entretenimento, em contrapartida, o valor dos materiais utilizados na construção (montagem) dos computadores – metal, plástico, dentre outros, diminuem em custos periodicamente. Neste caso, há uma valorização crescente das informações disponíveis na rede mundial de computadores ao mesmo tempo em que há um barateamento do custo de seu armazenamento de tais informações (Fiore, 2001: 26). b. Ocorre a “aceleração” do tempo e o colapsoEm função do ritmo do dia a dia, as pessoas passam a sentir haver menos tempo disponível para realizar as tarefas do cotidiano, especialmente aquelas ligadas ao relacionamento, entretenimento, lazer e trabalho. O total de horas despendidas em frente aos computadores, seja para fins pessoais ou profissionais vem crescente. Muitos motivos servem de justificativa para tal realidade, em que, o tempo parece mais curto: · quantidade de informações disponíveis; · qualidade das informações disponíveis; · fontes de informações de inseguras a muito seguras; · entretenimento visual e sonoro; · busca por prazer; · possibilidade de desenvolver relacionamento à distância; · dentre outros, inclusive de ordem biológica (como ritmo cardíaco, mas não vem a caso). Em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora, é possível ter acesso a conteúdos específicos de própria autoria ou de outros. É possível escolher o que comprar e efetivar a comprar, e possível solicitar informações, fazer certos tipos de ensaios, etc. Os clientes podem estar em qualquer lugar do mundo, podem entrar em contato a qualquer instante, podem mudar de opinião, além de poder comparar produtos e preços com maior facilidade. O fato é simples, embora para as organizações a Tecnologia da Informação (TI) proporcione melhores meios e chances de estabelecer relacionamento com os clientes, ela não é partidária de uma única organização, ela é sim, possível e – até certo ponto – acessível por todas as organizações. Esta realidade remete a um maior potencial de contato com os clientes e stakeholders, porém, faz o mesmo com os concorrentes, uma vez que eles também podem ampliar sua capacidade de relacionamento com seus clientes. Um das preocupações com essa noção simbólica de aceleração do tempo é que, por basear-se em tecnologia e no cruzamento e comunicação entre diversas modalidades tecnológicas, ocorre também o risco de colapso, seja decorrentes de uma situação natural como sobrecarga de sistema ou coisa parecida (o que é menos provável) ou pior, um colapso provocado. Veja que, na concepção do colapso, o que ocorreria é a “parada” do tempo, como se toda a aceleração alcançada fosse bruscamente paralisada em função da capacidade de continuidade provocado por forças como, falta de energia nos sistemas (fonte ou usuário), falta de capacidade de estabelecer coneção ou o rompimento dela, travamento de máquinas (hardwares) ou sistemas (softwares), ataque de hacker etc. A “aceleração” do tempo é uma dimensão simbólica que as sociedades criam, de certa forma naturalmente, em função do incremento de novas tecnologias. Mas serve também para fazer lembrar a reflexão de diz que “o criador torna-se escravo de sua criação”. Ou seja, tudo o que é criado para melhorar, facilitar a vida de alguma maneira, pode ser representativo de um quase insuportável nível de desconforto e estresse caso não funcione como outrora planejado. Uma das principais decorrências desta realidade é que os consumidores podem comunicar-se rápida e eficientemente, o que amplia exponencialmente a capacidade de divulgação de informações boas e ruins, como por exemplo, casos que passaram com determinada empresa, sendo bem ou mal atendidos, tendo recebido uma adequada ou inadequada solução para sua reivindicação. Logo, a capacidade de publicidade dos clientes está maximizada, considerando-se que tal publicidade pode ser negativa, é melhor que as organizações tornem-se mais atentas aos relacionamentos que estabelecem. Por fim, o colapso do tempo fere-se a todas as mudanças, no modo pelo qual as organizações relacionam-se com seus clientes. A interatividade instantânea está acelerando a mudança, e as organizações que conseguirem se adaptar rapidamente as mudanças em seu espaço de mercado serão as que terão maiores chances de sucesso. Tempo é dinheiro, e se as empresas puderem economizar tempo, especialmente o tempo de seus clientes e consumidores, isso certamente será revertido em maior quantidade de dinheiro disponível em seu caixa. (Fiore, 2001: 28). c. Importe-se com as pessoas Na nova economia, a economia na qual a gestão do relacionamento ganha ainda mais importância estratégica, o capital intelectual é mais valioso do que o dinheiro. Para se ter sucesso, é necessário desenvolver a capacidade de cultivar pelo menos dois tipos de fontes de capital intelectual fundamentais: os funcionários e os clientes. (Fiore, 2001: 29) Uma frase interessante que pode ser colocada neste momento é: “Não há pior cliente que cliente nenhum.” Imagem organização que acaba de nascer, bem estrutura, desburocratizada, de posse dos mais novos computadores e impressoras, softwares etc., agora imagine tudo isso é uma falta de capacidade (ignorância) para utilizar tais recursos para o bem comum, lembrando que o bem comum de uma organização começa pelos clientes. Isso quer dizer que, mesmo quando se possui apenas clientes problemáticos eles ainda são melhores que a sua ausência, e mais, quando uma organização possui apenas problemas no que tange o relacionamento com os clientes, o certo é que é ela e os clientes a fonte de problemas. d. Clientes também são recursos: transforme-os em vendedores A ideia aqui não é a de usar os clientes como recursos estratégicos exploráveis unicamente, mas sim, entender que se forem bem atendidos e surpreendidos, os clientes poderão tornar-se fonte segura e alternativa de comunicação positiva da organização. Quando melhor for a imagem da organização na mente do cliente, melhor será a relação desse com a organização e, melhores serão as argumentações com base positiva em defesa da mesma. Surpreenda seus clientes, valoriza o ciclo de serviços de cada clientes, na pior das hipóteses, o cliente apenas estará indiferentes, e pelo menos não será um emissor de publicidade negativa. e. Quanto maior a participação de mercado, possivelmente, maior será o valor Pouco antes da Internet se tornar notável no que tange oportunidade de negócio, Frank Fiore especialista e consultor em e-commerce e autor de livros sobre o assunto, esteve em um jantar com um investidor capitalista com foco em capital de risco. Naquele momento Fiore aproveitou para indagar ao investidor se sua empresa estava investindo em empresas de Internet, já que aquela era para ela uma grande oportunidade (tendência). A resposta foi um taxativo não, pois, segundo o investidor, não era possível saber como ganhar dinheiro com tal tipo de investimento. Os capitalistas de risco estavam acostumadas a ver planos (propostas) que pediam dinheiro para primeiro desenvolver um produto, e então testá-lo, comercializando-o em seguida, e vendendo-o para ter um retorno sobre o investimento realizado. Agora veja as empresas “ponto-com” – precisam de recursos financeiros para desenvolver um produto ou serviço, testá-lo, comercializá-lo, e então, entregá-lo gratuitamente. (Fiore, 2001: 32) Na Internet a chave para o sucesso é a participação de mercado e as relações advindas de tal participação. f. Quanto maior a quantidade e a qualidade das informações disponíveis, maior o valor: o nascimento do infomediário Uma interessante constatação com o advento da Internet é a relação de valor que se tem com a informação. Mesmo sendo cada vez mais numerosa e disponível, ainda assim, quanto mais precisa for a informação disponível e corretamente relacionada aos fatos do cotidiano, maior será a chance desta ter seu valor aumentado em função de sua ação sobre os meios e fins a que se aplica, por exemplo, ao produtos e serviços, ou ao planejamento estratégico de marketing das organizações. Um fator que chama a atenção nesta relação entre valor e informação é o que vem ocorrendo com os intermediários. A rede mundial de computadores écapaz de facilitar o contato entre quem produz e quem consome, o que acaba pondo fim em muitas estruturas intermediárias. Enquanto a rede extingue uma série de intermediários, ela também cria a oportunidades de surgimento de outros (um tipo de ciclo natural do sistema capitalista). Nasce o “infomediário”, um tipo de intermediário que substitui os tradicionais intermediários como agentes de viagem, corretores de ações, dentre outros. O que justifica o surgimento desta nova modalidade de intermediário (infomediário) é a necessidade de eficiência e acesso a conteúdos cada vez mais numerosos e dispersos, com isso, mais difíceis de manejar. A quantidade de informação disponível tornou-se tamanha que, especialistas na identificação e utilização de partes específicas dela passaram a ser fundamentais. Noutras palavras, é preciso ser capaz de cruzar dados e/ou informações dispersos para gerar mais informações e ser capaz de, a partir do que se apurou, gerar informações relevantes e conhecimento. Quanto maior a quantidade e a qualidade das informações disponíveis, maior seu valor de uso, ou seja, o valor de certas atividades aumenta genericamente, tornando-as mais notórias à medida que um maior número de pessoas passa a utilizá-la direta ou indiretamente. Logo, quanto maior o número de pessoas que utilizam serviços de comparação de preços em ambiente on-line, ou mesmo classificados de jornais, maior será o valor da prática profissional que dá suporte e torna possível aquele serviço que está sendo prestado, bem como, o valor da própria informação. g. Customização em massa e aumento de valor É mais fácil customizar a informação do que os bens materiais (Fiore, 2001: 36). A customização em massa não é algo fácil de se fazer, especialmente no mercado tradicional, por sua vez, customizar a informação chega a ser algo feito automaticamente na rede. Por exemplo, em e-business pode-se coletar informações sobre fornecedores, clientes, e demais stakeholders e, a partir disso, melhorar o relacionamento com eles através da personalização dos relacionamentos. Na velha economia vivia-se em função das empresas de produtos, sendo seu principal impulso a padronização da produção, dos produtos e dos processos de negócios. Os fabricantes buscavam beneficiar-se de economias de escala. A nova economia, por sua vez, é apoiada pelos dados e informações e, naturalmente, pelo conhecimento deles advindos. A informação tem a vantagem de ser fácil de diferenciar, customizar, personalizar e transmitir pelas redes a velocidades cada vez maiores. h. Acessibilidade: espaço e tempo Na nova economia, em especial no ambiente projetado pela Internet, ocorre uma reconfiguração da ação de consumo. Não é mais necessário haver horário específico para a compra de determinado bem ou contratação de determinado serviço porque há um horário estipulado de atendimento. É possível acessar os conteúdos disponíveis a qualquer hora do dia ou da noite, realizar suas compras e/ou contratações em geral. Nesse contexto, McKenna na obra ‘Competindo em Tempo Real’, de 1998, faz uma boa reflexão para as organizações que precisam e se dispõem competir em tempo real. Ele destaca que os clientes nunca estão totalmente satisfeitos, e por isso, é necessário sempre atentar ao que se pode fazer para atrair e manter clientes, sendo que para isso, é preciso cada vez mais conhecer bem o perfil de seus grupos (segmentos) de clientes e se possível, conhecê-los individualmente. Atualmente, todo produto está virtualmente disponível em qualquer lugar a todo o momento, pelo menos que se refere ao acesso à informação e possibilidade de aquisição. O espaço da prateleira da rede é ilimitado (Fiore, 2001: 38). Enfim, a acessibilidade é uma tendência que veio para ficar, sua notoriedade deve aumentar muito nos próximos anos, especialmente, com o aumento do acesso móvel (sem fio). A questão tempo é vista de maneira simples, as pessoas, buscam aproveitar o máximo possível os recursos disponíveis para “economizar” tempo, pois, assim podem – pelo menos teoricamente – aproveitar melhor suas vidas. i. Compradores ou vendedores Com o advento da Internet, os compradores passam a ter mais poder de barganha, logo, possibilidade de negociação. Claro que neste campo muito amadurecimento está por vir, mas, pelo menos, é cada vez mais comum o aumento de autonomia de quem compra, seja porque compra em volumes maiores, seja porque prefere pagar a vista, seja porque há concorrentes e, portanto preços e formas de pagamento deferências frente a vasta possibilidade de realizar pesquisas de preço etc. Neste caso ainda, a possibilidade de acesso e comparação de conteúdos disponíveis na rede, por exemplo: preço, prazo de entrega, quantidade em estoque, informações técnicas complementares, servem como suporte a quem compra, noutros termos, quanto maior a quantidade de informações disponíveis ao comprador, maiores serão as chances dele realizar uma venda que dê a sensação de compra consciente, aumentando a chances de repetição da compra e da indicação para outras pessoas. Isso remete ao crescimento dos níveis de exigência dos compradores, porém, em contrapartida diminuem o risco de ocorrer à sensação de arrependimento pelo ato (compra) realizado (dissonância cognitiva). Glossário CRM – Customer Relationship Management – Gerenciamento do Relacionamento com o cliente. e-business – negócio por meio eletrônico. Termo que é mais frequentemente aplicado aos negócios resultantes do uso da tecnologia digital e da Internet como principal meio de comunicação e interação. e-commerce – comércio eletrônico ou comércio virtual – é um tipo de comercialização caracterizada pela troca de bits, onde as transações são feitas no Cyberspace. O relacionamento é digital e, portanto, virtual. Os produtos ou serviços se utilizam de uma mídia digital, a multimídia e os principais veículos deste comércio são: CR-ROM, quiosques, BBS e Internet. (Nota – BBS – Bulletin Board System – computadores acessados via telefone que disponibilizam informações específicas – tende a desaparecer com crescimento da Internet). e-CRM – (eletronic-Customer Relationship Management) gerenciamento do relacionamento com o cliente através de meios eletrônicos. e-customer – consumidor-eletrônico, ou seja, o consumidor que utiliza-se dos recursos de tecnologia da informação – no comercio eletrônico – para ter acesso aos produtos que deseja. e-relacionamento – “electronic-ralationship”, ou seja, relacionamento com o cliente ou stakeholders por meio eletrônico, por exemplo, através da internet. Na verdade apresenta os mesmos princípios do relacionamento com os clientes no varejo tradicional (de loja), o que muda são os canais utilizados. ERP – Enterprise Resource Planning – Planejamento de Recursos Empresariais. Internet – uma rede de redes de computadores. A Internet evoluiu de uma ARPAnet (uma rede militar norte-americana) para uma rede de busca acadêmica e, posteriormente, para a atual rede mundial de computadores. Outros nomes que identificam a Internet são: ciberespaço e infovia. marketing de permissão – é um pratica de marketing (tipo de marketing) que procura obter a permissão das pessoas antes de fazer marketing como tradicionalmente entendido, exemplo: como marketing de produtos ou serviços, de lugar, promocional, etc. Grosso modo, é pedir permissão aos cliente para que a organização possa ter um contato regular com ele, oferecendo-lhe produtos... m-commerce – abreviação para comércio móvel, vendendo produtos e serviços em um aparelho móvel como telefone celular ou um PDA habilitado no ciberespaço. (PDA – Personal Digital Assistent – um Palm Pilot é um exemplo de PDA). Nova economia – descreve todo um conjunto de forças que aparecem na últimadécada e que exigem novas práticas de marketing e de negócios. Lembrando que, a economia hoje é composta de elementos novos e antigos, portanto, ela é híbrida. One to one – de marketing one to one – quer dizer relacionar-se com clientes de forma individual, um por vez. Stakeholders – o termo “stakeholders” foi criado para designar todas as pessoas ou empresas que, de alguma maneira, são influenciadas pelas ações de uma organização (Goldschmidt – vide bibliografia). - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir. 1 - O que você entende por satisfação do cliente? Discutam com colegas. 2 - Qual a importância da satisfação do cliente? 3 - O que você faria para avaliar a satisfação dos clientes da: a) TAM, Gol, Azul (Cia. aéreas)? b) Vivo, Oi, Tim (telefonia móvel)? c) Banco do Brasil, Santander, Bradesco, Itaú? d) Concessionária Ford, Chevrolet, Fiat...? 4 - Quais instrumentos você conhece para avaliar a satisfação dos clientes? 5 - Reflita em grupo, como o e-relacionamento pode mudar a realidade competitiva das organizações? 6 - Será que o e-relacionamento pode auxiliar as organizações e os clientes a “falarem a mesma língua”? Como isso pode ocorrer? 7 - Quem é o intermediário na internet? Será que é necessário? - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Exercício 1: O que é mais fácil realizar a customização em massa de bens materiais ou a customização em massa de informações? A A customização em massa de informações. B A customização em massa de bens materiais. C Ambas são igualmente fáceis de realizar, não ocorrendo tal separação (ou comparação). D Ambos são igualmente difíceis de realizar, não ocorrendo tal separação (ou comparação). E Ambas são complexas demais. Por isso, a customização em massa fica a cargo dos texugos da Tasmânia e dos gambás da Nova Zelândia. Exercício 2: Sobre a importância de medir a satisfação dos clientes é correto afirmar que A clientes que sugerem estão insatisfeitos com a empresa. B clientes que não reclamam não estão necessariamente satisfeitos. C clientes fantasmas ajudam a identificar pontos de satisfação da clientela. D o índice de satisfação e o índice de reclamação relativos aos produtos, auferidos por uma empresa, são importantes na avaliação do treinamento dado à linha de frente do atendimento ao cliente. E analisar a progressão da perda de clientes por uma empresa é mais importante que analisar os motivos de perda de clientes. Exercício 3: Quanto aos requisitos necessários aos colaboradores que interagem com clientes por telefone é incorreto afirmar que eles devem A ter autossuficiência técnica para responder a questões sobre produtos e serviços. B ter habilidade de comunicação pessoal. C ter capacidade de estabelecer empatia somente pela voz. D saber acalmar o cliente quando este se mostrar nervoso ou chateado com o problema. E aproveitar a autonomia concedida pela empresa para resolver os problemas, se possível, na primeira reclamação. Exercício 4: Quando as organizações concentram-se em desenvolver seu relacionamento com os clientes, e quando buscam ampliar o número de clientes ativos elas tomam posse de muitos meios para garantir o sucesso de suas ações. Não é fácil para elas fazerem as escolhas certas, sempre há riscos, mas para supera-los é necessário atenção e dedicação. Muitas alternativas para o bom relacionamento com o cliente são possíveis, mas algo especialmente importante para as organizações é a atenção aos requisitos exigidos dos funcionários que interagem com os clientes. Assinale a alternativa que corresponde a uma condição a ser atribuída aos funcionários que interagem com os clientes: A Autonomia para resolver problemas. B Autonomia para descartar clientes. C Saber encenar momentos para garantir que o cliente compre. D Ser capaz de convencer os clientes a comprarem produtos, mesmo quando não são requeridos por eles. E Desenvolver a capacidade de induzir para convencer todas as pessoas de que tal produto é e sempre será o melhor. MÓDULO 8 A COMPRA RACIONAL, POR IMPULSO E A DISSONÂNCIA COGNITIVA. Objetivos Ao final desta aula você deverá ser capaz de compreender o sentido e a importância de se conhecer o processo de compra racional, de compra por impulso, e de dissonância cognitiva. 8.1 Cliente e Organizações As relações entre clientes e organizações são palco para muitas discussões, dentre elas estão os motivos que levam os indivíduos a praticarem a compra e as formas que o fazem. Pelo menos duas condições são fundamentais para se compreender o processo de compra de um cliente: · a primeira é que ele ao praticar qualquer aquisição o faz de maneira racional, portanto, programada e geralmente baseada em necessidades claramente definidas e, · a segunda é a compra impulsiva que normalmente ocorre no próprio estabelecimento comercial ou quando se depara com determinada informação (propaganda), o que se caracteriza pela pouca ou nenhuma programação prévia (necessidades previamente racionalizada), ocorrem uma pulsão (desejo) que acaba transmutado em compra. Outro momento importante decorrente da compra por impulso é a dissonância cognitiva, cuja importância para os Administradores e Profissionais de Marketing está ligada ao conhecimento das sensações e relações de mundo que o cliente tem ou desenvolve após o ato de compra. Quando no pós-compra carrega consigo sensações de satisfação, logo, cujas expectativas presentes no ato da compra foram satisfeitas não há a dissonância cognitiva, mas ao contrário, depois do ato de compra o cliente se vê com pensamentos negativos sobre a compra que realizou, levando-o a uma sensação de arrependimento sobre o ato praticado está em ocorrência a dissonância cognitiva. Este é um momento que, nenhum profissional de vendas gostaria de estar por perto do cliente, pois, certamente ouviria muitas lamúrias. Então, o que é a dissonância cognitiva e, porque é importante que sua ocorrência seja minimizada? 8.2 Conceito de Dissonância Cognitiva O termo ‘dissonância cognitiva’ é proveniente dos estudos e posicionamentos de Festinger (1957), com a obra A Theory of Cognitive Dissonance, e, desde então, muitas discussões sobre o assunto tomaram corpo. No campo da Administração, a pauta ficou enquadrada em Marketing por seu empenho em relacionar as atividades organizacionais às atividades individuais dos clientes e consumidores, bem como pela aproximação do marketing com os discursos sociológico, psicológico e antropológico, além do filosófico. Tudo num conjunto de variáveis que contemplam vantagens para as duas partes (clientes e organizações) e que, para serem atingidas é necessário que haja interação entre as partes. Segundo Festinger (1957) a dissonância cognitiva refere-se exatamente ao processo final cognitivo e emocional de verificação da diferença entre o que se esperada e o que ocorreu. Porém, para Giglio, Festinger apresentou o conceito de maneira ampla, incluindo toda e qualquer discordância entre as ações (o corpo em ação), a ideia (o mundo de ideias) e a ética do sujeito (código de ética de relações) (Giglio, 2002:161). A existência da dissonância cognitiva após o consumo cria um ambiente psíquico (uma predisposição) para o surgimento de julgamentos negativos em relação ao produto ou serviço, o que interfere naquela etapa imediatamente anterior à compra (Giglio, 2002:162), tal interferência pode ser entendida como risco porque, pode evitar que o cliente repita a compra do produto consumido, ou ainda, o que é pior, pode fazer comque ele não compre mais o produto em determinado estabelecimento – comprando em um concorrente. Portanto, A dissonância ocorre quando o consumidor faz uma comparação dos resultados da compra com o pós-compra, e as expectativas que originaram a mesma, e chega a uma constatação diferente e inferior à expectativa previamente estabelecida, ou seja, ele vê o seu julgamento primário, reduto de uma expectativa de como o produto deveria servir, transformar-se em uma negação daquele que fora adquirido, baseado em uma depreciação clara e consciente do que se adquiriu versus o que se esperava(Zambon e Benevides, 2003, p. 84). Além disso, a dissonância cognitiva pode ainda acontecer por meio de um sentimento de arrependimento comparativo, quando o consumidor percebe que, se não tivesse comprado alguma coisa, por mais útil que ela seja, poderia adquirir uma outra que talvez fosse mais importante ou interessante, ou então teria, por exemplo, dinheiro para aplicar em poupança ou num investimento imobiliário, fazer uma viagem internacional etc. 8.3 Três Abordagens de Compra Impulsiva A compra por impulso expressa os elementos manifestos ou latentes de desejo dos consumidores sobre os quais os profissionais de marketing empenham seus esforços para desenvolver ações mercadológicas que maximizem o desejo de consumir e, portanto, o ato de comprar. Por sua vez, a dissonância cognitiva é o oposto daquilo que os profissionais de marketing desejam, ou seja, todos os esforços possíveis são empenhados para que a mesma não aconteça, pois, ela é um elemento/manifestação psicológico que prejudica a recompra do produto ao gerar na mente do consumidor a nefasta sensação de que fez um mau negócio. É um sentimento de negação sobre a compra realizada (Zambon e Benevides, 2003:73). Na busca por maior esclarecimento conceitual sobre a compra por impulso no tocante aos riscos de se ouvir os clientes, foram identificadas três abordagens centrais que descrevem variações comportamentais dos indivíduos ao praticarem compras impulsivamente, são elas: conceito tradicional, conceito comportamental simples e conceito comportamental exagerado (Almeida, 1993). O primeiro (conceito tradicional) corresponde à compra não planejada, cuja principal causa motriz é o próprio ambiente, ou seja, o ato impulsivo de compra é baseado na configuração do ambiente: local, disposição, comparação. O segundo (conceito comportamental simples) corresponde à compra impulsiva motivada por elementos emocionais: ocasionado pelo momento sentimental de cada indivíduo, se feliz ou triste, se entusiasmado ou desanimando, cada um correspondendo a um perfil de impulso de compra. E o terceiro (conceito comportamental exagerado) corresponde à compra impulsiva como sendo uma doença, um tipo de distúrbio que deve ser acompanhado e tratado de modo medicamentoso. O conhecimento de tais abordagens pode ajudar as organizações a melhor avaliar o processo de tomada de decisão de compra dos consumidores (clientes), bem como buscar meios operacionais que promovam o envolvimento do consumidor com o objeto comprado para que se reduza ou evita a ocorrência da dissonância. 8.4 A Dissonância Cognitiva pode ser Eliminada Conforme a teoria de Festinger (1957), os profissionais de Administração e Marketing não podem eliminar a dissonância, mas tais profissionais – no cunho de suas atribuições profissionais cotidianas nas organizações – podem compreender a forma de construção dos mecanismos em que ocorre a dissonância e então, podem agir de forma a minimizá-la ao máximo, reduzindo assim sua intensidade. O estudo do tema, portanto, não está concentrado na erradicação da dissonância, mas sim na maximização da capacidade dos profissionais e organizações em desenvolver ações de negócio (as vendas) que satisfaçam aos clientes, e gerem neles o máximo de consciência sobre o ato realizado, para que possam identificar e aproveitar as justificativas positivamente que levaram à compra em favor da organização e contra a dissonância. Não se trata de evitar as impulsões de compra (contexto emocional), mas sim de estimular atribuições que façam delas válidas emocionalmente, de tal forma que tais emoções não se tornem danosas para a organização por meio de arrependimento da compra realizada. Já que não se pode evitar a dissonância cognitiva, pelo menos tudo que for feito e cujo resultado reduza sua incidência será bem vindo. As organizações que mais avançam neste sentido, em sua maioria estão comprometidas com o eficiente desenvolvimento de campanhas de administração de relacionamento com o cliente, que pode ser vista, dentre outra forma, como os sistemas de Costumer Relationship Management (CRM). 8.5 O que fazer quando a dissonância cognitiva ocorre Outro ponto importante que precisa ficar claro é que, a abordagem do capítulo concentra- se na dissonância ocorrida pelo consumo (na mente do consumidor), e que a intensidade e tipo de respostas para sua “eliminação” dependem dos graus de importância dada ao consumo e de consciência das expectativas. Neste caso, segundo Giglio (2002, p.163), observações informais e pesquisas de Psicologia Social têm demonstrado que ao sentir dissonância cognitiva, as pessoas (clientes – consumidores) percorrem três soluções básicas: a. Os indivíduos distorcem as percepções. Resumidamente esta interpretação pode ser assim entendida: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Em outras palavras, como a percepção é uma seleção de estímulos, ao sentir dissonância, os indivíduos alteram as percepções. b. Os indivíduos depreciam a fonte da dissonância. Resumidamente esta interpretação pode ser assim entendida: “Mas quem foi que disse isso?”. Em outras palavras, trata- se do entendimento de que às vezes os estímulos não podem ser negados, por sua evidência. c. Os indivíduos buscam apoio social. Resumidamente esta interpretação pode ser assim entendida: “Amigo e pra essas coisas.” Geralmente esta situação ocorre quando as duas anteriores não são o bastante para reduzir a dissonância, logo, é a mais forte delas. Ela deve funcionar quando os estímulos são fortes demais para serem negados e a própria pessoa não consegue reunir depreciações adequadas, daí precisa de apoio externo (os amigos / grupo social). Além dessa situação, há outra que associa a dissonância ao consumo. Trata-se da dissonância que ocorre por motivos independentes do consumo e que leva os indivíduos a um consumo específico com resposta para eliminá-la. Por exemplo, mulheres quando se sentem deprimidas ou frustradas por ‘n’ motivos, não têm dúvida em passear e consumir no shopping. Para elas, é uma forma eficaz de mudar os sentimentos negativos (Giglio: 2002:165). Neste caso, os profissionais mais observadores aproveitam dos momentos de dissonância coletiva, como a morte de uma personalidade pública muito querida (um Papa por exemplo), para promover a venda de seus produtos ou imagem. As organizações por sua vez, necessitam entender que a primeira coisa a ser feita é influenciar a etapa referente à construção das expectativas, ou seja, elas precisam esclarecem, o mais detalhadamente possível, quais são os benefícios que o consumidor pode esperar do produto ou serviço. Por exemplo, deixar claro que: o que é o produto; como é utilizado; quais garantias; assistência técnica; formas de pagamento; custos com a manutenção; adaptabilidade; dentre outros. Passa ser necessário que as organizações desenvolvam, inclusive no contexto de venda de produtos, uma tática de prestação de serviços (encarar o processo de venda como um processo de prestação de serviços), que substitua as tradicionais táticas de vendas (tirar pedidos). Isso equivale a dizer que é preciso que fique claro, para o cliente, o compromisso da organização com ele e, quais as responsabilidadesda mesma com o produto. A entrega de algo deve ser mais deve significar mais ao cliente que simplesmente uma compra, ela deve representar compromisso e gerar relacionamento. As organizações devem também, segundo Giglio (2002:168) cuidar dos benefícios obtidos. Isso consiste em atuar no momento da compra e no pós-compra, que é quando se constrói a noção do que se está obtendo em comparação ao que se esperava. Este momento refere-se a dois aspectos que são ‘as expectativas’ e ‘os resultados’, por exemplo, durante um show musical ou durante uma limpeza de pele. No pós-compra a tática consiste em influenciar positivamente as conclusões sobre o que se obteve. Entende-se que para isso, muitas ações podem ser praticadas, por exemplo, a apresentação em comerciais de tevê o produto sendo utilizado por pessoas em situação de indiscutível satisfação. Mulheres bonitas em campanhas de shampoo etc. Logo, a própria propaganda poder ser utilizada, não apenas para chamar a atenção e para a venda, mas para a retenção e influencia de satisfação. Por fim, as organizações precisam realizar pesquisas constantes sobre o comportamento de seus clientes, sejam pesquisas científicas ou seja pela mera observação. Indagar os funcionários do front-office e alguns clientes sempre é útil, bem como, acompanhar as informações gerais sobre a demanda por setor, publicadas por sérios institutos de pesquisa, instituições de ensino e jornais qualificados como Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. Revista como Veja, Exame e os anuários da Exame e da Gazeta Mercantil também devem ser acompanhados. Informações regionais, apresentadas em jornais locais idem. Outro caminho importante a percorrer é indagar não clientes sobre o produto ou serviço, muitas vezes, as respostas obtidas podem surpreender no tocante aos motivos de não ter comprado antes, ou simplesmente não comprar de tal marca ou estabelecimento etc. imagine que muitos indivíduos informem não comprar em determinado estabelecimento devido ao elevado número de críticas que ouvem sobre o local, provavelmente tal informação – que está ligada a situação de dissonância dos clientes atuais – causaria todo um repensar das atividades de relacionamento no momento da venda, indo desde treinamento de funcionários a revisão de layout. Não cegar para as questões relativas aos clientes é um passo inicial, procurar ampliar o entendimento do comportamento dos clientes e o que os causa frustrações é ainda mais importante (passo para organizações maduras). Com o incremento da competição, maiores serão as disputas pela clientela e, bem sucedidas serão aquelas que melhor conhecerem e relacionarem-se com seus clientes. Faça de seu cliente seu “amigo”, retribua a dedicação dele e seja sempre, antes mesmo de qualquer posicionamento do cliente, dedicado a ele. Não espera nada antes de ter dado algo. Glossário CRM – Customer Relationship Management – Gerenciamento do Relacionamento com o cliente. Desejo – é o afã de obter mais satisfação do que é absolutamente necessário para melhorar uma condição insatisfatória. Dissonância cognitiva – comparação dos resultados da compra com a pós-compra e as expectativas que originaram a mesma, e chega-se à constatação diferente e inferior à expectativa previamente estabelecida, ou seja, as expectativas presentes no ato da compra não foram atingidas e mantidas depois o ato de compra, gerando uma sensação de negação e/ou arrependimento do ato de compra (Zambon e Benevides, 2003, p.84). Compra por impulso – aquisição de bens sem qualquer planejamento ou esforço de procura, já que são amplamente expostos e normalmente de baixo preço, tais como revistas, chocolates etc. (Moreira; Pasquale; Dubner, 1999: 98). Porém, a compra por impulso pode se dar para produtos com preço elevado. Necessidade – é a condição insatisfatória de um cliente que o leva a uma ação que tornará essa condição melhor. Necessidades declaradas – aquelas necessidades que o cliente declara ter quando em situação de potencial compra, por exemplo: o cliente diz precisar de condicionador de ar, direção hidráulica, air-bag, rodas de liga leve aro 16 quando está em busca de um automóvel. Necessidades reais – aquelas necessidades que de fato devem ser supridas (necessidade literal), por exemplo: o cliente realmente necessidade de transporte quando requer um automóvel. - - - - - - - - - - - - - - - - - MOMENTO DE REFLEXÃO - - - - - - - - - - - - - - - - - Atividade: Reflita sobre as questões propostas a seguir 1 - Você já comprou algum produto por impulso? ( ) Sim ( ) Não. Como tenho certeza que sim, como poderia ter evitado tal ato se não realizá-lo fosse realmente muito importante? 2 - Reflita e disserte sobre o sentido de dissonância cognitiva e sua importância no contexto (a) dos consumidores e (b) das organizações. 3 - Disserte sobre a importante para as organizações compreenderem: a) O comportamento de compra racional. b) O comportamento de compra por impulso. c) A ocorrência da dissonância cognitiva. 4 - Explique por que, na prática, a dissonância cognitiva não pode ser eliminada. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Exercício 1: Assinale a afirmativa que apresenta corretamente a definição e o contexto de compra por impulso: Compra por impulso é A a compra totalmente racionalizada, ou seja, aquela em que o cliente sabe exatamente o que e porque comprar. B a compra motivada por pulsões não interpretadas pelo cérebro, ou seja, a compra motivada por impulsos do coração. C a compra realizada em uma loja de conveniência, quando o cliente está com pressa. D a compra não racionalizada, geralmente ocorrida depois que o cliente identifica um produto, o deseja e efetiva a compra sem verificar sua necessidade ou importância. E a comparação dos resultados da compra com a pós compra e as expectativas que a originaram. Exercício 2: A dissonância cognitiva pode ocorrer em uma série de condições comuns no cotidiano das pessoas. Assinale a afirmativa que não representa uma condição possivelmente geradora de dissonância cognitiva: A Quando estou comprando uma casa. B Quando a minha decisão envolve outras pessoas. C Quando a loja me garante “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta". D Quando tenho que optar entre muitas alternativas, todas atraentes. E Quando não tenho certeza se a melhor alternativa é comprar agora ou esperar alguns dias. Exercício 3: Resumidamente o Marketing de Permissão é importante por A gerar mais vendas. B garantir acesso de qualidade aos clientes. C gerar retorno da propaganda, permitindo que o cliente entre em contato com a empresa. D proporcionar comunicações mais volumosas. E gerar mailing list para futuros negócios. EXERCÍCIO ED Exercício 1: Desde o início de seu curso de Administração em 2006, o brilhante jovem André, recentemente promovido a gerente responsável pelo ‘Departamento de Marketing e Venda’ da empresa “Sonhovencedor” aprendeu que uma das atividades mais desafiadoras de um gerente é tomar decisões, isso porque estas atingem o negócio como um todo, as pessoas que nele trabalham e, sobretudo, os clientes. Agora, diante de uma grande dificuldade enfrentada pela empresa, relacionada ao seu departamento, André deve tomar alguma providência que leve a uma mudança da situação atual, que é a constatação de que após relançar no mercado seu produto “carrochefe” (produto mais vendido) o colchão “Style Bamboo10”, com inúmeros novos atributos, tais como, tecido a base de fibra de bambu, espuma viscoelástico, garantia de 12 anos nas molas (tipo ensacadas), anti mancha e anti suor asvendas caíram, mesmo o produto tendo ficado apenas 9% mais caro que antes. Enquanto isso, as vendas de seu principal concorrente que já havia relançado seu produto mais vendido meses antes duplicaram e, com um preço 13% mais elevado. Ao estudar o produto do concorrente, a Sonhovencedor constatou que poucas foram suas mudanças, restringindose a um novo tecido. Com base no texto, qual das afirmativas a seguir, possivelmente, representaria um caminho a ser seguido por André para entender em que a empresa falhou e, então desenvolver uma estratégia mercadológica para recuperar a participação de mercado? A Realizar uma nova análise do composto de marketing, identificando as variações do produto, do preço e da promoção em relação ao seu principal concorrente. Feito isso, talvez fosse viável colocar novamente à venda seu produto carrochefe exatamente como era antes, inclusive em termos de preço, e manter o lançamento (Style bamboo10) como uma diferenciação do produto mais vendido. B Realizar uma nova análise dos preços praticados, pois, como o produto de seu principal concorrente apresentou reajuste de 13% no mercado sugerindo que os consumidores se dispõem a pagar mais, o que certamente se tem é um erro no composto ‘preço’ do Mix de Marketing, ou seja, o reajuste menor de seu produto deve ter levado os clientes a pensarem que o produto é inferior. C Realizar uma análise promocional que tente descobrir porque sua empresa relançou o produto após seu principal concorrente, pois, certamente foi isso que fez com que ele ganhasse mercado e a empresa Sonho vencedor perdesse participação de maneira tão acentuada, com isso, a única solução plausível para André seria fazer o lançamento de outro produto imediatamente. D Realizar uma revisão em sua política de marketing interno, pois, certamente alguém errou no conjunto dos 4P’s (Mix de Marketing) quanto sugeriu o relançamento do produto, e o erro se refere ao fato de quando um produto tem vendas elevadas nunca deve sofrer alterações, pois, isso fará com que suas vendas diminuam, logo, a alternativa estratégica de André seria contratar uma nova equipe não contaminada por tal situação. E Realizar uma pesquisa de mercado e outra pesquisa da percepção de clientes para saber o que os clientes esperam do produto, então copiar o produto do concorrente e lançálo igualzinho. Porém, como esta estratégia será paliativa, André deverá sugerir à empresa que, ainda que tenha que recorrer aos bancos, faça a proposta de comprar seu principal concorrente com isso, eliminando tal marca e tais produtos. Exercício 2: “Os compradores são separados em grupos com base em seu estilo de vida, personalidade, valores e envolvimento com o produto...” A afirmação acima referese à segmentação A de benefícios. B geográfica. C psicográfica. D por Grau de Utilização. E de Mercado. Exercício 3: Leia atentamente a situação a seguir: Após anos no mercado e praticamente sem concorrentes para toda a sua enorme gama de produtos, cujos preços variam desde os populares até outros, consideravelmente elevados, no último ano a empresa “Extratos” viu uma enxurrada de concorrentes abocanharem boa parte de seus clientes. Como nunca se preocupou em conhecer profundamente os seus clientes, já que não havia concorrência, a empresa não sabe exatamente como pesquisar a opinião de clientes e consumidores a fim de saber o que pode fazer para tornálos fiéis, evitando que o atual processo de perda de clientes continue, determinando, consequentemente, contínua redução de lucros. Para que a empresa pesquise a opinião de seus clientes, em busca de soluções para a crise que atravessa, deverá A praticar a segmentação de mercado, alocando os clientes em grupos mais ou menos homogêneos, para facilitar o acesso a eles na hora da pesquisa, lembrando que os indivíduos são indicados para determinados grupos por terem características semelhantes que fazem deles pessoas idealmente pesquisáveis. B praticar a diferenciação de mercado. Já que possuí vários produtos diferentes, deverá tornálos complexos e focados em cada cliente, pois isso é fácil de realizar e é de baixo custo, dado que a maioria dos clientes ainda está na empresa e não nos concorrentes. C praticar a segmentação de mercado para que os concorrentes saibam que ela reagirá, agressivamente se necessário, contra suas ações. Por exemplo, utilizará estratégias de marketing de guerrilha contra os concorrentes, lembrando que essa estratégia inclui o recurso de sugerir que há o risco de compra de todas as empresas do mercado para dominá-lo. D utilizar a revisão de conceito marca, ou seja, deverá buscar saber o que está falhando em sua marca e impedindo a entrada de novos clientes, já que anteriormente ela atuava praticamente sozinha. Em outras palavras, uma marca forte possibilitará reverter a situação e eliminará a concorrência. E atuar com uma forte campanha de preço baixo, na ótica da liquidação. Com isso garantirá o máximo de vendas e, posteriormente, quando os concorrentes se desinteressarem pelo mercado, ela poderá elevar os preços aos patamares que desejar. Exercício 4: “Quando a organização adota a perspectiva do marketing de __________, decide atender grupos de clientes que têm entre si algumas características em comum, com produtos e serviços dirigidos a esses públicos. Boa parte das empresas, atualmente, investe elevadas somas para identificar esses grupos e suas preferências, para elaborar produtos que agradem à média (ou a maioria) dos clientes.” Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna acima: A segmentação. B posicionamento. C customização. D diferenciação. E relacionamento. Exercício 5: O momento verdade como instrumento para identificar atributos valorizados pelos clientes pode ser identificado como aquele momento em que A por meio do ciclo de serviços o cliente é questionado sobre sua satisfação em relação a determinado produto ou serviço. É, pois, representativo de uma pesquisa de mercado quantitativa. B a organização projeta um novo produto ou serviço no mercado. É, pois, o momento em que se persegue o objetivo central de desenvolver uma ação concorrencial competitiva capaz de lançar a empresa à frente dos concorrentes diretos. Assim, o momento verdade é relatado em função da empresa e não do cliente. C uma organização desenvolve um novo contato com seu ‘cliente potencial’ por meio de um novo produto, objetivando tornálo leal e, somente depois, fiel à organização. Esse procedimento aumenta sua participação de mercado e seu reconhecimento competitivo. Isso ocorre porque o cliente é a “alma viva” do negócio. D o cliente define a compra. É, pois, o momento em que ocorre o processo de decisão de compra e sua efetiva realização. E o cliente entra em contato com qualquer setor do seu negócio e, com base nesse contato, forma uma opinião sobre a qualidade do serviço e, possivelmente, sobre a qualidade do produto. Exercício 6: As relações entre consumidores e organizações são palco para muitas discussões, entre as quais incluem-se os motivos que levam os indivíduos a praticarem a compra e as formas adotadas para isso. Há pelo menos duas condições fundamentais para a compreensão do processo de compra de um cliente/consumidor. São elas: A compra racional e compra por impulso. B compra programada e venda não programada. C compra por impulso e dissonância cognitiva. D compra no atacado e compra no varejo. E compra certa e compra errada. Exercício 7: O termo “dissonância cognitiva” provém dos estudos de Festinger (1957) apresentados na obra A theory of cognitive dissonance. Desde então, muitas discussões sobre o assunto tomaram corpo. No campo da Administração, a pauta ficou principalmente enquadrada em marketing, por seu empenhoem relacionar as atividades organizacionais às atividades individuais dos clientes e consumidores, bem como por sua aproximação com os discursos sociológicos, psicológicos e antropológicos, além do filosófico. Esses fatores todos achamse incluídos em um conjunto de variáveis que visam a busca de vantagens para as duas partes (clientes e organizações) e cuja obtenção demanda interação e conhecimento mútuo. Segundo Festinger, dissonância cognitiva referese ao processo A final, cognitivo e emocional, de verificação da diferença entre o que se esperava e o ocorrido. B de planejamento de compra que falhou. C inicial de compra por impulso, ocasião em que o cliente, incerto quanto aos próprios desejos, compra o que estiver à disposição para logo depois arrepender-se. D de arrependimento do cliente em função das expectativas da organização. E de desenvolvimento de relações entre cliente e organização, isento da interferência de variáveis negativas, tais como o arrependimento pós compra. Exercício 8: A reflexão a seguir serve como teste para você verificar sua capacidade de identificar as variáveis mais relevantes. Considerea como se fosse, por exemplo, uma avaliação de concurso público. “Pelo ritmo do diaadia, as pessoas passam a sentir que há menos tempo disponível para realizar suas tarefas, especialmente as ligadas ao relacionamento com amigos e amores, entretenimento, lazer e trabalho. O total de horas despendidas diante de computadores vem aumentando. Muitos motivos servem de justificativa para essa realidade em que o tempo parece mais curto.” Assinale a afirmativa que não faz correta referência a afirmação acima, ou seja, aos motivos/justificativas apresentados: A É enorme a quantidade de informação disponível. B A qualidade das informações é bastante discutível. C Cresce a possibilidade de desenvolver relacionamentos à distância. D Ocorre o aumento de recursos de entretenimento visual e sonoro, em especial através da internet. E A matéria perde sua importância. Exercício 9: Assinale a alternativa que não representa um requisito exigido das pessoas que interagem com os clientes: A Habilidade de comunicação. B Capacidade de gerenciar crises. C Autonomia para resolver problemas. D Não aceitação das diferenças. E Empatia e cortesia. Exercício 10: A Administração do Relacionamento com o Cliente é importante para A desenvolver um bom relacionamento com os clientes, ou seja, um relacionamento que seja vantajoso tanto para eles quanto para a organização. B identificar clientes inadimplentes, que não pagam em dia, e então vender ainda mais para eles. C dispensar clientes sempre que possível. D fazer com que os clientes sejam infelizes. E poupar a empresa do excesso de clientes. Exercício 11: A dissonância cognitiva é? A Um tipo de sentimento de arrependimento. B Vontade de comer chocolate importado. C Uma forma de agir quando você visita pessoas em outros países. D Uma coisa boa sempre, pois, os clientes nem sabem o que ela é então gostam muito. E Uma técnica de redação desenvolvida para enganar os clientes e depois "matálos". Exercício 12: Os três principais papéis dos clientes são os A de usuário, comprador e pagante. B atacadista, varejista e reclamante. C homem, mulher e consumista. D empresário, proprietário e funcionário. E comprador, consumidor e "marketeiro". Exercício 13: Resumidamente, a segmentação pode ser entendida como A uma divisão em partes menores. B um tipo de guerra de preços de refrigerantes coreanos. C uma forma de pesquisa realizada unicamente com mulheres. D uma forma de pesquisa realizada unicamente com homens. E um tipo de dança folclórica. Exercício 14: Estudase "Administração do Relacionamento com os Clientes" para A compreender quem são eles e quais suas preferências para bem atende-los. B criar produtos para as empresas. C favorecer a venda de todos os produtos. D fazer com que as pessoas se tornem clientes e não consumidoras. E fazer com que as pessoas se tornem consumidores e não clientes. Exercício 15: Conhecer os princípios e os processos de gestão do relacionamento com os clientes é importante para que as organizações possam estar totalmente centradas A em seus lucros. B em seus produtos. C em suas atividades de suporte econômico, para priorizarem os lucros. D em suas atividades de importação e exportação. E nas necessidades de seus clientes e no modo de responder a elas a certo lucro. Exercício 16: Segundo a Administração do Relacionamento com o Cliente, a pessoa que utiliza determinado produto é o A consumidor. B cliente. C cliente intermediário. D pagante. E comprador. Exercício 17: Um cliente insatisfeito busca melhorar sua condição movido A pelo desejo. B pela esperança. C pela necessidade. D pela organização. E pelo relacionamento. Exercício 18: Para obter mais satisfação do que a absolutamente necessária, o cliente é movido A pelo desejo. B pela conveniência. C pela customização. D pelo relacionamento. E pela segmentação. Exercício 19: O cliente que adquire produtos para revenda ou para industrialização (geralmente, transformação para revenda) é o A cliente estoquista. B cliente intermediário. C cliente usuário. D consumidor intermediário. E parceiro. Exercício 20: Considere a seguinte situação: Um consumidor vai a um supermercado em busca de um produto e não o encontra. Pede ajuda a um atendente e 23 minutos mais tarde, depois de haver caminhado por quase toda a loja em companhia do atendente, já irritado e cansado, ele recorre à gerência do supermercado. Nessa situação o supermercado deve A considerar esse cliente como perdido, pois, ainda que ele tenha comprado o que queria naquele momento, não retornará. B providenciar um ambiente de espera para que os clientes possam aguardar o retorno de atendentes da loja, ainda que isso demore o dia inteiro. C considerar que foi oferecida ao cliente a oportunidade de um atendimento perfeito, que ele não soube aproveitar. D identificar nessa ocorrência a oportunidade de conhecer melhor as necessidades dos clientes e a necessidade de reavaliar a organização da loja, os recursos de informação relativa aos setores, o sortimento de produtos e a distribuição física dos estoques. E considerar que o cliente ficou totalmente satisfeito e retornará à loja sempre que precisar de algo.