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autor CLÁUDIO GONÇALVES PEIXOTO 1ª edição SESES rio de janeiro 2019 METODOLOGIA DA GINÁSTICA DE ACADEMIA Conselho editorial roberto paes e gisele lima Autor do original claudio gonçalves peixoto Projeto editorial roberto paes Coordenação de produção andré lage, luís salgueiro e luana barbosa da silva Projeto gráfico paulo vitor bastos Diagramação bfs media Revisão linguística bfs media Revisão de conteúdo regina braga de moura e claudio melibeu bentes Imagem de capa esb professional | shutterstock.com Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2019. Diretoria de Ensino – Fábrica de Conhecimento Av. das Américas, 4.200 – Barra da Tijuca Campus Tom Jobim – Rio de Janeiro – RJ – CEP: 22640-102 Sumário Prefácio 7 1. Metodologia da ginástica de academia 9 Evolução e tendências 10 Evolução histórica da ginástica de academia 10 O conceito atual 13 Novas tendências – para onde caminha o mercado 15 Parâmetros para prática do exercício físico relacionado à saúde e à estética 16 Orientadores gerais para prescrição de exercícios 17 Tipo de atividade (exercício) 17 Intensidade 17 Volume 17 Frequência 18 Planejamento 19 Metodologia da ginástica de academia 21 Estrutura de uma aula coletiva 22 Aquecimento ou fase de preparação 23 Parte específica ou principal da aula 24 Volta à calma ou fase de recuperação 24 2. Atividades neuromusculares 29 Conteúdo 31 Atividades neuromusculares 31 Orientadores gerais para prescrição de exercícios 32 Atividades neuromusculares – os principais estímulos estão relacionados aos exercícios de força 32 Componentes do treinamento de força 35 Força dinâmica 36 Hipertrofia 37 Resistência muscular localizada (RML) 37 Potência 38 Estrutura de uma aula coletiva neuromuscular 38 Metodologia do treinamento neuromuscular aplicada às aulas coletivas de academia 39 Tipo de trabalho muscular 39 Número de exercícios 40 Velocidade de execução 40 Seleção e ordem dos exercícios 40 Ordem dos exercícios 41 Alternado por segmento 41 Localizado por segmento ou bombeado 41 Simples 42 Design da série 44 Tradicional 44 Circuito 44 Série por encaixe (e/ou desencaixe) 45 Pirâmide 45 Planejamento e periodização 46 Estruturação da periodização 47 Recomendação para uma boa execução técnica 48 3. Atividades cardiorrespiratórias 53 Conceito e modalidades 54 Modalidades 55 Aptidão cardiorrespiratória (exercícios aeróbicos) 56 Variáveis de prescrição 57 Intensidade do treinamento 58 Padrão de estimulação 61 Frequência semanal de treinamento 66 Duração do treinamento 67 Métodos de treinamento 67 Indicadores para a criação e desenvolvimento de novas atividades 70 4. Atividades de mobilidade articular 73 Conceito e modalidades 74 Treinamento de flexibilidade articular 76 Fatores determinantes 78 Fatores Intervenientes 78 Resposta neuromuscular ao alongamento 80 Formas de expressão 81 Metodologia dos exercícios de alongamento 86 Métodos de treinamento aplicados às aulas de alongamento 87 Fisiologia articular e cadeias musculares 88 5. Atividades funcionais 93 Conteúdo 95 Conceito e modalidades 95 Treinamento funcional (exercícios funcionais) 99 Fundamentos: eficácia e harmonia corporal 100 Princípios de especificidade: similaridade, instabilidade e complexidade 102 Mecanismos de Controle Motor 105 Metodologia dos exercícios funcionais 106 Quanto à progressão 107 Norteadores do processo de treinamento 108 Componentes de treinamento: força funcional, equilíbrio e coordenação motora 109 Categorias de exercícios funcionais: estabilidade (core), equilíbrio, força, específicos e complementares 109 Recomendações gerais para o treinamento funcional relacionado à saúde, à qualidade de vida e ao bem-estar 111 7 Prefácio Prezados(as) alunos(as), No cenário mundial, é cada vez maior a vinculação dos benefícios da prática regular do exercício físico e da adoção de um estilo de vida mais ativo, impactando positivamente na saúde, na qualidade de vida e no bem-estar. As academias de ginástica aparecem como um dos locais em que que essas atividades podem ser de- senvolvidas. Não é ao acaso que ao longo das últimas décadas ocorreu um grande aumento não só do número de academias de ginástica, mas também de locais para prática regular dos exercícios físicos, como as atividades desenvolvidas em clubes, agremiações e condomínios. Um ponto também importante a destacar é que as aulas coletivas nas acade- mias de ginástica ganham, dia a dia, um maior número de adeptos, pois não só o condicionamento físico é trabalhado (quer para fins estéticos e/ou esportivos), mas também a componente psicossocial é desenvolvida ao longo das aulas, aten- dendo a uma demanda da sociedade contemporânea. Este livro tratará desde uma visão ampla quanto à evolução e tendências dos mercados das academias até as atividades funcionais. Diferentes tipos e modali- dades de atividade estão difundidos pela mídia e com múltiplas possibilidades de aplicações. Então, vamos conhecer o que será tratado em cada um dos capítulos? Quanto à evolução e tendências, você conhecerá as razões pelas quais o mer- cado das academias de ginástica é um dos mais promissores tanto no Brasil quanto no cenário mundial, sendo respectivamente mais de 35.0000 e 210.000 unidades instaladas em funcionamento nos dias de hoje. No Brasil, você identificará uma série de serviços ofertados não só para a componente estética, mas atendendo ain- da quem busca saúde, qualidade de vida e bem-estar. Ao conhecer um pouco mais as atividades neuromusculares, os conteúdos as- sociados às aulas coletivas costumam ser tratados nas chamadas aulas de Ginástica Localizada. No entanto, na atualidade, inúmeras atividades relacionadas ao con- dicionamento neuromuscular têm sido propostas, o que sinaliza a possibilidade de um novo rebalanceamento na grade de atividades das academias. As atividades neuromusculares têm como premissa trabalhar os conteúdos de aptidão física re- lacionados à força e suas subdivisões. No capítulo três, você terá contato com as atividades cardiorrespiratórias, usualmente conhecidas como atividades aeróbias. Esse tipo de atividade foi uma das que mais evoluiu dentre as aulas coletivas nas academias de ginástica, em função da diversificação das modalidades até os mecanismos de controle de treino (aula), como exemplo os frequencímetros, chegando aos dias atuais a monitori- zação via aplicativos (APPs). Aparece aqui mais uma grande oportunidade para o surgimento de novas propostas de atividades nas academias. Agora ao chegar ao capítulo que trata da mobilidade, uma viagem que passa pela estrutura articular será apresentada e ainda discutindo os diferentes elementos que interferem na flexibilidade articular. As dúvidas e os questionamentos nor- malmente relacionados ao alongamento muscular serão tratados neste capítulo, por meio de uma base conceitual e com uma diretriz para aplicações práticas. Alguns mitos e tabus serão quebrados ao final dessa leitura. Que tal descobrir? No nosso último capítulo, as atividades funcionais serão tratadas à luz dos conceitos do chamado treinamento funcional. É um tipo de atividade que apesar de ser apresentada como “nova”, remonta ao tempo de diversos métodos de ginás- tica, que deram origem a tudo que hoje se sabe sobre as ginásticas de academia. O treinamento funcional é fascinante, pois pode ser aplicado para diferentes fai- xas etárias, visando atender as demandas de movimento não só do dia a dia, mas podendo também ser aplicado à prática esportiva. Tudo isso será tratado num contexto de múltiplas possibilidades que tende a ser mais explorado em função de novos implementos que possam ser utilizar nas aulas coletivas. Este é o capítulo paravocê que gosta de desafio! Bons estudos! Metodologia da ginástica de academia 1 capítulo 1 • 10 Metodologia da ginástica de academia O mercado das academias de ginástica é um dos mais promissores nos últimos anos. O Brasil, seguindo uma tendência mundial, tem apresentado uma série de serviços que são ofertados em uma academia de ginástica voltados não só para componente estética, mas em especial para enorme procura em busca de saúde, bem-estar e qualidade de vida. Neste capítulo, você irá descobrir como a ginástica de academia evoluiu até os dias de hoje e quais são as promissoras evoluções e tendências para esse mercado. OBJETIVOS • Definir o conceito de academia de ginástica, por meio de sua evolução histórica; • Debater sobre as tendências do mercado das academias de ginástica; • Examinar os critérios gerais para prescrição do exercício físico; • Definir o conceito de aula coletiva na ginástica de academia; • Distinguir os diferentes tipos e modalidades na ginástica de academia; • Explicar as diferentes partes da estrutura de uma aula na ginástica de academia. Evolução e tendências Evolução histórica da ginástica de academia Segundo Netto & Novaes (1996), o surgimento das academias de ginástica no Brasil data do meado da década de 1930, no século passado. Entretanto, o olhar sobre a ginástica e a Educação Física é relatado a partir de 1851, em função da lei 630, de 17 de setembro de 1851, que inclui a ginástica no currículo das escolas primárias. Vale destacar que o conceito de ginástica tratado naquela época está distante das múltiplas propostas da ginástica de academia contemporânea. Contudo, a ideia principal das atividades ginásticas, de alguma forma, sempre esteve voltada à adaptação do homem ao meio ambiente, em função de diferentes valores culturais. Você notará que as influências que sugerem as múltiplas estratégias metodoló- gicas na construção dos conteúdos da ginástica de academia estão mais relacionadas capítulo 1 • 11 aos modelos que começaram a se consolidar a partir do período que vai de 1930 a 1960, quando os conceitos relacionados à estética também passaram a fazer parte dos objetivos dos beneficiários (alunos), aumentando as possibilidades de inclusão dessa prática nos diferentes espaços para realização do exercício físico. A partir daí você perceberá que novas metodologias foram sugeridas para os diferentes tipos e modalidades de ginástica de academia. Sendo o período que vai de 1960 a 1995 de grande importância para o delineamento atual do que vem ser a sistematização dos métodos de ginástica, pois passou a incorporar conhecimen- tos científicos aos conteúdos das aulas de ginástica. O quadro a seguir dará a você uma ideia preliminar dos principais objetivos em função das décadas: DÉCADA OBJETIVOS DA GINÁSTICA 1960 Estético; higiene mental 1970 Estético; saúde física e mental 1980 Saúde; obtenção e manutenção da estética corporal 1990 Melhoria da qualidade de vida; estética corporal Tabela 1.1 – Netto & Novaes (1996). Na atualidade, em busca de uma base acadêmica para dar suporte à identifi- cação das demandas relacionadas às aulas de ginástica de academia, o melhor refe- rencial passa a ser os dados apresentados pelo Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM), que anualmente apresenta pesquisa mundial de tendências para o “fitness”. Observe o quadro adiante e perceba que nos três últimos anos, o que já era anteriormente sinalizado se concretiza, ou seja, as atividades coletivas nas academias de ginástica voltaram a ocupar posição de destaque. Pense no universo de possibilidades que surge a partir daí. RANK 2017 2018 2019 1 Wearable technology High-intensity interval training Wearable technology 2 Body weight training Group training Grouptraining 3 High-intensity interval training Wearable technology High-intensity interval training (HIIT) capítulo 1 • 12 RANK 2017 2018 2019 4 Educated, certified and experienced fitness professionals Body weight training Fitness programs for older adults 5 Strength training Strength training Bodyweight training 6 Group training Educated, certified, and experienced fitness Professionals Employing certified fitness professionals 7 Exercise is Medicine® Yoga Yoga 8 Yoga Personal training Personal training 9 Personal training Fitness programs for older adults Functional fitness training 10 Exercise and weight loss Functional fitness Exercise is Medicine® 11 Fitness programs for older adults Exercise and weight loss Health/wellness coaching 12 Functional fitness Exercise is Medicine® Exercise for weight loss 13 Outdoor activities Group personal training Mobile exercise apps 14 Group personal training Outdoor activities Mobility/myofascial devices 15 Wellness coaching Flexibility and mobility rollers Worksite health promo- tion and workplacewel- l-being programs 16 Worksite health promotion Licensure for fitness professionals Outcome measurements 17 Smartphone exercise apps Circuit training Outdoor activities 18 Outcome measurements Wellness coaching Licensure for fitness professionals 19 Circuit training Core training Small group personal training 20 Flexibility and mobility rollers Sport-specific training Postrehabilitation classes Tabela 1.2 – Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM). Top 20 Worldwide. Fitness Trends for 2017, 18 and 19. capítulo 1 • 13 Vale ainda destacar que ao longo da evolução histórica da ginástica de acade- mia, a atividade chamada calistenia funcionou como uma base para construção de muitas atividades que sobrevivem até os dias atuais. O objetivo principal de uma aula de calistenia envolve aspectos estéticos e posturais e consiste em exercí- cios que buscam desenvolver a força, a agilidade e a flexibilidade. O conceito atual Você viu no subitem anterior que o atual mercado de ginástica nas academias tem tudo para não parar de evoluir. Muitos tipos e modalidades de aulas tendem a surgir, e as atuais, em função de novos conhecimentos adquiridos e atendendo as demandas do mercado, devem ser recicladas. No entanto, como conceituar na atualidade as aulas de ginástica de academia? Trata de todo tipo de exercício físico, ou seja, seguindo um planejamento e sistematização, subdividido em várias modalidades, realizado de maneira coletiva (aulas em grupo), que busca alcançar um ou mais objetivos preestabelecidos (esté- ticos, saúde e/ou qualidade de vida), visando desenvolver uma ou mais qualidades físicas (neuromusculares; cardiovasculares; flexibilidade), isoladas ou em conjunto. Para melhor exercer suas habilitações no mercado de trabalho, você deverá ampliar seus conhecimentos e, para isso, a aquisição de alguns conceitos é neces- sária. Vamos lá! • Tipos de atividades na ginástica de academia ATIVIDADES CARDIOVASCULARES Sua principal base são os exercícios aeróbios, que bus- cam o desenvolvimento das capacidades cardiovascu- lares e respiratórias. Dependendo da intensidade pode apresentar “picos” de anaerobiose. ATIVIDADES NEUROMUSCULARES Sua principal base são os exercícios de força e suas subdivisões (hipertrofia, resistência muscular localizada e potência). ATIVIDADES DE MOBILIDADE ARTICULAR Sua principal base envolve a mobilidade articular e os fatores intervenientes nesta. Ex.: alongamento muscular. ATIVIDADES FUNCIONAIS Visam conferir maior habilidade para as tarefas do dia a dia, com aumento da autonomia funcional. capítulo 1 • 14 • Modalidades das atividades, nos diferentes tipos de ginástica de academia: ATIVIDADES CARDIOVASCULARES Exercícios aeróbicos podem ser propostos de maneira contínua ou intervalada e são divididos em atividades cíclicas e acíclicas. ATIVIDADES NEUROMUSCULARES Na prática, a principal atividade são as aulas de ginásti- ca localizada e/ou suas variações. Ex.: aula GAP – glú- teos, abdômen e perna. ATIVIDADES DE MOBILIDADE ARTICULAR São os chamados estímulos para melhoria da flexibilida- de,na prática considera os exercícios de alongamentos e autoliberação miofascial. ATIVIDADES FUNCIONAIS As aulas estruturadas a partir dos exercícios multiarticu- lares, com base nos exercícios de equilíbrio, coordena- ção motora e força funcional. Ex.: CrossFit. Outros conceitos importantes: FITNESS Ênfase no condicionamento físico do indivíduo. “Estar em boa forma física”. WELLNESS As práticas envolvem não só o condicionamento físico, mas também os conteúdos relacionados à qualidade de vida e ao bem-estar. SAÚDE “É o completo bem-estar biopsicossocial e não apenas a ausência de doenças e/ou enfermidades”. (Organização Mundial de Saúde – OMS) QUALIDADE DE VIDA “É a percepção de bem-estar que reflete um conjunto de parâmetros individuais, socioculturais e ambientais que caracterizam as condições em que vive o ser humano.” (NAHAS, 2006) BEM ESTAR “É um conjunto de práticas que engloba uma boa nu- trição, atividade física, bons relacionamentos interpes- soais, familiares e sociais, além de controle do estresse.” Disponível em: <https://www.significados.com.br/bem -estar/>. Acesso em: ago. 2019. ADESÃO "É o seguimento de orientações proporcionadas pelos profissionais de saúde, tais como: realizar exercícios físi- cos." (BENNETT & MURPH, 1999). capítulo 1 • 15 Na prática, são os comportamentos de saúde que envolvem mudanças no re- pertório comportamental e cognitivo de indivíduos e grupos. RETENÇÃO “Reter clientes quer dizer que você não os está perdendo (...). Reter clientes significa mantê-los fieis à sua marca e fazê-los continuar comprando.” Disponível em: <http:// www.agendor.com.br/blog/o-que-e-a-retencao-de- clientes/>. Acesso em: ago. 2019. FIDELIZAÇÃO “Mostrar aos clientes como eles são importantes para a sua empresa ao mesmo tempo em que lhes dá alguma vantagem, ou seja, você cria um valor maior acima do seu produto ou serviço para que quando um cliente pense so- bre este tipo de serviço ou produto, tenha em mente a sua empresa em primeiro lugar.” Disponível em: <http:// casadaconsultoria.com.br/fidelizacao-de-clientes-o-que -e-beneficios-e-como-usar-em-seu-negocio/>. Acesso em: ago. 2019. Novas tendências – para onde caminha o mercado Você pôde perceber que em 2017 as aulas em grupo ocupavam a 6a colocação no “ranking” da pesquisa de tendências do ASCM, mas nos dois últimos anos (2018 e 2019) passou a ocupar o 2o lugar e tem tudo para permanecer em posição de destaque pelos próximos anos. PERGUNTA Por que isso tende a acontecer? Simples! A maior capacitação dos profissionais que atuam nesse mercado, através dos conhecimentos adquiridos com base científicas e demandas dos próprios benefi- ciários, não permite mais que só as tarefas de treinamento físico e técnico sejam atendidas. O homem passa a ser associado a um contexto mais amplo e tarefas relacionadas aos conteúdos psicológicos e sociais, somadas às de conhecimento teórico são incorporadas às já existentes, com isso aumentando a possibilidade de criação de novas atividades. capítulo 1 • 16 Reforçando a tese anterior, peço que você atente para o fato de uma das maio- res redes de academias de ginástica no Brasil oferecer em uma de suas unidades mais de 30 (trinta) diferentes tipos de aulas coletivas, e esta tendência também é identificada em uma grande rede de academias de ginásticas nos Estados Unidos (Equinox). O mercado está aberto a novas atividades e você, ao final desta disciplina e no exercício da profissão, estará capacitado a planejar e sugerir atividades que atendam às necessidades e aos objetivos para as empresas às quais esteja vinculado. Na atualidade, em função da disponibilidade de tempo, existe uma tendência à combinação de diferentes tipos e modalidades dentro da mesma aula de ginástica de academia, estabelecendo um treinamento concorrente e, assim, possibilitando ao beneficiário da atividade uma maior experiência. EXEMPLO CrossFit que combina na mesma aula conteúdos das componentes cardiovascular, neuromuscular, mobilidade articular e, ainda, agilidade, coordenação e equilíbrio. Parâmetros para prática do exercício físico relacionado à saúde e à estética SEGURANÇA Envolve a minimização dos riscos de quaisquer naturezas durante as aulas, ou seja, apesar de ter base em atitudes concretas, con- fere ao praticante a percepção de se estar protegido de riscos, reduzindo as possibilidades de lesões. EFICÁCIA Considera a execução dos exercícios de forma certa. Necessita de preparação técnica e assimilação das sobrecargas impostas. MOTIVAÇÃO É o que move o cliente a agir em busca do alcance dos seus objetivos. Envolve questões emocionais, biológicas e sociais e, assim concorre, não só para o início das atividades, para se manter vinculado à mesma, com foco no alcance de objetivos preestabelecidos. capítulo 1 • 17 Orientadores gerais para prescrição de exercícios Tipo de atividade (exercício) • Atividades cardiovasculares: exercícios aeróbicos; • Atividades neuromusculares: exercícios de força; • Atividades de mobilidade articular: exercícios de alongamento; • Atividades funcionais: exercícios funcionais. Intensidade Parâmetro mais importante para quantificação do treinamento físico, pois tende a nortear a maioria das atividades, em busca dos objetivos pré-estabelecidos. Quanto maior a intensidade, mais efetivos tendem a ser os resultados, porém é importante observar o grau condicionamento técnico e físico do praticante. Exige a adoção de diferentes norteadores para cada tipo de atividade: CARDIOVASCULARES VO2máx. → frequência cardíaca de reserva → percep- ção subjetiva de esforço (PSE) → escala das faces (subjetiva). NEUROMUSCULARES Número de repetições máximas (RMs). MOBILIDADE ARTICULAR Sensação de desconforto × dor. FUNCIONAIS Intensidade das cargas e sensação de fadiga associa-da aos diferentes graus de complexidade. Volume É uma das variáveis que compõem a quantidade do treinamento, pois para sua compreensão são utilizados dois parâmetros diferentes, isto é, o número de séries e repetições. Muitos artigos tratam essas variáveis levando em consideração o grau de trei- nabilidade do praticante e por isso os beneficiários são classificados como: inician- tes e/ou destreinados, intermediários e avançados. capítulo 1 • 18 Você perceberá que na prática é difícil estabelecer o momento exato da pas- sagem de um grau de treinabilidade para outro, assim ao longo do seu estudo ficará mais fácil determinar essa transição em função da etapa do planejamento das suas aulas. Vale destacar que o número de séries e repetições têm relação direta com a intensidade de treinamento, isto é importante para que os objetivos sejam alcan- çados na sessão de treinamento (aula) e também para o prazo que foi estabelecido como o da entrega dos resultados de “performance”. EXEMPLO Observe o exemplo a seguir: • Qualidade física → força pura → número de repetições recomendadas → 1 a 6 re- petições máximas (RMs) → intensidade recomendada 90 a 100% da força máxima. Na prática ao propor a seu cliente que realize 3 séries de 6 repetições, a forma de apre- sentação usualmente utilizada é: 3 × 6 – com aproximadamente 90% da força máxima (carga de treino ou intensidade do treinamento). Os resultados finais encontrados estarão diretamente associados à relação do vo- lume e intensidade de treinamento com a etapa do planejamento e, ainda, o estado de treinamento do beneficiário. Clientes iniciantes tendem a apresentar resultados com um baixo número de séries, mas quanto maior for o grau de condicionamento, o número de séries de um mesmo exercício tende a aumentar. Frequência Na ginástica de academia, a frequência de treinamento está relacionada à fre- quência semanal proposta para aquela modalidade. É uma variável de grande importância para o planejamento das aulas de gi- nástica de academia, pois os resultados tendem a ser entregues de maneira progra- mada e de acordo com cada uma das etapas do planejamento (isso você verá nospróximos capítulos). capítulo 1 • 19 Outra grande vantagem da adoção da distribuição dos conteúdos das aulas, de acordo com a frequência semanal, é fazer com que os mesmos sejam propostos e, a princípio, assimilados de maneira equilibrada, buscando o alcance dos resultados. Você irá notar que a noção de frequência semanal é uma “peça” fundamental do planejamento geral das aulas de ginástica de academia, pois permite hierar- quizar dos conteúdos de performance, ou seja, em que momento cada qualidade física dever ser apresentada. É bom observar que, com planejamento e controle do que vai ser administra- do a cada aula, evita-se que haja sobreposição dos conteúdos, o que permite não só estabelecer uma ótima inter-relação volume × intensidade, mas também a repetição dos mesmos exercícios. Não existe uma regra para determinação da frequência semanal das aulas de ginástica de academia. Você deve observar alguns pontos importantes: • A demanda dos clientes. • A disponibilidade de espaço físico, pois em algumas academias a mesma sala de treinamento atende a mais de uma modalidade. • A necessidade da inclusão de novas modalidades de tempo em tempo. Assim, a maioria das atividades tende a ser proposta para frequências de duas ou três vezes por semana, em determinado horário. EXEMPLO Segue exemplo adiante: • Sala 1 Hora\Dia Segunda Terça Quarta Quinta Sexta 17h Local Ritmos Local Ritmos Local Planejamento É uma peça fundamental para o sucesso do empreendimento, pois permite es- tabelecer uma percepção temporal para o alcance dos resultados, o que na prática interfere diretamente na retenção de clientes e ainda auxilia no direcionamento capítulo 1 • 20 de investimentos para inclusão de novas modalidades na grade de atividades da academia, em função do feedback dos beneficiários. No aspecto técnico, o planejamento costuma ser confundido com a periodiza- ção do treinamento proposta por Matveev, na década de 1950, mas, na atualidade, a periodização é uma das diretrizes que faz parte de um amplo conjunto de es- tratégias que compõem o planejamento, como o design de uma aula. A periodização “clássica”, citada anteriormente, propunha um ou dois picos de performance por ano, ou seja, momentos de entrega dos resultados. Contudo, você deve pensar também no conceito de periodização que significa dividir em períodos. Os relatórios apresentados em diversas revistas especializadas atentam para uma tendência à alta rotatividade de clientes quando os objetivos não são alcan- çados ou a monotonia é instalada. Então, nos dias atuais, a entrega de resultados uma ou duas vezes por ano parece não ser mais satisfatória. Vale refletir sobre a entrega desses resultados em ciclos trimestrais ou qua- drimestrais, fazendo com que a cada ano um desses três ou quatro ciclos seja o da entrega dos melhores resultados. PERGUNTA Você deve estar pensando: como posso aproveitar a periodização clássica? Ela estabelece que as variáveis volume e intensidade (já estudadas) sejam as norteadoras das etapas de cada ciclo (você ainda estudará). Entretanto, essas va- riáveis são propostas de uma nova maneira, já que volume e intensidade apre- sentam alternância de dominância ao longo de cada ciclo, sendo chamada de periodização ondulatória. EXEMPLO Seguem alguns exemplos: a segunda semana de determinado ciclo apresentará volume alto e intensidade baixa, já na terceira, o volume será reduzido e a intensidade aumentada; em uma aula aeróbia cíclica (running) a aula de segunda-feira será prioritariamente contínua, já a aula de sexta-feira será intervalada de alta intensidade. capítulo 1 • 21 Peço que você entenda que a periodização ondulatória não visa à obtenção de resultados máximos, mas sim de resultados “ótimos”, pois em aulas coletivas de academia, uma série de variáveis interferem na performance, o que dificulta maximizar os resultados. Em resumo, o planejamento deve ter caráter geral, detalhando ao máximo todos os fatores que podem interferir nos resultados, a partir de objetivos pre- viamente estabelecidos, de acordo com as demandas dos beneficiários e as possi- bilidades da academia, aplicando de maneira equilibrada os conhecimentos cien- tíficos, com base nos princípios científicos do treinamento físico-esportivo. Metodologia da ginástica de academia CONCEITO Metodologia é uma palavra derivada de “método”, do latim methodus cujo significado é “caminho ou a via para a realização de algo”. Metodologia é o campo em que se estudam os melhores métodos praticados em determinada área para a produção do conhecimento.” Disponível em: <https://www.significados.com.br/metodologia/>. Acesso em: ago. 2019. A ginástica de academia é uma disciplina ou área de conhecimento que ca- rece de um bom e vasto material bibliográfico. Poucos livros e artigos específi- cos sobre os diferentes tipos e modalidades de aula coletivas, com base científica, são encontrados. PERGUNTA Então o que você deve fazer para identificar a melhor metodologia e aplicar às suas aulas de ginástica de academia? Vale lembrar que a ginástica de academia tem base em quatro diferentes tipos e suas possíveis combinações e que, para cada um desses tipos, há na literatura grande variedade de informações científicas disponíveis. capítulo 1 • 22 E ainda, as disciplinas da área da saúde relacionadas à qualidade de vida, saú- de, bem-estar e performance esportivas surgem por diferentes vias como novas fontes de consultas a cada dia. Exemplos: livros impressos ou eletrônicos, web sites, aplicativos. Dessa forma, para elaboração das aulas de ginástica de academia são obser- vados os conhecimentos que estão relacionados aos estudos de treinamento de força, aeróbios, mobilidade articular e treinamento funcional e ainda das ciências do esporte. Você deve entender que a metodologia aplicada a ginástica de academia con- sidera que, para que os objetivos preestabelecidos sejam alcançados há necessidade de selecionar meios, estratégias e recursos necessários. Com isso é importante destacar que: • O tipo de ação (contração) muscular usualmente proposta é a isotônica – concêntrica e excêntrica, e a ação isométrica. Todas associadas à resistência dinâmica invariável, isto é, o tipo de recurso material utilizado – halter, barra, bastão, caneleira e o peso do próprio corpo. • A fonte bioenergética prioritária – aeróbia ou anaeróbia. Seja por solici- tação de forma contínua ou intervalada. • A ordem dos exercícios em função do grau de treinabilidade dos benefi- ciários – iniciantes, intermediários e avançados. • O design da série, ou seja, a forma como os exercícios serão aplicados na aula – tradicional; circuito; série por encaixe (e/ou desencaixe); over-tri-set (OTS). • Grau de aptidão motora dos praticantes – séries estáveis × séries flexíveis. Nos capítulos em que cada um dos tipos de aula de ginástica de academia for abordado, os respectivos métodos de treinamento serão tratados de manei- ra objetiva. Estrutura de uma aula coletiva A estrutura de uma aula coletiva ou sessão de treinamento (termo utilizado na atualidade) segue o mesmo padrão das sessões dos exercícios físicos e modalidades esportivas, os seja, o aquecimento, seguido pela parte principal e por último a chamada volta à calma. capítulo 1 • 23 Cada uma das fases apresenta objetivos e características distintas não só quan- to a intensidade, mas também em relação a escolha dos conteúdos (exercícios). Agora você vai conhecer um pouco mais de cada uma dessas fases. Aquecimento ou fase de preparação O objetivo maior do aquecimento é preparar o sujeito para os esforços que serão desenvolvidos na parte principal. Dessa forma, o objetivo geral é comple- mentado pelas orientações oriundas dos objetivos específicos. Nesses objetivos específicos, o foco vai além da preparação do sistema loco- motor, pois visa minimizar não só o risco de lesões estruturais e sistêmicas, mas também favorecer as respostas aos estímulos da parte principale aumen- tar o nível de concentração para prática do exercício físico. De maneira mais detalhada, Barbanti em seu livro Teoria e Prática do Treinamento Desportivo (1978) cita algumas vantagens são observadas quando o aquecimento é eficaz, que são: • Aumento da temperatura muscular e irrigação sanguínea local; • Aumento da oxigenação e elasticidade muscular; • Alternância entre as fases de contração e relaxamento são mais rápidas; • Prepara o sistema nervoso para a sobrecarga que será aplicada; • Diminui e evita o risco de lesões. As alterações fisiológicas esperadas durante o aquecimento envolvem a ele- vação dos principais indicadores metabólicos, como a frequência cardíaca e res- piratória (FC e FR) e a pressão arterial (PA). Na elaboração dos conteúdos da fase de aquecimento, o profissional deverá considerar alguns fatores como norteadores, dentre elas estão a temperatura do ambiente; o grau de condicionamento físico e coordenação motora do públi- co-alvo e a disponibilidade de recursos materiais. A duração total de uma aula coletiva de academia de ginástica está, na atuali- dade, diretamente relacionada ao tipo e à modalidade a ser trabalhada, pois exis- tem aulas com duração de 20 minutos e outras com 60 minutos, varrendo dura- ções intermediárias entre os valores citados. Por isso, é recomendado que a duração da fase de aquecimento dure aproxi- madamente 10% do tempo total da aula. Quanto à intensidade e o ao grau de complexidade dos exercícios, você de- verá observar uma progressão, começando com uma intensidade de baixa para capítulo 1 • 24 média, só a partir daí, passar de média para alta, o que significa também propor no início exercícios mais fáceis e de menor amplitude de movimento, evoluin- do para os mais complexos e de maiores amplitudes. Na prática você poderá optar por algumas estratégias quanto à seleção de conteúdo, que pode ser exercícios de alongamento, exercícios localizados de baixa intensidade e/ou exercícios aeróbios. Parte específica ou principal da aula Exige do profissional conhecimento teórico, e preferencialmente o mínimo de experiência prática. Esta fase assume especial importância, pois é por meio dela que os objetivos estabelecidos para aula serão alcançados e, como con- sequência, a convergência para as metas preestabelecidas no início do ciclo de treinamento. As estratégias para seleção dos conteúdos da aula estão diretamente relacio- nadas ao planejamento, pois neste fica claro em que período do ciclo de trei- namento o grupo se encontra (início, meio ou fim), e a partir daí se dará a seleção das metodologias. Quanto à duração, em função do já explicado na fase de aquecimento, tende a ser de aproximadamente 80% do tempo total da aula. Os tipos de atividades tendem a ser propostos de maneira isolada, isto é, uma aula de ginástica localizada tem como base os conteúdos neuromusculares, as- sim como uma aula de “zumba” contempla os conteúdos cardiovasculares, em uma aula de alongamento a melhoria da mobilidade articular (flexibilidade) e nos chamados treinamentos funcionais, uma melhoria da força funcional e capacidade coordenativa. Na prática em muitas aulas os profissionais optam por desenvolver mais de um tipo de atividade na mesma aula, que é quando você observa uma combina- ção do tipo “Step-Local”; “Aero-Local” ou “Aero-Flex”, ou ainda, duas diferen- tes modalidades na mesma aula, como “Bike-Running”. Volta à calma ou fase de recuperação Dentro da ciência do esporte, esta fase visa ao retorno ao estado de norma- lidade após o esforço. Refere-se à diminuição dos esforços desenvolvidos na capítulo 1 • 25 parte principal e, como consequência, tende a normalizar os indicadores meta- bólicos que estavam alterados na fase anterior. Na prática promove a diminuição na FC, FC e PA, além de reduzir o nível de excitação alcançado na parte principal. Um ponto importante é que na fase de recuperação objetiva-se também a preparação para as próximas aulas, o que permite potencializar as respostas aos estímulos do treinamento, não só pelas variáveis físicas, mas chamando atenção para os componentes psicológicos e cognitivos. É importante destacar com os alunos os aspectos relevantes das atividades propostas na aula e passar informações que os auxiliem a se manter motivados para manutenção na regularidade às aulas. O tempo de duração desta fase é de aproximadamente 10% do tempo total da aula, usualmente começando com uma intensidade de alta para média, pas- sando de média para baixa. Como estratégias na seleção de conteúdos nesta fase, podem ser utilizados exercícios aeróbios e/ou localizados e/ou alongamentos de baixa intensidade. ATIVIDADE • Exercício prático de campo Que tal você visitar uma academia de ginástica e solicitar a grade de atividades coletivas? Agora tente identificar as características da academia como: é uma academia localizada em um bairro residencial ou comercial, a maior frequência a academia e de pessoas jovens, idosas ou mistas. Agora, faça a proposta de aulas coletivas que não constem nessa grade de atividades como um excelente exercício. Talvez você se surpreenda com as possibilidades que não estão atendidas e isso começa a abrir para você condições de se tornar um profissional mais crítico. 01. As aulas coletivas de academia visam atender simultaneamente a um conjunto de alu- nos em um mesmo horário, dentro da mesma atividade. Observe as alternativas a seguir, e assinale aquela que não atende as propostas das aulas coletivas em academia. a) As aulas coletivas são divididas em diferentes tipos. b) A melhor estratégia de periodização para aulas coletivas em academia é a linear. c) Os beneficiários (alunos) são classificados como iniciantes, intermediários e avançados. capítulo 1 • 26 d) São considerados volume da sessão de treinamento (aula) o número de séries e repe- tições. e) A principal base das atividades funcionais são os exercícios de força pura e suas sub- divisões. MULTIMÍDIA 1. “O mito da ginástica em vídeo” – Jane Seymour Fonda. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=XBzG4eRqS7I>. Acesso em: ago. 2019. 2. Crossfit. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hYCeOdY2b_8& spfreload=10>. Acesso em: ago. 2019. 3. Ginástica localizada. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_fKmp XwcCJg>. Acesso em: ago. 2019. 4. Jump. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=A8R_dP4xwfU>. Acesso em: ago. 2019. 5. Bike (Spinning). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4Hl1WA- GKjMc>. Acesso em: ago. 2019. 6. Combine Trainning. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-RTJL- vu4gDI>. Acesso em: ago. 2019. 7. GAP. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=5ly1PfpVAzA>. Acesso em: ago. 2019. REFLEXÃO Segundo dados da Associação Brasileira de Academias (ACAD), existem hoje no Brasil aproximadamente 32 mil academias que atendem a um quantitativo de mais de 8 milhões de beneficiários. Segundo o site <countrymeters.info/pt/Brazil>, a população brasileira atual é de apro- ximadamente 214 milhões. Hoje, os diferentes canais de comunicação destacam a importância da prática regular de exercícios físicos para promoção da saúde e prevenção das doenças. Agora vamos unir os pontos: com base nos dados anteriores, apenas aproximadamen- te 4% da população brasileira estão vinculados à prática regular de exercícios físicos em capítulo 1 • 27 academia; existe uma mídia espontânea que favorece a adesão à prática de exercício físico, pelos motivos já citados. Você tem em suas mãos uma excelente oportunidade de aplicar seus conhecimentos e observando o cenário expandir o mercado das academias de ginástica, por meio da consoli- dação das atividades já existentes e proposta de criação de novas atividades coletivas. Vale a pena pensar nessa excelente oportunidade! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBANTI, V. J. Teoria e prática do treinamento desportivo. São Paulo: Edgar Blucher, 1979. COSTA, M. C. GinásticaLocalizada. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. COSTA, M. C. Ginástica localizada para grupos heterogêneos. Rio de Janeiro: Sprint, 1998. COUNTRYMETERS. Página institucional. Disponível em: <https://countrymeters.info/pt/Brazil>. Acesso em: out. 2018. MORAES, Antonio Bento Alves de; ROLIM, Gustavo Sattolo; COSTA JR., Aderson Luiz. O processo de adesão numa perspectiva analítico comportamental. Rev. bras. ter. comport. cogn. São Paulo: v. 11, n. 2, p. 329-345, dez. 2009. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1517-55452009000200009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: fev. 2018. MORAES, L. C. O “boom” das academias. Rio de Janeiro: Br. Disponível em: <http://www.totalsport. com.br/colunas/moraes/ed1501.htm>. Acesso em: out. 2018. NETTO, E.; NOVAES, J. Ginástica de Academia: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. PAULILLO, G. O que é a retenção de clientes: 7 dicas práticas. São Paulo: Br. Disponível em: <http:// www.agendor.com.br/blog/o-que-e-a-retencao-de-clientes/>. Acesso em: out. 2018. Portal da Educação Física. Fitness ou wellness: O que o seu cliente busca em sua academia? São Paulo: Br. Disponível em: <http://www.educacaofisica.com.br/noticias/fitness-ou-wellness-o-que-o- seu-cliente-busca-em-sua-academia/>. Acesso em: out. 2018. SEGURANÇA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Seguran%C3%A7a&oldid=51186619>. Acesso em: fev. 2018. SIGNIFICADOS. Página institucional. Disponível em: <https://www.significados.com.br/bem-estar/>. Acesso em: out. 2018. WEINECK, J. Manual de Treinamento Esportivo. 2. ed., São Paulo: Manole, 1986. capítulo 1 • 28 Atividades neuromusculares 2 capítulo 2 • 30 Atividades neuromusculares As atividades neuromusculares, nas aulas coletivas em academias de ginásti- ca, têm como principal referência a ginástica localizada. Contudo, outras moda- lidades surgiram ao longo das últimas décadas, aumentando o leque desses tipos de atividade, ex.: aula de glúteos, abdômen e perna – GAP. Falando especificamente sobre a ginástica localizada, você verá que ela é clas- sificada como um tipo de treinamento neuromuscular, que visa ao desenvolvi- mento dos conteúdos de aptidão física que estão relacionados à força e às suas subdivisões: força dinâmica, hipertrofia, potência e resistência muscular loca- lizada (RML). Atendendo a recomendação do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) que em suas diretrizes de 2014 combinou os termos força muscular, RML e potência muscular em uma categoria denominada “condicio- namento neuromuscular”, e a incluiu como porção integral do condicionamento total relacionado com a saúde e qualidade de vida. Dentro do conjunto de exercícios físicos a ginástica localizada deve ser classi- ficada como exercício de ação localizada, ou seja, analítico. Costa (1996) ao citar Pereira (1988) afirma que a ginástica localizada “caracteriza-se por gestos motores, analíticos e voluntários, devidamente orientados de modo a revelarem umas mar- cas intencionais gestuais”. A partir do conceito acima você irá entender ao longo deste capítulo, que as atividades neuromusculares, em função de suas características localizadas, são exercícios classificados como analíticos, e que as componentes neurais e morfoló- gicas são os alicerces para a aquisição dos resultados, em etapas preestabelecidas. OBJETIVOS • Compreender os conteúdos a serem trabalhados em uma aula de treinamento neuromuscular; • Definir o objetivo do treinamento neuromuscular em diferentes etapas do treinamento; • Distinguir as diferentes propostas para o treinamento neuromuscular; • Identificar os elementos que interferem no planejamento e na quantificação do treinamen- to neuromuscular; • Aplicar os conteúdos do treinamento neuromuscular à ginástica de academia. capítulo 2 • 31 Conteúdo Para melhor exercer suas habilitações no mercado de trabalho, você deverá ampliar seus conhecimentos e para isso a aquisição de alguns conceitos é necessá- ria. Vamos lá! Atividades neuromusculares Você deve estar atento, pois as atividades neuromusculares têm como foco principal estímulos que provoquem adaptações no sistema musculoesquelético, ou seja, não no músculo (componente ativa do processo de contração), mas tam- bém de toda a estrutura passiva do sistema locomotor, ou seja, componentes das articulações sinoviais (cápsula, ligamentos, cartilagem), tendões e ossos. Quanto às valências físicas a serem trabalhadas nas aulas coletivas neuromus- culares, a força e suas subdivisões (hipertrofia, resistência muscular localizada e potência) são os conteúdos principais que devem ser hierarquizados tanto nos planos de aulas, como nos diferentes ciclos do processo de treinamento. Força Dinâmica PotênciaResistência MuscularLocalizadaHipertrofia Figura 2.1 – Valências físicas trabalhadas prioritariamente nas atividades neuromusculares na ginástica de academia. No capítulo 1, você aprendeu que o mercado da ginástica de academia é mui- to dinâmico, e constantemente estão sendo apresentadas novas modalidades das atividades, dentro de todos os tipos de ginástica de academia. Com as atividades neuromusculares não é diferente. As aulas usualmente são chamadas de ginástica localizada, ou para os mais “íntimos” aula de local. Na estruturação dessas aulas, e de acordo com a etapa dos ciclos de treinamento, o corpo pode ser trabalhado como “um todo” na mesma aula, ou poder-se-á estabe- lecer prioridades, como exemplo cito aulas de GAP – glúteos, abdômen e perna. capítulo 2 • 32 Fica aqui a sugestão para que você visite os sites das principais academias da sua região e confronte com as principiais do Brasil. Com certeza, você ficará surpreso com o número de diferentes modalidades que irá encontrar dentro das atividades coletivas neuromusculares. Só para reforçar essa tese, uma grande rede de São Paulo tem na sua grade de atividades coletivas mais de 10 di- ferentes modalidades neuromusculares. Orientadores gerais para prescrição de exercícios Atividades neuromusculares – os principais estímulos estão relacionados aos exercícios de força Intensidade Parâmetro mais importante para quantificação do treinamento físico, pois tende a nortear a maioria das atividades, em busca de metas e objetivos preestabelecidos. Quanto maiores forem às intensidades, mais efetivos tendem a serem os resultados, porém é importante observar o grau condicionamento técnico e físico do praticante. Cada tipo de estímulo apresenta diferentes indicadores de intensidade, que devem ser observados para que os resultados sejam alcançados; no caso dos estí- mulos neuromusculares, a referência usualmente é o número de repetições máxi- mas (RMs), faixa de repetições máximas ou zona de repetições. Você deve estar atento a essa faixa de repetições máximas, pois a ginástica localizada não utiliza o teste de 1 RM como referência para determinação da in- tensidade de treino. Volume É uma das variáveis que compõem a quantidade do treinamento (QT), pois para sua compreensão são utilizados dois parâmetros diferentes, isto é, o número de séries e repetições. McArdle et al. (2016) conceituam série sendo o número preestabelecido de repetições realizadas, ou seja, 8 repetições de determinado exercício caracteri- zam uma série. Já a repetição é entendida como um movimento completo do capítulo 2 • 33 exercício, o que consiste, em geral, de ações musculares concêntricas e excêntricas ou de uma ação muscular isométrica completa. Você verificou no subitem anterior que a referência para a intensidade são as RMs, ou seja, a maior força gerada para um único movimento ou para um núme- ro preestabelecido, e estimado de movimentos. Muitos estudos tratam essas variáveis levando em consideração o grau de trei- nabilidade do praticante, e por isso os beneficiários são classificados como: inician- tes e/ou destreinados, intermediários e avançados. Noentanto, a determinação da classificação de um beneficiário envolve não só aspectos quantitativos (frequência as aulas), mas também qualitativos (correta técnica de execução dos movimentos). Você perceberá que na prática é difícil estabelecer o momento exato da pas- sagem de um grau de treinabilidade para outro, assim ao longo do seu estudo ficará mais fácil determinar essa transição em função da etapa do planejamento das suas aulas. Vale destacar que o número de séries e repetições tem relação direta com a intensidade de treinamento, isto é importante para que os objetivos sejam alcançados na sessão de treinamento (aula), e também para no longo prazo o que foi estabelecido como meta ou objetivo seja entregue. Isso são os resultados de “performance”. EXEMPLO Observe o exemplo a seguir: Qualidade física → força pura → número de repetições recomendadas → 1 a 6 repetições máximas (RMs) → intensidade recomendada 90 a 100% da força máxima. Na prática, ao propor ao seu cliente que realize 3 séries de 6 repetições, a forma de apresentação usualmente utilizada é: 3 × 6 – com aproximadamente 90% da força máxima (carga de treino ou intensidade do treinamento). Os resultados finais encontrados estarão diretamente associados a relação do volu- me e intensidade de treinamento com a etapa do planejamento, e ainda, o estado de treinamento do beneficiário. McArdle et al. (2016), afirmam que quatro séries por grupo muscular são mais eficientes do que duas. Entretanto, mesmo uma única série por exercício melhora- rá significativamente a força muscular, particularmente entre os novatos. capítulo 2 • 34 Frequência Na ginástica de academia, a frequência de treinamento está relacionada à fre- quência semanal proposta para aquela modalidade. É uma variável de grande importância para o planejamento das aulas de gi- nástica de academia, pois os resultados tendem a ser entregues de maneira pro- gramada e de acordo com cada uma das etapas do planejamento. Você deve estar lembrado que isso já foi destacado no capítulo 1. A grande vantagem da adoção da distribuição dos conteúdos das aulas de acordo com a frequência semanal é fazer com que os mesmos sejam propostos, e a princípio assimilados de maneira equilibrada, buscando o alcance dos resultados, sem provocar não só a saturação física, como também psíquica, o que irá interferir diretamente na motivação do beneficiário. O “controle da frequência semanal” permite que o planejamento seja enten- dido a partir de ciclos maiores (macrociclos), passando por ciclos intermediários (mesociclos), ciclos menores (microciclos) e chegando à sessão de treinamento (aula propriamente dita), o que dá base para hierarquizar dos conteúdos de per- formance nas aulas de ginástica de academia, estabelecendo o momento cada qua- lidade física deve ser apresentada. A maior parte dos estudos sugere que a frequência semanal média de três vezes por semana tende a ser eficaz para a maior parte dos grupos musculares. McArdle et al. (2016) sugerem que para o condicionamento neuromuscular geral, particularmente entre aqueles indivíduos que não sejam treinados ou que treinem apenas de modo amador, um indivíduo deve treinar a componente de cada grupo muscular principal de 2 a 3 por semana, com pelo menos 48 horas de intervalo, separando as sessões de treinamento de exercício do mesmo grupo muscular. Os mesmos autores afirmam ainda, que dependendo da agenda diária do in- divíduo, todos os grupos musculares podem ser treinados na mesma sessão ou cada sessão pode “dividir” o corpo em grupos musculares selecionados de modo que apenas alguns grupos sejam treinados em uma única sessão. Por exemplo, os músculos inferiores do corpo podem ser treinados às segundas e quintas-feiras, e os músculos superiores do corpo podem ser treinados às terças e sextas-feiras. capítulo 2 • 35 Reforçando o que você já aprendeu no capítulo 1, não existe uma regra para determinação da frequência semanal das aulas de ginástica de academia. Você deve observar alguns pontos importantes: • A demanda dos clientes; • A disponibilidade de espaço físico, pois em algumas academias a mesma sala de treinamento atende a mais de uma modalidade; • A necessidade da inclusão de novas modalidades de tempo em tempo. Densidade ou Intervalo entre as séries e repetições O intervalo entre os estímulos e séries visa permitir que a fadiga seja alcança- da de maneira intencional, de acordo com a etapa do processo de treinamento. Usualmente no caso das atividades neuromusculares, são sugeridos períodos de recuperação entre 3 e 5 minutos. No caso das aulas coletivas neuromusculares, visando dar fluidez ao trabalho, sem a quebra de harmonia no mesmo, os intervalos tendem a ser chamados de rotina de transição (RT). Você deve considerar que, uma aula quando tem boa estruturação, apresenta desenvolvimento contínuo, sendo que os exercícios propostos na RT visam permi- tir a recuperação para uma nova série. Rotina de transição ativa = aula com maior fluidez. EXEMPLO Por exemplo: caso o objetivo principal de determinada aula seja o trabalho de membros superiores (MMSS), você poderá adotar como estratégia exercícios para membros inferiores (MMII) na RT, porém lembrando que estes apresentarão baixa intensidade. Componentes do treinamento de força Antes de nos aprofundarmos em cada uma das componentes, você toma- rá ciência das diretrizes do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) (2014) quanto aos benefícios das atividades neuromusculares: capítulo 2 • 36 “O ACSM combinou os termos força muscular, RML e potência muscular em uma categoria denominada “condicionamento neuromuscular” e a incluiu como porção integral do condicionamento total relacionado com a saúde em seu posi- cionamento sobre a quantidade e a qualidade do exercício para o desenvolvimento e a manutenção do condicionamento”. Ainda com base nas propostas do ACSM, é conhecido que aumentos nos ní- veis de força muscular estão associados a uma diminuição significativa dos fatores de risco cardiometabólicos, redução dos riscos de morbidade e mortalidade de di- versas origens, e à manutenção da autonomia do indivíduo, em função da redução das limitações físicos funcionais. E ainda, que o exercício de força promove além do aumento da massa muscular, um aumento importantíssimo da massa óssea, em função da manutenção e/ou aumento da densidade óssea. Os achados dos estudos relacionados ao treinamento de força sugerem que este tipo de treinamento pode auxiliar na prevenção e na melhora dos quadros de depressão e ansiedade. Na prática, Costa (1996) afirma que “O treinamento de força (TF) tem por objetivo desenvolver os componentes força e resistência muscular da aptidão mus- culoesquelética da aptidão física relacionada à saúde e qualidade de vida.” Sem esquecer ainda que dentro deste conceito incluem-se valores estéticos. A publicação do ACSM (2002) intitulada Progression Models in Resistance Training for Healthy Adults, apresenta diretrizes que passam a ser consideradas para prescrição do exercício físico, sugerindo que sejam adotadas hierarquização dos componentes de performance. O que você verá a seguir. Força dinâmica A força muscular se refere à possibilidade de o músculo vencer uma resistên- cia; ACSM (2014). É importante que você entenda que ao pensar no exercício físico, a aplicação da força deve considerar uma componente que atua a favor do movimento que se quer realizar, usualmente conhecida como força ou força potente, dando destaque às ações concêntricas musculares, e um outro conjunto de forças, que tem ação con- trária ao movimento que se quer realizar, que é chamado de força resistente ou resis- tência, que no treinamento neuromuscular, na ginástica de academia é representado por um implemento que pode ser um halter, barra, bastão, caneleira etc. capítulo 2 • 37 Após o processo de adaptação neuromuscular, o que na prática significa a aquisição da técnica para realização dosmovimentos, a primeira valência a ser trabalhada, tende a ser a força dinâmica. Quanto às suas quantificações são propostas as seguintes diretrizes: Força dinâmica – 60 a 80% da força máxima; 8 a 15 repetições máximas (RMs); 1 a 3 séries por exercício. Hipertrofia É uma componente da valência física força, que tem como principal objetivo a manutenção ou o aumento da secção transversal fisiológica de um músculo. Vale destacar que mesmo os indivíduos que não têm como objetivo a compo- nente estética necessitam de um mínimo grau de hipertrofia para manutenção de suas saúdes e qualidade de vida. Sugiro que você tenha em mente que o grau de hipertrofia conquistado nas aulas coletivas de academia, tende a ser inferior ao alcançado nas “salas de muscu- lação”, pois por se tratar de uma aula coletiva, os recursos e meios de treinamento impõem essa limitação. Convém lembrar que a secção ou área de corte transversal fisiológica considera o sentido da fibra muscular dentro do músculo (revisar músculos fusiformes e penados). Quanto às suas quantificações são propostas as seguintes diretrizes: Hipertrofia – 80 a 90% da força máxima; 6 a 12 repetições máximas (RMs); 3 ou mais séries por exercício. Observe que a intensidade de treinamento tende a ser muito elevada, pois irá exigir do profissional diferentes estratégias metodológicas para alcance dos resultados. Resistência muscular localizada (RML) A RML é a “capacidade de o músculo continuar a realizar esforços sucessivos ou muitas repetições”, ou seja, é a manutenção de determinado movimento por um maior período de tempo. capítulo 2 • 38 Em destaque, a adaptação de toda a estrutura miotendínea segue velocidades diferentes, o que sugere uma adaptação mais lenta das estruturas passivas (tendão e inserção) fazendo com que deva ser dada especial atenção à queixa de desconforto ou a dores próximas dos locais de fixação muscular. Quanto às suas quantificações são propostas as seguintes diretrizes: RML – 40 a 70% da força máxima; 15 a 25 repetições máximas (RMs); 1 a 2 séries por exercício. Potência A potência muscular é a possibilidade que o músculo tem de exercer força por unidade de tempo. (ACSM, 2014) Na prática, a potência muscular também é conhecida como força explosiva, e está apoiada na capacidade de o indivíduo gerar força em alta velocidade na fase concêntrica do processo de contração. Exige que o executante seja considerado no mínimo com um grau intermediá- rio de condicionamento, e, sob o risco de gerar lesão, só deve ser proposto após as valências anteriormente citadas terem sido trabalhadas, ao longo do planejamento do processo de treinamento. Quanto s suas quantificações são propostas as seguintes diretrizes: Potência – 70 a 90% da força máxima; 6 a 12 repetições máximas (RMs); 2 a 3 séries por exercício; fase concêntrica rápida. Você deve ter percebido que a proposta de hierarquização dos componentes do treinamento de força visa à aquisição progressiva da forma física, visando aten- der diferentes objetivos e minimizando o risco de lesões. Estrutura de uma aula coletiva neuromuscular Como nos diferentes tipos de aulas de ginástica de academia, a estruturação de uma aula deve conter três partes, que são: preparação para a parte específica (“aquecimento”), a parte específica – considera o maior tempo da aula (trabalha os principais conteúdos que irão interferir no alcance dos objetivos) e a fase de recuperação (“volta à calma”). capítulo 2 • 39 Como o tempo das diferentes modalidades de aulas neuromusculares tende, na atualidade, a variar de 20 a 60 minutos, dependendo dos conteúdos que serão trabalhados, o autor sugere a seguinte estruturação temporal: Preparação para atividade – 10 a 15% do tempo total da aula. Parte específica – 70 a 80% do tempo total da aula. Recuperação (“volta à calma”) – 10 a 15% do tempo total da aula. Metodologia do treinamento neuromuscular aplicada às aulas coletivas de academia Tipo de trabalho muscular As aulas coletivas de cunho neuromuscular dentro das academias de ginástica tendem a utilizar estímulos dinâmicos e estáticos, visando permitir um aumento na intensidade dos estímulos sem que haja necessidade de alteração da sobrecarga aplicada. Como sugestão, você deve revisar a relação tempo × tensão que foi aprendida ao longo do curso. Na prática, a maioria dos implementos utilizados nas aulas apresenta resistên- cias dinâmicas invariáveis (halter, caneleira, bastão) o que caracteriza a chamada ação ou contração isotônica. McArdle, et al. (2016) destacam que o termo isotônico carece de precisão quando aplicado à maioria das ações musculares dinâmicas que envolvem movi- mento; a capacidade efetiva do músculo de gerar força varia continuamente quan- do o ângulo articular se modifica ao longo da amplitude de movimento (ADM). As ações isotônicas são dinâmicas e apresentam duas fases, que são de encur- tamento – ação concêntrica, e estiramento – ação excêntrica. McArdle, et al. (2016) definem que a ação concêntrica é observada quando o músculo se encurta e o movimento da articulação ocorre à medida que a tensão se desenvolve. Já na ação excêntrica, o músculo “alonga” (é estirado) enquanto desenvolve tensão. A resistência tende a ser vagarosamente abaixada contra a força da gravidade. capítulo 2 • 40 Você encontrará ainda as ações isométricas – que na prática são caracterizadas pelo desenvolvimento de tensão sem variação no comprimento muscular ou mo- vimento articular. Usualmente durante as aulas coletivas neuromusculares, os profissionais, vi- sando aumentar a intensidade dos estímulos, tendem a adicionar os estímulos dinâmicos à ação isométrica, ou seja, ao final de determinado número de repeti- ções dinâmicas é solicitado ao executante que assuma uma postura, isto é, ação isométrica por período de temo. Como exemplo você pode entender que ao final de 10 agachamentos (ação dinâmica) é mantida uma postura semiagachada por 20 segundos (isometria). Número de exercícios Desde 2002, o ACSM sugere que os conteúdos de treinamento neuromuscu- lar envolvam de 8 a 10 exercícios por sessão de treinamento. Entretanto, vale destacar que isso é uma mera diretriz, pois nada impede que seja proposto um número maior ou menor de exercícios, desde que o profissional considere o tempo total de aula, o método de treinamento aplicado na aula e a etapa do planejamento das atividades. Velocidade de execução Segundo Costa (1996), a velocidade deve considerar o fator segurança, o que permite inferir que altas velocidades de execução sejam inapropriadas e/ ou desnecessárias. Por se tratar de aula coletiva, na prática a velocidade de execução do movi- mento usa como referência a música. Assim, aulas em que a intensidade é mais elevada a velocidade é mais lenta, e à medida que a intensidade diminui, a veloci- dade pode aumentar. Como métrica usa-se o batimento por minuto (BPM) que tende a estar, dependendo do tipo de aula entre 120 e 145 BPM. Seleção e ordem dos exercícios McArdle, et al. (2016) sugerem que o exercício deve ser sequenciado para otimizar a qualidade da sessão de trabalho, colocando em ação os grandes grupos capítulo 2 • 41 musculares antes dos pequenos grupos, os exercícios com múltiplas articulações antes dos exercícios com uma única articulação e o exercício de intensidade mais alta antes do exercício de intensidade mais baixa. Contudo, diversos outros estudos sugerem que a ordem de colocação dos exer- cícios na sessão de treino (aula) deve estabelecer prioridades para cada exercício, e estes devem estar posicionados no início da sessão de treino visando permitir que a fadiga generalizada não interfira na performance. Para que essa ordenação possa ser eficaz, o planejamento a médio e longo prazo é imprescindível. Ordem dos exercícios Alternado por segmento Segundo Costa (1996) esta sequência sugere uma sequência de exercícios que envolvem mais de um segmento corporal. Podendo vários exercícios para omes- mo segmento, porém, sua ordenação se dá com apenas um exercício por segmento corporal de maneira alternada e consecutiva com outro(s) exercício(s) para seg- mento(s) diferente(s). Este método deve ser proposto preferencialmente para alunos iniciantes, pois apresenta menor probabilidade de fadiga, maior dinamismo no treinamento e possibilidade de incentivo ao sistema cardiorrespiratório. EXEMPLO Rosca bíceps direta (MMSS) + agachamento em 1a posição (MMII) + abdominal – flexão parcial do tronco no step (tronco) Localizado por segmento ou bombeado Os estímulos localizados por segmento podem ser propostos para alunos in- termediários e avançados. Como característica apresenta sequência de exercícios com, no mínimo, dois exercícios para o mesmo segmento corporal. Dependendo da sequência de trabalho muscular, maior ou menor probabilidade de fadiga. Assim, incentivando o sistema musculoesquelético. capítulo 2 • 42 Devido à diversidade de combinações possíveis, subdivide-se em ou- tros métodos. Simples Característica: grupos musculares e articulações diferentes; exercícios uniarti- culares; menor probabilidade de fadiga. EXEMPLO Rosca direta + elevação lateral + tríceps francês. Direto Características: o mesmo grupo muscular nas mesmas articulações; posições, ângulos e pegadas diferentes; segue o mesmo padrão “solicitado”, uniarticular ou multiarticular; fadiga intensa. EXEMPLO Rosca inversa + rosca direta alternada. Agachamento em 1a posição + agacha- mento em 2a posição + a fundo alternado. Agonista-antagonista Característica: grupos musculares opostos nas mesmas articulações; descon- tração diferencial ativa (descontração dos grupamentos musculares que não são necessários à tarefa); equilíbrio musculoarticular; dependendo de sua estrutura, maior ou menor fadiga. EXEMPLO Rosca direta na sequência tríceps francês – intervalo – volta a realizar a série. capítulo 2 • 43 Super set (SS) Característica: Especialização do método Agonista-Antagonista; 3 a 4 séries de uma determinada combinação AA formam 1 SS; Não existe intervalo entre as séries; 2 a 3 SS por aula, da mesma combinação AA; Preferencialmente, para o treinamento da força – 6/12RM; Um SS de MMII, por exemplo, pode servir de intervalo de recuperação para um SS de MMSS; Altíssimo nível de fadiga. EXEMPLO Flexão de Braço Aberta + Remada Curvada + Flexão de Braço Aberta + Remada Cur- vada + Flexão de Braço Aberta + Remada Curvada – Sem Intervalo; Pode ser incluído mais uma série (Flexão de Braço Aberta + Remada Curvada). SUPER SET 1oSS 2oSS 3oSS Rosca Direita Tríceps Francês Rosca Direita Tríceps Francês Rosca Direita Tríceps Francês Rosca Inversa Alternada Tríceps Grupado Rosca Inversa Alternada Tríceps Grupado Rosca Inversa Alternada Tríceps Grupado Rosca Neutra 90o Tríceps Sublinado Rosca Neutra 90o Tríceps Sublinado Rosca Neutra 90o Tríceps Sublinado Rosca Direita Tríceps Francês Rosca Inversa Alternada Tríceps Grupado Rosca Neutra 90o Tríceps Sublinado Tabela 2.1 – Modelo proposto Costa (1996). Pré-exaustão Característica: um exercício uniarticular para um grande grupamento mus- cular antecede a um exercício multiarticular que irá estimular o grande grupamen- to já trabalhado, associado a um pequeno ou médio grupamento muscular. O intervalo só ocorrerá ao final do exercício multiarticular. capítulo 2 • 44 EXEMPLO Crucifixo reto com halter + apoio de frente sobre o solo (flexão de braço). Design da série Tradicional Segundo Costa (1996) é a sequência de exercício que se repete várias vezes em uma passagem da série de exercícios ou, uma ou mais vezes em mais de uma passagem da série de exercícios. PASSAGEM SÉRIE REPETIÇÃO A 1 3 10 B 3 1 10 No exemplo A, as 3 séries serão realizadas sem qualquer outro exercício entre elas, a não ser a rotina de transição. Já no exemplo B pode-se incluir 2 ou 3 exercí- cios (ou até mais) e os mesmos voltarão a ser repetidos a partir do último exercício daquela série. Circuito O circuito é uma metodologia em que os exercícios são propostos em “esta- ções” que se sucedem, usualmente dispostas em formato circular. Permite alternar estímulos neuromusculares e cardiorrespiratórios ou somen- te neuromusculares. Na prática são utilizadas entre 6 e 10 estações. Apesar de poder ser realizado a partir de um número fixo de repetições, nas aulas coletivas em academia, é melhor se trabalhar com tempo fixo por estação. Uma das vantagens do método em circuito é que com um reduzido número de material você irá atender a um grupo com um número elevado de alunos. capítulo 2 • 45 McArdle, et al. (2016) destacam que o treinamento é realizado em sequência com o mínimo de descanso entre as sessões. Exercício 8 Exercício 6 Exercício 2 Exercício 4 Exercício 7 Exercício 3 Exercício 1 Exercício 5 Figura 2.2 – Modelo proposto por Costa (1996). Série por encaixe (e/ou desencaixe) Caracterizado por uma série inicial que a cada passagem é inserido mais um exercício. A partir de determinado ponto, os exercícios da série inicial vão sendo progressivamente excluídos a cada passagem. EXEMPLO Exemplo proposto por Costa (1996) – 1a série = 3 exercícios; 2a série = 3 + 1 exercí- cios; 3a série = 3 + 1 + 1 exercícios; 4a série = 3 + 1 + 1 + 1 exercícios. Pirâmide O modelo em pirâmide pode ser crescente ou decrescente. No modelo crescente, na primeira série, o número de repetições é alto e a intensidade é baixa, e a cada série o número de repetições irá diminuir e a in- tensidade aumentar. Nas aulas coletivas, é usual serem realizadas de 3 a 4 séries. Caso a primeira série seja realizada com alta intensidade e um número baixo de repetições, e progressivamente ocorra inversão da intensidade e volume ao longo das séries, esta será chamada de pirâmide decrescente. capítulo 2 • 46 O grande problema do método pirâmide nas aulas coletivas é a necessidade de uma grande quantidade de material. 12 RM 9 KG 7 KG 7 KG 5 KG 5 KG 10 RM 10 RM 8 RM 8 RM Figura 2.3 – Modelo proposto por Costa (1996) ATENÇÃO A maioria dos métodos propostos para aulas coletivas neuromusculares na ginástica de academia tem como fonte os artigos científicos da ciência do treinamento neuromuscular, na maioria das vezes a chamada “musculação”. Assim, métodos como drop-set, tri-set, ou qual- quer outro pode vir a ser adaptado para aplicação coletiva, desde que o profissional domine bem a metodologia e disponha de recursos materiais. Planejamento e periodização Segundo McArdle, et al. (2016) a periodização visa ordenar a variação no volume e na intensidade do treinamento durante determinado período de tem- po; objetiva prevenir o declínio de desempenho durante o pico fisiológico para as competições. A base para construção da periodização aplicada ao exercício físico de força data do início dos anos 1970, a partir dos estudos do russo Matveyev. Na prática, a periodização significa dividir em períodos, para que a forma físi- ca seja adquirida progressivamente, pois esta não pode mantida por todo o tempo no seu máximo. capítulo 2 • 47 McArdle, et al. (2016) explica que a periodização subdivide um período es- pecífico do treinamento em ciclos como, por exemplo, de 1 ano (macrociclo), em períodos menores ou fases (mesociclos), com cada mesociclo sendo separado nova- mente em microciclos semanais. O fracionamento do macrociclo em componen- tes torna possíveis diversas maneiras de manipular a intensidade do treinamento, do volume, da frequência, das séries, das repetições e dos períodos de repouso, a fim de prevenir o supratreinamento. Assim, a periodização quando bem aplicada às aulas coletivas de ginástica de academia auxilia na retenção dos beneficiários, pois permite que os mesmos pro- gressivamente adquiram a forma física, minimizando o risco de lesões. Estruturação da periodização SESSÃO DE TREINO OU AULA Contempla os conteúdos que serão trabalhados na- quela sessão, mas que têm relação direta com todo o planejamento. MICROCICLO(ADAPTADO) Dura de 3 a 5 dias, podendo chegar a 10 dias. Pode ser realizado em dias alternados ou todo dia. Quando os conteúdos são organizados em dias alternados, existe um tempo para recuperação. Já para treino todos os dias, há necessidade de maior atenção na elaboração dos conteúdos, visando evitar a sobrecarga estrutural e psíquica. • Mesociclo (adaptado): 2 semanas e meia a 4 semanas É estruturado a partir da hierarquização das valências físicas (força dinâmica, hipertrofia, RML e potência). Tem como objetivo um aumento progressivo da intensidade e do volu- me das valências físicas trabalhadas, respeitando a relação inversa entre volume e intensidade. • Macrociclo (adaptado): trimestral ou quadrimestral Tem na atualidade a característica ondulatória ao longo de toda a construção do ciclo, fazendo com que valores “ótimos” sejam encontrados, pois em função dos recursos materiais inviabiliza a possibilidade da entrega de resultados máximos. O mais importante é poder dar ao beneficiário um balizamento temporal da entrega de resultado, em função dos objetivos. capítulo 2 • 48 Segundo Costa (1996) a estruturação dos Microciclos podem atender o mo- delo a seguir: SÉRIE SIMPLES DUPLO PARCELAMENTO 2a - programa A 2a - programa A 3a - ---------------- 3a - programa B 4a - programa A 4a - programa A 5a - ---------------- 5a - programa B 6a - programa A 6a - programa A DUPLO PARCELAMENTO DUPLO PARCELAMENTO 2a - programa A 2a - programa B 3a - programa B 3a - programa A 4a - programa A 4a - programa B 5a - programa B 5a - programa A 6a - programa A 6a - programa B DUPLO PARCELAMENTO ADAPTADO DUPLO PARCELAMENTO ADAPTADO 2a - programa A 2a - programa A 3a - programa B 3a - programa B 4a - programa diferente 4a - programa A 5a - programa A 5a - programa B 6a - programa B 6a - programa diferente Recomendação para uma boa execução técnica McArdle, et al. (2016) afirmam que para garantir ganhos ótimos de condi- cionamento físico e minimizar a chance de lesão, cada exercício contrarresistência deve ser realizado utilizando técnicas adequadas, independentemente do estado de treinamento ou da idade. Ou seja, os exercícios devem ser executados utilizando o modo e a técnica corretos, incluindo realizar as repetições deliberadamente e capítulo 2 • 49 de modo controlado, movimentar ao longo de toda a amplitude de movimento (ADM) da articulação e o emprego de técnicas de respiração adequadas. Também é importante destacar os pilares que levam um exercício a ser consi- derado indicado, que são a segurança e eficácia. A execução do movimento considera o padrão de resistência, a amplitude de movimento e o alinhamento corporal (cadeias de movimento). Quanto ao padrão de resistência, a sobrecarga deve ser aplicada de forma progressiva, assim irá permitir de maneira segura que o aumento do estresse no músculo promova o aumento da força e resistência esperada. Vale lembrar que nas aulas coletivas neuromusculares de academia, a gravidade associada aos imple- mentos são os elementos que levam à resistência a ser observada. Quanto à amplitude de movimento, nem sempre é possível que o exercício seja realizado em amplitude máxima, fazendo com que a amplitude adequada venha a ser considerada ótima, e a partir daí ela será aumentada. O alinhamento corporal deve estar ajustado aos equilíbrios musculoarticula- res das cadeias de movimento, pois qualquer alteração em um segmento corporal ou articulação poderá comprometer o comportamento dinâmico de todo o corpo. ATIVIDADES • Exercício prático de campo Agora que você já teve contato com todo o conteúdo teórico, é hora de ter vivência prática, com uma visão mais crítica. Aproveite a oportunidade e visite pelo menos três aca- demias de ginástica, e assista a aulas de ginástica localizada de diferentes profissionais de Educação Física. Tente observar se a estrutura de aula, a ordem dos exercícios, o design da série estão de acordo com o que você aprendeu na teoria. Tendo oportunidade, converse com o profissional de Educação Física e tente descobrir como é montado o planejamento da academia para aulas de ginástica localizada. capítulo 2 • 50 01. A execução de um exercício na aula de ginástica localizada deve ter base na técnica correta do movimento. Porque O profissional de Educação Física deve considerar além do padrão de resistência, o ali- nhamento corporal e a amplitude de movimento proposta. a) A primeira afirmativa é verdadeira e a segunda é falsa. b) A segunda afirmativa é verdadeira e a primeira é falsa. c) Ambas as afirmativas são verdadeiras e a segunda é uma justificativa da primeira. d) Ambas as afirmativas são verdadeiras e a primeira é uma justificativa da segunda. e) Ambas as afirmativas são falsas. 02. A metodologia de treinamento da ginástica localizada leva em consideração o tipo de trabalho muscular. Sendo correta a seguinte afirmativa: a) A ação isométrica concêntrica permite um rápido ganho de força. b) A ação isométrica excêntrica permite um rápido ganho de força. c) As ações isotônicas são as mais comuns nas aulas de ginástica localizada. d) O tipo de resistência a ser vencida nas aulas de ginástica localizada é dinâmica variável. e) A fase excêntrica tende a promover aceleração do movimento. MULTIMÍDIA 1. Ginástica Localizada. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_fKmpX- wcCJg>. Acesso em: ago. 2019. 2. Ginástica Localizada. “Você aguenta 44 minutos de aula?”. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=bLeZfJtrJYE&pbjreload=10>. Acesso em: ago. 2019. 3. Ginástica Localizada aula completa jan. 2018. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=_CZaH_M13gQ>. Acesso em: ago. 2019. 4. Você Bonita. Aula de ginástica localizada (21/2/2014). Disponível em: <https://www. youtube.com/watch?v=2z3z_vyLgqY>. Acesso em: ago. 2019. 5. Aula de ginástica localizada – 21/6/2011. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=Pxpoux9oczs>. Acesso em: ago. 2019. 6. Web série check list 4 passos ginástica localizada – parte 1. Disponível em: <ht- tps://www.youtube.com/watch?v=77-AY2zyj20>. Acesso em: ago. 2019. capítulo 2 • 51 7. Web série check list de 4 passos para aulas de ginástica localizada – parte 2. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PLRFHttIM_0>. Acesso em: ago. 2019. REFLEXÃO Conforme você aprendeu no capítulo 1, as aulas coletivas na ginástica de academia visam benefícios que vão além da condição física. Na prática os exercícios quando realizados coletivamente aumentam a predisposição psicossocial, em função da motivação, que é um componente que auxilia na retenção de clientes (beneficiários). Então a ginástica localizada passa a ser uma das modalidades que apresentam grande possibilidade de desenvolvimento em qualquer estrutura de academia, pequeno, médio e grande porte, passando a ser uma atividade de deve ser encarada com grande potencial de desenvolvimento por parte dos profissionais de Educação Física, e pelos gestores de academia. Para que você possa exercer bem a atividade laboral à frente de uma turma de ginástica localizada, é muito importante que a vivência prática em diferentes ambientes aconteça, pois assim será possível estabelecer uma ótima correlação entre teoria e prática, em um mercado tão carente de bons e compromissados profissionais. Como o mercado anseia por profissionais nessa are, vale a pena pensar nessa excelente oportunidade! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBANTI, V. J. Teoria e prática do treinamento desportivo. São Paulo: Edgar Blucher, 1979. COSTA, M. C. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. Costa, M. C. Ginástica Localizada para Grupos Heterogêneos. Rio de Janeiro: Sprint, 1998. WEINECK, J. Manual de Treinamento Esportivo. 2. ed., São Paulo: Manole, 1986. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição/American College of Sports Medicine. 9. ed., Rio de Janeiro: Guanabara, 2014. D., MCARDLE, W., KATCH, I., KATCH, L.Fisiologia do Exercício – Nutrição, Energia e Desempenho Humano. 8. ed., Guanabara Koogan, 7/2016. VitalBook file. capítulo 2 • 52 Atividades cardiorrespiratórias 3 capítulo 3 • 54 Atividades cardiorrespiratórias As atividades cardiorrespiratórias estão inseridas no conjunto de atividades aeróbias, sendo que no caso das aulas coletivas relacionadas às ginásticas de aca- demias, a base para construção dos conteúdos a serem aplicados são os exercí- cios aeróbios. Você irá descobrir que nas últimas décadas inúmeras modalidades foram apri- moradas e desenvolvidas, visando a um maior engajamento dos alunos (beneficiá- rios) nas atividades. Ao pesquisar, você irá encontrar atividades que não requerem nenhum recurso material especial, por exemplo, “aerodance” (aula de cunho aeró- bio com base em atividades de dança de característica acíclicas) até salas de corrida indoor (running) ou ciclismo indoor (Spinning®), que exigem materiais específicos e sofisticados para suas realizações. Agora que você já tem uma noção prévia do que irá estudar, revise a parte introdutória dos conteúdos do capítulo 1, e assim irá assimilar e aproveitar muito melhor o atual capítulo. OBJETIVOS • Descrever as características das atividades cardiorrespiratórias; • Identificar os benefícios fisiológicos das atividades aeróbias; • Explicar os métodos de treinamento aeróbio aplicados às atividades coletivas em academia; • Descrever as variáveis relacionadas à quantidade de treinamento aplicada às aulas coleti- vas cardiorrespiratórias em academia; • Demonstrar como construir os conteúdos de aula aplicados às atividades cardiorrespiratórias. Conceito e modalidades As atividades cardiorrespiratórias podem ser entendidas como o conjunto de exercícios que prioriza a mobilização de energia para realização dos movimentos, prioritariamente pela via oxidativa, ou seja, o sistema aeróbio. Costa (1996) conceitua as atividades cardiorrespiratórias como preferencial- mente contínuas, em que grandes e vários grupos musculares são mobiliza- dos simultaneamente, de característica principal cíclica (movimento mantém o capítulo 3 • 55 mesmo padrão, ex.: corrida), e intensidade de baixa-moderada à moderada-alta, de acordo com o grau de aptidão física individual. A construção das aulas coletivas com objetivo cardiorrespiratório utiliza prioritariamente os exercícios aeróbios, pois buscam o desenvolvimento das ca- pacidades cardiovasculares e respiratórias. E dependendo do caso, em função de a intensidade apresentar “picos” de anaerobiose. Na atualidade, você irá encontrar diversas modalidades de aulas coletivas que buscam a aquisição e o aprimoramento das aptidões cardiorrespiratórias. Dependendo do local, os nomes irão variar, mas as bases para construção desses conteúdos será sempre a mesma, isto é, métodos contínuos e/ou intervalados; atividades cíclicas (manutenção de um mesmo padrão de movimento) e ativida- des acíclicas, quando os movimentos apresentam padrões motores variados, ex.: a Zumba®. Modalidades Cíclicas – running Também chamada de corrida indoor, utiliza a corrida como padrão motor determinante para execução da atividade, sendo realizada a partir do comando de um profissional de Educação Física, quanto às quantidades de treinamento (intensidade, número de tiros e recuperação, tempo de cada fase etc.) necessárias para aquela aula, de acordo com a etapa do planejamento. As características anteriormente listadas também servem para aula de ciclismo indoor (Spinning®), ou quaisquer outras atividades que mantenham um padrão cíclico de movimento, mas as quantidades de treinamento deverão sempre ser planejadas, visando ao controle das respostas de treino e dos resultados. Acíclicas São movimentos que não repetem o mesmo padrão motor, isto é, os mo- vimentos sofrem modificações quanto à amplitude, velocidade e trajetória de execução. Na prática são as aulas de Zumba®, step, jump, ou ainda os vários ritmos dançantes, por exemplo, a Polynesian Dance. capítulo 3 • 56 As atividades acíclicas exigem um maior grau de controle motor para reali- zação das tarefas, e são de mais difícil controle das quantidades de treinamento aplicadas, em especial a intensidade. Aptidão cardiorrespiratória (exercícios aeróbicos) Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2014) “A aptidão cardiorrespiratória (ACR) está relacionada com a capacidade de realizar grandes exercícios musculares (sic), dinâmicos e de intensidade moderada a vigorosa por períodos prolongados. A realização do exercício nesse nível de es- forço físico depende da integração dos estados fisiológico e funcional dos sistemas respiratório, cardiovascular e musculoesquelético.” Deve ficar claro para você que a execução de exercícios aeróbios, dentro de princípios corretos, deve considerar não só a capacidade cardiorrespiratória (estado fisiológico e funcional), mas também a capacidade do sistema muscu- loesquelético, em função do padrão de movimento proposto. PERGUNTA Contudo, você pode estar se perguntando: por que é importante incluir na grade de ativi- dades coletivas de uma academia de ginástica as atividades cardiorrespiratórias? Ainda segundo o ACSM (2014), a ACR é considerada um componente do condicionamento físico relacionado com a saúde porque: (a) baixos níveis de ACR têm sido associados ao risco significativamente elevado de morte prematura de todas as causas e, especificamente, de doença vascular coronariana (DVC); (b) aumentos na ACR estão ligados à redução de morte de todas as causas e (c) altos níveis de ACR estão vinculados a níveis maiores de atividade física habitual, que, por sua vez, estão associados a muitos benefícios para a saúde. • Melhora nas funções cardiovascular e respiratória (ACSM, 2014) – Aumento da captação máxima de oxigênio resultante de adaptações centrais e periféricas. – Diminuição da ventilação-minuto em dada intensidade absoluta submáxima. capítulo 3 • 57 – Diminuição do gasto de oxigênio miocárdico para dada intensidade absoluta submáxima. – Diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial em dada inten- sidade submáxima. – Aumento da densidade capilar no músculo esquelético. – Aumento da intensidade mínima de exercício capaz de produzir eleva- ção da concentração de lactato na corrente sanguínea. – Aumento do limiar de exercício para o início dos sinais ou dos sintomas de doenças. Variáveis de prescrição Considera os indicadores gerais para o treinamento cardiorrespiratório rela- cionado à saúde, qualidade de vida e bem-estar. A quantidade de treinamento deve funcionar como um indicador para controle do treinamento (aula) em função da etapa do planejamento. Você deve considerar que alguns fatores podem afetar as respostas aos exercí- cios aeróbios. Por isso, pense sempre em observar os seguintes aspectos ao iniciar e prescrever as atividades cardiorrespiratórias: a) Estado de treinamento do praticante (iniciante, intermediários e avançados); b) A intensidade dos estímulos de treinamento; c) A frequência semanal prevista de treinamento; d) A duração prevista das sessões de treinamento (aula). O estado de treinamento do praticante permite afirmar que iniciantes ten- dem a apresentar respostas mais significativas de melhoras de rendimento, quando comparados a intermediários e avançados, isso porque o estado de treinamento é inversamente proporcional ao aumento de rendimento. Na prática, quanto mais treinado o aluno estiver, mais baixa tende a ser a resposta aos efeitos do trei- namento, fazendo com que sejam necessárias maiores combinações metodológicas para que o aumento de rendimento seja alcançado. Os principais indicadores para prescrição do treinamento são: intensidade do treinamento; padrão de estimulação; frequência semanal; duração dos estímulos; método de treinamento. capítulo 3 • 58 Intensidade do treinamento A intensidade do estímulo aeróbio está diretamente relacionada à capacidade cardiorrespiratóriado praticante, ou seja, “a zona de esforço predominantemente aeróbio, isto é, com equilíbrio entre a produção e a utilização de oxigênio (O2)”. Na prática, considera a mínima intensidade de treinamento aeróbio que possa promover adaptação do sistema cardiorrespiratório (40% do VO2máx) e o limiar anaeróbio (LAN)1. Zona de Capacidade Aeróbica 40% 60% 80% VO2máx T(min) Não treinados Limiar Anaeróbico Treinados Limiar de Lactato ou Limiar Ven�latório 1 Mínimo de Esforço Cardiovascular Figura 3.1 – Costa, 2000. Encontro Nacional de Atividade Física – ENAF A ciência permite que você entenda que uma resposta positiva existe quanto à intensidade de treinamento está adequada. Essa dose-resposta positiva indica que com o passar das aulas (treinos), e em se mantendo a continuidade, a inten- sidade deverá ser progressivamente aumentada. PERGUNTA Então, como estabelecer a intensidade das aulas cardiorrespiratórias? A determinação da frequência cardíaca máxima (FCmáx.) parece ser um in- dicador muito confiável, pois teve como base científica a correlação como o VO2máx., e serve de referência para percepção subjetiva de esforço, seja pela Escala de Borg ou Escala das Faces. 1 Comunicação Pessoal – COSTA, M. G. Encontro Nacional de Atividade Física – ENAF; 2000. capítulo 3 • 59 O Manual do ACSM (2014) indica que a intensidade para melhora da ca- pacidade cardiorrespiratória deve variar entre 55 e 70% da FCmáx. (Os valores podem chegar a 90% da FCmáx.). Sendo que valores entre 40, 60 e 80% do VO2máx. são referências válidas para os limites inferiores independentemente do estado de treinamento, e os limites superiores sejam respectivamente 60% e 80% para ini- ciantes e avançados. O método de Karvonen é uma estratégia válida para aplicação prática da determinação da intensidade. Vale destacar que o método de Karvonen utilizan- do a frequência cardíaca de repouso é chamado de reserva de frequência cardíaca (RFC), sendo este muito mais eficaz para determinação das cargas de treino, pois está associado ao grau de condicionamento do praticante. PERGUNTA Como calcular a RFC? “Para conseguir adaptações positivas ao treinamento não é necessária uma atividade física intensa (extenuante). Para a maioria das pessoas sadias, a fre- quência cardíaca de 70% FCmáx. representa uma “atividade moderada” sem desconforto”. McArdle et al. (2016) Veja o exemplo a seguir, segundo McArdle et al. (2016): EXEMPLO Dados: homem, 55 anos; FCrepouso = 60 bpm; • primeiro é calculada a FCmáx. prevista: FCmáx. = 208 – (0,7x 60 (idade em anos)) = 170 bpm; limite mínimo de treinamento (LMifca) = [FCmáx. – FCrepouso) × 0,50] + FCrepouso = [(170 – 60) x 0,50] + 60 = 115 bpm; limite máximo de treinamento (LMafca) = [(FCmáx. – FCrepouso) × 0,85] + FCrepouso = [(170 – 60) x 0,85] + 60 = 154 bpm. capítulo 3 • 60 No entanto, você de ter percebido que apesar de não ser complexo, por diversos motivos nem todos os alunos (beneficiários) irão ter interesse em treinar usando um frequencímetro (acessório que afere a frequência cardíaca). PERGUNTA E agora! Como estabelecer a intensidade de treinamento? Apesar de não apresentar um valor quantitativo preciso, a utilização de uma escala de percepção de esforço (EPE) é muito prática e validada para aplicação no dia a dia. Essa escala está apoiada em uma abordagem psicofisiológica, em que o aluno (beneficiário) durante o exercício classifica sua percepção de esforço em uma tabela numérica. A escala de Borg é a mais conhecida e utilizada, sendo apresentada adiante: 6 Sem nenhum esforço 7 Extremamente leve 8 Muito leve 9 10 Leve 11 12 13 Um pouco intenso 14 15 Intenso (pesado) 16 17 Muito intenso 18 19 Extremamente intenso 20 Máximo esforço Tabela 3.1 – Percepção subjetiva de esforço de Borg. capítulo 3 • 61 A partir da EPE de Borg, Costa 1997 criou, validou e atualizou (2003) a es- cala das faces, em que figuras que representam expressões das faces em função da intensidade do esforço realizado. Veja a escala a seguir: Figura 3.2 – Escala de faces (COSTA, 1997 – atualizada em 2003). ATENÇÃO É muito importante que você mantenha as informações quanto à intensidade de treina- mento disponíveis para os alunos (beneficiários), e os oriente quanto a necessidade de tentar estimar a intensidade dos esforços, visando evitar lesões. Padrão de estimulação Os exercícios cardiorrespiratórios aplicados às aulas coletivas nas academias de ginástica tendem a ser classificados a partir do padrão de movimento (estimula- ção) em dois grandes grupos. Vamos conhecê-los a seguir. Tradicionais (atividades cíclicas) Nos exercícios tradicionais você irá identificar duas modalidades em destaque. A chamada Running Class ou corrida indoor, que é uma atividade realizada em esteiras ergométricas, sob orientação de um profissional de Educação Física. Alguns cuidados devem ser observados para manutenção das diretrizes de in- dicação de um exercício físico, isto é, identificar se o aluno está habituado à capítulo 3 • 62 utilização do equipamento, orientar de maneira preliminar as estratégias de aula, por exemplo, o período de aquecimento, as variações de inclinação, velo- cidade e tempo dos estímulos, e das recuperações, a altura da música para que todos possam entender nitidamente os comandos dados pelo profissional, ou seja, atender aos critérios de segurança, eficácia e motivação. © N D 3 0 0 0 | S H U TT E R S TO C K .C O M Figura 3.3 – Run Class. Disponível em: <https://www.af.mil/News/Features/ Display/Article/142763/running-to-success/>. Acesso em: ago. 2019. Vale destacar que as observações feitas no parágrafo anterior são aplicadas às atividades cíclicas e acíclicas. Uma segunda modalidade em destaque é o ciclismo indoor (ex.: Spinning®). Nesta atividade, o equipamento utilizado são bicicletas ergométricas específicas. © B A SY N | S H U TT E R S TO C K .C O M Figura 3.4 – Disponível em: <https://pixabay.com/pt/fia%C3%A7%C3%A3o- ciclismo-ciclismo-indoor-1171843/>. Acesso em: ago. 2019. capítulo 3 • 63 © M IC H E LE M ID N IG H T | S H U TT E R S TO C K .C O M Figura 3.5 – Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/ lesmemorables/16069403126>. Acesso em: ago. 2019. Observe que uma série de regulagens é necessária para que esse equipamento seja utilizado com segurança. Por isso, você deve visitar os sites indicados no “multimídia” deste capítulo, para conhecer como regular a altura do selim, dis- tância entre o selim e o guidom, utilização da sapatinha e pedaleira. Na atualidade, a utilização de modelos bicicletas com sensores eletromagné- ticos (Schiwin e Keiser) permitem a monitorização das variáveis de treinamento como: potência, velocidade e a cadência. Essas mensurações permitirão que você estabeleça um controle muito mais eficaz das suas aulas (treinos). Coreografados (atividades acíclicas) No conjunto de atividades acíclicas, você irá identificar algumas que necessi- tam de equipamentos específicos, como o step e o jump (minitramp), e outras que são realizadas a partir do chamado “corpo livre”, que são as aeroclass, Zumba® e mais recentemente a Polynesian Dance. Essas atividades não apresentam um sequenciamento constante no padrão de movimento, e por isso costumam exigir maior grau de coordenação e con- trole motor. E ainda, o controle da intensidade nas atividades acíclicas é muito mais difícil, quando comparada às atividades cíclicas. capítulo 3 • 64 Especial atenção também deve ser dada à complexidade dos movimentos, pois nas chamadas aulas coreografadas, os graus de coordenação, aprendizado e desenvolvimento motor devem ser considerados, para evitar que o aluno não corra risco de se lesionar, além de evitar a frustração por não conseguir reali- zar a tarefa. Costa (1996) propõe uma metodologia para os exercícios aeróbicos coreo- grafados (EAC). Tal metodologia tem base em princípios que consideram a pro- gressão pedagógica, a “pernalíder” e a musicalidade. A progressão pedagógica deve atender a seguinte condição: “Procedimentos didáticos, ordenados, organizados do mais simples para o mais complexo, visan- do ao aprendizado de determinado conteúdo, no caso específico, uma habilida- de motora”. (COSTA, 1996) Quanto à “perna líder” deve ser observado o “membro inferior disponível” para o movimento, ou seja, o que está em cadeia cinemática aberta, quanto à sua trajetória, velocidade de deslocamento segmentar e a amplitude do movimento articular. A proposta inclui ainda mínima noção cinestesia do aluno (beneficiário) para que este não fique concentrado na perna que irá realizar o movimento. A musicalidade busca trabalhar a “educação auditiva” do profissional que irá ministrar a aula (treino) observando a cadência (ritmo) musical. Na prática, esse profissional deverá ser capaz de perceber a “batida musical” e estimar a constru- ção do conteúdo coreografado a partir dessas batidas. © G P O IN TS TU D IO | S H U TT E R S TO C K .C O M Figura 3.6 – Step. Disponível em: <https://www.schriever.af.mil/News/ Photos/igphoto/2000576601/>. Acesso em: ago. 2019. capítulo 3 • 65 © G IO R G IO R O S S I | S H U TTE R S TO C K .C O M Figura 3.7 – Jump class. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Fi le:%D8%B1%DB%8C%D8%A8%D8%A7%D9%86%D8%AF%DB%8C%D9%8 6%DA%AF_%DB%8C%D8%A7_%D8%AC%D8%A7%D9%85%D9%BE_%D9 %81%DB%8C%D8%AA%D9%86%D8%B32.jpg/>. Acesso em: ago. 2019. © IA K O V FILIM O N O V | S H U TTE R S TO C K .C O M Figura 3.8 – Zumba®. Vale destacar que segundo o ACSM (2014), os exercícios rítmicos, aeróbi- cos, envolvendo grandes grupos musculares são recomendados para a melhora do condicionamento cardiorrespiratório (CCR). Reforçando que os exercícios pro- postos devem considerar o grau de habilidade e de condicionamento do praticante. capítulo 3 • 66 Frequência semanal de treinamento O planejamento das atividades coletivas na ginástica de academia, indepen- dentemente do tipo e da modalidade, é fundamental para que em função dos ciclos de treinamento, possa se verificar se os objetivos estão sendo alcançados. Um dos princípios do treinamento esportivo que auxiliará você na identifica- ção das variáveis de possa interferir na performance é o princípio da continuida- de, ou seja, o aluno deverá frequentar de maneira regular a academia para que os resultados sejam alcançados. PERGUNTA Contudo, qual é a frequência de treino semanal que deve ser proposta para que as adap- tações do sistema cardiorrespiratório sejam positivas? Segundo o ACSM (2014), todos os adultos saudáveis entre 18 e 65 anos de idade devem participar de atividade física aeróbica de intensidade moderada por no mínimo de 30 minutos 5 dias/semana ou de intensidade vigorosa por no mínimo de 20 minutos 3 dias/semana. Então, durante a elaboração do planejamento das atividades cardiorrespira- tórias, você poderá optar por alternar dias de alta intensidade, com dias de baixa intensidade. EXEMPLO • Na semana 1 – segunda, quarta e sexta = alta intensidade e terça e quinta = baixa in- tensidade; • Na semana 2 – segunda, quarta e sexta = baixa intensidade e terça e quinta = alta intensidade. É importante que essas informações estejam disponíveis para todos os en- volvidos com a atividade, não só os profissionais, mas também os alunos visando permitir um melhor aproveitamento das cargas de treino. capítulo 3 • 67 McArdle et al. (2016), afirmam que a frequência do treinamento influencia os aprimoramentos cardiovasculares, enquanto outros alegam que esse fator contribui muito menos que a intensidade e a duração do esforço. Deste modo, a maior frequência do treinamento produz efeitos benéficos quando esse trei- namento é realizado com uma intensidade mais baixa. Outro ponto importante destacado pelos autores é que o estímulo para o treinamento aeróbico mantém, provavelmente, uma íntima relação com a in- tensidade do esforço e com o trabalho total empreendido, e não com as se- quências dos dias de treinamento. Caberá a você orientar o seu aluno (beneficiário) em função das atividades realizadas por ele e de seus objetivos, qual é a melhor frequência de treinamento semanal para realização das atividades cardiorrespiratórias. Pense nisso! Duração do treinamento A duração da sessão (aula) de treinamento cardiorrespiratória deve considerar a intensidade dos estímulos da parte específica, o grau de condicionamento do aluno (beneficiário) e a etapa do planejamento. Vale destacar que a partir de 20 minutos os estímulos aeróbios costumam apresentar respostas positivas às adaptações cardiorrespiratórias, porém, a maioria das academias de ginástica no Brasil costuma trabalhar com aulas cardiorrespi- ratórias coletivas com durações que variam de 30 a 60 minutos, de acordo com a modalidade trabalha (running, spinning®, step). O ACSM (2014) sugere que não há uma duração limiar da sessão de trabalho para um aprimoramento aeróbico ótimo. Destaca ainda que as sessões de 20 a 30 minutos proporcionam resultados mais significativos se a intensidade alcançar pelo menos o limiar mínimo. Métodos de treinamento Método contínuo Segundo Costa (1996), o perfil de continuidade em relação à atividade, de- terminando um estado estável (steady state) ou com pequenas variações em re- lação à intensidade de exercício (normalmente, ligeiramente progressivo), sob o capítulo 3 • 68 metabolismo predominantemente aeróbio, com variações na frequência cardíaca de no máximo 10% nos batimentos. Indicado preferencialmente para alunos iniciantes visando não extrapolar o limiar anaeróbio (LAN) Segundo McArdle et al. (2016), o treinamento contínuo envolve uma ativi- dade prolongada de intensidade aeróbica moderada ou alta, entre 60 e 80% do VO2máx. Destacando que mesmo que ocorra variação no ritmo, este deve apresen- tar o mínimo de intensidade, para garantir as adaptações cardiorrespiratórias. Ainda segundo os mesmo autores, por apresentar intensidade submáxima, o treinamento físico contínuo progride em relativo conforto. Desta forma, o treina- mento contínuo é mais indicado para alunos (beneficiários) iniciantes, que objeti- vem acumular um elevado gasto calórico. Método Intervalado Considera uma diretriz para prescrição das quantidades de treinamen- to, que pode ou não estar baseada na doutrina do “Interval Trainning” de “Emil Zatopek”. Na realidade, esta metodologia apresenta característica de descontinuidade em relação à intensidade dos estímulos em função dos chamados períodos de carga e recuperação. Um treinamento intervalado poderá trabalhar somente dentro da zona do metabolismo aeróbio, e no caso de alunos (beneficiários) classificados como avançados, pode haver extrapolação para o metabolismo anaeróbio. As variações de intensidade podem representar indicadores maiores ou iguais a 20% da FC, sendo dessa forma de difícil ajuste e controle para alunos iniciantes, possibilitando maiores variações para os alunos intermediários e avançados. Observe os critérios gerais para prescrição do treinamento intervalado: • Tempo total da atividade (aula/treino), considerando a preparação para atividade (aquecimento); parte específica da aula/treino. Determinar o número de estímulos de altas intensidades e suas respectivas recuperações e a volta à calma (recuperação da atividade). • Estímulos de alta intensidade (fase de carga): intensidade do estímulo (%FCR); duração do estímulo (segundos). • Estímulos de baixa intensidade (fase de recuperação): intensidade da re- cuperação (%FCR); Duração da recuperação (segundos). capítulo 3 • 69 Observe que segundo McArdle et al. (2016) com a distribuição correta entre as fases de carga e recuperação permite que em uma mesma sessão intensida- des mais elevadas sejam alcançadas, o que não seria possível com o método de treinamento contínuo. Ainda segundo os mesmos autores “Apenas seis sessões de um treinamento intervalado com um esforçoquase all-out de curta duração realizado durante um período de duas semanas faz aumentar a capacidade oxidativa do músculo estriado esquelético e o desempenho de endurance”. McArdle et al. (2016) sugerem que a razão ideal entre a fase de carga e de re- cuperação costuma ser de 1:1 ou 1:1,5 para treinar o sistema aeróbico energético a longo prazo. Assim, será assegurado um estresse metabólico cardiovascular e aeróbico que alcance níveis quase máximos com intervalos de exercício repeti- dos, porém relativamente curtos. Método de Treinamento FARTLEK É um método de treinamento datado do período pré-científico do treina- mento desportivo, na década de 1930, desenvolvido pelo treinador sueco Gösta Holmér. Apesar de ser considerado por alguns autores como um método contí- nuo, na realidade é uma variação de um método intervalado, em função das características estruturais da sessão de treinamento, o que na prática faz com que o Fartlek seja conhecido como um “jogo de velocidades”. Veja o exemplo de uma sessão de Fartlek: EXEMPLO Aquecimento – 5 a 10 minutos: • Etapa 1: corrida no plano em velocidade rápida por 2 km (carga); • Etapa 2: caminhada em ritmo rápido por 5 minutos (recuperação); • Etapa 3: tiros de 50 a 60s intercalados com corridas leves de recuperação (considerar número de tiros em função do estado de treinamento dos alunos (beneficiários); • Etapa 4: corrida em aclive por 200 m em velocidade máxima; • Etapa 5: caminhada rápida por um minuto; repetir a rotina a partir da etapa 1 ou 3, depen- dendo do grupo a ser treinado, por no mínimo 45 minutos. capítulo 3 • 70 Observe que o exemplo anterior tem origem na proposta do precursor da dou- trina, mas nos dias atuais as adaptações metodológicas da doutrina permitem uma infinita gama de combinações, sempre considerando o “jogo de velocidades”. O Fartlek pode ser aplicado a qualquer atividade de característica cíclica. Mesmo sendo classificado a partir de sua característica intervala o método Fartlek não exige uma manipulação dos intervalos de exercícios e de recupera- ção de maneira rígida. Daí a proposta de aplicação desta metodologia, utilizan- do a percepção subjetiva de esforço, permite uma adequação às aulas coletivas de academia. Indicadores para a criação e desenvolvimento de novas atividades Na atualidade, o mercado das academias de ginástica, a partir dos documentos gerados pela International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA), iden- tifica uma grande possibilidade de expansão e desenvolvimento do mercado de academias de ginástica. Dentro deste mercado, as atividades coletivas, e em especial as que permitem trabalhar além da tarefa física do treinamento esportivo, os ele- mentos de integração psicossocial apresentam grande possibilidade de crescimento. Agora que você já conhece um pouco mais sobre as aulas coletivas, que englo- bam as atividades cardiorrespiratórias, é o momento de observar possíveis “lacunas” que existem na sua região, e projetar “novas” atividades para englobar uma gama cada vez maior de praticantes em atividades motivantes, seguras e prazerosas. Observe a rede americana de academias Equinox® que em sua grade de ativi- dades cardiorrespiratórias oferece aulas de Xoxo: dance, Latinva® dance fitness e car- dio dance club. Já a unidade Eldorado (São Paulo) da rede de academias BodyTech® disponibiliza em sua grade as atividades de hiit bike, hiit running, indoor cycle, jump, fit dance, fit dance kids, fit dance teen. Tais exemplos deixam exposta a grande possibilidade do surgimento de no- vas atividades ou do “resurgimento” de atividade que no passado foram des- taque, como o caso das aulas de step (anos 1980), passaram por um período no “esquecimento” e hoje absorvem grande número de alunos (beneficiários) que são afins com esta atividade. E você vai ficar parado? Abra a sua mente, a partir dos conhecimentos científicos, para o desenvolvi- mento de novas atividades. O desafio está lançado! capítulo 3 • 71 ATIVIDADES Exercício prático de campo 01. Visite uma academia de ginástica na sua região. Tende identificar as características que mais chamam a sua atenção nos praticantes das aulas cardiorrespiratórias. Observe a me- todologia utilizada, a intensidade dos estímulos e o grau aparente de motivação para prática da atividade. Para orientar seu raciocínio, identifique se a atividade é contínua ou intervalada, se é cíclica ou acíclica, se a percepção subjetiva de esforço está sendo aplicada e se os praticantes parecem estar integrados psicossocialmente com o grupo e a atividade proposta. Liste o que poderia ser melhorado, e quais estratégias devem ser propostas para efetivação dessas melhorias. 02. Agora é hora de praticar. Escolha uma aula de padrão cíclico e outra de padrão acíclico. Sabendo que o controle da intensidade do treinamento é uma variável muito importante, ten- te identificar em qual das atividades esse controle foi mais fácil. Aproveite para discutir com seus colegas de classe os seus achados. Teste os seus conhecimentos A aula de running class (corrida na esteira) é uma atividade aeróbica para quem deseja manter a forma, ganhar condicionamento físico ou perder peso. Disponível em: <http://www. academiamalhacao.com.br/site/html/noticia-detalhe.php?noticia=209>. Acesso em: maio 2018. O número de ofertas de diferentes atividades cardiorrespiratórias, em aulas coletivas, é cada vez maior nas academias de ginástica. Sendo correta a seguinte afirmativa: a) A principal característica do “Fartlek” é a metodologia intervalada com duas fases: uma de carga e a outra de recuperação. b) A característica de uma metodologia contínua é uma variação da intensidade do treino em mais de 20% do valor da carga durante a sessão. c) São características do treinamento intervalado o controle da intensidade e da duração dos estímulos e das recuperações, e ainda o número de vezes dos estímulos. d) Para ser considerada uma atividade cardiorrespiratória, ela deve ser proposta de manei- ra cíclica, pois estímulos acíclicos não promovem benefícios aeróbios. e) A percepção subjetiva de esforça (PSE) é uma estratégia quantitativa, e a frequência cardíaca de reserva (FCR) é uma qualitativa de controle da intensidade do treino. capítulo 3 • 72 MULTIMÍDIA 1. Spinning®. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=mv0H9iCz8Ms&lis- t=RDQMP0wsBmo_MQU&start_radio=1>. Acesso em: ago. 2019. 2. Running. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=HGvnW_lTYxA>. Aces- so em: ago. 2019. 3. Zumba®. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=t2ZX-Sq7uGY>. Aces- so em: ago. 2019. 4. Step. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Rm64cN5rAXE>. Acesso em: ago. 2019. REFLEXÃO Com certeza, você já percebeu a possibilidade que se abre no mercado das aulas cole- tivas nas atividades cardiorrespiratórias é enorme. No entanto, para que você possa desem- penhar bem sua atividade profissional, é necessário que, com regularidade, conteúdos de sua formação acadêmica sejam revisados, e a estes sejam associadas vivências práticas nas diferentes modalidades. Enfim, você está cada vez mais consciente que teoria e prática são fundamentais para que o sucesso profissional seja alcançado. Então, estabeleça metas de conhecimento científico, e associe a elas experiências práti- cas. Assim, você será um profissional de excelência. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COSTA, M. C. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. WEINECK, J. Manual de Treinamento Esportivo. 2. ed., São Paulo: Manole, 1986. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição/American College of Sports Medicine. 9. ed., Rio de Janeiro: Guanabara, 2014. D., MCARDLE, W., KATCH, I., KATCH, L. Fisiologia do Exercício – Nutrição, Energia e Desempenho Humano. 8. ed., Guanabara Koogan, 7/2016. VitalBook file. Atividades de mobilidade articular 4 capítulo 4 • 74 Atividades de mobilidade articular A mobilidade articular ou flexibilidadearticular é, dentre os conteúdos que compõem os componentes da aptidão física, um dos mais importantes e também mais polêmicos temas, pois há décadas inúmeras são as informações novas gera- das sobre essa valência física quanto aos benefícios da mesma e como utilizá-la de maneira a atender os achados na ciência. Você irá encontrar ao longo deste capítulo elementos que permitirão uma interpretação que irá além da questão conceitual e permitirá uma segura e eficaz aplicação das metodologias ligadas à mobilidade articular aplicadas às aulas coleti- vas em academia de ginástica. Dentro da grade de horários das diversas atividades coletivas em acade- mia, é comum nós identificarmos as chamadas “aulas de alongamentos”, ou qualquer outra variação, o que implica em mobilização do sistema locomotor visando à manutenção ou ao aumento da amplitude articular. OBJETIVOS • Descrever as características de mobilidade articular; • Identificar os benefícios estruturais e fisiológicos da mobilidade articular; • Explicar os métodos de treinamento de mobilidade articular aplicados às atividades cole- tivas na academia; • Descrever as variáveis relacionadas à quantidade de treinamento aplicada às aulas coleti- vas de mobilidade articular na academia de ginástica; • Demonstrar como construir os conteúdos das aulas aplicadas à mobilidade articular. Conceito e modalidades A mobilidade articular (MA) ou flexibilidade articular (FA) é a amplitude de movimento articular (ADM) expressa em valores máximos ou relativos, con- siderando a integridade estrutural e funcional de uma ou mais articulações. Você deve considerar que de acordo com a classificação funcional das arti- culações, as ADMs serão diferentes, lembrando que as articulações do tipo diar- trose (sinoviais) são as de maior mobilidade do corpo humano, seguidas pelas capítulo 4 • 75 anfiartroses que apresentam uma pequena amplitude de movimento quando comparada à anterior. Deve ainda lembrar que os elementos que compõem uma articulação sino- vial (cápsula, ligamento, menisco), quanto ao número e tipo irão exercer uma interferência direta na ADM total, tendo estes a finalidade da preservação estru- tural da articulação. Um item ainda a ser destacado é o sentido do movimento realizado, pois uma mesma articulação irá apresentar, dependendo do sentido do movimento, diferentes amplitudes. Para reforçar, Hall (2000, p. 103) conceitua amplitude de movimento como “ângulo ao longo do qual uma articulação se move da posição anatômica até o limite extremo do movimento do segmento em uma determinada direção”. Quanto à modalidade a FA pode ser classificada como dinâmica ou estática. A FA DINÂMICA (FAD) Deve ser entendida como a ADM que pode ser alcançada por uma ou mais articulações de maneira ativa a partir da contração muscular. É muito importante para estimativa da autonomia do indivíduo nas ativi- dades do dia a dia. A FA ESTÁTICA (FAE) Considera o grau de amplitude de movimento articular a partir da restrição (hipomobilidade) ou frouxidão (hipermobilidade) como um indicador de possíveis lesões. Daí sua importância em uma avaliação (diagnóstico). Segundo Rubini et. al. (2014) ter hipomobilidade ou hipermobilidade está diretamente associada a dificuldades de realização de tarefas cotidianas, bem como a uma maior probabilidade de lesão osteomioarticular. Na prática, você irá perceber que o fato de uma articulação apresentar boa mobilidade não é garantia de que todas as outras articulações do corpo irão apre- sentar boas mobilidades, isto é, o comportamento articular deve ser entendido de maneira singular (articulação por articulação), e ainda no conjunto da cadeia de movimento. Por exemplo, o posicionamento da articulação do joelho exerce interferência direta na mobilidade da articulação do quadril. PERGUNTA Agora aproveitando que você já conhece o conceito, deve estar se perguntando: por que é importante treinar de maneira regular a FA? capítulo 4 • 76 Weineck (1999, p. 471) destaca que a FA adequadamente desenvolvida oti- miza a execução qualitativa e quantitativa dos movimentos. Na atualidade, estudos recentes destacam que uma boa FA auxilia não só na assimilação dos outros componentes da aptidão física, como em função do alongamento muscular atua sobre o comportamento sistêmico do corpo huma- no, por exemplo, sobre o comportamento cardiovascular. Coelho (2007) afirma que a investigação em torno da temática da flexibilida- de está longe de ser suficiente, ao contrário do que possamos especular. Treinamento de flexibilidade articular O treinamento da FA nas aulas coletivas em academia deve considerar todos os princípios do treinamento físico-esportivo, ou seja, cada sujeito tenderá em função de suas características individuais, a frequência de exposição aos es- tímulos, da especificidade dos conteúdos de aula (treino), assimilar de forma diferente as cargas de treino, e como consequência apresentar adaptações agudas e crônicas de maneira distinta. ATENÇÃO É importante observar sempre quem são os alunos (beneficiários) que estão participando de suas aulas, visando mesmo que de maneira objetiva minimizar o risco de lesões. Como assim? Pense que a FA está associada não só às características estruturais da articu- lação, mas também a outros componentes relacionados à articulação como o grau de elasticidade e plasticidade dos tecidos associados. Você já domina o conceito de elasticidade que nos permite entender que o tecido é deformado quando exposto a uma carga, e assim que esta é retirada, esse tecido volta a seu formato original. Já na plasticidade, o tecido tende a permanecer deformado mesmo após a retirada da carga. Todavia, que tecido(s) é (são) este(s)? capítulo 4 • 77 A cápsula articular, as estruturas passivas musculares e os tendões são exem- plos de tecidos que respondem a deformação elástica e plástica. Aqui é interessante que você revise os conceitos e as aplicações relaciona- das à componente elástica em série e paralelo (figura 4.1), e a titina (figura 4.2). Aumentando as suas possibilidades de acertos na hora da aplicação. Elementos Contráteis (Miofilamentos) Componente Elás�co em Paralelo CES: 3% do comprimento do músculo CEP: endomísio, perimísio e epimísio Componentes Elás�cos em Série Figura 4.1 – Componente elástica em série e paralelo. A Nebulina auxilia o alinhamento da ac�na A ��na proporciona elas�cidade e estabiliza a miosina Disco Z Disco Z Linha MNão é elás�ca 25 mil aminoácidos Miosina Ac�na Figura 4.2 – Titina. capítulo 4 • 78 Fatores determinantes A princípio, os fatores determinantes para FA estão relacionados às estruturas anatômicas, citados preliminarmente no item anterior, e apresentam resistência à deformação elástica articular da seguinte forma: • Cápsula articular: 47% • Músculo: 41% • Tendão: 10% • Pele: 2% Você deve considerar que os comportamentos desses elementos dependem de diversos fatores como idade, sexo, condicionamento físico, grau de hiper- trofia, imobilização articular, temperatura, e na prática o mais importante é o grau de alongamento muscular (variação no comprimento do músculo). Sendo estes considerados fatores intervenientes. Segundo Rubini et. al. (2014) os exercícios de alongamento são usualmente recomendados em programas de treinamento físico. ATENÇÃO Apesar de exercer influência na FA, o alongamento muscular pode ocorrer mesmo sem a amplitude articular máxima, mas para que seja alcançada esta amplitude, é necessário um ótimo alongamento muscular. Fatores Intervenientes Sexo As mulheres são mais flexíveis do que os homens? → Fator cultural Na prática, meninos e meninas tendem a apresentarem FA quase que igual- mente, porém a partir do período pubertário, e em função do aumento na massa muscular, os meninos tendem a ter progressivamente uma redução na FA. capítulo 4 • 79 Contudo, nada impede que uma vez mantidos os estímulos de alongamento e FA, homens e mulheres apresentem amplitudessemelhantes. Idade Diminuição da mobilidade com o avanço da idade. Como o passar do tempo, quanto menor for a exposição do corpo aos estímu- los de alongamento e/ou FA, as estruturas miotendíneas tendem a ser tornarem mais plásticas e menos elásticas. Assim, quanto mais cedo esse tipo de atividade for proposta, mais facilmente serão as adaptações e a manutenção dos estímulos de alongamento. Condicionamento físico Os indivíduos que apresentam os componentes da aptidão física (força, RML, cardiorrespiratória) treinados tendem a apresentarem melhores adaptações aos estímulos que visem à manutenção ou aumento da FA, quando comparados aos sujeitos destreinados, mesmo que não treine especificamente a flexibilidade. Hipertrofia e obesidade O chamado contato das partes moles funciona como restrição à manuten- ção ou ao aumento da FA. Sujeitos obesos ou hipertrofiados tendem, em função do contato desses tecidos, a apresentar menor mobilidade quando comparados aos sujeitos eutróficos. Hora do dia O aumento do limiar de excitabilidade do FM pela manhã tende a restrin- gir a maior amplitude de movimento. Aproximadamente 7 a 8 horas após o despertar, os valores da FA tendem a apresentar melhores resultados. Você deve ter especial atenção quando as aulas de alongamento forem mi- nistradas nos horários matutinos, exigindo que a fase de aquecimento da aula tenda a aumentar a temperatura corporal, visando minimizar a ativação dos FMs. capítulo 4 • 80 Temperatura ambiente A temperatura considerada como ideal na sala de alongamento indica que valores entre 25° a 27 °C favorecem a elasticidade muscular. Temperaturas abai- xo desses valores reduzem a elasticidade, o que tende a aumentar a força ne- cessária para o alongamento, sob o risco de ativação dos FMs. Já temperaturas mais elevadas promovem efeito inibitório sobre os motoneurônios gama com consequente relaxamento da musculatura tendendo a aumentar a FA, sob a condição de risco de lesão. Esforços físicos Exercícios de baixa intensidade usualmente utilizados como aquecimento fa- vorecem o aumento da FA, em função de uma melhor adaptação neurofuncional das estruturas miotendíneas. Já exercícios intensos não devem ser propostos associados aos estímulos que visem ao aumento da FA, pois em função da característica viscoelástica das estruturas miotendíneas ocorrerá um aumento na tensão miofascial superficial, o que restringirá o alongamento. Resposta neuromuscular ao alongamento Você deve conhecer dois importantes receptores sensoriais localizados nas es- truturas miotendíneas que irão interferir diretamente no alongamento muscular. Esses elementos são fuso muscular (FM) e órgão tendinoso de Golgi (OTG). O FM está entremeado ao longo das fibras musculares, sendo chamado de fibras intrafusais. Os FMs são estimulados em função do grau de alongamen- to muscular (condição estática) e em função da velocidade de alongamento muscular (condição dinâmica). Assim, ao alongar de maneira lenta os FMs não tendem a ser estimulados, permitindo que o músculo seja significativamente alongado. Contudo, se esse alongamento for excessivo os FMs serão estimulados. PERGUNTA Então, por que evitar estimular os FMs durante o alongamento? capítulo 4 • 81 Simples, ao serem estimulados, os FMs provocam contração reflexa dos músculos que estão sendo alongados, inibindo assim o alongamento. O OTG é também um receptor sensorial que está usualmente localizado na junção miotendínea. São estimulados sempre que essa junção é alongada, o que pode ocorrer pela contração muscular, mas atua de maneira mais significa- tiva por meio do alongamento ativo/passivo (em breve você entenderá o que isso significa). A partir do exposto anteriormente, você deve entender que uma vez estimula- dos os OTGs inibem o desenvolvimento de tensão no músculo, o que auxilia no alongamento deste. (FIGURA W) Aferentes e aferentes do fuso Aferente do órgão tendinoso Neurônio motor alfa (α) Fuso muscular Fibra muscular extrafusal Órgão tendinoso de Golgi Tendão Figura 4.3 – OTGs inibem o desenvolvimento de tensão no músculo. Formas de expressão Aqui você irá conhecer os diferentes tipos de alongamentos e suas principais características de ativação. São basicamente quatro as formas de expressões que podem ser combinadas duas a duas, e uma quinta manifestação caracterizada pelo envolvimento direto dos receptores sensoriais miotendíneos no mecanismo de alongamento, chamada de facilitação neuromuscular proprioceptiva ou simplesmente FNP (alongamento ativo/passivo). capítulo 4 • 82 Vamos conhecer as quatro formas mais simples de expressão, que são o alon- gamento ativo, passivo, balístico ou dinâmico e estático, e só então passaremos ao FNP. • Alongamento ativo: é caracterizado pelo alongamento das estruturas mio- tendínas em função da contração (ativa) concêntrica do músculo antagonista ao que se queira alongar. EXEMPLO Ao ativar concentricamente o músculo bíceps braquial, o músculo tríceps passa a ser alongado. Vale destacar que o grau de eficiência do alongamento ativo é muito baixo. © S K A LA P E N D R A | S H U TT E R S TO C K • Alongamento passivo: é caracterizado pelo alongamento das estruturas miotendínas produzido pela ação de uma força externa ou diferente da ação do antagonista do músculo que se queira alongar. EXEMPLO Em postura ereta, ao afastar os membros inferires e flexionar a coluna vertebral (soltar o tronco à frente), a ação da gravidade puxará o tronco para baixo, e assim promoverá o alon- gamento dos músculos eretores da coluna vertebral. capítulo 4 • 83 © M R .A N D M S .LE N M A N | S H U TTE R S TO C K • Alongamento balístico ou dinâmico: são movimentos rápidos, sucessi- vos e suavemente controlados, visando progressivamente ao ganho no alonga- mento muscular. É muito importante o controle do movimento para que os FMs não sejam ativados, o que exigirá do executante um bom controle motor. EXEMPLO Movimentar alternadamente um dos membros inferiores para frente e para trás estando o outro membro apoiado no solo. © Z IES E L | S H U TTE R S TO C K • Alongamento estático: é caracterizado pela manutenção de uma postura (posição) por determinado período de tempo. Até que se chega à posição, o des- locamento do segmento deve ser lento, contínuo e controlado. capítulo 4 • 84 EXEMPLO Sentado no solo, com os membros inferiores em extensão, fazer a soltura do tronco à frente e manter nesta posição por determinado período. © A LE K S A N D R K O N D R ATO V | S H U TTE R S TO C K ATENÇÃO Lembre-se de que conforme mencionado, essas formas de expressões de alongamento ocorrem combinadas duas a duas, ou seja, um alongamento ativo pode ser dinâmico ou estático, e o mesmo acontece no alongamento passivo que pode ser dinâmico ou estático. A�vo Dinâmico Passivo Está�co capítulo 4 • 85 Nas aulas coletivas de alongamentos, a metodologia usualmente utilizada envolve os alongamentos ativos dinâmicos e passivos estáticos. Uma quinta e última forma de expressão é a FNP. Este método, devido ao alto grau de complexidade para sua execução, só deve ser proposto para grupo de alunos intermediários e avançados, pois exige em especial nas aulas coletivas de alongamento, um alto grau de controle motor para que seja seguro e eficaz. Na prática, utiliza o receptor sensorial OTG, para uma vez estimulado, auxi- liar no alongamento do músculo que se queira alongar aumentando o relaxamento do mesmo. É uma estratégia de alongamento que requer muita atenção de que está comandando a atividade, pois as fases de contração e relaxamento são alter- nadas. A literatura recomenda que esse tipo de alongamento seja realizado em duplas, por um parceiro ou profissional. Entretanto, os comandos de contração e relaxamento serão sempre do profissional. Vide o esquema a seguir. 1 2 3 EM 1 O segmento é levado até uma amplitude “máxima” segura, sem que a pes-soa sinta dor,e sim um breve desconforto. EM 2 O manipulador fixa o segmento do executante na posição 1, e solicita ao mesmo que realize uma contração Isométrica resistida de 5 a 10 segundos. Observe que é força × força. EM 3 O executante relaxa, e como consequência da fase 2, quando o OTG foi estimulado, a amplitude de movimento aumenta em relação à fase 1, até uma nova amplitude “máxima”. capítulo 4 • 86 ATENÇÃO Devido ao alto grau de complexidade, não costuma ser proposto em aulas coletivas, mas quando isso é feito, deve ser dada especial orientação quanto aos comandos do profissio- nal de Educação Física visando evitar lesões, em função das características do método. Metodologia dos exercícios de alongamento • Alongamento estático Segundo Almeida et al. (2009) o alongamento estático de aproximadamente 30 segundos é tempo suficiente para se obter ganho de amplitude de movimento (ADM) em adultos jovens. Como diretriz para prescrição dos alongamentos estáticos, tem-se 2 a 3 séries de aproximadamente 30 segundos, com 1 a 4 progressões por série. A postura final deve ser alcançada de forma lenta, controlada e progressiva. • Alongamento dinâmico A diretriz para o alongamento dinâmico sugere 2 a 3 séries, variando de 10 a 20 repetições ou10 a 15 insistências. Você deve observar que os movimentos são rápidos, sucessivos e suavemen- te controlados. Deve-se ter cuidado com a progressão quanto à amplitude de movimento para que o FM não seja estimulado, o que inibirá o alongamento. Alunos (beneficiários) iniciantes tendem a apresentar dificuldade para executar este tipo de alongamento. • Facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) É o mais eficaz, mas também mais perigoso método de alongamento mus- cular. Deve ser indicado para aluno intermediário e avançado. Esta técnica tem base em mecanismos neurofisiológicos que envolvem os re- ceptores sensoriais OTGs como facilitadores do processo de alongamento. O critério para prescrição sugere 2 a 3 séries de contração e relaxamento alternados de 5 a 10 s por fase, observando que a cada relaxamento a amplitude tende a aumentar. capítulo 4 • 87 Você deve ter cuidado ao prescrever este tipo de alongamento, pois como são executados em duplas, o comando e controle do profissional de Educação Física devem ser constantes. Em linhas gerais Gallo et al. (2012) a partir de 16 semanas para uma frequên- cia semanal de 3x/semana já são observadas adaptações crônicas aos estímulos de alongamento, independentemente da metodologia. Apesar de 20 minutos já apresentarem adaptações agudas positivas aos estí- mulos de alongamento, usualmente para que os segmentos corporais sejam plena- mente trabalhados, a duração das aulas costuma variar de 30 a 40 minutos. Métodos de treinamento aplicados às aulas de alongamento Como qualquer rotina de exercício físico pautado em um planejamento, as aulas de alongamento ou suas variações devem considerar a estruturação clássica das aulas ou sessões de treinamento, ou seja, aquecimento (preparação para ativi- dade), parte específica e volta à calma (relaxamento). Agora você deve estar se perguntando como irá estruturar uma aula (sessão de treinamento), considerando que nas diferentes atividades que envolvem as com- ponentes de aptidão física utilizam-se o alongamento dinâmico na fase de aqueci- mento e o alongamento estático na fase de relaxamento. Sim! Essa dúvida é pertinente, mas conforme visto anteriormente, a estratégia de alongamento utilizada na fase de aquecimento pode também ser aplicada em uma aula de alongamento, fazendo com que a intensidade seja progressivamen- te aumentada, até a entrada na parte específica, já que nesta fase obrigatoriamente quando comparadas a inicial e final são encontradas as maiores intensidades. Assim, a estruturação de uma aula contempla as quantidades de treinamento aplicadas a quaisquer atividades, isto é, você deve descrever o número de séries, a frequência (insistências e progressões) e o tempo de exposição aos estímulos, além da intensidade que é usualmente estabelecida de maneira subjetiva, mas devendo cuidadosamente ser orientada para evitar aumentar o risco de lesões. Com suporte na ciência, aulas com duração a partir de 20 minutos já pro- movem adaptações agudas, e com o passar do tempo, crônicas aos estímulos de alongamento, podendo levar a um aumento na FA. Coelho (2007) sugere que um alongamento de 20 minutos ou mais seria necessário para aumentar efetivamente a amplitude de movimento numa base mais permanente. A literatura científica sustenta a tese. capítulo 4 • 88 Seguindo fase a fase você terá: AQ UE CI ME NT O São propostos exercícios de alongamento geral associados a exercícios que elevem a atividade metabólica. Podendo ser aplicado a qualquer tipo de cliente (beneficiário), pois segundo Coelho (2007) músculos aquecidos são alonga- dos e relaxam mais facilmente, tornando o alongamento mais confortável, e à medida que a temperatura do músculo aumenta, a quantidade de força requerida para alongar os tecidos contráteis e não contráteis e o tempo durante o qual a força de alongamento precisa ser aplicada diminuem. PA RT E ES PE CÍ FIC A É aquela em que os estímulos voltados para o alongamento e/ou aumento da FA sejam efetivados. Usualmente a metodologia de alongamento passivo estático tende a ser a mais aplicada, respeitando no mínimo 3 séries de aproximadamente 30 segun- dos cada com a evolução de 3 a 4 progressões por série, para cada músculo e/ ou articulação alvo. Esta proposta de trabalho é indicada para qualquer nível de cliente (beneficiário) iniciante, intermediário ou avançado. Caso você opte por uma metodologia de maior grau de complexidade como a FNP, lembre que este tipo de estratégia só deve ser proposto para alunos (bene- ficiários) intermediários e avançados, preferencialmente para grupos peque- nos, e preferencialmente em duplas com total comando e controle do profissio- nal de Educação Física. VO LT A À CA LM A Nesta fase, o objetivo principal é a recuperação e o relaxamento dos esforços realizados na fase anterior. Não se deixe enganar que uma “aula de alon- gamento” é obrigatoriamente leve, isto irá depender da etapa do planejamento. Entretanto, o trabalho de relaxamento visando à descontração total deve ser proposto, sendo muitas vezes acompanhado de informações para aumento da cognição sobre a importância da atividade realizada para as componentes da aptidão física. Fisiologia articular e cadeias musculares Você deve tentar promover boa mobilidade na região lombopélvica (com- plexo pélvico), a partir do alongamento dos músculos paravertebrais, flexores do quadril e isquiotibiais, pois a cintura pélvica atua como um “centro” de distri- buição das cargas para os membros inferiores e coluna vertebral. Assim qualquer restrição na mobilidade pélvica tende a gerar restrição em todas as cadeias de movimento, em especial a de membros superiores. Os músculos chamados de antigravitários devem ser priorizados em função das demandas de cargas para manutenção da postura ereta. Você deverá sempre estabelecer no equilíbrio na relação agonista-antago- nista e no equilíbrio bilateral visando assegurar a manutenção das cadeias de movimentos de forma dinâmica. capítulo 4 • 89 Para que um bom trabalho de alongamento seja realizado, você deverá obe- decer à mecânica articular, uma vez que cada articulação apresenta determinada ADM, para cada um dos sentidos do movimento, visando obedecer à trajetória e às amplitudes seguras de movimento. Uma vez realizada a estratégia citada, a tendência é a valorização da pos- tura corporal. ATIVIDADES Teste os seus conhecimentos • Exercício prático de campo Visite uma academia de ginástica e tente identificar na grade de atividades, quais e quan- tas estão associadas às atividades relacionadas ao alongamento e à flexibilidade com a parte específica. Talvez você seja surpreendido, pois na atualidade, muitas academias estão asso- ciando as aulas de alongamento,com conteúdos de conscientização corporal como a ioga. Tente identificar se seus achados na academia, independentemente da modalidade den- tro das aulas de alongamento, estão de acordo com as metodologias estudadas. Caso sim, ok! Caso não, tente identificar que tipo(s) de metodologia(s) está(ão) sendo aplicada(s) e descu- bra com o profissional de Educação Física os motivos que o levaram a adotar essa metodologia. • Questão 01. Em uma aula de alongamento, dois alunos idosos (60 anos) pedem ao profissional de Educação Física para aumentar a temperatura da sala para 25 ºC, pois o “ar está muito frio” (20 ºC) e sob estas condições eles relatam maior dificuldade para executarem os exercícios de alongamento. Com base nos seus conhecimentos analise as opções a seguir. I. A percepção dos alunos está correta, pois ambientes frios diminuem a predisposi- ção ao alongamento. II. A elasticidade da estrutura miotendínea aumenta em ambientes frios. III. A idade pode interferir no alongamento, mas a temperatura não afeta as estruturas miotendíneas. IV. Sujeitos jovens tendem a apresentar maior facilidade para o alongamento das es- truturas miotendíneas. capítulo 4 • 90 São corretas apenas as alternativas a) I e II. b) I e III. c) I e IV. d) II e III. e) II e IV. MULTIMÍDIA 1. Aula de alongamento. Disponíveis em: <https://www.youtube.com/watch?v=TPtvHZl Fqkk> e <https://www.youtube.com/watch?v=dNiZHDtup64>. Acessos em: ago. 2019. 2. Alongamento postural com bastão. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=rkC8-MLUB-U>. Acesso em: ago. 2019. 3. Flexibilidade, mobilidade e postura: alongamento global ativo estático e dinâmico com rolo. Disponíveis em: <https://www.youtube.com/watch?v=QhyZTPT__aA>. Acesso em: ago. 2019. 4. Em outra língua. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qC7960yMaxA>. Acesso em: ago. 2019. REFLEXÃO Ao longo deste capítulo, você pôde conhecer como as estruturas anatômicas, em espe- cial a musculoesquelética, podem interferir na amplitude de movimento de uma articulação. Vale lembrar que qualquer limitação na amplitude de movimento de uma articulação irá interferir diretamente na capacidade funcional do indivíduo. Agora você está preparado para planejar as atividades coletivas nas academias de ginás- tica, incluindo de maneira intencional as chamadas aulas de “alongamentos” e suas variações. Lembre-se de que a devida atenção às componentes de aptidão física interfere direta- mente na autonomia do indivíduo e, como consequência, na saúde e no bem-estar dele. Bons planejamentos! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, P. H. F.; BARANDALIZE D.; RIBAS, D. I. R.; GALLON, D.; MACEDO, A. C. B.; GOMES A. R. S. Alongamento muscular: suas implicações na performance e na prevenção de lesões. Rev. Fisioter. Mov. 2009:22(3):335-43. capítulo 4 • 91 COELHO, Luís Filipe dos Santos. O treino da flexibilidade muscular e o aumento da amplitude de movimento: uma revisão crítica da literatura. Motri., Santa Maria da Feira, v. 4, n. 3, p. 61-72, set. 2008. Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646- 107X2008000300009&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: fev. 2019. COSTA, M. C. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. DI ALENCAR, Thiago Ayala Melo; MATIAS, Karinna Ferreira de Sousa. Princípios fisiológicos do aquecimento e alongamento muscular na atividade esportiva. Rev. Bras. Med. Esporte. Niterói. v. 16, n. 3, p. 230-234, June 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1517-86922010000300015&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: fev. 2019. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição/American College of Sports Medicine. 9. ed., Rio de Janeiro: Guanabara, 2014. GALLO, Luiza Herminia et al. Efeito de diferentes volumes de alongamento na capacidadefuncional de idosas. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum., Florianópolis , v. 15, n. 1, p. 103-112, Feb. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1980-00372013000100010&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: fev. 2019. LOPES, Charles Ricardo et al. Efeitos do alongamento passivo no desempenho de séries múltiplas no treinamento de força. Rev. Bras. Med. Esporte. São Paulo: v. 21, n. 3, p. 224-229, June 2015. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517- 86922015000300224&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: fev. 2019. RUBINI, Ercole C.; FARINATTI, Paulo T. V.; SILVA, Elirez B. Aplicação clínica do alongamento muscular: breve revisão. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. [S.l.], v. 12, n. 4, dez. 2013. ISSN 1983-2567. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistahupe/article/ view/8708>. Acesso em: fev. 2019. TEIXEIRA, Cauê V. La Scala et al. Is the weekly sets volume training performed by trained subjects in accordance with training recommendations guidelines for muscle hypertrophy? Motriz: rev. educ. fís., Rio Claro: v. 24, n. 2, e101815, 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-65742018000200311&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: fev. 2019. WEINECK, J. Manual de Treinamento Esportivo. 2. ed., São Paulo: Manole, 1986. capítulo 4 • 92 Atividades funcionais 5 capítulo 5 • 94 Atividades funcionais O mercado das academias de ginástica é muito dinâmico, visando atender as demandas solicitadas pelos clientes (beneficiários), fazendo com que novas ativi- dades tendam sempre a serem incluídas na grade de horários. Essa constante demanda fez com que, ao longo das duas últimas décadas, determinado tipo de aula coletiva fosse inserido nas academias de ginástica. Essas aulas usualmente são chamadas de treinamento funcional, contando na atualidade com grande variação de modalidades. Você pode estar se perguntando: o que são atividades funcionais ou o trei- namento funcional? Para que esta pergunta possa ser respondida, será necessária uma imersão no conteúdo deste capítulo, no qual então você irá descobrir que atividades ou o treinamento funcional têm preocupação com a capacidade de o in- divíduo realizar o movimento, extrapolando em muito o conceito de pensamento isolado na atividade muscular. Cabe ainda destacar que ao longo da evolução histórica da ginástica, o homem sempre teve uma constante preocupação com o movimento, pois muitos foram os métodos desenvolvidos para tais fins, como exemplo tem-se o método natural de Hébert; método natural austríaco de Gaullhofer e Streicher, ou ainda o método natural de GutsMuths. Na atualidade, uma das modalidades mais badaladas e controversas de atividades funcionais é o Crossfit® . Que tal conhecermos um pouco mais sobre o treinamento funcional? OBJETIVOS • Definir as principais características das atividades funcionais; • Compreender os princípios básicos do treinamento funcional; • Identificar as componentes de aptidão física e demais conteúdos constituintes do treina- mento funcional; • Relacionar os conteúdos propostos nas aulas de atividades funcionais as demandas do dia a dia; • Examinar os critérios que levaram a construção da aula proposta. capítulo 5 • 95 Conteúdo Na atualidade, é consenso que a prática do exercício físico é de fundamental importância na manutenção da qualidade de vida e bem-estar, desde que sejam respeitadas as tarefas do treinamento físico-esportivo. Vale destacar que o condicionamento físico é somente uma dessas tarefas, e a ele devem ser associadas às tarefas técnica (qualidade de execução do movimento), psicológica, social e cognitiva. Então, a partir do exposto, as atividades funcionais, que neste capítulo serão tratadas como treinamento funcional (TFun) ganha destaque especial no rol das atividades coletivas em academia, pois conseguem contemplar todas essas tarefas. Na prática, você deve entender que o exercício físico, por ser uma atividade planejada e sistematizada, concorre diretamente para prevenção,promoção e re- cuperação da saúde. Boyle (2015) chama atenção para o fato de que o TFun tem base na anatomia funcional, e considera que o conhecimento desta auxilia na seleção dos exercícios que reduzam a incidência de lesões e melhoram o desempenho. Já D’Elia (2017) afirma que o corpo é exigido de forma integrada, visando ge- rar movimentos eficientes, o que só é possível a partir do equilíbrio entre as partes agindo a favor do todo. Como exemplo tem-se a constatação de Boyle (2015) que sugere que a falta de força no quadril leva à imobilidade, e esta promove o movimento compensatório da coluna vertebral, em especial no segmento lombar. Tem-se ainda o posicionamento do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM, 2014) ao apontar que um programa de treinamento que inclua exercícios aeróbios, de resistência, de flexibilidade e funcionais, além de atividades cotidia- nas para melhorar e manter o condicionamento físico e a saúde é essencial para a maioria dos adultos. Conceito e modalidades Um aspecto importante do TFun é saber que toda estrutura do treinamento está voltada para uma meta preestabelecida, conforme elaborada em um planeja- mento prévio. Assim, o TFun visa atender de maneira objetiva a um propósito. capítulo 5 • 96 O conceito de treinamento visa habilitar, adestrar ou capacitar para determi- nada tarefa ou disciplina. Já o conceito de funcionalidade reside em elaboração e execução de uma ou mais funções (emprego) para qual foi concebido. Então, na Educação Física o TFun deve ser entendido como a habilitação ou reabilitação para realização dos movimentos humanos, visando à manutenção e/ ou aprimoramento de uma atividade cotidiana ou gesto esportivo. Sendo o corpo humano o nosso objeto de estudo, os movimentos chamados de funcionais devem atender ao princípio da especificidade, exigindo desde sua base um bom controle motor para realização eficaz dos movimentos. Na prática, a ideia da funcionalidade do corpo humano sugere uma corrente cinética integrada, o que leva você a pensar no conceito de cadeia de movimento, na qual o isolamento articular perde lugar para integração funcional das articula- ções envolvidas no movimento. No ambiente das academias de ginástica, o TFun pode ser proposto para: • Prevenção e reabilitação das lesões relacionadas às estrutu- ras musculoesqueléticas. • Melhora do desempenho nas atividades diárias (AVDs); atividades esporti- vas; atividades laborais. O que é reforçado pela proposta de D’Elia (2017) ao destacar que desde o mais sedentário dos indivíduos até os atletas de altíssimo nível podem recuperar e ganhar cada vez mais inteligência corporal de movimentos por meio do TFun. Boyle (2015) sugere que os exercícios funcionais são, por definição, voltados especificamente para uma atividade ou um esporte. Destaca ainda o chamado contínuo funcional para ilustrar as opções de exercícios em um contínuo desde o menos funcional até o mais funcional. Assim, a seleção dos exercícios de acordo com a sua funcionalidade dependerá dos diferentes grupos aos quais será aplicada. O que exige constante atenção do profissional de Educação Física para as necessidades de cada um desses grupos e ajustes ao planejamento quando necessário. Isso é reforçado pela sugestão do ACSM (2014) ao declarar que as compo- nentes da aptidão física devem estar relacionadas com a saúde e com a habilidade. Assim, conteúdos associados às atividades neuromusculares, cardiorrespiratórias e flexibilidade, devem ser acrescidos de estímulos que envolvam a agilidade, a coor- denação e o equilíbrio, ou seja, elementos fundamentais no TFun. capítulo 5 • 97 Ao pensar na realização do movimento, você deverá sempre considerar três variáveis que irão interferir diretamente na qualidade dos mesmos, que são: am- plitude, trajetória e velocidade de realização do movimento. Esta percepção é re- forçada pela proposta de Boyle (2018) ao afirmar que velocidade, habilidade de movimento, força e potência são qualidades que podem e devem ser melhoradas. A ideia é que uma aula (treino) funcional seja concebida de maneira a atender ao maior perfil de clientes (beneficiários) possíveis, e para isso ter acesso às avalia- ções (anamnese, antropométrica, postural e funcional) é fundamental para seleção dos conteúdos e elaboração dos planos de aulas (treinos) funcionais. D’Elia (2017) chama atenção para que cada sessão contenha novos estímulos lúdicos, criativos e oportunidades de aprendizado que garantam a motivação do cliente (beneficiário) ao longo prazo, independentemente da sua idade. Outro ponto importante é que os conteúdos do planejamento de uma aula não devam ser uma cópia indiscriminada de exercícios funcionais, pois mesmo partindo de uma base comum, os movimentos cotidianos e/ou esportivos devem atender as necessidades da população à qual será proposto, em função dos objeti- vos previamente estabelecidos nos mesos e macrociclos. Desta forma, o controle dos meios, métodos e sistemas aplicados às aulas (treinos) de TFun deve obedecer a um critério rígido de organização para que os conteúdos não sejam sobrepostos constantemente, visando preservar a segurança, eficácia e motivação para prática do treinamento. Na prática, é importante que o profissional de Educação Física observe a ex- periência motora de seus clientes (beneficiários) como referência do aprendizado e desenvolvimento motor. Na atualidade, uma gama muito grande de modalidades e implementos tem sido utilizados nas aulas (sessões) de TFun. Para muitos profissionais, o CrossFit®, a Icewater Yoga® e o Racebootcamp®, são exemplos de novas modalidades de TFun, e implementos do tipo kettlebell, bolas suíças, bosu, tirantes suspensos (TRX®), Bulgarian bag, corda naval, caixa para saltos, maceball, clubbell, powerbag, slam ball, cones, barreiras e estacas estão inseridos nos treinamentos, enfim uma série de implementos que tendem a deixar suas aulas muito mais dinâmicas em função das múltiplas possibilidades de combinações. capítulo 5 • 98 © M A S TE R 1 3 0 5 | S H U TTE R S TO C K © IN E W S FO TO | S H U TT E R S TO C K © O N E IN C H P U N C H | S H U TTE R S TO C K © B O B B O Z | S H U TT E R S TO C K © D U S A N P E TK O V IC | S H U TT E R S TO C K © U N D R E Y | S H U TTE R S TO C K © D R A G O N IM A G ES | S H U TT E R S TO C K © O S TILL IS FR A N C K C A M H I | S H U TTE R S TO C K © G O O LI A P H O TO G R A P H Y | S H U TT E R S TO C K Kettlebell Bola suíça Bosu Tirante suspenso Bulgarian bag Clubbell Escada horizontal Corda naval Slam ball capítulo 5 • 99 Agora observe tabela adiante e perceba que ao longo dos últimos cinco anos, o treinamento com a própria massa (peso) corporal e o TFun ocuparam posição de destaque nas pesquisas realizadas pelo ACSM. ANO TREINAMENTO COM A MASSA (PESO) DO PRÓPRIO CORPO TREINAMENTO FUNCIONAL 2015 1o 9o 2016 2o 7o 2017 2o 12o 2018 4o 10o 2019 5o 9o Tabela 5.1 – Top 20 tendências mundiais p/ Fitness – ACSM (últimos cinco anos). Posição no ranking. Treinamento funcional (exercícios funcionais) Quanto à estruturação das aulas (treinos) funcionais, você deverá ter em men- te que uma meta ou um objetivo foi previamente proposto para ser alcançado em determinado tempo. Daí ser tão importante a estruturação do planejamento do TFun ser concebida não só a partir da aula (treino), e sim, conforme visto nos capítulos anteriores, dos micro, meso e macrociclo. Na prática, os programas de TFun devem envolver todos os componentes da aptidão física relacionados à saúde, à qualidade de vida e ao bem-estar. Você deve estar lembrado que esses componentes envolvem a coordenação motora, a capacidade cardiorrespiratória, a força muscular (máxima e parcial) e a mobilidade articular (flexibilidade articular), como elementos primários, e ainda em função das características de cada grupo,a força funcional e o equilíbrio. O conceito de equilíbrio está diretamente relacionado à capacidade de esta- bilização do corpo no espaço e envolve duas importantes variáveis biomecânicas que são a altura do centro de gravidade (CG) do corpo humano e a projeção do CG dentro da área da base de sustentação (área do corpo em contato com o solo, usualmente a superfície formada a partir do posicionamento dos pés). D’Elia (2017) chama atenção para o fato de a postura, a agilidade e a força em função de suas limitações frente aos fatores externos perturbadores interferirem capítulo 5 • 100 diretamente no equilíbrio, sendo então necessário o aprimoramento dessas variá- veis em um ambiente dinâmico. Na prática, estando os pés próximos e um peso elevado acima da cabeça, a força necessária para manutenção da estabilidade será muito maior quando comparada ao afastamento dos pés na mesma largura dos quadris (distância biacetabular). Observe que na foto a seguir, em função da dinâmica do movimento, os exe- cutantes optaram por ampliar ainda mais suas bases de suporte, o que tende a facilitar na manutenção da estabilidade. © U FA B IZ P H O TO | S H U TT E R S TO C K Fundamentos: eficácia e harmonia corporal Conforme citado anteriormente, é muito importante que você mantenha a ideia do corpo humano como um sistema integrado para o alcance do sucesso na execução dos exercícios funcionais. Lembre-se de que o foco não são primariamente os músculos, e sim os movi- mentos articulares harmonizados. Contudo, para que essa proposta seja atendida, a observação da capacidade e limitação de cada articulação se faz importante, visando suprimir qualquer defi- ciência que possa colocar em risco a segurança e a eficácia do movimento, ou con- forme afirma Boyle (2015) o corpo deve ser observado articulação por articulação a partir do tornozelo. Em outras palavras, os movimentos articulares devido às características anato- mofuncionais do corpo humano nunca são independentes. capítulo 5 • 101 Para que essa proposta seja bem entendida, lembrar as diferentes funções mus- culares faz todo o sentido, e aí seus conhecimentos devem ir além do conceito de agonismo e antagonismo muscular, devendo também abranger o conhecimento da função sinergista, estabilizadora e neutralizadora desempenhada pelos músculos. Só assim você terá condições de construir o conhecimento sobre o movimento. D’Elia (2017) propõe o pensamento para função isolada × função integrada, o que na prática obriga que você pense no sistema de estabilização e movimento recrutados simultaneamente, porém a forma de condicioná-los é bem distinta. Costa (2000)1 apresenta como proposta a diferença entre o treinamento tra- dicional (TTra), que envolve o isolamento articular, a trajetória uniplanar e a uti- lização de estabilizadores externos ao corpo, e no TFun que o foco é o comporta- mento multiarticular, as trajetórias multiplanares e a instabilidade (o que exige a participação dos estabilizadores internos do corpo humano). Na prática, o TTra (com movimentos isolados) não “promove” a proprio- cepção, o equilíbrio e a estabilização necessários para a realização das atividades diárias. O que é conseguido no TFun que é direcionado para a melhora do desem- penho de movimentos, e “não de músculos”. Ainda pensando na função isolada × função integrada para realização do mo- vimento é importante destacar que o sistema de estabilização envolve as ações “isométricas”, a massa corporal, as diferentes posturas e a bases instáveis. Já o sistema de movimento faz com que seja necessária a verificação da interação entre o homem e o implemento, a partir das cargas externas, área da base de sustenta- ção, trajetória do movimento e os ajustes destes para a estabilidade em função da produção de força. Outro importante aspecto a ser destacado é a ideia de cadeia de movimento, o que passa por um conjunto de segmentos unidos por articulações e é diferenciada em aberta e fechada, sendo que ambas as cadeias são utilizadas nas aulas (treinos) funcionais. Vale lembrar que a execução de movimentos em cadeia fechada é mais estável quando comparada cadeia aberta. D’ Elia (2017) sugere que para indivíduos saudáveis, a inclusão de exercí- cios em cadeia cinética fechada (CCF) deve ser uma orientação importante na prescrição, em função dos benefícios funcionais que trazem, sendo uma interface importante de transferência de movimento. Agora você deverá pensar na coluna vertebral a partir do conceito aprendido nas aulas de anatomia, ou seja, nosso segmento axial, o que funcionalmente faz 1 COSTA, Marcelo. Comunicação Pessoal. Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física – ENAF, 2000. capítulo 5 • 102 com que as cargas que tenham origem nos membros inferiores e superiores che- guem a essa coluna. Daí, a importância da estimulação aos músculos que promo- vam a estabilização da coluna vertebral e do core. Ainda, D’Elia (2017) propõe que o core extrapole o segmento vertebral, en- volvendo também o complexo lombopélvico e os quadris, sendo suas ações de fundamental importância para a estabilização do movimento e consequente per- formance nos exercícios. As principais funções do core envolvem a otimização no aproveitamento das forças musculares, a geração da estabilidade no movimento, o alinhamento seg- mentar, o que irá impactar a aceleração e desaceleração dos movimentos corporais. Por isso, os músculos multífidos, abdominais (transverso, reto e oblíquo), os eretores espinhais, o quadrado lombar, os glúteos máximo e médio e os flexores dos quadris devem ser intencionalmente estimulados. © O N E IN C H P U N C H | S H U TT E R S TO C K Princípios de especificidade: similaridade, instabilidade e complexidade Conforme já comentado, o TFun trabalha com os movimentos integrados, ou seja, um comportamento multiarticular nos movimentos e só deve lançar mão dos movimentos isolados quando houver necessidade de equilíbrio muscular, o que na maioria das vezes é difícil a partir de solicitações integradas. Um ótimo exemplo é a importância que o músculo glúteo médio tem para estabilização do quadril na condição unipodal, isto é, caso esse músculo esteja “fragilizado”, exercícios como o avanço ou a fundo ficarão prejudicados. capítulo 5 • 103 PERGUNTA Todavia, como pensar na hierarquia da estruturação dos conteúdos? Costa (2000)2 destaca que o desempenho dos movimentos está diretamente relacionado à potencialização do controle motor. Com o objetivo de treinar ou retreinar as vias aferentes para aumentar o controle neuromuscular e estabilida- de dinâmica. Na prática, quando você associar o princípio da especificidade ao TFun, três componentes devem ordenadamente serem propostas, que são a similaridade, a instabilidade e a complexidade. Vamos então conhecer um pouco mais de cada uma delas. SIMILARIDADE Tem como principal foco a transferência da aprendizagem moto- ra. Daí ser tão importante o conhecimento prévio das capacidades funcionais dos clientes (beneficiários). INSTABILIDADE Trabalha com os mecanismos de “endireitamento” do corpo no es- paço, visando estabelecer constantes ajustes posturais para manu- tenção da estabilidade. Utiliza como principal recurso o treinamen- to da propriocepção. COMPLEXIDADE É a última componente a ser trabalhada dentro da ordenação dos conteúdos, pois considera uma especialização da função motora. Você agora irá conhecer um pouco mais de cada uma dessas componentes. Princípio da similaridade Objetiva treinar ou retreinar as vias aferentes, ou seja, que levam informações ao sistema nervoso central (SNC), para melhorar o controle neuromuscular e a estabilidade dinâmica. Considera o grau de aprendizagem e desenvolvimento motor do praticante e, a partir da transferência da aprendizagem motora, construir novos conteúdos. Na prática, ancora um novo conteúdo, em um movimento previamente conhecido e dominado. 2 COSTA, Marcelo. Comunicação Pessoal. Encontro Nacionalde Estudantes de Educação Física – ENAF, 2000. capítulo 5 • 104 Vale destacar que o movimento não deve ser proposto com uma visão me- ramente mecânica. Há importância de se estabelecer objetivos cognitivos para consolidação do aprendizado do mesmo. Princípio da Instabilidade Tem como proposta promover a instabilidade do posicionamento do corpo no espaço, visando aumentar a função motora no tronco encefálico (interação entre os mecanorreceptores com os sistemas vestibular e visual), a partir de ajustes posturais compensatórios. Como metodologia para treinamento deste princípio, tem-se a potencializa- ção da propriocepção e, para que isso ocorra, há necessidade da integração entre parâmetros cinesiológicos, fisiológicos e biomecânicos, associados aos processos aprendizagem e controle motor, objetivando a retroalimentação proprioceptiva e o recrutamento sinérgico dos diferentes músculos, em suas diferentes funções para realização do movimento. D’Elia (2017) afirma que o princípio da instabilidade não trata simplesmente de uma ação motora realizada sobre bases instáveis e sim de uma opção de elemen- tos agregáveis aos programas de treinamento, de acordo com as necessidades dos praticantes. Estes aprenderão a integrar inputs proprioceptivos, visando tornar o corpo mais inteligente para realização das tarefas do dia a dia ou gestos esportivos. Os exercícios em cadeia cinética aberta e fechada tendem a promover bene- fícios para instabilidade do esqueleto axial, em função a assimilação das cargas que chegam pelos membros superiores e inferiores, o que tende a promover uma melhor solicitação dos músculos envolvidos com os movimentos do tronco e da pelve. Princípio da complexidade Como objetivo principal, tem-se a especialização da função motora, a partir da impregnação do SNC de múltiplas informações, visando tornar as respostas motoras mais “automatizadas”. Na prática, envolvem movimentos multi espaciais integrados, com aceleração e desaceleração constantes, associados às estabilizações articulares, com o objetivo de melhorar a eficiência neuromuscular. capítulo 5 • 105 D’Elia (2017) propõe os seguintes tipos de treinamentos: TREINAMENTO DE BASE DE MOVIMENTO Objetivo: mensurar a mobilidade e a estabilidade. Exemplo: exercício de arranco do LPO. TREINAMENTO DE MOVIMENTO AVANÇADO Objetivo: mensurar força e resistência. Exemplo: os movimentos de flexões e exten- sões da coluna vertebral, em determinado perío- do de tempo para testar a resistência muscular localizada. TREINAMENTO DE TRANSFERÊNCIA DE MOVIMENTO Objetivo: mensurar a velocidade e a agilidade. Exemplo: arremesso de slam ball, para testar po- tência dos membros superiores. Mecanismos de Controle Motor Por que é importante conhecer os mecanismos de controle motor? Você deve ter em mente que quanto melhor for o controle motor, ou seja, a coordenação para realização do movimento. Assim, ocorre melhora na dinâmica do movimen- to, o que converge para uma ótima qualidade de execução. Basicamente, duas vias para o controle motor devem ser observadas, que são a via aferente e eferente. Os sistemas que compõem a via aferente são: • Sistema vestibular (ouvido interno, vestíbulo e canais semicirculares). • Sistema visual. • Sistema somatossensorial: receptores musculares, cutâneos e articulares. Já a via eferente considera as respostas da musculatura estriada esquelética, sejam estas voluntárias e/ou “involuntárias”. A integração dessas vias contempla uma previsão que antecede a realização do movimento, a partir da percepção dos estímulos, o que objetiva um ajuste postural antecipatório com base em vivências anteriores, e na retroalimentação que tem base em um ajuste postural compensatório em função das desestabilizações que ocorrem durante a execução da tarefa, com o objetivo da manutenção da estabi- lidade dinâmica. capítulo 5 • 106 A ação do SNC é fundamental para integração do controle motor e ocorre em três níveis: • Reflexos espinhais → respostas musculares reflexas. • Processamento no tronco cerebral → tronco encefálico: interação entre os mecanorreceptores com os sistemas vestibular e visual. • Planejamento cognitivo no córtex cerebral → consolidação da aprendizagem. Na prática, os exercícios de maior grau de complexidade ou tarefas múltiplas tendem a bombardear o SNC por alto volume de informações, fazendo com que as vias neurais atuem para selecionar e processar esses estímulos. Conhecendo um pouco mais o mecanismo de controle motor: PROPRIOCEPÇÃO Envolve mecanismos de informações aferentes via posição ar-ticular, cinestesia e sensação de resistência. NEUROMUSCULAR São respostas com origem no SNC, de maneira eferente que tiveram origem nos mecanismos de propriocepção aferente. Um importante ponto que jamais deve ser negligenciado é que a fadiga mus- cular vem acompanhada da diminuição na sensibilidade dos receptores neurais miotendíneos (fuso muscular e órgão tendinoso de Golgi), o que concorre para diminuição na capacidade de geração de força. Você deve ainda ter atenção às seguintes variáveis: • Com o envelhecimento a propriocepção é menos eficaz, o que potencializa o risco de lesões. • Lesões no sistema musculoesquelético potencializam um efeito inibidor dos mecanismos de aferência proprioceptiva. Metodologia dos exercícios funcionais Para que possa ocorrer uma ótima especialização da função motora, as variá- veis cinemáticas que interferem na manutenção e no controle do movimento de- vem ser observadas, e a essas variáveis devem estar associadas às ações musculares. O que na prática implica em: • A ação concêntrica usualmente associada à função agonista tende a promo- ver a aceleração do movimento. • A ação excêntrica usualmente associada à função antagonista tende a pro- mover a desaceleração do movimento. capítulo 5 • 107 Já as demais funções e os mecanismos de co-contrações contribuem para a estabilização e sinergismo do movimento, mas condições dinâmicas e estáticas. Antes de elaborar as suas aulas, você deverá observar os seguintes critérios para prescrição dos exercícios, em função do grupo que será estimulado: • Analise as necessidades do equilíbrio entre a dinâmica do movimento e os ajustes posturais. • Estabeleça uma progressão pedagógica para o aprendizado e desenvolvi- mento motor. • Sempre que necessário, divida a construção do movimento. • Desenvolva uma boa base motora para região do core. • Dê preferência aos exercícios multiarticulares. O foco no TFun é o número de repetições “ótimas”, e não repetições máximas. Costa (2000)3 propõe que seja estabelecida a seguinte progressão: inicie por exercícios similares; adicione a instabilidade; aumente a complexidade. Variáveis de prescrição para quantidade de treinamento: • 6 a 10 exercícios (prioritários na parte específica da aula) • 6 a 12 de repetições (ótimas) • 1 a 3 séries • Tempo de execução: 6 a 10 s (exercícios mais intensos) // 20 a 30 s (exercí- cios menos intensos) • Com ou sem intervalo entre os exercícios ou estações Quanto à progressão A ideia da progressão dos exercícios está diretamente relacionada ao plane- jamento e a periodização. A divisão temporal do plano de trabalho permite que tanto quanto ao grau de complexidade, como pelos fatores relacionados às quan- tidades de treinamento, os conteúdos devem progressivamente ser apresentados, ou seja, há necessidade da hierarquização dos conteúdos de performance. D’Elia (2017) propõe o seguinte modelo de progressão: PROGRESSÃO DE CARGA Envolve a sobrecarga adicional e a amplitude de movimento. 3 COSTA, Marcelo. Comunicação Pessoal. Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física – ENAF, 2000. capítulo 5 • 108 PROGRESSÃO DE INSTABILIDADE Relacionada à área da base de sustentação e a superfície de interação. PROGRESSÃO DE COMPLEXIDADE Considera tarefas múltiplas e deslocamentos multi espaciais. Ao observar critérios e quantificá-los, você estará aumentando a segurança do seu trabalhoe entregando resultados mais eficazes. Norteadores do processo de treinamento Pense sempre que o foco do TFun é o treinamento de movimento. Caso você identifique a necessidade de treinar os músculos, opte pelo TTra. D’Elia (2017) sugere que depois de ajustar as partes, trabalhe o todo. A região do core deve “abrir” o processo de segmentação corporal. Para que membros superiores e inferiores sejam fortes, há necessidade de um core forte. A condição bípede do ser humano obriga que a observação da capacidade de assimilação de cargas pelos membros inferiores seja uma constante. Assim, observe a construção para assimilação das cargas de treinamento, uma vez treinado o core, de baixo para cima. Os chamados movimentos naturais devem fazer parte das rotinas de TFun, ou seja, puxar e empurrar (horizontal e vertical), agachamento (e suas variações) e saltos deverão ser incorporados às aulas (sessões). O planejamento e a sistematização do processo de treinamento devem ser constantemente monitorados. Crie o hábito de observar a execução do movimen- to, identificar as variáveis de performance e estabelecer as intervenções necessárias para que os objetivos sejam alcançados. Dentro da execução do movimento a velocidade, a amplitude e a trajetória de realização devem ser bem assimiladas pelos executantes. Você ter sempre em mente que três parâmetros são vitais para o sucesso do seu planejamento de trabalho: segurança; eficácia e motivação (revise o cap. 1). As aulas (sessões) de TFun devem promover adaptações positivas, pois isso fará com que o cliente (beneficiário) sinta-se mais motivado, e para que isso acon- teça, os conteúdos devem ser variados, desafiadores e complexos, de acordo com o grupo a ser treinado. capítulo 5 • 109 Componentes de treinamento: força funcional, equilíbrio e coordenação motora Ao chegar até aqui você já deve ter percebido que a elaboração dos conteúdos das aulas (sessões) de TFun envolvem várias componentes que devem estar alinha- das para segurança e alcance dos resultados preestabelecidos. Essas componentes envolvem o sistema musculoesquelético; cardiovascular; composição corporal e funcional. Você deve estar consciente que o sistema muscular é o responsável pela ge- ração das forças internas ativas no corpo humano, e como consequência aptos a reagirem às cargas externas que são aplicadas sobre o corpo. A partir desta premissa a ótima interação ente o sistema nervoso e muscular, visando uma ativação otimi- zada das unidades motoras é esperada. Então, a partir de agora ao falar de força funcional o seu pensamento estará voltado para eficiência neuromuscular, quanto ao equilíbrio a noção de estabilidade deve estar associada; Já a coordenação motora correlaciona-se as habilidades gerais. Categorias de exercícios funcionais: estabilidade (core), equilíbrio, força, específicos e complementares Os exercícios funcionais devem ser classificados a partir de diferentes catego- rias, pois isto irá auxiliar na identificação nas necessidades das variáveis de rendi- mento, nas diferentes fases. Veja a classificação a seguir: EXERCÍCIOS DE ESTABILIDADE DA REGIÃO DO CORE Permitem que a região lombopélvica e coluna vertebral (demais segmentos) possam assimilar as cargas que chegam dos mem- bros inferiores e superiores. EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO Destaque especial à projeção do CG dentro da área da base de sustentação (área de suporte). EXERCÍCIOS DE FORÇA Considerando a força isolada e integrada nos diferentes siner- gismos musculares na execução dos movimentos. CADEIAS MUSCULARES Divide o corpo humano em três grandes cadeias, que são mem- bros superiores, inferiores e tronco. Se houver necessidade, essa segmentação corporal poderá ser ainda maior. Exemplo: o pé pode ser dividido em três segmentos distintos, desde que se perceba a desarmonia entre as regiões do antepé, médio-pé e retro-pé. capítulo 5 • 110 EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS Que buscam atender a uma demanda do dia a dia de maneira específica ou a uma habilidade esportiva. Exemplo: capacidade de elevar as mãos acima da cabeça para colocar um objeto em uma prateleira alta ou se deslocar em uma superfície instável (areia fofa da praia). EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES Qualquer estímulo que vise eliminar uma deficiência que pos- sa impactar no TFun. Exemplo: carência de força ou mobili- dade articular, respectivamente em determinado músculo ou articulação. Na condição dinâmica, o TFun exige que o corpo humano seja encarado a partir das cadeias de movimento, a partir das suas características articulares de mobilidade e estabilidade. Observar quais estruturas articulares são estruturalmente mais estáveis e mais móveis, e confrontar as condições estruturais e funcionais é muito importante para o equilíbrio durante a realização do movimento. Na prática, a alternância entre estabilidade e mobilidade articular deve ser observada para que um ajuste na cadeia de movimento concorra para o sucesso do planejamento. D’Elia (2017) chama atenção para o fato de que cada segmento do corpo in- terfere no outro, quando há equilíbrio entre estes fatores, todas as ações tornam-se mais organizadas e fluidas. © K Z E N O N | S H U TT E R S TO C K capítulo 5 • 111 Recomendações gerais para o treinamento funcional relacionado à saúde, à qualidade de vida e ao bem-estar O TFun tem sua aplicação associada a diferentes faixas etárias, demandas de movimentos cotidianos e atividade esportivas específicas. Na prática, pode ser proposto para prevenção em determinada fase da recupe- ração de lesões musculoesqueléticas; na melhoria do desempenho nas atividades do dia a dia e laborais e melhoria da performance esportiva. Boyle (2015) destaca a importância para necessidade de redução no déficit entre a força máxima muscular e a força funcional. Quando você deve evitar submeter seu cliente (beneficiário) a uma sessão de TFun: • Na presença de lesão no sistema musculoesquelético. • Na identificação de doenças que impactem nos indicadores metabólicos. • Na identificação da queda de rendimento por fadiga muscular. • No desequilíbrio na cadeia de movimento nas funções de estabilidade e mobilidade articular. Para finalizar, seguem algumas dicas práticas: • Opte por, em algumas sessões, trabalhar com os pés descalços, pois a sen- sibilização tátil na região plantar auxilia na manutenção do equilíbrio na condi- ção dinâmica. • Atender ao princípio da variabilidade é importante para que os conteúdos atuem como fator motivacional, mas sempre verificando se os novos conteúdos têm suporte no assimilado anteriormente. Lembre-se de que o foco são os estímu- los que atuem na funcionalidade do corpo humano. O ACSM (2014) destaca que níveis mais altos de força estão associados a um perfil de menor fator de risco para o desenvolvimento de limitações físi- cas funcionais. Poucos profissionais consideram a tabela adiante, porém isso é muito impor- tante para o sucesso do seu trabalho. capítulo 5 • 112 55 cm 65 cm 75 cm Diâmetro da Bola X 45 cm 55 cm 65cm 75 cm 85 cm Altura da Pessoa 1,40 a 1,54 m 1,55 a 1,69 m 1,70 a 1,87 m 1,88 a 2,03 m acima de 2,04 m Figura 5.1 – Diâmetro da bola suíça × estatura do cliente (beneficiário). ATIVIDADE Teste os seus conhecimentos • Exercício prático de campo Visite uma academia de ginástica que ofereça aulas coletivas de treinamento funcional. Identifique o grupo de alunos a partir das diferentes faixas etárias e faça uma avaliação sub- jetiva da execução dos movimentos. Agora a partir dos conteúdos vistos, tente estabelecer estratégias de progressão que possa ser aplicado ao grupo observado. Lembre-se de que a observação, a identificação e a escolha corretas das estratégias de intervenção farão de você um profissional diferenciado no mercado. 01. O crescimento do treinamento funcional, ao longo dos últimos anos, faz com que os princípios básicos deste treinamento sejam cada vez mais respeitados. Sendo verdadeira a seguinteafirmação. a) O treinamento da propriocepção é base para o princípio da similaridade. b) A transferência da aprendizagem motora é base para o princípio da complexidade. c) A especialização da função motora é base para o princípio da instabilidade. d) Treinar as vias aferentes e estabilidade dinâmica é base para do princípio da similaridade. e) Bombardear o SNC com múltiplas informações é base para do princípio da instabilidade. Revise o conteúdo caso tenha ficado em dúvida. capítulo 5 • 113 MULTIMÍDIA Assista aos vídeos a seguir e veja como são aplicados os conteúdos do treinamento funcional. Aprenda um pouco mais! Disponíveis em: • <https://www.youtube.com/watch?v=Xn3Ac0CoDU0> • <https://www.youtube.com/watch?v=dlkttuKpD60> • <https://www.youtube.com/watch?v=H6xsXlaOiu8> • <https://www.youtube.com/watch?v=zUreQ17eLyo> • <https://www.youtube.com/watch?v=RNpRI-mOuRY> • <https://www.youtube.com/watch?v=kaJgGaGMQvo> • <https://www.youtube.com/watch?v=u_iS7tlOnH0> Acessos em: ago. 2019. REFLEXÃO Chegando ao último capítulo deste livro, você deve ter descoberto um universo novo e amplo nas múltiplas atividades coletivas nas academias de ginástica. Esse mercado que hoje é muito bem atendido no Brasil, com mais de 30.000 academias registradas, segundo a Associação Brasileira de Academias (ACAD), mostra-se como um meio favorável para o crescimento visto que nem 10% da população brasileira estão vincula- dos às academias de ginástica, deixando um ambiente propício ao crescimento do mercado de trabalho para os profissionais de Educação Física. Então, por estarem associadas aos movimentos quer do dia a dia, quer para uma de- manda específica, as atividades ou o treinamento funcional tendem a ser cada vez mais bem aceitos no conjunto das atividades coletivas em academias de ginástica, pois os resultados de sua aplicabilidade são rapidamente percebidos e tendem a colaborar para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar do indivíduo. Agora é com você! Com o conhecimento adquirido nesta disciplina e observando as par- ticularidades da sua região, um mundo de opções se abre para que novas atividades coletivas de quaisquer tipos e modalidade sejam criadas e/ou aperfeiçoadas, aumentando em muito o seu mercado de trabalho. Parabéns por ter chegado até aqui! capítulo 5 • 114 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOYLE, M. Avanços no treinamento funcional [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2015. BOYLE, M. O novo modelo de treinamento funcional de Michael Boyle [recurso eletrônico]. 2. ed., Porto Alegre: Artmed, 2018. COSTA, M. C. Ginástica Localizada. Rio de Janeiro: Sprint, 1996. D’ELIA, Luciano. Guia completo de treinamento funcional [recurso eletrônico]. 1. ed., São Paulo: Phorte, 2017. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição/American College of Sports Medicine. 9. ed., Rio de Janeiro: Guanabara, 2014. MYERS, T. W. Trilhos anatômicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. GABARITO Capítulo 1 01. E Capítulo 2 01. D 02. C Capítulo 3 01. C Capítulo 4 01. C Capítulo 5 01. D capítulo 5 • 115 ANOTAÇÕES capítulo 5 • 116 ANOTAÇÕES capítulo 5 • 117 ANOTAÇÕES capítulo 5 • 118 ANOTAÇÕES capítulo 5 • 119 ANOTAÇÕES capítulo 5 • 120 ANOTAÇÕES