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Aula 01   Direito do Trabalho II   Férias

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AULA 01 – DIREITO DO TRABALHO II 
FÉRIAS 
Extraída de: DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 16 ed. São Paulo: LTr, 2017. 
Atualizado com a Reforma Trabalhista 
 
1.1 Conceito: 
As férias visam o descanso ao trabalhador, após certo período de trabalho. Estudos realizados no âmbito da 
medicina do trabalho revelam que o trabalho contínuo é prejudicial ao organismo, prejudicando, até mesmo, 
a execução dos serviços. 
Férias são o período do contrato de trabalho em que o empregado não presta serviços, mas aufere 
remuneração do empregador, após ter adquirido o direito no decurso de 12 meses, portanto, é uma forma 
de interrupção do contrato de trabalho. 
As férias atendem metas de saúde e segurança laborativa e de reinserção familiar, além de sócio-econômica 
já que neste período há um gasto maior por parte dos empregados com viagens ou compra de mercadorias. 
 
 
Objetivos e/ou fundamentos das férias, dentre outros: 
 
(i) recuperação das energias físicas e mentais do empregado; 
 
(ii) instrumento de realização da plena cidadania do indivíduo; 
 
(iii) mecanismo de política de desenvolvimento econômico e social, vez que proporciona intenso fluxo de 
pessoas e riquezas (turismo). 
 
As férias visam proporcionar descanso ao trabalhador, tratando-se de direito irrenunciável. A CRFB/88 trouxe 
uma importante novidade pois, além de prever o gozo de férias anuais remuneradas, concedeu um terço a 
mais do que o salário normal (art. 7º, XVII). 
Súmula 328, TST. 
Art. 134 e ss CLT 
 
1.2 Natureza jurídica: 
É um direito-dever, já que, é um direito do empregado de gozar as férias e um dever do empregador em 
concedê-las. 
 
(i) Não têm caráter de prêmio, mas, sim, de direito trabalhista, a que corresponde uma obrigação 
empresarial. Não resultam as férias, pois, de conduta obreira mais (ou menos) favorável ao empregador; são 
elas direito trabalhista, inerente ao contrato de trabalho. 
 
 
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(ii) O fundamento das férias é de política de saúde pública e bem estar coletivo. 
 
(iii) Sua classificação no conjunto das parcelas integrantes do contrato não é uniforme, variando em função 
do cumprimento (ou não) pleno de suas funções no contexto contratual. 
 
1.3 Período aquisitivo / concessivo 
Período aquisitivo: 
 
Nos termos do art. 130, da CLT, para que o empregado tenha direito às férias, necessário se faz o 
cumprimento de um período, denominado aquisitivo, assim, após cada período de 12 meses de vigência do 
contrato de trabalho, o empregado tem direito a gozar as férias. 
Durante o período de férias, o contrato de trabalho fica interrompido, mas o empregador continua com a 
obrigação do pagamento de salários. 
 
_ Atualmente, com a edição da Lei 11.324/06, tanto as férias dos trabalhadores urbanos quanto as dos 
trabalhadores domésticos, são de 30 (trinta) dias corridos, acrescidas sempre de 1/3 sobre a remuneração. 
 
_ As férias são concedidas em regime de proporcionalidade com o número de faltas cometidas pelo 
empregado, assim, o art. 130, da CLT, especifica que: se o empregado tem de 6 a 14 faltas, o período de 
férias reduz para 24 dias; se tem de 15 a 23 faltas, 18 dias de férias; se tem de 24 a 32 faltas, 12 dias de 
férias. Acima de 32 faltas, o empregado perde o direito as férias. 
 
_ Computa-se o período de férias como tempo de serviço, ressalvado, apenas, as férias indenizadas que não 
são computadas, com exceção do previsto no art. 148 da CLT. 
 
_ Se a falta é considerada justificada pelo empregador, ou se mesmo ausente o empregado, é pago o dia 
correspondente, tais faltas não poderão ser descontadas para cálculo da redução das férias. (Súmula 89, TST) 
 
_ Os empregados que trabalham em regime de tempo parcial, também tem direito à férias, nos termos do 
artigo 130, CLT. A Reforma Trabalhista excluiu a proporcionalidade antes prevista no artigo 130-A, revogado. 
 
_ O art. 131, da CLT, excepciona quais são as ausências que não serão consideradas faltas, para o cálculo do 
período de férias. (Com relação ao serviço militar, somente o obrigatório justifica a ausência do empregado). 
 
_ Além do empregado que tem acima de 32 faltas, o art. 133, da CLT, elenca outras ausências que serão 
consideradas como efetivas faltas, e conseqüentemente, reduzem o período de férias a que tem direito o 
empregado. 
 
Obs.: No caso do inciso I, do art. 133, da CLT, se o empregado for readmitido antes de completados os 60 
(sessenta) dias, retoma-se a contagem, recomeçando a correr o período aquisitivo, do ponto em que houve a 
interrupção; caso contrário, se o empregado for admitido após os 60 (sessenta) dias, inicia-se um novo 
período aquisitivo. 
 
Período concessivo: 
 
Nos termos do art. 134, da CLT, as férias serão concedidas no período de 12 (doze) meses subseqüentes à 
data em que o empregado haja adquirido o direito às férias. 
É o empregador quem irá fixar a data da concessão das férias, de acordo com a época que melhor atenda aos 
interesses da empresa. 
 
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_ A regra geral é que as férias sejam concedidas num só período. Entretanto, em casos excepcionais, as férias 
poderão ser gozadas, com a concordância do empregado, em até 03 períodos, desde que 1 deles não seja 
inferior a 14 dias corridos e os outros dois não inferiores a 05 dias, Artigo 134 § 1º CLT. 
 
Se o menor for estudante, terá direito de fazer coincidir suas férias com as férias escolares. (art. 136, §2º, da 
CLT). 
 
_ Os membros de uma mesma família que trabalhem na mesma empresa, terão direito de gozar suas férias 
no mesmo período, desde que assim o requeiram e não cause prejuízo ao serviço. (art. 136, §1º, da CLT) 
 
_ Trabalhando para duas empresas do mesmo grupo econômico, mediante único contrato de trabalho, terá 
direito a um único período de férias, sendo contratos distintos, o empregado tem direito a dois períodos de 
férias. 
 
_ O empregado que ficar doente no curso das férias, não tem o seu gozo suspenso, entretanto, persistindo a 
doença após as férias, terá o direito de receber da empresa os primeiros 15 (quinze) dias de trabalho. 
 
_ As férias devem ser comunicadas por escrito ao empregado, com antecedência mínimo de 30 (trinta) dias, 
da qual o empregado dará recibo. (Art. 135, CLT). 
 
_ É vedado o início das férias no período de dois dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal 
remunerado, Art. 134 § 3º CLT. 
 
_ O pagamento das férias deverá ser feito até 2 dias antes do seu início. (art. 145, CLT). 
 
_ Durante as férias, o empregado está proibido de prestar serviços a outro empregador, salvo se estiver 
obrigado a fazê-lo por força contratual (art. 138, CLT). 
 
 
Férias extemporâneas: 
 
Sempre que as férias forem concedidas após o período concessivo, ou seja, após os 12 meses subseqüentes à 
aquisição do direito, deverão ser pagas em dobro. (art. 137, da CLT). 
 
_ Ainda que somente um período seja concedido a destempo, sobre esse período deverá incidir a dobra 
(Súm. 81, TST). 
 
_ Com relação ao terço constitucional, a dobra também incide sobre o terço constitucional, Súmula 450 TST. 
 
 
1.4 Remuneração e abono 
 
Remuneração das férias: 
 
A remuneração das férias é a que seria devida ao empregado na data de sua concessão, ainda que se refira a 
período anterior, acrescido de 1/3. (art. 142, CLT c/c art. 7º, XVII, da CF/88). 
 
_ Nos casos de remunerações variáveis, segue-se o estipulado nos parágrafos 1º, 2º e 3º, do art. 142, CLT. 
 
 
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_ Os adicionais