TRABALHO_DOLO
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TRABALHO_DOLO


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CAPÍTULO 1 \u2013 INTRODUÇÃO
De acordo com o artigo 104 do código civil de 2002, para um negócio jurídico ter validade, é necessário: agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei (grifo nosso). Porém, qualquer negócio jurídico é anulável ou nulo se este for viciado pelos defeitos indicado nos artigos 138 a 165 do mencionado código.
Os defeitos supracitados são: erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores.
Segundo Ramis (2016), os chamados pelo Código de 1916 de vícios de consentimento (erro, dolo e coação) e vícios sociais (simulação e fraude contra credores), \u201cos atuais defeitos do negócio jurídico, tornam a vontade mal dirigida, mal externada\u201d.
Deste feito, pode-se concluir que o dolo é um defeito do negócio jurídico, que o torna anulável, e por isto, o presente trabalho tem como objetivo conceituar e exemplificar o vício de consentimento: dolo através de pesquisas bibliográficas e jurisprudências.
Este trabalho se divide em 5 capítulos:
No primeiro capítulo é apresentada a introdução do trabalho desenvolvido, onde é informado o tema, objetivo do trabalho e metodologia utilizada.
No segundo capítulo é descrita a definição de dolo e suas características.
	No terceiro capítulo são conceituados e exemplificados os tipos de dolo.
No quarto capítulo é descrita a Lei do acordo ortográfico, determinada pelo Decreto 6.583 de 29 de setembro de 2008.
	No quarto capítulo é descrita jurisprudência referente ao tema.
 
	E por fim, com base em todos os capítulos anteriores, é apresentada no quinto capítulo a conclusão do nosso trabalho de pesquisa.
CAPÍTULO 2 \u2013 CONCEITO 
Para Gonçalves, \u201cDolo é o artificio ou expediente astucioso, empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudica, e aproveita ao autor do dolo ou a terceiro\u201d. (2011, p.415)
Dentre os defeitos do negócio jurídico, pode-se diferenciar o objeto do nosso estudo \u2013 o dolo \u2013 do erro, pois este último acontece espontaneamente, ou seja, sem a intenção de prejudicar o outro. Gonçalves (2011, p.415) diz que no [...] \u201cerro a vítima se engana sozinha, enquanto o dolo é provocado intencionalmente pela outra parte ou por terceiro\u201d.
	Correa (2009) ratifica o entendimento de Gonçalves citado supra ao dizer que:
O erro mostra-se à vista de todos, da mesma forma que o dolo, ou seja, como representação errônea da realidade. A diferença reside no ponto que no erro o vício da vontade decorre de íntima convicção do agente, enquanto no dolo há o induzimento ao erro por parte do declaratário (sic) ou de terceiro. Como costumeiramente diz a doutrina: o dolo surge provocado, o erro é espontâneo.(grifo nosso)
Há de se destacar que o dolo civil não deve ser confundido com o dolo criminal, que é a intenção de praticar um ato que já é de conhecimento do agente que é adverso à lei, e, portanto, este agente teve o desejo e assumiu o risco de praticar o referido ato. 
Em tese, por existir erro ou dolo no negócio jurídico, este deveria ser anulável. No entanto, menciona Gonçalves (2011) que pelo erro ser de natureza subjetiva e muito difícil de ser identificado o que realmente o autor da declaração pretendia dizer, as ações anulatórias costumam ser fundadas no dolo.
Pode-se distinguir também o dolo da simulação, que é quando a vítima é lesada sem participar do negócio. Gonçalves (2011, p.416) define como a situação em que \u201cas partes fingem ou simulam uma situação visando fraudar a lei ou prejudicar terceiros\u201d 
Como, por exemplo, um vendedor que faz constar da escritura de compra e venda de um imóvel, o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), quando a venda foi feita, realmente, por R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). O ato em questão é nulo, pois não condiz com a realidade da operação, e é confessado em cláusula contratual.
Art.167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma.
§1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem;
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
§2° Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (CÓDIGO CIVIL, 2002, grifo nosso)
No caso do dolo, a vítima participa diretamente do negócio, porém somente a outra parte que sabe dos atos maliciosos e age com má fé. 
Uma importante diferença é que o dolo acarreta na anulabilidade do ato e a simulação e a fraude, por exemplo, acarretam na nulidade do ato. 
A fim de esclarecer a diferença entre ambos os atos, nulos e anulados, há de se mencionar que o ato nulo é aquele que \u201cnão produz nenhum efeito jurídico, isto porque não chega sequer a se formar, por ausência de um de seus elementos essenciais\u201d (Moraes, 2016). Já o ato anulado é aquele que fora praticado em desconformidade aos preceitos legal, e que fora judicialmente anulado. 
Ademais, segundo Moraes (2016), \u201cfica a cargo da parte interessada solicitar a anulação ou não do mesmo\u201d, e enquanto o ato não for declarado anulado, ele produzir normalmente todos os efeitos, pois ainda é considerado como um ato válido.
Segundo Gonçalves apud Espinola, para que o dolo seja considerado como vício de consentimento é necessário:
a) que haja intenção de induzir o declarante a realizar o negócio jurídico, b) que os artifícios fraudulentos sejam graves; c) sejam a causa determinante da declaração de vontade; d) procedam do outro contratante, ou sejam conhecidos, se procedentes de terceiro.
	
CAPÍTULO 3 \u2013 TIPOS DE DOLO
Há vários tipos de dolo, dentre eles: o principal, o acidental, o bonus, o malus, o comissivo, o omissivo, o de terceiros, o do representante, o bilateral e o de aproveitamento. 
3.1- Dolo principal e Dolo Acidental
	Segundo Gonçalves (2011), a classificação mais importante de dolo é justamente a de dolo principal e de acidental, pois o principal (dolus causam dans contractui) é o que tem o dolo como a causa determinante da declaração de vontade, e por isto, vicia o negócio jurídico. Fato este, taxativo no artigo 145 do código civil de 2002: \u201c São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.\u201d
Para Maria Helena Diniz, \u201co dolo principal é aquele que dá causa ao negócio jurídico, sem o qual ele não se teria concluído (CC, art. 145), acarretando, então, a anulabilidade daquele negócio\u201d (2004, p. 418).
Por isto, pode-se dizer que sem o dolo, este negócio não se concretizaria, e, portanto, a anulação do negócio é válida nesse caso.
Já no caso do dolo acidental (dolus incidens) existe a intenção de enganar, porém, o negócio não seria inviabilizado pelo dolo, ou seja, ele aconteceria com ou sem dolo; o que acontece é que o negócio é concluído de forma mais onerosa ou menos vantajosa para a vítima. Ele não tem influência para a finalização do ato, conforme dita o artigo 146 do código civil de 2002: \u201cÉ acidental o dolo, quando a seu despeito o ato se teria praticado, embora por outro modo\u201d. O dolo acidental não acarreta a anulação do negócio jurídico, porém obriga o autor do dolo a satisfazer perdas e danos da vítima.
Um exemplo de dolo acidental vem de Stolze Gagliano e Pamplona Filho (2008):
O sujeito declara pretender adquirir um carro; escolhendo um automóvel com cor metálica, e, quando do recebimento da mercadoria, enganado pelo vendedor, verifica que a coloração é, em verdade, básica. Neste caso, não pretendendo desistir do negócio poderá exigir compensação por perdas e danos.
No exemplo supracitado, pode-se compreender que o autor do negócio já tinha intenção de comprar um automóvel, e foi enganado apenas na cor deste, que suponhamos que não era de suma importância para a vítima. No entanto, um exemplo de dolo principal, dos mesmos