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Parte 16   Sinopses regionais

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deglutição, da língua seca, despapilada e brilhante, 
e palidez da mucosa. O quadro é mais freqüente em 
mulheres após os quarenta anos. 
COLAGENOSES 
As doenças do colágeno podem, também, apresen-
tar manifestações orais. Na esclerodermia sistêmica, 
além da palidez da mucosa, observa-se a microsto-
mia. Na dermatomiosite, as alterações são discretas, 
com eritema difuso e possibilidade de telangiectasia 
no palato. As alterações orais são mais evidentes no 
lúpus eritematoso. Pode ocorrer, na mucosa jugal, le-
são discóide, atrófi.ca, de borda por estriada e radiada 
(Figura 89.23). Esse tipo de lesão é mais comum na 
forma cutânea discóide da doença, mas pode ocorrer 
na sistêmica. Nessa última, o mais observado são as 
lesões palatinas. Quando localizada no lábio, a lesão 
discóide, em geral, ultrapassa o limite cutâneo do ver-
melhão. Nas formas mais graves, ou em fases de piora 
da doença, aparecem lesões purpúricas que evoluem 
com pequenas ulcerações que vão coalescendo, for-
mando lesões maiores. 
DOENÇAS ENDOCRINOLÓGICAS 
PELAGRA 
Toda a mucosa digestiva pode ser afetada. Em 
situações de hipocortisolismo crônico como na sín-
drome de Addisson, pode ocorrer pigmentação oral as-
sociada a pigmentação cutânea. 
DOENÇAS IDIOPÁTICAS 
Amíloídose sistémica: O comprometimento oral é 
característico, havendo macroglossia e equimoses (Fi-
gura 89.24). 
Granulomatose de Wegener: As lesões mucosas po-
dem ser necrotizantes e destrutivas, localizando-se em 
geral no palato. Lesões vegetantes e hemorrágicas que 
se iniciam nas papilas gengivais são rara, mas podem 
ocorrer inclusive com manifestação inicial (Figura 
89.25). 
Doença de Crohn: As lesões orais podem ocorrer 
como no rubo digestivo, podendo ser manifestação 
inicial. Mais comumente, são ulcerações aftóides. Le-
sões úlcero-vegetantes lineares ao longo do sulco vesti-
bular são características (Figura 89.26). Essas últimas 
mostram infiltrado granulomatoso à histopatologia. 
Híalinose cutâneo-mucosa e histiocitoses: Podem 
apresentar lesões orais. 
MANCHAS PIGMENTARES NA 
MUCOSA ORAL 
M ELANOSE CONSTITUCIONAL 
Freqüente em indivíduos negros e mulatos, ca-
racteriza-se por manchas acastanhada, pelo aumento 
da melanina nos lábios, gengivas e mucosa jugal. 
F1G. 89.23. Lúpus eritematoso. Lesões discóides no palato. 
MANCHAS EM DOENÇAS GENÉTICAS 
Na síndrome de Peutz-Jeghers, ocorre lentiginose 
labial, oral e acral associada à polipose intestinal; como 
complicações, podem ocorrer anemia, incussuscepção 
e até malignidade. D iagnose diferencial importante 
F 1G. 8 9.24. Amiloidose sistémica. Macroglossia e equimoses. 
Notar as impressões dentais na borda da língua. 
F1G. 89.26. Doença de Crohn. Lesão úlcera-vegetante no sulco 
vestibular. À histopatologia, observam-se granulomas. 
AFECÇÕES DOS L ÁBIOS E DA M UCOSA ORAL 
é com a síndrome de Laugier-Hunziker, que associa 
pigmentação labial, pigmentação ungueal e das polpas 
digitais; esta condição não tem nenhuma implicação 
sisrêmica (Figura 89.27). 
F ia . a9.2 5 . Granulomatose de Wegener. Lesão vegetante e 
hemorrágica na gengiva. Caso onde havia manifestação oral exclusiva. 
F1G. 8 9.27. Síndrome de Laugier-Hunziker. 
Pigmentação lentiginosa mucosa e acral. 
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DERMATOLOGIA 
MANCHAS PIGMENTARES POR DROGAS 
Algumas medicações, quando utilizadas por longo 
tempo, podem causar pigmentação na pele e muco-
sas; como antimaláricos, amiodarona, minociclina, 
clopromazina e zidovudina. 
MANCHAS PIGMENTARES TRAUMÁTICAS 
Pigmentos podem ser inoculados acidental ou 
propositalmenre na mucosa; exemplo comum é a ta-
tuagem por amálgama, que ocorre próxima a restau-
rações dentárias. 
ALTERAÇÕES ORAIS NAS 
GENODERMATOSES 
Muitas genodermatoses apresentam alterações mu-
cosas características, inclusive sendo algumas significa-
tivas para a diagnose. 
DOENÇA DE OARIER 
Na mucosa oral há lesões papulosas, principalmen-
te no palato (Figura 89.28). 
F JG. 89.28. Doença de Darier. 
Pápulas queratósicas confluentes no palato. 
PAQUIONÍQUIA E 
DtSQUERATOSE CONGÊNITA 
São comuns as leucoqueratoses orais. Na disquera-
tose congênita há lesões leucoqueratóticas cancerizáveis 
na mucosa oral. 
EPIDERMÓLISES BOLHOSAS 
HEREDITÁRIAS 
O comprometimento oral é variq.do, desde bolhas 
e erosões superficiais até sinéquias orais e esofagianas. 
Comprometimento dentário de ~iversos graus é fre-
qüente. · 
N EVUS BRANCO ESPONJOSO 
Condição familiar de comprometimento oral ex-
clusivo. Ocorre espessamento de cor branco-acin-
zentada de toda a mucosa com aspecto enrugado e 
esponJOSO. 
SÍNDROME DOS MÚLTIPLOS 
HAMARTOMAS 
(SÍNDROME DE COWDEN) 
Autossômica dominante, ocorre por mutação em 
genes que controlam o crescimento tumoral. Na pele, 
aparecem diversos tipos de rumores epiteliais benignos, 
provavelmente induzidos por papilomavírus, além de 
hamartomas conjuntivo-vasculares. Na cavidade oral, 
há papilomatose lingual, gengival e mucosa (Figura 
89.29). Internamente, há pàlipose intestinal e grande 
incidência de neoplasias da tireóide e mamas. 
F1G. 89.29. Síndrome de Cowden. 
Papilomatose da língua e da gengiva. 
LESÕES ORAIS BRANCAS 
São importantes pela freqüência e diagnose com o 
carcinoma. São divididas em queratóticas, não desta-
cáveis ao atrito pelo examinador, e não-queratóticas, 
destacáveis ao atrito. 
LESÕES BRANCAS QUERATÓTICAS 
Leucoplasia, líquen plano, carcinoma verrucoso, 
queilite actínica, queratose do fumante, lúpus erite-
matoso, nevus branco esponjoso, genodermatoses. 
LESÕES BRANCAS NÃO QUERATÓTICAS 
Candidose, morsicatio buccarum (esfoliação mu-
cosa por mordedura crônica), linea alba (espessamen-
to mucoso linear correspondente à oclusão dental). 
TUMORES BENIGNOS DA 
MUCOSA ORAL 
GRÂNU L OS DE FORDYCE 
Pequenas pápula-manchas na mucosa jugal, simi-
lares as encontradas nos lábios. São glândulas sebáceas 
ectópicas e na há necessidade de tratamento. 
LENT!GO E NEVUS MELANOCÍTICOS 
Lentigos são freqüentemente encontrados na mu-
cosa bucal. Nevos celulares são raros. 
FIBROMAS 
São encontrados vários tipos de fibromas, como 
o reativo, traumático. O termo epulis designa tumor 
fibroso, localizado na gengiva, produzido geralmente 
por irritação ou trauma. O tratamento é a exérese 
cirúrgica. 
FIG. 89.30. 
Linfangioma circunscrito. 
Múltiplas pápulas 
translúcidas em localização 
característica. 
AFECÇÕES DOS LÁBIOS E DA MUCOSA ORAL 
HEMANGJOMA E L!NFANG!OMA 
Podem ser encontrados dois tipos. O hemangioma 
tuberoso, que está presente no nascimento ou surge 
logo após, aumenta em regra até os dois anos e pode 
involuir ou não. Pode localizar-se na mucosa bucal, 
língua ou lábios e o tratamento é com criocirurgia. O 
hemangioma plano, localizado na área do trigémeo, 
pode atingir o lábio superior e palato. É a manifesta-
ção cutânea da síndrome de Sturge-Weber. O linfan-
gioma é mais comum na língua. Existe tumefação, 
sendo possível a visualização das vesículas na superfí-
cie, que, puncionadas, eliminam linfa (Figura 89.30). 
O tratamento é a criocirurgia. 
LEUCOPLASIAS 
São placas queratóticas não destacáveis e não diagnos-
ticáveis como outra entidade (queilite actínica, líquen 
plano, etc.) e que não desaparecem ao se abandonar 
o hábito de fumar. Às vezes são extensas e de difícil 
tratamento e, pela possibilidade de manifestação pre-
coce do carcinoma oral, devem ser biopsiadas e acom-
panhadas em sua evolução. 
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DERMATOLOGIA 
TUMORES MALIGNOS DA 
MUCOSA ORAL 
CARCINOMA ESPINOCELULAR 
É o mmor mais comum. Apresenta-se, inicialmen-
te, corno área localizada de infiltração de queratose ou 
eritroplasia (área circunscrita vermelho brilhante). Na 
evolução, surge tumoração e ulceração. O carcinoma 
incra-oral tem gênese e evolução diversas