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Apostila Valuation

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Avaliação de 
Empresas – Valuation
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Avaliação de Empresas – Valuation
Autor: Lincon Lopes
Como citar este documento: SLOPES, Lincon. Avaliação de Empresas – Valuation. Valinhos, 2015.
Sumário
Unidade 1: Avaliação de Empresas 03
Assista suas aulas 29
Unidade 2: Estrutura da Avaliação de Empresas 38
Assista suas aulas 67
Unidade 3: Custo de Capital e Previsão de Fluxo 77
Assista suas aulas 99
Unidade 4: Particularidades da Empresa e Avaliação 108
Assista suas aulas 134
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Unidade 1
Avaliação de Empresas
Objetivos
1. A avaliação de empresas é uma área da administração financeira que busca encontrar 
o valor justo para cada empreendimento. Porém a tarefa não é simples, em virtude das 
características particulares de cada negócio, de seu modelo de gestão e inclusive da 
região geográfica onde está localizado.
2. O que se busca, ao iniciar um processo de avaliação de uma empresa, é conseguir, através 
de uma metodologia consagrada e com parâmetros científicos, encontrar um valor na 
data atual que represente toda a riqueza que a empresa pode gerar ao longo dos anos e 
décadas futuras.
3. Cada vez mais empresários se dão conta que uma avaliação criteriosa vai além de sua 
percepção individual, inclusive, tal percepção pode ser um empecilho no cálculo da 
avaliação se o acionista/proprietário não se afastar do processo, dando independência e 
autonomia para os avaliadores elaborarem seu estudo e redigirem seu laudo final.
Unidade 1 • Avaliação de Empresas4/143
1. Por que o valor?
Saber o real valor de uma empresa parece 
ser uma necessidade óbvia para seus 
administradores, mas esta não é uma 
informação disponível imediatamente 
quando solicitada. Se for analisada uma 
empresa de capital aberto, com ações 
negociadas em bolsa de valores, uma das 
formas de se avaliar essa empresa seria 
calcular a soma de todas as ações emitidas, 
ou seja, somar o total de cada ação 
existente de determinada empresa.
Mas esse método faz uso da precificação 
instantânea de mercado, pois as cotações 
refletem as negociações diárias e nos 
oferecem uma visão pontual da empresa. 
Principalmente porque as informações 
confidenciais, as estratégias a serem 
implantadas e os planos ainda não 
executados não refletem no preço da ação, 
se não foram divulgados para o mercado.
E por que uma empresa precisa conhecer 
seu valor? Em primeiro lugar, ela pode ser 
objeto de uma negociação para venda ou 
fusão com outra empresa, e conhecer seu 
real valor é, sem dúvida, uma necessidade 
básica para os acionistas. Por outro lado, 
atualmente a remuneração dos principais 
executivos se dá em grande parte com 
base no crescimento de valor da empresa 
ao longo de um período, logo, é necessário 
fazer essa apuração com uma frequência 
anual para poder avaliar o desempenho de 
seu corpo diretivo.
Com base em tantas demandas 
para conhecimento do real valor de 
uma empresa, várias técnicas foram 
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desenvolvidas e são utilizadas, e neste 
material serão abordadas as mais usuais e 
aceitas pelo mercado.
2. Princípio da criação de valor
Uma empresa só existe para remunerar seu 
fundador a taxas superiores as oferecidas 
pelo mercado financeiro, ou seja, uma 
pessoa só investe R$ 1.000.000 em um 
negócio, se a remuneração esperada 
(valorização desse negócio somada 
às retiradas frequentes de lucro) for 
superior àquela que ele é capaz de obter 
dos mesmos R$ 1.000.000 no mercado 
financeiro através de investimentos de 
médio e longo prazo. Logo, se o mercado 
remunera esse valor a uma taxa de 9% 
a.a., o empreendedor só investirá se tiver 
confiança que seu negócio renderá um 
percentual superior a este, caso contrário, 
não imobilizará seu capital no novo 
negócio.
Dessa forma, toda empresa faz a avaliação 
frequente de seus retornos do capital 
investido (ROIC); ele precisa ser superior 
à remuneração do mercado para a 
empresa ser viável para seu acionista, caso 
contrário, será melhor ele vender a empresa 
e investir no mercado financeiro. Veja bem, 
essa é uma análise que o empreendedor 
(acionista) deve fazer frequentemente, pois 
seu objetivo é maximizar sua riqueza e não 
apenas manter um negócio funcionando.
Outra taxa que deve ser utilizada como 
parâmetro de avaliação é o custo médio 
Unidade 1 • Avaliação de Empresas6/143
ponderado de capital (WACC pela sigla 
em inglês). Pois o WACC informa qual 
o custo de capital que a empresa tem, 
ponderando entre capital próprio e capital 
de terceiros. A diferença entre o ROIC e o 
WACC, multiplicado pelo volume de capital 
investido nos fornece o Lucro Econômico.
Lucro Econômico = (ROIC – WACC) * Capital 
Investido
Essa análise nada mais é do que pagar 
todo o custo de capital da empresa através 
do retorno do capital investido. Se o 
resultado for zero, significa que a empresa 
não está criando nenhuma riqueza para 
seu acionista e se for negativo, que está 
destruindo sua riqueza, através do acúmulo 
de prejuízos econômicos.
Mas e se a empresa decidir investir em 
um novo negócio ou em uma expansão 
através de uma nova unidade? Nesse 
caso o analista verá que o retorno sobre o 
capital investido será menor, visto que a 
curva de retorno pode tardar-se em alguns 
períodos (meses ou anos) para responder 
igualmente ao desempenho anterior da 
empresa e o WACC possivelmente maior, 
já que será necessária a contratação de 
empréstimos para a construção da nova 
unidade (ou da nova linha de negócio) e 
com isso o capital de terceiros afetará o 
WACC para cima. Dessa forma não se deve 
investir em ampliação, visto que diminuirá 
o ganho do acionista? 
Na realidade, nesse cenário devemos 
sofisticar um pouco mais a análise. O 
conceito de lucro econômico, muito útil 
Unidade 1 • Avaliação de Empresas7/143
Mas e se falarmos em poder trocar 
R$ 1.000,00 recebidos hoje contra a 
possibilidade de receber R$ 1.300,00 
em uma data fixada daqui 24 meses? 
Nesse caso a análise fica um pouco mais 
complicada, pois depende de diversos 
fatores a serem analisados. Por exemplo, 
qual é a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) 
para esse dinheiro, qual sua disponibilidade 
de recursos (se é possível esperar para 
receber o valor no futuro), etc.
No exemplo acima, se a empresa tiver uma 
TMA de 20% a.a., ela preferirá receber 
R$ 1.000,00 hoje, no entanto, se tiver 
uma TMA de 5% a.a. e não tiver nenhuma 
restrição em esperar por 24 meses o 
recebimento desse valor, ela preferirá 
esperar.
e presente em qualquer empresa não é 
mais capaz de responder esse nível de 
questionamento. Para isso, utilizamos o 
conceito de Fluxo de Caixa Descontado 
(FCD), que é capaz de analisar o 
desempenho futuro projetado e trazê-lo ao 
momento atual como forma de avaliação 
do empreendimento.
3. O que é Valor Presente Líqui-
do (VPL) de um Fluxo de Caixa?
Sabemos que o dinheiro tem valor ao longo 
do tempo, ou seja, receber R$ 1.000,00 
hoje não é a mesma coisa que R$ 1.000,00 
recebidos daqui dois anos, mas há a 
certeza que, neste exemplo, é preferível 
receber um valor hoje a receber o mesmo 
valor, sem nenhuma correção ou juros, em 
uma data futura.
Unidade 1 • Avaliação de Empresas8/143
Vejamos um caso prático da valorização do dinheiro no tempo:
Uma empresa tem a opção de realizar um projeto, e apenas um entre as duas propostas 
apresentadas. 
Na primeira proposta, o investimento inicial é de R$ 100.000, com retornos líquidos (receitas 
– custos operacionais) de R$ 8.000 mensais a partir do segundo mês, a expectativa de vida do 
projeto é de dois anos. A segunda proposta contempla um investimento inicial de R$ 151.500, 
que apresenta retornos líquidos mensais de R$ 15.700 a partir do décimo mês e com a mesma 
expectativa de vida, de dois anos. Qual o melhor projeto?
A melhor forma de solucionar este problema é decompondo-o, então:
Projeto 1 Projeto 2
Investimento inicial: - R$ 100.000 Investimento inicial: - R$ 151.500
Receita líquida: R$ 8.000 por 23 meses Receita líquida: R$ 15.700