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Cadeia Cinética 
Fechada Ou Aberta No 
Treinamento Funcional 
por Keyner Luiz 23 de junho de 2017, 15:15 
 
Estudando sobre o Treinamento Funcional você eventualmente se deparará com 
o termo cadeia cinética aberta ou fechada
Junto com eles encontraremos vários exercícios podemos usar em aula, mas 
qual seria o melhor tipo para o TF? 
O Treinamento Funcional está sempre em busca de um trabalho global que 
consiga aprimorar as capacidades motoras dos alunos. Então você está no 
caminho certo se quer descobrir qual tipo de cadeia é mais pertinente para essa 
modalidade. 
Explicarei nesse artigo um pouco mais sobre o conceito de cadeias cinéticas e 
como elas estão relacionadas ao TF. Também aprenderemos qual delas é mais 
benéfica para nossa aula e como decidir se o exercício é bom. Quer descobrir 
tudo isso? É só continuar lendo. 
 
O que são cadeias cinéticas 
 
O conceito de cadeias cinéticas, na verdade, tem suas origens na mecânica. 
Nessa área as cadeias são um conjunto de elos rígidos capazes de fazer um 
movimento em resposta a um estímulo. E isso é bastante parecido com o 
comportamento das articulações, como alguns autores apontam desde 1973. 
O primeiro estudioso a usar o termo para se referir aos movimentos humanos foi 
Stendler. Ele se baseou teorias de cinemática fechada e links e aplicou-as ao 
movimento humano. 
Dessa maneira o termo começou a ser usado também para humanos. A única 
diferença é que no corpo os elos rígidos da mecânica se transformam em 
articulações. 
Lembra de todas aquelas vezes em que eu falei que o corpo está conectado? 
Além das fáscias, também temos as cadeias para explicar isso. Isso quer dizer 
que ao analisar um movimento preciso analisar também como ele se encaixa 
dentro da cadeia. 
De acordo com as cadeias cinéticas, o corpo é um conjunto de segmentos. 
Quando movemos um deles os outros se ativam sequencialmente. Um 
movimento de tornozelo, por exemplo, levaria a um movimento de joelho, quadril 
e assim por diante. 
Para diferenciar os tipos de exercícios e movimentos que encontramos nas 
atividades físicas surgiram mais dois conceitos: cadeia cinética aberta e cadeia 
cinética fechada. 
 
 
 
 
Cadeia cinética aberta (CCA) 
 
Faça uma visita a uma academia de musculação. Lá encontraremos dezenas de 
exemplos de exercícios em cadeia cinética aberta. Podemos considerar que um 
movimento é dessa categoria quando a extremidade que o realiza está livre no 
espaço. 
Para um exemplo mais claro, vejamos uma cadeira extensora. Nela o corpo está 
estático, sem fazer qualquer movimento enquanto o exercício é realizado. Só os 
membros inferiores estão “soltos” para fazer o esforço. 
Na academia encontramos os exemplos mais claros de movimentos em CCA, 
mas outras modalidades também os utilizam. Veja um jogador de futebol que 
chuta uma bola, seu membro inferior fica livre sem encontrar resistência. 
Antes de modalidades como Treinamento Funcional ficarem populares, os 
movimentos em CCA eram os mais usados. Podemos ver isso tanto na prática 
de atividade física quanto na reabilitação. 
 
 
 
 
 
 
Cadeia cinética fechada (CCF) 
 
A principal diferença entre os movimentos em CCA e CCF é o número de 
articulações recrutadas. Enquanto a CCA utiliza uma ou poucas articulações 
com influência mínima nas demais, a CCF faz um trabalho mais global. 
Movimentos em cadeia cinética fechada são aqueles onde as extremidades do 
corpo encontram resistência ou estão fixas. Eu sei que sempre menciono esse 
exercício, mas ele realmente é um bom exemplo: o agachamento. 
Ao agachar os membros inferiores encontram resistência do solo. O movimento 
que começa nos membros inferiores se espalha para todo o resto da cadeia 
cinética. 
Esse conceito recebeu atenção primeiro dos profissionais da reabilitação. Nós, 
fisioterapeutas, fomos os primeiros a usar a CCF para os exercícios. Logo a 
educação física seguiu a tendência, adotando esses movimentos inclusive no 
Treinamento Funcional. 
Qual é melhor, cadeia cinética aberta ou 
fechada? 
 
Costumamos ouvir que é melhor usar cadeia cinética fechada por constituir 
exercícios mais funcionais. Então seria de se esperar que o TF optasse só por 
exercícios em ccf, certo? Nem sempre. 
Não podemos generalizar e dizer que CCF é funcional e CCA não é. Existem 
exercícios em cadeia cinética fechada que podem não ser funcionais. Como 
assim? Já vou mostrar. 
Imagine um aluno fazendo um leg press. Podemos dizer que esse exercício é 
em cadeia cinética fechada já que os pés encontram resistência. Porém ele não 
é um movimento completamente funcional. Algo muito mais funcional seria fazer 
um agachamento livre (que também é em CCF). 
Ok, deu para entender que nem todo exercício em CCF é funcional. Mas e as 
cadeias cinéticas abertas, todos os exercícios desse tipo não são funcionais, né? 
Também não. 
Alguns exercícios em cadeia cinética aberta podem ser funcionais. Muitos dos 
movimentos que realizamos diariamente com os ombros, por exemplo, 
pertencem a esse tipo de cadeia. 
Agora que já desmistificamos as cadeias cinéticas fechadas e abertas, podemos 
falar livremente sobre os benefícios de cada uma. 
Vantagens de usar cadeias cinéticas 
fechadas 
Nem todos exercícios em CCF são funcionais, mas a maioria dos movimentos 
funcionais são em CCF. Por isso a maioria dos exercícios que você encontra no 
Treinamento Funcional são desse tipo. 
Alguns exemplos são pranchas, agachamentos, flexões e afundos. 
Outra vantagem dos exercícios em CCF seria a maior estabilidade que 
conseguimos ao realiza-los. Esse é um dos motivos que destacou a cadeia 
fechada na reabilitação. Em pacientes que já apresentam certa instabilidade 
articular, exercícios que ajudam a manter o corpo estável são preferíveis. 
Mas o que dizer do Treinamento Funcional? A não ser que o profissional 
direcione sua prática à reabilitação, os alunos costumam ser pessoas 
razoavelmente saudáveis. 
Isso não justifica deixar de se preocupar com possíveis lesões e patologias. Se 
você conseguir melhorar a estabilidade do aluno num exercício, faça. E isso 
certamente te levará a usar mais exercícios em cadeia cinética fachada. 
O Treinamento Funcional também dá uma maior preferência a esse tipo de 
exercícios porque eles fornecem estímulos proprioceptivos ao aluno. A 
coordenação motora também ganha ao realizar movimentos como o 
agachamento. 
Por envolver um maior número de articulações esses movimentos em geral são 
mais complexos. Portanto, ajudam o praticante a melhorar todas suas 
capacidades motoras. E se você leu meu artigo sobre Treinamento Funcional, 
sabe como isso é importante para a modalidade. 
Cadeia cinética aberta no Treinamento 
Funcional 
 
Então cadeia cinética fechada é tudo de bom e podemos esquecer as CCAs? 
Claro que não. Na hora de escolher os exercícios para sua aula você deve 
considerar não só sua funcionalidade, mas também as necessidades do aluno. 
A maior vantagem dos exercícios em CCA está no trabalho isolado de 
musculaturas. Na verdade, essa característica pode ser tanto um benefício 
quanto um problema dependendo de como for usado. 
Ou seja, um exercício em CCA bem usado na aula será ótimo. 
Pense num aluno que tem dificuldade de ativar os glúteos na hora de agachar. 
Se eu colocar esse aluno para fazer agachamento sem preparação alguma ele 
certamente vai compensar em outra musculatura. 
Os exercícios em cadeia aberta nos ajudam a consertar deficiências e 
compensações nos alunos. A maioria das pessoas tem dificuldade para focar 
num grupo específico durante um movimento em cadeia cinética fechada. Nesse 
caso, a opção é usar CCA para preparar o movimento. 
Como escolher os exercícios 
 
Sabendo que tanto exercícios em CCA quanto em CCF são benéficos, parecedifícil escolher o que incluir na sua aula. A verdade é que a cadeia cinética é 
importante, mas analisar cada exercício individualmente é ainda mais essencial. 
Entender como a cadeia funciona ajuda o profissional a compreender como o 
corpo se comportar durante o movimento. Sabendo as relações entre cada 
articulação você pode inclusive descobrir como essas partes se influenciam no 
caso de uma patologia. 
Uma dor no quadril, por exemplo, pode ter origem num joelho com movimento 
pouco funcional. 
Já a escolha dos exercícios deve estar completamente relacionada ao aluno. 
Talvez seja melhor para seu corpo um exercício em cadeia cinética aberta que 
ajuda a corrigir uma fraqueza muscular. 
Minha dica é: analise cada um dos exercícios e decida se servem para o 
propósito da aula. Claro que ao fim do planejamento você estará usando mais 
movimentos em cadeia fechada, mas aqueles feitos em cadeia aberta podem ser 
incluídos. 
Cadeias cinéticas na reabilitação 
 
Na reabilitação os exercícios em cadeia cinética fechada também costumam ser 
maioria. Mas ao trabalhar com pacientes sofrendo de patologias ou lesões 
precisamos ter muito mais atenção ao tipo de exercício usado. 
Como mencionei anteriormente, exercícios em CCA nos ajudam a corrigir 
desequilíbrios e melhorar a ativação de musculaturas isoladas. Muitas vezes 
esse é um processo necessário na reabilitação. 
Portanto, na hora de decidir que exercícios aplicar pense na avaliação que já fez 
do aluno. Talvez ele precise desenvolver habilidade proprioceptivas, estabilidade 
e coordenação. Nesse caso use exercícios em CCF à vontade. 
Mas se existir algum grande desequilíbrio muscular que precise de correção, não 
tenha medo de usar cadeias abertas. 
Uma mistura dos dois tipos de exercícios, contanto que feita corretamente, pode 
te dar ainda mais resultados que uma aula só usando a CCF. 
Exercícios em cadeia fechada 
Para melhorar um pouco a compreensão, mostrarei aqui 3 exemplos de 
exercícios em cadeia cinética fechada. Você pode usar todos eles nas suas aulas 
de Treinamento Funcional. 
Flexão na Medicine Ball 
 
Ponte dinâmica no rolo 
 
Prancha dinâmica com abdução de MMS 
 
Exercícios em cadeia aberta 
Mobilidade de quadril 
 
 
 
 
 
 
 
Elevação lateral 
 
Flexão lateral 
 
Conclusão 
Na hora de decidir se um exercício deve ou não ser usado em aula o que 
realmente importa é a necessidade do seu aluno. Mesmo que as cadeias 
cinéticas sirvam como guia para a escolha de movimentos, não devemos nos 
convencer só por causa delas. 
Existe sim uma preferência pelo uso da cadeia cinética fechada no Treinamento 
Funcional. Isso acontece porque ela é capaz de trabalhar várias musculaturas e 
habilidades ao mesmo tempo. 
Por esse motivo a maioria dos exercícios utilizados na modalidade são desse 
tipo de cadeia. O mesmo pode ser dito para outros métodos, como o Pilates. 
Em geral, profissionais da reabilitação também preferem utilizar movimentos em 
cadeia cinética fechada. Mas devemos observar que, trabalhando com alunos 
sofrendo de patologias, devemos prestar ainda mais atenção aos seus 
desequilíbrios. 
O fato de um exercício ser em cadeia cinética aberta não deve automaticamente 
exclui-lo do seu repertório. Na hora de decidir o que usar no Treinamento 
Funcional você deve pensar em algo que: 
1. Seja funcional; 
2. Contribua para o objetivo da aula; 
3. Auxilie seu aluno a melhorar seus padrões de movimento; 
4. Seja transferível; 
5. Corrija problemas de movimento do aluno. 
Cumprindo tais objetivos, sua aula de Treinamento Funcional se tornará mais 
completa e eficiente. 
O que achou sobre esse conteúdo a respeito de cadeias cinéticas? Se quiser 
continuar aprendendo recomendo que passe pelo meu artigo sobre Treinamento 
Funcional. Nele você descobrirá mais informações e exercícios sobre a 
modalidade.

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