A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
64 pág.
RESUMÃO DE CLINICA MEDICA I   Seminários Parte 2

Pré-visualização | Página 22 de 22

da porção alta do tronco encefálico, mas pode ocorrer também na 
vigência de processos metabólicos. Não é obrigatoriamente irreversível. 
A rigidez de descorticação ou postura descortiçada traduz-se por adução dos braços, 
flexão dos antebraços com pronação e flexão dos punhos, enquanto os MMII permanecem 
estendidos. Encontrada nos comas prolongados determinados por anoxia pós-parada cardíaca 
e/ou respiratória, hipoglicemia acentuada ou por traumatismo cranioencefálico. 
Movimentos involuntários 
Podem surgir no decurso de certos comas. São representados por mioclonia, tremor 
(incluindo asterixe ou flapping tremor) ou convulsões. 
Face 
Nos pacientes em coma, caso a paralisia facial não seja evidente à simples inspeção 
estática, faz-se necessária a utilização de manobras que possam evidenciá-la – qualquer 
manobra que provoque dor possibilita a apreciação de assimetria facial que acompanha a 
mímica reacional. 
Sinais de irritação meníngea 
A rigidez da nuca é o mais importante. Podem aparecer em alguns casos também os sinais 
de Kernig, Brudzinski e opistótono. 
Exame ocular 
Deve obedecer á seguinte sistematização: motricidade ocular extrínseca, motricidade 
ocular intrínseca, reflexo corneano e fundo de olho. 
Dissolução das funções motoras 
O exame das funções motoras deve começar pela inspeção do doente, sem que ele seja 
submetido a qualquer estímulo. Se ele estiver agitado, torna-se evidente a perda de 
movimentação em um hemicorpo, se houver. O sinal do pé caído também é útil na avaliação da 
motricidade MI e indica lesão dos músculos rotadores internos da coxa. Outra forma de avaliar 
as funções motoras se faz pela aplicação de estímulos dolorosos, representados por 
beliscamento ou picada com agulha em um segmento do corpo. Nessas manobras, algumas 
respostas são possíveis: (1) retirada do membro estimulado; (2) ausência de qualquer reação; 
(3) aparecimento de respostas inadequadas; (4) reação do membro oposto. 
 
Exame do SNA 
Informa sobre a gravidade do coma. As principais funções autonômicas a serem avaliadas 
são: regulação térmica, função respiratória e pulso. 
 
Diagnóstico diferencial 
É fundamental estabelecer se a causa do coma do paciente é estrutural, metabólica ou 
trata-se de um pseudocoma de natureza psíquica. 
 
 
Grau de profundidade dos comas 
Grau I ou estupor: Há apenas depressão da consciência, persistindo alguma capacidade 
de contato do paciente com o meio. O doente reage ao estímulo abrindo os olhos, 
movimentando-se e/ou emitindo alguma resposta verbal simples. Com relação ao tônus 
muscular, pode aparecer postura de descorticação ao estímulo doloroso. A deglutição e os 
reflexos corneanos, fotomotores e profundos estão preservados. Pela estimulação calórica do 
labirinto, obtém-se o reflexo vestíbulo-ocular com a presença de componente rápida; o reflexo 
oculocefálico também está presente. As funções autonômicas geralmente estão intactas. 
Grau II ou coma superficial: O comprometimento da consciência se acentua, perdendo-se 
por completo as conexões do paciente com o meio. Não reage aos estímulos dolorosos ou 
quando o faz, reage por meio de agitação ou postura de descerebração. Os reflexos corneanos 
e fotomotores costumam estar preservados e os profundos podem estar diminuídos. Pela 
estimulação calórica do labirinto, obtém-se o reflexo vestíbulo-ocular com a presença de 
componente rápida; o reflexo oculocefálico também está presente. As funções autonômicas 
geralmente estão intactas. 
Grau III ou coma profundo: Além da abolição completa da consciência, o paciente não 
reage aos estímulos dolorosos a não ser quando em postura de descebração. Os reflexos 
corneano, fotomotores e profundos costumam estar deprimidos. Pela estimulação calórica do 
labirinto, obtém-se o reflexo vestíbulo-ocular parcialmente, com desaparecimento da 
componente rápida; o reflexo oculocefálico está abolido. São frequentes os distúrbios profundos 
(da termorregulação,alterações respiratórias, bradicardia ou taquicardia). 
Grau IV ou “coma depassé”: As funções vegetativas não se mantêm, a não ser à custa de 
recursos especiais. Todos os reflexos de integração encefálica estão abolidos. É a morte 
encefálica. 
 
CATATONIA, MUTISMO ACINÉTICO, SÍNDROME DO ENCARCERAMENTO, ESTADO 
VEGETATIVO PERSISTENTE, MORTE ENCEFÁLICA 
 
Mutismo acinético: 
Paciente parcial ou totalmente disperso, capaz de formar idéias e pensar, mas que 
permanece imóvel e mudo, principalmente quando não estimulado. Cansado por lesões nos 
núcleos talâmicos médias ou nos lobos frontais ou pela hidrocefalia. 
 
Estado vegetativo: 
Estado desperto, mas irresponsivo (pálpebras abertas, dando aparência de vigília). 
Bocejos, gemidos, deglutição e movimentos da cabeça e dos membros são preservados, mas há 
pouca ou nenhuma resposta propositada ao ambiente externo – em suma, um coma “vigil”. É 
chamado de persistente quando persiste por vários meses. 
 
Encarceramento: 
Pseudocoma no qual um paciente desperto não tem meios de falar ou realizar movimentos 
voluntários dos membros, da face ou da faringe. Contudo, o movimento vertical dos olhos e a 
elevação das pálpebras são preservados, permitindo que o paciente sinalize em resposta. 
 
Catatonia: 
Mutismo e hipoatividade associados à psicose grave. Os olhos ficam semiabertos, mas o 
paciente não realiza movimentos voluntários ou em resposta a estímulos, embora pisquem os 
olhos espontaneamente e degustam. Os membros conservam a postura na qual foram 
colocados pelo médico. 
 
Morte encefálica: 
Estado no qual houve interrupção completa do fluxo sangüíneo cerebral. Em 
consequência, há isquemia global do cérebro. Há 3 componentes essenciais: (1) destruição 
cortical generalizada, evidenciada por coma profundo – irresponsividade a todos os estímulos; 
(2) lesão generalizada do tronco encefálico, demonstrada por ausência do reflexo pupilar à luz, 
dos reflexos oculovestibulares e corneopalpebrais; (3) destruição do tronco encefálico inferior, 
indicada por apneia completa. A frequência do pulso também é invariável e não responde à 
atropina.