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GRUPO EDUCA MAIS EAD PÓS-GRADUAÇÃO (LATO SENSO) ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL E PRÁTICAS DE SUPERVISÃO Lidiane do Nascimento Lima O PAPEL DO professor ORIENTADOR EDUCACIONAL NO ÂMBITO ESCOLAR QUE ATUA Na eja: UM ESTUDO A PARTIR DE NARRATIVAS ORAIS E HISTÓRIA DE VIDA. Maceió, AL 2019 Lidiane do Nascimento Lima O PAPEL DO professor ORIENTADOR EDUCACIONAL NO ÂMBITO ESCOLAR QUE ATUA na eja: UM ESTUDO A PARTIR DE NARRATIVAS ORAIS E HISTÓRIA DE VIDA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do Título de Especialista em Orientação Educacional e Práticas de Supervisão do Grupo Educa Mais Ead. Maceió, AL 2019 GRUPO EDUCA MAIS EAD TERMO DE APROVAÇÃO O PAPEL DO professor ORIENTADOR EDUCACIONAL NO ÂMBITO ESCOLAR QUE ATUA Na eja: UM ESTUDO A PARTIR DE NARRATIVAS ORAIS E HISTÓRIA DE VIDA. POR LIDIANE DO NASCIMENTO LIMA Esta Monografia foi apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Orientação Educacional e Práticas de Supervisão ______________________________________ APROVAÇÃO � Dedico este trabalho aos meus pais José Manoel e Maria das Dores que foram e sempre serão fundamentais em todas as etapas da minha vida, representando os maiores exemplos que poderia ter para espelhar as minhas ações enquanto ser humano. RESUMO Este estudo investiga como a função de um Professor Orientador Educacional funciona no âmbito escolar e como essa atuação repercute na prática dentro da unidade. Tem por principal objetivo identificar os saberes mobilizados pelo Professor Orientador Educacional que atua na EJA, que na concepção do mesmo são essenciais a sua prática pedagógica nessa modalidade de ensino. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa na qual se utilizou como método a história de vida e as narrativas autobiográficas de um Professor Orientador Educacional que atua na EJA em uma escola alagoana. A partir dos dados coletados das narrativas, as considerações finais apontam que o Professor Orientador Educacional, baseia suas práticas nas experiências adquiridas ao longo de sua formação escolar, acadêmica e profissional; que durante a sua graduação e especializaçãonão foi preparado para enfrentar as especificidades apresentadas pelos alunos nessa modalidade; que há a necessidade de promover uma maior reflexão sobre a atuação desses profissionais uma vez que estão presentes em várias escolas no Brasil. Palavras-chave: Professor Orientador Educacional, Narrativas Autobiográficas, EJA ABSTRACT This study investigates how the function of an Educational Guidance Teacher functions in the school context and how this action impacts on the practice within the unit. It has as main objective to identify the knowledge mobilized by the Educational Advisor that works in the EJA, that in the conception of the same is essential to its pedagogical practice in this modality of teaching. It is a research of a qualitative nature in which the life history and the autobiographical narratives of an Educational Guidance Professor who works at the EJA in an Alagoan school were used as a method. From the data collected from the narratives, the final considerations point out that the Educational Advisor, based his practices on the experiences acquired during his academic, academic and professional training; that during his graduation and specialization was not prepared to face the specificities presented by the students in this modality; that there is a need to promote greater reflection on the performance of these professionals since they are present in several schools in Brazil. Keywords: Educational Guidance Teacher, Autobiographic Narratives, EJA SUMÁRIO 1-INTRODUÇÃO................................................................................................................. 09 2-SABERES DOCENTES E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR-ORIENTADOR EDUCACIONAL QUE ATUA NA EJA............................................................................ 10 2.1. Discutindo sobre a EJA................................................................................................. 11 2.2. Orientação Educacional na EJA.................................................................................. 14 3 – Formação do Professor Orientador Educacional para a EJA 15 4 – Narrativas autobiográficas do professor Orientador Educacional que atua na EJA 16 4.1. A coleta e a análise dos dados....................................................................................... 17 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................... 24 REFERÊNCIAS................................................................................................................... 25 � 1- INTRODUÇÃO Este trabalho tem seu embrião na disciplina Gestão Pedagógica: Supervisão e Orientação, presente na grade do Curso de Especialização em Orientação Educacional e Práticas de Supervisão. Nessa disciplina, houve um incentivo que despertou a vontade derealizar observações diretas da realidade do Professor Orientador Educacional que atua em uma escola alagoana na modalidade EJA e materializar esse registro de observação. A partir da análise desse material, verificou-se que as observações da realidade da Orientação Educacional no contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA) favoreceram a constatação de que a não formação escolar e acadêmica específica deste profissional para atuar na EJA pode implicar na maneira como este conduz a sua atuação e na forma com que isto repercute na formação dos alunos, como estes percebem o que é ser orientador tomando como modelo a didática adotada pelo profissional na instituição, com enfoque específico nos momentos em que eram chamados para resolver conflitos que, sob a ótica da direção da escola e dos professores, poderiam atrapalhar no desenvolvimento pessoal do aluno. Esse estudo tem como principal objetivo promover uma reflexão acerca da história de vida escolar e universitária do Professor Orientador Educacional que atua na EJA e como essa experiência reflete em suas práticas pedagógicas nesta modalidade. As etapas metodológicas utilizadas ao longo deste trabalho foram constituídas através do método autobiográfico baseado nas narrativas orais feitas pelo professor orientador sobre a sua vida escolar e acadêmica, contemplando também as experiências acumuladas por ele ao longo de sua trajetória como orientador nesta modalidade. Com o objetivo de compreender as particularidades desta modalidade, foi estudado o conceito de formação segundo Paulo Freire bem como as especificidades da formação do aluno e do professor no contexto da EJA. Ao longo deste trabalho alguns pontos importantes sobre a EJA e sobre o professor que irá atuar nesta modalidade foram levantados. Os saberes docentes e a formação do professor orientador educacional da EJA dão o pontapé inicial nesse estudo permitindo que haja uma breve discussão sobre a EJA e a orientação educacional nessa modalidade. Além disso, as narrativas autobiográficas do professor orientador permitem um olhar atento sobre o tema uma vez que é possível através dele analisar a prática desenvolvida por ele e a forma como essa prática tem refletido em seus alunos. 2 - SABERES DOCENTES E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR ORIENTADOR QUE ATUA NA EJA Problemas sociais, tais como o desemprego, a desigualdade social e a violência não devem influenciar a escola de modo que passe a defender uma realidade fatalista que a acomode diante de fatos que começam a parecer naturais pela constância queacontecem. Essa acomodação que tem levado escolas do mundo inteiro a acreditar que o ensino deve adequar o aluno a essa realidade, quando na verdade deveria instigá-los a refletir sobre a mesma para que encontrem assim meios de mudá-la. Segundo Freire (1996) “Ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou construção”. É importante investigar e promover uma reflexão sobre o que a escola deve ensinar e como ensinar. Conscientizando assim todos os que fazem parte da escola sobre as mudanças que precisam ser promovidas em nossa educação. No processo de ensino defendido por Freire (1996) o professor é um facilitador da construção do conhecimento que forma e ao mesmo tempo se reforma. A escola deve despertar no aluno a vontade de saber mais. Quando isso não ocorre, é papel da instituição investigar o que está acontecendo e prover meios que levem o aluno a sanar suas dificuldades, impulsionando um rico diálogo entre escola e aluno. É nesse contexto que atua o orientador educacional. Um orientador educacional crítico e ético sabe que a educação vai além de mera memorização. Ele sabe que a escola precisa estabelecer relações entre conteúdos e vivência do aluno, tornando o ato de estudar um incentivo para que as descobertas feitas na escola tenham significado real na vida dentro e fora da instituição de modo que o aluno desenvolva a sua criticidade, responsabilidade, autonomia e habilidade de resolver problemas. A Constituição Federal de 1988 já determinava o direito à educação, tendo em vista o pleno desenvolvimento dos alunos: do preparo para cidadania à qualificação para o trabalho. Por isso, quando o aluno apresenta dificuldade de aprendizagem, o orientador educacional ajuda os professores a compreender os comportamentos que de alguma forma venham a interferir nesse processo propondo caminhos e fazendo uma ponte entre aluno, professor e comunidade - uma vez que busca compreender a realidade do aluno dentro e fora da escola. As experiências dos indivíduos associadas aos conteúdos enriquecem a aprendizagem e estabelecem entre a escola e alunos vínculos reais. Eles têm a chance de conhecer seus mundos e, dentro das suas realidades, aplicar os conceitos discutidos em sala de aula as suas necessidades e buscar seu próprio desenvolvimento. Estética, decência e pureza são fundamentais à prática educativa. É comum na formação profissional do indivíduo, ele observar à didática e as práticas de seus professores tomando-as muitas vezes como modelos a serem seguidos quando positivos ou não reproduzidos quando negativos. Por isso é importante para o orientador educacional atentar-se ao fato de que precisa ser aquilo que gostaria que os alunos sob a sua orientação fossem. Isso se aplica ao profissional que entende que formar é uma tarefa que exige criticidade, ética e aventura. O verdadeiro formar não permite que o contexto social em que vive hoje a nossa sociedade seja uma justificativa para o comodismo ou para abolir os sonhos que mobilizaram e mobilizam profissionais da educação e pensadores do mundo inteiro a construir uma educação verdadeira que ensine a pensar, construir e reformar. Apesar de também terem sido vítimas de uma educação memorizadora, as críticas em torno desse sistema de ensino podem servir como pontapé inicial para que os profissionais da educação repensem as suas práticas colocando-se como sujeito dessa aprendizagem e repensando as características que podem surgir a partir dessa forma de ensino. 2.1 Discutindo sobre a EJA A preocupação com a EJA surgiu no Brasil ainda na época em que este era colônia de Portugal, sendo desenvolvida na época com a ajuda dos jesuítas que assumiram a função de professores. Esta preocupação tinha como real objetivo a catequização dos indígenas facilitando assim o relacionamento entre eles e os portugueses. Por volta de 1808, a Educação passa novamente por mudanças para atender a um novo contexto exigido em função da vinda da Família Real para o Brasil, pois havia a necessidade de atender a aristocracia portuguesa e o desenvolvimento da sociedade, acompanhando as evoluções no campo industrial e financeiro. Piletti (1998, p. 165) ressalta; a realeza e a igreja aliavam-se na conquista do Novo Mundo, para alcançar de forma mais eficiente seus objetivos: a realeza procurava facilitar o trabalho missionário da igreja, na medida em que esta procurava converter os índios aos costumes da Coroa Portuguesa. No Brasil, os jesuítas dedicaram-se a duas tarefas principais: pregação da fé católica e o trabalho educativo. Com seu trabalho missionário, procurando salvar almas, abriam caminhos à penetração dos colonizadores. Passados os anos, o crescimento da Indústria foi cada vez maior exigindo assim mais mão-de-obra para o trabalho. Apesar das inúmeras reivindicações de professores que trabalham com a EJA e das muitas pesquisas sobre as especificidades apresentadas nesta modalidade apontarem para a necessidade de mudanças no ensino, as únicas que vêm ocorrendo têm pouco impacto se considerarmos a urgência de uma reforma educacional na EJA, tanto no que deve ser ensinado quanto na formação do professor que irá lidar com os alunos dessa modalidade. Segundo Di Pierrô (2010), há controvérsias no que diz respeito aos direitos assegurados aos jovens e adultos em nossa legislação vigente, se houver uma comparação com a marginalização que vem ocorrendo na agenda da reforma educacional. Isto quer dizer que apesar de tantas políticas voltadas para esta modalidade de ensino, pouco tem sido feito no que diz respeito à execução dos planos elaborados minuciosamente para o ensino da EJA. A formação específica para o professor que vai lidar com esta modalidade ainda tem sido deficiente por isso. A autora afirma ainda que “No processo denominado municipalização, houve a focalização de recursos públicos no ensino elementar de crianças e adolescentes; já no caso da EJA, persistiu a improvisação dos recursos humanos e os modelos pedagógicos anacrônicos.”. No tocante especificamente à modalidade EJA, segundo Sacramento (2008), o desafio imposto essa na atualidade, constitui-se em reconhecer o direito do jovem/adulto de ser sujeito; mudar radicalmente a maneira como a EJA é concebida e praticada; buscar novas metodologias, considerando os interesses dos jovens e adultos; pensar novas formas de EJA articuladas com o mercado de trabalho; investir seriamente na formação de educadores; e renovar o currículo – interdisciplinar e transversal-, entre outras ações, de forma que este passe a se constituir num direito. Di Pierrô (2010), afirma que é difícil distinguir convergências de tensões no campo das políticas públicas de EJA, porque quase sempre os discursos diferem das práticas, promovendo,assim, conflitos gerados pelas promessas não cumpridas. Ela cita como exemplo o caso do direito à educação ao longo da vida. A autora cita ainda que existem duas linhas de investigação que podem tentar justificar o declínio da oferta escolar da EJA, que seriam: focalizar as políticas públicas da EJA e sua implementação pelas redes de ensino e a outra linha se dedicaria a pesquisar as características e motivações dos educandos da EJA. De acordo com Vóvio (2010), para se apontar um direcionamento para a formação do professor que irá atuar na EJA é necessário que haja uma pesquisa sobre o que realmente funciona nesta modalidade. Esta pesquisa faria uma comparação ao currículo de formação elaborado sem a participação destes educadores que não incluem, portanto as experiências adquiridas por eles durante a sua ação educativa. Este, segundo a autora, seria o pontapé inicial para a construção de saberes necessários, valorizando os professores como produtores de conhecimento, levando em consideração as práticas que eles adotam e por que deveriam ser inclusas neste processo. Na educação existe certa necessidade de que o professor seja também um pesquisador e use o que ensina e a forma com que ensina como objeto de estudopara aprimorar a sua didática usando não só o conhecimento, mas aliando a sua prática as dificuldades de aprendizado apresentadas pelas suas turmas. Bello (2004, p.388) afirma que: o docente deve assumir uma postura não apenas de tomada de consciência sobre o sentido e a razão de ser das diferentes práticas sociais, mas problematizar de forma progressiva as características das mesmas, isto é, questionar as distintas formas de explicar e conhecer. Todas as inovações e melhorias na prática pedagógica ao longo dos anos passam por um processo de aperfeiçoamento e com o advento da globalização, a partir da qual o fluxo de informações é muito rápido e pouco limitado, o profissional docente tende a acompanhar todo este progresso otimizando todos os recursos que lhe são oferecidos e lançando mão de sua criatividade para usá-los da melhor forma. Estar inserido na modalidade EJA concebe-se não só no sentido de definição das políticas educacionais, como também a forma de condução da proposta pedagógica de modo contrário ao que se tem exigido pelos sistemas de ensino e pelas políticas educacionais, ou seja, o ideal seria definir seus objetivos e estratégias tendo como ponto de partida as condições de existência da forma de pensar do aluno, assim como atividades elaboradas com a participação de educadores e de sua aplicabilidade e não pelas pressões feitas por um contexto que apenas visa à alfabetização sem levar em consideração a forma e o porquê deste ensino. Segundo Oliveira (1999), o aluno da EJA não é apenas uma pessoa com idade elevada para a série que deveria cursar, não é um profissional que está fazendo uma formação continuada ou aperfeiçoando-se em língua portuguesa. Esse aluno tem a característica de ser usualmente um migrante que chega às grandes cidades advindo principalmente de áreas rurais bastante pobres que tem uma meta de melhorar de vida com baixa escolarização e não raramente analfabetos. Porém acontece que, o Jovem/Adulto muitas vezes trabalha excessivamente em um emprego que não exige tanta capacitação, então ele procura a modalidade EJA tentando melhorar o seu nível de escolaridade para tentar galgar etapas mais ousadas e se matricula no horário noturno. Toda e qualquer prática pedagógica só será possível se as partes envolvidas estiverem devidamente empenhadas em suas obrigações, todavia, segundo Almeida (1995), existe por parte dos professores e alunos certa discriminação no que se trata desta modalidade, levantando uma falsa ideia de que já seria tarde para começar a aprender. Ozélame (1998) complementa a ideia anterior quando fala que o professor começa a remodelar o aluno/trabalhador e o enxerga com uma capacidade enorme de aprendizado com grande potencial de reflexão. Guidelli (1996, p. 13), afirma que, conhecer a prática docente do professor que atua no campo específico da educação de jovens e adultos torna-se necessário também à compreensão específica deste tipo de ensino quanto à possibilidade de intervenções que objetivem uma educação de qualidade (acesso, permanência e aquisição de conhecimentos básicos à vida e ao trabalho). É possível perceber que além da prática docente ser muito importante, há possibilidade de intervenção que seja esta de forma construtiva com a finalidade de buscar um ensino de melhor qualidade. 2.2– Orientação Educacional na EJA A partir de 2000, quando foi aprovado o parecer CNE cuja proposta foi repensar a realidade do ensino na EJA, o aluno dessa modalidade é apontado como sujeito que deve desenvolver habilidades que vão além da escrita e da leitura. É preciso pensar em uma educação que seja voltada para construção da autonomia desses alunos, levando em consideração os direitos que foram negados ao longo dos anos e as experiências de vida de cada um, objetivando uma educação de qualidade que assegure a permanência na escola, de modo que mantenham conhecimentos básicos para a vida e para o trabalho, colaborando com a formação cidadã e profissional do sujeito. No contexto acima o orientador educacional tem um papel importantíssimo que é o de dialogar com professores e alunos, com o objetivo de entender o indivíduo singularmente, apontando caminhos que redimensionem as estratégias pedagógicas, adequando-as aos alunos dessa modalidade. Os alunos da EJA são frutos, em geral, de escolas que não favorecem a aprendizagem, levando em consideração as especificidades apresentadas por esses alunos. Por isso é imprescindível que haja uma reflexão sobre a pesquisa-ação docente, visando a preencher as lacunas que foram deixadas na aprendizagem desses alunos, de modo que eles consigam concluir sua escolaridade. Cury (2000) cita a educação de jovens e adultos como uma forma de reparar uma desigualdade evidente na história brasileira que resultou numa perda: a falta de qualidade na escola. Ainda segundo ele é possível perceber nas escolas sequelas de um passado que de forma inadequada avaliava apenas qualitativamente os alunos, criando uma distorção de idade e fluxo, retardando ou impedindo o sucesso de muitos discentes. Uma gama de justificativas são elencadas quando um aluno é convidado a integrar a modalidade EJA como forma de defender o atraso escolar. São questões sociais, familiares e profissionais. O fato é que ainda há muito a ser discutido para que a escola seja definitivamente o ponto de partida que irá mudar a vida desses alunos. O orientador educacional, junto com os outros protagonistas da escola, pode e deve contribuir para um trabalho integrador que busque harmonizar a prática educativa, formando um elo entre as relações que envolvam o sujeito e o meio, saberes e próprio conhecimento, razões e sentimentos. Segundo Grinspun (2002), o principal papel da Orientação é ajudar o aluno na formação de uma cidadania crítica, e a escola, na organização e realização do seu projeto pedagógico. Em suma, pode-se compreender que o orientador educacional contribui para a formação do indivíduo como um todo, mostrando ao aluno da EJA que ele é um ser dotado de potencialidades e que precisa agir de forma atuante em sua sociedade, exercendo plenamente a sua cidadania. 3- FORMAÇÃO DO PROFESSOR ORIENTADOR EDUCACIONAL PARA A EJA A prática da orientação educacional surgiu inicialmente voltada à orientação vocacional, e a escolha desse profissional era feita por meio de critérios duvidosos, requerendo assim ao longo do tempo uma regularização profissional que veio em definitivo sob a forma que conhecemos hoje com a LDBCN 9394/96que enfoca a designação do professor para a direção ou vice-direção de estabelecimento escolar; o exercício da função de orientador educacional pelo professor, desde que formado em pedagogia; ou em curso específico de pós-graduação (Lei Federal nº 5564/68 e Decreto Federal 72846/73) e de exercício do professor na função de supervisor escolar desde que habilitado em pedagogia ou pós-graduação em supervisão escolar (artigo da Lei Federal nº 9394/96). A função reconhecida de Orientador Educacional atualmente só pode ser regulamentada obedecendo aos critérios citados acima. O professor orientador educacional deve ajudar o aluno em sua totalidade, respeitando seus sonhos, desejos, dificuldades; além de ajudar a escola a realizar seu Projeto Político-Pedagógico. A orientação trabalha para entender os alunos com dificuldades, sem excluir. Ou seja, orientá-los no sentido de incentivá-los a construírem seu próprio conhecimento. 4-NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS DO PROFESSOR ORIENTADOR EDUCACIONAL QUE ATUA NA EJA Tomando como base a observação realizada, percebe-se que os principais fatores que influenciam e determinam a desistência dos alunos da EJA é a jornada diária de trabalho e as responsabilidades que assumem. Esse foi mais um dos problemas detectados durante o estágio tornando-se um desafio para o professor orientador, que precisa prestar a atenção ao seu alunado, instigando-o a não desistir de frequentar a escola por meio de uma conversa descontraídae produtiva que ajude professores e alunos a construir um conhecimento provocado, possibilitando e potencializando a construção de um saber consciente, prazeroso e significativo. Vários autores têm defendido a importância do método autobiográfico nas análises voltadas para a pesquisa educacional, dentre eles Goodson (1993) que diz que a voz do professor é uma forma de valorizar a subjetividade e o reconhecimento do direito de falarem sobre si mesmos, tornando-se então“Arquitetos de estudos geradores de conhecimento”, segundo Smith e Lythe (1993). O objetivo principal a ser atingido com o uso deste método foi obter meios para analisar de que forma, o percurso escolar e universitário de professor orientador repercute em sua prática na EJA. A autorreflexão a que são conduzidos os professores quando reproduzem a sua história de vida pode levar estes sujeitos à consciência “da sua liberdade na interdependência comunitária”. (JOSSO 1998, p.49). Denice Catane (1997) fala dos riscos que esse método pode oferecer tendo em vista o fato de que ainda trata-se de um processo experimental de investigação que começa a apontar os seus primeiros resultados, embora afirme que não há dúvidas quanto aos resultados positivos que esse caminho tem fornecido. Ela faz ainda a seguinte colocação “O prazer de narrar-se favorece a constituição de memória pessoal e coletiva inserindo o indivíduo nas histórias permitindo-lhe, a partir destas tentativas, compreender e atuar”. (p.01) Para aplicar o método foi usado um gravador como forma de armazenar na íntegra a narração que o professor orientador fez sobre a sua trajetória escolar e universitária. O observador o incentivou a falar sobre estas etapas buscando extrair detalhes importantes deste relato para a conclusão desta pesquisa. Este estudo e o método acima citado se fundamentam no ponto de vista epistemológico de Dominicé (1988), que o defende como forma de valorização do profissional e o cita como um meio de pôr em evidencia “a forma pelo qual o saber se forja nas situações concretas, como se constrói através da ação ou se desenvolve nos acontecimentos inexistenciais”. (p.143) As investigações e as produções de conhecimento vêm intensificando a procura em saber de que forma os profissionais que atuam na educação estão sendo formados e de que forma esta formação tem sido refletida nas ações cotidianas destes profissionais. Nóvoa (1994) afirma que estudar a vida dos professores teve um “mérito indiscutível”. Desta forma os professores apropriam-se dos conhecimentos que adquiriram durante os seus processos de formação, dando-lhes um sentido quando são analisados criticamente ligando-os as ações que vem sendo aplicados em suas vidas profissionais. Finger (1988) diz que através do método biográfico é possível compreender o que se passa no interiorda pessoa, em especial a relação que a vivencia e as experiências vividas por cada um possuem em relação ao lugar que elas ocuparam nas suas histórias de vida. Segundo Nóvoa (1994), para que uma prática educativa seja eficaz, ela precisa surgir a partir de uma reflexão das experiências partilhadas entre os pares, ou seja, o professor é agente do processo de formação e a escola é o local onde esta formação acontece. Cita ainda que: a preocupação com a pessoa do professor é central na reflexão educacional e pedagógica. Sabemos que a formação docente depende do trabalho de cada um. Sabemos também que mais importante do que formar é formar-se, de todo o conhecimento é autoconhecimentoe que toda formação é auto formatação (NÓVOA, 1994:24). Ao dialogar com as suas próprias experiências, o professor orientador poderá rever sua postura, comparando-a as práticas erroneamente ou acertadamente praticadas por seus professores e reproduzidas por ele em sua prática. Dominicé (1988) afirma que “a vida é o lugar da educação e a história de vida, o terreno no qual se constrói a formação” (p.167). Josso (2002) nos alerta para o fato de que a partir da escrita narrativa, o professor acaba revelando o que “aprendeu experiencialmente nas circunstancias da vida”. Através dele é possível compreender que com a utilização do relato autobiográfico o professor conscientiza-se das influências que sofreu para construir o seu próprio saber e perceber-se como ser ativo nesse processo, podendo usar o seu histórico de vida com a finalidade de complementar e aprimorar a sua atuação ao longo de sua trajetória profissional. Nesse estudo, a autorreflexão do professor orientador foi conduzida por meio de um exercício de memória que o permitiu resgatar suas experiências escolares e formativas, como foramdesenvolvidas e quais as especificidades que surgiram em seu caminho ao longo de sua formação. Dessa forma, ele pôde de forma crítica e reflexiva compreender a necessidade de criar ou não novos projetos necessários em sua prática profissional que estejam de acordo com os novos caminhos que desenvolverá para si, contestando práticas ultrapassadas e aprimorando outras. A comunicação entre o observador e o narrador no método autobiográfico deve ser interpessoal, ou seja, o observador deve projetar-se para fora do que estava sendo narrado para não interferir inserindo de alguma forma as experiências adquiridas por ele mesmo ao longo de sua trajetória escolar. As perguntas elaboradas para conduzir esta narração foram direcionadas as experiências vividas pelo professor orientador em sua vida escolar e acadêmica, destacando aspectos que possam tê-lo influenciado em sua profissão contemplando desde a formação inicial até o ensino superior. O professor orientador fez um breve relato das experiências que marcaram a sua vida acadêmica pontuando principalmente as práticas utilizadas pelos professores, que segundo ele, marcaram positivamente a sua jornada escolar, sendo, então, estas técnicas utilizadas por ele hoje em sua atuação profissional. 4.1. A Coleta e a Análise dos Dados Para a realização da coleta de dados utilizou-se um gravador para armazenar o relato autobiográfico feito por um professor orientador de uma escola pública que possui, em seu horário noturno, turmas de EJA. Para que a vida escolar deste profissional fosse analisada com um maior detalhamento possível, foi utilizada uma pequena pauta contendo uma linha do tempo que traçava sua trajetória escolar não permitindo assim que etapas deste percurso fossem perdidas ou deixadas de serem comentadas. Além do método aplicado acima foram realizados quatro questionários contendo indagações referentes à prática profissional, indisciplina dos alunos, fatores que desmotivam o professor orientador, valorização e perfil deste profissional. . a. Planejamento O professor orientador costuma planejar as suas ações no começo do ano letivo, após uma conversa com os outros profissionais da escola. Nessa conversa são elencados pontos como: problemas do ano letivo anterior, diferenças de aprendizagem entre os alunos, baixo desempenho, infrequência e indisciplina. Ele elabora normalmente quatro projetos que serão desenvolvidos ao longo do ano letivo, com o objetivo de ajudar os alunos que por razões muito diferentes, barreiras internas ou externas, condições de vida adversas, não estão conseguindo usufruir das oportunidades que a escola oferece para auxiliá-los em seu desenvolvimento. Durante a coleta de dados, a afirmação acima pôde ser verificada. No momento ele estava desenvolvendo o projeto: Eu, a escola e a comunidade - que visava reforçar crenças, valores e atitudes que os fizessem refletir que são parte fundamental da nossa cultura. O projeto foi desenvolvido usando como estratégia principal uma exposição de produções de textos e objetos criados pelos alunos como forma de expor e materializar o que aprenderam. b. Motivação Foi possível perceber que existe um grande desinteresse por parte dos alunos sem tentar suprir as dificuldades, quando o professor orientador tenta mediar esse processo. Durante as conversas eles não se concentram, demonstramo quanto são dispersos. Os que trabalham justificam esse desinteresse com o cansaço adquirido ao longo do dia; os que não trabalham julgam a conclusão do curso como forma de adquirir o certificado de concluinte sem dar importância ao conhecimento que deveriam construir ao longo dessa formação. Outro ponto observado é que as salas de aula são superlotadas e a carga horária é reduzida. Isso é citado pelo professor orientador como um fator que dificulta uma interação de maior qualidade entre professor e aluno, gerando conflitos. Não há na escola materiais e estrutura suficiente como: livros, laboratório de ciências, sala de informática e sala de vídeo. O que, segundo o orientador, seria fundamental para enriquecer o ambiente escolar, despertando no aluno a vontade de permanecer na escola. Para o professor orientador, dinamismo, por parte de todos os que fazem parte da escola, é fundamental para resolver os conflitos que surgem dentro da instituição. O bom relacionamento entre alunos, corpo docente e direção, enriquece as relações inibindo eventuais tipos de comportamentos que possam atrapalhar o processo de ensino-aprendizagem. Na escola observada não existem grandes problemas com indisciplina. Apesar de alguns alunos não demonstrarem interesse durante as aulas, não é um fator que atrapalhe o andamento das mesmas, embora seja refletido nos resultados, comprovados pelas notas baixas. Esse professor orientador diz estar satisfeito com a sua profissão. Apesar das dificuldades, julga o fato de ter se tornado professor orientador como vocação, pois se apaixonou pelo ato de ensinar e orientar desde as suas primeiras experiências em sala de aula. Segundo ele seria impossível pensar em outra profissão porque ama o que faz. Analisando o relato autobiográfico do professor orientador, foi possível constatar que apesar de licenciado em Pedagogia e pós-graduado em Gestão educacional e Coordenação Escolar, esse profissional possui uma imensa dificuldade em trabalhar com a EJA, devido à falta de preparação para lidar com as especificidades que surgem nessa modalidade. Segundo ele e de acordo com as suas próprias experiências, uma matéria sobre a EJAna grade curricular durante a graduação e especialização, deveria ser de cunho obrigatório. c. Formação acadêmica do professor orientador educacional Sua formação em Pedagogia Licenciatura foi obtida na Universidade Federal de Alagoas no ano de 2010. No mesmo ano em que concluiu a graduação, ingressou em um curso de Pós-Graduação em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica oferecido pelo CESMAC. Durante o período em que cursou Pedagogia, teve a oportunidade de lecionar pela primeira vez quando foi convidado por um professor da UFAL para dar aulas de reforço para os alunos recém chegados ao curso. A necessidade de um retorno financeiro imediato e a afinidade que teve com a sala de aula foram fatores decisivos para que ele buscasse concluir a Licenciatura no tempo mínimo estabelecido para o seu curso. O professor orientador é enfático ao dizer que um dos fatores que mais o desmotiva para lidar com a EJA é a baixa remuneração. Cita ainda toda a conjuntura em que esta modalidade está inserida na escola pública como mais um obstáculo para um bom desempenho em suas práticas. Falta de material didático, carência afetiva, educação doméstica precária são presentes na EJA da escola em que leciona e, apesar de ter feito um curso de capacitação oferecido pelo governo do estado para lidar com este alunado, sente-se despreparado e cita mais uma vez a graduação como sendo falha neste aspecto, visto que apesar de a EJA estar sendo cada vez mais disseminada no estado e no Brasil, não há nenhum aparato que prepare verdadeiramente o professor orientador para lidar com as especificidades desta modalidade. Os cursos de formação oferecidos pelo estado para os professores orientadores que irão lidar com esta modalidade são realizados com carga horária de 80h. Nesses cursos, os professores orientadores participam de palestras e seminários sobre a EJA e as práticas que devem ser adotadas por eles quando necessário. Neste caso esse curso foi classificado pelo professor como insatisfatório, pois em nenhum momento foi preparado para lidar com as especificidades reais apresentadas por estes alunos. Emberno (2009) é categórico ao afirmar que para que estes profissionais obtenham sucesso com estes alunos, eles deveriam estar devidamente preparados não só para lidar com as questões pedagógicas apresentadas por eles, mas também para lidar com as questões sócio-afetivas preparando-os assim para lidar com rigor ou flexibilidade necessária em sua prática. Quanto às práticas profissionais, o mesmo reconhece que é falho uma vez que o nível muito abaixo do esperado dos alunos não o permite preencher todas as lacunas que esses alunos precisam para que possa de fato ajudá-los. Apesar de sua boa vontade, sente-se incapaz de avançar porque não encontra, nos colegas professores e na escola em que leciona apoio para mudar esta realidade, o que o leva às vezes ao comodismo de aceitar que nada pode fazer. A realidade acima descrita é um dado concreto em nossas escolas. A insatisfação financeira demonstrada pelos profissionais da educação da rede pública é usada para justificar a ausência de interesse por parte deles em melhorar a educação desses alunos. Como recebem, segundo eles, um salário abaixo da média nacional se comparada a outras profissões, não dispõem de tempo e condições financeiras para investir em qualificação que lhes dê subsidio para melhorarem as suas práticas. Quanto à didática, tenta valorizar ao máximo o seu alunado durante as suas abordagens. Sempre se refere a cada um deles pelo nome com o objetivo de mostrar que os conhece e que eles são importantes para ele. Além disso, procurou retirar de seus professores tanto do Ensino Médio, quanto da graduação e pós-graduação, aquilo que ele julgava que eles tinham de melhor, aplicando estes ensinamentos em seu dia a dia na escola. Os alunos demonstraram uma imensa satisfação ao notarem que seus nomes foram memorizados pelo professor orientador. Foi possível perceber também que o orientador conhece um pouco da realidade deles, quando nos forneceu dados pessoais dos alunos, relatando um pouco da história de cada um. O orientador evita utilizar meios tradicionais para ajudar os alunos, objetivandoalcançar um índice maior de sucesso e aprovação. Para tal realização, costuma pedir que eles façam trabalhos em grupo, palestras, seminários. Mesmo buscando esses meios, muitos alunos não realizam essas atividades, o que dificulta a tarefa de avaliar se está fazendo um trabalho significativo com eles. Com os resultados obtidos neste estudo torna-se evidente a necessidade de um aprofundamento no que se refere à formação do professor orientador que irá lidar com esta modalidade e de que modo a formação atual com que estes professores orientadores educadores têm chegado àsescolas tem refletido em suas práticas na instituição e na capacidade de lidar com as especificidades apresentadas pela EJA. Normalmente cita-se a não formação ou a formação inadequada (outros cursos de graduação) do professor orientador que irá desenvolver esse papel como fator negativo que justifica as práticas não eficazes que ele irá desenvolver para ajudar seus alunos. No estudo realizado acima, esse fator não pôde ser comprovado uma vez que o professor possui Licenciatura em Pedagogia e pós-graduação em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica. Como citado na introdução deste estudo, o professor ressalta a falta de preparo em sua formação acadêmica como um fator que dificulta a sua habilidade de lidar com esta modalidade. Evidenciou-se também que a falta de políticas adotadas anteriormente na vida desses alunos visando a sanar as deficiências educacionais e afetivas que eles apresentam, também é mais um ponto a ser levado em consideração quanto ao insucesso das suas abordagens. O professor orientador objeto de estudodeste trabalho, condicionou-se ao fato de inserir-se numa realidade cada vez mais presente em nossas escolas públicas no que se refere ao ensino afirmando que em função da baixa qualidade com que estes alunos foram formados até hoje não é possível dar-lhes uma orientação de qualidade que os motive a dar continuidade a sua formação após o término do ensino médio nesta modalidade. Também foi possível notar que o professor orientador usa em alguns momentos o emocional e não o racional ao fazer a seguinte afirmação: “não tenho coragem de pedir que um professor deixe de aprovar um aluno da EJA mesmo que ele não tenha absorvido os conteúdos, porque analiso o esforço que estes alunos fazem para assistir às aulas, muitos vêm direto do trabalho ou deixam seus filhos em casa para conseguir terminar o Ensino Médio”. Fazemos então o seguinte questionamento: de que forma este professor orientador está contribuindo para que esta realidade seja diferente? Segundo Freire, “ensinar exige liberdade e autoridade”. Neste caso o professor orientador está preso ao sistema que condiciona alunos e professores a uma realidade que demonstra ser impossível mudar os rumos da educação em nosso país. Realidade esta já tão debatida e questionada por um dos nossos principais teóricos da educação como é o caso de Freire. Esta afirmação nos remete a Almeida (1995), pois ele afirma que o professor desta modalidade tem uma falsa ideia de que já seria tarde para aprender. Em contraponto a essa discriminação estão os projetos que já demonstraram sucesso quando os sujeitos envolvidos nele engajaram-se verdadeiramente para atingir os objetivos do mesmo. � 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio desse estudo foi possível evidenciar que as experiências adquiridas pelo professor orientador durante a sua formação escolar e acadêmica interferem diretamente na sua prática atualmente. O professor orientador retira dessas experiências o que julga ter sido bom para a sua formação aplicando-as então junto aos seus alunos, embora muitas vezes não tenha consciência disso porque apenas reproduz na forma como atua o que aprendeu através das experiências que adquiriu ao longo de sua formação escolar e experiências vivenciadas como professor e orientador. Apesar de ter a formação exigida para exercer o cargo de professor orientador, o professor que serviu como base para esse estudo, não consegue lidar com a frustração frente aos problemas detectados pela EJA, ligando-a principalmente a ausência de qualquer menção a esses problemas durante a sua formação acadêmica, requerendo assim que seja feita uma revisão do que está sendo ensinado na universidade para auxiliar os futuros professores orientadores educacionais a lidar com as especificidades apresentadas pelos alunos desta modalidade. REFERÊNCIAS ASSIS, A; TEIXEIRA, O. P. B. Contribuições e dificuldades relativas à utilização de um texto paradidático em aulas de Física. IX EPEF, 2004, Jaboticatubas, 2004. ALMEIDA, Laurinda Ramalho. “Curso noturno: uma abordagem histórica.” In: TOZZI, Devanil A. (Coord.) Ensino no período noturno: contradições e alternativas. São Paulo: FDE, 1995. BELLO, José Luiz de Paiva. Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL. História da Educação no Brasil. 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