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Modelo de Avaliação de Ações e Obrigações Núcleo de Educação a Distância www.unigranrio.com.br Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160 25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ Reitor Arody Cordeiro Herdy Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Nara Pires Pró-Reitoria de Programas de Graduação Lívia Maria Figueiredo Lacerda Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Marcio Gomes de Mesquita 1ª Edição Copyright © 2019, Unigranrio Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio. Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária Carlos de Oliveira Varella Núcleo de Educação a Distância (NEAD) Márcia Loch Sumário Modelo de Avaliação de Ações e Obrigações Para início de conversa… .................................................................. 04 Objetivo ........................................................................................... 05 1. Avaliação de Obrigações - Debêntures ............................................... 06 1.1 Avaliando Obrigações ................................................................... 08 1.2 Rendimentos até o Vencimento ............................................. 11 2. Avaliação de Ações - Modelo de Gordon .................................. 11 2.1 Avaliação de Ações Ordinárias ............................................... 14 2.2 Modelo de Gordon ............................................................... 14 3. Limitações do Modelo de Crescimento de Gordon ..................... 17 3.1 Modelo de Desconto de Dividendos em Vários Estágios ............. 17 3.2 O Modelo de Dividendos de Dois Estágios ............................... 18 3.3 O Modelo H de Dividendos .................................................... 19 3.4 Modelos de Valuation ........................................................... 19 Referências ....................................................................................... 21 4 Administração Financeira Para início de conversa… Neste estudo, veremos a avaliação de ações e obrigações. Ações são frações do capital social de uma empresa e dividem-se em ordinárias e preferenciais. As ordinárias dão direito ao voto, enquanto as preferenciais, como o nome já diz, têm preferência no recebimento de dividendos. Já as obrigações são títulos de dívidas emitidos pelas empresas, e a principal é chamada de debênture. Ao longo da unidade, será vista a característica de cada título, bem como a forma de calcular o valor de cada um. A abordagem de avaliação de ações vai além da determinação do valor de uma ação, propriamente dita, pois por meio desta avaliação, chega-se, também, ao valor de uma empresa, o chamado valuation, que, apesar de não ser o método mais utilizado, serve de referência para quem deseja aprofundar os estudos na área de finanças. Ao final desta unidade, será feita uma explanação acerca de valuation, de forma sucinta, para o conhecimento de todos. 5Administração Financeira Objetivo Analisar os modelos de avaliação de ações e obrigações. 6 Administração Financeira 1. Avaliação de Obrigações - Debêntures Uma obrigação é um título de dívida de longo prazo que um empresa emite sob condições previamente definidas, quanto à taxa de remuneração, periodicidade de pagamento dos juros, prazo de liquidação, garantias entre outras. O principal tipo de obrigação que será tratado neste subtema é a debênture. A emissão de uma obrigação é composta de três pessoas: a empresa emitente (devedor), os obrigacionistas (credor) e o agente fiduciário, responsável pela custódia das obrigações, sendo remunerado por isso. Em relação ao custo das obrigações, podem ser destacados: ▪ O impacto do prazo de vencimento no custo da obrigação: Quanto maior o prazo, maior o custo, se for comparado ao curto prazo, muito em virtude da falta de previsibilidade do que pode acontecer no futuro. ▪ O volume de obrigações em relação ao custo: Há uma relação inversa no tocante às taxas de administração e emissão; quanto maior o volume, menores serão esses custos (em termos relativos). Entretanto, do ponto de vista do credor, pode haver um medo em relação à possibilidade de inadimplência. ▪ O risco da empresa emitente: O perfil da empresa está relacionado ao custo de capital, pois se ela tiver algum histórico negativo, atuar em mercado volátil ou algum outro aspecto que influencie negativamente o seu perfil, a taxa de juros que ela deverá pagar será mais alta. Existem duas formas de debêntures: as nominativas e as escriturais. ▪ A nominativa é aquela que consta o nome, no certificado, de quem a adquiriu. 7Administração Financeira ▪ As escriturais, também são nominativas, mas há a obrigação de contratação de uma instituição financeira (o agente fiduciário). Elas são mantidas em conta de depósito em nome dos beneficiários e também são mais comuns que as nominativas. Quanto à classe, as debêntures podem ser simples, conversíveis ou permutáveis. ▪ Simples: Não são conversíveis em ações e nem permutáveis. ▪ Conversíveis: Podem ser convertidas em ações da empresa emitente, mas isso deve estar previsto no contrato de obrigação. ▪ Permutáveis: Podem ser convertidas em ações de outra empresa, que não a emissora, devendo constar também no contrato. Quanto às garantias, podem ser: Figura 1: Garantias. Fonte: Dreamstime. As principais características das obrigações são: 1. Valor nominal: É o valor de face de uma obrigação. Em geral, o valor nominal representa o quanto que a empresa toma emprestado do mercado (pessoas físicas e jurídicas) e que se compromete a pagar em um vencimento futuro, predeterminado. Real Flutuante Quirográfica Subordinada É a garantia dada por um ativo da empresa emissora ou de outras; deve constar em contrato e sob a forma de penhor ou hipoteca. Assegura à debênture privilégio sobre o bem da empresa, mas não impede a negociação dos bens que compõem o ativo da empresa. Não oferece aos títulos nenhum privilégio, concorrendo em igual condição com os demais credores quirográficos (créditos simples, sem garantia) da empresa Prefere somente os acionistas da empresa emissora, em caso de liquidação desta. 8 Administração Financeira 2. Taxa de juros de cupom: É a taxa de juros paga a título de remuneração do valor da obrigação. Se, por exemplo, o valor nominal de um título é $1.000 e o valor de juros pago pelo período de um ano for $90, a taxa de juros ao ano é de $90/$1.000 = 9%. O pagamento do cupom é fixado em contrato e permanece pelo tempo de duração do título. Em alguns casos, o pagamento do cupom poderá variar ao longo do tempo, caracterizando assim, títulos com taxa variável. Lembre-se sempre que, independente de qual taxa seja, fixa ou variável, esta deve estar determinada em contrato. 3. Data de vencimento: As obrigações têm data de resgate ou data de vencimento; normalmente, o prazo mínimo é de 10 anos. 4. Resgate das obrigações: As obrigações, em sua maioria, possuem cláusula de resgate e o preço de resgate é predeterminado como aquele que dá direito a recompra antes do vencimento. Em geral, o preço de resgate supera o valor nominal. A cláusula de resgate permite ao emitente utilizar do artifício de recompras das obrigações e fazer uma nova emissão, em caso de queda da taxa de juros. 1.1 Avaliando Obrigações O valor de uma obrigação é o valor presente (VP) dos pagamentos que, por contrato, o emissor está obrigado a efetuar, da data atual até o vencimento, e pode ser calculado de acordo com a fórmula: Do = I(VPo)+M(VPd), (7.1), onde: Do = Valor da obrigação na data zero. I= Juro do período. VPo= Valor presente da obrigação. M= Valor nominal da obrigação. VPd= Valor do desconto da obrigação. 9Administração Financeira Exemplificando: Uma empresa emiteuma obrigação no valor de $1.000. Sabe-se que o cupom anual é de $90 e o retorno anual é igual ao cupom (9%), e o prazo de vencimento é de 10 anos. Qual o valor atual da obrigação? Por meio da calculadora financeira, temos: 10 n → Prazo de vencimento. 9 i → Taxa de juros. 100 pmt → Pagamento anual de juros. 1.000 fv → Valor de face da obrigação. pv → Retorna o valor da obrigação. Então, o valor da obrigação é: Do = 1.000. Sempre que o retorno exigido for igual ao cupom, o valor calculado da obrigação será igual ao seu valor de face. Na prática, no mercado, o valor de uma obrigação dificilmente será igual ao seu valor de face. Algumas obrigações podem ser avaliadas abaixo de seu valor de face e outras acima de seu valor. Como dito, quem irá determinar o valor são as condições de mercado em que a empresa emitente está situada, bem como outras variáveis que fogem do alcance dos emitentes e investidores. Para tanto, é bom compreender os impactos que os retornos exigidos exercem sobre as obrigações. Normalmente, os retornos exigidos são distintos do cupom, em virtude de mudanças no contexto econômico, fazendo com que haja alteração no custo do dinheiro, ou então o risco da empresa mudou. Uma elevação dos custos e o aumento do risco da empresa farão com que o retorno exigido aumente; se houver redução do custo e/ou do risco, o retorno exigido irá diminuir. 10 Administração Financeira Entretanto, o que deverá ser considerado é a relação entre o retorno exigido e o cupom. Quando o retorno exigido for maior que o cupom, o valor da obrigação será menor que o valor nominal. Dessa forma, diz-se que a obrigação sofreu um deságio, que é a diferença entre o valor de face e o da obrigação (M-Do). Quando ocorre o inverso, ou seja, o retorno exigido é menor, diz-se que a obrigação sofreu um ágio (Do-M). Exemplificando: Vamos utilizar a base do exemplo anterior de uma obrigação com valor de face de $1.000, cupom de $100 e prazo de 10 anos. Se o retorno exigido for 12%, temos: 10 n → Prazo da obrigação. 12 i → Retorno exigido. 100 pmt → Cupom. 1.000 fv → Valor de face da obrigação. pv → Retorna o valor da obrigação com base no retorno exigido de 12%. Do = $887. O valor da obrigação sofreu um deságio. Se o retorno exigido for 8%, temos: 10n → Prazo da obrigação; 8 i → Retorno exigido; 100 pmt → Cupom; 1.000 fv → Valor de face da obrigação; pv → Retorna o valor da obrigação com base no retorno exigido de 8%. Do = $1.134,20. O valor da obrigação sofreu um ágio. 11Administração Financeira 1.2 Rendimentos até o Vencimento Investidores, ao avaliarem obrigações, consideram o rendimento até o vencimento, ou do original, em inglês, yield to maturity (YTM). Corresponde ao retorno que os investidores recebem se comprarem uma obrigação a um determinado valor, e a mantiverem até o seu vencimento. Dessa forma, se o valor pago pela obrigação for diferente do valor nominal, o rendimento também será diferente, mas pode ser calculado por meio da fórmula (7.1) apresentada anteriormente. Exemplificando: Uma obrigação que está sendo negociada por $1.080, cujo cupom é de $100, tem vencimento para 10 anos e valor nominal de $1.000. Qual o retorno implícito desta obrigação? Utilizando a calculadora financeira, temos: 10 n → Prazo até o vencimento. 1.080 chs pv → Armazena o valor da obrigação. 100 pmt → Armazena o valor anual do cupom. 1.000 → Armazena o valor nominal da obrigação. i → Retorna o rendimento em termos percentuais. Então, o rendimento implícito desta obrigação é de 8,77%. 2. Avaliação de Ações - Modelo de Gordon Ações são frações do capital de uma empresa. Neste subitem, o tratamento do nome ações será remetido àquelas cujas frações de capital são negociadas em bolsa de valores, ou seja, as sociedades anônimas de capital aberto. 12 Administração Financeira As empresas podem levantar capital próprio por meio da abertura de seu capital, o chamado Initial Public Offering (IPO) ou oferta pública inicial. A princípio, as sociedades emitem ações ordinárias e, posteriormente, havendo necessidade de levantar mais capital, podem emitir ações ordinárias ou preferenciais. As chamadas ações ordinárias são aquelas que dão direito a voto, e as preferenciais são as que têm preferência no recebimento de dividendos. Os acionistas ordinários esperam ser remunerados por meio de dividendos e/ou aumento do valor da ação. Os investidores compram ações quando estas estão subavaliadas, ou seja, quando o valor de mercado está abaixo do valor verdadeiro, e também vendem quando o oposto ocorre. Compradores e vendedores chamados racionais utilizam o conhecimento de risco e retorno de forma a determinar o valor de um ativo. Para o comprador, o valor de um ativo é o preço máximo pago por ele, enquanto que para o vendedor, seria o preço mínimo de venda. Em mercados onde existem muitos compradores e vendedores, a interação entre eles leva a um preço de equilíbrio, ou seja, o valor de mercado para cada título. À medida que compradores e vendedores obtêm novas informações sobre os títulos negociados, um novo preço de equilíbrio de mercado é criado. O nome dado a todo esse mecanismo de ajuste de preços, de acordo com as informações disponíveis, é eficiência de mercado. Quando estudamos o modelo CAPM, verificamos que, em um dado nível de risco, os investidores exigem um determinado retorno. Ao longo do tempo, os investidores vão se adequando de acordo com as informações recebidas e estimam o retorno esperado de sua carteira de ativos, com base no beta das ações que compõem seu portfólio. De forma simplificada, o retorno pode ser estimado dividindo-se o benefício esperado do período pelo preço do bem, ou seja: benefício esperado preço corrente R = (7.2) 13Administração Financeira Então, a qualquer momento que o investidor perceber que o retorno não corresponde ao que ele espera, um ajuste irá ocorrer. Se o retorno esperado for menor que o exigido, irão vender o ativo, caso contrário, irão comprar. Exemplificando: A ação ordinária da empresa Vai dar certo S.A. está sendo negociada a $40, e o mercado espera que o benefício gerado seja de $4,80 por ação em cada período futuro. Sabe-se que a taxa livre de risco (Rf) está em 6%, e o retorno de mercado (Rm) 11%, e que o beta da ação é 1,2. Qual o retorno esperado da empresa? Utilizando a fórmula 7.2, temos: R = 4,80 40 = 12% Ao substituir as informações na fórmula do CAPM, temos: CAPM = Rf + β (Rm - Rf) = 6 + 1,2 (11 - 6) = 12%. Então, como pode-se averiguar, o mercado está em equilíbrio e a ação está corretamente negociada a $40. Se um comunicado ao mercado informar algo que afete o risco da empresa, e os investidores ajustarem sua avaliação de risco, passando o beta para 1,3, o novo retorno medido pelo CAPM passará a ser de: CAPM = 6 + 1,3 (11 - 6) = 12,5%. Como o retorno anterior está abaixo do novo retorno 12% < 12,5%, os investidores irão vender suas ações, fazendo com que o preço da ação caia para algo em torno de $38,40; assim, o retorno esperado será de 12,5%. R= 4,80 38,40 = 12,5%. Assim, o novo preço de $38,40 faz com que o equilíbrio seja novamente alcançado. 14 Administração Financeira 2.1 Avaliação de Ações Ordinárias O valor de uma ação ordinária é igual ao valor presente de todos os dividendos futuros esperados de uma empresa, em perpetuidade. Apesar de que um investidor possa vender suas ações acima do valor de mercado, obtendo ganho de capital, na realidade, ele está vendendo o direito aos dividendos futuros atrelados àquela ação. Entretanto, como fica uma empresa cujas ações não se esperam dividendos futuros? Espera-se que haja o valor de um dividendo distante resultante da venda da empresa ou da liquidação de seus ativos. Então, do ponto de vista de avaliação, somente os dividendos são importantes. Dessa forma o modelo básico de avaliação é determinado pela seguinte equação: P0 = (1 ) t t D r + (7.3) Onde: P0 = Valor da açãoordinária. Dt = Dividendo esperado por ação ao final de cada período. r = Retorno exigido da ação. O modelo acima é conhecido como modelo de crescimento nulo. 2.2 Modelo de Gordon O Modelo de Crescimento Gordon é usado para determinar o valor intrínseco de uma ação, com base em uma série futura de dividendos que crescem a uma taxa constante. É uma variante popular e direta de um modelo de desconto de dividendos (DDM). Dado um dividendo por ação, que é pago em um ano, e a suposição de que o dividendo cresce a uma taxa constante de perpetuidade, o modelo resolve o valor presente da série infinita de dividendos futuros. Como o 15Administração Financeira modelo assume uma taxa de crescimento constante, geralmente, é usado apenas para empresas com taxas de crescimento estáveis em dividendos por ação. A fórmula para o modelo de crescimento de Gordon é: 1 ( ) DP r g = − (7.4) Onde: P= Preço atual da ação. D1 = Valor do dividendo do próximo ano. r = Retorno exigido. g = Taxa de crescimento constante. Exemplificando: Vai dar certo S.A., uma empresa metalúrgica, que fabrica carcaças para motores industriais, e que tem ações negociadas na bolsa de valores, pagou os seguintes dividendos por ação, de 2013 a 2018. Ano Dividendo por ação 2018 1,50 2017 1,35 2016 1,27 2015 1,20 2014 1,13 2013 1,05 Quadro 1: Dividendos por ação da empresa Vai dar certo S.A. Fonte: Elaborado pelo autor. A taxa anual de crescimento de dividendos é uma estimativa da taxa anual futura de crescimento g. Então, para calcular a taxa g de crescimento, tem-se: 1,05 chs pv →Valor do dividendo no ano inicial (valor é negativo, pois 16 Administração Financeira a maioria das calculadoras financeiras exige que o valor presente ou futuro seja negativo para que não ocorra erro no cálculo). 1,50 fv → Valor do dividendo no último ano. 5 n → Número de períodos (para cálculo da variação é n-1). i → Retorna a taxa, no caso do exemplo, a taxa g aproximada. O valor de i = 7,39%. A empresa calcula que o dividendo para 2019 será de $1,60. Sabendo que o retorno exigido r seja de 15%, qual o valor da ação? P0 = 1,60 (0,15 0,0739)− = $21,02. Com base nos valores utilizados, o preço corrente estimado da ação da empresa Vai dar certo é de $21,02. O modelo de crescimento de Gordon valoriza as ações de uma empresa usando o pressuposto de crescimento constante dos pagamentos que uma empresa faz aos seus acionistas de ações ordinárias. As três principais entradas do modelo são: dividendos por ação, a taxa de crescimento em dividendos por ação e a taxa de retorno exigida. Dividendos (D) por ação representam os pagamentos anuais que uma empresa faz a seus acionistas de ações ordinárias, enquanto a taxa de crescimento (g) em dividendos por ação é o quanto a taxa de dividendos por ação aumenta de um ano para outro. A taxa de retorno exigida (r) é uma taxa mínima de retorno que os investidores estão dispostos a aceitar ao comprar as ações de uma empresa. Existem vários modelos que os investidores usam para estimar essa taxa. O Modelo de Crescimento Gordon assume que uma empresa existe para sempre e paga dividendos por ação que aumentam à uma taxa constante. Para estimar o valor de uma ação, o modelo pega a série infinita de dividendos por ação e desconta novamente a valor presente, usando a taxa de retorno requerida. O resultado é a fórmula simples acima, baseada nas propriedades matemáticas de uma série infinita de números que crescem a uma taxa constante. 17Administração Financeira Este modelo tenta calcular o valor justo de uma ação, independentemente das condições de mercado vigentes, e leva em consideração os fatores de pagamento de dividendos e os retornos esperados do mercado. Se o valor obtido com o modelo for superior ao preço atual de negociação das ações, as ações serão consideradas subvalorizadas e qualificadas para uma compra e vice-versa. 3. Limitações do Modelo de Crescimento de Gordon A principal limitação do modelo de crescimento de Gordon reside na premissa de um crescimento constante dos dividendos por ação. É muito raro as empresas mostrarem crescimento constante de seus dividendos, em virtude de seus ciclos de negócios e dificuldades ou sucessos financeiros inesperados. O modelo é, portanto, limitado às empresas que apresentam taxas de crescimento estáveis. A segunda questão ocorre entre o fator de desconto e a taxa de crescimento utilizada no modelo. Se a taxa de retorno exigida for menor que a taxa de crescimento de dividendos por ação, o resultado será um valor negativo, tornando o modelo sem valor. Além disso, se a taxa de retorno exigida for a mesma que a taxa de crescimento, o valor por ação se aproxima do infinito. 3.1 Modelo de Desconto de Dividendos em Vários Estágios O modelo de desconto de dividendos de vários estágios é um modelo de avaliação de patrimônio que se baseia no modelo de crescimento de Gordon, aplicando taxas de crescimento variáveis ao cálculo. Sob o modelo de vários estágios, as taxas de crescimento variáveis são aplicadas a diferentes períodos de tempo. Existem várias versões do modelo de vários estágios, incluindo os modelos de dois estágios, H e três estágios. 18 Administração Financeira 3.2 O Modelo de Dividendos de Dois Estágios O modelo de dividendos de dois estágios é uma variante do modelo de dividendos de Gordon. Ele é composto de dois estágios para a taxa g. O primeiro considera a taxa g mais elevada em função de fatores associados à empresa, e que são sustentados por forte vantagem competitiva em relação aos concorrentes. Em um segundo momento, os dividendos crescem a uma taxa g de longo prazo infinito, pois considera-se que neste momento a empresa já não mais possui a vantagem competitiva que existia no primeiro momento, segundo Damodaran (2012). Dessa forma, os dois estágios são divididos em alto crescimento e estável, sendo demonstrados pela seguinte equação: 1 (1 ) (1 ) (1 ) t n o s s O t t n D g PV r r= + = + + +∑ , onde Ps (1 ) (1 ) ( ) t o s l l D g g r g + + = − Onde: gs = Taxa de crescimento no período de alto crescimento. gl = Taxa de crescimento g para o período estável. n = Número de anos em que o dividendo cresce à taxa g. t = Período de alto crescimento e. Ps = Preço ao final do ano n. Fica evidenciado que o valor de uma empresa, com base no modelo de dois estágios, é determinado por duas etapas, nas quais são consideradas a vantagem competitiva que uma empresa possui em dois períodos de tempo distintos, o curto e o longo prazos. 19Administração Financeira 3.3 O Modelo H de Dividendos O modelo H é um modelo de dois estágios, mas diferentemente do original, a taxa inicial de crescimento da primeira fase declina linearmente por meio do tempo, até alcançar o crescimento estável, de acordo com Costa, Costa e Alvim (2010) e Damodaran (2012). Este modelo considera que o custo de capital é constante ao longo do tempo, independente da mudança na taxa de crescimento. A fórmula deste modelo pode ser escrita da seguinte forma: ( (1 ) ( ) ( ) o l o s l o l D g D H g gV r g + + × × − = − Onde: D0 = Dividendos correntes. r = Taxa mínima de retorno. gs = Taxa de crescimento g inicial. gl = Taxa de crescimento g de longo prazo, após o período 2H. V0 = Valor da ação ou da empresa na data zero. H = Metade dos anos que cobrem o período de alto crescimento. 3.4 Modelos de Valuation Os modelos de avaliação patrimonial se enquadram em duas categorias principais: métodos de avaliação absolutos ou intrínsecos e métodos de avaliação relativa. Os modelos de desconto de dividendos (incluindo o modelo de crescimento de Gordon e o modelo de desconto de dividendos em várias etapas) pertencem à categoria de avaliação absoluta, juntamente com a abordagem de fluxo de caixa descontado (DCF), lucro residual e modelos baseados em ativos. 20 Administração Financeira As abordagens de avaliação relativa incluem modelos comparáveis. Isso envolve o cálculo de múltiplosou índices, como o preço/lucro ou o múltiplo P/L, e a comparação com os múltiplos de outras empresas comparáveis. Podemos concluir que avaliar ações e obrigações é uma tarefa que envolve conhecimentos distintos, pois além de ter acesso às informações de valores, taxas e retorno, por vezes, também é necessário ter conhecimento do impacto que acontecimentos que não dependem das empresas podem influenciar na determinação da avaliação. Ou seja, estamos falando do chamado risco sistêmico, aquele em que fatores políticos, econômicos e sociais afetam as empresas, interferindo em sua administração e, consequentemente, nos seus resultados. Sendo assim, para se fazer uma avaliação precisa, sem erros, seria necessário que esses impactos não ocorressem. Entretanto, o ambiente de negócios não permite tal fato, tornando-se necessário acompanhar os fatores externos aos negócios das empresas, além de medir os impactos que cada acontecimento gera no dia a dia das sociedades empresariais. 21Administração Financeira Referências COSTA, L. G. T. A.; COSTA, L. R. T. A.; ALVIM, M. A. Valuation: Manual de avaliação e reestruturação econômica de empresas. São Paulo: Atlas, 2010. DAMODARAN, A. Valuation: Como avaliar empresas e escolher as melhores ações. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2012. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. HOJI, M. Administração financeira e orçamentária: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, orçamento empresarial. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2010. ROSS, S. A. et al. Administração financeira. Porto Alegre: AMGH, 2015. Título da Unidade Objetivos Introdução Princípios de Administração Financeira Para início de conversa… Objetivo 1. Objetivos da Administração Financeira 2. Função do Administrador Financeiro 2.1 Objetivos Corporativos 2.2 Maximização do Lucro 2.3 Maximização de Vendas Referências Governança Corporativa Para início de conversa… Objetivo 1. Conceitos Introdutórios de Governança Corporativa 2. O Conflito entre os Sócios e os Gestores 3. Níveis de Governança Corporativa de Acordo com a BM&FBOVESPA(B3) Referências Técnicas de Orçamento de Capital Para início de conversa… Objetivos 1. Valor Presente Líquido (VPL) 2. Taxa Interna de Retorno (TIR) 3. Payback Referências Tipos de Projeto de Investimento Para início de conversa… Objetivo 1. Projetos Independentes 2. Projetos Mutuamente Excludentes 3. Projetos Dependentes Referências Custo de Capital Para início de conversa… Objetivo 1. Modelo de Precificação de Ativos (CAPM) 1.1 O Retorno do Ativo Livre de Risco 1.2 O Beta do CAPM 2. O Retorno do Mercado 3. A Otimização do Portfólio e o Modelo de Precificação de Ativos 3.1 O Retorno e o Risco de um Ativo Individual 4. Resumo do Modelo de Precificação de Ativos de Capital 5. Custo de Capital de Terceiros 5.1 Custo Médio Ponderado de Capital Referências Fluxo de Caixa Descontado Para início de conversa… Objetivo 1. Fluxo de Caixa Livre e seus Componentes 1.1 Considerações na Montagem do Fluxo de Caixa 1.2 Fluxo de Caixa Livre 2. Fluxo de Caixa do Financiamento e o Impacto do Imposto de Renda 3. Fluxo de Caixa do Acionista Referências Modelo de Avaliação de Ações e Obrigações Para início de conversa… Objetivo 1. Avaliação de Obrigações - Debêntures 1.1 Avaliando Obrigações 1.2 Rendimentos até o Vencimento 2. Avaliação de Ações - Modelo de Gordon 2.1 Avaliação de Ações Ordinárias 2.2 Modelo de Gordon 3. Limitações do Modelo de Crescimento de Gordon 3.1 Modelo de Desconto de Dividendos em Vários Estágios 3.2 O Modelo de Dividendos de Dois Estágios 3.3 O Modelo H de Dividendos 3.4 Modelos de Valuation Referências