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Infecção relacionada à neonatologia abrange infecções congênitas, infecções precoces (abaixo de 48h) e as infecções tardias (acima de 48h até 1 semana) • São chamadas de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), pois são decorrentes de falha na assistência, seja na prevenção, diagnóstico ou tratamento em período pré, peri ou neonatal • Pré-natal é uma janela de oportunidade para testar presença de doenças como sífilis e HIV, que quando tratadas tem risco de transmissão vertical tendendo a 0 • A partir dessa exposição, feto pode liberar substâncias inflamatórias, que em contato com a microbiota materna levam a maior risco de rotura prematura de membranas e trabalho de parto prematuro → Trabalho de parto prematuro sem causa deve levantar suspeita de infecção do RN→ Essas substâncias inflamatórias também podem levar a lesão pulmonar (aumentando o risco de broncodisplasia) e lesão ou paralisia cerebral → Como infecção ou inflamação se propaga da mãe para o feto? Pode ser via ascendente, hematogênica, transplacentária - líquido amniótico é contaminado • História clínica do RN deve conter dados sobre antecedentes dos pais, de outras gestações, partos e evolução das crianças. Além da evolução da gestação atual, do parto e da criança do nascimento até o momento atual. • IRAS transplacentária são infecções adquiridas pela passagem transplacentária - herpes simples, sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, hepatite B, HIV • Críticas quanto definição: algumas doenças tem quadros agudos, agente é "específico", mas a sintomatologia é inespecífica e a manifestação pode ser tardia → Definição: quadro infeccioso subagudo ou crônico provocado por agentes infecciosos específicos no período perinatal/neonatal • Pensar no TORCH• HIV é a única doença que contraindica definitivamente a amamentação→ Para crianças de mães com infecção por CMV abaixo de 32 semanas, deve ser ofertado leite pasteurizado da própria mãe até pelo menos 34 semanas → Vírus da hepatite B e C podem ser identificados no leite, mas não há confirmação de transmissão por essa via - não contraindicam a amamentação → Modo de transmissão é predominantemente transplacentário, mas pode ocorrer através de passagem no canal de parto (hepatites e HIV), via ascendente (herpes) e amamentação (HIV, CMV, hepatite) • Efeito sobre a organogênese: quanto mais precoce a infecção da mãe, maior o risco de malformações do feto - risco é maior em 1º e 2º trimestre 1- Idade gestacional: abortamento, restrição do crescimento intrauterino ou assintomático2- Imunidade materna3- Carga infectante: ainda existem uma série de dúvidas quanto a importância da carga viral4- Fatores que influenciam a manifestação clínica• Em geral, as manifestações clínicas são bem inespecíficas e bem floridas• INFECÇÕES CONGÊNITAS Toxoplasma Outras Rubéola Citomegalovírus Herpes vírus 1 e 2 Sífilis, varicela-zoster, parvovírus, hepatites B e C, zika, dengue, HIV, doença de Chagas, malária e tuberculose COVID-19 não há relato de transmissão vertical INFECÇÕES RELACIONADAS À NEONATOLOGIA sábado, 20 de março de 2021 14:23 Página 1 de MD941 - Ped • Herpes simples congênita tem sintomas ao nascimento, já a perinatal de 1-4 semanas→ Infecções também podem ser assintomáticas ao nascimento - no CMV 10-15%, rubéola 66% (podem aparecer manifestações até os 5 anos), toxoplasmose maioria é assintomática (80-90% apresentam a doença na infância/vida adulta), sífilis mais de 50% (aparecimento da clínica após 3 meses) • Diagnóstico de certeza das infecções congênitas só se dá através de sorologias ou PCR• Toxoplasmose: coriorretinite (79%), estrabismo, nistagmo, atrofia de nervo óptico, microcórnea, microftalmia, catarata, descolamento de retina - manifestação pode ser tardia (adultos → Rubéola: coriorretinite em sal e pimenta (22%), catarata, glaucoma, microftalmia, distúrbios de motricidade → Citomegalovírus: coriorretinite (ketchup e mostarda - 15-22%), hipoplasia do nervo óptico, coloboma, ciclopia e anoftalmia - manifestação pode ser tardia → Sífilis: uveíte, coriorretinite (inclusive sal e pimenta), opacidade de córnea, glaucoma, atrofia óptica, descolamento de retina → Herpes vírus: conjuntivite, ceratite, iridociclite, atrofia de íris, coriorretinite, neurite e atrofia óptica - esse acometimento ocorre em 13% dos casos → A presença de um ROV negativo deve ser investigada por um profissional especializado e dependendo do achado, deve levantar a suspeita de um quadro de infecção congênita Manifestações oculares podem estar presentes ao nascimento ou de forma mais tardia, são frequentes. Quando houver suspeita, imprescindível exame com oftalmoscópio por especialista. São uma causa importante de déficit visual e cegueira na infância. • Microcefalia: CMV, rubéola, herpes vírus e varicela zoster, zika vírus→ Hidrocefalia: toxoplasmose obstrutiva→ Convulsão: vários agentes→ Meningoencefalite - irritabilidade, letargia, crises convulsivas, abaulamento de fontanela: CMV, rubéola e herpes vírus → Calcificações: em geral periventriculares ou próximos aos núcleos da base - CMV (50% casos sintomáticos), toxoplasmose (tríade clássica coriorretinite + calcificação + hidrocefalia), herpes vírus, varicela zoster → Surdez: CMV (25% das causas de surdez nos EUA) e rubéola→ Deve colher líquor de toda a criança com suspeita de infecção congênita Manifestações do SNC são frequentes e variadas, podendo aparecer ao nascimento ou posteriormente. São em geral inespecíficas, mas são causas importantes de surdez, perda visual, paralisia cerebral e epilepsia. Para investigar é necessário que seja feita coleta do líquor - achados também são inespecíficos com hiperproteinorraquia (>120) e pleiocitose linfocitária (>12). Intensidade da resposta celular ou bioquímica não depende do agente, o que identifica a etiologia é o VDRL ou PCR • Exantema petequial ou purpúrico: CMV (70% casos sintomáticos), toxoplasmose, sífilis, rubéola→ Exantema purpúrico (blueberry muffin spot): pápulas de cor vermelho-azuladas por eritropoiese extramedular - rubéola e CMV → Exantema maculopapular, placas mucosas, lesões descamativas: sífilis - essas lesões tem alta carga de treponema → Exantema vesicular com ou sem pústulas: sífilis, herpes, varicela perinatal→ Lesões cicatriciais em ziguezague limitada à dermátomo: varicela→ Manifestações cutâneas - não são específicas - na presença das lesões, sempre usar luva para examinar• Página 2 de MD941 - Ped Lesões cicatriciais em ziguezague limitada à dermátomo: varicela→ Hepatoesplenomegalia e adenomegalia são comuns nas infecções congênitas com uma manifestação precoce - adenomegalia na sífilis e toxoplasmose • Parvovírus B19: pode levar a anemia grave, ICC e hidropisia (acúmulo de líquidos em diversas partes do corpo do bebê) - é importante avaliar essa anemia grave, pois pode ser feita transfusão intraútero salvando vida do feto → Manifestações hematológicas: anemia e plaquetopenia em graus variáveis são comuns nas infecções congênitas • Sífilis: metafisite, osteocondrite, sinais de destruição óssea, reação periostal - pode ser mais tardio (até 16 semanas), não precisa estar presente ao nascimento → Alterações osteoarticulares: na sífilis, CMV e rubéola pode haver banda epifisária hiperlucente• Malformação cardiovascular: rubéola - persistência de canal arterial, estenose da artéria pulmonar e coarctação de aorta • Nasceu RN com sepse precoce, se hemocultura realizada sem positividade de agentes habituais, é mandatório descartar infecções congênitas → Quadro séptico é indistinguível de sepse bacteriana inespecífica - estado geral comprometido, palidez, icterícia, rash cutâneo purpúrico, hepatoesplenomegalia, sangramento - pode ser causado por sífilis, rubéola, toxoplasmose e herpes vírus • Quando investigar RN? Quadro clínico suspeito, sintomas maternos suspeitos (febre, rash), exames sorológicos maternos suspeitos, alterações de ecografiafetal (SNC, hidropisia). Investigação deve ser feita através de sorologias maternas e do RN, exames de PCR e outros • Página 3 de MD941 - Ped É o resultado da Disseminação hematogênica do Treponema pallidum, da gestante infectada não-tratada ou inadequadamente tratada para o seu concepto, por via transplacentária. • Quadro pode ser agudo ao nascimento, mas 50% está assintomático ao nascimento - se há alguma manifestação até 2 anos de vida é considerada precoce, após manifestação é tardia • Morte perinatal em 40% dos fetos infectados• Brasil teve aumento de 170% em relação a 2010 - 6,5/1000 NV em 2015, em 2016 Campinas chegou a 12,66/1000 NV → Doença com tendência a aumento no Brasil e no mundo devido a redução da adesão de uso de preservativo nas relações sexuais entre jovens e desabastecimento da penicilina desde 2014 • Transmissão vertical da sífilis independe da época da gestação ou estágio clínico da doença materna, uma vez que Treponema pallidum ultrapassa a placenta - quanto mais avançada a gestação e mais recente for a sífilis materna, maior o risco de infecção fetal • A taxa de infecção da transmissão vertical do T. pallidum em mulheres não tratadas é de 70 a 100%, nas fases primária e secundária da doença, reduzindo-se para aproximadamente 30% nas fases tardias da infecção materna (latente tardia e terciária). • Há a possibilidade de transmissão direta do T. pallidum por meio do contato da criança pelo canal de parto, se houver lesões genitais maternas. Durante o aleitamento, ocorrerá apenas se houver lesão mamária por sífilis • Lesões maiores: condiloma plano, osteocondrite e periostite (simétricas), rinite hemorrágica e erupção vesico-bolhosas → Lesões menores: fissuras periorais, rash, hepatoesplenomegalia, linfadenopatia, pleocitose, hemólise, trombocitopenia, hidropisia, pseudoparalisia, síndrome nefrótica → Manifestações oculares: uveíte, coriorretinite (inclusive sal e pimenta), opacidade de córnea, glaucoma, atrofia óptica e descolamento de retina → Alterações osteoarticulares: banda epifisária hiperlucente, metafisite, osteocondrite, sinais de destruição óssea e reação periostal (tardia - 16 semanas) → Manifestações clínicas• RN só não teve sífilis congênita se for seguido até os 18 meses e nessa idade tiver um teste treponêmico não reagente → Diagnóstico: independente se sintomático ou assintomático - sempre investigar bebês com mães que tiveram exposição a sífilis com sorologias, coleta de líquor e RX - mesmo que sem manifestação ao nascimento precisa ter seguimento até 2 anos de idade • Muitas vezes é difícil distinguir entre reinfecção, reativação e cicatriz sorológica sendo fundamental avaliação da presença de sinais e sintomas clínicos novos, da epidemiologia (reexposição), do histórico de tratamento (duração, adesão e medicação utilizada) e exames laboratoriais prévios → Tratamento adequado da gestante: administração de penicilina benzatina (trata mãe e feto) e início do tratamento até 30 dias antes do parto - para definir se resposta imunológica adequada, utiliza-se teste não treponêmico não reagente ou uma queda na titulação em 2 diluições em até 6 meses para sífilis recente e queda na titulação em 2 diluições em até 12 meses na sífilis tardia. • Nos casos de RN sintomáticos filhos de mãe expostas a sífilis ou filhos de gestantes tratados de • SÍFILIS CONGÊNITA Página 4 de MD941 - Ped Neurossífilis - tratamento através de benzilpenicilina potássica (penicilina cristalina EV) por 10 dias → Sífilis congênita sem neurossífilis: tratamento com benzilpenicilina cristalina ou procaína por 10 dia → Nos casos de RN sintomáticos filhos de mãe expostas a sífilis ou filhos de gestantes tratados de forma inadequada é necessário avaliar LCR do RN para que seja excluído sífilis em SNC • Na investigação incompleta sem coleta de LCR - o diagnóstico de neurossífilis não é afastado, pelo protocolo de São Paulo deve ser tratado como se tivesse - aumenta uso de penicilina cristalina EV, precisa de internação e falta penicilina cristalina para casos com real indicação • Protocolo da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo é diferente das recomendações do Ministério da Saúde - investiga mais e trata mais RN expostos a mães com sífilis na gestação • VDRL da mãe e do RN - analisar possibilidade de cicatriz sorológica Não colher teste rápido/treponêmico em RN, pois pode estar positivo por passagem transplacentária CASO CLÍNICO 3: RN filho de mãe com sífilis tratada na gestação anterior e com teste rápido positivo na admissão para parto. O que fazer? Existem uma série de preocupações e discussões quanto as reações anafiláticas com uso de penicilina benzatina, mas seu uso é mantido pela raridade dessas reações - estimadas entre 0,01 e 0,05%, com taxa de mortalidade decorrente desses episódios entre 0,0015 a 0,002% - em crianças esse percentual é ainda menor • Imunidade adquirida é permanente - oferece risco nas mães imunocomprometidas ou naquelas que são infectadas durante a gestação • Avaliação sorológica: detecção de anticorpos específicos - soroconversão é observada com aumento dos títulos de IgG em 4x → Teste de avidez alta indica infecção há 12-16 semanas prévias→ Detecção por PCR do DNA em líquido amniótico→ Diagnóstico na mãe• Acompanhamento: IgM específico (não ultrapassa placenta), IgG específico persistente após 12 meses de vida e PCR positivo no sangue/urina/LCR → Diagnóstico em RN: sorologia ao nascimento (após 48 horas) através de ELISA ou IF• TOXOPLASMOSE CONGÊNITA HEPATITE B Administrar imunoglobulina hiperimune e vacina para hepatite B até 12 horas de vida, liberar a oferta de leite materno, utilizar precaução padrão no cuidado com RN CASO CLÍNICO 4: RN com idade gestacional de 38 semanas, iniciou trabalho de parto e evoluiu para parto vaginal. Mãe moradora de rua não fez pré-natal sendo detectado por teste rápido HBsAg positivo confirmado por exame em laboratório (HbsAg positivo e anti HbsAg negativo) Seguimento ambulatorial – realizar doses de vacina subsequentes e avaliação sorológica→ Na mãe com hepatite B são necessários alguns cuidados como vacina anti-hepatite B e imunoglobulina anti-hepatite B ao nascer (vacina preferencialmente até 12 horas de vida), a amamentação é permitida. • Criança HBsAg negativo e anti-HBs positivo: resposta vacinal adequada – imune→ Criança HBsAg e anti-HBs negativos: não imune – reimunizar 3 doses (2 meses) e retestar.→ Criança HBsAg positivo e anti-HBs negativo: infectada - seguir em serviço especializado.→ Avaliação sorológica é realizada a partir de 1-3 meses após última dose da vacina• Aleitamento em gestante com HbsAg é permitido se RN recebeu imunoprofilaxia adequada, sempre orientar a mãe sobre as formas de transmissão do VHB - se presença de fissuras em mamilos suspender leite materno temporariamente • Em países com clima temperado mais de 90% da população adulta é infectada pelo vírus antes da adolescência. Já em áreas tropicais essas taxas são menores • É especialmente grave em pacientes imunossuprimidos, nos quais existe o risco de disseminação viral nos órgãos • Transmissão materno-fetal é transplacentária - raramente, por via ascendente ou através de contato com lesões em canal de parto • Mãe com varicela 5 dias antes do parto até 2 dias após o nascimento há risco alto de varicela perinatal com alta morbimortalidade (30%) - sem tempo de passagem de anticorpos para RN • VARICELA Internar RN em UTI neonatal, administrar VZIG e manter em precauções para doenças de transmissão por aerossol até 28 dias CASO CLÍNICO 5: RN com idade gestacional de 30 semanas e peso de 1100g, nascido de mãe com quadro clínico de varicela iniciada 2 dias antes do parto Página 5 de MD941 - Ped doenças de transmissão por aerossol até 28 dias Imunoglobulina não previne todas as varicelas, mas sim as formas mais graves→ Precauções aerossóis: quarto privativo preferencialmente com pressãonegativa, restringir movimentação do paciente, restringir e orientar visitantes, profissionais e visitantes não imunes usar máscara N95/PFF2, transporte do paciente com máscara comum → Mãe com varicela (5 dias antes até 2 dias após nascimento): administrar VZIG no RN até 96 horas de vida, isolamento aéreo do RN separado da mãe, manter mãe em isolamento aéreo e de contato até que última vesícula vire crosta, profissionais e visitante não imunes (usar N95/PFF2) e alta hospitalar o mais breve possível • Ocorrência de varicela na gestação pode ocasionar complicações maternas e fetais - infecção materna no 1º e 2º trimestre pode resultar em embriopatia - síndrome da varicela congênita acomete 1,2% dos RN quando infecção materna no 1º trimestre e 2% quando ocorre entre 13-20 semanas • Quando infecção materna ocorre no 3º trimestre da gestação, pode determinar quadro de varicela congênita. Cerca de 25% desses recém-nascidos desenvolvem um quadro típico de varicela, que se instala até o décimo dia de vida. Em geral a doença se manifesta de forma tênue, • provavelmente pela transferência de anticorpos maternos protetores. Varicela durante a gestação pode manifestar-se tardiamente na infância. RN assintomáticos ao nascimento, e que meses após desenvolvem quadro típico de herpes zoster entre 1-2 anos • Pele: lesões cicatriciais distribuídas em dermátomo ao nascimento e lesões hipogmentadas. → SNC: encefalite com lesão irreversível do tecido cerebral levando a microcefalia por atrofia cerebral e cerebelar; convulsões; hidrocefalia; Síndrome de Horner por paralisia do VIII e VII pares cranianos; e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. → Olhos: coriorretinite; catarata; microftalmia, estrabismo; nistagmo; anisocoria e atrofia óptica. → Musculoesquelético: hipoplasia de membros e da musculatura.→ Trato gastrintestinal: refluxo gastroesofágico e estenose duodenal→ Trato urinário: hidroureter e hidronefrose→ Sistêmico: retardo de crescimento intra-uterino e defeitos cardiovasculares→ Síndrome da varicela congênita• Cuidados com gestante: manter com máscara durante atendimento no PA, transportar com máscara comum a gestante, no centro obstétrico conduzir pré-parto, parto e pós-parto no mesmo ambiente, equipe que presta assistência usar PFF2, manter RN em berço comum com distância mínima de 1 metro da cama da mãe, orientar mãe com TB bacilífera utilizar máscara comum durante amamentação ou cuidados com RN ou ao pegar RN no colo, iniciar essa quimioprofilaxia no RN com isoniazida, realizar PPD com 3 meses e se negativo fazer BCG • TUBERCULOSE Restrição global do crescimento e malformações cerebrais→ Alterações cerebrais: calcificações periventriculares, parenquimatosas, talâmicas e em gânglios da base; alterações de migração celular, lisencefalia/paquigiria; atrofia córtico- subcortical difusa com dilatação ventricular secundária. → Alterações não neurológicas incluem pele excessiva, redundante no escalpo e artrogripose→ Alteração oftalmológica característica também foi descrita, incluindo alterações retinianas e do nervo óptico → Estudos demonstram que microcefalia não é um achado isolado, mas é observada dentro de um contexto abrangente de alterações fetais, incluindo: • Perfil de gravidade das complicações da infecção pelo vírus zika na gestação dependerá de um conjunto de fatores como estágio de desenvolvimento do concepto, relação dose-resposta, genótipo materno-fetal e mecanismo patogênico específico de cada agente etiológico • Síndrome congênita associada à infecção pelo zika: além da microcefalia congênita, problemas de deglutição, desproporção craniofacial, espasticidade, convulsões, irritabilidade, disfunção do tronco encefálico, contraturas de membros, anormalidades auditivas e oculares, anomalias cerebrais detectadas por neuroimagem • Calcificações corticais, subcorticais, malformações corticais, padrão simplificado de giro, alterações migratórias, hipoplasia do tronco cerebral, cerebelo e ventriculomegalia. → Embora a microcefalia congênita tenha o achado inicial para o reconhecimento da síndrome, algumas dessas manifestações neurológicas ocorreram sem a microcefalia associada e só se tornaram evidentes após o nascimento → Achados de neuroimagem• Acometimento visual: estrabismo, problemas de retina e atrofia parcial ou total do nervo óptico• ZIKA VÍRUS Tem provável origem materna - 60-80% ocorrem nas primeiras 24 horas• Fator de risco que pode não ser detectado→ Fatores de risco podem estar presentes ou não ser detectadas• INFECÇÃO PRECOCE Página 6 de MD941 - Ped Fator de risco que pode não ser detectado→ Gram-positivos: Streptococcus agalactiae (grupo B), Listeria monocytogenes, Enterococcus faecalis → Gram-negativos: Escherichia coli, Haemophylus influenzae, Klebsiela pneumoniae→ Infecções por fungos são raras→ Etiologia: micro-organismos que colonizam ou infectam trato genital da gestante• Alta mortalidade (pode chegar a 90%) quando comparado as infecções tardias• Quimioprofilaxia deve ser feita em gestantes colonizadas por GBS na vagina e/ou reto durante a gestação atual exceto cesárea fora de trabalho de parto e bolsa amniótica íntegra. → Profilaxia é considerada adequada com no mínimo 1 dose pelo menos com intervalo de 4 horas→ Exame só é válido se colhido em até 5 semanas→ Clindamicina pode ser utilizada nos casos em que gestante tenha histórico de anafilaxia grave com penicilina - evitar ao máximo, pois não cruza barreira placentária e cerca de 20% dos SBHEB são resistentes na nossa região → Triagem com cultura para Estreptococo do Grupo B feita entre 36-37 semanas ou mais, bolsa rota prematura ou trabalho de parto prematuro - se for feito o diagnóstico de presença do Strepto do grupo B no pré-natal através de swab retal e vaginal, necessário fazer profilaxia intraparto com penicilina cristalina com dose de ataque de 5.000.000 e de 4/4 horas 2.500.000 • Rotura de membranas por tempo prolongado - maior ou igual a 18 horas1- Trabalho de parto prematuro ou bolsa rota em gestantes com IG inferior a 37 semanas2- Febre intraparto maior ou igual a 38°C3- Mães que tiveram filho anterior com doença por Estreptococo do grupo B4- Mães com EGB isolado em infecção urinária durante gestação atual - nem precisa colher o swab5- Quando não status de Estrepto B conhecido , fatores de risco que indicam a profilaxia são • De forma isolada esses sintomas tem baixo valor preditivo positivo - mais significativo é a hipotensão com 31% de VPP → Sinais de sepse: hipoatividade/letargia, instabilidade térmica (hipotermia/hipertermia), intolerância a glicose, apneia, bradicardia, desconforto respiratório, resíduo alimentar, instabilidade hemodinâmica, choque, síndrome hemorrágica • Urocultura só é colhida na suspeita de sepse tardia (>48h)→ Coagulograma é colhido na presença de sinais de sangramento - síndrome hemorrágica sugere uma deficiência de vitamina K - se vômito/fezes com sangue isolado pensar inicialmente que criança pode ter ingerido sangue através de fissuras no aleitamento → Hemograma e PCR seriada tem alto valor preditivo negativo, mas quando alterados mostram que pode haver (baixo VPP) - trabalho de parto em si altera hemograma nas primeiras 72h → Triagem laboratorial completa consiste em hemograma completo, proteína C reativa seriada, duas amostras de hemocultura, cultura de líquor e RX, se sinais de desconforto respiratório. • Tratamento empírico deve cobrir Gram-positivos e negativos - penicilina e amicacina/gentamicina• Corioamnionite: hipertermia, hemograma alterado, líquido amniótico fétido, taquicardia• As crianças devem ser observadas por pelo menos 36-48h, pois é quando se instalam a maioria das infecções - se após esse tempo criança não apresenta manifestações clínicas de sepse, pode descartar • Se profilaxia não foi feita de forma adequada (maior ou igual 4 horas de aplicação) e RN prematuro (<37 semanas) ou bolsa rota acima de 18 horas coletar 2 hemoculturas e observarpor 48 horas • CASO CLÍNICO 1: RN a termo filho de mãe com cultura positiva para Strepto do grupo B diagnosticada na 36ª semana de idade gestacional, nasceu de parto vaginal, tendo a mãe recebido durante o parto penicilina cristalina 5.000.000 UI de 4/4 horas por 12 horas até o nascimento. RN nasceu em boas condições, com Apgar de 9 e 10, sem sintomas infecciosos Página 7 de MD941 - Ped Conduta: manter RN em observação clínica por 48 horas e realizar triagem infecciosa completa se RN apresentar sintomas infecciosos de 9 e 10, sem sintomas infecciosos Em geral, são adquiridas no ambiente hospitalar• Para as crianças no alojamento conjunto é essencial reduzir transmissão cruzada de microrganismos • INFECÇÃO TARDIA CASO CLÍNICO 2: CCIH notificou um aumento de infecções de pele (impetigo) em RN egressos do alojamento conjunto com aparecimento após 48h de vida e na 1ª semana de vida e aumento de infecções respiratória alta em RN internados na UTIN e UCIN. Com objetivo de reduzir riscos de transmissão das infecções no ambiente hospitalar e proteger profissional de saúde: Em unidades de maior risco para infecção como CC, CO e UTI é recomendada a lavagem das mãos com solução degermante, contendo clorexidina 2%; a outra opção para a higienização das mãos é o uso de álcool a 70% quando as mãos não apresentam sujidade aparente - em unidades de baixo risco como alojamento conjunto e ambulatórios sabão líquido é suficiente Visitantes não tem indicação de uso de aventais Na precaução de contato de doenças de transmissão por aerossol deve ser usada PFF2/N95 Uso de luvas não substitui lavagem de mãos Prevenção de IRAS: higienização das mãos, aplicar precauções padrão no contato com o paciente, aplicação de desinfetante correto para limpeza de equipamentos (álcool 70% ou amônia) Principal forma de transmissão cruzada no ambiente hospitalar é o contato direto ou indireto Antes do contato com o paciente1) Antes da realização de procedimento asséptico2) Após exposição a fluidos corporais3) Após contato com paciente4) Após contato com ambiente próximo ao paciente5) 5 momentos de higienização das mãos segundo a OMS Lactoferrina tem ação antibiótico-like→ É importante incentivar precocemente a oferta de leite materno, pois auxilia a equilibrar a microbiota intestinal. Além disso, leite humano contém anticorpos, glóbulos brancos maduros e lactoferrina que são capazes de proteger o prematuro da colonização por fungos • SEMPRE prover calor para evitar uma hipotermia, para isso manter a temperatura da sala de parto e de reanimação em 23°-26° e recepcionar RN em campos aquecidos → Sinais vitais normais: temperatura 36,5ºC-37,5°C, FC 120-160bpm, FR 30-60 irpm (no prematuro pode chegar a 70 irpm) → Já na sala de cuidados ao RN administrar vitamina K, colírio de nitrato de prata (prevenção de conjuntivite gonocócica) e vacina para hepatite B → Cuidados com RN saudável: recepcionar em campo aquecido, posicionar RN junto à mãe próximo ao nível da placenta, clampeamento oportuno do cordão com 1-3 minutos, pele a pele • m sintomas infecciosos Página 8 de MD941 - Ped