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2 ANÁLISE DO BINÔMIO TEMPO X TEMPERATURA NA DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS EM UNIDADES DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO COMERCIAIS DO MUNICÍPIO DE GUARAPUAVA, PARANÁ. ANALYSIS OF THE TIME X TEMPERATURA BINOMIAL IN THE DISTRIBUTION OF FOOD IN UNITS THE EATING AND NUTRITION COMMERCIAL OF THE CITY OF GUARAPUAVA, PARANÁ. BOZATSKI, Luana Carla1 MOURA, Priscilla Negrão de2 NOVELLO, Daiana3 RESUMO Os serviços de alimentação coletiva têm se expandido em todo o país, sendo os restaurantes do tipo self-service uma das preferências atuais dos consumidores pela sua praticidade e variedade de alimentos. Entretanto, as condições de higiene desses locais nem sempre são adequadas, tornando os alimentos fontes de contaminação por microrganismos e aumentando ainda o risco de contrair doenças transmitidas por alimentos (DTA’s). Para isso, o controle do tempo e da temperatura são um dos meios mais eficazes ao combate de microorganismos. Levando-se em conta esses fatores, o presente estudo teve como objetivos, contribuir para melhoria do serviço self-service nas UANs, verificar as temperaturas de distribuição das preparações quentes e frias durante um determinado período de tempo e avaliar os resultados de acordo com a legislação vigente (Resolução RDC n°216). A coleta ocorreu no horário do almoço durante sete dias em cada restaurante, onde utilizou-se um termômetro digital tipo “espeto”, para aferição das temperaturas iniciais, intermediárias e finais no horário de distribuição. Os resultados obtidos foram de que as médias das saladas dos dois restaurantes apresentaram-se inadequadas, ou seja, acima de 10°C. Em relação às preparações quentes, a guarnição apresentou pequena porcentagem de adequação (38%), nos dois restaurantes, estando abaixo do recomendado pela RDC nº216. Com isso, conclui-se que as temperaturas encontradas são propícias para a proliferação de microorganismos patogênicos, agregando níveis pouco satisfatórios para produção de alimentos seguros. Palavras-chave: temperatura, tempo, doenças transmitidas por alimentos ABSTRACT The services have expanded food service throughout the country, and the restaurants of the self-service of the current preferences of consumers for its convenience and variety of foods. However, the hygiene of these places are not always appropriate, making the food sources of contamination by microorganisms and also increasing the risk of foodborne disease (FBD's). 1 Acadêmica do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO. 2 Professora Mestre do Departamento de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO. Orientadora. 3 Professora Doutora do Departamento de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste – UNICENTRO. Estatística. 3 For this, the control of time and temperature are a very effective way to combat microorganisms. Taking into account these factors, this study aimed to contribute to improving the self-service in UANs, check the temperature distribution of hot and cold preparations during a certain period of time and evaluate the results according to the legislation (Resolution RDC No. 216). The gathering took place at lunchtime seven days in each restaurant, where we used a digital thermometer type "stick" to measure the temperatures initial, intermediate and final time of distribution. The results obtained were the averages of two salads from restaurants were inadequate, ie, above 10 ° C. In relation to hot preparations, trim with small percentage of adequacy (38%) in both restaurants, being below the level recommended by RDC No. 216. Thus, we conclude that the temperatures found are conducive to the proliferation of pathogenic microorganisms, adding levels unsatisfactory for the production of safe food. Key-words: temperature, time, diseases transmitted by food INTRODUÇÃO Cada vez mais surgem novos determinantes para a ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA’s) em todo o mundo. Pode-se destacar a grande quantidade de pessoas que realizam as refeições fora de casa, tendo como consequência à necessidade de uma produção de alimentos em grande escala, dificultando assim o preparo ou conservação das refeições que podem trazer inúmeros riscos para os comensais. Outro determinante para o risco de DTA’s é o aumento do consumo coletivo de alimentos em redes do tipo “fast-food” e restaurantes “self-service”. As pessoas estão tendo menos tempo para preparar sua própria comida em casa e estes restaurantes oferecem maior variedade e praticidade 1,2,3. As DTA’s são causadas por microorganismos presentes na água ou alimento contaminado, que afetam o organismo humano podendo levar o indivíduo à morte. No Estado do Paraná, poucos são os casos notificados, visto que os sintomas, na maioria das vezes, são confundidos com gripes ou diarréias e vômitos leves. Mesmo assim, os dados disponíveis de surtos de DTA’s são suficientes para relatar a relação dos tipos de microorganismos mais presentes nos alimentos contaminados, sendo estes, os de origem bacteriana, destacando-se por maior número de surtos o Staphylococcus aureus e Salmonella sp 4. Silva Junior 5 (2005), destaca os fatores que influenciam na proliferação de microorganismos patógenos, sendo eles a preparação com excessiva antecipação, alimentos deixados à temperatura ambiente, alimentos esfriados em panelas grandes, inadequada conservação a quente, descongelamento inadequado e preparação de quantidades de alimentos excessivas. O aquecimento ou cocção insuficientes e o reaquecimento inadequado influenciam na sobrevivência desses agentes patógenos. 4 Nesse sentido, o conhecimento sobre os parâmetros aceitáveis de temperatura é imprescindível na avaliação de riscos que os alimentos podem oferecer à saúde. A temperatura ocupa lugar de destaque dentre os inúmeros parâmetros extrínsecos que favorecem a multiplicação desses microorganismos em alimentos. De acordo com os registros da Organização Mundial da Saúde (OMS), são detectados todo ano nos países em desenvolvimento, mais de 1 bilhão de casos de diarréia aguda em crianças menores de 5 anos. A contaminação de alimentos é uma das causas representativas desse número6. As DTAs não só causam prejuízos à saúde das pessoas, como também para a economia do estado. Os custos incluem a diminuição na renda pessoal devido à perda de dias no trabalho, custos com cuidados médicos, diminuição de produtividade, custos relacionados à investigação de surtos, fechamento de empresas e diminuição nas vendas 4. Segundo o Ministério da Saúde, de 1999 a outubro de 2010, foram notificados à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) 6.971 surtos, com registro de 88 óbitos, no Brasil. Em relação à distribuição dos surtos conforme as regiões brasileiras, 48,7% foram notificados na região Sul. Dos surtos com informações sobre o alimento envolvido, 22,2% são ocasionados por alimentos com ovos crus ou mal cozidos na composição 7. O Manual dos Manipuladores de Alimentos do Serviço Social do Comércio – SESC 8 (2008), afirma que a temperatura é o fator ambiental que mais afeta o crescimento de microorganismos nos alimentos. O controle do tempo e da temperatura durante todo o preparo até distribuição, dos alimentos acabam sendo muito importantes, pois eliminam ou diminuem o número de microorganismos existentes 9. A fiscalização da manutenção da temperatura ideal para os alimentos é feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que desde 15 de setembro de 2004, orienta os comerciantes a procederem de maneira adequada e segura no que diz respeito à manipulação, preparo, acondicionamento, armazenamento, transporte e exposição à venda dos alimentos através da Resolução RDC nº21610 . De acordo com essa Resolução11, após serem submetidos à cocção, os alimentos preparados devem ser mantidos em condições de tempo e de temperatura que não favoreçam a multiplicação microbiana. Assim, a temperatura ideal para conservação a quente deve ser superior a 60ºC e para conservação a frio deve permanecer inferior a 10ºC por, no máximo, 6 horas. A Portaria CVS-6/99 de 10 de março de 1999 12, preconiza as combinações de tempo e temperatura da seguinte forma: 5 Alimentos quentes: • Podem ficar na distribuição ou espera a 65ºC ou mais por no máximo 12 h ou a 60ºC por no máximo 6 h ou abaixo de 60ºC por 3 h. • Os alimentos que ultrapassarem os prazos estipulados devem ser desprezados. Alimentos frios: Alimentos frios potencialmente perigosos que favorecem uma rápida multiplicação microbiana: • Devem ser distribuídos no máximo a 10ºC por até 4 horas. • Quando a temperatura estiver entre 10ºC e 21ºC, só podem permanecer na distribuição por 2 horas. • Alimentos frios que ultrapassarem os critérios de tempo e temperatura estabelecidos devem ser desprezados. Segundo Trigo 13 (1999), os alimentos que vão para a distribuição devem permanecer no máximo entre 30 e 40 minutos nas cubas, assim é preciso calcular a quantidade a ser distribuída, para que esta seja consumida nesse período de tempo e só depois seja feita a reposição. O balcão térmico deve funcionar entre 85°C e 90°C, para garantir a temperatura interna mínima dos alimentos quentes a 60°C. Os alimentos frios devem ser mantidos a 10°C por 30 minutos na distribuição. O objetivo de uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) é fornecer uma refeição nutricionalmente equilibrada, que seja adequada aos comensais, visando auxiliar no desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis, e principalmente apresentando bom nível de sanidade 14. Alves e Ueno 15 (2010), relatam que a qualidade das refeições servidas em restaurantes envolve várias medidas de prevenção e controle, sendo importante o monitoramento de parâmetros, como o tempo e a temperatura que pode ser aplicado em todas as etapas da cadeia produtiva. Para Silva Junior 5 (1995), preparar alimentos em condições de segurança higiênico- sanitárias depende de técnicas operacionais padrão nas Unidades de Alimentação e Nutrição (UANs). Uma delas é o controle de tempo e temperatura com manipulação segura para evitar toxinfecções alimentares. Assim, o principal item a ser controlado quando se busca fornecer um alimento seguro é a temperatura. A investigação a respeito da qualidade dos alimentos prontos permite verificar o atendimento à legislação, alertando sobre a importância do papel dos 6 estabelecimentos que produzem e distribuem alimentos e das autoridades sanitárias na garantia de segurança alimentar da população 16. Quando a temperatura ideal para os alimentos não é respeitada, além das punições para as empresas, no que se refere ao desrespeito à Resolução RDC nº216, os alimentos também sofrem consequências. De acordo com Napoleão 10 (2011), o principal efeito para o alimento é o prejuízo das características organolépticas, como gosto, cheiro e aparência das preparações. Com base no exposto, os objetivos dessa pesquisa foram de contribuir para melhoria do serviço self-service nas UANs, verificar as temperaturas de distribuição das preparações e avaliar os resultados de acordo com a legislação vigente (Resolução RDC n°216). MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo e observacional, que envolveu dois restaurantes comerciais do tipo self-service do município de Guarapuava-PR que concordaram voluntariamente em participar do estudo e o proprietário de cada restaurante assinou uma declaração de autorização (Apêndice 1). A coleta ocorreu no horário do almoço durante 7 dias em cada restaurante, totalizando 14 dias. Escolheu-se quatro preparações quentes nas cubas do balcão térmico da área de distribuição e três preparações frias que eram distribuídas em temperatura ambiente em ambos os restaurantes para aferição da temperatura. O critério de escolha das preparações foi de acordo com o cardápio das unidades tendo em vista que ambos os restaurantes não ofereciam grande variedade de preparações, assim foram aferidas as preparações em comum. As preparações frias foram escolhidas a partir do critério de risco potencial de causarem toxinfecções alimentares. Assim, no restaurante 1, a maionese continha batata e ovos cozidos juntamente com molho, a maionese de legumes era composta por legumes previamente cozidos, como brócolis, cenoura e chuchu acompanhados de molho e, na salada colorida tinha ovos e legumes cozidos. No restaurante 2, as saladas eram menos elaboradas, porém também cozidas, o que exige maior cautela quanto à temperatura. Utilizou-se termômetro digital (Multi-Stem Termomether) com capacidade para medir temperatura entre – 50ºC e 150ºC. A temperatura coletada foi aquela que perdurou por 5 segundos, tendo-se o cuidado de não haver contato entre o termômetro e as paredes e o fundo das cubas. Após cada aferição, o termômetro foi higienizado com papel toalha não reciclado e álcool 70%. 7 Entre uma cuba e outra, foi respeitado um espaço de tempo de aproximadamente um minuto, para que a temperatura de um alimento não interferisse nas medições posteriores e retornasse para o valor da temperatura ambiente. As temperaturas foram aferidas em três horários diferentes, sendo estes no início da distribuição, no momento intermediário e término das mesmas (11:00; 12:00; 13:00), observando-se a variação de temperatura. Os dados coletados foram transferidos em planilha no Microsoft Excel®. Após foram avaliados através da análise de variância (ANOVA), utilizando-se o teste t de student e o teste de TUKEY para comparação de médias, em nível de 5% de significância, com auxílio do software Statgraphics plus, versão 5.1. RESULTADOS E DISCUSSÃO Analisando as informações coletadas observou-se que a média das temperaturas das preparações frias (n=3) no restaurante 1 (tabela 1), foram decrescendo em relação ao tempo de exposição na distribuição, estando inadequadas nos 3 horários de acordo com o que exige a RDC nº 216. Cronemberger et al. 9 (2008), em estudo realizado no Piauí, em restaurantes universitários obtiveram resultado semelhante com relação ao presente estudo, nas temperaturas das preparações frias, nenhuma atingiu a meta recomendada pela legislação, mostrando potencial perigo para aquela população. Isso pode ser explicado pelo fato das saladas analisadas conterem legumes previamente cozidos e que não foram levadas para refrigeração, pois são preparadas muito próximas do horário de distribuição. Ventimiglia e Basso 17 (2008), encontraram o mesmo resultado das saladas cozidas sem resfriamento prévio em estudo com análise de tempo e temperatura em uma unidade de alimentação e nutrição (UAN). Tabela 1. Média das temperaturas frias do restaurante 1 comparadas nos 3 horários pelo teste de TUKEY Preparação 11h 12h 13h média±DP média±DP média±DP Maionese 16,26±5,88 16,16±3,90 15,51±2,29 Maionese de legumes 19,9±5,18 18,68±3,40 16,77±1,16 Salada Colorida 29,76±7,25 25,66±5,69 19,31±2,30 DP: Desvio padrão da média. A tabela 2 mostra que neste restaurante as médias das saladas tiveram oscilações de temperatura, isso se deve a reposição das preparações na medida em que estas acabavam nas cubas. 8 Tabela 2. Média das temperaturas frias do restaurante 2 comparadas nos 3 horários pelo teste de TUKEY Preparação 11h 12h 13h media±DP media±DP media±DP Brócolis 19,9±3,48 18,78±4,41 17,42±4,06 Repolho 14,8±4,94 15,9±5,53 15,82±4,89 Cenoura 11,68±1,24 12,5±1,89 12,92±2,15 DP: Desvio padrão da média Todas as médias das saladas dos dois restaurantes apresentaram-seinadequadas, ou seja, acima de 10°C. Assemelhando-se a presente pesquisa, Rocha et al. 18 (2010), ao avaliarem as temperaturas de restaurantes self-service em Minas Gerais, encontraram 100% de inconformidade nas preparações frias. Já Momesso 19 (2003), obteve no seu levantamento de dados, apenas 7,5% das temperaturas adequadas, ou seja, as outras aferições mostraram temperaturas acima de 10°C. As preparações quentes (n=4) tiveram maiores variações de temperatura nos três horários em ambos os restaurantes (tabela 3), e percebe-se que as guarnições, (farofa, lasanha ou tortas salgadas), do restaurante 1 tiveram grande aumento da temperatura no último horário, pois houve reposição de alimentos nas cubas. No restaurante 2 as guarnições costumavam ser macarrão ao molho branco ou creme com legumes refogados e sua temperatura decresceu em relação ao tempo. Tabela 3. Comparação das temperaturas das preparações quentes dos dois restaurantes em cada horário de aferição Preparação Rest 1 Rest 2 p média±DP média±DP Arroz 11hrs 73,27±8,72 58,87±5,71 0,00* 12hrs 60,1±7,25 60,7±7,58 0,88 13hrs 56,31±8,49 58,74±7,59 0,58 Feijão 11hrs 81,6±6,41 62,3±7,45 0,00* 12hrs 62,42±6,79 60,01±5,50 0,47 13hrs 63,17±6,94 60,45±5,54 0,43 Carne 11hrs 70,4±10,42 56,3±11,59 0,03* 12hrs 63,94±7,57 60,94±15,51 0,65 13hrs 59,9±10,60 54,7±15,32 0,48 Guarnição 11hrs 43,68±16,24 61,41±13,67 0,04* 12hrs 53,17±15,96 55,44±11,24 0,76 13hrs 61,08±8,08 51,55±9,71 0,06 *Diferença estatisticamente significativa realizada pelo teste t de student (p>0,05); DP: Desvio padrão da média. 9 A tabela 3 mostra que os dois restaurantes tiveram diferenças significativas na temperatura do primeiro horário de distribuição. Também observou-se que o arroz do restaurante 1 foi servido a uma temperatura média de 73,27°C, já no restaurante 2 essa média foi bem menor, de 58,87°C, com uma diferença de 14,4°C. Assim também ocorreu com o feijão e a carne. Bazanella e Martins 20 (2008), encontraram resultados diferentes em seu estudo de verificação de temperatura de refeições transportadas no município de Cascavel-PR, onde todos os restaurantes avaliados tiveram médias das temperaturas superiores a 60°C no primeiro horário de distribuição, neste estudo observou-se (tabela 3) que o restaurante 1 teve a primeira temperatura (11horas) adequada do arroz, feijão e carne e o restaurante 2 teve como adequadas apenas as temperaturas do feijão e da guarnição. Com relação à comparação entre as temperaturas aferidas e a recomendada pela RDC, o restaurante 1 obteve melhores resultados que o restaurante 2. Frantz et al. 2 (2008), constataram em seu estudo de avaliação de registros de processos em unidades de alimentação e nutrição que as preparações quentes tiveram maior adequação de temperaturas em relação as preparações frias. De um modo geral, o presente estudo também apresentou melhores temperaturas nas preparações quentes de ambos os restaurantes. Em um estudo realizado por Rosa et al. 21 (2008), com preparações prontas a base de carnes em 70 escolas municipais de Natal (RN), entre as regiões Leste, Oeste, Norte e Sul, comparou-se à temperatura inicial e final da distribuição e o tempo da exposição das preparações onde foram encontradas temperaturas inadequadas, em algumas regiões com até 100% de discordância da RDC n°216. Na pesquisa de monitoramento de tempo e temperatura na distribuição de preparações à base de carne em uma UAN de Pelotas-RS, Abreu e Buchweitz 22 (2009), encontraram as temperaturas de distribuição das carnes adequadas, diferente deste estudo onde no restaurante 1 a carne teve sua temperatura descrente em relação ao tempo e no restaurante 2 foi constatada temperatura inferior a preconizada no horário inicial e final da distribuição. No gráfico 1 observa-se a porcentagem de adequação de todas as temperaturas aferidas das preparações dos dois restaurantes comparadas com a RDC nº 216. Assim, comparou-se os dois restaurantes, constatando-se que nenhum estava 100% adequado e notou-se que em relação à guarnição, os dois restaurantes possuíam o mesmo nível de adequação com baixa porcentagem (38%) indicando que estavam abaixo de 60°C na maioria das temperaturas aferidas. Gráfico 1. Porcentagem de adequação quentes comparadas com a RDC nº 216 Chesca et al. 23 (2001), q frias e quentes em restaurantes de Uberaba, Minas preparações quentes estavam abaixo de 60ºC. onde algumas preparações chegaram a 62% de inadequação. Trindade et al. 24 (2009), quando monitoraram as temperaturas de distribuição d preparações quentes em uma UAN na cidade do Rio Grande, obtiveram como menor temperatura as preparações a base de carne, diferente deste estudo que teve como resultado de menores temperaturas aferidas as guarnições. O feijão foi a preparação que obte restaurante 2, (80,9% e 66,7% Marinho et al. 25 (2009), na avaliação de tempo e temperatura de refeições transportadas em Minas Gerais que explicou preparação, por isso em relação ao tempo é a preparação que demora mais para ter sua temperatura diminuída. Não foi possível fazer a comparação entre as preparações frias, pois estas não continham os mesmos ingredientes. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Arroz % D E A D EQ U A ÇÃ O Porcentagem de adequação de todas as temperaturas aferidas quentes comparadas com a RDC nº 216 (2001), quando avaliaram as temperaturas de distribuição de refeições restaurantes de Uberaba, Minas Gerais, observaram que 25% das preparações quentes estavam abaixo de 60ºC. Valor menor do que o encontrado neste estudo, onde algumas preparações chegaram a 62% de inadequação. (2009), quando monitoraram as temperaturas de distribuição d preparações quentes em uma UAN na cidade do Rio Grande, obtiveram como menor temperatura as preparações a base de carne, diferente deste estudo que teve como resultado de menores temperaturas aferidas as guarnições. O feijão foi a preparação que obteve maior índice de adequação no restaurante 1 e no 80,9% e 66,7%, respectivamente). Resultado semelhante foi encontrado por na avaliação de tempo e temperatura de refeições transportadas em e explicou esse resultado devido a maior quantidade de preparação, por isso em relação ao tempo é a preparação que demora mais para ter sua Não foi possível fazer a comparação entre as preparações frias, pois estas não nham os mesmos ingredientes. Feijão Carne Guarnição PREPARAÇÕES 10 de todas as temperaturas aferidas das preparações uando avaliaram as temperaturas de distribuição de refeições observaram que 25% das Valor menor do que o encontrado neste estudo, (2009), quando monitoraram as temperaturas de distribuição de preparações quentes em uma UAN na cidade do Rio Grande, obtiveram como menor temperatura as preparações a base de carne, diferente deste estudo que teve como resultado de aior índice de adequação no restaurante 1 e no . Resultado semelhante foi encontrado por na avaliação de tempo e temperatura de refeições transportadas em esse resultado devido a maior quantidade de água presente nessa preparação, por isso em relação ao tempo é a preparação que demora mais para ter sua Não foi possível fazer a comparação entre as preparações frias, pois estas não Restaurante 1 Restaurante 2 11 CONCLUSÃO De acordo com os resultados apresentados conclui-se que as saladas cozidas necessitam de medidas corretivas para a melhoria da qualidade de temperatura em ambos os restaurantes, aconselhando-se a sua preparação antecipada para que a refrigeração seja suficiente para atingir a temperatura adequada. Também foram encontradas temperaturas das preparações quentes inadequadas. Assim estes restaurantes podemser veículos de transmissão de doenças causadas por alimentos e, portanto o tempo e a temperatura se mostraram fatores muito importantes na distribuição de refeições e devem ser monitorados constantemente em todas as fases do processo de produção. Como contribuição para as UAN’s, foi entregue aos proprietários um relatório com as médias das temperaturas aferidas e informações de como proceder de maneira correta em relação ao tempo de exposição dos alimentos e suas temperaturas adequadas, além de sugestões para melhoria do serviço self-service dos restaurantes, como eles estarem adquirindo um balcão térmico de resfriamento para melhorar as temperaturas das saladas servidas. REFERÊNCIAS 1. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual integrado de prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ManuaVEDTA.pdf (29 ago. 2011) 2. Frantz CB, Bender B, Oliveira ABA, Tondo EC. 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Disponível em: http://www.ufpel.edu.br/cic/2009/cd/pdf/CS/CS_01802.pdf (18 ago. 2011). 25. Marinho CB, Souza CS, Ramos AS. Avaliação do binômio tempo-temperatura de refeições transportadas. Rev e-scientia, 2009. Disponível em: http://revistas.unibh.br/dcbas/viewarticle.php?id=24 (9 ago. 2011). 14 APÊNDICE 15 APÊNDICE 1 Universidade Estadual do Centro – Oeste – UNICENTRO Setor de Ciências da Saúde – SES/G Departamento de Nutrição – DENUT DECLARAÇÃO DE AUTORIZAÇÃO Você, responsável pela Unidade de Alimentação, está sendo convidado a participar de um estudo intitulado “Análise do binômio tempo x temperatura em Unidades de Alimentação e Nutrição comerciais do município de Guarapuava, Paraná”. É através das pesquisas que ocorrem os avanços importantes em todas as áreas, e sua participação é fundamental. Os objetivos dessa pesquisa são de contribuir para melhoria do serviço self- service nas UANs, verificar as temperaturas de distribuição das preparações durante um determinado período de tempo e avaliar os resultados de acordo com a legislação vigente (Resolução RDC n°216). Caso você participe da pesquisa, será necessário se submeter à observações detalhadas com permissão da aferição das temperaturas. O benefício da pesquisa é propor uma orientação da forma adequada de preparo e manipulação das preparações em unidades de alimentação. Este estudo não engloba nenhum risco, pois é de caráter observatório. A pesquisadora Luana Carla Bozatski, acadêmica do curso de Nutrição da UNICENTRO, celular: (42) 9915-4596, e-mail: luana_baly@hotmail.com, que poderá ser contatada na Rua Simeão Varela de Sá, 129 apto 09, Residencial Elite, é a responsável pela pesquisa e poderá esclarecer eventuais dúvidas. Estão garantidas todas as informações que você queira, antes durante e depois do estudo. A sua participação neste estudo é voluntária. Contudo, sevocê não quiser mais fazer parte da pesquisa poderá solicitar de volta a declaração de autorização. Todas as despesas necessárias para a realização da pesquisa não são da sua responsabilidade. Pela sua participação no estudo, você não receberá qualquer valor em dinheiro. Quando os resultados forem publicados, não aparecerá seu nome, nem o nome da empresa, e sim um código para que sua confidencialidade seja mantida. Eu,_________________________________, RG nº________________ li o texto acima e compreendi a natureza e objetivo do estudo do qual fui convidado a participar. A explicação que recebi menciona os riscos e benefícios. Eu entendi que sou livre para interromper minha participação no estudo a qualquer momento sem justificar minha decisão. Eu concordo voluntariamente em participar deste estudo. Guarapuava, _____ de ______________ de 2011. ______________________________________ Participante ou Responsável _________________________ _______________________ Luana Carla Bozatski Priscilla Negrão de Moura Responsáveis pela pesquisa Profª Priscilla Negrão de Moura Acadêmica Luana C. Bozatski