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MODALIDADES DE AVALIAÇÃO E PERSPECTIVAS PARA PROFESSOR E ALUNO Professora: Me. Patrícia Rodrigues da Silva Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha Head de Produção de Conteúdos Rodolfo Pinelli Head de Planejamento de Ensino Camilla Cocchia Gerência de Produção de Conteúdos Gabriel Araújo Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo Supervisão de Projetos Especiais Daniel F. Hey Projeto Gráfico Thayla Guimarães Design Educacional Giovana Vieira Cardoso Design Gráfico Victor Augusto Thomazini Ilustração Victor Augusto Thomazini DIREÇÃO Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; SILVA, Patrícia Rodrigues da. Avaliação da Aprendizagem. Patrícia Rodrigues da Silva. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017. 37 p. “Pós-graduação Universo - EaD”. 1. Avaliação. 2. Aprendizagem. 3. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 371 CIP - NBR 12899 - AACR/2 01 02 03 04 05 sumário OUTRAS DUAS MODALIDADES DE AVALIAÇÃO: FORMATIVA E SOMATIVA 13| USO DIDÁTICO DA AVALIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ALUNO 17| 23| AVALIANDO DE FORMA DEMOCRÁTICA 27| AUTORREGULAÇÃO E AUTONOMIA DO ALUNO A PRÁTICA EDUCATIVA DO PROFESSOR E A AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA 09| OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conjecturar sobre o papel do professor e do aluno na prática avaliativa. • Compreender as modalidades e tipos de avaliação. • Conceber a avaliação como um processo democrático. • Compreender a avaliação como instrumento de desenvolvimento da aprendizagem. • Conhecer aspecto da autorregulação da aprendizagem e autonomia do aluno. PLANO DE ESTUDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • A prática educativa do professor e a avaliação diagnóstica • Outras duas modalidades de avaliação: formativa e somativa • Uso didático da avaliação e desenvolvimento do aluno • Avaliando de forma democrática • Autorregulação e autonomia do aluno MODALIDADES DE AVALIAÇÃO E PERSPECTIVAS PARA PROFESSOR E ALUNO INTRODUÇÃO Neste encontro vamos tratar sobre aspectos que envolvem professor e aluno no pro- cesso de avaliação. Iniciaremos as nossas discussões em nossa primeira aula que traz como título: “A prática educativa do professor e a avaliação diagnóstica”. Você terá contato neste primeiro momento de discussão com o fato de que a ava- liação precisa estar alinha a prática docente, ou seja, na medida em que mudamos as estratégias de ensino, precisamos mudar a avaliação e vice-versa. Em seguida, trarei algumas concepções a respeito da avaliação diagnóstica. Um tipo de avaliação de suma importância para medir previamente o conhecimento do aluno ao se iniciar um período ou unidade de estudo. Na segunda aula, abordaremos outras duas modalidades de avaliação: forma- tiva e somativa. Trarei características dessas modalidades que lhe permitam caro(a) aluno(a) melhorar o processo de avaliação nas disciplinas com as quais trabalha. Veremos que estas duas modalidades de formação representam a continuidade da avaliação diagnóstica. A terceira aula será composta por discussões que proporcionem conhecimen- to sobre o “Uso didático da avaliação e o desenvolvimento do aluno”, de forma que possamos refletir sobre uma prática docente construtiva no processo de avaliação, na qual o professor torna-se figural central para um processo de resgate da real es- sência da ação de avaliar. A quarta aula trará concepções sobre o avaliar de forma democrática. Para isso nos valeremos dos princípios norteadores de Batalloso (2003): princípio da transpa- rência, princípio de motivação e princípio de participação e de negociação Não menos importante, na quinta aula trataremos sobre o processo de autor- regulação do aluno e do professor, como também sobre o desenvolvimento da autonomia. A autorregulação será compreendida como um processo que se vincula ao desenvolvimento da aprendizagem do aluno, e, consequentemente a autonomia. Espero que você tenha belas reflexões e desenvolvimento de saberes com este estudo! Pós-Universo 7 Pós-Universo 8 Pós-Universo 9 A PRÁTICA EDUCATIVA DO PROFESSOR E A AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA Estamos em uma jornada de construção do conhecimento caro(a) aluno(a). Passamos por alguns pontos importantes no que diz respeito a avaliação, conhecemos aspec- tos que nos levaram à reflexão a respeito desta temática e, neste momento vamos adentrar um pouco mais neste escopo, conhecendo mais de suas características. Uma ideia que não podemos perder ao pensarmos o processo de avaliação é a necessidade de que este esteja alinhado a prática docente. Embora esta seja uma ideia que pareça óbvia, ainda é muito comum que alunos sejam avaliados de maneira desconexa com o que foi trabalhado em sala de aula. Ao discutirem a função da ava- liação, Jorba e Sanmartí (2003) salientam que se desejamos mudar a prática educativa, precisamos mudar a avaliação, e vice-versa. Não podemos deixar que as mudanças no currículo, a seleção de conteúdos, a metodologia utilizada pelos professores seja em função da avaliação,mas sim, que esteja alinhada com este processo. Precisamos nos lembrar sempre de que novos programas, mudanças no currículo, novos aspectos didáticos da aula e da avaliação, devem orientar-se para a planificação de atividades voltadas ao processo de ensino- -aprendizagem (JORBA; SANMARTÍ, 2003). É por este motivo caro(a) aluno(a) que tratamos em um outro momento sobre a avaliação revelar parte do currículo oculto dos professores. Compreendemos melhor este fato agora, não é mesmo? O professor precisa pensar o processo de avaliação de maneira engajada à prática vivenciada e trabalhada em sala de aula. Devemos destacar que a avaliação não pode ser apenas mais um item do plano de ensino, ela precisa ser vivida, precisa ser explora- da, precisa ter significado, para o professor sim, mas, principalmente para o alunado. Isso porque, se o aluno, a turma, não compreender o significado e objetivos da avaliação que lhes está sendo aplicada, é quase certo que resultados satisfatórios não serão alcançados. Para nos ajudar neste processo de construção da avaliação, vamos conhecer as modalidades de avaliar. Pós-Universo 10 Modalidades de Avaliação O conhecimento sobre as modalidades de avaliação nos traz clareza para o processo de construção da avaliação. O conhecimento destas modalidades, e as formas para explorá-las é de suma importância para cada pessoa que se propõe a ser professor, ou seja, é responsabilidade de cada um conhecê-las. Primeiramente precisamos compreender que a modalidade de avaliação está associada ao objetivo estabelecido no planejamento. Jorba e Sanmartí (2003) nos apresentam que a avaliação pode acontecer em 3 (três) momentos: antes, durante e depois do ensino. A partir deste entendimento, conseguimos identificar a modali- dade de cada avaliação, os seus objetivos e principais características. A figura 1, apresentada a seguir nos ajuda a compreender este cenário. AVALIAÇÃO ANTES do ensino DURANTE do ensino DEPOIS do ensino SOMATIVAINICIAL Coletiva: prognóstico Diferenciada: diagnóstico FORMATIVA Interativa Retroativa Proativa Figura 1: Modalidades de avaliação e suas características. Fonte: adaptada de Jorba e Sanmartí (2003, p. 27). Percebe caro(a) aluno(a) como a avaliação se constitui em um processo complexo e que cada forma de avaliar possui características próprias? Vamos tratar a seguir de cada modalidade de avaliação. Pós-Universo 11 A avaliaçãodiagnóstica inicial Como próprio nome nos diz, esta modalidade de avaliação acontece no início de um período, que pode ser um semestre, um bimestre, um módulo de ensino, uma aula. Também conhecida como avaliação preditiva, esta modalidade de avaliação tem por objetivo “determinar a situação de cada aluno antes de iniciar um determinado pro- cesso de ensino aprendizagem, para poder adaptá-los a suas necessidades” (JORBA; SANMARTÍ, 2003, p. 27). Sobre a avaliação diagnóstica, o professor José Carlos Libâneo (2013) salienta que esta modalidade permite identificar progressos e dificuldades dos alunos, como também da atuação do professor, e assim, determinar modificações nos processos de ensino para melhor cumprimentos dos objetivos previamente desenhados. Libâneo ainda ressalta que esta a avaliação diagnóstica pode acontecer no início, durante e no final do desenvolvimento das aulas ou unidades didáticas. “ Na prática escolar cotidiana, a função de diagnóstico é mais importante porque é a que possibilita a avaliação do cumprimento da função pedagó- gico-didática e a que dá sentido pedagógico a função de controle [...] essas funções atuam de forma interdependente, não podendo ser consideradas isoladamente. A função diagnóstica se torna esvaziada se não estiver referi- da à função pedagógico-didática e se não for suprida de dados e alimentada pelo acompanhamento do processo de ensino que ocorre na função de con- trole (LIBÂNEO, 2013, p. 197). Podemos dizer então, que a avaliação diagnóstica funciona como ponto de partida tanto para os estudantes quanto para os professores. Para o estudante para levá-lo a compreensão sobre a necessidade de continuidade no processo de aprendizagem, e para o professor por permitir o adequações, ajustes em seu planejamento de aulas, possibilitando assim, responder melhor às necessidades do alunado. Vimos que existem duas perspectivas de realização da avaliação diagnóstica: coleti- va e diferenciada. Chamo a sua atenção caro(a) aluno(a) para que tratemos sobre estas perspectivas. Na avaliação coletiva o professor tem a possibilidade de traçar um perfil da turma para parametrizar (não engessar) melhor as suas aulas. Com estas informa- ções em mãos o professor consegue organizar as suas aulas e os próprios processo de avaliação, de modo que impulsione mais aqueles que apresentaram um nível de apren- dizagem e conhecimento inferior, sem deixar de estimular aqueles que estão avançados. Pós-Universo 12 Quando falamos em trabalho cooperativo, inclusive, é possível e recomendável colocar estes alunos para trabalharem juntos, e com isso incentivar o trabalho em equipe, respeito às individualidades, diferenças de comportamentos, e, principal- mente a aprendizagem colaborativa. O diagnóstico diferenciado acontece de maneira concomitantemente a este processo. Sabemos que as turmas são heterogêneas e falar em metodologias indi- viduais de ensino é algo muito difícil de se implementar em nossa realidade de sala de aula. Contudo, ao ter em mãos a avaliação diagnóstica inicial, o professor além de ter acesso a um cenário da turma, consegue elencar perfis individuais sobre os quais precisará estar “antenado”. Mas, o que podemos identificar na avaliação diagnóstica inicial? Por meio de quais instrumentos podemos realizá-la? Elementos que segundo Jorba e Sanmartí (2003) podem ser identificados: conhe- cimentos já adquiridos, experiências pessoais, raciocínios e estratégias espontâneas, atitudes, hábitos adquiridos em relação à aprendizagem, representações das tarefas pro- postas. Acrescento a estas ideias dos autores, comportamentos, formas de pensamentos, percepções a respeito da disciplina, curso e do próprio processo de aprendizagem. Podemos dizer que ao conhecer estes elementos, o professor tem a possibilidade de criar estruturas de acolhida do alunado, colaborando para o processo de cons- cientização por parte dos próprios estudantes a respeito do seu ponto de partida no período que se inicia. Sobre os instrumentos para a realização da avaliação diagnós- tica, podemos nos valer de: questionários, exercícios, entrevistas, estudos em grupo, dentre outros. O professor pode usar a sua criatividade e experiência para criar ins- trumentos que se voltem ao objetivo de diagnosticar informações que auxiliem no desenvolvimento da aprendizagem do aluno no período que se inicia. Durante a avaliação diagnóstica o professor pode ainda ajudar os alunos a superarem sua tensão emocional, criando laços que demonstrem a sua preocupação e interesse em sua aprendizagem. Podem ser estabelecidos diálogos, interações, trabalho cooperativo e colaborativo. Todos estes ele- mentos contribuirão para o desenvolver de suas aulas, para implementação de novos instrumentos de aprendizagem, e principalmente para o próprio processo de avaliação. Fonte: elaboração própria. reflita Pós-Universo 13 OUTRAS DUAS MODALIDADES DE AVALIAÇÃO: FORMATIVA E SOMATIVA Avaliações: formativa e somativa Podemos dizer caro(a) aluno(a), que estas duas modalidades de formação represen- tam a continuidade da avaliação diagnóstica. A avaliação formativa acontece durante o processo de aprendizagem (período), e tem por função monitorar os progressos e novas necessidades observados nos alunos. A avaliação somativa tem um caráter maior de verificação, objetivando levantar informações confiáveis dos resultados obtidos ao final de um processo de ensino e aprendizagem. Em entrevista concedida a Revista Nova Escola em abril de 2006, o professor Cipriano Luckesi destacou que provas e exames não contribuem para a qualidade do aprendizado, pois, são apenas instrumentos de classificação e seleção, sendo necessá- rio que as escolas invistam em uma prática pedagógica construtiva ao mesmo tempo em que treinam os seus alunos para provas, como o vestibular. Complementando esta ideia do professor Luckesi, estendo para o ensino superior, quando a preocupa- ção se volta em demasia para o ENADE, por exemplo. Na concepção de Caseiro e Gebran (2008), a avaliação formativa pode ser en- tendida como uma prática contínua de avaliação que traz por objetivo desenvolver aprendizagens, se caracterizando como uma modalidade de avaliação com vistas a orientar o aluno, localizando as suas dificuldade e auxiliando-o a progredir em seu processo de aprendizagem. A prática desta modalidade de avaliação transcende a ideia de classificação, medição e seleção. Pós-Universo 14 Complementando esta ideia, Jorba e Sanmartí (2003) enfatizam que no processo da avaliação formativa o professor se utiliza dos raciocínios e representações mentais dos alunos, analisa e estuda os tipos de erros cometidos e cria condições de apreen- der tipos de obstáculos e dificuldades manifestadas. Neste processo ocorre um tipo de regulação interativa na qual o professor, em contato direto com o alunado analisa a produção destes e adapta o processo didático aos seus progressos e problemas da aprendizagem. “ A avaliação formativa responde a uma concepção do ensino que considera que aprender é um longo processo por meio do qual o aluno vai reestruturan- do seu conhecimento a partir das atividades que executa. Se um estudante não aprende, não é apenas porque não estuda ou não possui as capacidades mínimas: a causa pode estar nas atividades que lhe são propostas. Este tipo de avaliação tem, pois, como finalidade fundamental, uma função ajustadora do processo de ensino-aprendizagem para possibilitar que os meios de formação respondam às características dos estudantes (JORBA, SANMARTÍ, 2003, p. 30). Vale refletir sobre isso, não é mesmo caro(a) aluno(a)? Colaborando com as nossas discussões, Hadji (2001) nos retrata que a avaliação formativa é também informativa, pois, informa aos atores do processo educativo - professores e alunos - permitindo melhores resultados para ambas as partes. Além disso, Hadji nos destaca que a ava- liação formativa deveser contínua, para que dessa forma proporcione articulação eficaz e constante das informações obtidas e das ações a serem desenvolvidas. Percebe caro(a) aluno(a) que, propositalmente, dei maior ênfase às avaliações diagnóstica e formativa, não por ser a avaliação somativa menos importante, mas porque este é o tipo de avaliação que acaba sendo mais utilizado, não se explorando melhor os conceitos das outras duas modalidades. A avaliação somativa traz como intuito principal, classificar, atribuir notas - o que também é importante - mas, o seu uso deve acontecer juntamente com as demais modalidades de avaliação. Notamos então, que a avaliação somativa, como traz uma proposta de verifica- ção, se associa à prova, um objeto pedagógico temido por grande parte de nossos alunos, e ainda, utilizado por professores como prática de poder e punição dos alunos. Assim, destaco a necessidade de que no processo de avaliação somativa, o profes- sor deixe claro que se trata de apenas mais uma etapa do processo de avaliação, que como vimos, precisa ser heterogêneo. Pós-Universo 15 É necessário mudar esse modelo de pensamento no que diz respeito a ava- liação somativa. Assim quais estratégias podem ser adotadas pelo professor durante as suas aulas para que a avaliação somativa deixe de ser temida pelos alunos? Fonte: elaboração própria. reflita Na realização das provas, como principal instrumento de avaliação somativa, é ne- cessário superar a tensão emocional vivenciada pelo aluno. Conforme sugerido por Gatti (2003): “ O professor pode, ainda, ajudar os alunos a superarem sua tensão emocional durante as provas, sugerindo alguns meios, como: tomar conhecimento da prova toda para ter uma ideia geral de seu conteúdo, da extensão e tipo de questões, a fim de programar seu tempo e as respostas que dará em primeiro lugar, etc.; responder às questões que sabe bem e deixar as mais problemá- ticas para tratar com mais vagar depois; não se preocupar com a resposta perfeita, ideal, mas com o que pode fazer e mostrar, etc.(GATTI, 2003, p. 104). O importante caro(a) aluno(a), é que compreendamos a necessidade de conjugação destas modalidades de avaliação, para assim, nos assegurarmos do uso eficiente e eficaz de instrumentos avaliativos que realmente cumpram com o seu compromisso no processo de ensino aprendizagem. E para isso, a postura tomada pelo professor é fundamental. Falaremos sobre isso em um próximo momento. Pós-Universo 16 Pós-Universo 17 USO DIDÁTICO DA AVALIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO ALUNO É nosso dever enquanto profissionais da educação assegurar a possibilidade de re- fletir e de questionar os instrumentos parte do processo de avaliação, caso contrário, deixamos de lado a concepção de avaliação democrática. É preciso dar voz e vez aos nossos alunos para que os seus medos, anseios, dúvidas e inquietações não se tornem inibidores e/ou bloqueadores do processo de aprendizagem. É preciso con- ceber toda a complexidade que permeia o processo de avaliação. A possibilidade de que os alunos intervenham ativamente na definição de critérios e instrumentos de avaliação significa também assumir como ati- vidade educativa a necessidade de uma autoavaliação do próprio aluno e do grupo. Fonte: BALLESTER, M. et al. Avaliação como apoio a aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 2003. reflita É salutar enfatizar que a avaliação da aprendizagem é uma das dimensões mais exigentes do processo educativo (GRILLO; LIMA, 2010). Assim sendo é necessário com- preender não somente os instrumentos de avaliação, mas, principalmente trabalhar para o desenvolvimento de estratégias que tragam como ênfase o desenvolvimen- to do aluno. E o professor detém um papel fundamental neste processo. Vamos compreender um pouco mais sobre isso! Pós-Universo 18 Prática docente construtiva no processo de avaliação Destacam Grillo e Lima (2010) que a ação pedagógica é resultado da conjunção de três elementos: ensino, aprendizagem e avaliação. Nesta perspectiva o ensino é caracterizado como a organização de elementos/assuntos/conteúdos capazes de con- tribuir para a produção do conhecimento pelo aluno. A aprendizagem é vista como o processo de construção vivido pelo aluno mediante o que ele vivencia e busca co- nhecer. Já a avaliação corresponde a um componente de diagnóstico e reorientação do ensino e da aprendizagem, permitindo a compreensão da prática docente e da própria trajetória do aluno. Podemos dizer então, que a avaliação completa e dá sustentação a um grande tripé que a ação pedagógica. Complementam Grillo e Lima (2003) que a avaliação configura todo o cenário pedagógico e explica a prática desenvolvida, revelando: “ [...] um referencial teórico-metodológico, resultado da posição epistemoló- gica assumida criticamente pelo docente, às vezes incorporada pelo senso comum, outras por experiências anteriores, ou mesmo herdada por imita- ção de um professor mais experiente (GRILLO; LIMA 2003, p.18). A partir desta concepção dos autores caro(a) aluno(a), podemos inferir que a forma pela qual o alunado compreender e considerar a avaliação, será reflexo do tipo de atenção dada a este elemento da ação pedagógica pelo próprio professor. Não quero aqui, de forma alguma, nos colocar como únicos responsáveis para que o processo de avaliação ocorra adequadamente, mas sim, como figuras centrais para um pro- cesso de resgate da real essência da ação de avaliar. O que quero dizer é que se o professor perceber a avaliação unicamente como uma ferramenta de aferição, o que Grillo e Lima (2003) denominam perspectiva de produto, o aluno “apenas estudará para a prova”, pois, o seu objetivo será unicamente a obtenção da nota. Caso isso ocorra, como nos asseguramos que a aprendizagem realmente ocorreu com o nosso alunado? Pós-Universo 19 É sob esta perspectiva que nós professores, precisamos buscar ferramentas de avaliação além das provas ou testes tradicionais. Tenho plena consciência de que esta não é uma tarefa fácil, mas, também de que quando nos propomos a opera- cionalizá-la, os benefícios alcançados são realmente satisfatórios. Além disso, com esta prática o professor cria o seu próprio acervo pessoal de avaliação, que pode ser atualizado, adaptado e enriquecido a cada novo período, a cada nova experiência vivenciada pelo docente. A avaliação do aluno - a importância da avaliação contínua Em uma concepção pedagógica mais moderna, a educação é concebida como experiência de vivências múltiplas, agregando o desenvolvimento total do educando. A avaliação do processo de ensino e aprendizagem é contínua, cumulativa e sistemática na escola, com o objetivo de diagnosti- car a situação de aprendizagem de cada aluno, em relação à programação curricular. A avaliação não deve priorizar apenas o resultado ou o processo, mas a prática de investigação, mas deve também, questionar a relação ensino-aprendi- zagem e buscar identificar os conhecimentos construídos e as dificuldades de uma forma dialógica. Os erros são tidos como pistas que demonstram como o aluno está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos conhecimentos que estão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão destes. Fonte: BRASIL ESCOLA. Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol. com.br/orientacoes/a-avaliacao-aluno.htm> Acesso em 05/03/2017. saiba mais Fazendo-nos refletir sobre a prática docente o compromisso com a aprendizagem, o professor Luckesi ressalta que embora haja obviedade sobre o papel do professor e do objetivo da ação educativa, nem sempre a conduta do docente está compro- metida com a aprendizagem e desenvolvimento dos educandos. “ Muitos docentes cumprem o seu papel mecanicamente, sem investir o necessário para que os resultados de sua atividade sejam significativos. O cum- primento mecânico da atividade docente serve muito pouco para uma efetiva aprendizagem e o consequente desenvolvimento do educando (LUCKESI,2013, p. 122). http://educador.brasilescola.uol.com.br/orientacoes/a-avaliacao-aluno.htm http://educador.brasilescola.uol.com.br/orientacoes/a-avaliacao-aluno.htm Pós-Universo 20 Este cumprimento mecânico da atividade docente, acaba por impactar também a avaliação. Ressalto que precisamos nos comprometer em fazer diferente. Mesmo que para isso em muitos momentos tenhamos que lidar com sensação de estar “remando contra a maré”. Precisamos fazer valer a ideia de que a avaliação faz parte de toda a ação pedagógica, começando a ser pensada quando o professor planeja a sua aula, elabora o plano de ensino, elenca os conteúdos a serem estudados e a metodolo- gia a ser empregada. Salientam Grillo e Lima (2003), as etapas de ensinar, aprender e avaliar formam um contínuo em interação permanente, que pertencem a uma mesma atividade pe- dagógica. “[...] avaliação não pode ser tratada de forma estranha ou esporádica; pelo contrário, deve ser entendida como uma atividade rotineira e intrínseca à ação edu- cativa” (p. 19). Chamo a atenção aqui caro(a) aluno(a) para a palavra rotineira, nos remetendo ao fato de que a avaliação precisa ser constante e alinhada aos demais instrumentos da prática docente, para que assim, os alunos além de reconhecerem a necessidade da avaliação, compreendam a contribuição deste instrumento para a sua aprendizagem. Na prática construtiva docente no que tange à avaliação professor e aluno apren- dem. O professor aprende ao notar a forma como os alunos aprendem ou não as explicações e conteúdos, e os alunos aprendem com os resultados da avaliação, desde que tenham a possibilidade de analisar os seus erros, buscar acertos e assim ocupando o seu lugar de protagonista em seu processo de aprendizagem (GRILLO; LIMA, p. 2003). Dessa forma, colaboramos ainda para a conscientização do aluno a assumir o papel de corresponsável em seu processo de formação. Pós-Universo 21 Quais seriam as consequências desta mudança de concepção sobre a prática docente no que diz respeito à avaliação? Tomo a liberdade de elencar alguns pontos caro(a) aluno(a), tendo como parâmetro os autores que contribuíram com as nossas discussões e a minha própria experiência docente: • A avaliação deixa de ser vista como um instrumento de controle, passan- do a figurar como instrumento a serviço do aluno; • Ensinar, aprender e avaliar passam a ser vistos como elementos interliga- dos e em constante dinamismo; • Qualquer atividade habitual de aprendizagem na aula passa a ser vista como objeto passível de avaliação: um filme, um texto, uma visita técnica, a dis- cussão de um tema atual; • Professor e alunos se envolvem em um processo dinâmico e interativo, gerando inclusive maior motivação; • Ficamos frente a uma realidade de constante inovação do ensino, revisão de programas e novos caminhos. Além destes pontos e muitos outros que poderíamos apontar, uma prática docente construtiva no processo de avaliação possibilitará um clima de confiança entre pro- fessor e alunos, que culminará em um trabalho de parceria entre estes atores do processo de ensino aprendizagem. Para isso, vale incentivar a necessidade de que os professores tenham formação adequada para explorar a avaliação com este propósito, ou seja, o compromisso e responsabilidade não pode recair somente sobre o docente, mas, sobre todo o sistema educacional, como também sobre a sociedade. Estamos falando aqui de uma mudança cultural, algo que não simples de ser alcançado. Pós-Universo 22 Pós-Universo 23 AVALIANDO DE FORMA DEMOCRÁTICA Já sabemos que existem modalidades de avaliação, e sobre todas elas a figura do professor é fundamental. Vamos iniciar este nosso novo momento falando sobre a concepção de avaliação democrática. Para isso vamos nos valer da concepção de Batalloso (2003): “ Os princípios de liberdade e participação levados à avaliação significariam a garantia do direitos dos alunos de serem informados, orientados e ajudados em suas dificuldades de aprendizagem e de intervirem nos processos de ava- liação, com sugestões e iniciativas concretas. Ou seja: uma avaliação que não permita a participação dos alunos e não proporcione a possibilidade de in- tervir na escolha de meios e instrumentos não é democrática e seque pode ser considerada educativa (BATALLOSO, 2003, p. 50). Sob esta perspectiva, uma das formas de conduzir o processo de avaliação e o seu foco na aprendizagem, é orientá-lo de forma democrática, estimulando a autono- mia do aluno. Mas, como podemos alcançar tal feito? Apresentarei alguns pontos a seguir que podem nos ajudar a responder esta pergunta. Vamos lá! Como o professor pode avaliar de maneira democrática? Conhecidas estas perspectivas sobre a avaliação, cabe-nos a questão: como o pro- fessor pode avaliar de maneira democrática? A primeira parte da resposta para esta questão é bem óbvia: deixando que o aluno participe. Mas, como pode/deve acon- tecer esta participação? De quais instrumentos o professor pode se valer? Vamos falar um pouco sobre isso. Pós-Universo 24 Batalloso (2003) expõe que a avaliação democrática deve permitir a participação e a possibilidade do aluno intervir na escolha de meios e instrumentos de avaliação. Além disso, professores que se utilizam desta prática em seu cotidiano são capazes de proporcionar informação periódica sobre os critérios de avaliação a seus alunos, como também desenvolver estratégias psicossociais de negociação e co-gestão do currícu- lo, já que estão diante de possibilidades de abertura e flexibilidade da prática docente. Sabemos que a rotina mais comum de avaliação é a realização de provas, um instrumento que por muitas vezes acaba sendo “superestimado” no processo de avaliação, fazendo com que se crie uma cultura de avaliação monometódica da apren- dizagem. Para explorarmos melhor os elementos da avaliação democrática, além da participação do alunado, precisamos explorar novas ferramentas a serem utilizadas no processo de avaliação. Uma faceta importante da avaliação pluriinstrumental destacada por Batalloso (2003), instiga a realização de atividades que permitam aos alunos expressarem a sua opinião, interagirem em grupo, se colocarem diante dos demais estudantes. São atividades orientadas que devem ter como embasamento o conteúdo que esteja sendo estudado, as explicações do professor e o direcionamento que venha sendo dado durante a aula. Por pluriinstrumental compreendemos o uso de instrumentos diversifi- cados de avaliação, não tomando um único elemento para avaliar o aluno. Por exemplo: ao invés de usar unicamente a prova, somar a este instrumen- tos estudos de caso, visitas técnicas, análises de filmes, etc. Fonte: elaborado pela autora. atenção Vale ressaltar caro(a) aluno(a) que o engajamento do professor na avaliação demo- crática é fundamental. É necessário haver clareza sobre o papel de cada um neste processo, e de que se trata de uma ação de parceria entre professor e aluno e não uma inversão de papéis. Destaco este aspecto, porque no uso de instrumentos dife- renciados de avaliação, o professor deve estar seguro e preparado para a atividade que irá propor, e mesmo que o aluno tenha mais espaço para ação no contexto da avaliação proposta, ele ainda é aluno, ou seja, não substitui o professor. Pós-Universo 25 Vamos falar da prática de “Seminários” por exemplo, algo muito usual no ensino superior. Por diversas vezes ao propor esta atividade como forma de avaliação de uma disciplina, me deparei com alunos que a interpretavam como um momento de “enrolação” por parte do professor, que passaria a sua responsabilidade de ministrar o conteúdo a um grupo de alunos. Esta é uma situação que exige de nós profes- sores preparo não somente para propor e implementar uma forma diferenciada de avaliação, mas, também para desmontar uma concepção equivocada acerca desta atividade. Dessa forma, é necessário salientarque ao usar de instrumentos de avaliação que requeiram maior participação do aluno, o professor continua tendo o seu papel de ser o principal condutor da atividade. O aluno é o protagonista do processo de aprendizagem, mas é o professor que detém do papel e conhecimento para con- duzi-lo adequadamente. Não podemos em nenhum momento nos esquecer disso. Uma forma inovadora de ensinar e avaliar! Metodologias Ativas ou aprendizagem baseada em projetos correspondem a uma abordagem pedagógica de caráter ativo, que traz como enfoque a ênfase nas atividade de projeto com foco no desenvolvimento de com- petências e habilidades. Este princípio se assenta sobre a aprendizagem colaborativa e interdisciplinaridade. Ter um objetivo que se traduz num produto tangível é um componente poderoso na motivação: os estudan- tes identificam um sentido para buscar e selecionar informações, relacionar o que encontram com o que já têm, compartilhar ideias e achados com os colegas e professores, agir e interagir para chegar ao objetivo. Quando o empenho dos alunos envolve a solução de uma questão do seu o cotidia- no, o efeito é ainda melhor. Fonte: http://www.hoper.com.br/single-post/2015/06/22/METODOLOGIAS- ATIVAS-O-QUE-%C3%89-APRENDIZAGEM-BASEADA-EM-PROJETO Acesso em 05/03/2017. saiba mais Pensando em uma atuação concreta na avaliação democrática da aprendizagem, Batalloso (2003) nos apresenta 3 (três) princípios a serem considerados. Estes princí- pios foram resumidos e serão apresentados no quadro a seguir. http://www.hoper.com.br/single-post/2015/06/22/METODOLOGIAS-ATIVAS-O-QUE-%C3%89-APRENDIZAGEM-BASEADA-EM-PROJETO http://www.hoper.com.br/single-post/2015/06/22/METODOLOGIAS-ATIVAS-O-QUE-%C3%89-APRENDIZAGEM-BASEADA-EM-PROJETO Pós-Universo 26 Quadro 1: princípios norteadores para a realização de uma avaliação democrática. Princípio da transparência É necessário garantir aos alunos o direito de estarem informados acerca dos seus processos/instrumentos de avaliação. É necessário haver clareza sobre os critérios adotados para a sua avaliação e das decisões tomadas para a sua formação. A informação clara sobre estes elementos contri- buirá para a participação dos alunos no processo de avaliação. Princípio de motivação Considerar também na hora de avaliar os aspectos positivos: destacar mais acertos do que erros, apoiar-se nos aspectos positivos para motivar a cor- reção dos negativos refletir sobre eles e expô-los, dessa forma, podemos contribuir também para o desenvolvimento pessoal do aluno. P r i n c í p i o de partici- pação e de negociação Permitir a participação dos alunos em alguns elementos do processo pe- dagógico. Por exemplo, garantir que os alunos possam propor atividades, calendários, assumir compromissos, participar da criação e preparação das provas na modalidade de qualificação. Este assumir de responsabilidades per- mitirá a construção de uma identidade equilibrada, desenvolvendo-o como pessoas e tornando-os elementos ativos de seu processo de aprendizagem. Fonte: elaborado a partir de Batalloso (2003). Outras ações que também contribuirão para que o processo de avaliação democrá- tica se concretize: • O professor apresente a cada início de período o seu plano de ensino, dando ênfase a objetivos propostos, metodologia a ser utilizada e instrumentos de avaliação; • “Dar espaço” para que os alunos tirem dúvidas, façam sugestões e partici- pem da dinâmica da aula já no início das atividades da disciplina; • Ministrar aulas mais interativas, provocativas, que façam o aluno perceber a importância de sua participação. Com o tempo ele irá identificar a neces- sidade de estar mais preparado para cada aula; • Proporcionar momentos ao longo do período que permitam avaliar o próprio processo avaliativo, realizando ajustes, quando necessário; • Permitir que os alunos conheçam previamente estruturas de provas, exames similares, estruturas de questões, para que assim se haja familiarização com os instrumentos de avaliação; • Oferecer feedback a respeito das avaliações. Quando não for possível de- senvolver esta ação de forma individual, fazê-la para o todo o grupo. Em um próximo momento vamos falar do processo de autorregulação e autonomia do aluno. Pós-Universo 27 AUTORREGULAÇÃO E AUTONOMIA DO ALUNO Autorregulação da aprendizagem e autonomia do aluno A autorregulação pode ser compreendida como um processo que se vincula ao de- senvolvimento da aprendizagem do aluno, e, consequentemente a autonomia. Fons e Weissman (2003) abordam a autorregulação como um elemento chave do proces- so de aprendizagem que consiste no ajuste realizado pelo indivíduo nas estratégias que utiliza para alcançar o objetivo proposto. No caso de nossas discussões, a autor- regulação acontece em meio o processo de avaliação quando o aluno se ajusta para realizar as atividades que lhe são propostas com eficácia. E, conforme o indivíduo se torna capaz de autorregular-se, mais autonomia ele conseguirá em seu processo de aprendizagem, e desta forma vai delineando e confi- gurando os seus sistemas de aprender (FONS; WEISMAN, 2003). Podemos dizer então que, ao propormos uma atividade em sala de aula, por exemplo, criamos condições de observar o alunado na realização das atividades, e de identificar em cada grupo e indivíduo a adequação de estratégias para obter sucesso. A origem etimológica da palavra autonomia é auto = a si mesmo + “nomos” que, em grego significa lei, ordem. A autonomia se trata da capacidade do indivíduo tomar decisões enquanto ser ou grupo de forma racional e consciente. Fonte: CATTANI, Antonio David (Org.). Trabalho e Tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis, RJ: Vozes; Porto Alegre: Ed. Universidade, 1996. atenção Pós-Universo 28 Podemos enfatizar ainda que a partir do momento em que o aluno reflete sobre o que está realizando, consequentemente está refletindo também sobre o que está aprendendo, ou seja, alcançamos o patamar tão desejado para a avaliação: não de simplesmente um instrumento de verificação, mas um elemento do processo de aprendizagem. O processo de autorregulação pode acontecer inclusive com o professor. A partir do momento em que adequamos nossas estratégias de avaliação conforme as necessidades e contexto dos alunos, adentramos em um processo de ajuste de nossas propostas didáticas, modificando-as para que os objetivos pretendidos sejam alcançados. Conforme nos destaca Perrenoud (1999), sempre haverá o mínimo de regulação na aula. Mesmo quando um programa é seguido ao “pé da letra” e de acordo com um roteiro preciso, sempre haverá espaços para ajustes, remanejos e adaptações, em de- corrência dos acontecimentos do cotidiano escolar, sobretudo atitudes e condutas dos alunos, as suas formas de manifestação de interesse e principalmente as formas de compreensão e/ou resistências manifestadas. Neste contexto, Perrenoud (1999) destaca a avaliação formativa como instrumen- to para a regulação e gestão da aprendizagem do aluno. “ A ideia de avaliação formativa sistematiza esse funcionamento, levando o professor a observar mais metodicamente os alunos, a compreender melhor seus funcionamentos, de modo a ajustar de maneira mais sistemática e in- dividualizada suas intervenções pedagógicas e as situações didáticas que propõe, tudo isso na expectativa de otimizar as aprendizagens (PERRENOUD, 1999, p. 89). Complementando as nossas discussões, para que a autorregulação seja alcançada, Fons e Weisman (2003) nos apresentam três peças fundamentais: a co-avaliação, a avaliação mútua e a autoavaliação. Vamos conhecer as principais características de cada uma delas no quadro a seguir: Pós-Universo 29 Quadro 2: Elementos que levam a autorregulação. Co-avaliação Processo que se estabelece por meio de uma avaliação conjunta entre aluno e professor. Quando o aluno está desenvolvendo a atividade, por exemplo, o professor se fazer presente e estabelecer um diálogo que estimulea auto-reflexão sobre o resultado alcançado. Este diálogo pode ser individual ou em grupo, o importante é que o aluno tenha senso crítico sobre a sua atividade. Este processo ainda desenvolve a confiança entre as partes, a segurança para se colocar e ser avaliado e também a noção de parceria e trabalho em equipe. Avaliação mútua Ao realizar atividades em pequenos grupos, os alunos por si só começam a desenvolver situações de avaliação mútua sobre as atividades. É pos- sível notarmos a emissão de juízo de valor, questionamento sobre a atividade, diálogos sucessivos sobre o posicionamento de cada um. Podemos lançar provocações com perguntas do tipo: Você concorda ou discorda? O que fazer para alcançar um objetivo diferentes? O que você faria diferente? O que há de certo ou errado no posicionamento de seu colega. Podemos ainda estender este tipo de avaliação entre os grupos formados na sala para o desenvolvimento da atividade. Autoavaliação Conforme o processo de autorregulação vai se desenvolvendo, o próprio aluno começa a se dar conta de seus progressos e necessidades. Temos o papel então de estimular este processo para que o aluno possa ex- pressar e compartilhar como se avalia em busca dos objetivo que lhe foram propostos. Podemos começar nos utilizando de formulários de autoavaliação, por exemplo, levando os alunos a refletir sobre si e a sua aprendizagem. Posteriormente, podemos evoluir para que o aluno ex- ternalize a percepção que tem sobre si. Fonte: adaptado de Fons; Weisman (2003). É fato que este tipo de trabalho exige muito do professor caro(a) aluno(a). Quando estamos diante de uma grande turma, por exemplo, podemos imaginar que não é possível desenvolver este processo. Mas, posso lhe assegurar que com planejamen- to e organização conseguimos sim este feito. Podemos trabalhar com subgrupos, promover estas ações de co-avaliação, avaliação e mútua e autoavaliação nos pe- quenos grupos, depois entre os grupos e ao final abrir para o grande grupo. É uma tarefa com certo grau de complexidade para ser implementada, mas os resultados alcançados são muito satisfatórios. atividades de estudo 1. Uma ideia que não podemos perder ao pensarmos o processo de avaliação é a ne- cessidade de que este esteja alinhado a prática docente. Assim sendo, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta: I – É necessário deixar que as mudanças no currículo, a seleção de con- teúdos, a metodologia utilizada pelos professores seja em função da avaliação. II – O professor precisa pensar o processo de avaliação de maneira engajada à prática vivenciada e trabalhada em sala de aula. III – O conhecimento sobre as modalidades de avaliação acaba dificultando para o professor o processo de construção da avaliação. IV – A avaliação diagnóstica inicial acontece no início de um período, que pode ser um semestre, um bimestre, um módulo de ensino, uma aula Estão corretas somente as afirmativas: a) I e IV. b) I e II. c) II e III. d) II e IV. e) III e IV. atividades de estudo 2. Considerando os tipos de avaliação estudadas, relacione os tipos apresentados a seguir com os significados descritos, e assinale a alternativa que apresente a sequ- ência correta. (1) Avaliação diagnóstica inicial (2) Avaliação formativa (3) Avaliação somativa ( ) pode ser entendida como uma prática contínua de avaliação que traz por ob- jetivo desenvolver aprendizagens. ( ) permite identificar progressos e dificuldades dos alunos, como também da atuação do professor, e assim, determinar modificações nos processos de ensino para melhor cumprimentos dos objetivos previamente desenhados. ( ) funciona como ponto de partida tanto para os estudantes quanto para os professores. ( ) traz uma proposta de verificação, se associa à prova. ( ) se caracteriza como uma modalidade de avaliação com vistas a orientar o aluno, localizando as suas dificuldade e auxiliando-o a progredir em seu processo de aprendizagem. ( ) traz como intuito principal, classificar, atribuir notas e o seu uso deve aconte- cer juntamente com as demais modalidades de avaliação. a) 2-1-1-3-2-3. b) 1-1-2-3-2-3. c) 2-2-2-1-3-1. d) 2-1-1-2-2-3. e) 2-1-1-2-3-1. atividades de estudo 3. Foi estudado que a autorregulação é um processo que impacta diretamente na dinâ- mica de sala de aula envolvendo alunos e professores. Desta forma, em que consiste a autorregulação? Assinale a alternativa correta. a) Na redução a autonomia nos processos de ensino e aprendizagem. b) No ajuste realizado pelo indivíduo nas estratégias que utiliza para alcançar o ob- jetivo proposto. c) Em um processo no qual o professor deixa de adequar as estratégias de avalia- ção conforme as necessidades e contexto dos alunos. d) Em uma forma de engessamento da avaliação, dificultando a sua aplicabilidade. e) Na redução de adaptações e ajustes, e no aumento da rigidez no desenvolvimen- to das estratégias de ensino previamente pensadas. 4. Em nossos estudos, vimos que uma das formas de conduzir o processo de avaliação e o seu foco na aprendizagem, é orientá-lo de forma democrática, estimulando a au- tonomia do aluno. Como isso pode acontecer? Assinale a alternativa correta. a) Com o professor “ditando as regras” sobre o funcionamento da disciplina, não dei- xando espaço para o alunado. b) Auxiliando os alunos na elaboração das respostas para que assim ele sempre acerte e tire boas notas. c) Permitindo a participação e a possibilidade do aluno intervir na escolha de meios e instrumentos de avaliação. d) Fornecendo informações sobre os critérios de avaliação a seus alunos somente no início do período. e) Nenhuma das alternativas anteriores. atividades de estudo 5. Ao pensar na prática docente construtiva no processo de avaliação, inferimos que a forma pela qual o alunado compreender e considerar a avaliação, será reflexo do tipo de atenção dada a este elemento da ação pedagógica pelo próprio professor. Assim, o que pode acontecer se o professor perceber a avaliação unicamente como uma ferramenta de aferição (perspectiva de produto)? Assinale a alternativa correta. a) O objetivo do aluno será unicamente “tirar nota”, ele apenas estudará para a prova. b) O aluno estará focado na aprendizagem e estudará continuamente. c) O professor obterá todos os resultados de maneira satisfatória. d) O professor comprova que as provas ou os testes tradicionais são a melhor forma de avaliação. e) Nenhuma das alternativas anteriores. resumo Nas discussões que aqui foram propostas tivemos a oportunidade de compreender o papel do professor e do aluno no processo de avaliação. Ao abordamos a prática educativa do professor, pudemos notar o quanto é importante a cons- ciência de que o professor é elemento central no processo de avaliação e ensino aprendizagem. Sem o “assumir deste papel” não é possível que uma prática avaliativa centrada na aprendizagem se concretize. Por esse motivo, foi necessário trazer ao nosso conhecimento os tipos de avalia- ções a serem empregadas em sala de aula: diagnóstica inicial, formativa e somativa. Para dar robustez às nossas discussões, nos valemos de concepções de autores renomados que tratam do tema. Observamos por meio dos conceitos apresentados que os tipos de avaliação não são excludentes, mas sim complementares. É necessário assim, que o professor não somente conheça, mas empregue corretamente estas avaliações. Pudemos compreender ainda que a avaliação se constitui em um processo democrático sob o qual estão as mais diversas relações estabelecidas entre professor e alunado. A abertura para a par- ticipação do aluno foi algo enfatizado, devendo professor atuar como orientador neste processo. Para fechar as nossas discussões neste momento de estudo, abordamos a autorregulação da aprendizagem e autonomia do aluno, como algo que acontece em meio ao processo de avalia- ção quando o aluno se ajusta para realizar as atividades que lhe são propostascom eficácia. Sabemos que as discussões sobre os elementos propostos não se esgotam no que aqui foi tra- balhado, mas servem de estímulo para que nós professores exploremos mais o nosso papel no processo de avaliação, ao mesmo tempo em que estimulamos os nossos alunos a fazer o mesmo. Espero ter contribuído desta forma para o seu aprendizado e para o seu processo de desenvol- vimento do conhecimento. Até um próximo momento! material complementar Título: O Sorriso de Monalisa Ano: 2004 Sinopse: Katharine Watson (Julia Roberts) é uma recém-gra- duada professora que consegue emprego no conceituado colégio Wellesley, para lecionar aulas de História da Arte. Incomodada com o conservadorismo da sociedade e do próprio colégio em que trabalha, Katharine decide lutar contra estas normas e acaba inspirando suas alunas a enfrentarem os desafios da vida. Comentário: Um filme que nos permite refletir sobre ava- liação democrática, autorregulação e autonomia do aluno e outros elementos tratados neste nosso estudo, inclusive sobre como em muitos momento o sistema de ensino torna-se limitador, se não bloqueador, de práticas diferenciadas em sala de aula. referências BATALLOSO, J. M. É possível uma avaliação democrática? Ou sobre a necessidade de avaliar edu- cativamente. In.: BALLESTER, M. et al. Avaliação como apoio a aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 2003. CASEIRO, C. C. F.; GEGRAN, R. A. Avaliação formativa: concepções, práticas e dificuldades. Nuances: estudos sobre educação. Presidente Prudente, SP, ano XIV, v. 15, n. 16, p. 141-161, jan/dez. 2008. Disponível em: <http://revista.fct.unesp.br/index.php/Nuances/article/view/181/251> Acesso em 05/03/2017. CATTANI, Antonio David (Org.). Trabalho e Tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis, RJ: Vozes; Porto Alegre: Ed. Universidade, 1996 FONS, M.; WEISSMAN, H. O autorregulação das Aprendizagens na Escola Infantil: um proces- so rumo à autonomia. In.: BALLESTER, M. et al. Avaliação como apoio a aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 2003. GATTI, B. O professor e a avaliação em sala de aula. Estudos em Avaliação Educacional, n. 27, jan-jun/2003. Disponível em: < http://abecin.org.br/data/documents/Gatti_Professor_avaliacao_ sala_aula.pdf> Acesso em 26.02.2017. GRILLO, M. C.; LIMA, V.M. R. Especificidades da avaliação que convém conhecer. In.: GRILLO, M. C.; GESSINGER, R. M; FREITAS, A. L. S. et al. Por que falar ainda em avaliação?. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. HADJI, C. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. JORBA, J.; SANMARTÍ, N. A função pedagógica da Avaliação. In.: BALLESTER, M. et al. Avaliação como apoio a aprendizagem. Porto Alegre, Artmed, 2003. LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2013. LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2013. LUCKESI, C. C. Qualidade aprendizado. Entrevista. Nova Escola, abril de 2006. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/190/cipriano-carlos-luckesi-qualidade-aprendizado Acesso em 05/03/2017. PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Porto Alegre: Artmed, 1999. http://abecin.org.br/data/documents/Gatti_Professor_avaliacao_sala_aula.pdf http://abecin.org.br/data/documents/Gatti_Professor_avaliacao_sala_aula.pdf http://abecin.org.br/data/documents/Gatti_Professor_avaliacao_sala_aula.pdf https://novaescola.org.br/conteudo/190/cipriano-carlos-luckesi-qualidade-aprendizado https://novaescola.org.br/conteudo/190/cipriano-carlos-luckesi-qualidade-aprendizado resolução de exercícios 1. d) II e IV. 2. a) 2-1-1-3-2-3. 3. b) No ajuste realizado pelo indivíduo nas estratégias que utiliza para alcançar o ob- jetivo proposto. 4. c) Permitindo a participação e a possibilidade do aluno intervir na escolha de meios e instrumentos de avaliação. 5. a) O objetivo do aluno será unicamente “tirar nota”, ele apenas estudará para a prova. _ypv7zhbxaygg _8o9ocf35rkb3 _qph78zlmw6fh _rojwnkuzosz8 _8g0giyheqjgs _47e6r18yz3pa _bz6sgz9w64ak _gw56hj4zkdvg _rnn2qjhkz92s A prática educativa do professor e a avaliação diagnóstica