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Anemia Hereditária Alfa-talassemia Acadêmicas: Beatriz Moraes Volpato; Francieli Mattei Felisbino; Luana Kniess Jacinto. Curso de Farmácia 1 CASO CLÍNICO Paciente sexo feminino, 45 anos, reside no interior de Orleans, procura o Pronto Atendimento se queixando de cansaço físico, fraqueza a ponto de não conseguir desempenhar as atividades rotineiras de casa, sente um cansaço extremo e que tem piorado no último mês, a vontade é apenas de ficar deitada, pois sente muito sono. Tem 2 filhos. Sua alimentação é balanceada, gostava de fazer caminhadas quando estava disposta. Seu peso se manteve igual no último mês. Exame físico, sem alteração. Médico solicitou alguns exames: Hemograma; Ferritina; Ferro; Vitamina B12; Ácido Fólico; TGO; TGP; TSH; T4L; Úreia; Creatinina; Fator reumatoide; Fator anti nuclear. Curso de Farmácia 2 HEMOGRAMA HEMÁCIAS: 3,60 milhões/ul VR (4,00 a 5,60 milhões/µl) HEMATÓCRITO: 33,5 % VR (36,0 a 47,0 %) LEUCÓCITOS: 5.500 / mm3 VR (5000 a 10000 /mm3) HEMOGLOBINAS: 10,2 g/dl VR (12,0 a 16,0 g/dl) VCM : 59 f/L VR (82,0 a 94,0 f/L) HCM: 21,3 pg VR (27,0 a 33,0 pg) PLAQUETAS : 285.000 mm3 VR (150 A 450 mm3) OUTROS EXAMES FORAM SOLICITADOS: FERRITINA: 110 ng/mL VR (20 A 120 ng/ml) URÉIA: 21 mg/dl VR ( 13 a 43 mg/dL) FERRO: 90 µg/dl VR (50 a 170 µg/dl) CREATININA: 0,9 mg/dl VR (0,6 A 1,2 mg/dL) VITAMINA B12: 350 pg/ml VR (211 a 911 pg/ml) FATOR REUMATÓIDE: 0,8 (não reagente) ÁCIDO FÓLICO: 9,8 ng/ml VR (160 a 640 ng/ml) FATOR ANTI NUCLEAR: NEGATIVO TGO : 15 u/L VR (13 a 35 u/L) TGP: 18 u/L VR (7 e 56 u/L) TSH: 2,50 mu/L VR (0,3 e 4,0 mu/L) T4L: 1,04 ng/dl VR (0.7 a 1.8 ng/dl) Curso de Farmácia 3 DIAGNÓSTICO Tendo em vista que a paciente se queixa de muito cansaço, sono, porém, sem perda de peso. Essas evidências podem ser um alerta para algum tipo de anemia. Mas, todo o hemograma deve ser avaliado. Com o exame de hemograma, pode se dizer que a paciente está com: Anemia; Acentuada microcitose: conforme exame o valor VCM indicou que as hemácias estão com tamanho menor que o normal, apresentando leve reticulocitose (hemácias jovens- aumento da atividade médula óssea); Hipocromia: o valor HCM está um pouco abaixo, indicativo que as hemácias estão com uma coloração mais clara; Quanto aos demais exames solicitados, apresentaram valores normais, ferro/ ferritina possuem sua síntese normal, descartando anemia ferropriva. Exames B12/ ácido fólico valores normais, paciente não tem carência, pode ser devido a sua boa alimentação. Curso de Farmácia 4 As plaquetas tiveram resultado normais dentro do valor de referência. No laudo do hemograma o laboratório descreveu na observação Poiquilocitose, são para descrever as hemácias com características de achatadas caracterizado pela disposição da hemoglobina em círculo, o que lhe dá o aspecto exatamente de um alvo. Curso de Farmácia 5 Diante dos exames anteriores solicitados, e algumas observações vistas, o médico solicita um novos exames laboratoriais, eletroforese de hemoglobinas e HPLC. A eletroforese de hemoglobinas, auxilia no diagnóstico de anemias, talassemias, doença hemoglobina, este exame identifica possíveis alterações estruturais na hemoglobina, e no seu funcionamento. O exame HPLC: Por meio deste método se tem um diagnóstico diferencial das talassemias em que são verificadas a concentrações de cadeias alfa, beta, delta e gama, verificando a ausência ou presença parcial dessas cadeias globinas. Após realização destes exames o médico fez o diagnóstico da paciente e conforme os resultados denominou Talassemia Alfa Menor. Curso de Farmácia 6 TALASSEMIA ALFA A talassemia é uma forma de anemia crônica, de origem genética (hereditária), ou seja, passada dos pais para os filhos. Não é transmitida pelo sangue, ar, água, contato físico ou sexual e não é causada por deficiência na alimentação, carência de vitaminas ou sais minerais. A talassemia faz parte de um grupo de doenças do sangue (hemoglobinopatias) caracterizadas por defeito genético que resulta em diminuição da produção de um dos dois tipos de cadeias que formam a molécula de hemoglobina. A talassemia alfa abrange quatro apresentações clínicas, conforme a alteração genética apresentada no cromossomo 16: Portador silencioso (sem manifestações) 1 gene afetado; Traço talassêmico alfa ou Talassemia menor (anemia leve) 2 genes afetados; Doença da hemoglobina H (anemia moderada a grave) 3 genes afetados; Síndrome da hidropsia fetal da hemoglobina Bart’s (anemia muito grave e incompatível com a vida) 4 genes afetados. Curso de Farmácia 7 Mutações genéticas para talassemia alfa podem ser encontradas nos países do mar Mediterrâneo, sudeste da Ásia, África e Índia, chegando ao Brasil por meio da imigração dos povos oriundos destes países. A talassemia alfa envolve dois genes: HBA1 e HBA2, são cópias não- alélicas, naturalmente duplicadas e funcionais, que compõem o agrupamento dos genes da hemoglobina localizado cromossomo 16. A doença é geralmente herdada como herança mendeliana autossômica recessiva. Curso de Farmácia 8 Curso de Farmácia http://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/talassemias_folder.pdf http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v46n2/a04v46n2.pdf http://sbac.org.br/rbac/wp-content/uploads/2016/05/RBAC_Vol.47_n4-Completa.pdf http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842000000200007 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442010000200004 9 REFERÊNCIAS Anemia Hereditária Alfa - Talassemia Acadêmicas: Beatriz Moraes Volpato; Francieli Mattei Felisbino; Luana Kniess Jacinto. Curso de Farmácia 10