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História da Educação Brasileira, filme Como estrelas na terra.

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CIDADE DE GOIÁS 29 de junho de 2018
CURSO: Historia
DICIPLINA: História da Educação Brasileira
DOCENTE: Ma. Derotina Helecir de Brito alvarenga
DICENTE: Luis Carlos Felix Tavares
Orientações para Produção Bibliográfica Orientada (PBO)
Assistir ao filme: “Como estrelas na terra”: 2007 (2h 55min), e a partir do filme, construir um texto dissertativo.
O filme indiano "Como estrelas na terra: toda criança é especial", produzido e dirigido por Aamir Khan, traz como temática o transtorno de aprendizagem, em especial, a dislexia.
De acordo com Davis Ronald (2004), dislexia do desenvolvimento ou de evolução é definida como uma desordem na aquisição da leitura e/ou escrita que acomete crianças com inteligência dentro dos padrões de normalidade, sem deficiências sensoriais, isentas de comprometimento emocional significativo e com oportunidades educacionais adequada. Porém, para compreendermos porque a criança considerada disléxica não consegue aprender a ler com a mesma facilidade com que leem seus colegas, é importante abordar os meios pelos quais essa habilidade é normalmente adquirida.
Trata-se de um fenômeno atual, de diagnóstico complexo, pois corpo e psiquismo andam juntos. Segundo Vera Blondina Zimermann, em palestra proferida no evento “Ler e Compreender: Dislexia - A correlação entre o passado e presente no processo diagnóstico” (Programa de Atualização em Dislexia, agosto de 2009, na Faculdade de Medicina do ABC) no caso da dislexia “o corpo não consegue se organizar para ler, escrever, inserir-se num tempo espaço exigido – “corpo tubo” – como entra sai”. Sendo assim, a criança é incapaz de pensar e organizar-se internamente, caracterizando um transtorno da ordem da constituição do psiquismo, advindo de uma falha ambiental severa.
Vamos então iniciar recontando o filme, destacando justamente as inadequações ambientais, tanto no âmbito familiar como escolar, que contribuíram para agravar os problemas de aprendizagem do personagem em foco, Ishan, um garoto de 9 anos de idade. Depois, caracterizamos os aspectos necessários para o aprendizado da leitura e escrita e finalizamos sinalizando outras formas de lidar com crianças que apresentam quadro de dislexia.
 
Ishan
Desde o início do filme, vamos observando que Ishan ausentava-se da aprendizagem escolar, fechando-se em seu mundo. Ele buscava na natureza algo que o fortalecesse para encontrar uma forma de lidar com suas dificuldades e limitações. Buscava a liberdade e se alienava em muitos momentos, prendendo peixinhos em uma garrafa, para então observá-los com carinho, ou sublimava por meio de desenhos criativos, pinturas, montagens de quebra-cabeças, armazenagem de materiais de sucata, como pedrinhas, pauzinhos, botões, chapinhas que colocava num saquinho que trazia sempre consigo. Envolvia-se muito com o que lhe era significativo; já com suas lições, e durante as aulas fantasiava com frequência, em todos os momentos possíveis.
Ishan sabia de suas dificuldades para aprender e que suas notas não eram boas e escondia sua dificuldade com o mau comportamento. Não conseguia se organizar para aprender a ler e escrever e procurava, inteligentemente, escapar de todas as condições penosas. Certa vez, ao voltar da escola, envolveu-se com seus cães numa brincadeira e a eles entregou, propositalmente, o boletim escolar e uma convocação a seus pais. Em uma disputa, os cães então rasgaram os documentos e, assim, Ishan ficou livre momentaneamente do problema.
Mas sua mãe perguntou-lhe sobre o boletim... Fingindo não ouvir, com um olhar “malandro”, continuou tomando seu suco. Até que o irmão mais velho, brilhante na escola, entregou o boletim à mãe e fez comentários sobre suas notas, enquanto Ishan escutava atentamente, mostrando-se orgulhoso do irmão. Durante essa cena, ao escutar os latidos dos cães, Ishan saiu correndo para brincar com eles; nesse momento, os meninos da vila que jogavam futebol chutaram a bola próxima a Ishan e pediram para que ele a atirasse de volta. Ele o fez, mas errou o alvo e a bola caiu distante do esperado. Um dos garotos começou a lhe dirigir vários desaforos, até que Ishan se envolveu em uma briga, machucando-se e também o colega. A mãe do menino machucado foi reclamar com a família de Ishan, e o pai dele ficou muito bravo com o filho, que, nervoso, riu. Seu pai ameaçou bater-lhe enquanto sua mãe corria em seu socorro, cuidando dos ferimentos. Nesse instante, o pai ironizou: “Continue, continue mimando...”.
Logo a seguir, o menino viu o pai arrumando a mala para uma viagem a trabalho, e Ishan perguntou-lhe aonde ia. Ele contou ao filho que iria embora para sempre. Ishan sentiu-se culpado, chorou e lhe pediu desculpas pelo ocorrido. Na escola, por não conseguir aprender, Ishan não se interessava pelas aulas. Ficava olhando pela janela, distraindo-se até mesmo com uma poça d’água. Até que, certa vez, sua professora o chamou, solicitando que lesse um trecho do livro e dando-lhe múltiplos comandos simultâneos, o que para ele era muito complicado. Ishan se “perdeu” nas muitas tarefas e foi auxiliado pelos colegas. Voltou-se para o livro, mas, embaraçado, não conseguiu ler. A professora, muito brava, insistiu e Ishan contou: “As letras estão dançando”.
Ignorando a declaração do aluno, inconformada, a professora então o chamou de “engraçadinho” e, gritando, continuou a solicitar que cumprisse a tarefa. Com muita raiva, Ishan começou a pronunciar sons onomatopaicos, como: blablablablabla... Ela o colocou para fora da sala, chamando-o de “sem vergonha”. Ishan saiu e permaneceu no corredor, enquanto outros alunos passavam e “mexiam” com ele. Ao retornar à sala, os colegas também caçoaram dele. Um deles perguntou se havia feito a lição de matemática e se o boletim estava assinado. Ishan se deu conta de que não havia feito nada disso e, com medo, saiu da escola, sem que ninguém percebesse, e ficou a perambular pelas ruas, sozinho. Encantava-se com ‘tudo’: visitou museus, a praia, o mar, observou homens trabalhando em construções, comprou um sorvete.
Todas essas situações vividas por Ishan dentro e fora da escola devem ser observadas pelos educadores - pais, professores, psicopedagogos - para que possamos entender e buscar formas de lidar com toda essa problemática. Sabemos que o motor da aprendizagem é o desejo de conhecer e isso percebemos que Ishan tinha, e muito; no entanto, esse desejo só se desenvolve se o indivíduo se constitui como Sujeito e tem permissão para aprender. De volta para casa, Ishan nos surpreende com uma belíssima “pintura a dedo”, em que misturou várias cores, e em seguida, fez sua lição escolar, supervisionado pela mãe. Ao cometer erros repetitivos, ela chamou sua atenção, pedindo que se concentrasse e prestasse mais atenção. À noite, Ishan não conseguiu dormir enquanto não contou o episódio da fuga da escola ao irmão, e após muito implorar, conseguiu convencê-lo a escrever um comunicado justificando o não comparecimento à aula.
No dia seguinte, na prova de matemática, ao olhar os números dos algoritmos, Ishan não sabia como resolvê-los e, imediatamente se pôs a fantasiar: os números se tornaram naves, vivendo uma aventura na galáxia. Esse fantasiar de Ishan, como defesa, levava-o a uma dissociação de seus conflitos e, às vezes, a uma paralisação. Ficava perdido, vagando nesse brincar, e ao encontrar o suposto resultado de um algoritmo, ficava muito feliz, mas o tempo da prova já havia terminado sem que ele conseguisse registrar nenhum resultado. O pai de Ishan, ao retornar da viagem, encontrou o bilhete com a justificativa da ausência do garoto na escola, por estar febril. Então, perguntou à esposa o que havia ocorrido e descobriu tudo. Pediu explicações ao filho, e irritado, acabou nele batendo.
Os pais foram até a escola e, em reunião com os professores, ficaram sabendo que já haviam sido convocados e sobre o boletim, não assinado por eles. Um a um, os professores foram falando sobre Ishan que, repete os erros de propósito, os livros são seus inimigos, não presta atenção, quer ir ao banheiro

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