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Prévia do material em texto

2017
Gestão educacional
Profa. Graciele Alice Carvalho Adriano
Copyright © UNIASSELV 2017
Elaboração:
Profa. Graciele Alice Carvalho Adriano
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
 
370.2 
A243g Adriano, Graciele Alice Carvalho
Gestão educacional / Graciele Alice Carvalho Adriano: 
UNIASSELVI, 2017.
 
178 p. : il.
 
 
ISBN 978-85-515-0084-2
1. Gestão Escolar.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. 
Impresso por:
III
apresentação
Caro acadêmico! A gestão educacional compreende uma organização 
dos sistemas de ensino nas instâncias federais, estaduais e municipais. Os 
estudos sobre a gestão educacional englobam conceitos sobre as formas de 
articulação entre as diversas instâncias que deliberam as normativas para os 
setores educacionais. A gestão escolar difere na gestão educacional enquanto 
função orientada para administrar as instituições educacionais. Cabe a esse 
profissional auxiliar na elaboração e execução da proposta pedagógica, 
administração dos recursos financeiros e humanos, contribuir para o processo 
de ensino e aprendizagem, e possibilitar situações de integração com a 
comunidade escolar.
Na Unidade 1, conheceremos sobre as características da gestão 
educacional no contexto nacional, com um percurso histórico para 
compreendermos a função social da escola, incluindo a atual concepção. 
Estudaremos sobre o contexto histórico da gestão educacional ao longo do 
desenvolvimento da sociedade, suas influências na construção do pensamento 
educacional. Outro ponto que iremos estudar será sobre a função do gestor 
escolar, as características de liderança, competência e habilidades de um gestor 
democrático. Apresentaremos um breve texto sobre o conceito de coaching 
e algumas ideias de atividades que podem ser desenvolvidas durantes as 
reuniões com a equipe escolar.
Na Unidade 2, apresentaremos a atuação do gestor escolar no 
desenvolvimento da ação pedagógica e administrativa referente à inserção da 
educação inclusiva e tecnologias da informação, e nas relações que estabelece 
com a comunidade. Abordaremos, também, um breve percurso histórico e 
conceitual sobre as funções de orientador educacional, supervisor pedagógico 
e coordenador pedagógico.
Na Unidade 3, entenderemos sobre a conjuntura político-
administrativa da escola, organizada sob a responsabilidade do gestor escolar. 
Para o exercício da função o gestor necessita conhecer sobre o financiamento 
da educação no Brasil, o PNE – Plano Nacional de Educação – e as avaliações 
que são aplicadas no âmbito escolar. Necessita também de conhecimentos 
sobre a organização e contribuições dos conselhos escolares e na importância 
da elaboração do PPP – Projeto-Político e Pedagógico da escola.
Bons estudos!
IV
UNI
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
V
VI
VII
sumário
UNIDADE 1 - GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL ................................. 1
TÓPICO 1 - PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR ........................ 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA ....................................................................................................... 3
3 NOVAS DEMANDAS SOCIAIS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA ...................................... 8
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 14
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 15
TÓPICO 2 - CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL .................................... 17
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 17
2 ADMINISTRAÇÃO CLÁSSICA E IMPLICAÇÕES PARA
 A EDUCAÇÃO E PRÁTICA EDUCACIONAL ............................................................................... 17
3 GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO ............................................................................... 25
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 31
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 32
TÓPICO 3 - PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR .................................................................... 35
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 35
2 A FUNÇÃO DE GESTOR ESCOLAR ....................................................................................... 35
3 LIDERANÇA NA GESTÃO EDUCACIONAL ..................................................................... 39
4 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO GESTOR DEMOCRÁTICO .................... 41
5 COACHING EDUCACIONAL ................................................................................................... 45
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 49
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 51
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 52
UNIDADE 2 - PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL .................. 55
TÓPICO 1 - GESTOR ESCOLAR ......................................................................................................... 57
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 57
2 GESTOR ESCOLAR E O DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO PEDAGÓGICA ....................... 57
3 AS PRÁTICAS DA GESTÃO ESCOLAR E AS AÇÕES ADMINISTRATIVAS ....................... 62
4 A PRESENÇA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA ATUAÇÃO DO
 GESTOR ESCOLAR ............................................................................................................................. 67
5 A ATUAÇÃO DO GESTOR E O SURGIMENTODAS TECNOLOGIAS
 DE INFORMAÇÃO .............................................................................................................................. 70
6 A RELAÇÃO DO GESTOR COM A COMUNIDADE ESCOLAR .............................................. 74
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 77
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 79
TÓPICO 2 - ORIENTADOR EDUCACIONAL .................................................................................. 81
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 81
2 INÍCIO DA FUNÇÃO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL ..................................................... 81
VIII
3 ORIENTADOR EDUCACIONAL E SUA ATUAÇÃO NOS
 ESPAÇOS EDUCATIVOS ................................................................................................................... 84
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 89
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 90
TÓPICO 3 - SUPERVISOR PEDAGÓGICO....................................................................................... 93
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 93
2 PERCURSO HISTÓRICO DA SUPERVISÃO EDUCACIONAL NO BRASIL ........................ 93
3 FASES DA SUPERVISÃO EDUCACIONAL................................................................................... 96
4 ATUAÇÃO DO SUPERVISOR EDUCACIONAL NA CONTEMPORANEIDADE ................ 99
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 102
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 103
TÓPICO 4 - COORDENADOR PEDAGÓGICO ............................................................................... 105
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 105
2 CONTEXTO HISTÓRICO E ATUAÇÃO DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA ................. 105
3 ATUAÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NA
 FORMAÇÃO CONTINUADA ........................................................................................................... 108
4 CONSELHO DE CLASSE: MOMENTO DE REFLEXÃO SOBRE
 AS AÇÕES EDUCATIVAS .................................................................................................................. 110
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 115
RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 121
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 122
UNIDADE 3 - GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR ............................................................................ 125
TÓPICO 1 - FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL ................................................. 127
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 127
2 A LEI ORÇAMENTÁRIA: RECEITA E DESPESAS NACIONAIS ............................................. 127
3 REGIME DE COLABORAÇÃO ENTRE OS ENTES FEDERADOS ........................................... 132
4 PDDE - DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA .................................................................................... 133
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 136
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 137
TÓPICO 2 - CONSELHOS ESCOLARES - UMA ORGANIZAÇÃO DE GESTÃO ................... 139
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 139
2 PARTICIPAÇÃO DOS CONSELHOS ESCOLARES NAS
 INSTITUIÇÕES ESCOLARES ........................................................................................................... 139
3 ATRIBUIÇÕES DOS CONSELHOS ESCOLARES ........................................................................ 143
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 146
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 147
TÓPICO 3 - PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO- 
PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR ................................................................................. 149
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 149
2 PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO ................................................................................ 149
3 PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO ............................................................................................ 153
4 REGIMENTO ESCOLAR .................................................................................................................... 159
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 164
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 166
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 167
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 170
1
UNIDADE 1
GESTÃO EDUCACIONAL NO 
CONTEXTO NACIONAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer o processo histórico das instituições de ensino;
• identificar e analisar a função social da escola;
• compreender o percurso histórico do conceito de Gestão Educacional;
• discutir sobre os princípios da gestão democrática no contexto atual;
• reconhecer a importância do gestor para a comunidade escolar;
• elencar as ações e competências do gestor no cotidiano escolar.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles você 
encontrará atividades que possibilitarão o aprofundamento de conteúdos da 
área, propiciando uma reflexão sobre questões da gestão educacional, como 
o contexto histórico e função das instituições de ensino, além do percurso 
histórico que deu origem ao conceito de Gestão Educacional.
TÓPICO 1 - PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR 
TÓPICO 2 - CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
TÓPICO 3 - PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste primeiro tópico da disciplina "Gestão Educacional" 
estudaremos sobre assuntos referentes à escola, educação e sua função social com 
e na sociedade. Comentaremos brevemente sobre o processo de organização da 
função social da escola, ao longo dos anos, até se constituir como o conhecemos 
atualmente. 
Para compreendermos a função do gestor escolar, necessitamos da 
apropriaçãodo conhecimento sobre os fatores que contribuíram para a constituição 
da escola hoje. A concepção da função social da escola advém de um processo 
cultural, vivenciado em determinados períodos históricos de acordo com o 
pensamento da sociedade de cada época. 
A partir do entendimento da construção histórica, cultural e social de 
uma determinada situação, conseguimos compreender a sua conjuntura atual, 
assimilando suas potencialidades e fragilidades. Nesse sentido, iniciamos nossos 
estudos sobre Gestão Educacional com o entendimento dos princípios que 
nortearam a organização da escola, do início até os dias atuais.
No decorrer de sua leitura, lembre-se de assinalar no texto os principais escritos. 
Grife com caneta marca-texto, cole etiquetas de avisos indicando os pontos importantes. 
Organize esquemas, sínteses, faça apontamentos no decorrer do texto. Busque formas de 
organizar seu pensamento e construir um conhecimento significativo! Bons estudos!
ATENCAO
2 FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA 
A escola, enquanto instituição construída socialmente para realizar a 
formação humana nas diferentes temporalidades de vida, se tornou, no movimento 
histórico, dever do Estado e direito do cidadão, sendo indispensável seu 
reconhecimento para formação social das pessoas, nas relações que estabelecem 
entre si e com os conhecimentos científicos.
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
4
A ação educativa tem por finalidade a humanização do homem por meio da 
identificação dos elementos culturais acumulados historicamente. À escola cabe 
selecionar e identificar, dentre esses elementos, os necessários e indispensáveis a 
serem desenvolvidos nas práticas educativas. A descoberta das formas adequadas a 
esse trabalho, a organização dos meios, conteúdos, espaço, tempo e procedimentos 
são de responsabilidade do currículo escolar que deve estar contido no projeto 
pedagógico elaborado com base na realidade.
 A escola, como responsável pelos processos de ensino e aprendizagem, 
necessita propiciar, a todos que a ela tiverem acesso, os instrumentos necessários 
à aquisição do saber sistematizado. Desta forma, por meio da apropriação desse 
saber, da ciência, justifica sua existência na sociedade atual. Segundo os autores 
Libâneo, Oliveira e Toschi (2005, p. 117):
 
devemos inferir, portanto, que a educação de qualidade é aquela 
mediante a qual a escola promove, para todos, o domínio dos 
conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e 
afetivas indispensáveis ao atendimento de necessidades individuais e 
sociais dos alunos. 
Percebemos, então, que a escola se constitui numa instituição social com 
objetivo explícito de aprimorar as potencialidades físicas, cognitivas e afetivas dos 
estudantes. O desenvolvimento ocorre por meio da aprendizagem de conteúdos, 
conhecimentos, aprimorando as habilidades, atitudes e valores, de maneira 
contextualizada e participativa. 
Assim, entendemos algumas das funções sociais gerais da escola, mas 
precisamos analisar sobre a real função social da escola. Você saberia dizer? Pois 
bem, para conseguirmos responder a esse questionamento, necessitamos refletir 
sobre as intenções do Projeto Político-Pedagógico da escola, das perspectivas da 
gestão educacional e a organização curricular proposta. Elementos que servirão 
de estrutura para entendimento sobre as concepções ideológicas da escola e sua 
relação com a comunidade.
O ato educativo deve ser um processo dialógico visando a transformação 
social, combatendo assim a reprodução de um sistema excludente, baseado na 
simples reprodução de saberes. Neste sentido, Luckesi (1994, p. 30) entende que:
A educação dentro de uma sociedade não se manifesta como um 
fim em si mesma, mas sim como um instrumento de manutenção ou 
transformação social. Assim sendo, ela necessita de pressupostos, de 
conceitos que fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade 
dentro da qual ela está deve possuir alguns valores norteadores de sua 
prática.
As funções políticas e sociais da escola consistem em interesses diferenciados 
das classes sociais, nas quais as tendências pedagógicas trazem contribuição nas 
diferentes concepções da função escolar. O pensamento da sociedade no decorrer 
da história influenciou diretamente a concepção e a função social prevista na escola.
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
5
Para Saviani (1993), na tendência tradicional a escola era vista como uma 
forma de se resolver os problemas sociais ligados à ignorância. Sua principal 
função consistia em repassar conteúdos e procedimentos simples, de maneira 
enciclopédica. Preocupava-se com a quantidade do conhecimento adquirido no 
processo de ensino e aprendizagem por estudantes, a despeito da qualidade.
Na Escola Nova, os desajustes estavam relacionados à falta de adaptação 
das pessoas às formas biopsicossociais. A escola deveria ajustar as pessoas ao 
convívio social, despertando o sentimento de aceitação da diversidade. A proposta 
da Escola Nova negava a Tradicional, substituindo a ênfase nos conteúdos pela 
valorização dos processos de aprendizagem. Nessa época surge o processo de 
psicologização da educação (SAVIANI, 1993).
DICAS
Acadêmico, faça a leitura do documento que regulamentou 
o Movimento da Escola Nova no seguinte endereço: 
<http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/22e/
doc1_22e.pdf>.
Você conhecerá a concepção de educação defendida no 
movimento, a finalidade e função social da escola para 
a época. Acesse e confira, amplie seus conhecimentos 
sobre o assunto!
FONTE: Disponível em: <http://maryhpc.blogspot.com.
br/2011/12/o-movimento-dos-pioneiros-da-educacao.
html>. Acesso em: 20 mar. 2017.
Com a ascensão do capitalismo e o aumento dos meios de produção, 
começou a surgir na sociedade um aumento na demanda de mão de obra 
industrial. Consequentemente, a escola começou a ter outra função social, a de 
formar e especializar os futuros trabalhadores. A tendência tecnicista surgiu no 
período militar no Brasil, servindo ao sistema produtivo gerador de lucro para 
os capitalistas, incorporando os princípios do taylorismo e fordismo (KUENZER, 
2000).
Podemos perceber que cada tendência influenciou a concepção educacional 
a serviço de uma intenção da sociedade na época. A Escola Tradicional buscava 
uma estrutura econômica agrária, e as escolas Nova e Tecnicista voltavam seus 
interesses para a estrutura econômica industrial capitalista.
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
6
As teorias Crítico-Reprodutivistas apresentam concepções diferentes de se 
entender a função social da escola. Os principais nomes consistem em Bourdieu e 
Passeron (1982), com análises sobre a relação entre os sistemas de ensino e o social. 
Segundo os autores, a sociedade marca de maneira irreversível as formas de agir 
na escola, orientando socialmente e profissionalmente as pessoas. 
Para Bourdieu e Passeron (1982), a educação consiste no reflexo da 
desigualdade social imposta por meio da ideologia da classe dominante, 
perpetuando seus interesses por meio dos processos educativos institucionalizados 
nas escolas. A ação pedagógica como "uma violência simbólica enquanto imposição, 
por um poder arbitrário, de um arbitrário cultural” (BOURDIEU; PASSERON, 
1982, p. 20).
A expressão “violência simbólica” aparece como uma observação minuciosa 
de que qualquer sociedade se estrutura como um sistema de relações de força 
material entre grupos ou classes. Onde a classe dominante opera silenciosamente 
com seus valores sobre a classe dominada, operando formas de agir, pensar e sentir 
segundo seus interesses.
A violência simbólica, para estes sociólogos, manifesta-se na escola 
por meio da ação pedagógica institucionalizada, onde o processo educativo 
aparece como resultado da “desigualdade de dotes”. Os dotes são utilizados 
para explicar que o sucesso e o fracasso escolar não dependem apenas da origem 
social, mas fundamentalmente da expressão cultural cultivada pelo indivíduo.As 
crianças das classes populares estariam em desvantagem em relação às de classe 
dominante, em decorrência do acesso e aproximação da cultura escolar, mais 
próxima da cultura dominante.
As teorias crítico-reprodutivistas apresentam o funcionamento da escola 
baseado na reprodução, mas não apresentam nenhuma alternativa pedagógica de 
melhoria para a situação. 
A proposta pedagógica de Freire (1997), denominada escola 
problematizadora, encontra fundamentação na concretude da existência humana, 
e entende que “cada homem é um ser no mundo, com o mundo, e com os outros” 
(FREIRE, 1997, p. 26). Na relação que estabelece com o outro, o educador seria 
um ser na práxis, capaz de olhar de fora, mesmo estando dentro do processo 
educativo. Na distância que estabelece de si possibilita uma análise do fazer de si 
mesmo, uma desconstrução-reconstrução constante do modo de pensar, gerando 
alterações no meio em que vive.
Freire (1997) afirma que a educação não é neutra, nem desinteressada, 
mas um ato político que não pode ser confundido como uma ação manipuladora. 
Nesse sentido, o educador que assume uma prática libertadora necessita assumir 
uma opção política e coerente com essa prática. A alfabetização não consiste no 
ponto de partida, nem de chegada, mas um aspecto importante no processo de 
construção do conhecimento, pensando na prática e não somente no "mundo dos 
pensamentos". 
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
7
Na proposta de Freire (1997), a educação surge como um ato político e 
parte do processo de emancipação do ser humano, ou seja, sua libertação. O ato 
político se desvela nos momentos de discussões em que os envolvidos descobrem, 
por meio da palavra, a si próprios e o mundo em que vivem. Os oprimidos, 
cidadãos excluídos da cultura escrita, desfavorecidos nas condições mínimas de 
sobrevivência, encontram na palavra a possibilidade de pensar sobre o mundo e 
julgá-lo.
A tendência da Pedagogia Histórico-Crítica se contrapõe à pedagogia 
liberal burguesa, como uma alternativa para os que negavam o papel reprodutor 
capitalista nas práticas sociais e escolares. Nessa tendência, a educação consiste em 
uma atividade mediadora no centro da prática social global. As práticas educativas 
são vistas como formas de transformação social e humanização das pessoas.
A educação nessa tendência apresenta uma compreensão de que a escola 
pressupõe um papel mediador, articulando as relações sociais onde o conhecimento 
expressa um processo em construção. Para Saviani (1993, p. 80):
Se a educação é mediação, isto significa que ela não pode ser justificada 
por si mesma, mas tem sua razão de ser nos efeitos que se prolongam para 
além dela e que persistem mesmo após a cessação da ação pedagógica 
[...] Se é razoável supor que não se ensina democracia através de 
práticas pedagógicas antidemocráticas, nem por isso se deve inferir que 
a democratização das relações internas à escola é condição suficiente 
de democratização da sociedade. Mais do que isso: se a democracia 
supõe condições de igualdade entre os diferentes agentes sociais, como 
a prática pedagógica pode ser democrática já no ponto de partida? 
Com efeito, procurei esclarecer qual a educação supõe a desigualdade 
no ponto de partida e a igualdade no ponto de chegada. Agir como se 
as condições de igualdade estivessem instauradas desde o início não 
significa, então, assumir uma atitude de fato pseudodemocrática? 
Pense nos questionamentos e reflita sobre como as práticas educativas 
podem se basear numa mediação que promova a democracia em sala. De que 
forma localizamos os processos democráticos nas relações escolares? Perguntas 
que necessitam ser analisadas e repensadas no âmago de cada educador, na 
intencionalidade e percepção da função social que subjetivamente compreendeu 
ao longo dos anos. 
Para Saviani (1993), a escola apresenta uma função social como forma 
de propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitem o acesso à cultura, 
com as atividades escolares organizadas para esse fim. O professor como 
"aquele que possibilita o acesso à cultura, organizando o processo de formação 
cultural" (SAVIANI, 1993, p. 27). Existem importantes relações entre a educação 
e a transformação social, educação e estrutura social capitalista, educação e a 
possibilidade de superação do capitalismo, educação e revolução.
O papel mediador da educação no processo de transformação social é 
imenso, pois é um conceito de educação associado à mediação em meio à prática 
social, isto é, a educação torna-se uma importante ferramenta de transformação da 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
8
prática social. Não necessariamente uma educação mediadora que transformaria 
diretamente a sociedade, mas que, por meio da mediação, transformasse 
inicialmente a consciência das pessoas. Para, depois, as pessoas agirem conforme 
sua consciência, transformando a sociedade por meio de suas práticas sociais.
No plano social, a escola pode desenvolver, nos estudantes, reflexões sobre 
os cuidados com a saúde, a natureza, as questões da cidade, entre outros, uma 
consciência do que seja viver bem em sociedade. Articular discussões sobre as 
situações ao redor da escola, comunidade, estimulando uma consciência crítica, de 
participação, organizando e intervindo com ações políticas na sociedade.
Outro aspecto fundamental que está intimamente ligado à função social e 
política da escola consiste na dimensão democrática, conferindo a todos o 
direito de participar das discussões. A escola como instituição que pretende 
formar sujeitos democráticos deve vivenciar, criar e disponibilizar no 
cotidiano espaços e tempos para o exercício da participação. Inclusive, a 
LDB/96 reafirma no artigo 14º, entre seus princípios, a gestão democrática 
da escola através da participação da comunidade escolar e local 
em conselhos escolares ou equivalentes (BRASIL,1996).
Percebemos, até o momento, que a escola pode apresentar funções sociais 
diferenciadas de acordo com cada perspectiva e teoria de educação influenciada 
na concepção social. As ações individuais e coletivas desenvolvidas nas escolas 
intensificam os entendimentos sociais e políticos, contribuindo na formação 
do estudante. Na consciência de importância enquanto pessoa na sua família, 
comunidade, interferindo de forma crítica na realidade, sendo influenciado de 
maneira subjetiva por formas de pensar e agir socialmente construídas.
3 NOVAS DEMANDAS SOCIAIS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA
A partir da segunda metade do século XX, a sociedade, de forma geral, 
vivenciou algumas mudanças oriundas da presença das tecnologias da informação 
e comunicação. Dessa forma, a sociedade do conhecimento, internet, rede de 
recursos e serviços educativos disponíveis contribuem para desconstruir o 
pensamento tradicional de escola, reorganizando a relação formativa e informativa 
dos saberes (VILLA, 2007). 
Atualmente, com a vigência normativa legal, o acesso à escola se encontra 
democratizado e fiscalizado por órgãos fiscais, garantindo que todos em fase 
escolar estejam matriculados e frequentando a escola. A globalização da sociedade 
apresenta padrões de cultura global e a aproximação com outros povos e 
manifestações culturais, ou seja, com as formas de diversidade social e humana.
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
9
A convivência com as diferenças torna-se uma necessidade das sociedades 
contemporâneas. A emergência da "sociedade do conhecimento", com novas formas 
de conceber a sociedade e os processos escolares, sobretudo a partir dos anos de 
1990. O uso das tecnologias da informação e da globalização induziu uma cultura 
escolar que requer a valorização, nas práticas educativas, da cultura escolar, saber 
sistematizado da cultura escolar. Práticas pedagógicas que entendem os processos 
de ensino baseados na mediação, tendo como parâmetros a cultura dos estudantes, 
contemplando as diversidades da turma.
Observe as vinhetas em quadrinhos ereflita sobre a mensagem implícita no 
diálogo entre os dois estudantes: 
FIGURA 1 – SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
FONTE: Disponível em: <https://nubiaaires.wordpress.com/2015/06/26/sociedade-da-informacao-
charge/>. Acesso em: 23 junho 2017.
Você percebe esse tipo de atitude na sociedade atual? Pois bem, os 
estudantes hoje possuem acesso imediato a todo tipo de informação, veiculada 
nas diversas mídias. Será que sozinhos conseguem transformar a informação em 
conhecimento, ou necessitam da experiência, dos processos de mediação que 
ocorrem nas práticas educativas voltadas ao ensino e à aprendizagem? Pense sobre 
o assunto!
Prensky (2001) lembra que os estudantes presentes nas escolas constituem 
os chamados nativos digitais, ou seja, cresceram imersos na linguagem digital dos 
computadores, videogames e internet. Acostumados a receber informações com a 
rapidez com que acessam os recursos tecnológicos, respostas de forma instantânea, 
trabalham em rede com multitarefas paralelas e repudiam palestras, atividades 
com passo a passo que tomem tempo demasiado de sua atenção. Diferenciam-se 
dos imigrantes digitais, aqueles que tiveram contato durante sua existência com 
os recursos tecnológicos, mas que ainda guardam alguns vestígios condicionados 
ao uso de material impresso, como na impressão de informações veiculadas na 
internet para leituras posteriores.
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
10
Os imigrantes digitais dividem espaço com os nativos, a diferença é que 
os primeiros ocupam lugares de autoridade social, seja na escola ou em outros 
espaços. Nas instituições escolares, os imigrantes digitais acreditam que explicações 
detalhadas, combinações de exemplos demorados garantem o aprendizado dos 
estudantes, lhes permitem o tempo preciso da compreensão sistematizada dos 
conteúdos. 
Entretanto, os nativos digitais acostumados ao uso das tecnologias, no 
aprender fazendo, na fluidez das informações, não acompanham o processo 
inferido, causando dispersões e choques de interesses. A escola voltada para a 
minuciosa explicação dos conteúdos entra em colapso com o surgimento de uma 
nova forma de aprender. Através das informações, a construção de conhecimentos 
por meio do diálogo, das interações colaborativas, das trocas que ocorrem no teclar 
em rede - nas relações estabelecidas entre as dúvidas e respostas. No acesso e 
seleção das inúmeras verdades disponibilizadas na internet, pela ação dialógica do 
professor com a turma, por meio do conhecimento que traz consigo referente à sua 
especialização docente, auxilia na garimpagem e desmistificação das informações 
(PRENSKY, 2001).
FIGURA 2 - NATIVOS DIGITAIS
FONTE: Disponível em: <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/
tecnologia/0053.html>. Acesso em: 20 mar. 2017.
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
11
O saber-fluxo, apontado por Lévy (2003), identifica os espaços de 
conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxo, não lineares, organizam-
se de acordo com os objetivos ou contextos, onde cada um ocupa uma posição 
singular e evolutiva. O professor assume uma posição de animador da inteligência 
coletiva ao invés do fornecedor dos conhecimentos. As aulas, antes planejadas e 
que deveriam ser seguidas à risca, agora assumem fluxos de interação de acordo 
com as várias competências dos estudantes, independentemente da organização 
disciplinar estabelecida a priori pelo professor.
Lévy (2003, p. 161) sugere que "a emergência do ciberespaço não significa, 
de forma alguma, que "tudo" pode enfim ser acessado, mas, antes, que o todo está 
definitivamente fora de alcance". Ciberespaço "[...] como o espaço de comunicação 
aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos 
computadores" (LÉVY, 2003, p. 92). Anterior à escrita, a sociedade baseava sua 
fonte de conhecimento na transmissão oral realizada dos mais velhos aos mais 
novos, pela comunidade viva. Com o surgimento dos livros, quem consegue ler 
domina o conhecimento. 
Após a invenção da impressão surgiram os cientistas, os saberes estão 
acumulados nas bibliotecas, organizados pelos que assumiram a missão de 
organizar os conhecimentos de forma que todos tivessem acesso. Mais recente, 
surge o ciberespaço, a transmissão pelas coletividades humanas vivas, que 
descobrem e constroem seus objetos e se conhecem como coletivos inteligentes 
(LÉVY, 2003). 
A virtualização do conhecimento se torna virtual no sentido do movimento 
inverso da atualização, na mutação da identidade, no desprendimento do aqui 
e agora, na desterritorialização presente, na externalização do interior e na 
internalização do exterior. A virtualização consiste numa ação heterogênea, no 
processo de acolhimento da alteridade de alguém. Na leitura dos hipertextos a 
sensação de percorrer, cartografar o que fabricamos e atualizamos, avalia-se 
de acordo com a subjetividade inferida. O texto como "[...] discurso elaborado 
ou propósito deliberado" (LÉVY, 1996), ou seja, discursos que geram textos 
socializados virtualmente. 
A discussão sobre o entendimento dos textos como aspecto social iniciou 
com os estudos de Soares (2003), que distingue o letramento como um estado 
ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, mas que exerce as práticas 
sociais ao usar a escrita. Rojo (2012) recorda que em 1996 aconteceu o colóquio 
do Grupo de Nova Londres (GNL), no evento houve a publicação do manifesto 
intitulado A Pedagogy of Multiliteracies – Designing Social Futures (Uma pedagogia 
dos multiletramentos – desenhando futuros sociais). 
Os multiletramentos na escola, como diversidade cultural de produção e 
circulação dos textos, no sentido da diversidade de linguagens que os constituem, 
interativos e colaborativos, transgridem as relações de poder estabelecidas; por 
estarem disponibilizados on-line, pertencem a todos, são híbridos formados por 
diversos tipos de linguagens, modos, mídias e culturas. Localizam-se nas "nuvens", 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
12
no ciberespaço e apresentam-se no formato de rede por hipertextos e hipermídias 
(ROJO, 2012).
O "letramento digital" designa o domínio das tecnologias para além do 
teclar comandos, mas na capacidade de utilização nas práticas sociais. Significa 
possibilitar, aos estudantes, condições para que possam incorporar o uso dos 
instrumentos, interfaces e signos das tecnologias digitais, que aprendam a ler e 
escrever manipulando os recursos midiáticos. Enfim, na busca da sofisticação do 
letramento, na participação da sociedade digital que orienta condições atuais para 
a inclusão social (ALMEIDA; VALENTE, 2012). 
O uso das tecnologias nas escolas, atualmente, permite um aprendizado 
duplo. Além de possibilitar o acesso a conceitos de temas pesquisados, necessita 
do conhecimento das ferramentas que fazem parte do recurso utilizado. A 
variedade de informações disponibilizadas no ciberespaço torna possíveis alguns 
questionamentos pertinentes à idoneidade dos textos veiculados virtualmente. 
O professor, como mediador no processo de ensino, apto pela especialidade 
formativa, auxilia no discernimento dentre a variedade disponível. Por meio do 
diálogo com os estudantes, estabelece critérios que devem ser seguidos na análise 
do conteúdo virtual, os aconselha de modo a navegarem observando as fontes de 
onde provêm as informações.
FIGURA 3 – CULTURA GLOBALIZADA
FONTE: Disponível em: <https://pescadordebits.com.br/web-livre-e-aberta/ 
>. Acesso em: 20 mar. 2017.
A cultura globalizada passa a ser socializada por meio dos recursos 
tecnológicos, articulando-se com os lugares onde as pessoas acessam e passam a 
interiorizar costumes, valores e hábitos diferentes do local. Nesse sentido, as tensões, 
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS NORTEADORES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
13
os conflitos, práticas diárias, referências dos grupos sociais de um determinado 
local passam a ser considerados por meio da diversidade. Uma diversidade 
que expressa símbolos, significados, valores,atitudes, crenças e saberes de um 
determinado grupo, que vive em contexto específico, com identidade singular. 
A educação necessita ser repensada com base em todos os aspectos que 
envolvem a sociedade globalizada contemporânea. Atualmente, as práticas 
educativas suscitam a superação das dicotomias entre o público e o privado, 
conhecimentos cotidianos e científicos, aspectos cognitivos e afetivos, na 
desconstrução dos resquícios da escola tradicional e excludente. 
Pensar numa escola com a função social voltada para a formação de 
pessoas participativas na sociedade, baseada na valorização das experiências, 
problematização e conhecimentos dos estudantes, superando a fragmentação dos 
saberes escolares. Uma escola que articula ações juntamente com a comunidade, 
buscando a transformação social por meio da participação democrática de todos 
os envolvidos.
14
Neste tópico, você aprendeu que:
• O pensamento da sociedade, no decorrer da história, influenciou diretamente a 
concepção e a função social prevista na escola.
• A partir da segunda metade do século XX, a sociedade, de forma geral, 
vivenciou algumas mudanças oriundas da presença das tecnologias da informação 
e comunicação.
• A cultura globalizada passa a ser socializada por meio dos recursos tecnológicos, 
articulando-se com os lugares onde as pessoas acessam e passam a interiorizar 
costumes, valores e hábitos diferentes do local.
• A educação necessita ser repensada com base em todos os aspectos que 
envolvem a sociedade globalizada contemporânea.
RESUMO DO TÓPICO 1
15
1 Reflita sobre o percurso histórico da constituição das instituições de ensino, 
a escola, e faça uma linha do tempo. Aponte os períodos da história com os 
principais fatos que marcaram a educação no país. Essa construção ajudará você 
a perceber o quanto as aspirações da sociedade interferiram na organização e 
construção da escola.
2 Analise sobre a função social atual das escolas na sociedade e aponte suas 
características.
3 Analise sobre a função social da escola atualmente e assinale a alternativa 
correta.
a) ( ) Prevê o processo de transformação social por meio do papel mediador 
do professor e da participação democrática de todos os envolvidos.
b) ( ) Procura manter a perspectiva tradicional de educação e assim zelar 
pela educação de qualidade por meio das reproduções de saberes.
c) ( ) Preocupa-se com a aplicação de provas e exames nacionais e nos índices 
de qualidade inferidos para as escolas.
d) ( ) Preparar os estudantes exclusivamente para o mercado de trabalho, 
com conteúdos profissionalizantes para a demanda industrial.
4 A partir da segunda metade do século XX, a sociedade vivenciou algumas 
transformações decorrentes da presença de tecnologias da informação e 
comunicação. Analise sobre esses aspectos e assinale V para Verdadeiro e F 
para Falso nas alternativas.
( ) A sociedade do conhecimento, internet e serviços educativos contribuíram 
para organizar uma nova concepção de educação.
( ) A globalização da sociedade apresentou padrões de cultura global e a 
aproximação dos costumes entre os povos.
( ) A diversidade social e humana emergiu devido ao trabalho realizado na 
escola tradicional, sob influência dos jesuítas.
( ) O uso das tecnologias nas escolas ocasiona um aprendizado duplo, ou 
seja, além do aprendizado dos conhecimentos, também dos recursos midiáticos.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) V, V, F, V.
b) ( ) F, V, F, V.
c) ( ) F, V, V, F.
d) ( ) V, V, F, F.
AUTOATIVIDADE
16
17
TÓPICO 2
CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Até esta etapa dos estudos você compreendeu como a escola se organizou 
ao longo dos anos, sofrendo influências de aspirações politizadas da sociedade. 
Neste tópico, abordaremos sobre outro percurso histórico que necessita ser 
lembrado, consiste na origem e característica do conceito de Gestão Educacional. 
Conversaremos sobre as tendências que influenciaram a forma de conceber os 
processos educativos e, consequentemente, a gestão educacional, bem como as 
características da Gestão Democrática contemporânea.
DICAS
Acesse a trilha de aprendizagem, participe dos fóruns e enquetes. Observe os 
objetos de aprendizagem e os artigos sugeridos, são materiais que trazem informações que 
não se encontram no livro da disciplina. São fontes de informações que foram acrescidas para 
auxiliar na ampliação de seus conhecimentos. Bons estudos!
2 ADMINISTRAÇÃO CLÁSSICA E IMPLICAÇÕES PARA A 
EDUCAÇÃO E PRÁTICA EDUCACIONAL
Para compreender a organização e atual conjuntura da gestão educacional, 
faz-se necessário recordar um pouco sobre seu trajeto histórico. No início, a 
gestão educacional era denominada por outro termo, como administração escolar, 
com escritos que datam da década de 1930 no Brasil. Anterior a esse período, 
até a Primeira República consistiam em "memórias, relatórios e descrições de 
caráter subjetivo, normativo, assistemático e legalista" (SANDER, 2007a, p. 21). 
Tal fato aponta a existência de pessoas que se ocupam com os afazeres quanto 
à administração educacional, mas não eram reconhecidas profissionalmente 
enquanto função. 
A partir da década de 1930 a administração educacional se desenvolve 
sob influências dos ideais progressistas de educação, contrapondo-se à educação 
tradicional, que não favorecia as ideias de expansão industrial que o país vivenciava 
naquele momento (SANDER, 2007b). O cenário educacional, entusiasmado com 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
18
o movimento pedagógico da Escola Nova, principalmente por estudos de John 
Dewey, apoiava a necessidade de aprimorar a cientificidade no campo educacional, 
ampliando a oferta educacional.
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova mencionava a ausência 
de espírito filosófico e científico na resolução dos problemas da administração 
escolar como principal responsável pela desorganização da estrutura escolar 
(MANIFESTO, 2006). A partir de então, despontam estudos que fomentaram as 
bases para o surgimento dos primeiros escritos teóricos sobre o tema Administração 
Escolar.
No início do século XX, a expansão da oferta educativa e consequente 
aumento dos afazeres nos processos administrativos da educação suscitaram 
uma organização de administração modernizada. Desta forma, a administração 
educacional passou a se basear na organização das companhias, empresas e 
associações industriais ou comerciais (LEÃO, 1945). 
A administração educacional absorve as premissas da administração geral, 
desenvolvida por Henry Fayol com base nos seguintes argumentos, de acordo com 
Leão (1945):
• Operações técnicas (distribuição, produção, transformação). 
• Operações financeiras (rendimento do trabalho efetuado).
• Operações de segurança (proteção dos bens e das pessoas).
• Operações de contabilidade (inventários, balanços, estatísticas...).
• Operações administrativas propriamente ditas (previdência, organização, 
comando, coordenação, colaboração, verificação).
O Diretor Escolar era um educador com conhecimento da política 
educacional e dos saberes técnico-administrativos. Estava subordinado ao Diretor 
da Educação e agia de forma a reproduzir a sua visão administrativa educacional. 
Nesse sentido, o Diretor da Educação atua de forma mais específica voltada à 
administração, enquanto que o Diretor de Escola se ocupa também dos assuntos 
pedagógicos. 
A estrutura administrativa passa a ser concebida como uma organização 
baseada na hierarquia das funções, segundo a teoria de Fayol. Assim, o diretor da 
escola assume um importante papel de dirigir o trabalho, auxiliando no progresso 
mental e moral da comunidade inserida. Passa a ser uma espécie de líder, aquele 
que conduzirá todos os envolvidos no processo escolar (LEÃO, 1945).
TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
19
FIGURA 4 – FUNÇÕES DO GESTOR ESCOLAR
FONTE: Adaptado de Leão (1945). 
No exercício da função de Diretor da escola, como destacamos no 
organograma, o profissionalnecessita apresentar certas características além da 
liderança, como a experiência. 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
20
FIGURA 5 - CONHECIMENTOS DO DIRETOR
FONTE: A autora 
Segundo Leão (1945, p. 167), o Diretor de Escola "não deixa de ser educador, 
mas sua ação amplia-se. É então o coordenador de todas as peças da máquina que 
dirige, o líder de seus companheiros de trabalho, o galvanizador de uma comunhão 
de esforços e de ações em prol da obra educacional da comunidade". Assume a 
função de destaque e proximidade com a comunidade escolar, colaborando na 
execução das premissas determinadas no entendimento do Diretor de Educação.
Nas escolas maiores, com intenso volume de trabalho educativo, o diretor 
necessitava de auxílio, os chamados "peritos especializados" ou inspetores-
orientadores, eram profissionais destinados a observar as atividades desenvolvidas 
por estudantes e professores. Desta forma, emitiam análises e julgamentos sobre 
os métodos e processos aplicados, com a finalidade de orientar e conduzir os 
trabalhos educativos (LEÃO, 1945).
Nesta forma de divisão do trabalho, ao professor cabe a função de “técnico 
cuja função é preparar o ambiente e os meios dentro dos quais e pelos quais a 
educação se processa naturalmente” (LEÃO, 1945, p. 227). Leão (1945, p. 10) 
aponta ainda que “a administração não é nem um privilégio exclusivo nem uma 
sobrecarga pessoal do chefe ou dos dirigentes; é uma função repartida, como as 
demais funções especiais, entre a cabeça e os membros do corpo social”. Ou seja, 
a expressão “cabeça” refere-se ao Diretor de Educação, responsável por pensar a 
política educacional, no sentido de diretrizes, linhas gerais. Os membros seriam 
aqueles a quem compete colocar em prática a política educacional. 
Observe, no quadro a seguir, uma síntese sobre a concepção do papel da Direção 
Escolar e os pressupostos que conduziriam o trabalho da Gestão Escolar, expressos 
por Souza (2006). Na época não havia uma divisão entre o papel do diretor escolar e os 
aspectos referentes à gestão escolar, ambos se fundiam numa ação somente: o trabalho 
administrativo educacional desenvolvido na função do Diretor Escolar.
TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
21
QUADRO 1 - SÍNTESE DAS IDEIAS SOBRE A DIREÇÃO E A GESTÃO ESCOLAR NO BRASIL
Direção Escolar Gestão Escolar
A
U
TO
R
ES
 C
LÁ
SS
IC
O
S
• O diretor deve ser um 
professor. 
• O diretor deve ser defensor 
da política educacional.
• O diretor deve se colocar 
a serviço do professor. 
• O papel pedagógico do 
diretor está em desenvolver 
ações administrativas para 
garantir as condições de 
funcionamento das ações 
pedagógicas. 
• O elemento mais 
importante não é o adminis-
trador, mas o professor. 
• O papel do diretor não 
é técnico-pedagógico, mas 
sim administrativo.
• O papel do diretor é man-
ter o equilíbrio, conduzindo 
a escola nos processos de 
mudança.
• O diretor é o responsável 
pela implementação dos 
objetivos educacionais.
• O diretor é o polo de po-
der central da escola. Este 
poder vem da legislação 
e das expectativas que a 
escola tem para com ele, 
o que resulta em pressões 
legais e sociais.
• Gestão e direção se confundem.
• As atividades que são próprias da escola 
são o fundamento para a Administração Es-
colar.
• A administração científica possui princí-
pios e métodos que cabem na escola.
• A Administração Escolar é uma especia-
lização da administração.
• A Administração Escolar é necessária pela 
complexificação da educação escolar, em 
tamanho e em problemas.
• É necessário um clima de ação coletiva na 
escola.
• Escola eficiente e eficaz: condição para 
garantir o acesso de todos.
• Objetivo da Administração Escolar: tornar 
as escolas mais eficientes.
• A consecução dos objetivos escolares de 
forma eficiente e a coordenação do esforço 
coletivo é o foco da Administração Escolar.
• A Administração Escolar ocorre antes, 
durante e depois das funções pedagógicas 
escolares: Antes = planejamento; durante = 
comando e assistência; depois = medição e 
avaliação.
• A Administração Escolar deve garantir a 
unidade e a economia através da divisão do 
trabalho, mas sem perder a unidade.
• Distinção entre ação administrativa e ação 
operativa: pensar e fazer.
• Administração significa ter opção, logo, 
significa tomar decisões.
• O processo administrativo se resume em: 
reconhecimento de um problema; planejamento; 
coordenação; verificação do resultado; exame 
para evitar a reaparição do problema.
FONTE: Souza (2006, p. 193)
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
22
Após os anos de 1970, outra visão sobre a gestão escolar surgiu, diferente 
da aceita desde os anos de 1930. Emergem estudos críticos sobre as formas de agir 
e pensar a educação no país, sobretudo avançando nas questões que envolvem a 
Gestão Educacional. 
O movimento político-democrático de reabertura no Brasil oferece uma 
nova fase de elaborações teóricas no campo da administração escolar, a partir 
do enfoque sociológico. Este novo enfoque surge das lutas na conquista da 
democracia e cidadania, consolidação de estudos em nível de pós-graduação no 
país e a influência dos estudos marxistas (SOUZA, 2006).
O enfoque tecnocrático de administração escolar, defendido até o 
momento, passa a ser questionado por diversos estudiosos da época. Os teóricos 
baseiam-se na dúvida sobre a eficácia, para a educação, na relação estabelecida 
entre a racionalidade administrativa e os processos educativos, contribuindo para 
as desigualdades sociais. 
Arroyo (1979) aponta sobre o entendimento da administração como exercício 
do poder a fim de reproduzir determinadas relações sociais que são funcionais à 
manutenção da sociedade civil, sob o prisma do desenvolvimento econômico, ou 
seja, do capitalismo. Tendo em vista que as desigualdades são inerentes à lógica deste 
sistema produtivo, a administração escolar, ao reproduzir as relações capitalistas, 
contribui na manutenção de tais desigualdades. Os princípios da administração 
geral, pensados sob uma racionalidade capitalista, ao serem adotados nos espaços 
escolares acabam por compactuar também desta racionalidade, contribuindo para 
a manutenção das relações de exploração capitalista. 
A administração capitalista, apesar de sua hegemonia na sociedade, consiste 
apenas em um tipo de administração, o que não impedia a sociedade na época de 
conceber outros processos administrativos orientados por uma lógica diferente. 
Nesse sentido, os estudiosos da época avançaram nas discussões em relação às 
críticas anteriores, investindo na ideia de se considerar os condicionantes sociais, 
históricos, políticos e econômicos, para desenvolverem uma administração escolar 
voltada para a transformação social. As ações desenvolvidas estariam voltadas 
para a participação social, contrapondo-se ao caráter conservador daquela 
administração pautada na racionalidade capitalista (PARO, 2000). 
A crítica levantada pelos estudiosos quanto ao enfoque tecnocrático 
aplicado às escolas da época suscitou o aparecimento do conceito de Gestão 
Escolar, mais precisamente, a preocupação com o desenvolvimento dos processos 
pedagógicos que deram sustentação para o conceito de Gestão Escolar. Uma forma 
de diferenciar os fazeres da escola em relação à visão técnica, que historicamente 
permeou o conceito de administração escolar.
TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
23
QUADRO 2 - SÍNTESE DAS IDEIAS SOBRE A DIREÇÃO E A GESTÃO ESCOLAR NO BRASIL
Direção Escolar Gestão Escolar
A
U
TO
R
ES
 C
R
ÍT
IC
O
S
• Crítica à concepção do 
diretor como um gerente, 
própria da administração 
capitalista.
• O diretor deve ser um 
educador, antes de tudo.
• O diretor como coorde-
nador do trabalho coletivo.
• Crítica aos modelos técnicos de Adminis-
tração Escolar implantados até então no país.
• Crítica aos pensadores brasileiros e estran-
geiros pela linearidade entre a Administração 
Escolar e a administração em geral.
• Crítica ao usoda administração científica 
na Administração Escolar.
• Crítica à ideologização da teoria adminis-
trativa.
• Crítica à Administração Escolar que tem 
como principal papel garantir ao Estado o 
controle sobre a educação.
• Críticas à naturalização da divisão social 
do trabalho.
• Crítica às teorias da administração por sua 
pretensa neutralidade técnica.
• Crítica à administração conservadora 
pela negligência técnica em favor de uma 
ação política conservadora: aplicação de um 
tecnicismo vazio.
• Administração é o uso racional de 
recursos com vistas a determinados fins. 
• Administração como racionalização do 
trabalho e coordenação do trabalho coletivo.
• Administração, em última análise, são 
métodos.
• Educação escolar é um fenômeno muito 
específico que demanda tratamento específico.
• Percebem a dimensão política da 
administração.
• A Administração Escolar deve estar 
articulada com os objetivos escolares.
• Administração transformadora: percepção 
política e intervenção técnica.
• Participação da sociedade na administração 
transformadora.
• Autogestão.
FONTE: Souza (2006, p. 193)
Desta maneira, conseguimos observar no quadro o pensamento dos 
teóricos críticos quanto à percepção da ação do Diretor Geral e dos processos que 
envolvem a Gestão Escolar. Principalmente os aspectos técnicos que assemelham 
os trabalhos desenvolvidos na educação ao funcionamento de uma empresa com 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
24
enfoque industrial. Os estudiosos passam a lembrar de aspectos próprios dos 
processos educativos, pertencentes ao universo da educação. 
Na década de 1980, a sociedade brasileira convivia com a luta da 
democratização da escola pública, tanto para o acesso como das práticas 
desenvolvidas. Com a aprovação da Constituição Federal de 1988, surgem os 
estudos voltados para a Gestão Democrática do Ensino Público.
A partir de então, surgem estudos que diferenciam o conceito de gestão 
com o de administração. A gestão supera as especificidades da administração, 
pois se “assenta na mobilização do elemento humano, coletivamente organizado, 
como condição básica e fundamental da qualidade do ensino e da transformação 
da própria identidade das escolas” (LÜCK, 2007, p. 27). A administração passa a 
ser um dos elementos que compõe a gestão, como a gestão administrativa, que 
corresponde à administração de recursos, do tempo etc. A gestão envolve um 
sentido e prática mais abrangente, apresenta os elementos culturais, políticos e 
pedagógicos do processo educativo, sendo sua lógica “orientada pelos princípios 
democráticos” (LÜCK, 2007, p. 36). 
O uso do termo Gestão Escolar apresentou significado para os autores 
que defendiam, na década de 1980, uma gestão democrática. Segundo Adrião 
e Camargo (2007, p. 68), a adoção do termo gestão sugere “uma tentativa de 
superação do caráter técnico, pautado na hierarquização e no controle do trabalho 
por meio da gerência científica, que a palavra administração (como sinônimo de 
direção) continha”. A substituição da administração pelo termo gestão significava 
a tentativa de instaurar uma nova lógica na organização do trabalho.
QUADRO 3 - SÍNTESE DAS IDEIAS SOBRE A DIREÇÃO E A GESTÃO ESCOLAR NO BRASIL
Direção Escolar Gestão Escolar
PÓ
S 
- 1
98
7
• Papel do diretor: articulador da 
organização e gestão escolar.
• Preocupação central com as formas 
de escolha da função de diretor.
• Na identificação do perfil 
do diretor, a preocupação com 
as contradições da função: 
representante do poder público 
X representante da comunidade 
escolar; função administrativa X 
função pedagógica. 
• O diretor no centro das relações 
de poder.
• Gestão é um processo político. 
• A democracia na escola.
• Gestão democrática.
• Conselhos de escola, junto com 
a eleição de diretores, como as 
expressões da gestão democrática.
• A gestão e as relações de poder na 
escola.
• O projeto político-pedagógico 
como uma ferramenta da organização 
e gestão escolar.
• Autonomia na gestão escolar.
FONTE: Souza (2006, p. 193)
Observamos nas informações do quadro, segundo Souza (2006), que todos 
os envolvidos na escola, por meio do trabalho pedagógico, são responsáveis pelo 
TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
25
andamento do processo de ensino e aprendizagem. A administração escolar se 
desenvolve no atendimento ao conjunto de características que a escola apresenta.
Do mesmo modo, podemos refletir sobre a atuação do diretor em relação 
ao funcionamento da escola, expressando uma preocupação com a educação e com 
o desenvolvimento cultural dos estudantes. Nessa perspectiva, a educação se torna 
um instrumento que possibilita às camadas populares uma ampliação do universo 
cultural, de forma democrática. 
3 GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO
Com o intuito de refletirmos sobre o contexto histórico e a gestão das 
instituições públicas, foi apresentado um breve percurso histórico que deu 
início aos debates sobre a Gestão Escolar. Nesse momento, apresentaremos as 
características que compõem uma Gestão Democrática da Educação, com estudos 
que iniciaram a partir dos anos de 1980.
Diante da globalização econômica, da transformação dos meios de 
produção e do avanço acelerado da ciência e da tecnologia, a educação escolar 
precisa oferecer propostas concretas à sociedade. Começa a preocupar-se com a 
oferta de um ensino de qualidade que possa elevar a capacidade das crianças, 
adolescentes e jovens para compreenderem o universo competitivo e os valores 
sociais, econômicos e culturais intrínsecos na formação pessoal e profissional 
(GRACINDO, 2007).
A Constituição Federal (BRASIL, 1988) destaca a gestão democrática 
como princípio norteador do processo de ensino, necessária para questões que 
necessitem da participação dos profissionais da educação, na elaboração do projeto 
pedagógico da escola, com a participação da comunidade em geral em conselhos 
escolares, para se efetivar a gestão democrática na escola. Nesse sentido, a Gestão 
do Sistema Educacional no enfoque democrático significa um ordenamento 
normativo, vinculado à participação de todos os envolvidos nos processos de 
ensino.
A Constituição Federal (BRASIL, 1988) estabelece, no artigo 206, os 
princípios sobre os quais o ensino deve ser ministrado: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e 
o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de 
instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da 
lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de 
provas e títulos, aos das redes públicas; 
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
26
VII - garantia de padrão de qualidade;
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar 
pública, nos termos de lei federal.
Dentre os princípios, destacamos a gestão democrática do ensino público, 
na forma da lei. Desta forma, em síntese, os sistemas de ensino devem definir as 
normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo 
com as suas peculiaridades e conforme as seguintes etapas (GRACINDO, 2007):
• participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico 
da escola;
• participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou 
equivalentes (LDB - Art. 14).
Como condição para o estabelecimento da gestão democrática é preciso que 
os sistemas de ensino assegurem, às unidades escolares públicas de educação básica 
que os integram, progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e 
financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público, de acordo 
com a LDB – Art. 15 (BRASIL, 1996).
FIGURA 6 - GESTÃO DEMOCRÁTICA BRASILEIRA
FONTE:Disponível em: <http://unoparcn.blogspot.com.br/>. Acesso em: 20 mar. 2017.
.
TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
27
A construção da convivência democrática ocorre de forma processual, não 
como algo a ser implantado a partir de decisões de alguns. Dessa forma, a escola 
continua a seguir os padrões tradicionais, mantendo a cultura dos dominantes 
sobre os dominados. A realidade não se modifica por leis, decretos, regimentos ou 
portarias. A mudança ocorre de forma sistemática, integrando as normas e rotinas 
ao cotidiano escolar. Para tanto, a comunidade como um todo necessita buscar 
formas por meio de discussões. 
Segundo Paro (1997), a participação democrática não se dá espontaneamente, 
sendo antes um processo histórico de construção coletiva. Assim, coloca-se a 
necessidade da previsão de mecanismos institucionais que não apenas viabilizem, 
mas também incentivem práticas participativas dentro da escola pública. Tal ação 
se faz necessária quando a sociedade ainda apresenta influências da tradição de 
autoritarismo, poder altamente concentrado e de exclusão de divergências nas 
discussões e decisões.
 
O regimento escolar e outros instrumentos legais consistem em documentos 
que podem ser elaborados e utilizados pela comunidade escolar, para educar e 
manter uma convivência democrática. Para estruturar esses documentos, faz-se 
necessário viabilizar momentos de discussões em grupo, com a participação ativa 
da comunidade escolar.
A escola, ao construir um compromisso com a convivência democrática, 
necessita do amparo legal do regimento para garantir o exercício da democracia na 
escola. Principalmente porque o regimento, estando atualizado, revela os limites, 
as possibilidades, os direitos e os deveres como norma. Isso não significa dizer que 
aquilo que está regulamentado será suficientemente cumprido, mas é adequado 
prever tal amparo legal. Para que todos tenham o entendimento do previsto, 
discutido e organizado na comunidade por todos, e assim cumprido no cotidiano 
escolar. 
A educação, de modo geral, e a escola, de modo específico, possuem três 
funções básicas: formar o indivíduo, formar o cidadão e formar o profissional. 
A totalidade da tarefa formativa da educação vem sendo traduzida no que sempre 
ouvimos falar: formação integral (LIBÂNEO, 2002). A formação do cidadão 
como preparação do indivíduo para o convívio social e para a convivência 
democrática implica trabalhar questões como:
• Respeito à dignidade da pessoa humana.
• Desenvolvimento de um sentimento de corresponsabilidade no destino da 
sociedade. 
• Participação livre e ativa na vida social e comunitária.
• Compreensão do papel do governo e das instituições não governamentais na 
promoção do bem comum.
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
28
• Compreensão da necessidade de transparência na vida social.
• Compreensão dos direitos individuais e dos direitos sociais (LIBÂNEO, 2002).
FIGURA 7 - GESTÃO DEMOCRÁTICA
FONTE: Disponível em: <http://inclusaoealtashabilidades.blogspot.com.br/2014/05/gestao-
democratica-e-participativa.html>. Acesso em: 20 mar. 2017.
Portanto, na formação da pessoa para o convívio social ou na educação do 
cidadão, se faz necessário o desenvolvimento de um relacionamento democrático 
entre os estudantes, professores, funcionários e pais para que exercitem seus direitos 
e deveres. A escola deve ser uma experiência criativa de conviver socialmente, 
formadora do cidadão para além do que se ensina na sala de aula, ou seja, no 
exercício dos direitos e dos deveres no dia a dia.
Para Libâneo (2002), a participação consiste no principal meio de assegurar 
a gestão democrática, possibilitando o envolvimento de todos os integrantes da 
escola no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização 
escolar. A participação proporciona melhor conhecimento dos objetivos e das 
metas da escola, de sua estrutura organizacional e de sua dinâmica nas relações 
com a comunidade. 
Nas empresas busca-se resultados por meio da participação, nas escolas 
busca-se bons resultados. Na concepção democrática, denotam um sentido 
diferente da prática de democracia. Aparece como uma experimentação de 
formas não autoritárias de exercício do poder, com a oportunidade de o grupo de 
profissionais poder intervir nas decisões da organização e definir coletivamente o 
TÓPICO 2 | CONTEXTO HISTÓRICO DA GESTÃO EDUCACIONAL
29
rumo dos trabalhos. Nesse sentido, Lück (2002, p. 66) aponta sobre a participação 
como:
A intervenção dos profissionais da educação e dos usuários (alunos e 
pais) na gestão da escola. Há dois sentidos de participação articulados 
entre si: a) a de caráter mais interno, como meio de conquista da 
autonomia da escola, dos professores, dos alunos, constituindo prática 
formativa, isto é, elemento pedagógico, curricular, organizacional; b) 
a de caráter mais externo, em que os profissionais da escola, alunos e 
pais compartilham, institucionalmente, certos processos de tomada de 
decisão.
Desta forma, a participação da comunidade possibilita como retorno 
a avaliação consciente dos serviços oferecidos e a intervenção organizada nos 
processos educativos. Entre as modalidades mais conhecidas de participação 
escolar estão os conselhos de classe, os conselhos de escola, colegiados ou comissões 
que surgiram no início da década de 1980.
O princípio participativo no sentido de gerar a democracia na escola não se 
esgota nas ações necessárias para assegurar a qualidade de ensino. A participação 
consiste no meio de alcançar melhor e democraticamente os objetivos da escola, 
os quais se localizam na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Em 
razão disso, a participação necessita do contraponto da direção, outro conceito 
importante da gestão democrática, que visa promover a gestão da participação 
(LÜCK, 2002). 
Nesse contexto, como aponta Lück (2002, p. 102), a escola, por meio de 
sua gestão democrática e participativa, oferece aos seus agentes a qualidade 
educacional, necessitando desenvolver os seguintes princípios da concepção de 
gestão democrático-participativa: 
• autonomia da escola e da comunidade educativa; 
• relação organizacional entre a direção e a participação dos membros 
da equipe escolar; planejamento de atividades; 
• formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional 
dos integrantes da comunidade escolar; 
• utilização de informações concretas e análise de cada problema em 
seus múltiplos aspectos, com ampla democratização das informações; 
• avaliação compartilhada; relações humanas produtivas e criativas, 
assentadas em uma busca de objetivos comuns.
Lück (2002) discorre sobre a participação democrática na gestão escolar, 
baseada nos conhecimentos dos papéis de cada profissional, que de forma direta ou 
indiretamente vivenciam as rotinas da escola. Também considerando os projetos e 
a construção dos documentos intrínsecos ao desenvolvimento do ensino na escola, 
especialmente no Projeto Político-Pedagógico.
Nos últimos anos, as discussões sobre o papel da gestão democrática e 
participativa no âmbito escolar estão presentes nos debates promovidos pelos 
governos, diretores e professores. As questões permeiam a perspectiva de se ter 
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
30
DICAS
Para saber mais sobre a Gestão Democrática Participativa, acesse o Portal Brasil 
no endereço: <http://www.brasil.gov.br/educacao/2015/04/portal-do-professor-disponibiliza-
lista-de-livros-sobre-gestao-escolar>.
O site indica 16 obras a gestores e educadores interessados em aplicar técnicas e estratégias 
no ambiente escolar.
Confira e amplie seus conhecimentos!
uma educação de qualidade pautada na formação cognitiva, intelectual e social de 
forma integral.
31
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• No início a gestão educacional era denominada como administração escolar, 
com escritos que datam da década de 1930 no Brasil.
• A partir da década de 1930, a administraçãoeducacional se desenvolve sob 
influências dos ideais progressistas de educação, contrapondo-se à educação 
tradicional, pois esta não favorecia as ideias de expansão industrial que o país 
vivenciava naquele momento.
• Após os anos de 1970, outra visão sobre a gestão educacional surgiu, diferente 
da aceita desde os anos de 1930. Emergem estudos críticos sobre as formas de agir 
e pensar a educação no país, sobretudo avançando nas questões que envolvem a 
Gestão Educacional. 
• Na década de 1980, a sociedade brasileira convivia com a luta da democratização 
da escola pública, tanto para o acesso como das práticas desenvolvidas. Com a 
aprovação da Constituição Federal de 1988, surgem os estudos voltados para a 
Gestão Democrática do ensino público.
• A construção da convivência democrática ocorre de forma processual, não como 
algo a ser implantado a partir de decisões de alguns.
• A escola, ao construir um compromisso com a convivência democrática, 
necessita do amparo legal do regimento para garantir o exercício da democracia 
na escola.
• Nos últimos anos, as discussões sobre o papel da gestão democrática e 
participativa no âmbito escolar estão presentes nos debates promovidos pelos 
governos, diretores e professores. As questões permeiam a perspectiva de se ter 
uma educação de qualidade pautada na formação cognitiva, intelectual e social de 
forma integral.
32
1 Reflita sobre as características que acompanharam o desenvolvimento 
do conceito de Gestão Educacional. Faça um quadro-resumo apontando as 
principais características presentes nos autores clássicos, críticos e atualmente, 
sobre a função do Gestor Escolar.
2 A Constituição Federal de 1988 destaca a gestão democrática como uma das 
ações norteadoras do processo de ensino nas escolas. Analise sobre os princípios 
estabelecidos no artigo 206 sobre como o ensino deve ser administrado nas 
escolas e assinale V para Verdadeiro e F para Falso.
( ) Os estudantes deverão reproduzir e aceitar sem questionamentos os 
conhecimentos ensinados pelos professores.
( ) Igualdade de condições a todos para o acesso e permanência na escola.
( ) Pluralismo de concepções pedagógicas e a garantia da existência somente 
de escolas públicas.
( ) Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) V, V, F, F.
b) ( ) F, V, F, V.
c) ( ) F, F, V, F.
d) ( ) V, F, V, V.
3 A educação formativa pretende desenvolver uma formação integral nas 
pessoas, preparando-as para o convívio social e democrático. Assinale a 
alternativa que expressa sobre as funções básicas da educação escolar quanto à 
formação dos estudantes.
AUTOATIVIDADE
AUTORES CLÁSSICOS AUTORES CRÍTICOS ATUALMENTE
33
a) ( ) Formar a pessoa - profissional e diversidade.
b) ( ) Formar a pessoa - cidadão e profissional.
c) ( ) Formar a pessoa - espírito e emocional.
d) ( ) Formar a pessoa - aspectos religiosos e legais.
4 (ENADE, PEDAGOGIA, 2011) Um dos objetivos da gestão democrática 
participativa é a articulação entre as políticas educacionais atuais e as 
demandas socioculturais. Considerando essa finalidade, avalie quais das ações 
educacionais abaixo se relacionam a essa concepção.
I. Compartilhar valores em prol da própria escola, reconhecendo a 
impossibilidade de se incluir ideais de justiça, solidariedade e ética humana, 
que transcendem os limites do processo educativo. 
II. Utilizar os índices educacionais da escola como subsídios de gestão para 
aprimorar o processo ensino-aprendizagem. 
III. Elaborar coletivamente o Projeto Político-Pedagógico que reflita a filosofia 
da escola e apresente as bases teórico-metodológicas da prática pedagógica. 
IV. Planejar ações descentralizando poderes, para realizar uma gestão focada 
nos diferentes aspectos da aprendizagem e nas questões macroestruturais da 
sociedade. 
É correto apenas o que se afirma em: 
a) ( ) I e II. 
b) ( ) I e IV. 
c) ( ) I, II e III. 
d) ( ) II, III e IV.
34
35
TÓPICO 3
PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Acadêmicos, no decorrer desta unidade percebemos alguns pressupostos que 
estruturam os entendimentos para compreensão da organização e função da escola, e a 
atual situação em que se encontra na contemporaneidade. São saberes necessários para 
compreendermos os aspectos que compõem os estudos sobre a gestão educacional.
Também estudamos sobre a construção do conceito de gestão educacional ao 
longo da história da sociedade, na perspectiva educacional, entendendo os princípios 
que norteiam a atual concepção de gestão democrática e participativa. Dessa forma, 
o gestor educacional consiste no profissional que atua nos processos educativos, na 
coordenação sociopolítica e nas relações subjetivas que ocorrem na escola.
Neste tópico, vamos conhecer um pouco mais sobre as características da 
função de gestor educacional, os aspectos que estruturam a liderança na função, 
e as competências e habilidades do gestor democrático. No exercício da função 
de gestor, o profissional estabelecerá relações com os profissionais da educação, 
estudantes e comunidade, que, de acordo com a legislação atual, devem ser 
conduzidos para uma organização democrática e participativa.
Para melhor compreensão do assunto, estudaremos um texto de 
Moacir Gadotti, intitulado "Gestão democrática com participação popular no 
planejamento e na organização da educação nacional". O autor aborda sobre 
conceitos como participação popular e gestão democrática, ainda com referência 
ao desenvolvimento das perspectivas de educação na atualidade. 
No decorrer dos estudos deste tópico, também apresentamos uma dica de vídeo 
sobre o coaching, que consiste basicamente no processo de aprimoramento humano e 
aceleração de resultados. É utilizado no mundo em vários países, por profissionais e 
empresas, que buscam alcançar metas e objetivos, considerando o desenvolvimento 
das capacidades e habilidades emocionais, psicológicas e comportamentais.
Inicie seus estudos, lembre-se de anotar ou grifar os pontos interessantes 
no texto, faça suas autoatividades e compartilhe suas ideias com os colegas em 
sala. Atue de forma participativa na construção de seus conhecimentos!
2 A FUNÇÃO DE GESTOR ESCOLAR
A partir da década de 1980, como percebemos nos estudos do tópico anterior, a 
perspectiva sobre as funções do profissional que ocupava o cargo de gestor educacional 
36
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
sofreu mudanças. Na década de 1990, os estudos apontaram para discussões sobre a 
promoção da qualidade na educação, associada também às ações desenvolvidas na 
gestão. De certo modo, as formas de pensar, agir e de conceber os processos educativos 
do gestor influenciam o andamento dos trabalhos pedagógicos. 
Assim, podemos apontar o gestor como uma pessoa que realiza dentro da 
escola um papel de liderança, ao desenvolver e controlar determinadas atividades, 
coordenando os funcionários da instituição. O diretor de uma escola exerce uma 
função complexa e diferenciada daquela exercida pelos professores. Enquanto 
os professores se ocupam com os processos de ensino e aprendizagem, o gestor 
necessita ser uma autoridade escolar em certos momentos e, em outros, um 
educador e ainda administrador. 
Enquanto autoridade escolar, ele responde por responsabilidades 
burocráticas, onde as decisões finais serão consentidas e levarão sua assinatura. 
Como educador, necessita de diversos conhecimentos, precisa entender dos 
conceitos que envolvem a prática e a teoria educativa. O gestor, quando assume 
uma decisão sobre algo, exterioriza seus entendimentos de educador, porque atua 
em situações que envolvem o espaço escolar. São ações que envolvem saberes 
pertinentes a uma função educativa. 
“O diretor é, por identidade, um educador que, no papel de diretor, 
confere dimensão mais ampla ao seu desempenho como educador de educadores 
e, simultaneamente, que julgo inadequado e até um absurdo que alguém possa ser 
diretor sem ter sido professor” (GOMES, 2003,p. 40).
Segundo Valerien (2005), existem diversos tipos ou estilos de diretor, 
diferentes formas de conceber a gestão educacional. Há o gestor autocrático, o 
democrático, o laissez-faire, o burocrático e o carismático. 
Autocrático: consiste no gestor líder, aquele que concentra todo o poder em 
suas decisões e trabalho, transmitindo uma figura autoritária e não questionável. 
Democrático: valoriza as diversas opiniões da equipe de profissionais na escola, 
permitindo que todos participem de reuniões administrativas para auxiliar nas decisões. 
Laissez-faire: estilo de gestor que oferece a liberdade para todos, se 
ocupando de questões administrativas e acontecimentos inesperados. Atua como 
um orientador nas decisões, mas permite que os funcionários da escola assumam 
decisões dentro das normalidades na instituição.
Burocrático: realiza seu trabalho de forma sistemática, mantendo em ordem, 
sem atrasos nos prazos e execuções. Prioriza a organização e o bom funcionamento 
da escola, apesar de manter um clima de carisma com o grupo de trabalho.
Desta forma, percebemos que o gestor pode assumir diferentes posturas de atuação 
nos espaços escolares, dependendo do entendimento dos processos de gerenciamento 
educativo. Libâneo (2004) apresenta algumas atribuições do gestor educacional: 
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
37
• supervisionar atividades administrativas e pedagógicas; 
• promover a integração entre escola e comunidade; 
• conhecer a legislação educacional;
• buscar meios que favoreçam sua equipe, dentre outras. 
FIGURA 8 - AÇÕES DESENVOLVIDAS PELO GESTOR ESCOLAR
FONTE: Disponível em: <https://gestaoescolar.org.br/conteudo/235/as-responsabilidades-do-
diretor>. Acesso em: 22 mar. 2017.
Para que o gestor consiga realizar suas funções com qualidade, Libâneo 
(2004) informa sobre a importância da constante formação continuada, na busca 
do aprimoramento dos saberes. Nesse sentido, cabe ao gestor a responsabilidade 
de buscar se inteirar de conhecimentos como: a LDB Lei Federal nº 9.394/96, as 
Constituições Federal e Estadual, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei 
Federal nº 8.069/90, Lei Orgânica do Município em que estiver atuando, os Conselhos 
Nacional, Estadual e Municipal de Educação, o Regimento Escolar, a Proposta Político-
Pedagógica da escola em que estiver em exercício, o Regimento Interno, as Leis 
Trabalhistas para escolas particulares, o Estatuto do Magistério para escolas públicas, 
o Estatuto do Funcionário Público para escolas públicas, também as Normas internas 
das Secretarias Estadual ou Municipal de Educação para escolas públicas.
São várias normativas que regulamentam as ações e atividades 
desenvolvidas na escola, são orientações legais das formas de agir e conceber 
as ações educativas. Orientam atitudes para o bem-estar, regulamentam os 
processos de ensino e aprendizagem, as funções dos profissionais na educação e 
na organização geral das instituições.
Podemos observar que o gestor atua nas escolas influenciando os processos 
que se estabelecem no cotidiano escolar, além de ser o responsável legal por toda 
a instituição e seus acontecimentos. Sua ação deve garantir o bom funcionamento 
38
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
da escola, tanto nos aspectos administrativos quanto pedagógicos, incluindo os 
relacionamentos sociais. Lück (2004, p. 32) afirma:
É do diretor da escola a responsabilidade máxima quanto à consecução eficaz 
da política educacional do sistema e desenvolvimento pleno dos objetivos 
educacionais, organizando, dinamizando e coordenando todos os esforços 
nesse sentido e controlando todos os recursos para tal. Devido à sua posição 
central na escola, o desempenho de seu papel exerce forte influência (tanto 
positiva como negativa) sobre todos os setores pessoais da escola. 
Desta forma, percebemos que algumas atividades são inerentes à função 
de gestor, como de organizar e dirigir as situações de ensino e aprendizagem, 
conhecendo as estruturas das disciplinas, os conteúdos a serem trabalhados e os 
objetivos de aprendizagem. Envolver os professores e estudantes em atividades 
de pesquisa, incentivar para que participem de projetos de conhecimento. Além 
disso, o gestor deve oferecer apoio integrado e constante para que os professores, 
funcionários e estudantes sintam-se amparados.
Ainda, quanto às demandas de problemas, que sejam de fato observadas e 
consideradas como pontos a serem resolvidos. Assim, a função de gestor escolar 
perpassa diversos aspectos que compõem o andamento dos trabalhos na escola.
É importante, antes de mais nada, levar em conta os objetivos que se 
pretende com a educação. Então, na escola básica, esse caráter mediador 
da administração deve dar-se de forma a que todas as atividades-meio 
(direção, serviços de secretaria, assistência ao escolar e atividades 
complementares [...]), quanto a própria atividade-fim, representada 
pela relação ensino-aprendizagem que se dá predominantemente (mas 
não só) em sala de aula, estejam permanentemente impregnadas dos 
fins da educação (PARO, 2002, p. 303).
Deste modo, as ações desenvolvidas no cotidiano escolar do gestor passam 
a ser consideradas como atividades de mediação constante. Sendo intrínseca no 
exercício diário na escola a possibilidade de múltiplas articulações que acabam 
rompendo com as práticas burocratizadas e conservadoras. Assim, na função de 
gestor escolar encontramos tanto possibilidades de transformação e mudança nas 
relações que se estabelecem no cotidiano escolar, quanto práticas que fortalecem 
as atitudes antidemocráticas e conservadoras.
UNI
De acordo com o dicionário on-line Michaelis (2017, s.p.);
Antidemocrático significa: contrário à democracia. 
Democracia no sentido de:
• Sistema de governo em que cada cidadão tem sua participação.
• Sistema político dedicado aos interesses do povo.
• Forma de governo que tem o compromisso de promover a igualdade entre os cidadãos.
• Sistema político influenciado pela vontade popular e que tem por obrigação distribuir o poder 
equitativamente entre os cidadãos, assim como controlar a autoridade de seus representantes.
• Sistema de governo caracterizado pela liberdade do ato eleitoral.
• Governo que respeita a decisão da maioria da população, assim como a livre expressão da 
minoria.
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
39
3 LIDERANÇA NA GESTÃO EDUCACIONAL
Desde o surgimento das primeiras formas de organização social tem-se 
a presença de líderes, pessoas que acabam exercendo a função de liderança no 
grupo. De acordo com Bass (2008), os estudos antropológicos revelam que os 
povos primitivos tinham a presença do líder como um elemento presente em 
praticamente todas as formas de sociedade. 
Os estudos indicam que, mesmo na ausência de estruturas 
hierárquicas formais, sempre existiram pessoas responsáveis na iniciativa de 
assumirem ações e decisões nos grupos sociais inseridos. Percebeu-se a necessidade 
constante, no andamento da história humana, de uma figura que se destaque 
dentre os demais elementos do grupo social, com capacidade para conduzi-lo, de 
forma voluntária, atingindo seus objetivos.
A palavra liderança, no conceito aceito atualmente no mundo ocidental, 
apresenta suas origens no século XIX. A Revolução Industrial, com sua característica 
fabril, exigiu na época o desenvolvimento de comportamentos profissionais que 
dessem conta da demanda operacional. Assim, surgiu um novo tipo de relação 
entre os trabalhadores, desenvolvendo comportamentos inovadores entre donos, 
capatazes e empregados, a fim de otimizar os processos de produção (BASS, 2008).
O conceito de liderança evoluiu ao longo do século XX, quando foi 
abandonada a concepção de que os líderes eram as pessoas que nasciam com 
competências inatas. Surge uma nova forma de se conceber a liderança, considerando 
atualmente a realização da atividade, do objetivo comum, na relação do líder com 
os demais funcionários, na relação sociocultural, nas atividades de mediaçãoque 
ocorrem nos processos diários, otimizando e priorizando o desenvolvimento de 
todos os envolvidos e da organização (TOPPING, 2002).
A liderança na Gestão Educacional, para Lück (2011), consiste numa 
característica importante e fundamental para a gestão escolar. Por meio dessa 
competência, o gestor consegue orientar, mobilizar e coordenar o trabalho da 
comunidade escolar no sentido amplo, visando uma melhoria contínua dos processos 
de ensino e aprendizagem. A gestão escolar consiste no processo que necessita ser 
compartilhado, como uma competência com base na liderança, “constituindo-se em 
um dos fatores de maior impacto sobre a qualidade dos processos educacionais [...] 
não é possível haver gestão sem liderança” (LÜCK, 2011, p. 25).
A autora Lück (2000) aponta nove indicadores encontrados para a 
competência de liderança na gestão educacional:
Conservador como: o indivíduo afeito a ideias e costumes antiquados, já ultrapassados, 
manifestando-se contrário a quaisquer mudanças da ordem estabelecida ou indivíduo que, 
em política, opina pela conservação do estado tradicional, opondo-se a reformas sociais.
FONTE: 
Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br>. Acesso em: jun. 2017. 
40
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
• liderança educacional;
• flexibilidade e autonomia;
• apoio à comunidade;
• clima escolar;
• processos de ensino e aprendizagem; 
• avaliação do desempenho acadêmico;
• supervisão dos professores;
• materiais e textos de apoio pedagógico;
• espaço físico adequado. 
Observe a figura e reflita sobre: como ocorrem as relações entre os 
profissionais da educação e um gestor que apresente uma liderança compartilhada?
Podemos responder ao questionamento lembrando que os gestores das 
escolas serão líderes que deverão estimular os professores e funcionários da escola, 
pais, estudantes, a comunidade em geral, a usarem do seu potencial na promoção de 
um ambiente escolar educacional positivo. Um local que busca o desenvolvimento 
dos processos de ensino e aprendizagem voltado para a construção do conhecimento, 
no desenvolvimento de pessoas criativas e proativas na resolução de problemas e 
enfrentamento de dificuldades cotidianas (LÜCK, 2000).
Lembramos ainda que um líder não deve ter subordinados, mas uma 
relação de parceria, ou seja, parceiros que estarão junto dele dispostos a 
FIGURA 9 - GESTOR ESCOLAR E A EQUIPE PEDAGÓGICA
FONTE: Disponível em: <http://incentivodevida.com/steve-jobs-lideranca/>. Acesso em: 23 
mar. 2017.
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
41
trabalharem de acordo com os objetivos da organização para que estes sejam 
alcançados com sucesso. A liderança requerida nesses novos tempos é um 
processo de construção do ser, e essa construção é de responsabilidade de cada 
pessoa. Quando ela opta por, simplesmente, viver sua vida, expressando-se com 
plenitude e dignidade, suas ações ganham valor. E ela torna-se líder.
Nesse sentido, a pessoa que exerce a liderança passa a ser identificada 
como aquela que será seguida, mesmo não dispondo de autoridade imposta 
em dispositivos legais. Transforma-se numa figura que será aceita e respeitada, 
unindo e representando o grupo nos anseios e metas da escola. Assim, o líder não 
consiste no chefe institucional, mas na representação fixa e central de uma figura 
de orientação no organograma da instituição. Por meio de suas ações, descentraliza 
a liderança como ato de uma gestão democrática, onde a tomada de decisão será 
compartilhada por todos os participantes da comunidade escolar (LÜCK, 2011).
DICAS
Confira a fala de Suzana Azevedo, coach executivo e empresarial, sobre as 
características do coaching educacional.Acesse o vídeo no youtube, através do link:
<https://www.youtube.com watch?v=z ZKczLVTk5o>.
São dicas importantes para os profis-sionais da educação desenvolverem habilidades e 
competências nos estudantes.
4 COMPETÊNCIAS E HABILIDADES DO GESTOR DEMOCRÁTICO
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394/96 e a 
Constituição Federal de 1988 preconizam sobre uma gestão que seja democrática. 
Para tanto, há necessidade de diferentes profissionais para garantir uma educação 
digna e de qualidade, uma vez que a educação consiste num processo social e 
42
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
cooperativo. Desse modo, requer a participação de todos os profissionais existentes 
na escola, como também a participação das famílias e da comunidade em geral.
Lück (2009) afirma que a gestão democrática necessita proporcionar a 
participação de todos os envolvidos nos processos educativos da escola, desde 
o planejamento até a execução do plano de desenvolvimento da escola. O plano 
deve acontecer de forma articulada, com a finalidade de realizar uma proposta 
educacional de acordo com as necessidades sociais existentes para realidade 
escolar inserida.
De acordo com Libâneo (2008), a participação consiste em um meio 
fundamental na garantia da gestão democrática na escola, possibilitando 
o envolvimento dos profissionais e de todos os envolvidos no processo de 
decisões, bem como o funcionamento da organização escolar. Desse modo, 
deve proporcionar, também, melhor conhecimento dos objetivos e metas, da 
estrutura organizacional e da dinâmica, das relações na escola com a comunidade, 
favorecendo uma proximidade entre professores, estudantes, pais e comunidade 
em geral. Considerando ainda: 
O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que significa 
a capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si 
próprios, isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia 
opõe-se às formas autoritárias de tomada de decisão, sua realização 
concreta nas instituições é a participação (LIBÂNEO, 2008, p. 102).
Assim, percebemos que a função de gestor educacional perpassa uma 
perspectiva de liderança, baseada em pressupostos que apontam para um trabalho 
que favorece a participação, atuação e autonomia de todos os envolvidos nos 
processos que ocorrem no espaço escolar. 
Lück (2009) enfoca que a participação consiste numa certa 
responsabilidade social intrínseca à atividade da democracia. A gestão 
democrática como um processo que oportuniza condições e estabelece as 
orientações indispensáveis para que todos os que compõem a coletividade 
assumam os compromissos necessários para a sua efetivação. A participação 
constitui uma forma significativa de promover uma maior aproximação 
entre todos os membros da escola, reduzindo as desigualdades. Portanto, a 
participação estará centrada na busca de formas democráticas que possibilitem a 
promoção de uma gestão social, baseada nos direitos e deveres e na responsabilidade 
social.
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
43
FIGURA 10 - COMPETÊNCIAS E HABILIDADES PARA GESTÃO DEMOCRÁTICA
FONTE: Disponível em: <http://contadoresdaarte.blogspot.com.br/2014/03/projeto-pedagogico-
2014-plante-e-e-b.html>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Conforme observamos na figura, há competência e habilidades que devem 
ser observadas no exercício de uma gestão democrática. Aspectos que necessitam 
do desenvolvimento das relações intrapessoais e interpessoais, tomada de 
decisões, criatividade, colaboração, cidadania, formação de opiniões, resoluções 
de problemas, pensamento crítico e no trabalho em equipe. Para Libâneo (2008, p. 
103): 
 
Uma equipe é um grupo de pessoas que trabalha junto, de forma 
colaborativa e solidária, visando a formação e a aprendizagem dos 
alunos. Do ponto de vista organizacional, é uma modalidade de gestão 
que, por meio da distribuição de responsabilidades, da cooperação, do 
diálogo, do compartilhamento de atitudes e modos de agir, favorece a 
convivência, possibilita encarar as mudanças necessárias, rompe com 
as práticas individualistas e leva a produzir melhores resultados de 
aprendizagem dos alunos.
Desse modo, com base no exercício de uma gestão democrática e 
participativa, aberta ao diálogo e à interação entre os profissionais, apresenta 
vantagensem termos de processos e resultados, por permitir que todos os 
envolvidos nos processos que ocorrem na escola se sintam reconhecidos como 
personagens educacionais valorizados como agentes autônomos e participativos.
44
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
Para o gestor conseguir organizar os profissionais da escola como uma 
equipe, há necessidade da adesão de todos, de forma consciente, na disposição de 
construir uma equipe, de tomar medidas de forma coletiva, de colocar em prática 
as decisões, bem como no cumprimento das partes atribuídas a cada profissional. 
O trabalho realizado de forma coletiva conquista aspectos de práticas escolares, 
como: na adequada estrutura organizacional, procedimentos de gestão definidos 
e eficientes, práticas participativas, projeto pedagógico, avaliação da escola e da 
aprendizagem e de formação continuada (LIBÂNEO, 2008).
Para que o trabalho apresente sucesso no seu funcionamento, os membros 
da instituição escolar necessitam aprender determinadas competências, como: 
capacidade de comunicação e expressão da oralidade, competências para o trabalho 
em equipe, poder de argumentação, criatividade na solução de problemáticas 
existentes (LIBÂNEO, 2008). 
Na realização do trabalho em equipe de modo eficiente, há necessidade de 
se estabelecer os objetivos e metas comuns coletivamente, na existência de uma 
organização da gestão educacional entre o gestor e equipe técnico-pedagógica. 
Ainda na definição das responsabilidades e capacidades de liderança, com o 
objetivo de motivar e mobilizar os envolvidos para auxiliarem nos processos de 
práticas segundo os objetivos e metas comuns. A comunicação e partilha entre a 
direção, equipe técnica e professores facilitam o desenvolvimento do trabalho em 
equipe, permitindo a expressão da criatividade de cada profissional na escola.
De acordo com Libâneo (2008, p. 105), “a participação consiste em um meio 
de alcançar melhor e mais democraticamente os objetivos da escola, que se centram 
na qualidade dos procedimentos metodológicos de ensino e aprendizagem”. Dessa 
forma, apresenta a necessidade de ressaltar que para as escolas alcançarem sua 
autonomia, deve haver a participação constante e mútua de todos os envolvidos 
nos diversos processos que ocorrem nos espaços educativos. Libâneo (2008) aponta 
ainda outras formas de participação, como:
• interação comunicativa;
• discussão pública dos problemas e soluções;
• busca do consenso nas discussões com opiniões contrárias;
• diálogo intersubjetivo;
• processos de organização e gestão administrativas;
• acompanhamento e avaliação das atividades;
• cobrança das responsabilidades dos envolvidos.
Libâneo (2008, p. 105) aponta ainda que "para atingir os objetivos de uma 
gestão democrática e participativa e o cumprimento de metas e responsabilidades 
decididas de forma colaborativa e compartilhada, é preciso uma mínima divisão 
de tarefas e a exigência de alto grau de profissionalismo de todos". Percebemos 
evidências que apontam para a organização de concepção de gestão democrática 
e participativa, em processos que incluam a atuação de todos os envolvidos, com 
responsabilidades de acordo com a função que executam. 
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
45
A gestão democrática e participativa, segundo Lück (2009), consiste numa 
das competências que correspondem às dimensões de implementação, voltadas 
para produção de resultados. Para tanto, há necessidade de se desenvolver aspectos 
de determinadas dimensões, como “gestão de pessoas, gestão pedagógica, gestão 
administrativa, gestão da cultura escolar e gestão do cotidiano escolar, com foco na 
promoção da aprendizagem e formação dos alunos, com qualidade social” (LÜCK, 
2009, p. 26). 
O gestor educacional necessita basear sua ação profissional na gestão 
democrática e participativa, demonstrando interesse pela atuação dos professores, 
funcionários, estudantes e comunidade em geral, incentivando o trabalho em 
equipe. Além de oportunizar o compartilhamento de experiências que conseguiram 
conquistar resultados promissores e coletivos, estimulando as realizações de 
projetos escolares, para alcançar um ensino de qualidade (LÜCK, 2009).
Os autores Ferreira, Silva e Melek (2004) salientam que a gestão democrática 
apresenta um certo caráter “formador de cidadania”, ou seja, na medida em que 
possibilita a plena participação de todos na construção e gestão dos projetos de 
trabalho escolar, auxilia na formação de pessoas. São situações que requerem ações 
como a leitura, interpretação, debate e posicionamentos, e incidem na construção 
de subsídios para novas políticas, repensando a presença do poder autoritário 
presente na sociedade e na organização da educação.
Após os estudos, percebemos que a gestão democrática da educação se 
constrói de forma coletiva, por meio da participação de todos os envolvidos nos 
processos escolares, no desenvolvimento de ações que incidem na cidadania da 
escola, possibilitando o desenvolvimento de uma consciência de participação mais 
ampla na sociedade.
5 COACHING EDUCACIONAL 
A partir do final do século XIX, a visão mecanicista do mundo inicia seu 
declínio, como uma teoria que explica e estrutura os fenômenos naturais. Iniciava-
se a ruptura entre o mundo moderno e o contemporâneo, a partir das descobertas 
e desenvolvimento tecnológico do século XX (MORAES, 2002). 
Uma das principais características da atual mudança das economias 
industrializadas consiste na aceleração do progresso técnico, no aumento do 
conhecimento científico e tecnológico. Carvalho (2001) esclarece que a revolução 
tecnológica revela a rapidez na geração e difusão de novas tecnologias, na 
introdução de novos produtos e processos produtivos e na disseminação de novos 
métodos de organização da produção. 
Algumas organizações, atualmente, optaram por incorporar o processo de 
coaching como uma alternativa para o desenvolvimento das pessoas. O processo 
de coaching consiste numa metodologia que intenciona o desenvolvimento entre o 
46
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
estado atual e o desejado no coachee (pessoa participante do coaching). O processo 
ajuda a visualizar de forma estruturada a situação atual da pessoa e suas aspirações, 
desejos e intenções futuras. Podemos destacar de forma resumida, segundo Araújo 
(1999), que:
Coaching não significa comprometer-se apenas com os resultados, 
mas com a pessoa como um todo, com a sua realização e o seu 
desenvolvimento. Por meio do processo de coaching, novas competências 
e possibilidades de aprendizagem surgem, tanto para o coach quanto 
para o seu colaborador. Coaching é mais do que treinamento, o coach 
permanece com a pessoa até ela atingir o resultado. Sua função é 
de lhe dar poder para que ela produza, para que suas intenções se 
transformem em ações que, por sua vez, se traduzam em resultados. 
Coaching é, essencialmente, empowerment. Dar poder para que o outro 
adquira competências, produza mudanças específicas em qualquer área 
da vida ou até, e principalmente, transforme a si mesmo (ARAÚJO, 
1999, p. 26). 
O coaching como uma metodologia voltada ao desenvolvimento de 
competências necessárias às lideranças de uma organização. Para auxiliar e revelar 
as competências atuais e as expectativas do grupo de trabalho, conduzindo o 
coachee a ter clareza sobre os comportamentos que necessita mudar, para alcançar 
seus objetivos. O coaching educacional consiste numa metodologia que utiliza 
técnicas específicas, abordando as pessoas em seu desenvolvimento por completo, 
tanto intelectual quanto emocional. 
DICAS
Para conhecer mais sobre a metodologia do coaching, assista ao vídeo de 
Geronimo Theml, com duração de 4 minutos. Acesse e descubra uma forma alternativa para 
auxiliar no desenvolvimento do trabalho da gestão escolar!
Link disponível no site do Youtube: <https://www.youtube.com/watch?v=vUR7PLDlOC4>.
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
47
Segundo Pérez (2009, p. 13), o coachingsignifica “uma técnica de 
desenvolvimento pessoal que tem como principal objetivo ajudá-lo a alcançar 
as metas que se propõe para facilitar melhorias nas suas competências, 
comportamentos, capacidades e atitudes [...]”. Para o coaching, o líder apresenta um 
papel importante no desenvolvimento das pessoas, no entanto, o coachee (pessoa 
submetida ao coaching) será aquele que decidirá sobre a iniciativa de colocar ou 
não em prática seus projetos. 
FIGURA 11 - INFLUÊNCIA DO COACHING NAS PESSOAS
FONTE: Disponível em: <http://www.wivianramos.com.br/coaching/o-que-e-coaching/>. 
Acesso em: 23 mar. 2017.
O líder coach (aquele que aplica a metodologia) “transporta as pessoas 
de um lugar para o outro, do ponto aonde estão para o ponto que gostariam de 
chegar amanhã, sendo o coaching apenas um facilitador dessa viagem [...]” 
(PÈREZ, 2009, p. 19). O gestor escolar pode ser comparado ao líder coach, pois 
ambos desenvolvem pessoas, com responsabilidades de incentivar o desempenho 
do grupo. 
Para Veloso (2014), a função do coaching educacional desenvolvida pelo 
gestor escolar consiste em acompanhar o trabalho do professor, auxiliando-o no 
aperfeiçoamento de suas técnicas de ensino, bem como na resolução de problemas 
apresentados que acabam interferindo em sua prática. O coaching educacional 
inicia um procedimento no intuito de colaborar com três aspectos importantes do 
sistema escolar, segundo Veloso (2014): 
• Formação continuada do professor, com reuniões de feedback do coach, 
proporcionando momentos de reflexão das atividades realizadas.
• Melhoria do processo de ensino e aprendizagem, como resultado da aplicação 
do coaching voltado para a motivação dos docentes.
• Inserção da escola no contexto e na realidade atual, promovendo aprendizagem 
significativa, por meio do planejamento conjunto entre o coach e o professor.
48
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
O desempenho positivo da metodologia do coaching considera algumas 
ações necessárias para sua aplicação, como mostra a figura a seguir:
FIGURA 12 - PASSOS DA METODOLOGIA DO COACHING
FONTE: Disponível em: <http://www.4-develop.pt/paginas/4/coaching/>. Acesso em: 23 mar. 
2017.
Há necessidade do coach realizar um diagnóstico para verificar o estado 
atual da situação, dos modos de pensar, agir e sentir das pessoas que serão 
envolvidas nas técnicas. Depois, o acordo que necessita ser estabelecido entre 
ambas as partes envolvidas, tanto o coach quanto o coachee, para uma revisão do 
estado atual identificado e as intenções para o estado desejado. Parte-se para a 
próxima etapa com a aplicação de algumas técnicas no plano de ação, no uso 
de algumas "ferramentas" que auxiliarão no processo de descoberta do coachee. 
Ao final, ocorre a medição dos resultados e o fechamento com os relatos das 
descobertas dos ensejos do coachee. 
DICAS
Para conhecer sobre as técnicas desenvolvidas no coaching, 
acesse: <http://media.ibccoaching.com.br/pdf/Apostila-Ferramentas.
pdf>. Confira algumas formas de trabalhar com os professores e auxiliar 
no desenvolvimento profissional da equipe. Lembre-se de que para ser 
um profissional do coaching há necessidade da realização de cursos 
e receber a certificação na área. Porém, você pode utilizar algumas 
técnicas para incrementar o convívio profissional e, quem sabe, até 
fazer um curso para se tornar um coaching educacional! Boa leitura!
TÓPICO 3 | PERFIL ATUAL DO GESTOR ESCOLAR
49
LEITURA COMPLEMENTAR
GESTÃO DEMOCRÁTICA COM PARTICIPAÇÃO POPULAR 
NO PLANEJAMENTO E NA ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
 
Moacir Gadotti
A gestão democrática não é só um princípio pedagógico. É também um 
preceito constitucional. O parágrafo único do artigo primeiro da Constituição 
Federal de 1988 estabelece como cláusula pétrea que “todo o poder emana 
do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”, 
consagrando uma nova ordem jurídica e política no país com base em dois pilares: 
a democracia representativa (indireta) e a democracia participativa (direta), entendendo 
a participação social e popular como princípio inerente à democracia. Em seu 
artigo 206, quando a Constituição Federal estabelece os “princípios do ensino”, 
inclui, entre eles, no Inciso VI, a “gestão democrática do ensino público”, princípio 
este retomado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. 
O Artigo 205 da Constituição de 1988 determina que “a educação, direito 
de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a 
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo 
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Infelizmente, a 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) não respeitou 
esse princípio de que a educação deveria ser “promovida e incentivada com a 
colaboração da sociedade”: “a gestão democrática – princípio caro aos educadores 
e que foi base-mestra do primeiro projeto de regulamentação do Sistema Nacional 
de Educação – ficou reduzida, na Lei nº 9.394, de 1996, aos preceitos dos artigos 145 
e 15, que preveem, somente, a participação dos profissionais no projeto pedagógico, 
e da comunidade, nos conselhos escolares, além de uma 'progressiva' autonomia 
pedagógica, administrativa e de gestão financeira às escolas” (CNTE, 2009, p. 289). 
A participação popular e a gestão democrática fazem parte da tradição 
das chamadas “pedagogias participativas”. Elas incidem positivamente na 
aprendizagem. Pode-se dizer que a participação e a autonomia compõem a 
própria natureza do ato pedagógico. A participação é um pressuposto da própria 
aprendizagem. Mas, formar para a participação é, também, formar para a cidadania, 
isto é, formar o cidadão para participar, com responsabilidade do destino de seu 
país. 
O Documento Referência da primeira Conferência Nacional de Educação 
(Conae) refere-se à qualidade da educação, associando este tema ao da gestão 
democrática. Não se consegue melhorar a qualidade da educação sem a participação 
da sociedade na escola. A melhoria da qualidade da educação e das políticas 
educacionais está intrinsecamente ligada à criação de espaços de deliberação 
coletiva: “a gestão democrática dos sistemas de ensino e das instituições educativas 
constitui uma das dimensões que possibilitam o acesso à educação de qualidade 
como direito universal. A gestão democrática como princípio da educação nacional 
50
UNIDADE 1 | GESTÃO EDUCACIONAL NO CONTEXTO NACIONAL
sintoniza-se com a luta pela qualidade da educação” (CONAE, 2011, p. 59). A 
gestão democrática – como princípio pedagógico e como preceito constitucional – não 
se restringe à escola. Ela impregna todos os sistemas e redes de ensino. O princípio 
constitucional da gestão democrática também não se limita à educação básica: 
ela se refere a todos os níveis e modalidades de ensino: “a gestão democrática do 
sistema, em todas as esferas de organização, é um princípio basilar a partir do qual 
se fortalecem espaços de participação e de pactuação já instituídos e por instituir” 
(MARQUES et al., 2013, p. 3).
Ademais, é preciso deixar claro que a gestão democrática não está 
separada de uma certa concepção da educação. Não tem sentido falar de gestão 
democrática no contexto de uma educação tecnocrática ou autoritária. Ela deve 
ser coerente com uma concepção democrática e emancipadora da educação. Por 
que os representantes das escolas privadas rejeitaram, em 1988, na Constituinte, 
a gestão democrática? Porque, em geral, o ensino privado não trabalha com uma 
concepção emancipadora da educação. Mas existem também sistemas públicos de 
educação que não valorizam a gestão democrática porque têm uma visão elitista 
da educação, porque separam os que sabem dos que não sabem, os que mandam 
dos que devem obedecer.
O tema da gestão democrática da educação com participação popular 
ganha ainda mais relevância hoje, no momento em que se discute a criação do 
Sistema Nacional de Educação que define a articulaçãoe a cooperação entre os 
entes federados. Essa lógica colaborativa só tem sentido se for cimentada pela 
gestão democrática e tiver por finalidade a construção de uma “sociedade livre, 
justa e solidária”, como determina o Inciso I do artigo terceiro da Constituição 
Federal de 1988.
Para saber mais sobre o texto de Gadotti, acesse: <http://conae2014.mec.
gov.br/images/pdf/artigogadotti_final.pdf>, leia o artigo na íntegra. Revela 
pontos importantes sobre a participação popular e gestão democrática, e ainda 
ressalta diferenças no modo de se conceber a participação social da participação 
popular. 
Confira e amplie seus conhecimentos!
FONTE: Disponível em: <http://conae2014.mec.gov.br/images/pdf/artigogadotti_final.pdf>. 
Acesso em: 23 mar. 2017.
51
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A estrutura administrativa passa a ser concebida como uma organização 
baseada na hierarquia das funções, segundo a teoria de Fayol.
• Na época não havia uma divisão entre o papel do diretor escolar e os aspectos 
referentes à gestão escolar, ambos se fundiam numa ação somente: o trabalho 
administrativo educacional desenvolvido na função do Diretor Escolar.
• Podemos apontar o gestor como uma pessoa que realiza dentro da escola 
um papel de liderança, ao desenvolver e controlar determinadas atividades, 
coordenando os funcionários da instituição.
• Percebemos que a função de gestor educacional perpassa uma perspectiva de 
liderança, baseada em pressupostos que apontam para um trabalho que favorece 
a participação, atuação e autonomia de todos os envolvidos nos processos que 
ocorrem no espaço escolar.
• Por meio da participação de todos os envolvidos nos processos escolares, no 
desenvolvimento de ações que incidem na cidadania da escola, possibilitando o 
desenvolvimento de uma consciência de participação mais ampla na sociedade.
• Algumas organizações, atualmente, optaram por incorporar o processo de 
coaching como uma alternativa para o desenvolvimento das pessoas.
52
1 Observe a vinheta de HQ e analise as premissas apontadas na teoria dos 
autores críticos quanto às características da Gestão Escolar.
FONTE: Disponível em: <http://www.pensamentoverde.com.br/colunistas/agua-uma-
discussao-para-alem-do-ambientalismo/>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Reflita sobre o assunto e faça um quadro comparativo com as principais ideias 
dos autores na perspectiva Clássica e Crítica, quanto à Gestão Escolar.
2 Analise sobre as mudanças ocorridas na década de 1980 na área da educação 
que aponta sobre os preceitos da administração e gestão e assinale V para 
Verdadeiro e F para Falso.
( ) Ocorre a diferenciação entre os conceitos de gestão e de administração.
( ) A administração passa a ser um dos elementos que compõem a gestão.
( ) A gestão assume caráter tecnicista, priorizando o mercado de trabalho.
( ) A gestão considera os aspectos culturais, políticos e educativos.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) V, V, F, V
b) ( ) V, V, F, F
c) ( ) F, F, V, F
d) ( ) F, F, V, V
AUTOATIVIDADE
53
WATERSON, C. Haroldo e seus amigos, 1988.
A gestão democrática pode ser definida como um processo político no qual 
as pessoas que atuam na e sobre a escola identificam problemas, discutem, 
deliberam, planejam, encaminham, acompanham, controlam e avaliam o 
conjunto das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola, na busca 
da solução daqueles problemas. Esse processo, sustentado no diálogo, na 
alteridade e no reconhecimento das especificidades técnicas das diversas 
funções presentes na escola, tem como base a participação efetiva de todos 
os segmentos da comunidade escolar, o respeito às normas coletivamente 
construídas para os processos de tomada de decisões e a garantia de amplo 
acesso às informações aos sujeitos da escola.
FONTE: SOUZA, A. R. Explorando e construindo um conceito de gestão escolar democrática. 
Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 25, n. 3, dez. 2009, p. 125-126 (adaptado).
Com base nos textos apresentados, conclui-se que a gestão democrática da 
educação:
I. Implica colocar as instituições a serviço da formação qualificada dos 
estudantes, tendo a participação como prática cotidiana de todos os envolvidos.
II. Propicia a criação de uma cultura institucional crítico-reflexiva, cujos 
envolvidos tenham discernimento em relação aos conteúdos que necessitam 
ou não para tomarem decisões sempre coletivas.
3 Libâneo (2004) apresenta algumas características de atribuições para a 
função de gestor educacional. Analise e assinale a alternativa correta:
a) ( ) Promover a integração entre os profissionais da escola e a comunidade 
no geral.
b) ( ) Administrar de forma autocrática para manter a ordem e o bom 
funcionamento da escola.
c) ( ) Supervisionar as atividades pedagógicas para que os professores sigam 
sua concepção educativa.
d) ( ) Oferecer cursos para que somente a equipe administrativa conheça a 
legislação educacional.
4 (ENADE, PEDAGOGIA, 2014).
54
III. Pressupõe a existência de líderes capazes de orientar pessoas para o 
desenvolvimento de ações que visem ao cumprimento de objetivos definidos 
por eles. 
IV. Efetiva-se pelo processo de construção coletiva do projeto pedagógico e de 
seu acompanhamento e avaliação.
É correto apenas o que se afirma em:
a) ( ) I e II.
b) ( ) I e III.
c) ( ) III e IV.
d) ( ) I, II e IV.
55
UNIDADE 2
PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA 
GESTÃO EDUCACIONAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender a constituição da equipe gestora na escola;
• conhecer os aspectos e características da função de gestor escolar;
• entender como se deu o início da profissão dos especialistas na escola;
• conhecer as atribuições da função de orientador educacional;
• compreender como a conjuntura social e econômica influenciou os traba-
lhos do supervisor pedagógico;
• entender as características da função de supervisor pedagógico ao longo 
dos tempos;
• identificar o início da atuação do coordenador pedagógico nos espaços 
escolares.
Esta unidade está organizada em quatro tópicos. Ao final de cada um deles 
você encontrará atividades que lhe darão uma maior compreensão dos temas 
abordados.
TÓPICO 1 - GESTOR ESCOLAR
TÓPICO 2 - ORIENTADOR EDUCACIONAL
TÓPICO 3 - SUPERVISOR PEDAGÓGICO
TÓPICO 4 - COORDENADOR PEDAGÓGICO
56
57
TÓPICO 1
GESTOR ESCOLAR
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste primeiro tópico da Unidade 2 da disciplina 
Gestão Educacional estudaremos sobre assuntos referentes ao gestor escolar. 
Comentaremos brevemente sobre as características que norteiam o trabalho do 
gestor escolar quanto às ações pedagógicas, administrativas, educação inclusiva, 
com a comunidade e os processos referentes às tecnologias de informação.
Para entendermos o trabalho desenvolvido pelo gestor escolar, precisamos 
conhecer sobre alguns aspectos presentes no cotidiano de sua função. Atuando na 
gestão da escola, o diretor atua em diferentes pontos que constituem os fazeres no 
cotidiano escolar. Dessa forma, necessita de saberes amplos sobre todas as ações 
que constituem o complexo processo de ensino e aprendizagem. 
Nos subtópicos a seguir, apresentaremos outros protagonistas que 
fazem parte da equipe que compõe a gestão escolar. Cada profissional apresenta 
especificidades particulares quanto à função que desempenha na escola. Neste 
tópico abordaremos exclusivamente sobre a constituição da profissão do gestor 
escolar, ou diretor escolar, como é denominado em muitas escolas.
2 GESTOR ESCOLAR E O DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO 
PEDAGÓGICA
O gestor escolar desempenha uma importante função no processo 
educacional de uma instituição de ensino. O andamento dos trabalhos realizados 
pelas equipes pedagógicas e administrativas, os especialistas em educação, 
professores e demais funcionários, pais e alunos, enfim, todos que compreendem 
a comunidade escolar dependem das decisões finais de seu gestor.
Desta forma, podemos anunciar que uma das principais funções dogestor 
escolar consiste em oferecer o suporte necessário à comunidade escolar. Contudo, 
no desenvolvimento de suas ações, o gestor apresenta algumas dificuldades em 
interagir com todos os envolvidos. Torna-se um desafio organizar, direcionar e 
efetivar um relacionamento eficiente na área educacional, direcionado para uma 
postura de gestão participativa. Como também, assumir iniciativas adequadas e 
oferecer novas possibilidades de mudanças que possam gerar resultados concretos, 
com ações resultantes de um trabalho objetivando os processos educativos.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
58
O gestor escolar necessita articular, acompanhar e intervir na elaboração, 
execução e avaliação da proposta pedagógica, visando o desempenho de qualidade 
de seu estabelecimento de ensino. Segundo a LDB nº 9.394/96, artigo 12, cabe aos 
estabelecimentos ou instituições de ensino a incumbência de: 
I – elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II – administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III – assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV – zelar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
V – prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento;
VI – articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de 
integração da sociedade com a escola;
VII – informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for 
o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos 
alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola;
VIII – notificar ao conselho tutelar do município, ao juiz competente da
comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação 
dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de 50% 
(cinquenta por cento) do percentual permitido em lei.
Podemos notar que as atribuições delegadas aos estabelecimentos de 
ensino são, na verdade, os objetivos de trabalho atribuídos aos gestores escolares. 
Os gestores escolares são os representantes legais que assumem a incumbência 
de organização, zelo e a responsabilidade por todos os processos que ocorrem na 
escola. Desta forma, respondem como herdeiros do legado e colaboradores para a 
manutenção positiva dos trabalhos desenvolvidos na escola.
Nesse sentido, a LDB aponta sobre alguns objetivos que devem ser 
priorizados no desenvolvimento das ações do gestor escolar, integrando a proposta 
pedagógica, administrativa e a integração com a comunidade. O gestor, além de 
administrador de uma instituição de ensino, tem a função de educador, numa 
perspectiva coletiva. Sua atuação exerce a liderança em todo o processo educativo, 
junto à equipe pedagógica, diante de todas as ações a serem desenvolvidas, 
atuando nas decisões sobre questões administrativas e pedagógicas. Diante de sua 
responsabilidade política, se faz necessário que possua uma ampla experiência na 
área educacional e competência para o exercício de sua gestão escolar. Luck (2009, 
p. 23) aborda sobre os trabalhos desenvolvidos na escola, mais precisamente que: 
Não se recomenda, nem se justifica, a divisão do trabalho nas 
escolas, como muitas vezes ocorre, delimitando-se para o diretor a 
responsabilidade administrativa e para a equipe técnica-pedagógica 
a responsabilidade pedagógica. Estes profissionais são participantes 
da liderança pedagógica exercida pelo diretor, exercendo essa 
responsabilidade em regime de coliderança. Ao diretor compete zelar 
pela escola como um todo, tendo como foco de sua atuação, em todas 
as ações e em todos os momentos de aprendizagem, a formação dos 
alunos. 
Deste modo, quando o gestor escolar assumir a dimensão pedagógica, 
efetivamente, cumprirá sua função de gestor, transcendendo a questão administrativa 
para um fazer político, pedagógico e democrático. Um aspecto importante a ser 
lembrado consiste na questão de o gestor assumir a responsabilidade ética no 
exercício de sua função, para que possa estabelecer um relacionamento com base 
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
59
na verdade, na lealdade, na coerência, pautado no trabalho coletivo voltado para 
a ética, valorização e formação humana. Objetivando uma atuação democrática 
com capacidade crítica e experiência, ciente da função de gestor como uma 
oportunidade para enfrentar grandes desafios.
FIGURA 12 - AÇÃO PEDAGÓGICA
FONTE: Disponível em: <http://ondalivrefm.net/2016/08/24/72>. Acesso em: 3 mar. 2017.
O trabalho de gestão necessita ser orientado por princípios que priorizem 
as expectativas de aprendizagem, monitoramento e avaliação, constituindo 
um desafio ao diretor escolar. Lembrando que tais circunstâncias fazem parte 
da estrutura organizacional imposta e representada nos índices das avaliações 
nacionais. O gestor escolar deve contribuir para uma cultura organizacional 
orientada para o rigor acadêmico e expectativas de aprendizagem no cumprimento 
do programa curricular escolar. 
Atualmente, percebe-se uma certa preocupação em melhorar a qualidade do 
ensino oferecido nas escolas. Para que isto aconteça se faz necessária a participação 
de todos os envolvidos nos processos educativos, em que os problemas encontrados 
devem ser resolvidos de forma coletiva. Segundo Luck (2011, p. 30):
O clima institucional e a cultura organizacional da escola expressam 
a personalidade institucional e determinam a real identidade do 
estabelecimento de ensino, aquilo que de fato representa, uma vez 
que se constitui em elemento condutor de suas expressões, de seus 
passos, de suas decisões da maneira como enfrenta seus desafios, como 
interpreta seus problemas e os encara, além de como vê seu currículo e 
torna efetiva sua proposta política-pedagógica. 
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
60
Nesse sentido, para o desenvolvimento de um bom trabalho, o gestor escolar 
precisa inferir um ambiente adequado para a participação de toda a comunidade 
escolar. Onde a comunidade escolar se sinta responsável no desenvolvimento 
do processo educativo e colabore com propostas e soluções, estabelecendo uma 
parceria entre a comunidade e a instituição. 
A cultura organizacional de uma instituição passa a ser determinada por 
aquilo como a escola de fato se constitui, o modo como os profissionais agem, o 
que consideram prioridade e o que deixam em segundo plano. Quanto ao clima, 
podemos afirmar que sua instabilidade varia de acordo com os níveis de satisfação 
ou insatisfação momentânea do grupo (LUCK, 2011).
A Constituição Federal (BRASIL, 1988), artigo nº 206, II e III, determina 
que “o ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, 
ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do pluralismo de ideias e de 
concepções pedagógicas”. Deste modo, o gestor escolar precisa, no exercício de sua 
função, incentivar os professores e estudantes para a promoção da construção dos 
conhecimentos, valorizando a diversidade do trabalho pedagógico com o objetivo 
de obter resultados satisfatórios no processo de ensino e aprendizagem.
Na relação entre o gestor escolar e os professores, um dos aspectos principais 
consiste na comunicação e interatividade, orientando o trabalho pedagógico, 
articulação dos saberes pedagógicos e sua aproximação. O desenvolvimento 
do trabalho pedagógico articulado, baseado na interatividade, possibilita aos 
professores a oportunidade de aprendizado mútuo, em que cada um aprenda 
com o outro, permitindo assim que suas especificidades sejam compartilhadas, 
construindo novos domínios de conhecimentos.
FIGURA 13 - ELEMENTOS QUE ENVOLVEM A GESTÃO PEDAGÓGICA
FONTE: A autora
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
61
A gestão pedagógica, como observamos no organograma, consiste no 
trabalho desenvolvido entre o gestor escolar e todos os envolvidos no processo 
educacional. A organização do trabalho pedagógico no estabelecimento de ensino 
deve ser pautada nos princípios de uma gestão democrática, na autonomia da 
escola, com a participação da comunidade escolar, visandoum trabalho de gestão 
pedagógica eficiente.
FIGURA 14 - COMUNIDADE ESCOLAR
FONTE: Disponível em: <http://educacaointegral.org.br/metodologias/como-envolver-parceiros-
da-comunidade-em-projetos-de-educacao-integral/>. Acesso em: 3 mar. 2017.
A comunidade escolar participa ativamente com o conhecimento referente 
à organização do trabalho pedagógico, na participação da construção do Projeto 
Político-Pedagógico. A construção do Projeto Político-Pedagógico coletivo 
representará a identidade de cada estabelecimento de ensino e constituirá um 
instrumento para o desenvolvimento de uma gestão democrática.
Luck (2011) assinala sobre a necessidade de a escola ser orientada por 
um processo de comunicação aberto e relações que cultivem o respeito mútuo, 
no sentimento de responsabilidade e comprometimento. Desta forma, podemos 
observar que a busca da excelência em educação perpassa por várias questões que 
desafiam o gestor escolar: gestão democrática, monitoramento e avaliação dos 
processos de ensino-aprendizagem, gestão administrativa, gestão do clima e da 
cultura escolar. 
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
62
DICAS
Acesse o site: <http://paulofreire.org/> e confira dicas de textos, materiais e livros 
que podem ser baixados gratuitamente.
3 AS PRÁTICAS DA GESTÃO ESCOLAR E AS AÇÕES 
ADMINISTRATIVAS
O gestor escolar necessita ter conhecimento sobre a organização 
administrativa e pedagógica da escola e sobre como utilizar os resultados das 
avaliações realizadas na educação, visando a melhoria da qualidade do ensino. O 
gestor, ao pensar na organização administrativa de uma escola, precisa considerar 
os aspectos inerentes da função pedagógica. Assim, a compreensão das atividades 
da escola enquanto instituição social, juntamente com as finalidades da educação 
e objetivos sociais, sinaliza a necessidade da participação de todos os envolvidos 
no processo de gestão. 
Segundo Libâneo (2004), a direção aciona de forma integral ou 
articuladamente todos os elementos que constituem o processo organizacional, 
do planejamento até a avaliação, abrangendo a mobilização, liderança, motivação, 
comunicação e coordenação. Além disso, gerenciar também significa coordenar 
esforços para articular e convergir as ações da equipe na busca dos objetivos 
educacionais.
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
63
FIGURA 15 - ATRIBUIÇÕES DO GESTOR ESCOLAR
FONTE: Disponível em: <http://seminariotdah.blogspot.com.br/2011/12/calvin-e-haroldo.html>. 
Acesso em: 3 mar. 2017.
Na charge podemos conferir uma das atribuições que, em geral, as pessoas 
julgam ser sua exclusiva função: de juízo moral ou disciplinador. Contudo, o 
exercício da função de diretor escolar transpassa a visão mítica de disciplinador 
dos estudantes. A vivência real requer atributos referentes à autoridade, 
responsabilidade, decisão, disciplina e iniciativa. Visto que atribuições de um 
diretor são, fundamentalmente, gestoras e administrativas, considerando também 
os aspectos pedagógicos.
Nesse sentido, Rocha e Carnieletto (2007) abordam sobre a democratização, 
autonomia e a necessidade de se desenvolver uma boa gestão para o fortalecimento 
da escola pública. A função gestora inclui certas atribuições que se relacionam 
estreitamente com as funções clássicas do administrador: planejar, organizar, 
comandar, coordenar e controlar. Assim, nas palavras de Rocha e Carnieletto 
(2007, p. 44), “o que tem acontecido, em muitos casos, se não na maioria das vezes, 
é a preponderância do administrativo sobre o pedagógico”.
QUADRO 4 - RELAÇÃO ENTRE AS FUNÇÕES DOS GESTORES ESCOLARES E ADMINISTRADORES 
DE EMPRESA
Teorias
 Gestão 
Administrativa
ALONSO (2002)
ROCHA e 
CARNIELETTO 
(2007)
LIBÂNEO (2004)
PLANEJAR
• Promover mudan-
ças estruturais.
• Utilizar os diferentes
espaços de informa-
ção. 
• Realizar parcerias 
com outras institui-
ções; incorporar a 
tecnologia na apren-
dizagem.
• Buscar todos os 
meios e condições 
que favoreçam a ati-
vidade profissional 
dos pedagogos es-
pecialistas,dos pro-
fessores, dos funcio-
nários, visando a boa
qualidade do ensino.
• Planejamento de 
tarefas.
• Relações humanas 
produtivas e criati-
vas assentadas na bus-
ca de objetivos co-
muns.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
64
• Assegurar as con-
dições e meios de
manutenção de um
ambiente de traba-
lho favorável e de 
condições materiais 
necessárias à conse-
cução dos objetivos 
da escola, incluindo 
a responsabilidade 
pelo patrimônio e
sua adequada utili-
zação.
ORGANIZAR
• Estimular a apren-
dizagem ativa e a 
participação em pro-
jetos.
• Propiciar o desen-
volvimento profissio-
nal dos professores 
e administradores.
• Oferecer meios e
condições para favo-
recer a atividade pro-
fissional dos pedago-
gos especialistas, dos
professores, dos fun-
cionários, visando a
boa qualidade do en-
sino.
• Assegurar as con-
dições e meios de
manutenção de um
ambiente de trabalho 
favorável e de con-
dições materiais neces-
sárias à consecução 
dos objetivos da es-
cola, incluindo a res-
ponsabilidade pelo
patrimônio e sua ade-
quada utilização.
• Formação continua-
da para o desenvol-
vimento pessoal e pro-
fissional dos inte-
grantes da comuni-
dade escolar.
• Envolvimento da 
comunidade no pro-
cesso escolar.
• Avaliação compar-
tilhada.
COMANDAR
• Favorecer a parti-
cipação da comuni-
dade escolar – conse-
lhos consultivos; colo-
car o administrativo 
a serviço do pedagó-
gico pondo em execu-
ção o Projeto Pedagó-
gico da escola, elabo-
rado com a comuni-
dade. 
• Supervisionar e res-
ponder por todas as 
atividades adminis-
trativas e pedagógi-
cas da escola, bem
como as atividades 
com os pais e a 
comunidade e com 
outras instâncias da 
sociedade civil.
• Autonomia das es-
colas e da comunida-
de educativa.
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
65
• Manter o currículo
e a sua implementa-
ção no centro das 
atenções, definindo 
prioridades em fun-
ção dele.
• Conhecer a legisla-
ção educacional e do 
ensino, as normas
emitidas pelos órgãos 
competentes e o Re-
gimento Escolar, asse-
gurando o seu cum-
primento.
COORDENAR
• Viabilizar a parti-
cipação dos alunos
nas decisões de for-
ma responsável.
• Abrir a escola pa-
ra omeio exterior,
extraindo do social 
os elementos neces-
sários ao processo 
de mudança e reno-
vação da instituição.
• Integrar e articular
a escola e a comuni-
dade próxima, com o 
apoio e iniciativa do
Conselho de Escola,
mediante atividades
de cunho pedagógi-
co, científico, social, 
esportivo, cultural.
• Envolvimento da 
comunidade no pro-
cesso escolar.
• Relação orgânica 
entre direção e a par-
ticipação dos mem-
bros da equipe esco-
lar.
• Avaliação compar-
tilhada.
CONTROLAR
• Assumir com res-
ponsabilidade os re-
sultados do trabalho 
escolar – sucesso ou 
fracasso – e definir a 
sua política de ação 
a partir deles.
• Garantir a aplica-
ção das diretrizes de 
funcionamento da ins-
tituição e das normas 
disciplinares, manten-
do a comunidade es-
colar sistematica-
mente informada das
medidas.
• Responder pela
gestão administrati-
va da escola, junto à 
Secretaria de Edu-
cação, de comum 
acordo com a secre-
taria escolar.
• Supervisionar a ava-
liação da produti-
vidade da escola em 
seu conjunto.
• Supervisionar e res-
ponsabilizar-se pela 
organização finan-
ceira e controle das 
despesas da escola,
em comum acordo
com o Conselho de Es-
cola, pedagogos espe-
cialistas e professores.
• Utilização de in-
formações concretas 
e análise de cada pro-
blema em seus múl-
tiplos aspectos, com
ampla democratiza-
ção das informações.
FONTE: Alonso (2002), Libâneo (2004), Rocha e Carnieletto (2007)
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
66
O quadro apresenta de forma detalhada o significado dos conceitos das 
habilidades pertinentes às funções clássicas do administrador, presentes na 
função de gestor escolar, segundo os autores Alonso (2002), Libâneo (2004), Rocha 
e Carnieletto (2007). Observamos, nas comparações entre as colocações de cada 
autor,que os aspectos administrativos se integram aos pedagógicos, sendo ambos 
necessários para o andamento positivo das atividades na escola.
Fernandes e Muller (2006) apontam que o gestor escolar precisa compreender 
que o administrativo serve ao pedagógico, contribuindo para a realização dos 
objetivos educacionais da escola. Assim, o diretor precisa ser um representante do 
projeto político-social de educação, buscando uma gestão democrática, voltada às 
necessidades de sua comunidade. 
FIGURA 16 - INSTRUMENTOS QUE COMPÕEM A GESTÃO ESCOLAR
FONTE: A autora
Observamos no organograma os principais instrumentos que compõem 
a gestão escolar: planejamento de objetivos, representado pelo Projeto Político-
Pedagógico; organização das pessoas e dos recursos para a viabilização dos 
objetivos pretendidos; execução com qualidade dos trabalhos planejados com 
base nos recursos disponíveis; avaliação de todos os processos e atividades 
desenvolvidas; comunicação das atividades e dos resultados alcançados para a 
comunidade escolar; e formação continuada da equipe de funcionários da escola, 
visando o aperfeiçoamento profissional.
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
67
Para a operacionalização das situações apresentadas no organograma, 
Libâneo (2004) trata sobre a necessidade do desenvolvimento de uma estrutura 
adequada e facilitadora. Bem como, favorável às mudanças e participação de todos 
os envolvidos nas ações desenvolvidas na escola, suscitando um perfil de gestor 
escolar com habilidades técnicas, humanas e conceituais.
Desta forma, enfatizamos a necessidade de o gestor escolar exercer 
uma função democrático-participativa numa abordagem contingencial da 
administração. São conceitos necessários para o exercício positivo da função de 
gestor, visto que a escola não compreende um espaço isolado da sociedade, mas 
estabelece um inter-relacionamento com diversas variáveis internas e externas, 
que afetam seu funcionamento.
4 A PRESENÇA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA ATUAÇÃO 
DO GESTOR ESCOLAR
As políticas atuais reiteram a proposta de "educação para todos", baseada 
nas propostas legais que vigoram no território nacional. Assim, as escolas 
necessitam revisar suas propostas e práticas pedagógicas, de modo a acolher todos 
os alunos e atuarem com qualidade e eficiência pedagógica. 
O processo histórico de construção do paradigma da educação inclusiva, 
como já estudado anteriormente, na disciplina de Educação Inclusiva, ficou 
evidente após a Conferência Mundial em Educação Especial, organizada pelo 
governo da Espanha, em cooperação com a UNESCO, realizada em Salamanca, 
entre os dias 7 e 10 de junho de 1994. Desse encontro resultou a Declaração de 
Salamanca, definindo princípios, políticas e práticas na área das necessidades 
educativas especiais, estabelecendo a proposta de educação para todos. 
Lembramos, nas palavras de Rodrigues (2006, p. 304), que a proposta 
de educação inclusiva se constitui “oposta” à da “escola tradicional: é 
inclusiva ao promover uma escola de sucesso para todos, ao encarar os alunos 
como todos diferentes e necessitados de uma pedagogia diferenciada e ao 
cumprir o direito à plena participação de todos os alunos na escola regular”. 
Portanto, o sistema educacional inclusivo, com o objetivo de favorecer o acesso e 
a participação de todos no espaço comum na vida da comunidade, garante que 
as escolas inclusivas trabalhem facilitando o acesso ao conhecimento, a utilização 
funcional desse conhecimento, o exercício da cidadania, a participação no debate 
de ideias e nos processos decisórios.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
68
FIGURA 14 - EDUCAÇÃO INCLUSIVA
FONTE: Disponível em: <http://dimensaojornal.com.br/educacao-inclusiva-um-desafio-
para-o-sistema-2/>. Acesso em: 3 mar. 2017.
A construção do sistema educacional inclusivo é uma opção política que 
necessita de ações político-administrativas e técnico-científicas. Para Aranha 
(2001, p. 1), a “construção de uma sociedade democrática passa pela construção 
da inclusão social das pessoas com necessidades especiais”. Na necessidade da 
adoção de alternativas para alteração no sistema, ou seja, no contexto político-
administrativo, para que esta proposta realmente se efetive. 
Aranha (2001) salienta ainda que, diante da situação em que se encontra a 
educação nacional, o processo de descentralização do poder se torna imprescindível, 
com aproximação dos cidadãos das instâncias decisórias necessárias para 
implementação da proposta de educação inclusiva. Acredita também que uma 
das possibilidades de construção da escola inclusiva é a aproximação de todos 
envolvidos no processo educativo.
A gestão escolar democrática e participativa como responsável pelo 
envolvimento da comunidade escolar, estabelecendo objetivos, solução de 
problemas, planos de ação e sua execução, acompanhamento e avaliação como 
responsabilidades de todos. A gestão escolar democrática e participativa 
proporciona à escola um espaço de participação ativa e suas práticas refletidas 
na e pela comunidade. A participação na escola transcende o diálogo, consiste no 
processo lento, em conhecer os conflitos e saber mediá-los com a participação da 
comunidade e órgãos de representação (ARANHA, 2001).
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
69
Segundo Silva Júnior (1993, p. 77-78), “o gestor exerce uma função de líder 
da organização escolar, coordenando e trabalhando junto com a equipe de gestão, 
para alcançarem os objetivos da escola, juntamente com a comunidade”. A atuação 
do gestor escolar envolve a capacidade de articular e resolver os problemas de 
ordem administrativa e pedagógica; lidar com os relacionamentos; comandar a 
escola a partir das normas estabelecidas pelo sistema; considerar os fatores e as 
pessoas e constituir identidade (TEZANI, 2004). 
O diretor deve ser o principal revigorador do comportamento do 
professor que demonstra pensamentos e ações cooperativas a serviço 
da inclusão. É comum que os professores temam inovação e assumam 
riscos que sejam encarados de forma negativa e com desconfiança 
pelos pares que estão aferrados aos modelos tradicionais. O diretor é 
de fundamental importância na superação dessas barreiras previsíveis 
e pode fazê-lo através de palavras e ações adequadas que reforçam o 
apoio aos professores (SAGE, 1999, p. 138).
Sage (1999) prossegue apontando a relação entre o gestor escolar e a 
educação inclusiva, reconhecendo que a prática dessa educação requer alterações 
importantes nos sistemas de ensino das escolas. Para o autor, os gestores escolares 
são essenciais nesse processo, pois lideram e mantêm a estabilidade do sistema. 
As mudanças apontadas para a construção da escola inclusiva envolvem vários 
níveis do sistema administrativo: secretarias de educação, organização das escolas 
e procedimentos didáticos em sala de aula. 
O gestor escolar, para desenvolver uma prática inclusiva, necessita 
desenvolver reuniões pedagógicas, ações relacionadas à acessibilidade, adaptações 
curriculares, interação entre os diversos profissionais que auxiliam no processo de 
inclusão e com a comunidade escolar (SANT’ANA, 2005).
A educação inclusiva somente se efetivará nas unidades escolares quando 
as medidas administrativas e pedagógicas forem adotadas pela equipe escolar, 
amparadas na construção de um sistema que a efetive na prática. A educação 
escolar necessita possibilitar ao homem o desenvolvimento de sua capacidade 
crítica e reflexiva, garantindo sua autonomia e independência. 
 A atuação do gestor escolar se destaca como uma das principais 
interferências na tarefa de construir uma escola para todos. A educação inclusiva 
exige adaptações que priorizem a formação dos recursos humanos, materiais e 
financeiros, juntamente com uma prática voltada para o pedagógico, ações que 
estão vinculadas ao deferimento do gestor escolar.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
70
DICAS
Para conhecer mais sobre os programas nacionais referentes à educação 
inclusiva, acesse:<http://portal.mec.gov.br/politica-de-educacao-inclusiva>. Confira materiais 
para leitura, informações sobre as salas multifuncionais, legislação e outros textos sobre o 
assunto.
5 A ATUAÇÃO DO GESTOR E O SURGIMENTO DAS 
TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO
A sociedade contemporânea, de acordo com Luck (2009), passou a ser 
regida por uma economia associada ao conhecimento e à predominância da 
tecnologia da informação e da comunicação. As relações sociais sofreram alterações 
influenciadas por características da globalização, das oportunidades culturais, 
presença de desafios e exigências em situações inovadoras. A educação assumiu 
um caráter imprescindível no desenvolvimento das competências dos sujeitos 
que atuarão na sociedade. Desta forma, as exigências e os desafios destinados à 
escola, conforme a legislação nacional, têm a função de formar cidadãos capazes 
de superar as dificuldades que surgem nesse processo. 
No atual século, o apogeu das novas tecnologias da informação e 
da comunicação no âmbito da sociedade moderna pode ser identificado no 
meio cotidiano, no uso corrente dos meios informatizados, de comunicação 
e das telecomunicações. São instrumentos que variam desde o telefone 
celular ao computador, capazes de possibilitar aos usuários o envio e 
recebimento de mensagens, ouvir a programação da rádio, assistir a vídeos, 
produzir fotos e proporcionar ainda a comunicação audiovisual entre sujeitos em 
diferentes partes do mundo.
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
71
Na sociedade, as novas tecnologias são incorporadas ao meio cotidiano 
quase após seus lançamentos no mercado. O processo de aceitação e adaptação 
que ocorre no meio social não incide no ambiente escolar, onde se percebe uma 
tímida incorporação da tecnologia nos trabalhos educativos. Para Vieira (2003), 
os gestores escolares necessitam auxiliar nas transformações dos paradigmas em 
uma sociedade em processo de evolução. Devem contribuir para a introdução 
de tecnologias no sistema escolar, para o desenvolvimento de uma cultura e um 
processo de auto-organização que acompanhe a sociedade atual. O avanço da 
estrutura organizacional, em sua adequação, exige processos com trabalho em 
equipe, novas significações, adaptação às novas tecnologias e criatividade.
Kenski (2006) afirma que as tecnologias da informação se encontram no 
cotidiano modificando os modos de agir, pensar e se comunicar, transformando 
o comportamento das pessoas. No espaço educacional, a incorporação das 
tecnologias nas atividades administrativas se tornou indispensável, sendo também 
estendida às pedagógicas em alguns casos. O acesso ao computador e à internet 
passou a ser recurso como forma de informação, discussão e desenvolvimento de 
ideias. Os espaços de comunicação e lazer precisam ser orientados no sentido de 
contribuírem para a sofisticação das atividades de ensino.
As tecnologias digitais de comunicação e de informação, sobretudo o 
computador e o acesso à internet, começam a participar das atividades de 
ensino realizadas nas escolas brasileiras de todos os níveis. Em algumas, 
elas vêm pela conscientização da importância educativa que esse novo meio 
possibilita. Em outras são adotadas pela pressão externa da sociedade, 
dos pais e da comunidade. Na maioria das instituições, no entanto, elas 
são impostas, como estratégia comercial e política, sem adequação e 
reestruturação administrativa, sem reflexão e sem a devida preparação do 
quadro de profissionais que ali atuam (KESNKI, 2006, p. 70).
FIGURA 17 - TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
FONTE: Disponível em: <http://edufba.blogspot.com.br/>. Acesso em: 3 mar. 2017.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
72
Desta forma, a inserção das tecnologias digitais nas atividades educacionais 
requer que as escolas estejam preparadas para investimentos em equipamentos, 
ao acesso e uso dos aparelhos tecnológicos. A presença das tecnologias como 
recurso para o ensino propõe diferenciações nos hábitos pedagógicos tradicionais, 
exigindo um projeto pedagógico com inovações em metodologias, avaliação e 
aprendizagem baseadas numa pedagogia transformadora.
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) iniciaram na educação 
com a função de informatizar as atividades administrativas, agilizando os processos 
de gestão técnica (ALMEIDA, 2003). Depois, as TIC foram inseridas nos processos 
de ensino e aprendizagem, nas atividades de sala de aula.
Tais atividades levaram à compreensão de que o uso das TIC nas escolas, 
principalmente com o acesso à internet, contribui para expandir o acesso 
à informação atualizada, permite estabelecer novas relações com o saber 
que ultrapassam os limites dos materiais instrucionais tradicionais, 
favorece a criação de comunidades colaborativas que privilegiam a 
comunicação e permite eliminar os muros que separam a instituição da 
sociedade (ALMEIDA, 2003, p. 113-114).
Contudo, a inserção das TIC se efetiva em situações onde diretores e 
comunidade escolar estão envolvidos nas atividades e ações. A gestão das TIC 
implica nas ações da direção escolar sobre o desenvolvimento do processo 
tecnológico e informacional. Ao gestor escolar cabe a capacidade de planejamento, 
liderança, iniciativa, de criação de espaços, reflexão e experimentação. A função 
de líder possibilita incitar um espaço de mobilização da competência e do 
envolvimento das pessoas coletivamente, na participação ativa e competente, 
promovendo a realização dos objetivos educacionais. 
A transformação da escola acontece com maior frequência em situações 
em que diretores e comunidade escolar decidem se envolver no trabalho realizado 
em seu interior. De acordo com Almeida (2003, p. 2): 
O envolvimento dos gestores escolares na articulação dos diferentes 
segmentos da comunidade escolar, na liderança do processo de inserção 
das TIC na escola em seus âmbitos administrativo e pedagógico e, ainda, 
na criação de condições para a formação continuada e em serviço dos 
seus profissionais, pode contribuir significativamente para os processos 
de transformação da escola em um espaço articulador e produtor de 
conhecimentos compartilhados.
Para que as TIC sejam inseridas nos processos educativos, se faz necessário 
que haja o comprometimento e envolvimento do gestor escolar no processo de 
formação continuada para sua equipe de profissionais. Desta forma, os professores 
terão o conhecimento sobre o uso das novas tecnologias e mídias na educação, 
desenvolvendo outras possibilidades de ensino. O gestor passa a ser o principal 
responsável para que os novos recursos tecnológicos sejam inseridos no cotidiano 
da escola, visto que as decisões sobre o andamento escolar passam primeiramente 
por sua aprovação.
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
73
A gestão escolar exerce uma função administrativa e pedagógica com 
a finalidade de concretizar princípios e diretrizes em educação, orientando o 
desenvolvimento de ações de acordo com as diferenciações do contexto social. 
A implantação da gestão das Tecnologias de Informação e Comunicação precisa 
de um gestor que mobilize e compreenda as tecnologias, desenvolvendo uma 
proposta de inovar, criar e entender a importância da formação de professores. 
As tecnologias fazem parte do cotidiano, nas redes e Ambientes Virtuais de 
Aprendizagem, integrando múltiplas mídias às interações e desenvolvimento de 
ações. Contudo, se faz necessário destacar que o uso das tecnologias necessita da 
estruturação e manutenção do espaço e capacitações contínuas de aprendizagem, 
para assim colaborar com o processo de construção de um modelo democrático e 
contemporâneo dentro da escola.
DICAS
No site: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-
information/access-to-knowledge/ict-in-education/> você encontra várias informações e 
textos sobre as tecnologias de informação na educação. Na aba Comunicação e Informação 
há vários textos sobre o assunto no Brasil. Confira!
FIGURA 18 - PRESENÇA DAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA
FONTE: Disponível em: <http://blog.portabilis.com.br/tecnologias-na-gestao-escolar/>.Acesso 
em:3 mar. 2017.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
74
6 A RELAÇÃO DO GESTOR COM A COMUNIDADE ESCOLAR
A gestão da escola desenvolve uma atuação pautada na organização, 
mobilização e articulação de recursos materiais e humanos, necessários para 
efetivar o avanço dos processos sociais, políticos e educacionais da instituição 
escolar. Assim, o significado de gerir a escola contempla a mobilização dos sujeitos 
na definição dos objetivos educacionais e no posicionamento de acordo com o 
enfoque social, político e cultural da sociedade. 
FIGURA 19 - COMUNIDADE ESCOLAR
FONTE: Disponível em: <http://juliana-gestaoescolar.blogspot.com.br/2011/07/
comunidade-escolar.html>. Acesso em: 3 mar. 2017.
TÓPICO 1 | GESTOR ESCOLAR
75
O sentido pedagógico do ato educativo consiste na formulação dos objetivos 
sociais, políticos e educativos, implantando modos de organização metodológica 
da educação. A participação, diálogo coletivo, as implantações de órgãos colegiados 
são práticas que pressupõem uma gestão democrática e, consequentemente, uma 
escola organizada de forma coerente e planejada.
Desta forma, há necessidade de se considerar a escola numa perspectiva 
ampla, compreendendo que a cultura externa interage com uma cultura interna. 
Uma cultura interna que envolve o conjunto de significados vivenciados pelos 
sujeitos que compõem a gestão da escola. Sendo a cultura externa constituída 
nas variáveis presentes no contexto da escola, influenciando na definição da 
identidade escolar. Nas palavras de Nunes (2000, p. 24), “[...] a cultura não como 
um elemento de ligação, mas uma rede de movimentos, acrescentando assim 
aspectos dinâmicos sob uma perspectiva interacionista em detrimento da visão 
organicista ou funcionalista”. A compreensão da democracia e da participação 
enquanto princípios incontestáveis que fundamentam os aspectos teóricos e 
práticos da gestão escolar.
Segundo Paro (2000, p. 18), “[...] a democracia só se efetiva por atos e relações 
que se dão no nível da realidade concreta”. Conceber uma gestão participativa 
na escola exige ações baseadas no processo de descentralização do poder e 
compreensão de autoridade, baseados nos fundamentos do coletivo escolar.
Libâneo (2004) aborda sobre a presença da comunidade na escola, 
especialmente dos pais e responsáveis, incidindo em várias implicações e instâncias. 
Destaca desde a participação no conselho de escola, na associação de pais e mestres, 
na organização do projeto pedagógico-curricular ao acompanhamento e avaliação 
da qualidade dos serviços prestados. Portanto, professores, equipe técnico-
pedagógica, estudantes, funcionários, comunidade, pais e direção são sujeitos 
que compõem a gestão democrática, colaboradores da construção e formação do 
ambiente escolar, corresponsáveis pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento da 
educação (LUCK, 2000).
De acordo com o que apresentam Maia e Bogoni (2008), a escola se constitui 
como um ambiente que propicia diversas situações de aprendizagens. Para tanto, 
o envolvimento dos pais, responsáveis e professores constitui em participações 
essenciais para que a escola visualize os entendimentos e sugestões. Aproveitando 
os dizeres da comunidade, a escola contemplará o reflexo do seu trabalho na 
comunidade, propiciando um atendimento democrático e participativo.
O desenvolvimento da democratização escolar consiste no processo de 
mobilização da comunidade escolar para a implementação de mudanças, no 
intuito de elevar as oportunidades e a qualidade da educação, tendo como base 
a participação da sociedade no processo. A participação da comunidade escolar 
auxilia nos processos relacionados à busca e solução dos problemas do ambiente 
escolar. Por meio dessa conjuntura de esforços é que se concretiza uma cooperação 
conjunta, dessa forma a comunidade escolar vivenciará uma atuação ativa nos 
processos de planejamento e decisórios, assumindo responsabilidades da gestão 
escolar.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
76
FIGURA 20 - PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA DO COLETIVO NA ESCOLA
FONTE: Disponível em: <http://educacaointegral.org.br/glossario/gestao-democratica/>. Acesso 
em: 3 mar. 2017.
O gestor escolar, juntamente com o coletivo da escola, precisa encontrar 
formas para aproximar a família e responsáveis, desenvolvendo ações convidativas. 
Como sugestões: apresentação de palestras que discutam informações 
interessantes tanto para os pais e responsáveis como para os filhos; atividades que 
suscitam sua participação, como oficinas, festas e encontros para discussões sobre 
situações escolares. Uma simples entrega de boletins pode ser uma atividade de 
integração visando não apenas o acompanhamento do progresso do aluno, mas 
o envolvimento da família em atividades de construção de valores em família. 
Conforme Romão (1997, p. 67), "os caminhos para implantação de uma gestão 
democrática e participativa necessitam não só dos convites aos participantes do 
processo, mas sim da geração de condições para que os mesmos se insiram no 
processo".
A democratização da educação implica na ruptura de uma gestão 
centralizadora e no estabelecimento de uma gestão colegiada. Com os planejamentos 
e decisões oriundos das discussões coletivas e democráticas, em que todos os 
segmentos da escola estejam envolvidos no processo democrático participativo. 
Dessa forma, o envolvimento de cada pessoa com o ensejo de ofertar uma educação 
de qualidade, juntamente com a participação em uma gestão democrática, incide 
no atendimento às reais necessidades de formação. A participação da comunidade 
escolar consiste em algo que ocorre de forma complexa, necessitando ser bem 
delineada e organizada para que apresente os resultados desejados.
77
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• O gestor escolar necessita articular, acompanhar e intervir na elaboração, 
execução e avaliação da proposta pedagógica, visando o desempenho de qualidade 
de seu estabelecimento de ensino.
• O gestor escolar, ao assumir a dimensão pedagógica, efetivamente, cumprirá 
sua função de gestor, transcendendo a questão administrativa para um fazer 
político, pedagógico e democrático.
• Na relação entre o gestor escolar e os professores, um dos aspectos principais 
consiste na comunicação e interatividade, orientando o trabalho pedagógico, 
articulação dos saberes pedagógicos e sua aproximação.
• O gestor escolar necessita ter conhecimento sobre a organização administrativa 
e pedagógica da escola e sobre como utilizar os resultados das avaliações realizadas 
na educação, visando a melhoria da qualidade do ensino.
• O gestor escolar precisa compreender que o administrativo serve ao pedagógico, 
contribuindo para a realização dos objetivos educacionais da escola.
• A gestão escolar democrática e participativa como responsável pelo envolvimento 
da comunidade escolar, estabelecendo objetivos, solução de problemas, planos de 
ação e sua execução, acompanhamento e avaliação como responsabilidades de 
todos.
• A educação inclusiva somente se efetivará nas unidades escolares quando 
as medidas administrativas e pedagógicas forem adotadas pela equipe escolar, 
amparadas na construção de um sistema que a efetive na prática.
• A educação inclusiva exige adaptações que priorizem a formação dos recursos 
humanos, materiais e financeiros, juntamente com uma prática voltada para o 
pedagógico, ações que estão vinculadas ao deferimento do gestor escolar.
• No atual século, o apogeu das novas tecnologias da informação e da comunicação 
no âmbito da sociedade moderna pode ser identificado no meio cotidiano, no uso 
corrente dos meios informatizados, de comunicação e das telecomunicações.
• A presença das tecnologias como recurso para o ensino propõe diferenciações 
nos hábitos pedagógicos tradicionais, exigindo um projeto pedagógico com 
inovações em metodologias, avaliação e aprendizagem baseada numa pedagogia 
transformadora.
78
• Para que as TIC sejam inseridas nosprocessos educativos, se faz necessário 
que haja o comprometimento e envolvimento do gestor escolar no processo de 
formação continuada para sua equipe de profissionais.
• Professores, equipe técnico-pedagógica, estudantes, funcionários, comunidade, 
pais e direção são sujeitos que compõem a gestão democrática, colaboradores da 
construção e formação do ambiente escolar, corresponsáveis pelo desenvolvimento 
e aperfeiçoamento da educação.
• O desenvolvimento da democratização escolar consiste no processo de 
mobilização da comunidade escolar para a implementação de mudanças, no 
intuito de elevar as oportunidades e a qualidade da educação, tendo como base a 
participação da sociedade no processo.
• O gestor escolar, juntamente com o coletivo da escola, precisa encontrar formas 
para aproximar a família e responsáveis, desenvolvendo ações convidativas.
• A participação da comunidade escolar consiste em algo que ocorre de forma 
complexa, necessitando ser bem delineada e organizada para que apresente os 
resultados desejados.
79
AUTOATIVIDADE
1 O gestor escolar, no exercício de sua função, desempenha uma importante 
função no desenvolvimento dos trabalhos no contexto educacional. Reflita e 
assinale a alternativa correta:
a) ( ) A principal função do gestor escolar consiste em oferecer suporte e 
auxiliar a comunidade escolar.
b) ( ) Uma das principais funções do gestor escolar seria administrar 
corretamente os recursos financeiros.
c) ( ) Cabe ao gestor escolar a organização e seleção de pessoas no momento 
da contratação.
d) ( ) O gestor escolar precisa apresentar conhecimentos específicos sobre 
administração e contabilidade.
2 Analise a função de gestor escolar e suas atribuições no contexto educacional, 
pense nos saberes necessários para a função relacionados aos aspectos 
administrativos e pedagógicos. Aponte a relação dos conceitos clássicos da 
função de administrador necessários para a função de gestor escolar.
3 A presença das tecnologias digitais nas escolas requer um preparo no 
investimento em equipamentos, adaptação da estrutura física na construção 
de laboratórios e no uso dos aparelhos tecnológicos. Analise e descreva sobre 
como a escola deveria proceder com a presença das tecnologias de informação 
no seu cotidiano.
4 (ENADE - PEDAGOGIA, 2014) Da visão dos direitos humanos e do 
conceito de cidadania fundamentado no reconhecimento das diferenças e 
na participação dos sujeitos, decorre uma identificação dos mecanismos 
e processos de hierarquização que operam na regulação e produção de 
desigualdades. Essa problematização explicita os processos normativos de 
distinção dos alunos em razão de características intelectuais, físicas, culturais, 
sociais e linguísticas, estruturantes do modelo tradicional de educação escolar.
FONTE: Brasil, MEC. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva 
da Educação Inclusiva, 2008, p. 6 (adaptado)
As questões suscitadas no texto ratificam a necessidade de novas posturas 
docentes, de modo a atender à diversidade humana presente na escola. Nesse 
sentido, no que diz respeito a seu fazer docente frente aos alunos, o professor 
deve:
I- Desenvolver atividades que valorizem o conhecimento historicamente 
elaborado pela humanidade e aplicar avaliações criteriosas com o fim de 
aferir, em conceitos ou notas, o desempenho dos alunos.
80
II- Instigar ou compartilhar as informações e a busca pelo conhecimento 
de forma coletiva, por meio de relações respeitosas acerca dos diversos 
posicionamentos dos alunos, promovendo o acesso às inovações 
tecnológicas.
III- Planejar ações pedagógicas extraescolares, visando o convívio com a 
diversidade; selecionar e organizar os grupos, a fim de evitar conflitos.
IV- Realizar práticas avaliativas que evidenciem as habilidades e competências 
dos alunos, instigando esforços individuais para que cada um possa 
melhorar o desempenho escolar.
V- Utilizar recursos didáticos diversificados, que busquem atender à 
necessidade de todos e de cada um dos alunos, valorizando o respeito 
individual e coletivo.
É correto apenas o que se afirma em: 
a) ( ) II e III
b) ( ) II e V
c) ( ) II, III e IV
d) ( ) I, II, IV e V
81
TÓPICO 2
ORIENTADOR EDUCACIONAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico! Neste tópico, vamos conhecer um pouco a função de 
orientador educacional, bem como alguns aspectos que constituíram sua história. 
Em algumas escolas ainda existe o orientador educacional, profissional que faz 
parte da equipe gestora e atua como um colaborador nas questões que envolvem 
os processos de ensino e aprendizagem.
Ao longo da leitura, você descobrirá a influência das legislações educacionais 
na organização e estrutura da escola. Perceberá uma mudança qualitativa para a 
educação com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
nº 9.394/96, incluindo a valorização das funções dos especialistas em educação, 
como o orientador educacional. 
2 INÍCIO DA FUNÇÃO DE ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
A função do orientador educacional passou por diversas etapas e 
transformações ao longo dos tempos, adaptando-se conforme as mudanças e 
necessidades da sociedade de acordo com cada época. Segundo Pimenta (1988), os 
trabalhos desenvolvidos pela orientação educacional iniciaram, aproximadamente, 
em 1930, a partir da orientação profissional que acontecia nos EUA. 
No Brasil, a orientação educacional atuou juntamente na ordenação da 
sociedade brasileira, que se encontrava em mudança na década de 1940, incluindo 
o auxílio ao adolescente em suas escolhas profissionais. A primeira menção a 
cargos de orientador nas escolas públicas aconteceu por meio do Decreto nº 17.698, 
de 1947, que referia às Escolas Técnicas e Industriais.
As Leis Orgânicas do Ensino dos anos de 1942 a 1946 também citam a função 
de orientador educacional. Nesta época não havia cursos especiais para formação 
de orientador educacional, e a contratação acontecia por meio do preenchimento 
de cargos chamados “técnicos de educação”, muitas vezes selecionados sem 
critérios estabelecidos.
Pimenta (1988) aponta ainda que, até 1958, São Paulo contava com 
cinco faculdades que ministravam o curso superior de Orientação Educacional, 
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
82
tendo sido o primeiro deles na PUC-Campinas, em 1945. Em 1958, o MEC 
regulamentou provisoriamente o exercício da função e o registro de Orientador 
Educacional na Portaria nº 105, de março de 1958. A portaria vigorou como 
provisória até 1961, quando a LDB 4.024 regulamentou a formação do orientador 
educacional.
A Lei 5.564, de 21/12/68, provê sobre o exercício da profissão de orientador 
educacional, demonstrando uma certa preocupação com a formação integral do 
adolescente, embora cite orientações também referentes ao ensino primário, como 
era na época denominado o atual Ensino Fundamental. 
Art. 1º A Orientação Educacional se destina a assistir o educando, 
individualmente ou em grupo, no âmbito das escolas e sistemas 
escolares de nível médio e primário, visando o desenvolvimento 
integral e harmonioso de sua personalidade, ordenando e integrando 
os elementos que exercem influência em sua formação e preparando-o 
para o exercício das opções básicas (BRASIL, 1968).
Em 1971 foi promulgada a LDB nº 5.692/71, que apresenta no artigo 10 
a seguinte redação: “será instituída obrigatoriamente a Orientação Educacional, 
incluindo aconselhamento vocacional em cooperação com os professores, a família 
e a comunidade”. Pimenta (1981) argumenta que a LDB oferece um novo sentido 
ao ensino de 1º e 2º graus, atualmente o Ensino Fundamental e Médio, como a 
sondagem de aptidão e profissionalizante. Dessa forma, o orientador educacional 
deveria se ocupar do exercício de aconselhamento vocacional. 
Pimenta (1981) aponta que para atender às exigências da legislação, o 
Decreto 72.846, de 1973, regulamentou a Lei 5.564, de 1968, por meio de 11 artigos. 
Manteve o artigo 1º da Lei 5.564 apenas substituindo as expressões das escolase 
sistemas escolares de nível médio e primário, para a atual denominação da época, 
de ensino de 1º e 2º graus.
Na década de 1970, percebeu-se uma certa falta de compromisso da escola 
e de sua equipe pedagógica quanto aos trabalhos educativos. Grinspun (2003, p. 
20) cita que nesse período: “tenta-se resgatar a importância da escolaridade para as 
estratégias de vida das camadas populares, chamando a atenção para a estrutura 
interna da escola como um dado significativo para o desempenho dos alunos. A 
Orientação estava dentro da escola e não se deu conta do seu papel”. Balestro 
(2005, p. 19) complementa apontando que “os orientadores educacionais deixaram 
a banda passar sem dar a sua contribuição, isto é, sem fazer parte dela. Eles ficaram 
em cima do muro e calados. Perderam um espaço para demarcar o seu território na 
educação e a função social da profissão de orientador educacional”. 
A partir de 1980 surgiram questionamentos sobre a função de Orientação 
Educacional, desencadeados a partir da situação constatada na década de 1970. 
O orientador educacional começa a participar de todos os momentos da escola, 
discutindo questões curriculares, como os objetivos, procedimentos, critérios 
TÓPICO 2 | ORIENTADOR EDUCACIONAL
83
de avaliação, metodologias de ensino, demonstrando sua preocupação com os 
alunos e o processo de aprendizagem (GRINSPUN, 1994). Os cursos de formação 
que foram oferecidos aos orientadores contribuíram para fomentar discussões, 
envolvendo as práticas educativas e a realidade dos alunos, assim como os aspectos 
que norteiam a profissão de forma geral.
A década de 1980, que Grinspun (1994) denominou de período 
“questionador”, foi marcada por estudos, congressos, lutas sindicais, que, 
articuladamente, transformaram-se em grandes conquistas para os orientadores 
educacionais. A FENOE – Federação Nacional dos Orientadores Educacionais – 
teve importante papel em defesa dos orientadores educacionais, sendo extinta 
na década de 90, o que levou ao enfraquecimento da categoria profissional que 
representava. 
A partir da década de 90, o desenvolvimento da função de orientador 
educacional foi marcado por incertezas e questionamentos, não se tinha um 
entendimento preciso se a nova LDB traria ou não menções ao orientador 
educacional em seu texto. Tais incertezas foram dizimadas com a publicação da Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996), que em seu artigo 64 
prevê: “A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, 
inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica será feita 
em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério 
da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional” 
(BRASIL, 1996).
A função de orientador educacional, apesar da importância de sua atuação 
ser claramente destacada na LDB, ao mesmo tempo não esclarece quanto ao grau 
de formação profissional. Essa situação influenciou alguns cursos de Pedagogia a 
deixarem de formar o orientador educacional, relegando para que os pedagogos 
buscassem nos cursos de pós-graduação o grau de estudo para o exercício da 
função. 
Nos anos de 2000 inicia-se um novo período apontando para as deficiências 
educacionais diagnosticadas na época. As Diretrizes Curriculares Nacionais para 
o curso de graduação da Licenciatura em Pedagogia, em Parecer aprovado em 
13/12/2005, reduzem a orientação educacional à área de serviços e apoio escolar, 
iniciando o processo para extinção total desta função. Contudo, o artigo 5º do 
mesmo Parecer menciona que o egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto 
para uma série de tarefas possíveis, a partir do trabalho integrado com outros 
profissionais da educação.
A Resolução nº 2, de 01/07/2015, definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais 
para a formação inicial em nível superior. Quanto à licenciatura em Pedagogia, 
aponta no capítulo V sobre a formação inicial do magistério da educação básica em 
nível superior, sua estrutura e currículo. O artigo 13 traz o seguinte texto:
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
84
Os cursos de formação inicial de professores para a educação básica em nível 
superior, em cursos de licenciatura, organizados em áreas especializadas, 
por componente curricular ou por campo de conhecimento e/ou 
interdisciplinar, considerando-se a complexidade e multirreferencialidade 
dos estudos que os englobam, bem como a formação para o exercício 
integrado e indissociável da docência na educação básica, incluindo o 
ensino e a gestão educacional, e dos processos educativos escolares e não 
escolares, da produção e difusão do conhecimento científico, tecnológico e 
educacional, estruturam-se por meio da garantia de base comum nacional 
das orientações curriculares (BRASIL, 2015).
Desta forma, o documento refere-se à formação dos pedagogos tanto 
para a docência como a gestão educacional, de forma abrangente, sem delimitar 
funções específicas, como a orientação educacional. Porém, no contexto escolar, 
no exercício da atuação daqueles que se ocupam em trabalhos desenvolvidos na 
escola, existem certas especificidades próprias que norteiam o trabalho de cada 
protagonista, incluindo o orientador educacional.
Nesse sentido, o orientador educacional diferencia-se dos demais 
profissionais que atuam na escola, principalmente do diretor escolar. O diretor 
ou gestor administra a escola como um todo; o professor cuida dos trabalhos 
referentes aos processos de ensino e aprendizagem de sua área do conhecimento, 
e o orientador educacional se ocupa da formação dos estudantes na escola e para 
a vida.
3 ORIENTADOR EDUCACIONAL E SUA ATUAÇÃO NOS 
ESPAÇOS EDUCATIVOS
A escola, atualmente, apresenta como desafio possibilitar aos estudantes 
a apropriação do saber produzido e acumulado pela sociedade. Somando ao 
compromisso de contribuir na formação de cidadãos críticos, autônomos e 
participativos, com capacidade de atuar com competência e responsabilidade na 
sociedade em que vivem, transformando-a. Desta forma, a escola se compromete 
em contribuir para a apropriação crítica do conhecimento e o desenvolvimento 
dos estudantes em suas potencialidades, buscando auxiliar nos aspectos em que 
apresentam dificuldades (PIMENTA, 1981).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação n° 9394/96 requer a formação 
de profissionais da educação com novas competências. Assim, o orientador 
educacional consiste no professor, com habilitação em pedagogia/licenciatura, ou 
com formação pedagógico-didática específica de orientadores educacionais, como 
especialista da educação. O orientador educacional é um profissional que atua em 
vários contextos e situações referentes à prática pedagógica educativa, de forma 
colaborativa e participativa, adequada às funções da escola, contribuindo para o 
desenvolvimento de um trabalho integrado com os professores, estudantes, pais e 
comunidade escolar, baseado na ética, diálogo, respeitando a diversidade social e 
cultural (LIBÂNEO, 1998).
TÓPICO 2 | ORIENTADOR EDUCACIONAL
85
FIGURA 21 - ORIENTADOR EDUCACIONAL NA ESCOLA
FONTE: Disponível em: <http://centraldeinteligenciaacademica.blogspot.com.br/2014/10/o-papel-
do-orientador-educacional-no.html>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Na escola, o orientador educacional consiste no profissional que compõe 
a equipe de gestão, trabalhando diretamente com os estudantes, ajudando-os em 
seu desenvolvimento pessoal em parceria com os professores. Atua de forma a 
compreender o comportamento dos estudantes, para agir de maneira adequada 
com relação a suas ações. Também tem como função ajudar na organização e 
desenvolvimento do Projeto Político-Pedagógico com os estudantes e comunidade, 
orientando, ouvindo e dialogando com pais e responsáveis (LIBÂNEO, 1998).
Assim, o orientador educacional atua como mediador entre o aluno e o 
meio social, discutindo sobre os problemas atuais do contexto sociopolítico, 
econômico e cultural. Por meio da problematização, procuradesenvolver ações 
que conduzam os estudantes a vivenciarem relações para que desenvolvam uma 
consciência crítica e participativa. Para tanto, o orientador necessita compreender o 
desenvolvimento cognitivo, afetivo, emocional, valores e atitudes dos estudantes. 
Nesse sentido, conseguirá promover atividades de discussão e informação sobre 
o mundo do trabalho, assessorando os estudantes nas dúvidas quanto às suas 
escolhas. De acordo com Souza (2010, p. 13):
O orientador, ao elaborar seu planejamento, precisa detectar quais são 
as reais perspectivas da família em relação à programação que a escola 
e o serviço de orientação educacional vão oferecer ao educando; neste 
sentido, deve-se levantar dados de quais as reais possibilidades de 
assistência e participação dos pais na vida escolar dos filhos.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
86
Desta forma, destacamos sobre a importância de o orientador educacional 
construir um relacionamento positivo entre a escola e a família ou responsáveis. 
Oferecendo reuniões para ouvir os seus relatos das situações, fazendo com que se 
sintam acolhidos e compreendidos, oferecendo os encaminhamentos disponíveis 
dos serviços prestados no município. Para isso, o orientador educacional precisa 
se informar junto ao Conselho Tutelar das formas de encaminhamento para os 
diversos serviços que a família necessita. 
Em outros momentos, o orientador pode entrar em contato com a 
secretaria da educação do mantenedor, seja municipal ou estadual, para verificar 
as possibilidades de auxílio para a situação vivenciada pelo estudante. A atuação 
do orientador educacional deve ser de forma participativa e atuante nas decisões 
da escola, observando a realidade e necessidades dos estudantes, planejando suas 
intervenções de forma adequada para cada situação, ponderando as diferenças 
presentes nas diversas situações em que atuará.
Grinspun (2001) afirma que o papel do orientador educacional se encontra 
conectado ao estudo da realidade do estudante, buscando alternativas para a 
promoção do seu desenvolvimento. Nesse sentido, a orientação educacional 
deve ter como eixo norteador de seu trabalho o estudante, não somente os que 
apresentam problemas, mas para com todos de forma igual. 
FIGURA 22 - ATUAÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL NA SOCIEDADE
FONTE: A autora
TÓPICO 2 | ORIENTADOR EDUCACIONAL
87
De acordo com o organograma, observamos a atuação do orientador 
educacional em alguns segmentos da sociedade. Conforme o prescrito nos 
documentos nacionais (BRASIL, 1996; 2015), o trabalho desenvolvido pela 
orientação educacional abrange toda a Educação Básica, compreendendo a 
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio.
EDUCAÇÃO INFANTIL
ENSINO FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO
• Auxilia na formação de seu compor-
tamento.
• Atua em relação à indisciplina, pro-
blemas familiares e sociais, transtornos, 
dificuldades de socialização e outros.
• Realiza a orientação profissional.
• Auxilia no desenvolvimento da 
autonomia dos estudantes para decidir 
sobre sua profissão.
De acordo com o quadro, podemos constatar que a atuação do orientador 
educacional desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental incide na 
formação de comportamento dos estudantes. O orientador educacional precisa 
saber como trabalhar com assuntos referentes à indisciplina, problemas familiares 
e sociais, transtornos, dificuldade de socialização, entre outros. 
No Ensino Médio, o orientador educacional atua acompanhando 
os estudantes na orientação profissional. Viabiliza estratégias para que os 
estudantes vivenciem, explorem e decidam sobre o caminho que pretendem 
seguir. O orientador precisa mostrar as diversas possibilidades, instigando o 
desenvolvimento da autonomia para que o estudante assuma suas decisões, com 
base nas expectativas, gostos, desejos e vontades. 
FIGURA 23 - ESCOLHA PROFISSIONAL
FONTE: Disponível em: <http://orientaseduc.blogspot.com.br/p/orientacao-
profissional.html>. Acesso em: 23 mar. 2017.
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
88
O orientador educacional, ao auxiliar na orientação profissional, precisa 
buscar as alternativas existentes para que os estudantes analisem as diversas 
opções e perspectivas de forma crítica e consciente. A complexidade dessa situação 
se apresenta em contextos familiares precários, seja de forma financeira, estrutural, 
afetiva etc., onde a escola constitui-se na única alternativa de informação e 
orientação sobre as possibilidades de escolha e encaminhamentos.
Outra atividade desenvolvida pelo orientador educacional diz respeito 
ao conhecimento da comunidade à qual a escola pertence. A compreensão dos 
modos de vida, interesses, aspirações e necessidades consistem em subsídios para 
a organização do diagnóstico que servirá como base sociocultural da comunidade. 
 O orientador educacional também atua oferecendo assistência pedagógica 
e didática aos professores, objetivando um ensino de qualidade. Auxilia na 
compreensão e administração de situações de ensino e aprendizagem, monitorando 
a prática pedagógica através da reflexão e investigação. Desse modo, Martins (1984) 
afirma que a escola constitui um grupo social onde ocorrem diversas interações 
entre professores e estudantes, sendo imprescindível a atuação do orientador 
educacional no desenvolvimento das relações interpessoais. 
Nos estudos sobre a função do orientador educacional, podemos considerá-
lo como um profissional da equipe gestora, que trabalha diretamente com os 
estudantes e professores. Atua na escola, mais precisamente na organização e 
realização da proposta pedagógica, com a comunidade escolar nas orientações e 
encaminhamentos, ouvindo e dialogando com todos que compõem a estrutura da 
comunidade escolar.
DICAS
Você sabia que existe um código de ética para os orientadores educacionais 
no Brasil? Acesse: <http://www.aoesc.com.br/NovoSite/wp-content/uploads/2015/02/
C%C3%B3digo-de-%C3%89tica-dos-Orientadores-Educacionais.pdf> e confira. Foi publicado 
no ano de 1978 pela Revista de Orientação Educacional da Federação Nacional dos 
Orientadores Educacionais.
89
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A função do orientador educacional passou por diversas etapas e transformações 
ao longo dos tempos, adaptando-se conforme as mudanças e necessidades da 
sociedade de acordo com cada época.
• No Brasil, a orientação educacional atuou na ordenação da sociedade brasileira, 
que se encontrava em mudança na década de 1940, incluindo o auxílio ao 
adolescente em suas escolhas profissionais.
• A partir de 1980 surgiram questionamentos sobre a função de Orientação 
Educacional, desencadeados a partir da situação constatada na década de 1970.
• O orientador educacional começa a participar de todos os momentos da escola, 
discutindo questões curriculares, como os objetivos, procedimentos, critérios de 
avaliação, metodologias de ensino, demonstrando sua preocupação com os alunos 
e o processo de aprendizagem.
• Na escola, o orientador educacional consiste no profissional que compõe a 
equipe de gestão, trabalhando diretamente com os estudantes, ajudando-os em 
seu desenvolvimento pessoal em parceria com os professores.
• No Ensino Médio, o orientador educacional atua acompanhando os estudantes 
na orientação profissional. Viabiliza estratégias para que os estudantes vivenciem, 
explorem e decidam sobre o caminho que pretendem seguir.
90
AUTOATIVIDADE
1 A função de orientação educacional passou por modificações ao longo do 
período de mudanças sociais, que interferiram também nas formas de agir e 
pensar o contexto educacional. Desta forma, analise e assinale a alternativa que 
apresenta o surgimento da profissão de orientador educacional.
a) ( ) Surgiu para auxiliar na orientação profissional dos adolescentes.
b) ( ) O início foi devido à reforma do ensino com a influência da Escola 
Nova.
c) ( ) Os orientadores educacionais vieram para substituir os psicólogos 
escolares.
d) ( ) Sua primeiraatuação foi decorrente dos processos seletivos para 
entrada nas universidades.
2 Para o exercício da função de orientador educacional há necessidade de uma 
formação adequada, que supra as exigências vivenciadas no cotidiano escolar. 
Reflita sobre a influência da atual LDB de 1996 sobre a formação do orientador 
educacional, nas seguintes alternativas:
I- A formação do orientador educacional e de outros especialistas se dará por 
meio do curso de Pedagogia.
II- Para o exercício da função de orientador educacional a formação se dará a 
nível de pós-graduação.
III- O orientador educacional necessita ter experiência de no mínimo dez anos 
de professor na escola.
IV- O orientador educacional precisa apresentar cursos de formação continuada 
e qualquer licenciatura.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I, II
b) ( ) I, IV
c) ( ) II, III
d) ( ) II, IV
3 O orientador educacional desenvolve suas ações em toda a Educação Básica, 
desde a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio. Assim, analise e 
descreva sobre as práticas que o orientador desenvolve em cada modalidade 
de ensino: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio.
4 (ENADE – PEDAGOGIA, 2014) O papel da teoria é oferecer aos professores 
perspectivas de análises para compreenderem os contextos históricos, sociais, 
culturais, organizacionais e de si mesmos como profissionais, nos quais se 
dá sua atividade docente, para neles intervir, transformando-os. Por isso, é 
fundamental o permanente exercício da crítica das condições materiais em 
91
que o ensino ocorre. O desenvolvimento desse processo é possibilitado pela 
atividade de pesquisa, que se inicia com a análise e a problematização das 
ações e das práticas, confrontadas com as explicações teóricas sobre elas, com 
experiências de outros atores e olhares de outros campos de conhecimento, com 
os objetivos que se pretendem e com as finalidades da educação na formação da 
sociedade humana.
FONTE: PIMENTA, S. G.; LIMA, M. S. L. Estágio e docência: diferentes concepções. Revista Poiesis. 
São Paulo, V. 3, n. 3 e 4, 2005/2006, p. 5-24 (adaptado).
5 As autoras corroboram o estabelecido nas Diretrizes Curriculares para o 
curso de Pedagogia ao afirmarem que, por meio de estudos teórico-práticos, 
investigação e reflexão crítica, são propiciadas ao egresso, entre outras funções, 
as de planejamento, execução e avaliação de atividades educativas.
Com base nessas indicações, infere-se que é necessário implementar, na escola, 
momentos coletivos dedicados a estudos, pesquisas e planejamento, com o 
objetivo de que professores e gestores possam melhor compreender as situações 
de ensino-aprendizagem.
Com relação a esse contexto, avalie as afirmações a seguir.
I- Os professores e a equipe pedagógica devem realizar um diagnóstico da 
comunidade com a qual trabalham, estabelecer ações pedagógicas coletivas 
por meio de estudos teóricos e práticos e assumir, coletivamente, sua função 
social frente aos educandos.
II- Os professores devem elaborar planejamentos flexíveis, instrumentos 
avaliativos que contribuam para a formação humana e romper com 
práticas avaliativas direcionadas à simples classificação meritocrática dos 
educandos.
III- Os professores devem elaborar planejamentos individualizados, 
considerando o que é específico de cada turma, e aplicar provas ao final de 
cada bimestre, reestruturando continuamente sua prática pedagógica.
IV- Os professores e a equipe pedagógica devem elaborar plano de ação coletivo, 
centrado no processo de ensino-aprendizagem e realizar avaliações no que 
tange não somente à aprendizagem, mas também ao ensino.
V- Os professores devem decidir individualmente o melhor caminho a seguir 
no processo de ensino-aprendizagem, para tomar decisões, mesmo sem 
conhecer as necessidades de sua turma.
É correto apenas o que se afirma em: 
a) ( ) I, II e IV.
b) ( ) I, III e V.
c) ( ) I, IV e V.
d) ( ) II, III e IV.
92
93
TÓPICO 3
SUPERVISOR PEDAGÓGICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, prosseguimos nossos estudos sobre alguns protagonistas que 
atuam juntamente na gestão escolar. Neste tópico, abordaremos sobre o supervisor 
pedagógico. Pretendemos discorrer sobre um breve contexto histórico da função, 
do início do supervisor no mundo fabril sendo repassado para o contexto escolar, 
como supervisor pedagógico. 
Ao longo da leitura pretendemos evidenciar as características da função 
e as distintas fases que trouxeram especificidades de acordo com cada época 
social para a profissão de supervisor pedagógico. Apontaremos, também, sobre a 
importância do trabalho do supervisor na formação continuada dos professores, 
com a comunidade escolar e na organização dos projetos pedagógicos.
2 PERCURSO HISTÓRICO DA SUPERVISÃO EDUCACIONAL 
NO BRASIL
O termo supervisão surgiu no período da Revolução Industrial, para 
assegurar a produção quantitativa e qualitativa em menor tempo nas indústrias. 
Na época, os supervisores atuavam na orientação dos profissionais para que 
conseguissem exercer suas funções de forma produtiva na indústria e no comércio. 
Dessa forma, seu surgimento se deve à necessidade da vigilância e controle dos 
profissionais nos modos de produção, com funções específicas baseadas em 
planejar, comandar e controlar.
94
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
FIGURA 24 - SUPERVISÃO FABRIL
FONTE: Disponível em: <http://www.realsafety.org/2014/11/safety-supervisors-the-5-
most-common-mistakes/>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Segundo Lima (2001), a partir da organização dos trabalhos desenvolvidos 
nas indústrias, a função de supervisor alcançou outros campos de atuação, como 
militar, esportivo, político e educacional. Na época, a intenção de todas as áreas 
que estruturaram a função de supervisor era alcançar seus objetivos e metas na 
realização dos trabalhos.
O primeiro registro legal sobre a atuação do supervisor escolar no Brasil 
foi em 1931, esses executavam as normas prescritas pelos órgãos superiores, 
chamados de orientadores pedagógicos ou orientadores de escola, tendo como 
função básica a inspeção. No final da década de 1950 e início da década de 1960, um 
acordo firmado entre o Brasil e os Estados Unidos da América para implantação 
do Programa de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE) 
determinou a atuação do supervisor escolar para o controle e inspeção (ANJOS, 
1988).
Na década de 1970, os supervisores educacionais passaram a desenvolver 
ações relativas ao inspetor escolar, voltadas para o controle e execução dos 
trabalhos. Nesse período passa a ser atribuída ao supervisor educacional uma 
TÓPICO 3 | SUPERVISOR PEDAGÓGICO
95
função sistematizada, contribuindo para o funcionamento das instituições escolares, 
interligando os diversos setores educacionais. Para o exercício da função, surge a 
necessidade de qualificações técnicas, acadêmicas, com formação específica para o 
cargo (ANJOS, 1988). Segundo Saviani (2003, p. 14):
[...] a ação supervisora passa da condição de função para a de profissão, 
pela mediação da ideia de supervisão. Com efeito, para que uma função 
seja organizada como profissão é preciso que ela seja destacada do âmbito 
em que opera, o que implica um processo de abstração no qual a ideia é 
construída. Nesse processo a função é definida, isto é, identifica-se o que é 
próprio dela e que a distingue das demais, especificando-se os seus atributos.
Desta forma, surge a necessidade da preparação profissional específica 
para o desenvolvimento da função de supervisor educacional com conhecimentos 
necessários para o desenvolvimento de uma profissão que advém do mundo fabril 
para o educacional. Nesse sentido, surge a necessidade de saberes próprios da 
profissão que atuará internamente na área educacional, mais precisamente nos 
ambientes escolares.
Saviani (2003) aponta que o Parecer do Conselho Federal de Educação 
nº 252/69 contribuiu para a legalização da profissão de supervisor educacional. 
O Parecer, respaldado na Lei nº 5.540/68,da Reforma Universitária, atuou na 
reformulação do curso de Pedagogia, indicando a necessidade da especialização 
com habilitações de inspeção, administração, supervisão e orientação. 
A nova estrutura do curso de Pedagogia decorrente do Parecer nº 
252/69 abria, pois, claramente a perspectiva de profissionalização 
da supervisão educacional na esteira da orientação educacional, cuja 
profissão já havia sido regulamentada por meio da Lei 5.564, de 21 de 
dezembro de 1968 [...], com efeito, estavam preenchidos dois requisitos 
básicos para se constituir uma atividade com o status de profissão: A 
necessidade social, isto é, um mercado de trabalho permanente [...] e a 
especificação das características da profissão ordenadas em torno de um 
mecanismo, também permanente, de preparo dos novos profissionais, o 
que se traduziu no curso de Pedagogia reaparelhado para formar, entre 
os vários especialistas, o supervisor educacional (SAVIANI, 2003, p. 31).
Assim, o curso de Pedagogia formaria os profissionais da educação para 
exercerem certas funções técnicas, como administração, orientação, supervisão, 
exercidas pelo profissional habilitado como professor. Naquela época, o Brasil 
vivia a ditadura e os profissionais com as funções de administração, orientação e 
supervisão deveriam fiscalizar o trabalho desenvolvido pelos professores.
Na década de 1980 o país vivenciou um momento crítico da educação, 
fundamentado nas reflexões sobre o contexto educacional brasileiro. Nesse período, 
a atuação do supervisor educacional sofreu críticas referentes ao desenvolvimento 
de seus trabalhos. Ferreira (2003, p. 78) contribui afirmando que: “Na década 
de 80, a crise socioeconômica e a Nova República dão início a uma nova fase, a 
luta operária ganha força e os professores lutam pela reconquista do direito de 
participar da definição da política educacional e da luta pela recuperação da escola 
96
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
pública”.
A década de 1980 foi marcada pela pós-ditadura, um período onde os 
profissionais da educação lutaram pela recuperação da escola pública, incidindo 
na promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação/96 (BRASIL, 1996).
FIGURA 25 - ATUAÇÃO DO SUPERVISOR PEDAGÓGICO
FONTE: Disponível em: <http://clickgratis.blog.br/gestaoIIpolonf/534377/o-papel-do-
supervisor-escolar.html>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Desta forma, a década de 1990, com a promulgação da Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional n° 9.394, de 20/12/1996, estrutura uma nova atuação da 
supervisão educacional. O supervisor educacional passa a contribuir na produção 
de novos conhecimentos, favorecendo ambientes para a construção de processos 
de ensino e aprendizagem, objetivando os fazeres pedagógicos. A LDB n° 9.394/96 
assegura aos supervisores educacionais práticas como assessoramento, apoio, 
colaboração, auxílio técnico e cooperação, deixando a função de inspetor para um 
mediador de mudanças e transformações nas escolas (BRASIL, 1996).
3 FASES DA SUPERVISÃO EDUCACIONAL
Ao longo do percurso histórico da função de supervisor educacional, o 
profissional assumiu funções distintas em cada época de atuação. Desta forma, 
passou por três fases: fiscalizadora, construtivista e criativa (NÉRICI, 1978).
TÓPICO 3 | SUPERVISOR PEDAGÓGICO
97
FIGURA 26 - FASES DA FUNÇÃO DE SUPERVISOR EDUCACIONAL
FONTE: Nérici (1978)
Assim como podemos observar no organograma, a função de supervisor 
educacional, segundo Nérici (1978), passou por algumas fases com características 
distintas:
• Fase Fiscalizadora: Nesta fase, a função de supervisão educacional estava 
associada à inspeção escolar. O trabalho direcionado para a função técnica e 
administrativa prezava o cumprimento das leis de ensino, condições físicas do 
prédio, situações legais dos professores, cumprimento das ações desenvolvidas 
nas atividades escolares, como provas, transferências, matrículas, férias, 
documentação dos estudantes e outras. Seguir determinações rígidas e 
inflexíveis, de forma generalizada para todo território nacional, desconsiderando 
as diversidades existentes em cada região ou instituição.
• Fase construtivista: Também conhecida como fase de supervisão orientadora, 
onde o supervisor exercia a função de orientador escolar. Os supervisores 
passam por uma expressiva modificação na forma de atuar em relação à fase 
anterior, iniciam os questionamentos sobre a necessidade de se pensar em 
melhorias na atuação dos professores. Surgem os cursos de aperfeiçoamento, 
capacitação e atualização docente, buscando novos conceitos e metodologias 
para aprimorar o trabalho educativo.
• Fase criativa: A função de supervisor educacional se desvincula da inspeção 
escolar. Assumem uma função com objetivo de agir no aprimoramento 
do processo de ensino e aprendizagem. Iniciam um trabalho que inclui a 
participação de todos os envolvidos na escola, nas decisões de forma cooperativa 
e democrática.
98
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
O supervisor educacional exerce uma função de liderança, ocupa um cargo 
que compõe a equipe da gestão da escola, juntamente com os outros profissionais, 
como o diretor da escola, orientador e coordenador. Desta forma, sua ação pode 
ocorrer de dois tipos, segundo Nérici (1978), baseados na sua forma de pensar e 
conceber as relações que se estabelecem com a comunidade escolar.
Como podemos observar, a supervisão pode acontecer de forma autocrática 
ou democrática. Na supervisão escolar autocrática ocorre o desenvolvimento da 
ação autoritária do supervisor, determinando ordens, sugestões e direções para 
a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem. O supervisor age como se 
conseguisse controlar todos os processos desenvolvidos na escola, buscando 
soluções para as dificuldades. Atua com autoridade e intimidação, ignorando 
a cooperação e as relações interpessoais que se estabelecem entre os outros 
profissionais no contexto escolar (NÉRICI, 1978).
A supervisão escolar democrática, ao contrário, preza a liberdade de 
expressão, respeito, compreensão, criatividade e a parceria entre todos os 
envolvidos na comunidade escolar. O trabalho desenvolvido pelo supervisor segue 
um parâmetro democrático, considerando as contribuições de todos os envolvidos 
quando necessita assumir alguma decisão. Sobretudo, respeita a individualidade 
de cada profissional que atua na escola, estimula a iniciativa e criatividade, 
desenvolve as relações interpessoais considerando as características singulares do 
grupo no processo de ensino e aprendizagem (NÉRICI, 1978).
 A função do supervisor educacional passou por vários momentos na 
história da educação, em cada período exercendo de forma específica a organização 
social. A princípio a função foi exercida por administradores e professores, sem 
formação ou conhecimento específico para a profissão. Com o passar do tempo 
e a promulgação das leis nacionais, o supervisor educacional passou a ser um 
profissional especializado, com uma atuação voltada para a garantia de qualidade 
nos processos de ensino e aprendizagem.
TÓPICO 3 | SUPERVISOR PEDAGÓGICO
99
4 ATUAÇÃO DO SUPERVISOR EDUCACIONAL NA 
CONTEMPORANEIDADE
A atuação do supervisor educacional destina-se ao acompanhamento 
dos processos de ensino e aprendizagem, desenvolvidos no contexto da escola. 
Assim, segundo Alarcão (2001), existem nos sistemas de ensino do país diversas 
nomenclaturas para definir o supervisor que atua nas escolas: supervisor escolar; 
supervisor educacional; coordenador pedagógico; supervisor pedagógico. 
A função do supervisor educacional, atualmente, encontra-se voltada para 
a coordenação do trabalho pedagógico, articulando os conhecimentos, liderança 
e o envolvimento no processo de ensino e aprendizagem, juntamente com a 
comunidade escolar. Desta forma, o supervisor educacional se encontra na fase 
criativa, objetivando a coordenação dos trabalhos desenvolvidos na escola.
Przybylski (1982) aponta o conceito de supervisão educacionalcomo uma 
forma de orientação e acompanhamento dos processos de ensino, observando e 
assessorando os professores para uma atuação educativa junto aos estudantes.
Supervisão escolar é o processo que tem por objetivo prestar ajuda 
técnica no planejamento, desenvolvimento e avaliação das atividades 
educacionais em nível de sistema ou unidade escolar, tendo em 
vista o resultado das ações pedagógicas, o melhor desempenho e o 
aprimoramento permanente do pessoal envolvido na situação ensino-
aprendizagem (PRZYBYLSKI, 1982, p. 16).
Nesse sentido, a função do supervisor educacional passa a ser uma 
referência para a comunidade escolar, enquanto responsável pela coordenação 
do trabalho pedagógico. Exerce uma ação de líder, responsável pela articulação 
dos conhecimentos e saberes dos professores em relação às propostas educativas 
da escola. Atua também como mobilizador da equipe escolar, intencionando a 
melhoria do trabalho pedagógico. Para Balzan (1983), a ação desenvolvida pelo 
supervisor diz respeito à sua concepção quanto ao contexto social, transcendendo 
o espaço da sala de aula. O autor afirma ainda que o supervisor necessita:
compreender que os problemas com os quais ele e os demais educadores 
vêm se defrontando, embora manifestos em salas de aulas, têm suas 
raízes além do ensino, do currículo e mesmo da área educacional, são 
parte de um contexto mais amplo: social, político, econômico e cultural 
(BALZAN, 1983, p. 41). 
Desta forma, o supervisor será o responsável por buscar alternativas para 
suprir as necessidades educacionais apresentadas no contexto escolar. Atuando 
de forma criativa, buscará parcerias com os outros profissionais que compõem a 
comunidade escolar, estabelecendo uma relação dialógica sobre as dificuldades 
encontradas. Assim, agirá como facilitador do desenvolvimento de projetos 
coletivos na escola, de forma democrática, inserindo os professores, estudantes e a 
comunidade nos trabalhos desenvolvidos no contexto educativo. 
100
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
FIGURA 27 - FUNÇÃO DO SUPERVISOR PEDAGÓGICO
FONTE: Disponível em: <https://pt.slideshare.net/AnaMarciaCostaTimoti/
estatuto-da-apm-ana-marcia-timoti>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Atualmente, o supervisor educacional apresenta uma função interligada 
com a concepção de mudança, referente às novas propostas curriculares. Nesse 
sentido, uma das ações da supervisão consiste em assumir a responsabilidade pela 
formação continuada dos professores desenvolvida na escola. Necessita intervir 
para que encontros aconteçam, buscando momentos de reflexão dos professores 
quanto às suas ações teóricas e práticas, ao complexo processo de ensino e 
aprendizagem.
Tal reflexão, via de regra, produz melhores resultados quando estimulada 
e conduzida por alguém reconhecidamente experiente, capaz de 
transformar o processo de reflexão individual em um processo coletivo, 
de tal sorte que na busca de novos caminhos se transforme numa ação 
orientada para objetivos mais amplos assumidos coletivamente pelo 
grupo (ALONSO, 2003, p. 177). 
O desenvolvimento da formação continuada consiste numa tarefa 
desafiadora para o supervisor, mas necessária para a efetivação do desenvolvimento 
de práticas inovadoras. Como um momento em que os professores possam 
exteriorizar suas aspirações, dúvidas, troca de experiências e materiais pedagógicos. 
Nesse sentido, a função de supervisor educacional exige certas competências que 
são necessárias para a concretização dos objetivos educacionais, necessitando de 
paciência, compreensão, aceitação, empatia, colaboração e outros que designam 
aspectos para o desenvolvimento positivo das relações interpessoais. 
TÓPICO 3 | SUPERVISOR PEDAGÓGICO
101
FIGURA 28 - ATUAÇÃO DO SUPERVISOR EDUCACIONAL
FONTE: A autora
Como podemos observar, a atuação da supervisão educacional compreende 
várias atividades desenvolvidas juntamente aos professores, comunidade escolar, 
na formação continuada e em projetos educacionais. Estudamos, até o momento, 
que a função de supervisor educacional deveria se pautar na observação, 
compreensão e construção de atitudes e relacionamentos para além do sistema 
conservador de ensino. Necessita perceber sua atuação não como um simples ato de 
execução de tarefas, mas como uma ação eficiente, criativa, dinâmica, interagindo 
e contribuindo para o desenvolvimento do ambiente educacional.
DICAS
Para conhecer mais sobre o conceito 
de formação continuada ou formação de 
professores, acesse o vídeo intitulado "Por uma 
boa formação de professores", de António Nóvoa. 
Você irá se surpreender com a fala do estudioso 
que escreveu vários livros sobre o assunto. Confira! 
Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=SXcEuowXf-c>. Acesso em: 30 maio 2017.
102
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• O termo supervisão surgiu no período da Revolução Industrial, para assegurar 
a produção quantitativa e qualitativa em menor tempo nas indústrias. Na época, 
os supervisores atuavam na orientação dos profissionais para que conseguissem 
exercer suas funções de forma produtiva na indústria e no comércio.
• O primeiro registro legal sobre a atuação do supervisor escolar no Brasil foi em 
1931, e executavam as normas prescritas pelos órgãos superiores, chamados de 
orientadores pedagógicos ou orientadores de escola, tendo como função básica a 
inspeção.
• A LDB n° 9.394/96 assegura aos supervisores educacionais práticas como 
assessoramento, apoio, colaboração, auxílio técnico e cooperação, deixando a 
função de inspetor para um mediador de mudanças e transformações nas escolas.
• O supervisor educacional exerce uma função de liderança, ocupa um cargo 
que compõe a equipe da gestão da escola, juntamente com os outros profissionais, 
como o diretor da escola, orientador e coordenador.
• A função do supervisor educacional, atualmente, encontra-se voltada para a 
coordenação do trabalho pedagógico, articulando os conhecimentos, liderança 
e o envolvimento no processo de ensino e aprendizagem, juntamente com a 
comunidade escolar.
103
1 O supervisor educacional apresentou um contexto histórico com 
especificidades que delinearam o exercício de sua função. Reflita sobre o 
surgimento do termo supervisão e assinale a alternativa correta.
a) ( ) Surgiu no período da Revolução Industrial com o propósito de 
assegurar a produção quantitativa e qualitativa em tempo reduzido nas 
indústrias.
b) ( ) Iniciou juntamente com os trabalhos desenvolvidos pelos padres 
jesuítas, auxiliando nas atividades de controle dos indígenas.
c) ( ) Os primeiros supervisores pedagógicos ocupavam a função de gestor 
escolar, supervisionando os recursos financeiros e humanos.
d) ( ) O supervisor educacional surgiu da necessidade de especialistas para 
atenderem à demanda da comunidade para ouvir as dificuldades.
2 Ao longo do percurso histórico da função de supervisor educacional, o 
profissional assumiu funções distintas em cada época de atuação. Desta forma, 
analise e descreva as características que conceituam as três fases: fiscalizadora, 
construtivista e criativa.
3 O supervisor educacional exerce uma função de liderança, ocupa um 
cargo que compõe a equipe da gestão da escola juntamente com os outros 
profissionais, como o diretor da escola, orientador e coordenador. Nesse 
sentido, reflita sobre as formas de atuação do supervisor e relacione as 
alternativas:
I- Supervisão escolar autocrática
II- Supervisão escolar democrática
( ) Propõe a liberdade de expressão, respeito, compreensão e favorece o 
desenvolvimento da criatividade no grupo escolar.
( ) O supervisor atua de forma autoritária, determinando ordens e 
direcionando os trabalhos educativos.
( ) Controla todos os processos desenvolvidos na escola, buscando soluções 
para as dificuldades encontradas.
( ) Considera as contribuições de todos os envolvidos nos processos 
desenvolvidos na escola.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) II, I, I, II
b) ( ) I, II, II, I
c) ( ) II,I, II, I
d) ( ) I, II, I, II
AUTOATIVIDADE
104
4 (ENADE - PEDAGOGIA, 2014) O grande desafio das escolas é a 
aprendizagem dos alunos. À organização escolar cabe elevar a qualidade dessa 
aprendizagem. Diante disso, o docente deve atuar para atingir esse objetivo, o 
que exige, cada vez mais, formação de qualidade.
Considerando esse tema, avalie as afirmações a seguir.
I- As políticas educacionais de formação de educadores devem priorizar 
a formação continuada, complementar ao exercício profissional é 
responsabilidade de cada professor.
II- Nos processos de formação docente devem ser desenvolvidas competências 
e habilidades relacionadas à organização e gestão escolar, além das que 
dizem respeito ao trabalho pedagógico e aos aspectos éticos e de relações 
interpessoais.
III- O preparo profissional docente requer apropriação e mobilização de 
conhecimentos que se relacionam com ensino e conteúdos, avaliação da 
aprendizagem, gestão de sala de aula e valores e normas de convivência 
social e coletiva.
É correto o que se afirma em: 
a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
c) ( ) I e III, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
105
TÓPICO 4
COORDENADOR PEDAGÓGICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, chegamos ao último tópico da Unidade 2, o qual aborda sobre 
os protagonistas que constituem a gestão escolar. Neste tópico, abordaremos 
sobre as características da função de coordenador pedagógico. Na leitura do 
tópico anterior você conheceu o processo de constituição da função de supervisor 
educacional, que ao longo do processo histórico na educação sofreu algumas 
mudanças. De fato, a partir do momento em que deixou de desempenhar a função 
de inspetor escolar e assumiu a coordenação dos trabalhos pedagógicos, recebeu 
outra denominação de acordo com sua atual função: coordenador pedagógico.
Contudo, você perceberá que em algumas escolas ainda existem as funções 
de orientador, supervisor e coordenador, mas também, que em outras somente há o 
coordenador pedagógico atuando nos trabalhos de orientador e supervisor. Como 
isso aconteceu? A resposta para esse questionamento você descobrirá na leitura 
deste tópico, juntamente com os conceitos sobre conselho de classe participativo, 
uma das atividades atribuídas ao coordenador pedagógico no exercício de sua 
função no contexto escolar. 
2 CONTEXTO HISTÓRICO E ATUAÇÃO DA COORDENAÇÃO 
PEDAGÓGICA
A função de coordenador pedagógico advém da supervisão pedagógica, 
surgindo nas habilitações do curso de Pedagogia, mediante a promulgação da LDB 
nº 9.394/96. Em decorrência das mudanças que a sociedade vivenciou nas últimas 
décadas, com os processos de globalização e alterações nas formas de pensar e 
conceber os processos políticos, sociais e culturais, a conjuntura educacional também 
foi afetada. Nesse sentido, o supervisor educacional deixa de ser o inspetor escolar 
para assumir uma postura de coordenação dos trabalhos educativos. Surgem as 
novas nomenclaturas para os então denominados orientadores e supervisores: 
coordenador pedagógico ou professor coordenador pedagógico. Apesar de que em 
algumas instituições ainda utilizam os termos supervisor, orientador ou inspetor 
(FERREIRA, 1998).
De acordo com Placco (2002), o trabalho desenvolvido atualmente pelo 
coordenador pedagógico, no passado era desenvolvido por mais de um profissional 
com terminologias diferentes, de acordo com cada contexto educacional. Outrora 
havia dois profissionais na escola: o supervisor e o orientador, cada um com 
atividades específicas quanto à sua função. O supervisor educacional assessorava 
106
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
os professores e o orientador pedagógico auxiliava no atendimento aos estudantes. 
Essa divisão ainda ocorre em algumas escolas no país, mas não de forma 
generalizada, onde em muitos lugares há somente um profissional para exercer 
ambas as funções – o coordenador pedagógico.
FIGURA 29 - EQUIPE GESTORA E O COORDENADOR PEDAGÓGICO
FONTE: Disponível em: <http://escolaarmandocamposbelo.blogspot.com.br/2013/04/o-papel-
do-coordenador-pedagogico.html>. Acesso em: 23 mar. 2017.
O coordenador pedagógico faz parte da equipe gestora da escola, com 
atribuições voltadas na perspectiva da participação dos professores e comunidade 
escolar (DOURADO, 2002). 
Esse profissional tem que ir além do conhecimento teórico, pois para 
acompanhar o trabalho pedagógico e estimular os professores é preciso 
percepção e sensibilidade para identificar as necessidades dos alunos e 
professores, tendo que se manter sempre atualizado, buscando fontes de 
informação e refletindo sobre sua prática. Como nos fala Novoa (2001), 
“a experiência não é nem formadora nem produtora. É a reflexão sobre a 
experiência que pode provocar a produção do saber e a formação”. Com 
esse pensamento ainda é necessário destacar que o trabalho deve acontecer 
com a colaboração de todos, assim o coordenador deve estar preparado 
para mudanças e sempre pronto a motivar sua equipe. Dentro das diversas 
atribuições está o ato de acompanhar o trabalho docente, sendo responsável 
pelo elo de ligação entre os envolvidos na comunidade educacional. A 
questão do relacionamento entre o coordenador e o professor é um fator 
crucial para uma gestão democrática. Para que isso aconteça com estratégias 
bem formuladas o coordenador não pode perder seu foco (NOGUEIRA, 
2008, p. 1).
Podemos afirmar que a atuação do coordenador pedagógico se constitui 
de forma ampla, envolvendo diversas questões. Vasconcellos (2006, p. 84) aponta 
alguns eixos do trabalho desenvolvido pelo coordenador, quanto ao “currículo, 
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
107
construção do conhecimento, aprendizagem, relações interpessoais, ética, 
disciplina, avaliação da aprendizagem, relacionamento com a comunidade, 
recursos didáticos”.
Para Nogueira (2008), o coordenador pedagógico necessita desenvolver 
ações de parceria com os demais profissionais. Somente desenvolvendo as 
relações interpessoais positivas, conseguirá assessorar o trabalho pedagógico. Há 
necessidade de o coordenador pedagógico compreender os desafios atuais que 
a escola enfrenta, “a complexidade da sociedade e do conhecimento, as recentes 
reformas educacionais, os problemas e as contradições da escola e da prática 
escolar, ao lado das mudanças do perfil e das necessidades dos alunos e da 
formação precária e inadequada dos educadores” (PLACCO, 2002, p. 97). Além 
das mudanças sociais constantes que o mundo globalizado vivencia, juntamente 
com as novas tecnologias de informação e redes corporativas. 
O coordenador pedagógico, na definição de sua função, enfrenta alguns 
desafios para construir sua identidade profissional. Mesmo assim, necessita 
buscar sua identidade de atuação que transcende somente o trabalho na dimensão 
pedagógica. Grinspun (2003, p. 31) infere que o coordenador pedagógico “possui 
caráter mediador junto aos demais educadores, atuando com todos os protagonistas 
da escola no resgate de uma ação mais efetiva e de uma educação de qualidade nas 
escolas”. Infere ações que abrangem várias questões relacionadas aos trabalhos 
desenvolvidos na escola, juntamente com as interações que dispõem aos diversos 
atores educacionais.
FIGURA 30 - ATUAÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO
FONTE: A autora
108
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
Como podemos constatar no organograma, atualmente, o trabalho 
desenvolvido pelo coordenador pedagógico consiste numa ação complexa 
no ambiente escolar, resolve problemas emergenciais de vários âmbitos, atua 
nas dificuldades de relacionamento e aprendizagem dos estudantes, e ainda 
necessita auxiliar na formação dos professores (AUGUSTO, 2006). Desta forma, 
o coordenador pedagógico assume a função de um profissional de apoio para 
auxiliar o desenvolvimento das seguintes ações, segundo Vasconcellos (2006):
• Acolher o professor em sua realidade, em suas angústias; dar “colo”: 
reconhecimento das necessidades e dificuldades. A atitude de acolhimentoé 
fundamental também como uma aprendizagem do professor em relação ao 
trabalho que deve fazer com os alunos.
• Fazer a crítica dos acontecimentos, ajudando a compreender a própria 
participação do professor no problema, a perceber as suas contradições (e não 
as acobertar).
• Trabalhar em cima de ideias de processo de transformação.
• Buscar caminhos alternativos, fornecer materiais, provocar para o avanço.
• Acompanhar a caminhada no seu conjunto, nas suas várias dimensões. 
Para conseguir exercer seus trabalhos com qualidade educacional, o 
coordenador necessita desenvolver uma relação de parceria junto à equipe pedagógica. 
Precisa realizar um diagnóstico para identificar a realidade de sua comunidade, para 
conseguir propor um atendimento que auxilie os estudantes e professores no processo 
educativo. Sua ação precisa ser diagnóstica e investigativa, considerando o contexto 
social, cultural e histórico da comunidade escolar (LIBÂNEO, 2001).
3 ATUAÇÃO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NA 
FORMAÇÃO CONTINUADA 
O coordenador pedagógico também responde pelos processos de 
formação continuada e pelas orientações quanto às concepções de teoria e 
prática dos professores, desenvolvidos no contexto educacional. Sua atuação 
perpassa em direcionar as ações pedagógicas, atuando de modo a suscitar por 
transformações no cotidiano escolar, por formações em serviço para os professores 
e no acompanhamento aos recém-graduados. O coordenador pedagógico precisa 
articular e mediar ações para a formação continuada dos professores considerando 
as novas formulações educacionais, incluindo as legislações (OLIVEIRA, 2009). 
No desenvolvimento dos trabalhos de formação continuada, o coordenador 
necessita respeitar a individualidade e os saberes de cada professor, incluindo 
a diversidade de posicionamentos que acabam surgindo nas discussões sobre 
os temas de estudo. No desenvolvimento das habilidades necessárias para os 
momentos de formação continuada, o coordenador precisa buscar formas de 
atualização, capacitação e formação permanente. 
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
109
FIGURA 31 - COORDENADOR PEDAGÓGICO E A FORMAÇÃO CONTINUADA
FONTE: Disponível em: <http://estrategia-e-resultado.com/cursos/formacao-pedagogica/>. 
Acesso em: 23 mar. 2017.
O coordenador precisa considerar o contexto de totalidade, coletividade 
e complexidade da equipe pedagógica para conseguir desenvolver um trabalho 
promissor. Deve considerar que não há um manual de instrução pronto, mas 
alternativas centradas no constante processo de ação-reflexão-ação, ou seja, na 
atuação, depois um momento de reflexão para ponderar sobre os fatos, resultados, 
relatos e dúvidas dos professores, para depois repensar outros passos de ações. 
Esse movimento ocorre continuamente e oferece suporte para que o trabalho do 
coordenador se baseie numa ação refletida. 
Para o desenvolvimento das ações do coordenador, há necessidade de 
considerar alguns aspectos, de acordo com Lima e Santos (2007):
• O conhecimento e a experiência pedagógica dos professores.
• O princípio da “construção coletiva”, considerando as diferenças e tensões 
existentes entre todos aqueles que convivem na instituição, compreendendo 
que as situações vividas ocorrem num tempo de longa duração, bem como as 
histórias de vida de cada professor. 
• Uma metodologia de trabalho que possibilite aos professores e aos coordenadores 
atuarem como protagonistas, sujeitos ativos no processo de identificação, 
análise e reflexão acerca dos problemas existentes na instituição e na elaboração 
de propostas para sua superação.
110
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
FIGURA 32 - ETAPAS DO TRABALHO DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
FONTE: Lima e Santos (2007)
Como podemos observar, o coordenador pedagógico, segundo Lima e 
Santos (2007, p. 87), no exercício de sua função junto à equipe pedagógica, necessita 
ter a clareza sobre três etapas:
a) Compreensão da realidade da instituição. 
b) Análise das raízes dos problemas (compreendendo a realidade escolar).
c) Elaboração e proposição de formas de intervenção de ação coletiva. 
Exercer um trabalho baseado na diversidade, de forma democrática, com 
respeito, consciência e o comprometimento de todos os envolvidos no processo 
educativo. Freire (1982) aponta que o coordenador pedagógico, primeiramente, 
consiste em um educador, com os saberes inerentes à profissão de professor. Desta 
forma, necessita de máxima atenção quanto aos aspectos de caráter pedagógico 
das relações que incidem nos processos de ensino e aprendizagem na escola. 
Somente assim conseguirá conduzir os professores a repensarem sobre suas 
práticas, resgatando a autonomia docente juntamente com o desenvolvimento do 
trabalho coletivo.
4 CONSELHO DE CLASSE: MOMENTO DE REFLEXÃO SOBRE 
AS AÇÕES EDUCATIVAS
Os primeiros conselhos de classe foram organizados na década de 1940, na 
França, com o objetivo de desenvolverem um trabalho interdisciplinar no contexto 
escolar. No Brasil, essa experiência foi trazida na década de 1950, no período do 
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
111
escolanovismo, tornando-se oficialmente uma prática escolar a partir da década 
de 1970. Os conselhos de classe passaram a constituir momentos ou instâncias 
avaliativas da aprendizagem dos alunos, normatizados pelos regimentos das 
instituições educacionais (ROCHA, 1989 apud DALBEN, 2010). 
O conselho de classe consiste numa instância colegiada composta por 
professores de diversos componentes curriculares de uma mesma turma, em 
conjunto com a coordenação pedagógica, coordenadores de curso e representantes 
dos estudantes. De acordo com Pizoli (2009, p. 6914): “Para que o Conselho de 
Classe se aproxime da sua real função, que é proporcionar crescimento intelectual 
para os alunos com dificuldades, é necessário que a discussão esteja voltada para 
a avaliação do trabalho pedagógico, visando à recondução das ações pedagógicas 
de forma planejada”.
Desta forma, as discussões que nortearão os trabalhos desenvolvidos durante 
o conselho de classe devem pautar sobre a avaliação do trabalho pedagógico. Para 
tanto, há necessidade da participação de todos os membros presentes, pensando 
e discutindo sobre a recondução da prática educativa, indicando caminhos para 
o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem para uma educação 
de qualidade. Sobre o Conselho de Classe, Dalben (2004, p. 16) aponta que “[...] 
guarda em si a responsabilidade de articular os diversos segmentos da escola e 
tem por objeto de estudo a avaliação da aprendizagem e do ensino, eixos centrais 
do trabalho escolar”, objetivos principais das instituições educacionais. 
O Conselho de Classe consiste no órgão colegiado de gestão, como um espaço 
de avaliação dos alunos, do trabalho pedagógico e do desempenho da própria 
instituição educacional. A avaliação precisa se fundamentar numa concepção 
mediadora que está “[...] a serviço da aprendizagem do aluno, da formação, da 
promoção da cidadania” (HOFFMANN, 2001, p. 24). Ou seja, uma avaliação 
voltada para auxiliar os professores e os trabalhos desenvolvidos na escola, para 
a busca de melhorias do processo de ensino e aprendizagem. A partir das análises 
realizadas durante os Conselhos de Classe, por todos os envolvidos, consegue-se 
delimitar encaminhamentos visando à melhoria da prática pedagógica. 
O Conselho de Classe pode servir como uma forma de diagnóstico para 
identificar as mudanças que se fazem necessárias, visando a melhoria nas institui-
ções educacionais. Para Lora e Szymanski (2008, p. 2): “O Conselho de Classe tem
sido um instrumento de julgamento subjetivo do aluno, espaço em que se faz uma 
confirmação de impressões sobre os resultados obtidos por ele, deixando de lado 
outras questões pertinentes ao processo de ensino e aprendizagem”.
Desta forma, podemos analisar que o Conselho de Classe não configura 
um espaço para emissão de juízos de valor ou opiniões alheias, mas um momento 
voltado para a reflexão e discussão. 
112UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
FIGURA 33 - DIAGNÓSTICO DA TURMA
FONTE: Disponível em: <http://depositodocalvin.blogspot.com.br/2008/12/>. Acesso em: 23 mar. 2017.
Observando a charge, percebemos que a professora substituta, ao iniciar 
seu trabalho com a turma, baseia-se em anotações realizadas pela professora 
anterior, inferindo pré-julgamentos sobre alguns estudantes da turma. Desta 
forma, ao longo dos nossos estudos podemos constatar que o objetivo do 
Conselho de Classe não sustenta o relato de estereótipos sobre o fracasso escolar 
de estudantes e professores, mas sim, em um espaço propício para repensar a 
organização do trabalho pedagógico desenvolvido pelos professores, juntamente 
com os estudantes, norteados na proposta político-pedagógica da escola. 
No Conselho de Classe, o estudante passa a ser sujeito do seu processo 
de aprendizagem, contribuindo com aspectos sobre seus entendimentos, 
representando a turma e abordando sobre questões indicadas no pré-conselho. 
O Conselho de Classe não consiste somente no momento da reunião onde os 
representantes da comunidade escolar se fazem presentes, para discutirem e 
organizarem encaminhamentos para os assuntos abordados, ou seja, o Conselho 
de Classe na gestão democrática reflete nas práticas desenvolvidas por processos 
de autorreflexão. Uma “consciência histórica gera compromisso, faz-nos agentes 
de nossa história. Os educadores que acreditam numa educação transformadora se 
comprometem e modificam as estruturas escolares, das quais o Conselho de Classe 
faz parte” (LORENZONI et al., 2010, p. 5). 
Assim, Libâneo (2001, p. 303) aponta alguns aspectos que incidem sobre 
uma concepção ampliada do Conselho de Classe:
[...] instância que permite acompanhamento dos alunos, visando a um 
conhecimento mais minucioso da turma e de cada um e análise do 
desempenho do professor com base nos resultados alcançados. Tem a 
responsabilidade de formular propostas referentes à ação educativa, 
facilitar e ampliar as relações mútuas entre os professores, pais e alunos, 
e incentivar projetos de investigação.
Desta forma, pensando em um espaço para reunir pessoas com intenções 
de propor melhorias para as ações educativas, o Conselho de Classe participativo 
se constitui em algumas etapas. 
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
113
FIGURA 34 - ETAPAS QUE CONSTITUEM O CONSELHO DE CLASSE
FONTE: A autora
De acordo com o organograma, identificamos três etapas que constituem 
o Conselho de Classe: pré-conselho, conselho e pós-conselho. O pré-conselho 
consiste no diagnóstico, no levantamento de dados sobre o processo de ensino, 
realizado pelo professor regente da turma e/ou coordenador pedagógico. Para 
a realização dessa etapa, a equipe escolar pode organizar um instrumento para 
registro das considerações, informações que serão apontadas pela turma. Pizoli 
(2009) traz, como exemplo, algumas perguntas que podem ser utilizadas para o 
diagnóstico do pré-conselho:
Para os professores:
• Quais as dificuldades ou avanços com relação aos conteúdos? 
• Quais mudanças são necessárias com relação aos processos metodológicos e 
recursos didáticos?
• Que critérios de avaliação e instrumentos diferenciados podem ser utilizados 
em consonância com a metodologia utilizada, número de avaliações e valor 
atribuído? 
• Quais as novas intervenções pedagógicas ou recuperação de estudos (trabalhos 
feitos em grupo, pesquisas orientadas, entre outros) necessárias para a turma? 
114
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
Para os estudantes:
• Quais as dificuldades que a turma encontrou durante o bimestre/trimestre? 
• Quais os conteúdos mais difíceis? 
• Em quais aspectos a turma avançou? 
• Que ações concretas a turma pode adotar para superar as dificuldades? 
Segundo Brito (2015), no dia do Conselho de Classe, a reunião contará com a 
presença do diretor da escola, coordenador pedagógico, professores, alunos e pais. 
A coordenação pedagógica precisa organizar o calendário do Conselho de Classe 
na escola e a leitura do instrumento utilizado no pré-conselho, incorporando no 
documento o parecer de cada professor quanto às proposições levantadas.
 O coordenador pedagógico deverá direcionar os trabalhos do Conselho de 
Classe, que buscará assegurar democraticamente espaços para o diálogo quanto 
às observações e proposições dos professores, alunos e pais, definindo critérios 
para o bom andamento do conselho. Atuará na deliberação das intervenções 
e encaminhamentos que serão adotados, sendo registrados no formato de ata, 
assinada por todos os participantes. Quando alguma situação necessitar, a 
coordenação pedagógica poderá reunir os professores em outro momento de 
reunião, para novos encaminhamentos a serem adotados pela escola, sendo 
registrados e assinados em ata, a qual deverá ser retomada no conselho subsequente 
(BRITO, 2015).
O pós-conselho será o momento de reflexão e autocrítica, em que a 
equipe pedagógica, a partir da análise das atas do conselho, pensará em como 
redimensionar a sua prática, considerando o desenvolvimento da aprendizagem 
dos alunos. As decisões sobre o que foi acordado no Conselho de Classe, referentes 
ao instrumento aplicado no pré-conselho, deverão ser comunicadas aos estudantes 
pela equipe gestora da escola (BRITO, 2015).
O Conselho de Classe consiste em um dos processos que compõem os 
trabalhos desenvolvidos na escola, mas não deve ser entendido apenas como 
uma exigência burocrática. Consiste no momento de reunião em que vários 
representantes da comunidade escolar se debruçam para garantir a qualidade da 
avaliação e do processo educativo. A necessidade de se cumprir com as etapas 
de forma eficaz e com seriedade evidencia um empenho didático-pedagógico, 
organização de gestão, concepções de avaliação e proposição de soluções baseadas 
no respeito e ética profissional.
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
115
Questões sobre a organização do trabalho na escola
Selma Garrido Pimenta (Professora/Pesquisadora na Faculdade de Educação da 
Universidade de São Paulo - FEUSP)
O objetivo desta discussão é contribuir com supervisores de ensino, 
diretores de escola e professores na importante e urgente tarefa de construir um 
novo fazer da ação supervisora. Entendemos que este "novo" se volta no sentido 
de que a escola pública se qualifique cada vez mais na construção coletiva de seu 
Projeto Político-Pedagógico, cuja finalidade é formar no aluno o "novo cidadão". 
O texto parte do entendimento de que os sistemas de ensino existem como 
instrumentos que garantem a continuidade da ação educativa sistematizada e 
de que, por isso, todas as suas ações têm como meta possibilitar que as escolas 
cumpram suas finalidades. 
Iniciamos este trabalho explicitando o entendimento que temos de "novo 
cidadão" e como a Escola se coloca diante da exigência de formá-lo. Destacamos, 
a seguir, algumas questões sobre a organização do trabalho no seu interior, tais 
como o Projeto Político-Pedagógico, o trabalho coletivo, o conhecimento e as 
competências pedagógicas.
Por fim, discutimos algumas dificuldades e entraves a serem considerados. 
Finalidade da Educação Escolar - O "Novo Cidadão"
Formar o novo cidadão (o cidadão necessário) no aluno significa formá-lo 
com capacidade para ter uma inserção social crítica/transformadora na sociedade 
em que vive, ou seja, a sociedade civilizada, fruto e obra do trabalho humano, 
cujo elevado progresso evidencia as riquezas que a condição humana pode 
desfrutar, revela-se também uma sociedade contraditória, em que grande parte 
dos seres humanos está à margem dessa riqueza, dos benefícios do progresso, da 
humanização, enfim. Assim, educar na Escola significa ao mesmo tempo preparar 
as crianças e os jovens para se elevarem no nível da civilização atual - da sua riqueza 
e dos seus problemas - para aí atuarem. Isto requer uma preparação científica, 
técnica e social.
Por isso, a finalidade da Escola é possibilitar que os alunos adquiramos conhecimentos da ciência e da tecnologia, desenvolvam as habilidades para 
operá-los, revê-los, transformá-los e redirecioná-los em sociedade e as atitudes 
sociais - cooperação, solidariedade, ética -, tendo sempre como horizonte colocar 
os avanços da civilização a serviço da humanização da sociedade.
Tarefa ampla, complexa e nova!, que requer que as escolas, os sistemas de 
ensino se direcionem, se organizem, se equipem para isso; revejam sua organização 
LEITURA COMPLEMENTAR
116
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
e se organizem de um modo novo. Esse novo precisa ser construído a partir do já 
existente, pelos atores da Educação - os profissionais, os alunos, as famílias. 
Para chegar à explicitação da nova organização é necessário que a Escola 
traduza para si, especifique e detalhe os avanços e os problemas da civilização 
atual - a riqueza e a miséria: a fome, a falta de moradia, de trabalho, a violência, 
a acumulação, a barbárie etc. Quais desafios a problemática da civilização coloca 
para a Escola, a fim de que esta forme o novo cidadão? Como a Escola vai traduzir 
no seu e pelo seu trabalho essa problemática? Estas são as questões fundamentais 
da nova organização do trabalho na Escola. 
As escolas, partícipes da mesma problemática civilizatória, não são, 
entretanto, iguais. Por isso, não se trata de encontrar uma única forma nova de 
organizar o trabalho nela. É importante não nos embrenharmos por esse risco 
apriorístico essencialista de chegar-se a um modelo universal. Isto não dá conta 
dos novos problemas atuais. A história da Pedagogia já o demonstrou. No entanto, 
a história recente também nos mostra que é possível definirem-se alguns princípios 
norteadores para essa organização nova, sobre os quais já há certo consenso entre 
os educadores estudiosos do tema. São eles: o Projeto Político-Pedagógico, o 
trabalho coletivo e o conhecimento da ciência pedagógica.
O Projeto Político-Pedagógico 
O Projeto Político-Pedagógico resulta da construção coletiva dos atores da 
educação escolar. Ele é a tradução que a Escola faz de suas finalidades, a partir das 
necessidades que lhe estão colocadas, com o pessoal - professores/alunos/equipe 
pedagógica/pais - e com os recursos de que dispõe.
Esses elementos todos são mutáveis, modificam-se de ano para ano, no 
mesmo ano; de escola para escola, na mesma escola.
Por isso, o projeto não está pronto, mas em construção. Nele, a equipe vai 
depurando, explicitando, detalhando a inserção dessa Escola na transformação social. 
O Projeto Político-Pedagógico ganha consistência e solidez à medida que 
vai captando sistematicamente a realidade na qual se insere. Daí ser a realização
contínua de diagnósticos dessa realidade um instrumental importantíssimo nes-
sa construção. Diagnóstico aberto, que não se cristaliza e que não se encerra na
constatação da realidade, mas que a lê e a interpreta - o que supõe conhecimento/
posicionamento teórico/prático da equipe. Esse trabalho com o diagnóstico - 
os dados - será definidor/redefinidor do conteúdo/forma do Projeto Político-
Pedagógico da Escola. 
O Trabalho Coletivo 
O resultado que a Escola pretende - contribuir para o processo de 
humanização do aluno-cidadão consciente de si no mundo, capaz de ler e 
interpretar o mundo no qual está e nele inserir-se criticamente para transformá-
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
117
lo - não se consegue pelo trabalho parcelado e fragmentado da equipe escolar - à 
semelhança da produção de um carro, onde um grupo de operários aperta, cada 
um, um parafuso, sempre da mesma maneira, conforme o que foi concluído fora 
da linha de montagem -, mas sim com o trabalho coletivo. Neste há a contribuição 
de todos no todo e de todos no de cada um. A especialização de um não é somada 
à especialização de outro, mas ela colabora com e se nutre da especialização do 
outro, visando-a por causa de finalidades comuns.
O trabalho coletivo tem sido apontado por pesquisadores e estudiosos 
como o caminho mais profícuo para o alcance das novas finalidades da educação 
escolar, porque a natureza do trabalho na Escola - que é a produção do humano - é 
diferente da natureza do trabalho em geral na produção de outros produtos. 
No entanto, reconhece-se, de um lado, que o trabalho coletivo não é tarefa 
simples, uma vez que a Humanidade, durante séculos e séculos em sua história, 
acostumou-se a formas de vida individualistas. De outro lado, o coletivo carrega 
uma contradição que precisa ser explorada. Forjada no modo de produção 
capitalista, a cooperação - inerente ao coletivo - é, conforme Hypolito (1991, p. 18), 
fundamental para que o trabalho da Escola se realize de acordo com os objetivos, 
"(...) mas esta realidade é contraditória, pois se a cooperação pode ser um fator 
de estabilidade para o poder, ao mesmo tempo a reunião dos trabalhadores 
coletivos possibilita uma unidade de interesses e favorece formas de resistência à 
dominação". 
Complexidade da Organização Escolar 
A(s) escola(s) é(são) múltipla(s), conjuntos, sistemas - o que requer 
competências administrativas para traduzir essa complexidade dos sistemas em 
benefício ao atendimento da finalidade que a Escola tem. Contudo, a Escola em 
si é complexa. A finalidade que busca não é simples de ser conseguida. Precisa 
da contribuição de vários profissionais especializados - professores/equipe 
pedagógica/direção/coordenação/orientação/equipe de apoio. A organização da 
Escola é competência de todos - dentro e fora da sala de aula. 
A sala de aula é determinada pelo que a circunda para além de suas paredes 
- e, em certa medida, interfere para além de suas paredes. Como é durante a aula 
que se dá a essência da educação escolar, é para ela que devem convergir as várias 
competências dos profissionais da Escola - o que não significa que todos atuarão 
na sala de aula!; o que não significa, também, que nela só atuam os professores!; o 
que não significa, também, que os professores só atuam ali!; nem que as equipes 
pedagógicas e de apoio só atuam fora dali!; nem que aí só elas atuam. 
Enfim, a organização da Escola é coletiva - requer o concurso de especialistas 
que atuem coletivamente.
118
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
A Ciência Pedagógica - Professores e Pedagogos 
Com Suchodolski (1979, p. 477), afirmamos que:
o conhecimento da ciência pedagógica é imprescindível, não porque 
esta contenha diretrizes concretas válidas para hoje e para amanhã; 
mas porque permite realizar uma autêntica análise crítica da cultura 
pedagógica, o que facilita ao professor debruçar-se sobre as dificuldades 
concretas que encontra em seu trabalho, bem como superá-las de 
maneira criadora.
Entendendo-a como não exclusiva de pedagogos, é possível afirmar 
que é tarefa da equipe pedagógica trazer a ciência pedagógica para o trabalho 
coletivo. Entendendo, ainda, que o coletivo não significa "todos fazerem a mesma 
coisa", é possível identificar competências específicas da equipe pedagógica: a 
administração e a coordenação pedagógica de curso, período, turmas, áreas, 
projetos etc. É interessante observar que, colocadas nesta sequência, as tarefas de 
coordenação evidenciam a possibilidade de algumas delas serem desempenhadas 
por pedagogos - coordenação de curso, de períodos - e outras por professores - 
coordenação de turmas, período, áreas. Já a coordenação de projetos não é possível 
ser estabelecida a priori; ela depende do projeto. 
Entendendo, ainda, que os conhecimentos pedagógicos têm sido 
desenvolvidos explícita, intencional e sistematicamente nos cursos de Pedagogia 
que formam pedagogos, a presença destes na Escola é imprescindível como forma 
de trazer os conhecimentos pedagógicos necessários para a Escola. Seja nas tarefas 
de administração – entendida como organização racional do processo de ensino 
e garantia da perpetuação deste nos sistemas, de forma a consolidar um Projeto 
Político-Pedagógico de Educação Escolar -, seja nas tarefas que colaboremcom os 
professores no ato de ensinar de modo que os alunos aprendam. 
Traduzindo as Competências da Equipe Pedagógica 
Retornando às finalidades da educação escolar, explicitadas no item 
Finalidade da Educação Escolar - O "Novo Cidadão", vamos dizer que o eixo central 
articulador do trabalho coletivo da equipe escolar é traduzir os conhecimentos, as 
habilidades e as atividades necessários à formação do novo cidadão. Portanto, 
a consecução do Projeto Político-Pedagógico precisa ser planejada, organizada, 
explicitando-se contínua e sistematicamente o quê - os conteúdos do trabalho 
escolar -, o porquê - a quais necessidades se articulam -, como fazer - projetos, 
cursos etc. -, quem faz - as responsabilidades, as competências -, quando, como etc. 
É trabalho para muitos.
Vejamos algumas tarefas pelas quais a equipe pedagógica pode ser 
responsabilizada:
• Coordenar e subsidiar a elaboração dos diagnósticos da realidade escolar nos 
vários níveis.
TÓPICO 4 | COORDENADOR PEDAGÓGICO
119
• Coordenar e subsidiar a elaboração, execução e avaliação do planejamento: 
plano da Escola; planos de cursos, de turmas, de ensino etc.
• Incentivar e prover condições para a elaboração de projetos de alfabetização, 
leitura, visitas, estudo de apoio, orientação profissional, saúde e higiene, 
informática, ética etc.
• Compor turmas e horários, com critérios que favoreçam o ensino e a 
aprendizagem.
• Capacitar em serviço.
• Fornecer assistência didático-pedagógica constante.
• Assegurar horários para reuniões coletivas, planejá-las, coordená-las, avaliá-
las etc.
• Definir claramente, quanto às reuniões com pais, em que a presença destes é 
importante na construção do Projeto Político-Pedagógico, traduzindo essa 
participação.
• Promover a articulação orgânica das disciplinas.
• Acompanhar o rendimento escolar dos alunos.
• Prever formas de suprir possível defasagem no rendimento escolar do aluno.
• Propiciar trabalho conjunto por áreas, por séries etc., para analisar, discutir, 
estudar, atualizar, aperfeiçoar as questões pertinentes às áreas, às séries e ao 
processo ensino-aprendizagem.
• Promover a integração de professores novos na Escola.
• Pesquisar causas de evasão, repetência e outras.
 
Enfim, há muito o que fazer. Nesta tentativa de traduzir a competência da 
equipe pedagógica, fica claramente evidenciado o significado de trabalho coletivo 
na Escola - não é possível trabalhar fragmentadamente o objeto do trabalho da 
Escola, não dá e não é desejável estabelecer fronteiras claramente delimitadas 
sobre o que compete a quem, mas dá para identificar claramente que este trabalho 
precisa de competências específicas. 
Dificuldades e Entraves 
Sem pretender esgotá-las, é possível apontar algumas dificuldades para 
a acentuação coletiva do Projeto Político-Pedagógico da Escola. Identificar as 
dificuldades não significa parar nelas, mas mapeá-las para vermos com clareza as 
formas de superá-las.
120
UNIDADE 2 | PROTAGONISTAS QUE ATUAM NA GESTÃO EDUCACIONAL
Uma primeira dificuldade refere-se à formação dos profissionais da Escola. 
Amplamente analisada como precária - e até inexistente -, a formação também 
tem sido apontada como insuficiente, porque não formou o novo profissional para 
construir o novo. 
Não se trata de mandar os profissionais de volta para a Faculdade, nem de 
esperar que esta se modifique para fazer "o novo". Trata-se de retomar a Faculdade 
- os conhecimentos, a formação que trabalhou - e confrontá-la com as necessidades 
que o novo coloca. Aí, garimpar o aproveitável, fortalecê-lo e ampliá-lo, por meio 
da atualização - cursos, bibliografia, estudos, troca e crítica de experiências etc. 
Uma segunda ordem de dificuldades diz respeito ao institucional/cultural 
- sociedade competitiva, eivada de autoritarismo, de individualismo. Como fazer 
diferente se somos marcados por isso tudo? Parece-me que não somos pura e 
simplesmente a reprodução mecânica do que fizeram conosco. Ou somos? 
Outra ordem de dificuldades concerne aos aspectos pessoais: as convicções 
e ideologias arraigadas e cristalizadas; o mito do sucesso pessoal a qualquer preço; 
a timidez, a falta de arrojo e de coragem para empunhar bandeiras e lutar por 
elas... 
Todas essas dificuldades são passíveis de serem superadas. A realidade de 
nossas escolas está mostrando que sim, mas não sem sofrimento e luta. 
FONTE: Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_16_p078-083_c.pdf>. 
Acesso em: 28 mar. 2017.
121
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• A função de coordenador pedagógico advém da supervisão pedagógica, 
surgindo nas habilitações do curso de Pedagogia, mediante a promulgação da 
LDB nº 9.394/96.
• O coordenador pedagógico faz parte da equipe gestora da escola, com atribuições 
voltadas na perspectiva da participação dos professores e comunidade escolar.
• O coordenador pedagógico, na definição de sua função, enfrenta alguns 
desafios para construir sua identidade profissional. Mesmo assim, necessita 
buscar sua identidade de atuação que transcende somente o trabalho na dimensão 
pedagógica.
• Para conseguir exercer seus trabalhos com qualidade educacional, o coordenador 
necessita desenvolver uma relação de parceria junto à equipe pedagógica. Precisa 
realizar um diagnóstico para identificar a realidade de sua comunidade, para 
conseguir propor um atendimento que auxilie os estudantes e professores no 
processo educativo.
• O coordenador pedagógico também responde pelos processos de formação 
continuada e pelas orientações quanto às concepções de teoria e prática dos 
professores, desenvolvidos no contexto educacional.
• O coordenador pedagógico deverá direcionar os trabalhos do Conselho de 
Classe, que buscará assegurar democraticamente espaços para o diálogo quanto às 
observações e proposições dos professores, alunos e pais, definindo critérios para 
o bom andamento do conselho.
122
1 O coordenador pedagógico necessita desenvolver um trabalho baseado 
na diversidade, de forma democrática e o comprometimento de todos os 
envolvidos no processo educativo. Desta forma, reflita sobre as etapas de 
atuação do coordenador pedagógico junto à sua equipe de trabalho na escola, 
e assinale a alternativa correta:
a) ( ) Compreensão, análise e intervenção de ação coletiva de acordo com a 
realidade da escola.
b) ( ) Investigação e estruturação das ações que todos os envolvidos deverão 
cumprir na escola.
c) ( ) Inspeção, diagnóstico e organização das metas que os professores 
deverão assumir na escola.
d) ( ) Investigação, compreensão e elaboração de planos de ação para a 
comunidade escolar.
2 O coordenador pedagógico faz parte da equipe gestora da escola, com 
atribuições específicas diferenciadas do diretor da escola. Analise sobre os 
campos de atuação do coordenador pedagógico e assinale V para Verdadeiro 
e F para Falso nas alternativas:
( ) Atua auxiliando nas dificuldades de relacionamento dos estudantes.
( ) Age assessorando o diretor da escola na organização financeira.
( ) Auxilia nas dificuldades de aprendizagem dos estudantes.
( ) Organiza os processos de formação continuada dos professores. 
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) V, F, V, V
b) ( ) F, F, V, V
c) ( ) F, V, V, F
d) ( ) V, F, V, F
3 O Conselho de Classe consiste no órgão colegiado de gestão, no espaço 
onde diversos representantes repensam sobre a avaliação dos alunos, do 
trabalho pedagógico e do desempenho da própria instituição educacional. 
Reflita e descreva as características que conceituam as três etapas do Conselho 
de Classe: pré-conselho, conselho e pós-conselho.
AUTOATIVIDADE
123
4 (ENADE - PEDAGOGIA, 2011) Na sociedade atual, o pedagogo, ao 
organizar e/ou mediar o planejamento das ações pedagógicas nas instituições 
de ensino, seja na gestão administrativa escolar, na coordenação, supervisão, 
orientação educacional ou na docência, deve promover ações que contemplem 
as discussões propostas pelos Temas Transversais, devido à sua relevânciana 
vida social dos sujeitos.
Esse papel do pedagogo, no planejamento, justifica-se por: 
a) ( ) Contribuir para a manutenção dos objetivos e conteúdos que compõem 
o currículo. 
b) ( ) Promover a cooperação institucional, por meio de parcerias e 
programas que apoiam propostas pedagógicas que atendem à realidade. 
c) ( ) Utilizar estratégias pedagógicas centradas em um currículo disciplinar 
e homogeneizante, que desconsidera as relações entre as diversas áreas do 
conhecimento. 
d) ( ) Priorizar as peculiaridades regionais em detrimento de uma cultura 
nacional, elaborando e implementando projetos, cujos temas transversais 
foram previamente definidos pela direção da escola. 
e) ( ) Estabelecer objetivos pedagógicos e orientações didáticas capazes 
de desenvolver atitudes e valores que transcendam o âmbito específico das 
disciplinas, com a finalidade de promover a formação crítica e reflexiva do 
cidadão.
124
125
UNIDADE 3
GESTÃO DO ESPAÇO 
ESCOLAR
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender como ocorre o processo de financiamento da educação na-
cional no país;
• entender a importância da constituição e organização dos Conselhos Esco-
lares na escola;
• compreender a organização e construção do Projeto Político-Pedagógico e 
sua importância nos trabalhos desenvolvidos na escola;
• perceber a importância da elaboração do Regimento Escolar como docu-
mento legislador das ações educativas na escola.
Esta unidade está organizada em três tópicos. Ao final de cada um deles você 
encontrará atividades que lhe darão uma maior compreensão dos temas 
abordados.
TÓPICO 1 - FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
TÓPICO 2 - CONSELHOS ESCOLARES - UMA ORGANIZAÇÃO DE GESTÃO 
TÓPICO 3 - PDE - PLANO DE DESENVOLVIMENTO DA ESCOLA -, O PRO-
JETO POLÍTICO - PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
126
127
TÓPICO 1
FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, estudaremos sobre o processo de financiamento da 
educação nacional para que você compreenda como o governo organiza as 
finanças e investe no ensino público. A função de gestão escolar requer alguns 
conhecimentos particulares para o exercício com responsabilidade e compromisso, 
incluindo os conhecimentos sobre os processos que envolvem o uso dos recursos 
financeiros na escola. Nesse sentido, o gestor escolar assinará os documentos 
e responderá junto ao órgão mantenedor por todas as ações e operações que 
envolvem a aplicação do dinheiro público.
Nessas condições, destinamos um espaço para explicarmos o conceito, a 
aplicação e organização da lei orçamentária, com conhecimentos sobre a receita 
e despesas. São termos que acompanham o exercício da função do gestor escolar, 
quando precisa prestar contas da situação financeira da escola. 
Para compreendermos como ocorrem as relações entre as instâncias 
governamentais, uso do dinheiro recolhido por meio dos impostos e a parte 
destinada para investimento na educação, estudaremos sobre o regime de 
colaboração que abarca os entes federados: União, estado e município. Outro tema 
importante que será contemplado neste tópico diz respeito ao PDDE - Dinheiro 
Direto na Escola, que incide na organização e planejamento financeiro do gestor 
escolar juntamente com sua equipe pedagógica. 
2 A LEI ORÇAMENTÁRIA: RECEITA E DESPESAS NACIONAIS
A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 preconiza sobre os níveis e modalidades 
que estruturam a educação nacional, organização do sistema de ensino, 
competências dos entes federados, direitos e deveres dos profissionais e as 
formas do seu financiamento. Desta forma, o artigo 21 da LDB/96 aponta sobre 
a constituição da educação básica, que compreende a Educação Infantil, Ensino 
Fundamental, Ensino Médio e as modalidades de educação organizadas no país.
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
128
QUADRO 05 - ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
 Níveis e Etapas Duração Faixa Etária
Educação 
Básica
Educação Infantil Creche 3 anos De 0 a 3 anos
Pré-escola 2 anos De 4 a 5 anos
Ensino fundamental (obrigatório) 9 anos De 6 a 14 anos
Ensino médio 3 anos De 15 a 17 anos
Educação
Superior
Cursos e programas (graduação, 
pós-graduação) por área
Variável Acima de 17 anos
FONTE: Dourado (2006, p. 20)
Podemos observar no quadro como se estrutura a organização dos diversos 
níveis e etapas que constituem a educação no Brasil, mais precisamente quanto à 
educação básica, com as modalidades que compreendem a Educação Infantil, o 
Ensino Fundamental e Ensino Médio. Assim, observamos no quadro os dados que 
apontam sobre os níveis, duração e faixa etária, compreendendo o período de 0 a 
17 anos a frequência das crianças e adolescentes na educação básica. 
Apresentamos outro quadro que aponta as especificidades das 
responsabilidades de cada ente federado sobre a educação básica no país, observe:
QUADRO 06 - RESPONSABILIDADES ENTRE OS ENTES FEDERADOS
União Estados Municípios
• Coordenar a Política Na-
cional de Educação.
• Exercer função normativa,
redistributiva e supletiva em
relação às demais instân-
cias educacionais.
• Elaborar Plano Nacional 
de Educação.
• Organizar, manter e de-
senvolver os órgãos e ins-
tituições oficiais do sistema 
federal de ensino e dos ter-
ritórios.
• Elaborar as diretrizes cur-
riculares para a educação 
básica.
• Coletar, analisar e disse-
minar informação sobre a 
educação.
• Avaliar a educação nacio-
nal em todos os níveis.
• Normatizar os cursos de
graduação e pós-graduação.
• Organizar, manter e de-
senvolver órgãos e insti-
tuições oficiais dos seus 
sistemas de ensino.
• Definir, com os municí-
pios, formas de colabora-
ção na oferta do ensino 
fundamental.
• Elaborar e executar polí-
ticas e planos educacionais,
em consonância com as di-
retrizes e planos nacionais 
de educação.
• Autorizar, reconhecer, 
credenciar, supervisionar 
e avaliar os cursos das ins-
tituições de educação su-
perior e os estabelecimen-
tos do seu sistema de ensino.
• Baixar normas suplemen-
tares para o seu sistema 
de ensino.
• Organizar, manter e de-
senvolver os órgãos e 
instituições oficiais dos 
seus sistemas de ensino.
• Exercer ação redistribu-
tiva em relação as suas 
escolas.
• Autorizar, credenciar e 
supervisionar os estabele-
cimentos do seu sistema 
de ensino.
• Oferecer a educação in-
fantil em creches e pré-
escolas, e, com prioridade, 
o ensino fundamental.
TÓPICO 1 | FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
129
• Avaliar as instituições de 
ensino superior.
• Autorizar, reconhecer, cre-
denciar, supervisionar e ava-
liar os cursos das institui-
ções de educação superior 
e os estabelecimentos de 
ensino.
• Assegurar o ensino fun-
damental e oferecer, com
prioridade, o ensino médio.
FONTE: Dourado (2006, p. 21)
Como podemos observar, há responsabilidades próprias para cada nível 
que compõe a federação: União, estados e municípios. As obrigações dizem respeito 
à oferta de vagas para as modalidades de educação sob sua responsabilidade, 
considerando os diferentes níveis, sendo que deverão, em regime de colaboração, 
organizar seus sistemas de ensino. Cabe aos municípios a oferta e manutenção 
da educação prioritariamente na modalidade da Educação Infantil e Ensino 
Fundamental, aos estados assegurar a demanda para o Ensino Fundamental e 
prioritariamente o Ensino Médio. Ao Distrito Federal, um destaque especial, 
porque abrangerá a oferta da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino 
Médio. Quanto à União, a LDB aponta como responsabilidade a organização do 
sistema de educação superior e apoio técnico e financeiro aos outros federados 
(DOURADO, 2006).
FIGURA 35 - SISTEMA FINANCEIRO BRASILEIRO
FONTE: Disponível em: <http://www.empresasdesucessos.com/2012/10/
sistema-financeiro-brasileiro.html>. Acesso em: mar. 2017.
A estrutura financeira da União compreende o orçamento ou planejamento, 
uma lei que orienta o cumprimento dos planos governamentais no país. A lei 
orçamentária prevê as receitas e despesas públicas que são utilizadas acada ano, 
ou seja, no orçamento que cada federado apresenta anualmente deve considerar 
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
130
as fontes de receitas destinadas à educação, gastos referentes a material, serviços, 
obras, equipamentos, pessoal contratado e outros. As receitas e despesas são 
classificadas por meio de códigos padronizados em nível nacional, de acordo com 
a Lei nº 4.320/64, juntamente com as tabelas aprovadas nas portarias do Ministério 
do Planejamento, Orçamento e Gestão (DOURADO, 2006).
A receita pública compõe o conjunto de recursos econômicos e financeiros 
que são previstos no orçamento de cada ente federado e arrecadado para orientar 
suas despesas. As receitas são divididas, de acordo com a Lei nº 4.320/64, em dois 
grupos: receitas correntes e de capital.
QUADRO 07 - ORGANIZAÇÃO DA RECEITA PÚBLICA
Receita pública
Receitas correntes Receitas de capital
1. Receita tributária.
• Impostos
• taxas
• contribuições de melhoria.
2. Receita de contribuições.
3. Receita patrimonial.
4. Receita industrial.
5. Receita agropecuária.
6. Receita de serviços.
7. Transferências correntes.
8. Outras receitas correntes.
1. Operações de crédito.
2. Alienação de bens.
3. Amortizações de empréstimos.
4. Transferências de capital.
5. Outras receitas de capital.
FONTE: Dourado (2006, p. 30)
No quadro, observamos as competências destinadas a cada tipo de receita, 
seja corrente ou de capital. No exercício das funções que compreendem a gestão 
educacional, algumas ações desenvolvidas no cotidiano da escola necessitarão 
de conhecimentos sobre o uso dos recursos públicos. Assim, continuamos nossos 
estudos sobre o assunto!
A despesa referente à lei orçamentária consiste nos gastos de dinheiro 
utilizado pelo governo ou administrador, gestor, na utilização das ações 
administrativas ou governamentais. A despesa pública consiste em qualquer 
desembolso oriundo da administração pública, baseada na legislação financeira, 
licitatória e orçamentária, subordinada à classificação e limites dos créditos 
orçamentários, para realizar as competências de sua responsabilidade preconizadas 
na Constituição (DOURADO, 2006).
TÓPICO 1 | FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
131
Despesas públicas
Despesas correntes Despesas de capital
Despesas de custeio:
Pessoal.
Material de consumo.
Serviços de terceiros e encargos.
Transferências correntes:
Transferências intragovernamentais.
Transferências intergovernamentais.
Transferências a instituições privadas.
Transferências ao exterior.
Transferências a pessoas.
Encargos da dívida interna.
Encargos da dívida externa.
Contribuições para formação do 
patrimônio do Servidor Público – Pasep.
Diversas transferências correntes.
Investimentos
Obras e instalações.
Equipamentos e material permanente.
Investimentos em regime de execução 
especial.
Diversos investimentos.
Inversões financeiras.
Aquisições de imóveis.
Aquisição de outros bens de capital já 
em utilização.
Aquisição de bens para revenda.
Aquisição de títulos de crédito.
Aquisição de títulos representativos de 
capital já integralizado.
Constituição ou aumento de capital de 
empresas comerciais ou financeiras.
Concessão de empréstimos.
Depósitos compulsórios.
Diversas inversões financeiras.
Transferência de capital:
Transferências intragovernamentais.
Transferências intergovernamentais.
Transferências a instituições privadas.
Transferências ao exterior.
Amortização da dívida interna.
Amortização da dívida externa.
Diferença de câmbio.
Diversas transferências de capital.
QUADRO 08 - CLASSIFICAÇÃO DAS DESPESAS PÚBLICAS
FONTE: Dourado (2006, p. 29)
Os dados apontados no quadro nos informam sobre a classificação das 
despesas públicas de acordo com cada tipo: correntes e de capital. Vamos entender 
o conceito de cada tipo de despesa! 
As despesas correntes são de responsabilidade da administração pública 
para promover a execução e manutenção da ação governamental em relação às 
despesas de custeio e transferências correntes. As despesas de capital se destinam a 
compor um bem capital ou adicionar valor a um já existente, ou transferir por meio 
de aquisição alguma propriedade entre entidades do setor público, ou ainda do 
setor privado para o público, todas essas ações são organizadas pela administração 
pública (DOURADO, 2006).
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
132
3 REGIME DE COLABORAÇÃO ENTRE OS ENTES FEDERADOS
A responsabilidade do cálculo da receita pública arrecadada e das despesas 
organizadas pela administração refletem no planejamento das ações voltadas para a 
organização da educação. Desta forma, a gestão dos entes federados necessita realizar 
de forma coerente, comprometida e com responsabilidade o planejamento e as ações 
que envolverão a aplicação da verba pública. 
FIGURA 36 - RELAÇÃO ENTRE A UNIÃO, ESTADO E MUNICÍPIO
FONTE: Disponível em: <https://eleicoes.uol.com.br/2014/album/2014/08/23/municipio-estado-
ou-uniao-veja-a-responsabilidades-de-cada-um.htm>. Acesso em: 23 mar. 2017.
A Constituição de 1988 preconiza a educação como direito de cidadania 
e confere a cada ente federado a responsabilidade de oferta, organização dos 
recursos específicos para aplicar na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
(MDE). A LDB de 1996 e a Constituição de 1988 apontam para a integração, 
colaboração e responsabilidades entre os entes governamentais em relação à 
educação (DOURADO, 2006).
QUADRO 09 - REGIME DE COLABORAÇÃO FINANCEIRA
Ente Federado LDB/ 96 Constituição Federal/ 88
União
Prestar assistência técnica e
financeira aos estados, ao Dis-
trito Federal e aos municípios 
para o desenvolvimento de seus
sistemas de ensino e o aten-
dimento prioritário à escola-
ridade obrigatória, exercendo
sua função redistributiva e 
supletiva (Art. 9, inciso III).
A União organizará o sistema
federal de ensino e o dos 
territórios, financiará as insti-
tuições de ensino públicas 
federais e exercerá, em maté-
ria educacional, função redis-
tributiva e supletiva, de forma 
a garantir equalização de opor-
tunidades educacionais e padrão
TÓPICO 1 | FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
133
mínimo de qualidade do 
ensino mediante assistência 
técnica e financeira aos 
estados, ao Distrito Federal e 
aos municípios (Art. 211, § 1º, 
Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 14, de 1996).
Estados, municípios 
e Distrito Federal
Definir, com os municípios, 
formas de colaboração na 
oferta do ensino fundamental, 
as quais devem assegurar a 
distribuição proporcional das 
responsabilidades de acordo 
com a população a ser atendida 
e os recursos financeiros 
disponíveis em cada uma 
dessas esferas do poder público 
(Art. 10, inciso II).
A União aplicará, anualmente, 
nunca menos de dezoito, e os 
estados, o Distrito Federal e 
os municípios, vinte e cinco 
por cento, no mínimo, da 
receita resultante de impostos, 
compreendida a proveniente de 
transferências, na manutenção 
e desenvolvimento do ensino 
(Art. 212).
FONTE: Dourado (2006, p. 34)
Os dados nos apontam que os recursos para a MDE se encontram vinculados 
constitucionalmente na receita dos impostos. Caberá à União a responsabilidade 
de organizar os sistemas de ensino no território nacional, garantindo os padrões 
mínimos de qualidade do ensino e subsidiando os recursos financeiros. Desta forma, 
a receita consiste no conjunto de rendimentos de um estado ou entidade, destinados 
a custear os gastos necessários para sua manutenção (DOURADO, 2006).
4 PDDE - DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA
 O programa do PDDE iniciou em 1995, sob a organização do governo 
federal, e apresentava na época a denominação de Programa de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental (PMDF). Em 1998 foi alterado para 
Programa Dinheiro Direto na Escola, sendo responsabilidade do Fundo Nacional 
de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio da Medida Provisória nº 1784, 
de 14 de dezembro de 1998. Com a finalidade de descentralização da organização 
dos recursos federais destinados ao Ensino Fundamental, contribuindo para o 
exercício da cidadania(BRASIL, 1995). 
Por meio do PDDE, os recursos financeiros são repassados para as escolas, 
destinados ao pagamento das despesas de custeio, manutenção e pequenos 
investimentos. Podem ser aplicados na melhoria das condições físicas, como a 
manutenção do prédio escolar, aquisição de materiais, e também em investimentos 
no âmbito pedagógico, como capacitações e aperfeiçoamento dos profissionais da 
educação (BRASIL, 1995).
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
134
FIGURA 37 - RECURSOS DO FNDE
FONTE: Disponível em: <http://sofatima.net/blog/2013/09/26/prefeituras-de-antas-e-coronel-
joao-sao-recursos-do-fnde-sao-bloqueados/>. Acesso em: 25 mar. 2017.
A cada ano o FNDE repassa os recursos financeiros para que as escolas 
invistam no que julgarem necessário. A forma de aquisição do valor consiste 
no crédito em dinheiro na conta bancária da Unidade Executora, organizada 
legalmente nas escolas. As Unidades Executoras consistem em entidades de 
direito privado, sem fins lucrativos que representam a unidade escolar, são 
responsáveis pelo recebimento e organização dos recursos financeiros advindos 
do FNDE (BRASIL, 1997b). Mais precisamente: “A função das UEX é administrar 
bem como receber, executar e prestar conta dos recursos transferidos por órgãos 
federais, estaduais, municipais, privados, doados, ou os recursos provenientes de 
campanhas escolares, advindos da comunidade ou de entidades beneficentes, bem 
como fomentar as atividades pedagógicas da escola” (BRASIL, 1997a, p. 11).
Neste sentido, as Unidades Executoras compõem um grupo de pessoas 
responsáveis por administrar os recursos financeiros encaminhados para a escola. 
Assim, em todo o território nacional as Unidades Executoras existem com outras 
denominações, variando conforme as regiões do Brasil, consideradas como Caixa 
Escolar, Cooperativa Escolar, Associação de Pais e Professores, Associação de Pais 
e Mestres, Círculo de Pais e Mestres (BRASIL, 1997b). Diferente dos Conselhos 
Escolares, que atuam diretamente nos aspectos administrativos e pedagógicos na 
escola.
TÓPICO 1 | FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO NACIONAL
135
A unidade escolar deverá organizar uma prestação de contas para justificar o 
investimento dos recursos recebidos, seguindo alguns trâmites legais (BRASIL, 2005).
1. As escolas públicas encaminham as prestações de contas para os órgãos 
mantenedores, que podem ser municipais, estaduais ou federal, prestando conta 
do uso dos recursos financeiros. A prestação de contas consiste na organização 
da documentação sistematizada, com informações sobre os balanços financeiros 
e orçamentários. O Conselho Escolar deve acompanhar, avaliar e participar 
nas definições do plano de aplicação na escola, sobre os recursos financeiros 
administrados pela gestão escolar. 
2. Os órgãos mantenedores, após receberem a prestação de contas, deverão 
analisar, prestar contas ao FNDE sobre os recursos encaminhados às escolas que 
não possuem uma Unidade Executora, consolidar e emitir parecer concluindo todo 
o processo da prestação de contas, encaminhando o relatório ao FNDE sempre até 
o dia 28 de fevereiro do ano subsequente ao do repasse.
A prestação de contas consiste numa forma transparente de a escola e o 
Conselho Escolar apresentarem à comunidade o destino dos recursos financeiros 
que são repassados para a educação. Desse modo, a organização da prestação 
de contas deve ser realizada de forma correta e responsável, sendo apresentada 
à entidade competente interna a contabilidade ou auditoria do mantenedor, ou 
externa para o Legislativo ou Tribunal de Contas (BRASIL, 2005).
DICAS
Acesse o site do FNDE e conheça sobre os programas, bolsas auxílio, financiamento 
e prestação de contas. Confira e compreenda a organização dos recursos financeiros no país. 
Disponível em: <http://www.fnde.gov.br/programas/dinheiro-direto-escola/pdde-perguntas-
frequentes>.
136
Neste tópico, você aprendeu que:
• A estrutura financeira da União compreende o orçamento ou planejamento, 
uma lei que orienta o cumprimento dos planos governamentais no país.
• A lei orçamentária prevê as receitas e despesas públicas que são utilizadas a 
cada ano, ou seja, no orçamento que cada federado apresenta anualmente, devendo 
considerar as fontes de receitas destinadas à educação, gastos referentes a material, 
serviços, obras, equipamentos, pessoal contratado e outros.
• A receita pública compõe o conjunto de recursos econômicos e financeiros que 
são previstos no orçamento de cada ente federado e arrecadado para orientar suas 
despesas.
• A despesa pública consiste em qualquer desembolso oriundo da administração 
pública, baseada na legislação financeira, licitatória e orçamentária, subordinada à 
classificação e limites dos créditos orçamentários, para realizar as competências de 
sua responsabilidade preconizadas na Constituição.
• A responsabilidade do cálculo da receita pública arrecadada e das despesas 
organizadas pela administração refletem no planejamento das ações voltadas para 
a organização da educação tanto nos sistemas como das escolas.
• Por meio do PDDE os recursos financeiros são repassados para as escolas, 
destinados ao pagamento das despesas de custeio, manutenção e pequenos 
investimentos.
• A cada ano o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE 
- repassa os recursos financeiros para que as escolas invistam no que julgarem 
necessário.
• A prestação de contas consiste numa forma transparente de a escola e o Conselho 
Escolar apresentarem à comunidade o destino dos recursos financeiros que são 
repassados para a educação.
RESUMO DO TÓPICO 1
137
1 A receita pública consiste no conjunto de recursos econômicos e financeiros 
que compõem o orçamento de cada ente federado, arrecadados para servir às 
suas despesas. Analise e assinale a alternativa correta que aponta o conceito 
de despesa pública:
a) ( ) Qualquer desembolso que provenha da administração pública 
regulamentado pela legislação, para ser aplicado de acordo com o indicado 
na Constituição.
b) ( ) Dinheiro arrecadado por meio da contribuição da comunidade de 
forma espontânea, para uso nas necessidades de despesa na escola ao longo 
do período letivo.
c) ( ) Contribuição obrigatória dos pais ou responsáveis para custear os 
bens de materiais usados ao longo do ano letivo pelos estudantes, incluindo 
reparos no prédio da escola.
d) ( ) Recurso financeiro destinado pelo Banco Mundial para ajudar 
no custeio dos salários e investimentos nas capacitações dos professores, 
juntamente com a contribuição dos pais e responsáveis.
2 A LDB/96 e a Constituição de 1988 incidem sobre a integração, colaboração 
e responsabilidades entre os entes governamentais: União, estado e município, 
em relação à educação. Analise sobre os recursos destinados para a MDE - 
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino.
I- Cabe à União a responsabilidade de organizar os sistemas de ensino em 
todo o território nacional.
II- Pertence à União a responsabilidade da oferta do Ensino Fundamental 
para suprir a demanda nacional.
III- Confere à União o encaminhamento e custeio dos recursos financeiros 
para a educação.
IV- Compete à União a garantia dos padrões mínimos de qualidade do ensino 
em nível nacional.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I, III, IV
b) ( ) I, II, IV
c) ( ) I, II, III
d) ( ) II, III, IV
AUTOATIVIDADE
138
3 O programa do PDDE iniciou em 1995 e atualmente se encontra sob a 
responsabilidade do FNDE. Consiste na descentralização da organização dos 
recursos federais para investimentos no Ensino Fundamental. Reflita sobre 
o destino dos recursos financeiros provindos do FNDE e assinale V para 
Verdadeiro e F para Falso:
( ) O gestor escolar pode aplicar o dinheiro para melhoria das condições 
físicas da escola.
( ) O dinheiro se destina à complementação da merenda escolar com a 
aquisição de produtos locais.
( ) O investimento do dinheiro pode ser direcionado para aquisição de 
materiais, como os de uso pedagógico.
( ) O gestor escolar pode organizarcom esse dinheiro o custeio de 
capacitações e cursos de aperfeiçoamento para os professores.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) V, F, V, V.
b) ( ) F, V, V, F.
c) ( ) F, F, V, V.
d) ( ) V, V, F, V. 
4 (ENADE - PEDAGOGIA, 2014) Com a globalização da economia social por 
meio das organizações não governamentais, surgiu uma discussão do conceito 
de empresa, de sua forma de concepção junto às organizações brasileiras e de 
suas práticas. Cada vez mais é necessário combinar as políticas públicas que 
priorizam modernidade e competitividade com o esforço de incorporação dos 
setores atrasados, mais intensivos de mão de obra.
FONTE: Adaptado de <http://unpan1.un.org>. Acesso em: 4 ago. 2014.
A respeito dessa temática, avalie as afirmações a seguir.
I- O terceiro setor é uma mistura dos dois setores econômicos clássicos da 
sociedade: o público, representado pelo Estado; e o privado, representado 
pelo empresariado em geral.
II- É o terceiro setor que viabiliza o acesso da sociedade à educação e ao 
desenvolvimento de técnicas industriais, econômicas, financeiras, 
políticas e ambientais.
III- A responsabilidade social tem um resultado na alteração do perfil 
corporativo e estratégico das empresas, que têm reformulado a cultura e 
a filosofia que orientam as ações institucionais.
Está correto o que se afirma em:
a) ( ) I, apenas.
b) ( ) II, apenas.
c) ( ) I e III, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
139
TÓPICO 2
CONSELHOS ESCOLARES - UMA 
ORGANIZAÇÃO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, neste tópico, estudaremos sobre as características, 
organização e conceito dos conselhos escolares nas instituições de ensino. As ações 
desenvolvidas pelo gestor escolar no cotidiano educacional assumem algumas 
especificidades que envolvem questões administrativas, pedagógicas e referentes 
às relações que estabelece com a comunidade. 
Desta forma, você perceberá, ao longo da leitura, que os Conselhos Escolares 
são órgãos deliberativos que auxiliam nos trabalhos desenvolvidos no cotidiano 
escolar. Atuam exercendo as funções deliberativa, consultiva, fiscalizadora e 
mobilizadora, inferindo sobre as normas, elaboração e organização do Projeto 
Político-Pedagógico (PPP) na escola. 
2 PARTICIPAÇÃO DOS CONSELHOS ESCOLARES NAS 
INSTITUIÇÕES ESCOLARES
Os Conselhos Escolares consistem em órgãos deliberativos coletivos que 
compõem a estrutura da gestão dos sistemas de ensino. Um conselho passa a 
ser formado por meio de uma assembleia de pessoas da comunidade dispostas 
a aconselhar, emitir parecer, deliberar sobre as questões de interesse público. Os 
Conselhos Escolares nos sistemas de ensino representam uma forma de gestão 
colegiada, uma forma de atuação que represente a vontade e as necessidades da 
sociedade na organização das políticas e normas educacionais estabelecidas nas 
escolas (BRASIL, 2004).
Os conselhos são órgãos que integram a gestão dos sistemas de ensino, 
considerados como órgãos do Estado, contudo, não seguem suas determinações 
diretamente, apenas comunicam ao Estado como representação ativa da comunidade. 
O Estado constitui-se em uma representação permanente da sociedade, enquanto 
que os governos são transitórios, seguindo a temporalidade dos mandatos. Desta 
forma, os conselhos, como órgãos de Estado, apresentam como desafios: garantir a 
permanência da institucionalidade e da continuidade das políticas educacionais e 
agir como representantes das vontades da comunidade. Para tanto, foi instituído aos 
Conselhos Escolares o cumprimento de mandatos alternados para os conselheiros, 
permitindo uma participação democrática de forma rotativa entre as pessoas da 
comunidade (BRASIL, 2004).
140
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
FIGURA 38 - ORGANIZAÇÃO DO CONSELHO ESCOLAR
FONTE: Disponível em: <http://amigosdosereno.blogspot.com.br/2015/08/
conselho-escolar.html>. Acesso em: 25 mar. 2017.
A constituição dos Conselhos Escolares se fundamenta nos preceitos 
dispostos na Constituição de 1988, no artigo 206, e na LDB nº 9.394/96. Ambos 
os documentos de lei apontam para uma organização da gestão democrática que 
efetivamente contribua na construção de uma cidadania emancipadora, autônoma, 
participando nas decisões e elaborações de forma coletiva. Para tanto, faz-se 
necessário que a escola sustente uma concepção filosófica político-pedagógica 
norteadora, organizada de acordo com a análise da realidade nacional e local, 
estruturada no Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola (BRASIL, 2004).
A LDB/96 preconiza sobre as normas da gestão democrática que devem 
servir de orientação para a gestão democrática escolar, no artigo 14:
Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do 
ensino público na educação básica de acordo com as suas peculiaridades, 
conforme os seguintes princípios: I – participação dos profissionais 
da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – 
participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou 
equivalentes (BRASIL, 1996, s.p.).
O Plano Nacional de Educação - PNE - estabelece os objetivos e prioridades 
que orientarão as políticas públicas no período de dez anos. O documento 
aponta sobre a democratização da gestão escolar pública, preconizando sobre a 
participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico 
da escola, a participação da comunidade escolar nos Conselhos Escolares, e na 
descentralização da gestão educacional (BRASIL, 2004).
TÓPICO 2 | CONSELHOS ESCOLARES - UMA ORGANIZAÇÃO DE GESTÃO 
141
Os Conselhos Escolares atuam amparados pela legislação educacional 
nacional e seguem normas que distinguem sobre funções deliberativas, consultivas, 
normativas, mediadoras, mobilizadora, fiscalizadora e outras. No exercício da 
função, os conselheiros deliberam tanto nas decisões administrativas, quanto como 
aconselhamento em outras formas de atuação (BRASIL, 2004).
FIGURA 39 - FUNÇÕES DOS CONSELHOS ESCOLARES
FONTE: A autora
De acordo com o organograma, podemos observar as principais funções 
atribuídas aos Conselhos Escolares, como a deliberativa, consultiva, fiscal e 
mobilizadora. Estudaremos sobre as principais características que conceituam 
cada termo apresentado (BRASIL, 2004):
• Função deliberativa: participam das decisões sobre o Projeto Político-Pedagógico 
e outros assuntos da escola, aprovando encaminhamentos para os problemas 
apresentados, garantem a elaboração das normas internas e o cumprimento das 
normas dos sistemas de ensino, decidindo sobre a organização e funcionamento 
geral das escolas, apresentando à equipe gestora algumas ações que poderiam 
ser desenvolvidas. Participam da elaboração das normas internas da escola nas 
questões que envolvem o pedagógico, administrativo e financeiro.
142
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
• Função consultiva: apresentam caráter de assessoramento, na análise das 
questões encaminhadas pelos diversos segmentos que compõem a organização 
da escola, apresentando sugestões que podem ou não ser acatadas pela equipe 
gestora. 
• Função fiscalizadora: configuram o acompanhamento e a prática das 
ações pedagógicas, administrativas e financeiras, avaliando e garantindo o 
cumprimento das normas da escola.
• Função mobilizadora: atuam na promoção da participação de forma integrada 
de todos os segmentos que compõem a comunidade escolar e local, nas 
diversas atividades, contribuindo para o exercício da cidadania e democracia 
participativa, objetivando a melhoria na qualidade social da educação.
FIGURA 40 - CONSTITUIÇÃO DO CONSELHO ESCOLAR
FONTE: A autora
No organograma apresentamos a constituição dos Conselhos Escolares por 
alguns membros que compõem a comunidade escolar e local. Para a organização 
dos Conselhos Escolares há necessidade da iniciativa do gestor escolar ou qualquer 
outro representante da escola, por meio da convocação de todos para organizarem 
as eleições do colegiado. Desta forma, o Conselho Escolar se constitui pela direção 
da escola, representaçãodos estudantes, pais ou responsáveis, professores e 
trabalhadores da comunidade local. O Conselho Escolar, como colegiado, organiza 
e assume as decisões de forma coletiva por meio de reuniões (BRASIL, 2004).
TÓPICO 2 | CONSELHOS ESCOLARES - UMA ORGANIZAÇÃO DE GESTÃO 
143
O gestor escolar, no momento das reuniões, atua como coordenador na 
execução das deliberações e como articulador das ações de todos os segmentos, 
garantindo a efetivação do projeto pedagógico na escola. Na participação do 
conselho poderá ou não assumir a função de presidente, dependendo dos 
acordos estabelecidos em cada conselho conforme o Regimento Interno da escola. 
Os membros efetivos que compõem o conselho são os representantes de cada 
segmento, com suplentes para cada função. No momento das reuniões a presença 
dos suplentes se constitui de forma facultativa, sendo necessária a atuação dos 
membros eleitos (BRASIL, 2004).
As reuniões dos Conselhos Escolares devem acontecer com periodicidade, 
podendo ser de forma mensal, organizada de acordo com uma pauta previamente 
sistematizada e entregue aos conselheiros, adiantando os assuntos que serão 
discutidos. Após a reunião, os conselheiros deverão informar aos seus respectivos 
segmentos sobre as decisões e encaminhamentos registrados na ata da reunião. 
Além das reuniões, aconselha-se a organização de assembleias gerais, com a 
participação de todos os envolvidos na comunidade escolar e local (BRASIL, 2004).
3 ATRIBUIÇÕES DOS CONSELHOS ESCOLARES
Os Conselhos Escolares apresentam determinadas atribuições de acordo 
com o exercício de suas atividades junto à comunidade escolar e local. Incidem 
na elaboração do Regimento Interno do Conselho Escolar, definindo algumas 
ações, como calendário das reuniões, substituição dos conselheiros, participação 
dos suplentes, processos de decisão, indicação das funções de cada representante 
e outros. Atuam também no processo de elaboração, discussão e aprovação do 
Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola. O Conselho Escolar apresenta 
uma significativa atuação no debate sobre os problemas da escola e possíveis 
encaminhamentos (BRASIL, 2004).
FIGURA 41 - REUNIÃO DO CONSELHO ESCOLAR
FONTE: Disponível em: <http://etecribeiraopires.com.br/site/category/direcao/>. Acesso em: 23 mar. 2017.
144
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
O Conselho Escolar apresenta as seguintes atribuições no exercício da 
função dos seus representantes:
• elaborar o Regimento Interno do Conselho Escolar;
• coordenar o processo de discussão, elaboração ou alteração do 
Regimento Escolar;
• convocar assembleias gerais da comunidade escolar ou de seus 
segmentos;
• garantir a participação das comunidades escolar e local na definição 
do Projeto Político-Pedagógico da unidade escolar;
• promover relações pedagógicas que favoreçam o respeito ao saber 
do estudante e valorize a cultura da comunidade local;
• propor e coordenar alterações curriculares na unidade escolar, 
respeitada a legislação vigente, a partir da análise, entre outros aspectos, 
do aproveitamento significativo do tempo e dos espaços pedagógicos 
na escola;
• propor e coordenar discussões junto aos segmentos e votar as 
alterações metodológicas, didáticas e administrativas na escola, 
respeitada a legislação vigente;
• participar da elaboração do calendário escolar, no que competir à 
unidade escolar, observada a legislação vigente;
• acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono 
escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros), propondo, quando 
se fizerem necessárias, intervenções pedagógicas e/ou medidas 
socioeducativas visando à melhoria da qualidade social da educação 
escolar;
• elaborar o plano de formação continuada dos conselheiros escolares, 
visando ampliar a qualificação de sua atuação;
• aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da 
escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros, 
promovendo alterações, quando necessário;
• fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da 
unidade escolar;
• promover relações de cooperação e intercâmbio com outros 
Conselhos Escolares (BRASIL, 2004, p. 48-19).
A atuação na prática das diversas atribuições que conferem ao Conselho 
Escolar constitui no aprendizado de um processo democrático de partilha dos 
direitos e responsabilidades no processo de gestão escolar. Desta forma, cada 
Conselho Escolar deve eleger as atribuições prioritárias, conforme as normas do 
seu sistema de ensino e legislação. 
Para o efetivo exercício das atribuições apresentadas e de outras que 
podem ser definidas, faz-se necessário considerar, sobretudo, que a qualidade 
que se pretende atingir confere a qualidade social, ou seja, na realização de um 
trabalho que represente, na vivência cotidiana, o crescimento intelectual, afetivo, 
político e social da comunidade, buscando a transformação da sociedade de forma 
participativa e democrática.
TÓPICO 2 | CONSELHOS ESCOLARES - UMA ORGANIZAÇÃO DE GESTÃO 
145
DICAS
O Conselho Nacional de Educação - CNE - consiste em normativas que deliberam 
e assessoram o Ministro de Estado da Educação no desempenho de suas funções e atribuições 
do poder público federal. Acesse: <http://portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/
apresentacao> e conheça mais sobre a função, reuniões, pareceres e normativas.
146
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os Conselhos Escolares consistem em órgãos deliberativos coletivos que 
compõem a estrutura da gestão dos sistemas de ensino.
• Os Conselhos Escolares nos sistemas de ensino representam uma forma de 
gestão colegiada, numa atuação que represente a vontade e as necessidades da 
sociedade na organização das políticas e normas educacionais estabelecidas nas 
escolas.
• A constituição dos Conselhos Escolares se fundamenta nos preceitos dispostos 
na Constituição de 1988, no artigo 206, e na LDB nº 9.394/96.
• Para a organização dos Conselhos Escolares há necessidade da iniciativa do 
gestor escolar ou qualquer outro representante da escola, por meio da convocação 
de todos para organizarem as eleições do colegiado.
• Os Conselhos Escolares apresentam determinadas atribuições de acordo com 
o exercício de suas atividades junto à comunidade escolar e local. Incidem na 
elaboração do Regimento Interno do Conselho Escolar, definindo algumas ações, 
como calendário das reuniões, substituição dos conselheiros, participação dos 
suplentes, processos de decisão, indicação das funções de cada representante e 
outros.
• A atuação na prática das diversas atribuições que conferem ao Conselho Escolar 
constitui no aprendizado de um processo democrático de partilha dos direitos e 
responsabilidades no processo de gestão escolar.
RESUMO DO TÓPICO 2
147
AUTOATIVIDADE
1 O Conselho consiste numa assembleia de pessoas da comunidade que 
se reúnem com o objetivo de aconselhar, emitir parecer e deliberar sobre as 
questões de interesse público. Analise e assinale a alternativa que apresenta as 
características do conceito sobre os Conselhos Escolares:
a) ( ) Consistem em órgãos deliberativos coletivos que fazem parte da 
composição da gestão escolar nos sistemas de ensino.
b) ( ) Constituem-se em uma organização de pais e responsáveis que se 
reúnem para deliberar sobre os recursos financeiros da escola.
c) ( ) Reunião de pessoas que atuam estabelecendo redes de contato entre as 
empresas locais e a escola.
d) ( ) Consistem em um grupo de pessoas que participam ativamente nas 
reuniões pedagógicas na escola e conselhos de classe.
2 Os Conselhos Escolares se encontram amparados pela legislação educacional 
nacional e seguem normas quanto às funções deliberativas, consultivas, 
normativas, mediadoras, mobilizadora, fiscalizadora e outras. Reflita sobre as 
funções desempenhadas pelos Conselhos Escolares e associe as alternativas:
I- Função deliberativa.
II- Função consultiva.
III- Função fiscalizadora.
IV- Função mobilizadora.
( ) Assessoramento e análise das questões encaminhadas sobre a organização 
da escola.( ) Decisões quanto à organização do Projeto Político-Pedagógico e 
cumprimento das normas internas.
( ) Promove a participação de forma integrada de todos os envolvidos na 
comunidade escolar e local.
( ) Acompanhamento das ações pedagógicas, administrativas e financeiras 
na escola.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) I, II, IV, III
b) ( ) II, I, IV, III
c) ( ) III, II, I, IV
d) ( ) I, III, II, IV
3 O Conselho Escolar consiste no órgão deliberativo da escola que atua em 
diversos assuntos educacionais. Sua composição compreende a participação 
do gestor escolar, estudantes, pais e responsáveis, professores e profissionais 
da comunidade. Analise e descreva sobre a função, atuação e participação do 
gestor escolar no Conselho Escolar.
148
4 (ENADE - PEDAGOGIA, 2014) Muitos pais e funcionários de escolas são 
membros de conselhos e de colegiados escolares, mas, usualmente, exercitam um 
pacto de silêncio, não participando, de fato, dessas instâncias e servindo de “modelo 
passivo” para outros setores da comunidade educativa que compõem colegiados. 
Por que eles se comportam assim? Porque, na maioria dos casos, estão presentes para 
referendar demandas corporativas, ou para fortalecer diretorias centralizadoras. 
Como elo mais fraco do poder, eles participam para “compor”, para dar número 
e quórum necessários aos colegiados, contribuindo com esse comportamento para 
não construir nada e nada mudar. Embora os colegiados sejam um espaço legítimo 
e uma conquista para o exercício da cidadania, até por serem previstos em lei, 
essa cidadania tem de ser qualificada e construída na prática. Os projetos políticos 
dos representantes dos diferentes segmentos e grupos, seus valores e suas visões 
de mundo, interferem na dinâmica desses processos participativos. Para terem 
como meta projetos emancipatórios, eles devem ter como lastro de suas ações os 
princípios da igualdade e da universalidade. Os colegiados devem construir ou 
desenvolver essa sensibilidade por meio de um conjunto de valores que venham a 
ser refletidos em suas práticas. Sem isso, temos uma inclusão excludente: aumento 
do número de alunos nas escolas e estruturas descentralizadas que não ampliam, 
de fato, a intervenção da comunidade na escola.
FONTE: GOHN, M. G. Educação não formal na pedagogia social. Anais... I congresso Internacional 
de Pedagogia Social, 2006 (adaptado).
Considerando as ideias do texto, avalie as afirmações a seguir.
I- A gestão compartilhada, em suas diferentes formas de conselhos e colegiados, 
precisa desenvolver uma nova cultura de participação que altere as 
mentalidades, os valores e a forma de conceber a gestão pública em nome dos 
direitos da maioria, e não de grupos.
II- É uma utopia a articulação da educação, em seu sentido mais amplo, com 
os processos de formação dos indivíduos como cidadãos ou da escola com a 
comunidade educativa.
III- É preciso desenvolver saberes que orientem as práticas sociais, construindo 
novos valores por meio da participação de coletivos de pessoas diferentes, mas 
com metas iguais. 
IV- Os projetos emancipatórios visam a formação de cidadãos éticos, ativos, 
participativos, com responsabilidade diante do outro e preocupados com 
questões universais e, para tal, devem priorizar as normatizações legais, em 
detrimento dos órgãos colegiados de natureza deliberativa.
V- A transformação das escolas em centros de referências civilizatórias nos bairros 
onde se localizam exige preparação contínua e aprendizado permanente no que 
diz respeito à participação da comunidade escolar em conselhos e colegiados.
É correto apenas o que se afirma em:
a) ( ) I e IV
b) ( ) II e III
c) ( ) I, III e V
d) ( ) I, II,IV e V
149
TÓPICO 3
PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 
O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O 
REGIMENTO ESCOLAR
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, chegamos ao final dos estudos sobre a gestão educacional 
e apresentamos informações sobre os principais documentos que nortearão 
as atividades educativas. Precisamos de especial atenção no desenvolvimento 
e organização do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e no Regimento Escolar, 
observando as especificidades legais de cada documento.
Abordaremos o conteúdo das 20 metas estipuladas pelo Plano Nacional 
de Educação – PNE, que serão foco de investimento do governo federal para os 
próximos dez anos. Conhecendo as metas apontadas no PNE entenderemos as 
intencionalidades e ações do governo federal em relação ao desenvolvimento 
e ações programadas para a educação nacional. Desta forma, sentiremos na 
conjuntura educacional os reflexos, ao longo dos anos, das intenções de progresso 
e melhoria na qualidade da educação para o Brasil.
Neste tópico, estudaremos sobre a organização e elaboração do Projeto 
Político-Pedagógico – PPP e do Regimento Escolar, são documentos que 
regulamentam e legislam os fazeres educativos e pedagógicos na escola. Você 
conhecerá as etapas e os processos para sua elaboração, com sugestões de leituras 
complementares sobre o assunto.
2 PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
O Plano Nacional de Educação – PNE – apresenta como objetivo a 
organização racional das ações educativas que devem ser executadas e seguidas 
no país. Segundo a Constituição de 1988, o PNE deve abranger todos os aspectos 
que dizem respeito à organização da educação nacional, unindo os diversos níveis 
do ensino e integrando as ações governamentais para solucionar as deficiências 
históricas educacionais. Nesse sentido, o PNE deve, no seu contexto, estabelecer 
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
150
metas que apontem para a erradicação do analfabetismo, universalização do 
atendimento escolar, melhoria da qualidade de ensino, formação para o trabalho, 
promoção humanística, científica e tecnológica do país (BRASIL, 2014).
A organização e estruturação do PNE segue os princípios legais da 
LDB/1996, como lei prioritária da educação, estabelecendo as diretrizes para 
sua organização nacional. A Lei de Diretrizes prevê que o PNE seja enviado ao 
Congresso Nacional para sua aprovação, no prazo máximo de um ano após sua 
promulgação. O processo de elaboração do PNE se baseia na sistematização 
das metas, que indicarão o atendimento às demandas educacionais dentro de 
prazos estabelecidos pelas autoridades, para conseguirem atender aos problemas 
diagnosticados no país (BRASIL, 2009).
As diretrizes e metas que compõem o Plano Nacional de Educação 
apresentam relação direta com o projeto político e de desenvolvimento 
almejado pelo governo do país. Nesse sentido, o PNE não possui somente como 
objetivo o repasse dos recursos, mas se encontra subordinado às estratégias de 
desenvolvimento nacional, priorizando a conquista do desenvolvimento do país 
e a resolução dos problemas sociais, baseado no direito da educação para todos. 
Assim, a cada ano o governo disponibiliza um certo número de recursos para 
realizar as metas que foram estabelecidas no PNE, para assegurar a universalização 
da educação com qualidade para todos (BRASIL, 2009).
O atual Plano Nacional de Educação determinará as diretrizes, metas e 
estratégias para a política educacional no período de 2014-2024. O texto compreende 
20 metas distribuídas em quatro grupos que pretendem solucionar os problemas 
diagnosticados no país. O primeiro grupo de metas abordará sobre a garantia 
do direito à educação básica com qualidade, acesso, universalização do ensino 
obrigatório e a ampliação das oportunidades educacionais. O segundo grupo 
aponta a redução das desigualdades e a valorização da diversidade. O terceiro 
grupo de metas prioriza a valorização dos profissionais da educação, juntamente 
com as metas anteriores que não foram alcançadas. O quarto e último grupo de 
metas destaca o investimento ao Ensino Superior no país (BRASIL, 2014).
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
151
QUADRO 10 - 20 METAS DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2014-2024
Meta 1: Universalizar, até 2016, a educação infantilna pré-escola para as crianças 
de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de Educação Infantil em 
creches, de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças 
de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE.
Meta 2: Universalizar o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos para toda a 
população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa 
e cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o 
último ano de vigência deste PNE.
Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 
(quinze) a 17 (dezessete) anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, 
a taxa líquida de matrículas no Ensino Médio para 85% (oitenta e cinco por cento).
Meta 4: Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos 
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades 
ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional 
especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de 
sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, 
escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.
Meta 5: Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano 
do Ensino Fundamental.
Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta 
por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e 
cinco por cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.
Meta 7: Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e 
modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a 
atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB: 6,0 nos anos iniciais do Ensino 
Fundamental; 5,5 nos anos finais do Ensino Fundamental; 5,2 no Ensino Médio.
Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 (dezoito) a 29 (vinte e 
nove) anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último 
ano de vigência deste Plano, para as populações do campo, da região de menor 
escolaridade no país e dos 25% (vinte e cinco por cento) mais pobres, e igualar a 
escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto 
Brasileiro de Geografa e Estatística (IBGE).
Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou 
mais para 93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, 
até o final da vigência deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir 
em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional.
Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) das matrículas 
de educação de jovens e adultos, nos ensinos Fundamental e Médio, na forma 
integrada à educação profissional.
Meta 11: Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, 
assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% (cinquenta por cento) da 
expansão no segmento público.
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
152
Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% 
(cinquenta por cento) e a taxa líquida para 33% (trinta e três por cento) da 
população de 18 (dezoito) a 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade 
da oferta e expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das novas 
matrículas, no segmento público.
Meta 13: Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de 
mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema 
de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no 
mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.
Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto 
sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) mestres e 
25.000 (vinte e cinco mil) doutores.
Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, 
o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de 1 (um) ano de vigência 
deste PNE, política nacional de formação dos profissionais da educação de 
que tratam os incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e as professoras 
da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em 
curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.
Meta 16: Formar, em nível de pós-graduação, 50% (cinquenta por cento) dos 
professores da educação básica, até o último ano de vigência deste PNE, e garantir 
a todos(as) os(as) profissionais da educação básica formação continuada em sua 
área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações 
dos sistemas de ensino.
Meta 17: Valorizar os(as) profissionais do magistério das redes públicas de educação 
básica de forma a equiparar seu rendimento médio ao dos(as) demais profissionais 
com escolaridade equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.
Meta 18: Assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existência de planos de 
carreira para os profissionais da educação básica e superior pública de todos 
os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos(as) profissionais da 
educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional 
profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 
206 da Constituição Federal.
Meta 19: Assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação 
da gestão democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e 
desempenho e à consulta pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas 
públicas, prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto.
Meta 20: Ampliar o investimento público em educação pública de forma a 
atingir, no mínimo, o patamar de 7% (sete por cento) do Produto Interno Bruto 
(PIB) do país no 5º (quinto) ano de vigência desta lei e, no mínimo, o equivalente 
a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio.
FONTE: (BRASIL, 2014)
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
153
O PNE consiste em um documento que normatiza as metas que deverão ser 
alcançadas em prazos decenais. Observamos que as 20 metas que ocuparão o prazo 
de 2014 a 2024 consistem em intencionalidades do governo para garantir o acesso, 
qualidade e garantia de educação para todos. Para tanto, também há necessidade 
de todos os profissionais envolvidos na educação conhecerem as metas do PNE, 
para que sejam analisadas e incorporadas por todos. 
Nesse sentido, outro objetivo da divulgação consiste no conhecimento 
deste documento para os municípios, estado e Distrito Federal, para que todos 
se atentem à relevância e necessidade de cada meta. Assim, possam contribuir 
de forma significativa para que o Brasil consiga avançar na universalização e 
qualidade da educação, conforme o pretendido no PNE 2014-2024 (BRASIL, 2014).
 
3 PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) consiste no documento que revela 
a identidade, ações e as concepções do processo de ensino e aprendizagem da 
escola. Para tanto, a escola deve organizar o documento para que esteja de acordo 
com a rotina, as vivências e necessidades dos estudantes e da comunidade. 
FIGURA 43 - PESSOAS QUE CONTRIBUEM PARA ELABORAÇÃO DO PPP
FONTE: A autora
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
154
Como podemos observar no organograma, o PPP é um documento que 
deve ser elaborado e organizado com a participação democrática e ativa daqueles 
que compõem a comunidade escolar, assim entendidos (CEDAV, 2016):
• Os estudantes: crianças, adolescentes, jovens e adultos, sujeitos principais do 
processo educativo da escola. 
• Os professores: profissionais da educação, imprescindíveis e responsáveis pelo 
ensino e pela aprendizagem dos estudantes. 
• A equipe gestora: profissionais que regem toda essa orquestra, “empoderados” 
para gerir, orientar, conduzir, moderar e mobilizar todos os envolvidos com 
o intuito de entrelaçar os caminhos de cada um e de todos, em um alinhavo 
potencializador.• Outros funcionários: profissionais dedicados ao bem-estar de toda a comunidade 
escolar, muitas vezes esquecidos no que se refere ao ensino e aprendizagem, 
mas potenciais parceiros no processo educativo da escola. 
• Os pais ou responsáveis: pessoas que confiam os filhos à escola 
para compartilhar sua educação, sujeitos ocultos ou não, mas parceiros na 
educação das crianças, adolescentes e jovens. 
• A comunidade externa: a comunidade do entorno da escola, pessoas e entidades 
que podem estar envolvidas direta ou indiretamente no processo educativo da 
instituição.
A organização e elaboração do PPP requer respeito, coerência, compromisso, 
responsabilidade e intencionalidade, baseados no compromisso do processo de 
ensino e aprendizagem desenvolvido na escola, vislumbrando atingir a qualidade 
e acesso da educação para todos. Nesse sentido, o PPP não consiste em mais um 
documento que deve ser guardado em gavetas ou arquivos midiáticos. Mas sim, 
um instrumento que representa a função social da escola e ser disponibilizado a 
todos da forma como a equipe de profissionais julgar necessário (CEDAV, 2016).
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
155
FIGURA 44 - CONSTRUÇÃO DEMOCRÁTICA DO PPP
FONTE: Disponível em: <https://gestaoescolar.org.br/conteudo/751/a-escola-
da-familia>. Acesso em: 31 mar. 2017.
O gestor escolar, como mediador das relações sociais que ocorrem na escola, 
deve propiciar momentos para que todos participem ativamente do processo de 
construção do PPP. A base da elaboração do documento reúne questionamentos 
que necessitam ser bem elaborados, para coletar os dados e informações necessárias 
para expressar a realidade social, pedagógica e administrativa da escola. 
Para definir o que precisa ser melhorado na escola, ou analisar o contexto 
existente, faz-se necessário um olhar apurado e crítico sobre a própria instituição. 
Pensando na construção de um PPP que contextualize a realidade vivenciada pela 
comunidade escolar, sugerimos que seja organizado um roteiro de observação. 
Uma forma de documentar as observações, sistematizando e orientando o olhar 
para os pontos que necessitam ser considerados, para depois serem analisados nas 
reuniões da elaboração do PPP.
QUADRO 11 - ROTEIRO PARA OBSERVAÇÃO DA REALIDADE ESCOLAR
Situações a serem observadas Registro do que foi observado
O que o registro 
revela sobre o PPP
Onde e como os estudantes se 
alimentam na escola?
Como os estudantes se relacionam 
entre si em sala de aula e no intervalo?
Como os estudantes são chamados 
pelos professores e funcionários? Pelo 
nome? Pelo apelido?
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
156
O mobiliário, sua organização e sua 
distribuição espacial são adequados 
aos estudantes (faixa etária, gênero, 
deficiência etc.)?
Como os estudantes acessam os materiais 
escolares (livros literários, equipamentos, 
lápis etc.)? Têm autonomia ou precisam 
sempre de um adulto?
Como é a organização do pátio escolar
 para uso dos estudantes no intervalo?
Qual o envolvimento dos estudantes 
com a aprendizagem?
Os estudantes se sentem estimulados 
a buscar novas informações e 
conhecimentos?
Os estudantes estão aprendendo sobre 
temas significativos para a realidade vivida?
O que se faz com as produções dos 
estudantes?
Como os familiares são atendidos 
na escola? Em quais situações são 
convidados a comparecer à unidade?
Outras situações...
FONTE: (CEDAV, 2016)
O roteiro pode ser alterado pelo gestor e sua equipe, acrescentando novos 
tópicos de interesse para a realidade da escola. O importante seria um guia com 
tópicos pertinentes aos interesses da comunidade, que revelasse as informações que 
necessitam ser discutidas e analisadas. O PPP consiste no documento de identidade 
da escola, dessa forma, precisa revelar as condições reais, intencionalidades e 
interesses da equipe de profissionais e comunidade envolvidas.
Para a organização do PPP se faz necessário contemplar algumas 
informações sobre a escola, que norteiam a identidade do documento e assinalam 
as intencionalidades para o contexto escolar.
1. Contextualização histórica da comunidade e da escola - informações 
sobre a história da cidade e do bairro; costumes da população local; situação das 
residências; grupos e lideranças comunitárias; associações e clubes; grupos culturais; 
situação econômica e educacional; condições de trabalho. Situação física da unidade 
escolar, caracterização do quantitativo do corpo docente e discente da escola; equipe 
gestora, administrativa e pedagógica, Conselho Escolar e Unidade Executora. 
2. Caracterização da comunidade escolar - analisar as fichas de matrículas 
e considerar as informações quanto à constituição familiar como número de filhos, 
idade, sexo, saúde, hábitos alimentares, níveis de escolaridade, renda e qualificação 
profissional dos pais ou responsáveis. Os profissionais da escola podem organizar 
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
157
um questionário socioeconômico para descobrir as informações que desejam 
considerar na construção do PPP.
3. Diagnóstico com base nos indicadores educacionais da escola - 
apresentar os indicadores da escola que orientarão as decisões quanto à melhoria 
do desempenho dos estudantes e da qualidade de ensino e aprendizagem. 
4. Missão, visão, princípios e valores da escola - as intencionalidades da 
comunidade escolar para conquistar uma educação de qualidade, as ações que 
pretendem desenvolver e oferecer aos estudantes e à comunidade externa. Precisa 
apresentar claramente as intenções que norteiam suas decisões, qual indivíduo se 
pretende formar, ou seja, sua política educativa.
5. Fundamentação teórica e bases legais - considerar as concepções teóricas 
e as bases legais que fundamentam o trabalho educativo desenvolvido na escola. 
As bases legais precisam considerar os dispositivos e normativas que apoiam e 
determinam sobre a educação nacional, como a Constituição de 1988, a LDB/96, as 
Diretrizes Nacionais e outros. 
6. Plano de ação e/ou atividades - definição descritiva das ações que serão 
realizadas coletivamente para superar os problemas detectados, buscando a 
qualidade do ensino oferecido pela escola.
7. Outros itens - pode apresentar outras informações referentes à Proposta 
Curricular, Regimento Escolar e outros documentos que a equipe escolar julgar 
necessário para a redação do PPP (CEDAV, 2016).
FIGURA 45 - ORGANIZAÇÃO DO PPP
 FONTE: Disponível em: <http://www.danielnoblog.com.br/?pg=115>. Acesso em: 31 mar. 2017.
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
158
O processo de construção e organização do PPP não acontece em uma 
única reunião ou encontro, ao contrário, diz respeito a uma sequência de ações que 
devem ser planejadas antecipadamente e a seu tempo serem implantadas. O tempo 
de elaboração precisa considerar a captação das informações sobre a comunidade 
local por meio de questionários ou pesquisa nas fichas de matrícula, tabulação 
dos dados, reuniões para organizarem as concepções e intencionalidades para a 
educação na escola, estruturação do documento para análise final e aprovação do 
grupo de trabalho.
Nesse sentido, apresentamos, de acordo com CEDAV (2016), as etapas que 
constituem a elaboração e construção do PPP:
• 1ª etapa: Envolvimento e sensibilização da equipe da escola para promover o 
engajamento e a visão de conjunto do trabalho a ser realizado. 
• 2ª etapa: Planejamento coletivo para organizar o processo e definir as atribuições 
de cada participante; pode conter informações sobre ações, etapas, duração e 
responsáveis. 
• 3ª etapa: Levantamento para coletar dados e fazer um diagnóstico sobre a escola. 
• 4ª etapa: Mobilização da comunidade escolar externa (pais e familiares, 
responsáveis, vizinhos) para participar. 
• 5ª etapa: Análise e socialização dos dados e definição de prioridades para 
estabelecer metas com a comunidade escolar. 
• 6ª etapa: Elaboração e validaçãodo texto do documento. 
• 7ª etapa: Divulgação da versão final. 
• 8ª etapa (permanente): Uso do documento como referência para nortear a 
tomada de decisões no cotidiano escolar.
Apresentamos os itens e as etapas que precisam ser considerados na 
organização e elaboração do PPP. Contudo, ainda há necessidade de se observar 
atentamente algumas situações que precisam de atenção da equipe gestora durante 
o processo de construção do PPP (CEDAV, 2016): 
• Assegurar que os dados e informações apresentados sejam claros, precisos e 
compreensíveis, a fim de evitar que sejam mal entendidos e questionados pelos 
participantes.
• Explicar a todos os participantes as etapas do processo e a metodologia utilizada.
• Assegurar que todos os participantes compreendam o processo, inclusive os 
não educadores.
• Definir com precisão as atribuições e papéis de cada participante.
• Estabelecer metas e prioridades para cada etapa e para o documento.
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
159
• Ajustar o planejamento considerando as demandas surgidas ao longo do 
processo.
• Garantir a participação genuína de todos, com espaço para escuta e troca de 
experiências.
• Exercer liderança de modo a assegurar a motivação, o interesse e o compromisso 
de todos os participantes durante todo o processo.
O gestor escolar, juntamente com a equipe de profissionais da escola, 
na organização e elaboração do PPP, precisa considerar como um exercício que 
faz parte da gestão democrática, orientando as intencionalidades educativas de 
acordo com as necessidades identificadas na escola. Desta forma, a construção 
do documento se faz de forma participativa, com as contribuições dos gestores, 
professores, funcionários, estudantes e famílias. Somente oportunizando, no 
ambiente escolar, possibilidades de atuação democrática e participativa da 
comunidade, é que se consegue realmente viver uma gestão democrática, voltada 
para a conquista da qualidade na educação.
4 REGIMENTO ESCOLAR
O regimento escolar consiste, na constituição da escola, no documento 
que aponta sobre as normas gerais que regulamentam todas as práticas escolares 
disciplinares e pedagógicas. A constituição textual do regimento precisa estar 
em consonância com a legislação da educação, em nível nacional, bem como, 
nas instâncias estaduais e municipais. A escola possui autonomia para elaborar 
seu regimento escolar, como também acompanhar o regimento único para todas 
as unidades escolares do sistema, quando houver essa situação (PACHECO; 
CERQUEIRA, 2009).
Para a elaboração e organização do regimento escolar há necessidade 
da participação do Conselho Escolar, como órgão deliberativo formado por 
representantes da comunidade escolar e local. Como não existe um modelo único 
a ser seguido de como deve ser organizado e estruturado um regimento escolar, 
cada escola pode estabelecer as regras e parâmetros para sua criação. Contudo, 
reiteramos a necessidade de o regimento escolar acompanhar as determinações 
legais que regem a educação nos níveis nacional, estadual e municipal (PACHECO; 
CERQUEIRA, 2009).
Segundo Pacheco e Cerqueira (2009), a organização geral do regimento 
escolar precisa conter alguns dados fundamentais, como:
• Identificação da instituição, com nome e endereço completo.
• Informações sobre a instituição ou órgão, no caso de ensino público que a 
mantém.
• Apresentação clara de seus fins e objetivos.
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
160
• Detalhamento das estruturas administrativa e pedagógica, constando cada um 
dos cargos e suas atribuições.
• Princípios que regerão as relações internas da instituição e desta com a 
comunidade.
FIGURA 46 - ORGANIZAÇÃO DO REGIMENTO ESCOLAR
FONTE: A autora
No regimento da escola outras informações devem aparecer, como o nível 
e a modalidade de ensino, com os turnos e as turmas que são atendidas no espaço 
escolar. Assuntos pedagógicos, quanto à organização do currículo, avaliação, 
progressão dos alunos, aproveitamento de estudos, carga horária e outras 
informações que condizem com a estrutura pedagógica da escola. Informações 
administrativas quanto à escrituração de documentos, como o histórico escolar, 
transferências, controle de frequência dos estudantes, emissão de certificados e 
outros documentos que envolvem assuntos escolares dos estudantes (PACHECO; 
CERQUEIRA, 2009).
O regimento escolar consiste no documento institucional que faz parte da 
gestão democrática, estabelecendo os parâmetros para o desenvolvimento das 
relações administrativas e sociais no ambiente escolar. Desta forma, o conteúdo não 
se ocupa somente de formas de controle e organização, mas como um instrumento 
de democratização das relações estabelecidas entre a comunidade escolar e local. 
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
161
FIGURA 47 - REGIMENTO ESCOLAR: DOCUMENTO LEGISLADOR
FONTE: Disponível em: <http://www.ctaalinepicheth.seed.pr.gov.br/modules/
conteudo/conteudo.php?conteudo=15>. Acesso em: 31 mar. 2017.
O primeiro passo para organizar um regimento escolar consiste na existência 
do Conselho Escolar, órgão deliberativo que se ocupará dos encaminhamentos e 
coordenação da eleição de uma comissão, que redigirá a proposta de regimento, 
para ser votada e aprovada em assembleia geral com a participação da comunidade. 
Contudo, caso a escola não disponha da atuação do Conselho Escolar, poderá 
organizar uma reunião com a presença de membros representando todos os 
segmentos da escola. Na reunião os participantes precisam apurar uma comissão 
para elaborar a proposta de regimento, que será analisada e votada numa data 
predefinida. Assim, na reunião, uma comissão redatora deverá ser apontada para 
que atente aos prazos estabelecidos, pense em alternativas de coletar sugestões, 
organize reuniões com a comunidade para debates de temas polêmicos referentes 
à educação, enfim, que seja realmente um processo de participação ativa e 
democrática de todos os envolvidos (PACHECO; CERQUEIRA, 2009). 
Na organização do Regimento Escolar, o gestor escolar e o Conselho 
Escolar atuam como um segmento de apoio para a elaboração e organização do 
documento. Ambos participam convocando a comunidade escolar para auxiliar 
no debate sobre as questões da escola, definir a comissão que contribuirá para 
elaboração da proposta e apurar as assembleias para que haja as discussões, análise 
e aprovação do documento (PACHECO; CERQUEIRA, 2009).
O regimento escolar consiste no instrumento de fortalecimento das ações 
educativas desenvolvidas na escola. Nesse sentido, necessita estabelecer parcerias com 
os demais órgãos públicos do sistema educacional e disponíveis no seu município. 
Desta forma, conseguirá viabilizar projetos, auxílio da demanda dos encaminhamentos, 
parcerias com outros profissionais que contribuem com seus serviços e acabam 
influenciando o andamento das atividades educativas. Como exemplos, podemos 
apresentar a integração com os Postos de Saúde e os serviços oferecidos, parceria 
com os Conselhos Tutelares no encaminhamento de situações dos estudantes, com as 
empresas locais estabelecendo parcerias com projetos, e outros. 
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
162
O Regimento Interno regulamenta e operacionaliza o cotidiano escolar 
com normas criadas para definir papéis, funções, direitos, deveres, proibições, 
avaliação e outros. O documento deve estar sempre em sintonia com o Projeto 
Político-Pedagógico (URBANESKI; CANI, 2017). Desta forma, Vasconcellos (2012, 
p. 174) aponta que:
É preciso que fique clara a distinção entre o Projeto Político-Pedagógico 
da escola. [...] O que se espera é que o regimento possa ser feito a partir 
do Projeto, qual seja, ter os parâmetros e princípios do Projeto como 
referência para o detalhamento administrativo e jurídico (o que nem 
sempre é possível, pelo menos no todo, em função das diretrizes e 
normas exteriores à escola). O quese recomenda é que o regimento seja 
o mais abrangente possível, delegando a tarefa de definir detalhes para 
segmentos específicos da instituição [...].
Urbaneski e Cani (2017) argumentam sobre a elaboração do regimento 
interno como forma de precaução quanto à segurança jurídica e também evita 
infindáveis discussões no Judiciário sobre temas não regulamentados, como na 
sanção administrativa adequada à punição de estudante que ofende ou agride o 
professor. Assim, o regimento interno pode ser utilizado como documento que 
regulamenta as ações desenvolvidas na escola, no âmbito judicial, por exemplo, 
quanto à indisciplina dos estudantes.
Os procedimentos previstos no regimento interno escolar devem ser 
criteriosamente seguidos, por exemplo, quando envolve ato de indisciplina dos 
estudantes e a aplicação das sanções sob pena de nulidade de todos os atos. 
Sobretudo, no caso de apuração de ato de indisciplina, cabe ao estudante e aos 
pais ou responsáveis o direito de ampla defesa. Ambos precisam ser notificados 
quando da instauração do procedimento administrativo disciplinar, dentre outros 
procedimentos, tendo todos os atos registrados em ata e assinados pelo gestor 
escolar e professores envolvidos. Caso os procedimentos formais do processo 
administrativo disciplinar não forem rigorosamente respeitados, pode ser anulado, 
seja na esfera administrativa ou no Judiciário (URBANESKI; CANI, 2017).
Observe a importância do regimento na escola como documento legislador 
das ações educativas, disciplinares e administrativas em alguns exemplos de 
decisões judiciais em que o regimento escolar foi citado.
"MANDADO DE SEGURANÇA. ALUNO. TRANSFERÊNCIA COMPUL-
SÓRIA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO INEXISTENTE. DENEGA-SE A 
SEGURANCA QUANDO NÃO TENHA SIDO PROVADA A AGRESSÃO 
A DIREITO LÍQUIDO E CERTO DO IMPETRANTE. A TRANSFERÊNCIA 
COMPULSÓRIA PRESCINDE DE PROCEDIMENTOS FORMAIS, 
PRINCIPALMENTE EM HAVENDO PREVISÃO EXPRESSA NO 
REGIMENTO ESCOLAR E SEJA O ALUNO REINCIDENTE NO MAU 
COMPORTAMENTO, INCLUSIVE COM DUAS SUSPENSÕES. A 
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELA AUTORIDADE AVERBADA DE 
COATORA PODE SER FEITA PESSOALMENTE, SEM NECESSIDADE DE 
PROCURADOR CONSTITUÍDO".
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
163
(TJGO, APELAÇÃO CÍVEL EM MANDADO DE SEGURANÇA 43962-9/189, 
Rel. DRA. MARILIA JUNGMANN SANTANA, TJGO SEGUNDA CAMARA 
CÍVEL, julgado em 28/05/1998, DJe 12858 de 31/07/1998).
Ementa: APELAÇÃO CÍVEL. EXPULSÃO DE ALUNA. FALTA 
DISCIPLINAR. O comportamento da apelante infringiu as normas 
disciplinares da escola e, portanto, justificada está a sua transferência para 
outro ambiente escolar. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. (Apelação 
Cível Nº 70054283296, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, 
Relator: Alzir Felippe Schmitz, Julgado em 27/06/2013).
Apelação Cível. Direito Civil. Ação indenizatória. Aluno menor expulso de 
instituição de ensino particular em razão de indisciplina. Questionamento 
dos pais quanto à medida extrema adotada. Aluno portador de déficit de 
atenção e hiperatividade. Alegação de discriminação e ocorrência de danos morais 
sofridos pelos autores. Sentença de improcedência do pedido indenizatório. Laudo 
médico que comprova o déficit de atenção e a hiperatividade do menor. 
Quadro clínico que não legitima o aluno ignorar as normas de disciplina e 
respeito aos colegas e professores. Comprovação de ocorrências referentes à 
indisciplina do mesmo. Expulsão que não se reveste de qualquer ilegalidade. Dano 
moral não configurado. Recurso a que se nega seguimento na forma autorizada pelo 
artigo 557 do Código de Processo Civil. (0015886-56.2004.8.19.0014 – APELAÇÃO. 
Des(a). CLAUDIO BRANDÃO DE OLIVEIRA - Julgamento: 22/03/2012 - 
DÉCIMA NONA CÂMARA CÍVEL).
IMPORTANT
E
A obra “Responsabilidade jurídica dos pais, professores e escola: legislação, 
processo, doutrina e decisões judiciais” apresenta que, num cenário de mudanças 
constantes, as responsabilidades dos pais/genitores sobre os filhos são cada vez mais amplas 
no ordenamento jurídico brasileiro, independentemente das configurações de família. E neste 
sentido, aponta-se as responsabilidades dos pais/genitores frente aos filhos nos diversos 
ramos do direito (constitucional, penal, civil, trabalhista, código de trânsito, previdenciário, 
tributário, no ECA e na LDB) e inclusive perante os atos ilícitos dos filhos.
O estudo destaca as responsabilidades dos professores (pedagógicas e jurídicas) e das 
escolas, pois as crianças e os adolescentes passam um tempo considerável de suas vidas nos 
estabelecimentos escolares e estão sob a responsabilidade destes. 
UNIDADE 3 | GESTÃO DO ESPAÇO ESCOLAR
164
Quanto ao campo educacional, apresentam-se as 
responsabilidades dos estudantes, a importância do Projeto 
Político-Pedagógico e do Regimento Escolar. E, por fim, são 
elencados alguns crimes que podem se fazer presentes no 
cotidiano escolar, uns com maior e outros com menor incidência, 
como observado nas jurisprudências pesquisadas e selecionadas 
dos Tribunais de Justiça. 
Confira e se informe sobre a legislação!
O DIREITO À EDUCAÇÃO: Um campo de atuação do 
gestor educacional na escola
 
Carlos Roberto Jamil Cury
Tanto quanto um direito, a educação é definida, em nosso ordenamento 
jurídico, como dever: direito do cidadão – dever do Estado. Do direito nascem 
prerrogativas próprias das pessoas em virtude das quais elas passam a gozar 
de algo que lhes pertence como tal. Do dever nascem obrigações que devem ser 
respeitadas tanto da parte de quem tem a responsabilidade de efetivar o direito 
como o Estado e seus representantes, quanto da parte de outros sujeitos implicados 
nessas obrigações. Se a vida em sociedade se torna impossível sem o direito, se 
o direito implica em um titular do mesmo, há, ao mesmo tempo, um objeto do 
direito que deve ser protegido inclusive por meio da lei.
Hoje, praticamente, não há país no mundo que não garanta, em seus textos 
legais, o direito de acesso, permanência e sucesso de seus cidadãos à educação 
escolar básica. Afinal, a educação escolar é uma dimensão fundante da cidadania 
e tal princípio é indispensável para a participação de todos nos espaços sociais 
e políticos e para (re)inserção qualificada no mundo profissional do trabalho. 
Por isso, o art. 205 de nossa Constituição Federal de 1988 é claro: A educação, 
direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada 
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, 
seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Dessa definição, bela e forte ao mesmo tempo, seguiram-se outros 
preceitos visando à efetivação desse direito à educação já proclamado no artigo 
6º da mesma Constituição como o primeiro direito social. Tal efetivação abrange 
desde os princípios e regras da administração pública até as diretrizes que regem 
os currículos da educação escolar.
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 3 | PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, O PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO E O REGIMENTO ESCOLAR
165
A educação escolar é um bem público de caráter próprio por implicar a 
cidadania e seu exercício consciente, por qualificar para o mundo do trabalho, 
por ser gratuita e obrigatória no Ensino Fundamental, por ser gratuita e 
progressivamente obrigatória no Ensino Médio, por ser também dever do Estado 
na Educação Infantil.
Esse bem público, capaz de ser como serviço público, aberto, sob condições, 
à iniciativa privada, é, no âmbito público, cercado de proteção, por exemplo, a 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Plano Nacional de Educação 
e os pareceres e resoluções dos Conselhos de Educação. Veja se, por exemplo, a 
vinculação percentual de impostos na Constituição, a obrigatoriedade do censo 
escolar e a avaliação de desempenho escolar.
Como se trata de um direito reconhecido, é preciso que ele seja garantido e, 
para isto, a primeira garantia é que ele esteja inscrito no coração de nossas escolascercado de todas as condições. Nesse sentido, o papel do gestor é o de assumir e 
liderar a efetivação desse direito no âmbito de suas atribuições.
A declaração e a efetivação desse direito tornam se imprescindíveis no 
caso de países, como o Brasil, com forte tradição elitista e que, tradicionalmente, 
reservaram apenas às camadas privilegiadas o acesso a este bem social. As precárias 
condições de existência social, os preconceitos, a discriminação racial e a opção por 
outras prioridades fazem com que tenhamos uma herança pesada de séculos a ser 
superada.
Por isso, declarar e assegurar são mais do que uma proclamação solene. 
Declarar é retirar do esquecimento e proclamar aos que não sabem ou se 
esqueceram que somos portadores de um direito importante. Declarar e assegurar, 
sob esse enfoque, resultam na necessária cobrança de quem de direito (dever) e 
na indispensável assunção de responsabilidades por quem de dever (direito), em 
especial quando ele não é respeitado. Se a nossa Constituição põe como princípio 
do ensino a garantia de um padrão de qualidade (art. 206, VII), por contraste, 
assinala, no art. 208, § 2º que o não oferecimento do ensino obrigatório ou sua 
oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente.
FONTE: Disponível em: <http://escoladegestores.mec.gov.br/site/8-biblioteca/pdf/jamilcury.pdf>. 
Acesso em: 31 mar. 2017.
166
Neste tópico, você aprendeu que:
• O Plano Nacional de Educação - PNE apresenta como objetivo a organização 
racional das ações educativas que devem ser executadas e seguidas no país.
• A organização e estruturação do PNE segue os princípios legais da LDB/1996, 
como lei prioritária da educação, estabelecendo as diretrizes para sua organização 
nacional.
• As diretrizes e metas que compõem o Plano Nacional de Educação apresentam 
relação direta com o projeto político e de desenvolvimento almejado pelo governo 
do país.
• O atual Plano Nacional de Educação determinará as diretrizes, metas e 
estratégias para a política educacional no período de 2014-2024.
• O Projeto Político-Pedagógico - PPP consiste no documento que revela a 
identidade, ações e as concepções do processo de ensino e aprendizagem da escola. 
Para tanto, a escola deve organizar o documento para que esteja de acordo com a 
rotina, vivências e necessidades dos estudantes e da comunidade. 
• O gestor escolar, como mediador das relações sociais que ocorrem na escola, 
deve propiciar momentos para que todos participem ativamente do processo de 
construção do PPP.
• O regimento da escola consiste na constituição da escola, no documento que 
aponta sobre as normas gerais que regulamentam todas as práticas escolares 
disciplinares e pedagógicas.
• O Regimento Interno regulamenta e operacionaliza o cotidiano escolar com 
normas criadas para definir papéis, funções, direitos, deveres, proibições, avaliação 
e outros. O documento deve estar sempre em sintonia com o Projeto Político-
Pedagógico.
RESUMO DO TÓPICO 3
167
AUTOATIVIDADE
1 A organização e estruturação do PNE segue os princípios legais da LDB/1996, 
e a Lei de Diretrizes prevê que seja encaminhado ao Congresso Nacional para 
sua aprovação, no prazo máximo de um ano após sua promulgação. Reflita 
sobre o objetivo do Plano Nacional de Educação - PNE e assinale a alternativa 
correta:
a) ( ) Estrutura e organiza todas as ações educativas desenvolvidas no país, 
garantindo sua execução.
b) ( ) Atua como órgão deliberativo quanto à organização da estrutura e 
funcionamento das escolas.
c) ( ) Delibera somente sobre as ações aplicadas ao desenvolvimento dos 
planos de cargos e carreiras dos professores.
d) ( ) Documento que norteia as ações que devem ser desenvolvidas 
exclusivamente no Ensino Superior. 
2 Realize uma pesquisa para verificar quais os direitos, deveres e proibições 
mais comuns que você encontrou para alunos, pais e professores em regimentos 
escolares disponíveis on-line. 
3 (ENADE - PEDAGOGIA, 2014) O Plano Nacional de Educação (PNE) inclui 
20 metas e estratégias traçadas para o setor nos próximos 10 anos. Entre as 
metas, está a aplicação de valor equivalente a 10% do Produto Interno Bruto 
(PIB) na educação pública, promovendo a universalização do acesso à Educação 
Infantil para crianças de quatro a cinco anos, do Ensino Fundamental e do 
Ensino Médio. Esse plano também prevê a abertura de mais vagas no Ensino 
Superior, investimentos maiores em educação básica em tempo integral e em 
educação profissional, além da valorização do magistério.
FONTE: BRASIL. Conheça as 20 metas definidas pelo PNE. Disponível em: 
<http://www.brasil.gov.br>. Acesso em: 4 jul. 2014 (adaptado).
A Lei nº 13.005, de 25 junho de 2014, que aprova o PNE, prevê importantes 
dispositivos, tais como:
Art. 5 - A execução do PNE e o cumprimento de suas metas serão objeto de 
monitoramento contínuo e de avaliações periódicas.
Deveres Direitos Proibições 
Alunos
Professores
Pais/responsáveis
168
Art. 10 - O plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munícipios serão formulados 
de maneira a assegurar a consignação de dotações orçamentárias compatíveis 
com as diretrizes, metas e estratégias deste PNE e com os respectivos planos de 
educação, a fim de viabilizar sua plena execução. 
Art. 11 - O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, coordenado 
pela União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, 
constituirá fonte de informação para a avaliação da qualidade da educação 
básica e para a orientação das políticas públicas desse nível de ensino.
Art. 13 - O poder público deverá instituir, em lei específica, contados 2 (dois) 
anos da publicação desta Lei, o Sistema Nacional de Educação, responsável 
pela articulação entre os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para 
efetivação das diretrizes, metas e estratégias do Plano Nacional de Educação.
Considerando as informações acima, conclui-se que o PNE:
a) ( ) Possibilita ao país iniciar seu processo de desenvolvimento, pois 
prevê aumento anual de 10% nos patamares de aplicação do PIB em educação 
e sistema de monitoramento da aplicação de investimentos, o Sistema de 
Avaliação da Educação Básica, a ser instituído nos próximos dois anos. 
b) ( ) Prevê meta de aplicação de 10% do PIB em educação, sinalizando que 
os gestores escolares terão 10 vezes mais possibilidades de atingir patamares 
mais elevados de educação nos próximos 10 anos, pois vincula os investimentos 
com a educação aos níveis de desenvolvimento do país, aferidos pelo PIB.
c) ( ) Estabelece que a melhoria da educação básica – universalização do acesso 
à educação infantil, aumento de vagas no Ensino Superior, maior investimento 
em educação profissional - evidencia a base para o desenvolvimento, pois o 
crescimento econômico é o indicador do percentual de recursos do PIB a ser 
aplicado em educação.
d) ( ) Permite planejar a educação para os próximos 10 anos e institui 
mecanismos de monitoramento e avaliação, tanto da execução do Plano como 
da qualidade da educação, por meio do estabelecimento de metas educacionais 
dos investimentos a serem disponibilizados para o alcance dessas metas.
4 (ENADE - PEDAGOGIA, 2014) Considerando as concepções atuais de Projeto 
Político-Pedagógico (PPP) presentes na literatura, avalie as asserções a seguir e 
a relação proposta entre elas. 
I- Na avaliação de um PPP, deve-se reconhecer que esse processo é constituído 
de uma dimensão de cunho político, cujas expectativas ou intenções e realidade 
curricular encontram-se inseridas em contexto amplo, no que se refere às 
políticas educacionais e, especificamente, ao cotidiano escolar.
PORQUE
169
II- O PPP deve estar comprometido com a formação do cidadão para um 
tipo de sociedade, e é pedagógico devido à possibilidade e concretização 
das intencionalidades da escola, ou seja, da formação do cidadão partícipe, 
compromissado, crítico e criativo.
A respeito dessas asserções, assinale aopção correta.
a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa 
correta da I.
b) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma 
justificativa correta da I.
c) ( ) A asserção I é uma Proposição verdadeira, e a II é uma proposição 
falsa.
d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II também é uma proposição 
verdadeira.
170
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