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Interferência de Fenda Dupla - Luiz Sandro Meneghetti e Marilene Vieira – Laboratório de Física III– Departamento de Física Universidade Federal de Santa Maria e-mail: ordnas.sm@gmail.com, marilenevie@hotmail.com Resumo. Este experimento apresenta como objetivo verificar o comportamento ondulatório da luz e determinar o comprimento de onda do feixe de um laser, através do experimento de fenda dupla de Young. Palavras chave: Interferência, Fenda, Dupla, luz, ondulatória. Introdução Por volta do século XIX a teoria mais aceita era de que a luz era formada por minúsculas partículas. Porém, a experiência da fenda dupla, proposta por Thomas Young, levantou a questão sobre o comportamento ondulatório da luz. O experimento proposto por Young apresentava dois feixes passando por duas fendas paralelas muito estreitas produzidos por uma única fonte de luz. Ao passar pelas fendas, é possível observar, em um anteparo distante, que ocorre uma difração que faz com que cada fenda atue como uma fonte de interferência. “[...]Quando uma onda encontra uma barreira que tem uma abertura muito pequena, a abertura atua como uma fonte puntiforme de ondas” (TIPLER, Paul Allen, MOSCA, 2009 ). Podemos representar o comportamento da luz através da figura 1, onde é possível perceber que após o feixe de luz passar pela fenda dupla ele se propaga em forma de duas fontes de onda e estas passam a interagir uma com a outra. Figura 1: Comportamento da luz ao passar por uma fenda dupla Quando as ondas luminosas se somam, ou seja, que a diferença de caminho óptico é igual a um número inteiro de comprimentos de onda, a interferência é construtiva. Quando o comprimento de onda não for um número inteiro, consideramos uma interferência destrutiva, ou seja, as ondas se anulam. Podemos relacionar matematicamente essa interferência construtiva, também chamadas de máximo de interferência, pela equação: 𝑑 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 𝑚𝜆 (1) Onde d é a distância entre as fendas, m é o valor do máximo (m=1,2,3,4...) e 𝝀 é o comprimento de onda. Para a interferência destrutiva ou mínimos de interferência, temos: 𝑑 𝑠𝑒𝑛𝜃 = (𝑚 − 1 2 )𝜆 (2) Relacionando geometricamente o comportamento do feixe sobre um dos pontos de máximo do anteparo, podemos considerar o ponto de máximo central (o maior ponto luminoso no centro) como sendo zero e determinando a distância de cada máximo a partir dele. Conforme apresenta a figura: Figura 2: Relação entre os máximos dos feixes A partir dessa relação, podemos obter o 𝑠𝑒𝑛𝜃 da equação: 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 𝑦 √𝑦2+𝐿2 (3) Procedimento Experimental Nesse experimento utilizamos um laser, uma placa com três fendas duplas diferentes e um papel milimetrado. Inicialmente posicionamos o laser e a placa de fendas duplas em uma mesa de forma que o laser ficasse apontando para placa e a luz que atravessa fosse projetada sobre o papel milimetrado de maneira que fosse possível verificar as interferências dos comprimentos de onda da luz monocromática que utilizamos. A imagem a seguir representa o anteparo experimental: Figura 3: Representação experimental Quando a luz passa pelas fendas gera mínimos e máximos de interferência que são causados pela defasagem das ondas eletromagnéticas, gerando assim esses pontos de interferência no anteparo, as quais formam pontos luminosos de acordo como é representado na figura 4. Figura 4: Representação dos feixes luminosos observados. Após verificar os mínimos e máximos de interferência no papel milimetrado foi possível fazer a medição da distância (y) dos pontos onde a interferência era construtiva em relação ao máximo central. Esses dados podem ser observados nas tabelas a seguir. Resultados e Discussão Com base no aparato experimental, determinamos uma distância na de 5,93m “L” entre a fenda e o anteparo. Com a projeção dos máximos de interferência no anteparo (sobre o papel milimetrado) foi possível definir a distância entre os centros dos máximos “y” e sabendo a distância entre as fendas, podemos calcular pela equação 1 o comprimento de onda do feixe emitido pelo laser. Então como apresentado nas tabelas abaixo, podemos observar a relação dos comprimentos de onda entre distâncias diferentes da fenda. Tendo em vista que o valor do comprimento de onda λ teórico do laser é 632nm. É importante ressaltar que os máximos de interferência com sinal negativo serve apenas para indicar que estes estão do lado esquerdo do máximo central. Tabala1: 1º Fenda d=0,6mm e L=5,93m m g (m) senθ λ (m) λ (nm) 1 0,028 4,721𝑥10−3 2,833𝑥10−6 2833,02 2 0,046 7,756𝑥10−3 2,327𝑥10−6 2327,08 3 0,066 11,129𝑥10−3 2,225𝑥10−6 2225,83 -1 0,023 3,878𝑥10−3 2,327𝑥10−6 2327,13 -2 0,048 8,094𝑥10−3 2,428𝑥10−6 2428,25 -3 0,065 10,960𝑥10−3 2,192𝑥10−6 2192,11 -4 0,088 14,838𝑥10−3 2,225𝑥10−6 2225,72 -5 0,102 17,198𝑥10−3 2,063𝑥10−6 2063,78 Considerando a primeira fenda, temos que o valor do comprimento de onda médio do laser, com seu desvio padrão da média é de aproximadamente: 2276,46 ± 131,4nm Tabela 2: 2º Fenda 0,4mm e L=5,98m m g(m) senθ λ (m) λ (nm) 1 0,028 4,722𝑥10−3 1,888𝑥10−6 1888,68 2 0,046 7,756𝑥10−3 1,551𝑥10−6 1551,39 3 0,066 11,129𝑥10−3 1,483𝑥10−6 1483,89 4 0,084 14,163𝑥10−3 1,416𝑥10−6 1416,38 -1 0,028 4,722𝑥10−3 1,889𝑥10−6 1888,68 Tabela 2: 2º Fenda 0,4mm e L=5,98m m g(m) senθ λ (m) λ (nm) -2 0,046 7,757𝑥10−3 1,551𝑥10−6 1551,39 -3 0,066 11,129𝑥10−3 1,484𝑥10−6 1483,89 -4 0,082 13,827𝑥10−3 1,382𝑥10−6 1382,67 -5 0,1 16,861𝑥10−3 1,349𝑥10−6 1348,88 -6 0,118 19,895𝑥10−3 1,326𝑥10−6 1326,33 Analisando a segunda tabela, temos que valor médio é de: 1483,89 ± 174,9nm Tabela 3: 3º Fenda d=0,2mm e L=5,93m m g (m) Senθ λ (m) λ (nm) 1 0,028 4,722𝑥10−3 9,443𝑥10−7 944,34 2 0,045 7,588𝑥10−3 7,588𝑥10−7 758,83 3 0,064 1,079𝑥10−2 7,195𝑥10−7 719,46 -1 0,028 4,722𝑥10−3 9,443𝑥10−7 944,34 -2 0,046 7,757𝑥10−3 7,757𝑥10−7 775,69 -3 0,063 1,062𝑥10−2 7,082𝑥10−7 708,22 -4 0,08 1,348𝑥10−2 6,745𝑥10−7 674,47 -5 0,101 1,702𝑥10−2 6,812𝑥10−7 681,18 -6 0,113 1,905𝑥10−2 6,351𝑥10−7 635,07 -7 0,137 2,309𝑥10−2 6,599𝑥10−7 659,91 Já para a terceira fenda, percebemos que esse valor fica bem próximo do valor teórico e é de aproximadamente: 713,84 ± 54,9nm Com esses dados podemos verificar que o comprimento de onda encontrado é semelhante ao valor teórico, que é em torno de 632 nm. Com a fenda de 0,2 mm foi a qual conseguimos verificar uma maior quantidade dos máximos de interferência causando uma maior precisão no experimento. Conclusão Ao analisarmos o experimento de dupla fenda de Young com um feixe emitido por um laser, foi possível verificar o comportamento ondulatório da luz. É possível notar que para distâncias menores entre as fendas é possível obter medidas mais próximas das teóricas. Considerando os valores para o comprimento de onda encontrados experimentalmente é possível observar que o resultado foi próximo do esperado, visto que as imprecisões de medidas são relevantes. Os erros podem ocorrer pela inexatidão das medidas tanto de observação dos feixes como por parte das aproximações realizadas. Referências TIPLER, Paul Allen, MOSCA, Gene. Física para Cientistas e Engenheiros- Vol. 2 - Eletricidade e Magnetismo, Ótica, 6ª edição. LTC, 07/2009. [Minha Biblioteca]. HALLIDAY, David, RESNICK, Robert, WALKER, Jearl. Fundamentos de Física - Vol. 4 - Óptica e Física Moderna, 10ª edição. LTC, 06/2016. [Minha Biblioteca].