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Protocolo na intoxicação por alimentos, bactérias, fungos e rodenticidas Medicina Veterinária

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caracteriza por recusa do alimento, 
estase ruminal, hiperestesia, tremores musculares especialmente na cabeça, 
supressão do reflexo pupilar à luz, decúbito e convulsões. Suínos: intoxicação 
pela montesina causa dispneia, anorexia, ataxia, paresia, miogloburinúria, 
cianose, diarreia, timpanismo e prurido. Equinos: anorexia, febre e urina 
vermelha ou escura devido à lesão muscular. Os músculos cardíacos e 
esqueléticos são acometidos e, na maioria dos casos, é o miocárdio que ceia a 
síndrome mais evidente. 
Tratamento: Não há antídoto para intoxicação por ionóforos. O que pode ser 
feito é um tratamento suporte baseado na utilização de óleo mineral para impedir 
 
 
 
 
uma maior absorção pelo intestino, soroterapia com fluidos isotônicos 
endovenosos para combater a desidratação e o choque hipovolêmico e 
minimizar possíveis danos renais. 
 
Ureia 
 
A ureia é um sal gralulado leitoso, subproduto das refinarias de petróleo, utilizado 
como aditivo alimentar para ruminantes com o intuito de fornecer amônio para a 
síntese de proteína microbiana. É ofertada como substituto proteico de baixo 
custo. 
Toxina: Ureia. 
Sintomatologia: Dor abdominal intensa, tremor muscular e cutâneo, 
incoordenação, fraqueza, dispneia, mugidos intensos, dejeções frequentes, 
endurecimento das patas dianteiras e salivação excessiva. 
Tratamento: Deve ser realizado o quanto antes e consiste na diminuição do pH 
e/ou esvaziamento ruminal. A diminuição do pH deve ser feita com ácido acético 
(vinagre) em doses de 0,5 a 1L para ovinos e 4L para bovinos, se repetidas até 
a recuperação do animal. Quando o animal já se apresenta em decúbito, 
recomenda-se ruminotomia para esvaziamento ruminal. 
 
 
 
 
 
 
 
Botulismo 
Botulismo: É uma intoxicação típica, provocada pela ingestão de toxina 
produzida pelo Clostridium botulinum. As condições favoráveis à produção da 
toxina são anaerobiose e putrefação. As fontes comuns de intoxicação por 
ruminantes são carcaças e ossos em pastos (associadas à deficiência mineral), 
água parada, silagem mal preparada e cama de frango. Em animais de 
companhia é comum o histórico de consumo de lixo. 
Toxina: Botulínica 
Sintomatologia: Há interferência na liberação de acetilcolina na junção 
neuromuscular, com desenvolvimento de paralisia flácida que pode ser fatal 
(parada respiratória). Os animais mesmo que totalmente paralisados estão 
consciente. 
Tratamento: Caso seja viável, tratamento de suporte para manutenção do 
animal até que a toxina seja desnaturada e deixe de agir. Há possibilidade da 
aplicação do soro hiperimune (Botulin C-D, Vencofarma). Para o controle da 
enfermidade é fundamental a vacinação, especialmente a bovinos e práticas de 
medidas de controle (manejo de carcaças, suplementação mineral, preparo 
adequado de silagem e manejo de reservatório de água). 
 
Tétano 
Tétano: O microrganismo produz a toxina a partir de um foco no organismo do 
animal. O Clostridium tetani penetra por meio de contaminação de ferimentos, 
em particular os que facilitem o desenvolvimento de anaerobiose (perfuro-
cortantes profundos ou purulentos). 
Toxina: Tetanolisina e tanoespasmina 
 
 
 
 
Sintomatologia: A tetanoespasmina age no sistema nervoso central, 
bloqueando as sinapses inibitórias das contrações musculares. O quadro que se 
instala é de paralisia espástica. A gravidade do quadro (localizado ou 
generalizado) depende da quantidade de toxina produzida. Em geral, quadros 
com período de incubação mais longo tendem a ser menos graves. Os animais 
afetados entram em acidose metabólica rapidamente, devido a produção maciça 
de ácido lático na musculatura contraída. 
Tratamento: A limpeza de feridas com água oxigenada, a vacinação rotineira 
em equinos e humanos, que permite uma imunidade de longa duração. O 
tratamento baseia-se em controle e reversão a toxina não ligada (soro 
antitetânico), promover relaxamento muscular, remover e destruir a fonte de 
toxina (limpeza de feridas visíveis e antibioticoterapia) e tratamento sintomático 
(correção do equilíbrio hidroeletrolítico (Cloreto de sódio 0,9%), alimentação 
parenteral e redução de estímulos). O soro hiperimune (antitoxina) em situações 
de risco (cirurgias de emergência ou ferimentos ocasionais) também é utilizado 
com frequência, tanto em equinos como em humanos. 
 
Carbúnculo hemático 
Carbúnculo Hemático: É uma doença com caráter superagudo ou agudo, 
septicêmico hemorrágico, causada pelo Bacillus anthracis. Acomete mais 
vertebrados domésticos e silvestres, principalmente herbívoros e é zoonose. 
Tem ocorrência esporádica no Brasil, mas também se dá em forma de surtos 
que podem ser graves. 
Toxina: O agente produz três potentes exotoxinas: Fator I (edema), Fator II 
(protetor) e Fator III (letal). O B. anthracis na sua forma vegetativa é sensível a 
pasteurização, aos desinfetantes comuns e a putrefação, enquanto os esporos 
resistem por anos em meio ambiente. 
Sintomatologia: Em animais enfermos a depleção de oxigênio, choque 
secundário, aumento da permeabilidade vascular, insuficiências cardíacas e 
respiratória. O nível plasmático de toxina aumenta rapidamente, junto com o 
número de microrganismo. Em seguida ao óbito, há derramamento de sangue 
não coagulado pelos orifícios naturais e desenvolvimento de rigor mortis 
 
 
 
 
precoce. A temperatura no cadáver continua aumentando e há grande formação 
de gás. 
Tratamento: O controle baseia-se em vacinação sistêmica em áreas endêmicas, 
diagnóstico rápido e eficiente, isolamento e tratamento dos doentes, destino 
adequado de carcaças suspeitas, desinfecção rigorosa e quarentena de 
rebanhos suspeitos. A vacinação deve ser utilizada após confirmação 
laboratorial do Bacillus anthracis ou segundo critérios adotados pela defesa 
sanitária animal da região. Para o tratamento utiliza-se soro anticarbunculoso 
para neutralizar a toxina liberada pelo bacilo, geralmente combinado com 
antibióticos como penicilina. 
 
Salmonelose 
Salmonelose: Em saúde pública, a salmonelose tem grande importância pela 
ocorrência de surtos ocasionados pelo consumo de alimentos de origem animal 
contaminados. A quantidade de microrganismos e a virulência da cepa 
determinarão o aparecimento ou não de sinais clínicos. As principais espécies 
de salmonella de interesse em medicina veterinária são: S. Typhimurium (em 
todas as espécies animais), S. abortus equi (equinos), S. cholerasuis (suínos), 
S. typhisuis (leitões), S. dublin (bovinos) e S. abortus ovis (ovinos). 
Toxina: Todas possuem atributos de virulência que potencializam a agressão ao 
hospedeiro, como motilidade dirigida por quimiotaxia (flagelos), antígenos de 
superfície (aderência e sobrevivência intracelular), fímbrias (aderência), 
endotoxinas (responsáveis pela febre), enterotoxinas (LT e ST) , citotoxinas, 
plasmídeos e enzimas ferroquelantes. A habilidade de aderir penetrar nos 
enterócitos é fundamental para o início da enfermidade. 
Sintomatologia: Todas as espécies animais são sensíveis. As vias de 
transmissão para animais mais comuns são alimentos e água contaminados por 
fezes, componentes de ração como farinha de carne, ossos e peixe, 
administração de resto de alimentação humana e esterco de galinha. Os 
principais sintomas da enfermidade são, apatia, anorexia, perda de peso, 
anemia, diarreia, vômito, perda de apetite. 
Tratamento: As salmonelas facilmente adquirem resistência aos antibióticos por 
meio de plasmídeos que podem ser transmitidos a outros gêneros de 
 
 
 
 
enterobactérias. Ciprofloxacina (cães/gatos 5 – 15mg/kg), ampicilina 
(cães/gatos-SC/IV/IM- 10 -22mg/kg/ ORAL 22mg/kg), sulfametoxazol-
trimetoprima (cães/gatos- 15 – 30mg/kg). 
 
Colibacilose 
Colibacilose: Escherichia coli é um habitante natural dos intestinos delgado e 
grosso de todos os mamíferos, pertencentes à família Enterobacteriaceae. 
Sintomatologia: Podem causar diarreia, mastite,