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DISTÚRBIOS OCLUSAIS 
Alfredo Julio Fernandes Neto, et al. Univ. Fed. Uberlândia - 2006 
 
 
 
 
Em uma oclusão fisiológica ou orgâ-
nica, no final do fechamento mandibular, a 
ação dos músculos elevadores promove o 
assentamento dos côndilos nas fossas 
mandibulares do osso temporal, denomi-
nado posição de relação cêntrica (RC), 
coincidente com o máximo de contatos 
dentários posteriores bilateral, denominado 
máxima intercuspidação (MI) ou oclusão 
dentária. Como resultado a mandíbula 
assume posição estável denominada oclu-
são em relação cêntrica (ORC), na dimen-
são vertical de oclusão (DVO). Em seguida 
o relaxamento dos músculos elevadores 
gera a dimensão vertical de repouso 
(DVR). Nos movimentos excursivos da 
mandíbula, os dentes posteriores devem 
desocluir pela ação da guia anterior e das 
guias laterais, em perfeita harmonia com 
os demais componentes do aparelho 
estomatognático (AE), fig. 01. 
 
 
 
 
Fig. 01 - Desenho esquema-
tico da distribuição da força 
oclusal ao longo do dente. 
 
 
 
 
 
 
 
Porém, freqüentemente os pacientes 
apresentam-se com RC não coincidente 
com a MI, impedindo o fechamento fisio-
lógico da mandíbula em ORC, podendo ser 
resultado da presença de distúrbios oclu-
sais (prematuridades) em todos os dentes, 
em todos os planos do espaço, desviando o 
fechamento mandibular em todas as dire-
ções, (vertical, protrusivo, e lateroprotrusi-
vamente), levando-a a instabilidade na 
posição de máxima intercuspidação habi-
tual (MIH), que foi adquirida e habituada. 
É importante ressaltar que o sistema neuro-
muscular do paciente geralmente desvia a 
mandíbula das prematuridades, tornando 
difícil sua detecção. 
A auto observação da RC pode ser 
realizada pelo próprio paciente, o que lhe 
propiciará o entendimento de fatores não 
fisiológicos, tais como os distúrbios oclu-
sais que geram discrepância entre RC e 
MIH. 
Para realizar a auto observação, 
incline a cabeça para trás, com o objetivo 
de contrair os músculos do pescoço, relaxe 
os ombros e os braços, posicione a mandi-
bula na DVR, em seguida, abra e feche a 
mandíbula suavemente, dentro dos limites 
do espaço funcional livre (EFL), sem 
contatar os dentes por seis vezes, em 
seguida feche-a suavemente simulando a 
deglutição fisiológica até sentir o contato 
dentário. 
Se neste caso ocorrer um único 
contato dentário, pode ser prematuridade. 
Confirme sua localização repetindo o 
movimento de abertura e fechamento. 
Caso a reprodução confirme a mesma 
localização do contato, essa será a posição 
de RC da mandíbula. 
A seguir, feche a mandíbula a partir 
da prematuridade e observe se ela desliza 
protrusiva ou lateroprotrusivamente guiada 
pelos dentes que apresentam a prematu-
ridade, assumindo a posição de MIH. O 
deslize entre a prematuridade em RC e a 
MIH é denominado discrepância em 
cêntrica. 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
63
Quando surgem alterações na confor-
mação, estrutura e/ou função das partes do 
AE, as demais inter-relacionadas experi-
mentam alterações da mesma natureza para 
absorver e dissipar as forças anormais 
criadas, conforme a capacidade de resis-
tência ou de adaptação biológica de cada 
tecido envolvido. Essas alterações poderão 
produzir compensações fisiológicas ou 
patologias. O principal fator etiológico da 
patologia funcional do SE é representado 
pelas alterações da oclusão dentária, dis-
túrbios oclusais, cujas seqüelas patológicas 
são o trauma periodontal, a abrasão oclusal 
acentuada, o bruxismo, as alterações do 
mecanismo neuromuscular e/ou das 
ATMs. 
Os distúrbios oclusais se apresentam 
na forma de trauma oclusal, contato oclu-
sal prematuro ou deflectivo, interferência 
oclusal, ausência de estabilidade oclusal 
e/ou de guia anterior e alteração da dimen-
são vertical. 
 
Trauma de oclusão 
 
É a lesão no periodonto de susten-
tação e/ou outros componentes do aparelho 
estomatognático, causada por forças oclu-
sais que excedem a capacidade de adapta-
ção deste aparelho (Fig. 01), podendo ser 
classificado em: 
• Primário 
• Secundário 
O trauma de oclusão pode ser 
desencadeado a partir de força oclusal 
fisiológica ou excessiva, caracterizando 
contato prematuro. Dentro de certos limi-
tes é possível adaptação fisiológica. Pode, 
no entanto, ocorrer lesão no periodonto de 
sustentação, tornando fundamental no tra-
tamento oclusal o equilíbrio desta força e a 
verificação da ausência de interferência 
dentro dos limites dos movimentos mandi-
bulares. A não observância deste aspecto 
pode levar ao aparecimento de iatrogenias. 
 
Trauma de oclusão primário 
 
É o que provoca lesão por forças 
oclusais excessivas, sobre o periodonto de 
sustentação ou de inserção íntegro, ainda 
não comprometido pela doença periodontal 
inflamatória. Neste tipo de lesão não 
ocorre perda de inserção. Portanto a lesão 
é reversível e geralmente pode ser corrigi-
da pela eliminação da causa, a força 
oclusal excessiva, fig. 02. 
 
 
 
 
 
Fig. 02 - Desenho 
esquemático de trau-
ma oclusal primário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Trauma de oclusão secundário 
 
É o que provoca lesão por forças 
oclusais fisiológicas ou excessivas sobre o 
periodonto de sustentação ou de inserção 
já comprometido pela doença periodontal 
inflamatória. Este tipo de lesão ocorre 
freqüentemente nos casos de periodontites 
avançadas cujos dentes já apresentam 
inserções reduzidas, fig. 03. 
 
 
 
 
Fig. 03 - Desenho esque-
mático de trauma oclusal 
secundário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Contato oclusal 
 
O termo contato oclusal é empregado 
para expressar o contato que ocorre entre 
as superfícies oclusais dos dentes antago-
nistas ao final do movimento de fechamen-
to da mandíbula, podendo ser: 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
64
• Contato oclusal cêntrico 
• Contato oclusal prematuro 
• Contato oclusal deflectivo 
 
Contato oclusal cêntrico 
 
É o contato oclusal fisiológico que 
dá estabilidade à mandíbula no fechamento 
em ORC. 
 
Contato oclusal prematuro 
 
É o contato oclusal não fisiológico 
que dificulta ou impede o completo fecha-
mento mandibular em ORC sem causar 
desvio, no entanto causando instabilidade à 
mandíbula. 
Ocorre sempre que houver contato 
oclusal prematuro entre cúspide e fossa ou 
entre cúspide e crista marginal (embrasura) 
de dentes antagonistas, fig. 04. 
 
 
Fig. 04 - Desenho esquemático do contato oclusal 
prematuro: A - cúspide versus crista marginal; B - 
cúspide versus fossa. 
 
Tal contato promove instabilidade 
aos côndilos, hiperatividade muscular e 
estresse ao periodonto, fig. 05. 
 
 
Fig. 05 - Desenho esquemático do contato oclusal 
prematuro, transmitido ao periodonto e ao sistema 
nervoso central, promovendo hiperatividade 
muscular. 
Contato oclusal deflectivo 
 
É o contato oclusal não fisiológico 
que dificulta ou impede o completo fecha-
mento mandibular em OCR, desviando a 
mandíbula de sua trajetória normal, geran-
do então o deslize em direção: 
• anterior 
• à linha média da face 
• contrária à linha média da face 
 
Deslize da mandíbula em direção anterior 
 
Acontece sempre que ocorrer contato 
oclusal deflectivo entre a estrutura oclusal 
mesial (aresta longitudinal, vertente tritu-
rante ou crista marginal) do dente superior 
e a estrutura oclusal distal do dente infe-
rior, fig. 06. Tal contato promove o deslize 
dos côndilos para anterior, em posição de 
protrusão em relação à fossa mandibular, 
causando hiperatividademuscular e rela-
ção de forças laterais entre os dentes 
antagonistas, o que pode comprometer a 
harmonia da guia anterior. 
 
 
Fig. 06 - Desenho esquemático entre a estrutura 
oclusal mesial do dente superior e a estrutura 
oclusal distal do dente inferior. 
 
Deslize da mandíbula em direção à linha 
média 
 
Acontece sempre que ocorrer contato 
oclusal deflectivo entre a vertente lisa de 
uma cúspide funcional (palatina superior e 
vestibular inferior) e a vertente triturante 
de uma cúspide não funcional (vestibular 
superior e lingual inferior), fig. 07. Tal 
contato promove o deslize do côndilo do 
lado do contato para a posição de balan-
ceio e do côndilo do lado oposto para a 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
65
posição de trabalho, resultando em hipera-
tividade muscular e relação de forças 
laterais entre os dentes antagonistas, que 
pode comprometer a harmonia da guia 
canina ou da função em grupo. 
 
 
Fig. 07 - Desenho esquemático do contato oclusal 
deflectivo entre a vertente lisa de uma cúspide 
funcional (palatina superior) e a vertente triturante 
de uma cúspide não funcional (lingual inferior), 
causando deslize em direção à linha média. 
 
Deslize da mandíbula em direção contrária 
à linha média 
 
Acontece sempre que ocorrer contato 
oclusal deflectivo entre as vertentes tritu-
rantes de duas cúspides funcionais (palati-
na superior e vestibular inferior), fig. 08. 
Tal contato promove o deslize do côndilo 
do lado do contato para a posição de traba-
lho e o côndilo do lado oposto para a posi-
ção de balanceio, resultando em hiperati-
vidade muscular e relação de forças 
laterais entre os dentes antagonistas, que 
pode comprometer a harmonia da guia 
canina ou da função em grupo. 
 
 
Fig. 08 - Desenho esquemático do contato oclusal 
deflectivo entre as vertentes triturantes de duas 
cúspides funcionais (palatina superior e vestibular 
inferior), causando deslize em direção contrária à 
linha média. 
 
Interferência oclusal 
 
O termo interferência oclusal é 
empregado para expressar o contato 
oclusal não fisiológico que ocorre entre as 
superfícies oclusais antagonistas, dificul-
tando ou impedindo os movimentos 
mandibulares excursivos de: 
• Protrusão, Trabalho e Balanceio. 
 
Interferência oclusal no movimento 
mandibular excursivo de protrusão 
 
Acontece sempre que ocorrer inter-
ferência entre a estrutura oclusal mesial 
(aresta longitudinal, vertente triturante ou 
crista marginal) do dente inferior e a 
estrutura oclusal distal do dente superior, 
fig. 09. Tal contato promove instabilidade 
condilar, hiperatividade muscular, relação 
de forças laterais entre os dentes antago-
nistas e ausência da guia anterior. 
 
 
Fig. 09 - Desenho esquemático da interferência no 
movimento de protrusão, entre a estrutura oclusal 
mesial do dente inferior e a estrutura oclusal distal 
do dente superior. 
 
Interferência oclusal no movimento 
mandibular excursivo de trabalho 
 
Acontece sempre que ocorrer inter-
ferência oclusal entre a vertente lisa de 
uma cúspide funcional (palatina superior e 
vestibular inferior) e a vertente triturante 
de uma cúspide não funcional (vestibular 
superior e lingual inferior), fig. 10. Tal 
contato promove instabilidade condilar, 
hiperatividade muscular, relação de forças 
laterais entre os dentes antagonistas e 
ausência da guia canina ou da função em 
grupo. 
 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
66
 
Fig. 10 - Desenho esquemático da interferência no 
movimento de trabalho, entre a vertente lisa de uma 
cúspide funcional e a vertente triturante de uma 
cúspide não funcional. 
 
Interferência oclusal no movimento 
mandibular excursivo de balanceio 
 
Acontece sempre que ocorrer interfe-
rência oclusal entre as vertentes triturantes 
de duas cúspides funcionais (palatina 
superior e vestibular inferior), fig. 11. Tal 
contato promove instabilidade condilar, 
hiperatividade muscular, relação de forças 
laterais entre os dentes antagonistas e 
ausência da guia canina ou da função em 
grupo do lado de trabalho. 
 
 
Fig. 10 - Desenho esquemático da interferência no 
movimento de balanceio, entre as vertentes 
triturantes de duas cúspides funcionais (palatina 
superior e vestibular inferior). 
 
Os distúrbios oclusais freqüente-
mente são causados por migrações denta-
rias, restaurações dentárias com contatos 
oclusais não fisiológicos ou ausentes e 
ausência de dentes (anteriores e/ou poste-
riores, superiores e/ou inferiores, uni ou 
bilateral). 
A seguir se encontram ilustrações 
esquemáticas desses possíveis distúrbios 
oclusais e suas conseqüências no arco 
dentário. 
 
 
 
Fig. 12 - Duas restaurações 
dentárias em oclusão, onde as 
forças oclusais se dissipam 
paralelas ao longo eixo me-
dio dos dentes, não caracteri-
zando distúrbio oclusal. 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 13 - A - molar superior com lesão de cárie e B 
- restaurado, porém a restauração está sem contatos 
oclusais, ficando estes nos planos inclinados das 
cúspides, o que direciona as forças oclusais 
obliquamente em relação ao longo eixo médio do 
dentes, caracterizando distúrbio oclusal. 
 
 
 
 
Fig. 14 - A/A’ - relacionamento oclusal estável 
entre dentes antagonistas íntegros; B/B’ – restau-
rações com contatos oclusais instáveis, deslizantes; 
C/C’ - restaurações com contatos oclusais estáveis. 
A B C 
A B C 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
67
A B C 
Fig. 15 - A - molar superior com lesão de cárie; B - 
restauração sem contato oclusal; C - migração do 
antagonista em razão da ausência de estabilidade 
oclusal. 
 
A B C 
Fig. 16 - A - molar inferior com lesão de cárie e o 
antagonista com extrusão; B - demarcação da 
extrusão a ser eliminada; C - extrusão eliminada e 
molar inferior corretamente restaurado. 
 
A B
C
 
Fig. 17 - A - molar inferior com lesão de cárie e 
antagonista com extrusão; B - o molar inferior 
restaurado sem a prévia eliminação da extrusão do 
superior; C - interferência oclusal no movimento de 
balanceio gerado pela restauração sem a eliminação 
da extrusão do antagonista, causando distúrbio 
oclusal interferente. 
 
K
 
Fig. 18 - 3º molar inferior sem antagonista e extruí-
do, gerando interferência oclusal no movimento de 
protrusão que leva instabilidade às ATMs e ausên-
cia de guia anterior, causando distúrbio oclusal. 
 
 
Fig 19 - 3º molar inferior extruído, tornando-se um 
contato prematuro (E) e alterando o fulcro (F) no 
movimento de fechamento da mandíbula, gerando 
instabilidade às ATMs e alteração da guia anterior. 
 
 
 
Fig 20 - Nesta ilustração vê-se que, por 
conseqüência da ausência de dentes posteriores 
inferiores e perda da estabilidade oclusal, houve a 
extrusão dos antagonistas, gerando um contato 
deflectivo (estrutura mesial do superior versus 
estrutura distal do inferior) com deslize mandibular 
para anterior. 
 
 
Fig 21 - Nesta ilustração, vê-se a ausência de 
estabilidade oclusal do lado direito, o que permite a 
ação muscular M e M’ gerar instabilidade e estresse 
às ATMs, ao periodonto e aos dentes remanes-
centes. 
 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
68
 
Fig 22 - Nesta ilustração, vê-se como conseqüência 
da ausência de estabilidadebilateral o estresse 
gerada às ATMs, dentes e periodonto remanes-
centes. 
 
Biomecânica das desordens oclusais 
 
A aplicação dos princípios biome-
cânicos no estudo dos estresses induzidos 
no aparelho estomatognático pelos distúr-
bios oclusais ilustra claramente o mecanis-
mo pelo qual mudanças patológicas ocor-
rem para produzir os sintomas reconhe-
cidos pelo dentista nas desordens oclusais. 
Duas condições oclusais que podem resul-
tar em desordem oclusal são: 
• Fulcro transverso ou arco cruzado 
• Fulcro antero-posterior. 
 Nos estudos destas duas condições, 
considerando a mandíbula como sendo um 
aparelho de alavanca, os músculos produ-
zem o esforço (E) e os dentes e as ATMs 
funcionam como resistência (R) ou fulcro 
(F), dependendo das relações interoclusais 
e dos tecidos estudados. 
As observações a seguir ilustram que 
as cúspides podem funcionar como 
resistência ao estresse e também como 
fulcro, podendo resultar em efeitos dano-
sos. Estes fulcros podem conceder a uma 
dada força muscular uma vantagem 
mecânica, ampliando-a e repassando-a aos 
tecidos de forma danosa por longos 
períodos de tempo, para melhor analisar o 
estresse destas relações interoclusais, deve-
se considerar: 
• a magnitude das forças 
• a direção das forças 
• a duração de aplicação. 
 
Fulcro transverso 
 
O fulcro transverso é representado 
por uma interferência no movimento de 
balanceio. O termo biomecânico indica 
claramente a potencial desordem causada 
pelas relações interoclusais impróprias. 
A fig. 23, ilustra uma visão frontal 
da mandíbula, em uma posição de trabalho 
para a esquerda e o côndilo direito em 
posição de balanceio (para baixo, para 
frente e para dentro). Existe uma inter-
ferência em balanceio nos segundos 
molares direitos e as cúspides do lado 
esquerdo estão desocluidas. 
 
2x
R F
X
E
Estresse sobre ATM 
Fig. 23 - Fulcro transverso, estresse os as ATMs. 
 
Para estudar as forças aplicadas a 
ATM direita, deve-se supor que o paciente 
esteja aplicando uma força de quantidade 
X sobre os músculos de fechamento no 
lado esquerdo, e apertando os segundos 
molares. 
Para analisar a magnitude das forças 
aplicadas na ATM direita (R), consideram-
se os segundos molares como sendo o 
fulcro (F) e a força aplicado pelos 
músculos de fechamento do lado esquerdo 
o esforço (E), a disposição de R, F e E 
estabelece um aparelho de alavanca Classe 
I. 
Quando o comprimento do braço do 
esforço (E-F) for igual ao comprimento do 
braço de resistência (F-R) multiplicados 
pelo mesmo valor (E ou R) teremos uma 
alavanca em equilíbrio (Lei das Alavan-
cas). 
Considerando que neste caso em 
questão a proporção entre o braço de 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
69
esforço (E-F) para o braço da resistência 
(F-R) é de 2:1; a resistência deve ser duas 
vezes o valor do esforço para manter a 
alavanca em equilíbrio. 
A aplicação da Lei das Alavancas 
ilustra que a ATM do lado direito é então 
comprometida por uma força muscular 
duas vezes maior, que a pressiona e 
proprioceptivamente induz uma resposta 
recíproca nos músculos do lado direito da 
cabeça para aliviar o estresse induzido. Os 
sintomas podem ser precipitados nos 
músculos recíprocos, na ATM, periodonto 
ou dentes. 
Para analisar a magnitude da força 
sobre os segundos molares, considere-se 
agora a ATM como sendo o fulcro (F) e os 
segundos molares como sendo a resistência 
(R) (Fig. 24). A disposição de E, R, e F 
estabelece um aparelho de alavanca Classe 
II. 
Considerando que neste caso em 
questão a proporção entre o braço de 
esforço (E-F) para o braço da resistência 
(F-R) é de 3:1; a resistência deve ser três 
vezes o valor do esforço para manter a 
alavanca em equilíbrio, desta maneira, uma 
força três vezes maior incide sobre os 
segundos molares, induzindo estresse 
sobre os dentes e periodonto ou irá 
proprioceptivamente induzir uma resposta 
antagônica nos músculos que movimentam 
a mandíbula, prevenindo uma sobre-carga 
oclusal aos segundos molares. 
 
Estresss sobre os dentes
2x
RF X
E
3x
3x
 
Fig. 24 - Fulcro transverso, estresse sobre os 
dentes. 
 
Em resumo, como foi visto, uma 
interferência oclusal pode introduzir na 
oclusão um fulcro que tem a capacidade de 
conceder a uma determinada força uma 
vantagem mecânica, ampliando-a de duas 
a três vezes. Para registrar a magnitude 
média das forças aplicadas nesta análise do 
estresse, usa-se a média de duas vezes e 
meia (2,5). 
• Análise do estresse: 
• Magnitude: 2,5 X 
• Direção: 
• Duração: 
Estas forças tendem a deslocar o 
côndilo de sua cavidade e produzir uma 
carga lateral nos dentes (Fig. 25). Esta 
direção da carga é no mínimo duas vezes 
mais patogênica que as cargas verticais 
sobre os dentes ou as que tendem assentar 
o côndilo em sua fossa. 
 
Direção
2x
X
E
3x
3x
 
Fig. 25 - Carga em direção lateral ao dentes 
 
Para estabelecer o fator direção, 
multiplica-se o fator magnitude previa-
mente estabelecido em 2,5 pelo fator 2 que 
representa o aumento da patogenicidade da 
força lateral aplicada. O produto destes 
dois fatores é 5. 
• Análise do estresse 
• Magnitude: 2,5 X 
• Direção: x 2 = 5 X 
• Duração: 
Distúrbios oclusais podem ampliar 
uma força muscular dada e induzir tais 
forças sobre os tecidos do aparelho 
estomatognático de maneira prejudicial, 
produzindo mudanças na ATM, nos dentes 
e/ou no periodonto. Alternadamente, os 
Distúrbios Oclusais Fernandes Neto, A J.. et .al. Univ. Fed. Uberlândia –-2006 
 
70
estresses induzidos podem propriocep-
tivamente programar uma resposta muscu-
lar recíproca (tensão dinâmica) para inibir 
a sobre-carga nos tecidos envolvidos (fig. 
26). As tensões induzidas nos músculos 
para manter uma posição mandibular 
compensadora, adaptativa ou habituada 
para acomodar um distúrbio oclusal podem 
induzir ao apertamento dentário. Pesquisas 
têm mostrado que quando o apertamento 
dentário está presente, os dentes podem ser 
mantidos em contato oclusal forçado por 
um longo período de quatro horas em uma 
única noite de sono, enquanto que todos os 
contatos oclusais que ocorrem durante as 
horas correntes como resultado das fun-
ções fisiológicas de mastigação, deglutição 
e fala totalizam menos de dez minutos por 
dia. 
 
Duração da
resposta recíproca
2x
Hiperfunção
Tensão
dinâmica
3x
3x
 
Fig. 26 - Tensão dinâmica 
 
Para refletir o maior período de 
tempo em que o estresse é induzido sobre 
os componentes do aparelho estômato-
gnático, multiplica-se o fator previamente 
estabelecido de 5 por um fator considerado 
de 4 que representa as funções de 
apertamento dentário como oponentes aos 
contatos oclusais intermitentes nas funções 
fisiológicas. 
• Análise do estresse 
• Magnitude: 2,5 X 
• Direção: x 2 = 5 X 
• Duração: x 4 = 20 X 
O estresse induzido ao aparelho estoma-
tognático no apertamento dentário crônico 
pode exceder em, no mínimo, 20 vezes ao 
produzido durante as funções fisiológicas 
de mastigação, deglutição e fala. Se o 
estresse induzido nos respectivos tecidos, 
alcançar ou exceder, duas características 
individuais do paciente (hospedeiro) que 
devem ser consideradas: 
• a suscetibilidade - tendência de sofrer 
influências ou contrair enfermidades, 
• o limiar de tolerância - limite máximo 
de tolerância do indivíduo (tecidos) aos 
esforços a partir do qual um estímulo 
passa a produzir determinada resposta, 
poderá resultar em mudanças adaptativas 
e/ou proliferativas ou patológicas na ATM, 
dentes, periodonto emúsculos,. 
Quando da presença de distúrbios 
oclusais, estes são percebidos pelos pró-
prioceptores (terminações nervosas sensi-
tivas), especialmente os do periodonto, 
integrados ao sistema nervoso central que 
emite uma reação motora, determinando 
uma hiperatividade dos agentes de defesa 
do organismo e gerando disfunções ou 
desordens do aparelho estomatognático. 
Mudanças adaptativas própriocep-
tivamente induzidas pelas forças que 
tendem a deslocar o côndilo de sua fossa 
ou sobrecarregar os dentes podem incluir 
contração crônica (tensão dinâmica) da 
porção superior do músculo pterigóideo 
lateral. Este músculo puxa o disco articular 
para frente, deslocando o côndilo para 
baixo. Isto estabelece um suporte condilar 
para prevenir uma sobrecarga nos dentes. 
As forças que tendem a deslocar o 
côndilo de sua fossa podem próprio-
ceptivamente induzir uma resposta recípro-
ca do feixe médio do músculo temporal 
que contrai cronicamente para evitar o 
deslocamento do côndilo direito. Nesta 
situação, dois músculos potentes nos lados 
opostos da cabeça estão funcionando em 
tensão dinâmica, fulcrando a mandíbula 
sobre o segundo molar. O principal 
sintoma do paciente pode ser dores de 
cabeça temporal freqüentemente referidas 
como dor de cabeça de tensão. 
Mudanças proliferativas podem 
incluir aposição óssea no côndilo e/ou 
fossa, osteite condensante da fossa, 
hipercementose, exostose do osso alveolar 
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71
e espessamento da lâmina dura e do liga-
mento periodontal. 
As mudanças patológicas ou degene-
rativas induzidas no aparelho estomatog-
nático pelos distúrbios oclusais são 
reconhecidas como desordens oclusais ou 
parafunções (figs. 27, 28, 29). 
 
 
Fig. 27 - Parafunções, segundo Guichet. 
 
Podem incluir dores de cabeça crônica, 
desordens na ATM (perfuração do menis-
co, osteoporose da fossa), desgaste prema-
turo dos dentes, fratura de cúspide, pulpi-
tes, dor facial, dor no pescoço e ombro, 
espasmos musculares, reabsorção do osso 
alveolar, reabsorção do rebordo sob a pró-
tese e desarranjo periodontal. 
 
Perda de osso
alveolar
Abrasão
dental
Desgaste
dental
Destruição do
trabalho
odontológico
Dor de cabeça por
contração muscular
Dor articular
Estalido
Doença articular
degenerativa
Dor miofascial
Má oclusão
Hipertrofia
muscular
Dentes quebrados
Parafunções
(MOHL, M.D., 1989)
 
Fig. 28 - Parafunções, segundo Mohl. 
 
Dor de cabeça
Dor no ouvido
Dor na ATM
Dor nos músculos
mastigatórios
pulpite
desgaste
dental
mobilidade
dental
Atividades
parafuncionais
(OKESON, J.P., 1992) 
Fig. 29 - Parafunções, segundo Okeson. 
 
No tratamento, as desordens oclusais 
devem ser removidas da oclusão. Quando 
estes são removidos, como ilustrado na 
figura 30, a guia lateral esquerda entra em 
função. 
 
 
Fig. 30 - Tratamento das desordens oclusais. 
 
Nesta situação, uma força de fecha-
mento aproximada de X no lado esquerdo 
do paciente será distribuída entre as ATMs 
direita e esquerda e a guia lateral esquerda. 
Esta força tende a assentar o côndilo 
direito do paciente em sua fossa ao 
contrário de deslocá-lo. As tensões previa-
mente induzidas no músculo temporal 
direito serão aliviadas à medida que sua 
função não mais será necessária para 
manter o côndilo em posição. As forças 
que previamente atuaram sobre o segundo 
molar direito do paciente e no seu 
periodonto são aliviadas porque não 
existem mais forças laterais. Logo que a 
guia lateral esquerda entra em função, ela 
se torna a resistência da alavanca (R), a 
ação muscular o esforço (E) e a ATM, o 
fulcro (F). Assim a resistência da alavanca 
é duas vezes maior, enquanto que o 
esforço é a metade, assim como a força 
efetuada pelo músculo sobre as cúspides 
esquerdas. Esta disposição de R, E e F 
constitui uma alavanca Classe III; os 
músculos estão em uma desvantagem 
mecânica para realizar cargas acentuadas 
sobre os dentes anteriores. 
A eliminação do fulcro do arco 
transverso sobre os segundos molares 
direitos com a interferência no balanceio, 
pelo estabelecimento da guia lateral 
esquerda, como ilustrado na figura 31, 
assegura uma vantagem mecânica aos 
dentes e os músculos ficam em desvan-
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tagem para efetuar danos no aparelho 
estomatognático. 
O dentista tem a habilidade de 
redirecionar o grau e a direção das forças 
aplicadas sobre o aparelho estomatog-
nático através da mudança da localização 
dos contatos dentários em várias posições 
mandibulares. Esta redução do estresse 
pode interceptar o apertamento dentário e a 
duração da aplicação das forças é drástica-
mente reduzida, aliviando o estresse sobre 
os tecidos do aparelho estomatognático. 
 
Fulcro ântero-posterior 
 
A figura 31 ilustra uma prematu-
ridade cêntrica sobre os segundos molares 
direitos. Os côndilos estão em relação 
cêntrica. Se o paciente apertar os dentes, a 
mandíbula será deslocada para anterior. 
Quais são as possíveis conseqüências se as 
pressões de apertamento forem aplicadas 
sobre esta prematuridade cêntrica? 
 
Fulcro
ântero-posterior
Força aplicada
A E
 
Fig. 31 - prematuridade cêntrica sobre os segundos 
molares direitos 
 
O músculo temporal se insere no 
processo coronóide, assim, avaliando todas 
as ações das forças musculares agindo 
sobre a mandíbula (incluindo masséter, 
pterigóideo lateral e medial, bucinador) e 
representando-as por um vetor de força 
simples, ele será provavelmente posicio-
nado no ponto E, área do segundo pré-
molar e primeiro molar. Pesquisas odonto-
lógicas mostram que as maiores forças de 
mordida podem ser efetuadas nesta mesma 
área e a aplicação de força nesta área 
poderia resultar em um efeito de fulcro ao 
redor da prematuridade cêntrica, tendendo 
a deslocar o côndilo de sua fossa. Além do 
que, o contato inclinado sobre o segundo 
molar inferior quando do fechamento 
mandibular tenderia a deslocar o segundo 
molar superior distalmente abrindo o 
contato proximal mesial, podendo levar a 
impacção alimentar, cárie dental, irritação 
gengival, formação de bolsa, desgaste 
prematuro dos dentes, fratura de cúspides e 
pulpite. 
A figura 32 ilustra uma prematu-
ridade cêntrica sobre o primeiro pré-molar 
superior, nesta situação, a aplicação de 
força muscular tende assentar o côndilo na 
fossa ao invés de deslocá-lo. 
 
Estresse potencial
BE
4 5 2 2
13
 
Fig. 32 - prematuridade cêntrica sobre o primeiro 
pré-molar superior 
 
Supondo que existam bons contatos 
entre todos os dentes neste quadrante supe-
rior, um deslocamento distal do primeiro 
pré-molar é resistido pelo grupo de dentes 
distais a ele, resultando em 13 unidades de 
suporte. Para deslocar o primeiro pré-
molar superior distalmente, a ação de 
escoramento do segundo pré-molar, dos 
primeiro e segundo molares deve ser 
superada. Os números acima dos dentes 
superiores representam unidades de 
suporte de estresse. 
Para fazer uma análise comparativa 
das duas condições descritas acima (Figs. 
31 e 32), suponha-se que o paciente tenha 
uma dada força muscular: ao mover 
anteriormente a alavanca mandibular para 
a posição B, como ilustrado na figura 34, a 
força aplicada torna-se menor e movendo 
distalmente para a posição A, a força 
aplicada torna-se maior. Se a função 
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muscular está produzindo uma força de 
quantidade x no ponto B, produzirá uma 
força de 2x na posição A. Esta força maior 
de 2x é resistida por somente 4 unidades 
de suporte do estresse sobre o segundo 
molar, enquanto que uma força menor de x 
na posição B é resistida por 13 de unidades 
de suporte do estresse. 
 
Fulcro
ântero-posterior
BE
4 5 2 2
13
A
4
2x 1x
Força aplicada
 
Fig. 33 - Alavanca A e B 
 
Para comparar as duas condições, um 
denominador comum deve ser estabele-
cido. Para isto, divide-se o 2x da posição A 
por dois, para resultar em um denomina-
dor comum 1x (Fig. 34). Deve-se também 
dividir as quatro unidades de suporte na 
posição A por 2, resultando em 2 unidades 
de suporte do estresse. Desta maneira, 13 
por 2, a prematuridade cêntrica sobre o 
segundo molar é 6,5 vezes potencialmente 
mais patogênica que a prematuridade sobre 
o primeiro pré-molar (assumindo que não 
há terceiro molar para apoiar o segundo 
molar). 
 
 
Fig. 34 - Potencial patogênico da para função 
 
Em razão disso, o cirurgião dentista, 
nos procedimentos de exame oclusal, deve 
detectar não somente o desvio mandibular 
que ocorre no fechamento em relação 
cêntrica, mas também em quais dentes 
ocorre o contato prematuro. 
As prematuridades que produzem 
deslocamento anterior da mandíbula são 
potencialmente mais patogênicas sobre os 
dentes posicionados mais distalmente no 
arco dental que as prematuridades seme-
lhantes nos dentes posicionados mais 
anteriormente, supondo que exista contato 
entre todos os dentes no quadrante em 
máxima intercuspidação. 
Finalizando, sabe-se que o potencial 
da oclusão de induzir estresse sobre os 
tecidos do aparelho estomatognático induz 
tensões dinâmicas sobre os músculos que 
funcionam cronicamente para manter as 
ATMs em uma posição adaptativa, evitan-
do os distúrbios oclusais. As tensões 
induzidas pelos distúrbios geram reflexos 
protetores para evitar danos ao aparelho. 
Portanto, se as tensões forem suficiente-
mente intensas, podem desenvolver sinto-
mas na musculatura e nas ATMs. Em 
alguns pacientes com apertamento, os 
sintomas da desordem oclusal podem, 
também, se desenvolver nos dentes e 
periodonto. Sabe-se também que quando o 
apertamento é induzido, as cúspides 
podem funcionar como fulcro. Estes 
fulcros têm a capacidade de conferir a uma 
força muscular dada, uma vantagem 
mecânica que amplia seu efeito sobre os 
tecidos de maneira prejudicial por longos 
períodos de tempo. Tanto o fulcro ântero-
posterior quanto o fulcro transverso do 
arco podem produzir uma desordem 
oclusal, gerando uma oclusão traumática. 
A observação da presença de sinais e 
sintomas de distúrbios oclusais durante a 
anamnese e exame do paciente fornece 
importantes meios para se chegar a um 
diagnóstico. 
Usualmente, há mais de um sinal ou 
sintoma presente nestes indivíduos. Os 
sintomas típicos destes distúrbios se mani-
festam no aparelho estomatognático como 
dor ou desconforto periodontal, hipersensi-
bilidade dentária, dor e/ou hipertonicidade 
muscular, mobilidade e/ou migração denta-
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ria patológica, dor nas ATMs, impacção 
alimentar, gerando desconforto gengival. 
Os pacientes relatam estes sintomas como 
uma mudança na posição dos dentes, como 
uma migração patológica do dente incisi-
vo, uma mudança na mordida, uma recla-
mação de impacção alimentar ou dolori-
mento gengival, rangimento e apertamento 
noturno dos dentes, dolorimento dos den-
tes e músculos ao acordar, irregularidade 
do movimento e travamento da ATM. Isso 
tudo é indicativo de que problemas relacio-
nados com a oclusal podem estar 
presentes. 
Os sinais do trauma oclusal são 
mobilidade dental, padrões atípicos de 
desgaste dental, migração patológica dos 
dentes, hipertonicidade dos músculos da 
mastigação, formação de abscesso perio-
dontais, ulceração gengival e mudanças na 
ATM. 
Uma série completa de radiografias 
periapicais da boca fornece meios para 
análise dos tecidos duros do periodonto. O 
trauma oclusal compromete mais que uma 
área ou um dente. 
Os sinais radiográficos do distúrbio 
oclusal envolvem mais comumente a 
lâmina dura e o espaço da membrana 
periodontal, mas pode também envolver 
hipercementose, densidade maior do osso 
alveolar, calcificação pulpar e fratura 
dental. 
Após um diagnóstico destes distúr-
bios, o exame das características da oclu-
são do paciente ajudará na definição do 
tratamento apropriado. 
Considerando o limiar de tolerância 
e a suscetibilidade dos pacientes, as 
disfunções temporomandibulares geradas 
ao aparelho estomatognático se manifes-
tam em distintos grupos de pacientes, tais 
como: 
• Grupo I - Disfunção neuromuscular - 
DNM. (Disfunção mandibular). 
• Grupo II - Disfunção temporomandi-
bular. (Distúrbios temporomandibular). 
• Grupo III - Disfunção dentária. (Lesões 
não cariosa das estruturas dentária). 
• Grupo IV - Disfunção periodontal. 
(Mobilidade dental ou migração 
patológica dos dentes). 
• Grupo V - Ausência Disfunção. 
(Acomodação).
 
O quadro I faz um comparativo das características dos pacientes, em função e em 
disfunção ou parafunção: 
 
FATOR FUNÇÃO PARA-FUNÇÃO 
Duração dos contatos dentários Curtos e intermitentes Prolongados 
Duração dos contatos dentários 
em 24 hs. 
De 4 a 10 minutos 4 horas 
Magnitude da força aplicada 9 a 18 Kg/pol2 Acima de 165 Kg/pol2 
Direção da força aplicada Vertical (aceitável) Horizontal/ Lateral (injuriante) 
Alavanca Classe III (às vezes classe II) Classe II ou I 
Contração muscular Isotônica Isométrica 
Influência ou proteção 
proprioceptiva 
Arco adaptável. O reflexo 
condicionado evita a 
interferência dentária 
Arco esquelético. Mecanismo 
de proteção neuromuscular 
ausente 
Posição de fechamento 
mandibular 
Oclusão em relação cêntrica - 
ORC 
Excêntrica – máxima 
intercuspidação habitual - MIH 
Efeitos patológicos Nenhum ou ao menos mínimo Ocorrem mudanças patológicas 
variáveis a cada paciente 
Quadro I - Comparativo das características dos pacientes, em função e em disfunção ou parafunção: 
 
 
 
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Uma apreciação dos efeitos dos 
microrganismos e das desordens oclusais 
sobre a população adulta pode ser vista no 
quadro II. 
 
Microrganismos 
(Higiene inadequada) 
a- Cárie dental (principalmente na 
infância) 
b- Gengivite 
Desequilíbrio oclusal 
(Maloclusão) 
a- Dor no ombro e pescoço 
b- Doença periodontal avançada 
c- Dor de cabeça 
d- Dor facial 
e- Desgaste prematuro 
f- Pulpites 
g- Periodontite apical 
h- Disfunção da ATM 
i- Prótese desconfortável 
j- Audição prejudicada 
k- Reabsorção radicular 
l- Mordidas nos lábios e bochecha 
m- Dor de garganta 
n- Dor referida 
Quadro II - efeitos dos microrganismos e das 
desordens oclusais sobre a população adulta 
 
Algumas das terminologias usadas 
ao longo da história por vários autores para 
se referirem aos distúrbios funcionais do 
aparelho estomatognático são: 
• “Síndrome de Costen”, Costen, J. B. 
1934. 
• “Síndrome da Disfunção da 
Articulação Temporomandibular”, 
Shore N. A. 1959. 
• “Síndrome da Dor-Disfunção Tem-
poro-Mandibular”, Schwartz, l. 1959. 
• “Síndrome da Disfunção com Dor”, 
Voss, R. 1964. 
• “Síndrome da Dor-Disfunção Mio-
Fasial”, Laskin, O. M. 1969. 
• “Distúrbios Funcionais da Articulação 
Temporomandibular”, Ramfjord, S. P., 
Ash, M. M. 1971. 
• “Distúrbios Ocluso-Mandibular”, 
Gerber, A. 1971.• “Mioartropatia da Articulação Tem-
poro-Mandibular”, Graber, G. 1971. 
• “Desordens Craniomandibulares”, 
McNeill, C. 1980. 
• “Desordens Temporomandibulares”, 
Bell, W. Z. 1982. 
• “Desordens Temporomandibulares”, 
Laskin, d., ADA. 1983. Okeson, J. P. 
1992. 
 
Bibliografia Consultada 
 
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oclusão funcional. Traduzido por José dos 
Santos Jr. Guarulhos S. P: Parma, 1987. 276 p. 
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Traduzido por Silas Cunha Ribeiro. São Paulo: 
Artes Médicas, 1993. 686 p. 
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MOHL, M . D. et. al. Fundamentos de oclusão. 
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OKESON J. P. Fundamentos de Oclusão e 
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Traduzido por Milton Edson Miranda. São 
Paulo: Artes Médicas, 1992. 449 p. 
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Montenegro. São Paulo: Editora Santos, 1993. 
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SCHLUGER, S., YUODELIS, R. R., PAGE, 
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