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Puerpério patológico: infecção puerperal Introdução Junto com a pré-eclâmpsia e a hemorragia obstétrica, constitui uma das principais causas de mortalidade materna. Morbidade febril puerperal: temperatura de ≥38ºC, durante 2 dias quaisquer dos 10 primeiros dias pós-parto, com exceção das primeiras 24h. Fatores de risco: tipo de parto – o fator mais importante, com aumento substancial do risco nas cesáreas; menor nível socioeconômico; colonização bacteriana do trato genital inferior por bactérias como: Streptococcus grupo B, Chlamydia trachomatis, Mycoplasma hominis; Ureaplasma urealyticum e Gardenerella vaginalis; cesariana para gestações multifetais; pouca idade materna; nuliparidade; indução prolongada de trabalho de parto; amniorrexe prolongada; rotura prematura de membranas ovulares (RPMO); exames cervicais repetidos, monitoração fetal interna; obesidade; e líquido amniótico tinto de mecônio. A contração uterina, involução puerperal, reação leucocitária e hemóstase trombótica são mecanismos de defesa contra essa infecção. Quadro clínico Períneo – vulvovaginite e cervicite: dor, rubor, edema e secreção purulenta. A febre é moderada (38,5ºC). Infecção da episiotomia: pode ser uma infecção simples, limitada à pele e fáscia superficial adjacente, com edema e eritema e, posteriormente, deiscência da zona suturada; infecção de fáscia superficial (continuidade com as fáscias da parede abdominal, glútea e das pernas); necrose da fáscia superficial (manifestações cutâneas tardias. Edema e eritema inicialmente e, posteriormente, a pele fica mais azulada ou acinzentada, de aspecto gangrenoso, com vesículas e bolhas). Endometrite: quadro se instala no 4º ou 5º dia do pós-parto. Há aumento da temperatura (38,5 a 39ºC); lóquios se tornam purulentos e fétidos em infecções por anaeróbios. Ao exame pélvico, o útero está amolecido, doloroso, aumentado, colo permeável à polpa digital, escoando secreção purulenta quando manipulado. Parametrite: é a infecção do tecido conjuntivo fibroareolar, parametrial. O local de eleição é o sítio parametrial laterocervical, podendo haver invasão anterior ou posterior (paracistite ou pararretite). Temperatura elevada persistente >10 dias sugere parametrite, aumentando progressivamente e com remissões matutinas. Ao toque vaginal, há dor intensa, com endurecimento do paramétrio. Anexite (salpingite ou ovarite): há dor abdominal aguda – predominando em fossas ilíacas, febre alta (39 a 39,5ºC) e discreta defesa abdominal. Ao toque genital, há grande sensibilidade dos anexos. Na evolução mais tardia da doença, a palpação de tumoração anexial é notada – quando a salpingite forma tumor inflamatório anexial. Algumas possíveis complicações da infecção puerperal: Peritonite: dor intensa e defesa muscular no baixo ventre. Febre alta (40ºC), alteração da função intestinal – com retenção de fezes e íleo paralítico, pulso a 140 bpm e sinal de Blumberg positivo. Ao toque, há intensa dor no fundo de saco posterior. Tromboflebite pélvica séptica: pode gerar abcessos renais, pulmonares e em outros órgãos e os microorganismos envolvidos geralmente são os anaeróbios. 2/3 das pacientes têm febre e calafrios, e muitas tem taquipneia e taquicardia. Mais de 1/5 tem dor torácica, febre ou hemoptise. Pode haver dois quadros clínicos distintos, um com febre persistente apesar dos antibióticos, dor ausente ou mal localizada, com achados mínimos ao exame pélvico e abdominal; e outro com trombose de veia ovariana, afetando especialmente a veia direita (90%), há febre, dor pélvica e massa abdominal palpável. Choque séptico: o útero pode estar indolor e sem aumento de volume, e o corrimento loquial é discreto. Tratamento A episiotomia infectada deve ser reaberta e ressuturada após exploração instrumental, sob anestesia geral. Não dispensa antibióticos sistêmicos após esse procedimento. Caso não responda à antibioticoterapia em 24h a 48h, ou mostrem edema se estendendo a outras áreas, devem ser submetidas à exploração cirúrgica por suspeita de necrose da fáscia superficial. No caso da endometrite, caso o quadro seja leve, o tratamento pode ser ambulatorial e por VO. Se a infecção for moderada a grave, o esquema intravenoso é indicado. A mulher poderá receber alta hospitalar quando apresentar-se afebril por pelo menos 24h a 48h. Esquema antibiótico usado em casos não complicados: gentamicina 240mg/dia até 70kg ou 320mg/dia >70kg IV, em DU diária, associada à clindamicina 600mg, IV, de 8h em 8h. A parametrite, anexite e tromboflebite séptica seguem os mesmos esquemas de antibióticos da endometrite. Neste último, utiliza-se também anticoagulante: heparina de baixo peso molecular (HBPM), no caso a enoxaparina, em dose de 1mg/kg a cada 12h ou 1,5mg/kg a cada 24h SC. Após esse curso inicial, associar anticoagulante oral (varfarina 10mg/dia) e depois suspender heparina. Sugere-se que os anticoagulantes continuem até 7 a 10 dias após a resolução dos sintomas.