Aula 3 - Introdução ao Aparelho Digestorio Ruminantes

Aula 3 - Introdução ao Aparelho Digestorio Ruminantes


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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA \u2013UFU
Instituto de Ciências Agrárias - ICIAG
Aparelho Gastrointestinal: Digestão nos Ruminantes
Profa. Dra. Adriane Andrade
Capítulo 16 DUKES fisiologia animal
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Ruminantes:
Assim como a evolução da nutrição de ruminantes, o interesse sobre a fisiologia do trato digestivo, em particular nos pré-estômagos, tem aumentado constantemente.
Essa é a particularidade destes animais, possuem estrutura anatômicas próprias para a realização do processo de fermentação, permitindo ao animal o aproveitamento de plantas fibrosas.
Introdução
Os ruminantes, no entanto, não são capazes de produzir as enzimas necessárias para a realização do processo de digestão, mas permitem o desenvolvimento de bactérias, protozoários e fungos que realizam essa função. Um Aspecto que deve ser levado em conta, nos dias atuais é a utilização de dietas mais concentradas (milho e soja) para a produção de animais mais precoces.
Entretanto, o manejo nutricional com a utilização de dietas mais fibrosas ou mais concentradas, induz alterações na fisiologia ruminal, uma vez que o tipo de alimento altera a população de microorganismos, taxa de passagem do alimento, a motilidade e a velocidade de absorção dos nutrientes com impacto sobre a digestão dos ruminantes.
Deve-se providenciar ajustes fisiológicos sejam os menores possíves.
Particularidades dos Ruminantes
As particularidades são: pré-estômago, processo de eructação e ruminação.
A fermentação microbiana ruminal faz com que o uso de alimentos não relevantes para a espécie humana não sejam competitivos, quando se refere à nutrição de ruminantes.
Quanto menor a capacidade do animal em aproveitar alimentos menos fibrosos, menor foi o desenvolvimento dos pre-estomagos; contudo, para aqueles que dependiam para sua alimentação de gramíneas e outros alimentos fibrosos, o desenvolvimento dos pré-estomagos foi acentuado.
Ex: Bovinos; bubalinos...camelos, girafas
Subordem Ruminantia
Família Amphimerycidae (extinta)
Infraordem Tragulina
Família Tragulidae
Família Prodremotheriidae (extinta); Família Hypertragulidae (extinta)
Família Praetragulidae (extinta); Família Leptomerycidae (extinta)
Família Archaeomerycidae (extinta);Família Lophiomerycidae (extinta)
Infraordem Tylopoda
Familia Camelidae
Infraordem Pecora
Família Moschidae
Família Cervidae
Família Giraffidae
Família Antilocapridae
Família Bovidae
Trágulo-pequeno 
 Tragulus javanicus
Os quatro espécies de trágulos, também conhecido como cervo-rato  ou chevrotain, compõem a família Tragulidae. Eles são criaturas pequenas, misteriosas, encontrados somente nas florestas tropicais da Africa, India e no Sudoeste Asiatico. São os únicos membros vivos do infraordem Tragulina.
Moschidea
Camelidea 
Cervidea
Antilocapridae
Giraffidae
Anatomia do trato digestivo
Os ruminantes apresentam como características estruturas precursoras altamente eficazes, sendo os lábios, língua, dentes incisivos e lâmina dental à frente do palato duro bastante rígidos, em razão da estrutura cornificada.
A presença das glândulas na cavidade oral é fundamental para o processo mastigatório.
Volume e funções da Saliva
Diariamente as glândulas salivares podem secretar cerca de um a dois litros no ser humano; 
110 a 180 litros nos bovinos de médio para grande porte; 
10 a 20 litros nos ovinos e caprinos; 
40 a 50 litros nos eqüinos; 
15 litros nos suínos, e 7 a 25 mL nas aves. 
Os números são aproximados e a quantidade não é constante, pois, varia de acordo com a presença de alimento na cavidade bucal e com o tipo de alimento; 
há ainda o estímulo causado pela observação e odores dos alimentos (secreção psíquica) que precede até mesmo a colocação do alimento na cavidade oral. 
O pH da saliva é normalmente alcalino nos herbívoros (média = 7.3 nos suínos; 7.5 nos eqüinos; 8.55 nos ruminantes). 
As funções mecânicas incluem a lubrificação do trato oro-esofágico, a lubrificação e aglutinação do bolo e outras; do ponto de vista bioquímico podemos citar a presença de uma enzima amilolítica (ptialina ou a-amilase) cuja função é desdobrar o amido em maltose, maltotriose e dextrinas. 
Tais fenômenos são o início do desdobramento do amido e sua maior importância é no ser humano por sua característica alimentar; 
nos animais domésticos sua função seria limitada, pois, o tempo bucal zero não daria tempo para a ação enzimática e os alimentos celulósicos não permitiriam uma ação sobre o amido (revestidos pela \u201ccarapaça\u201d de celulose). 
Nos bovinos há uma função salivar de natureza bioquímica, mas, não para desdobramento de substância; ocorre que durante as 24 horas do dia/noite são secretados para a saliva cerca de 2,5 quilos de bicarbonato de sódio e 1,5 quilos de fosfato de sódio. 
A reingestão da mesma retorna ao rúmen e ajuda a manter o pH do mesmo, sem o que, seu interior seria extremamente ácido (pela formação de ácidos graxos \u2013 AGVs); desta forma a saliva concorre para a estabilização do pH do rúmen e para a sobrevivência dos microrganismos que ali se multiplicam.
Língua
A língua para os bovinos, apresenta características própias, pois não é um animal seletivo de forragens, atua como um embolo, ou seja, atua no sentido de empurrar o alimento para a cavidade bucal e posteriormente, na deglutição, para os demais segmentos do trato.
Nos ruminantes parece que através da seleção primária dos alimentos há uma função gustativa. Nos demais ruminantes a seleção seria pelo olfato. 
Dentes
Os bovinos não possuem incisivos superiores do nascimento até a 2 semana de vida tem a dentição temporária completa.
Na dentição permanente as erupções estão sujeitas a grandes variações mas de maneira geral está completa até o quarto ano. Primeiro molar aparece aos 4 meses
Temporária 2(it0/4 Ct0/0PMt3/3) = 22
Permanentes 2(i0/4 C0/0 PM3/3 M3/3) = 32
i= incisivos
C=caninos
P=Pré molares
M= molares
t=temporários
Aparecimento de dentição
Faringe e Esôfago
A faringe é a porção central da cavidade bucal que conduz o alimento ao esôfago. Tem estrutura anatômica é funcional pois tem ligação relevante para a mastigação e reglutição do alimento.
A conexão entre faringe e retículo-rúmen se faz por intermédio do esôfago. É interessante salientar que nesse segmento há o controle voluntário, sendo o mesmo utilizado em ambos os sentidos (oral \u2013caudal e caudal-oral). Face às necessidades fisiológicas
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Nos ruminantes, os mecanismos associados à eructação e ruminação dependem da contração e relaxamento dos esfincteres esofágicos (cranial e caudal). O esfincter cranial depende dos músculos faringeanos, sendo que o caudal está associado aos musculos de controle da abertura e fechamento da cárdia, na entrada do retículo rúmen.
A posição da porção cranial no esôfago, em regiões em que as pressões são menores, ou mesmo negativas, permite que o bolo alimentar e gases sejam transportados em sentido cranial, com movimentos antiperistálticos.
Lembrando ainda que o bezerro (0-3 semanas) pode ser considerado não ruminante pois há ingestão exclusiva de colostro e leite materno.
Particularidade do Bezerro
Na fase inicial dos bezerros, há a presença da goteira esofágica, os nutrientes são lançados no abomaso e saem para o intestino delgado, para digestão e absorção.
Para o desenvolvimento adequado do rúmen no animal lactante, é importante que o leite seja desviado do rúmen que ainda está se desenvolvendo. (CUNNINGHAM, 2008). 
O fechamento da goteira esofágica permite a passagem direta do leite para o abomaso. Posteriormente, quando o bezerro passa a consumir alimentos sólidos, estes passam primeiramente pelo rúmen, provocando uma modificação anatômica e fisiológica dos pré-estômagos. (SILVA et al., 2002). 
Ruminantes jovens ao passarem por variações no tipo e forma de nutrientes oferecidos para o trato gastrointestinal podem alterar a proliferação celular, (BALDWIN, 2004). 
Paiva e Lucci (1972) relatam que o desenvolvimento do rúmen em idades precoces