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Fibromialgia

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Reumatologia
1
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa generalizada, idiopática e crônica (dor musculoesquelética difusa e não-inflamatória). Geralmente se associa com:FIBROMIALGIA
· Fadiga
· disfunção cognitiva
· distúrbios do sono
· cefaleia
· parestesias (neuropatia de pequenas fibras em 49%)
· ansiedade e humor deprimido
Epidemiologia	É seis vezes mais prevalente em mulheres entre 20 e 50 anos. O EpiFibro (Estudo Epidemiológico da Fibromialgia no Brasil) foi criado a fim de analisar a epidemiologia da FM e suas comorbidades em todo o país. Avalia o impacto da doença por meio de questionários online e determina quantos pacientes atendem aos critérios diagnósticos da doença (ACR 1990, ACR 2010).
Classificação
· Colégio Americano de Reumatologia (ACR 1990) classifica fibromialgia como dor generalizada crônica (por mais de três meses) + comprometimento de segmento superior e inferior, lado direito e esquerdo) e palpação de, no mínimo, 11 dos 18 pontos anatômicos;
· ACR 2010: abolição da contagem dos pontos dolorosos. Dor crônica generalizada associada à fadiga, distúrbios do sono, sintomas cognitvos e somáticos. 
ACR 2010
Índice de dor generalizada (IGD): localização
Escala de gravidade dos sintomas (EGS): sintomas associados e sua intensidade
FIBROMIALGIA
IDG ≥ 7 + EGS ≥ 5
IDG = 3-6 + EGS ≥ 9
OU
Sinais e Sintomas
A dor é o principal sintoma e é referida como queimação, rigidez, contratura e/ou tensão. 
Dor crônica e persistente com variações de intensidade e de localização (padrão migratório).”
 Frequentemente, o paciente relata dor na coluna dorsal com irradiação para as nádegas. Sentimento subjetivo de edema articular e parestesias, sem alterações do exame físico. Fadiga e distúrbios do sono em 80% dos casos (fadiga pode ser a queixa principal). Insônia, despertar frequente, dificuldade para retomar o sono, superficialidade do sono, despertar precoce, sono não reparador.
Entre os pacientes, 75% apresentam cefaleia, e o tipo mais comum é a enxaqueca. Depressão ocorre em cerca de 30 a 50% dos pacientes. A síndrome das pernas inquietas também pode ser observada em pacientes com fibromialgia, além da síndrome do intestino irritável (40%) e dor abdominal crônica.
A anamnese deve ser detalhada, procurando evidências de trauma, ansiedade, depressão, pois sabe-se que a fibromialgia pode ser desencadeada por estresse emocional, doenças, cirurgias ou traumas. Os sintomas variam em relação à hora do dia, à temperatura ambiental e à intensidade das atividades. São mais evidentes em temperaturas frias e situações de estresse físico ou mental. Os sintomas melhoram em clima quente e úmido, em conjunto com moderada atividade física, sono adequado e relaxamento.
Exame físico
No exame físico, procuram-se pelos pontos dolorosos (tender points), geralmente localizados sobre a inserção tendínea no tecido ósseo. A pressão exercida nos pontos anatômicos deve corresponder a 4 kg/cm2 ou à pressão necessária para ocorrer o branqueamento da ponta do primeiro dedo durante a pressão. A existência de pontos dolorosos auxilia, mas não é essencial para o diagnóstico.
Tratamento não farmacológico
O principal objetivo é manter uma atividade física diária. Os exercícios tendem a aliviar a dor, a fadiga e a melhorar o humor e o sono. Caminhadas, exercícios na água, bicicleta e exercícios de baixo impacto em academias podem ser realizados. Fisioterapia e hidroterapia (água aquecida) podem ser prescritas. Muitos estudos apontam que exercícios aeróbicos são eficazes. Os exercícios devem ser de baixo impacto e com intensidade suficiente para provocar alteração na capacidade aeróbica.
Mudança de comportamento - A terapia cognitiva é eficaz para tratar pacientes com fibromialgia, mas a principal dificuldade é o paciente ter acesso a terapeutas qualificados. A meta é ajudar o paciente a entender o efeito do pensamento, da autoconfiança e das expectativas em seus sintomas. Saber priorizar o tempo para equilibrar trabalho, lazer e atividades diárias é uma estratégia eficaz.
Tratamento farmacológico
· Amitriptilina (ADT) geralmente prescrita para pacientes ansiosos e com insônia
· Ciclobenzaprina efeito miorrelaxante (melhora a dor e o sono)
· VenlafaxinaISRS
· Duloxetina
· Gabapentina
· Pregabalina
· Tramadol analgésico que pode ser utilizado de forma isolada ou associada
*Os analgésicos e AINEs são ainda muito usados, mas sem evidência científica, pois não há nada que prove que existe inflamação tecidual. Porém não podemos deixar o paciente morrer de dor, se esses medicamentos aliviam, podemos prescrevê-los, tomando – é claro – o devido cuidado. Lembrar da nefrotoxicidade de alguns AINEs.
Caso Clínico
A.C.A., 40 anos, sexo feminino, comparece ao ambulatório com queixa de dores difusas pelo corpo (articulares e musculares) iniciadas há um ano e meio. Queixa-se ainda de dificuldade para trabalhar e manter atividade física regular, pois, apesar de dormir oito horas por noite, sente-se cansada e sem disposição. Relata constipação intestinal crônica e crises frequentes de “enxaqueca”. Nega uso regular de medicamentos. Ao exame físico, bom estado geral, dados vitais e exame dos sistemas dentro dos limites da normalidade para a sua idade, sem sinais inflamatórios articulares; dor à digitopressão de 13 tender points.