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Licenciatura em ciências · USP/ Univesp 9.1 Introdução 9.2 Tangentes e perpendiculares a Curvas 9.2.1 Vetores Normais a uma Curva e Raio de Curvatura 9.3 Diferencial total de uma função escalar 9.4 Derivada numa Direção e Máxima Derivada Direcional 9.5 Perpendicular a uma superfície 9.6 Plano tangente a uma superfície por um ponto 9.7 Direções Normais a Superfícies e Tangenciais a Curvas 9.8 Elementos de volume e de superfície 9.8.1 Exemplo: Coordenadas Esféricas 9.9 Bases de Vetores Fu nd am en to s de M at em át ic a II Gil da Costa Marques 9APLICAÇÕES À GEOMETRIA DIFERENCIAL 167 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 9.1 Introdução A geometria diferencial é o ramo da matemática que se ocupa de utilizar o cálculo diferencial e a geometria analítica para entender propriedades de curvas e superfícies. Entre as propriedades interessantes, do ponto de vista das curvas, podemos mencionar a curvatura, a torção, a direção tangente e a direção normal, em cada ponto de uma curva. Dada uma superfície, podemos estar interessados na sua curvatura, na direção normal e no plano tangente em cada ponto ao longo da mesma. Neste texto discutiremos algumas dessas questões, especialmente como inferi-las utilizando as derivadas parciais de funções escalares ou derivadas de funções vetoriais. Por ser de grande aplicação prática, introduziremos uma forma de efetuar integrais de super- fícies ou de volumes, quando introduzimos coordenadas generalizadas. Vale recordar que uma superfície - ou parte dela - pode ser descrita por meio de uma função de três variáveis W(x, y, z) e isto se deve ao fato de que os valores constantes de tal função descrevem uma superfície. 9.1 A seguir, consideraremos três superfícies caracterizadas pelas funções: Q1(x, y, z), Q2(x, y, z), Q3(x, y, z). Elas definem algo que, usualmente, denominamos coordenadas generalizadas e isso porque um ponto no espaço pode ser especificado a partir de valores das coordenadas (Q1, Q2, Q3). Por exemplo, ao ponto P0 corresponde o valor das coordenadas: onde Qi0 é o valor assumido pela coordenada Qi, 1 ≤ i ≤ 3, no ponto P0. Assim, pontos do espaço estão associados a valores fixos das coordenadas (Q1, Q2, Q3). É importante lembrar, no entanto, que a condição para que uma particular coordenada do espaço tenha um valor fixo se escreve como: 9.2 W W x y z0 = ( ), , P Q Q Q0 10 20 30⇔ ( ), , Q x y z Qi , ,( ) = =10 constante 168 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 e, consequentemente, essa condição descreve o lugar geométrico dos pontos do espaço perten- centes a uma superfície. O conjunto de duas condições para valores constantes das coor- denadas generalizadas do espaço, quando impostas simultaneamente, como, por exemplo, as condições: 9.3 descreve a intersecção de duas superfícies. Assim, o lugar geo- métrico dos pontos do espaço tais que duas coordenadas gene- ralizadas tenham um valor fixo descreve uma curva no espaço. Com a superfície Q3 definida em 9.2, leva a um ponto. 9.2 Tangentes e perpendiculares a Curvas Uma curva é descrita por meio de um vetor dependente de um parâmetro λ, isto é, o vetor associado a um ponto da curva é dado pela função vetorial: 9.4 e a cada valor de λ corresponde um - e apenas um - ponto da curva. A seguir, adotaremos o parâmetro λ como se fosse o comprimento de arco da curva. O ideal, nesses casos, é adotar a coordenada espaço. Assim, a cada valor da coordenada espaço, fica assegurado que existe apenas um ponto da curva. Escrevemos: 9.5 E, portanto, em termos da coordenada espaço, o vetor posição será escrito como: 9.6 Figura 9.1: Superfícies podem ser utilizadas para determinar pontos no espaço ou curvas. Q x y z Q Q x y z Q 1 10 2 20 , , , , ( ) = ( ) = r x i y j z kλ λ λ λ( ) = ( ) + ( ) + ( ) λ = s r s x s i y s j z s k( ) = ( ) + ( ) + ( ) 169 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 O elemento de comprimento da curva, ds, é dado por: 9.7 O vetor t definido por: 9.8 tem propriedades interessantes. Em primeiro lugar, sua direção é tangente à curva em cada ponto. Seu sentido indica valores crescentes das coordenadas e, finalmente, ele tem um módulo unitário. De fato, de 9.7, temos: 9.9 e, portanto, o vetor t é um versor (isto é, tem módulo unitário). Exemplos • ExEmplo 1 Escreva uma expressão para o vetor velocidade ao longo de uma curva. → REsolução: Lembrando que a velocidade vetorial é definida por 9.10 e levando em conta que, agora, estamos considerando as coordenadas como dependentes do parâ- metro s, podemos escrever a velocidade sob a forma: 9.11 Lembrando a definição 9.10, vemos que a velocidade, de acordo com 9.6, é dada por: 9.12 donde se infere que a velocidade é tangente à curva e o módulo dela é a velocidade escalar. ds dx dy dz= + +2 2 2 t s dr ds dx s ds i dy s ds j dz s ds k( ) = = ( ) + ( ) + ( ) t s dr ds 2 2 2 1( ) = = v dr dt dx s dt i dy s dt j dz s dt k= = ( ) + ( ) + ( ) v dx s ds i dy s ds j dz s ds k ds dt = ( ) + ( ) + ( ) v ds dt t= 170 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 9.2.1 Vetores Normais a uma Curva e Raio de Curvatura No espaço tridimensional, existem infinitos vetores normais a uma curva passando por um ponto dessa curva. No entanto, a seguir estaremos interessados pelo vetor normal que passa pelo centro da circunferência osculadora. Uma circunferência osculadora de uma curva, na geometria diferencial, é uma circunferência que tangencia a curva por aquele ponto. Ósculo é quase um sinônimo para beijo. Assim, a circunferência osculadora toca - ou beija - a curva em um deter- minado ponto. Daí a razão para o termo. Para construir tal circunferência consideramos, primeiramente, três pontos suficientemente próximos e por eles traçamos uma circunferência. Ela sempre existe e é univocamente determinada. Em seguida, tomamos o limite em que os três pontos coincidam. O vetor tangente à circunferência osculadora é igual ao vetor tangente à curva por aquele ponto. O raio de curvatura num determinado ponto da curva é igual ao raio da circunferência osculadora. Introduzimos agora o conceito de vetor normal à curva por um ponto dessa curva. É um vetor tal que aponta para o centro da circun- ferência osculadora. Naturalmente, esse vetor será perpendicular ao vetor tangente à curva. Um vetor normal é obtido a partir do vetor t (s) derivando-o mais uma vez com respeito ao parâmetro s. Efetuando tal derivada obtemos o vetor N (s), o qual é dado por: 9.13 Tendo em vista que o versor t (s) tem módulo igual a 1, obtém-se: 9.14 Figura 9.2: A circunferência osculadora no ponto P. N s dt s ds d x s ds i d y s ds j d z s ds k( ) = ( ) = ( ) + ( ) + ( ) 2 2 2 2 2 2 d t t ds .( ) = 0 171 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Consequentemente, de 9.14 obtemos: 9.15 daí ficando constatado que o vetor N (s) definido por: 9.16 é um vetor perpendicular ao vetor t (s). Assim, o versor n(s) indicando a direção normal à curva é dado por: 9.17 Define-se a curvatura (κ(s)) de uma curva como igual ao módulo do vetor N (s). Dessa forma, podemos verificar que a curvatura se escreve como: 9.18 O raio de curvatura da circunferência osculadora (R(s)) é dado pelo inverso da curvatura: 9.19 e, portanto, uma vez conhecida a forma da curva dada pela funções x, y e z como funções do parâmetro s, podemos determinar o raio de curvatura em cada ponto. De 9.18 resulta que: 9.20 Os centros das circunferências oscu- ladoras formam a evoluta da curva. d t ds t N t ( ) ⋅ = ⋅ = 0 N sd t ds ( ) = ( ) n s N s N s s N s( ) = ( ) ( ) = ( ) ( )κ Figura 9.3: Vetores tangente e normal a uma curva em cada ponto. κ s N s d x s ds d y s ds d z s ds ( ) = ( ) = ( ) + ( ) + + ( ) 2 2 2 2 2 2 2 2 2 R s s ( ) = ( ) 1 κ 1 2 2 2 2 2 2 2 2R s d x s ds d y s ds d z s ds( ) = ( ) + ( ) + ( ) 2 172 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 • ExEmplo 2 Determine os vetores tangente e normal a uma circunferência. Determine também a sua curvatura. → REsolução: Uma circunferência é tal que todos os pontos ao longo dela podem ser escritos em termos de uma função vetorial da variável espaço, s, da forma: 9.21 onde R é o raio da circunferência. Portanto, o vetor cuja direção é a da tangente a cada ponto da circunferência é 9.22 enquanto o vetor normal a ela, em cada ponto, é: 9.23 O vetor normal sempre aponta para o centro da circunferência osculadora. No caso em apreço, ele aponta para o centro da circunferência considerada. A curvatura da circunferência é constante e, de acordo com 9.18 e 9.23, ela é dada pelo inverso do raio dessa circunferência: 9.24 9.3 Diferencial total de uma função escalar A diferencial total de uma função de três variáveis V = V(x,y,z) é definida como 9.25 r s R s R i s R j( ) = + cos sen t s dr s ds s R i s R j( ) = ( ) = − + sen cos N s d r s ds R s R i s R j( ) = ( ) = − + 2 2 1 cos sen κ s R ( ) = 1 dV V x y z x dx V x y z y dy V x y z z dz= ∂ ( ) ∂ + ∂ ( ) ∂ + ∂ ( ) ∂ , , , , , , 173 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 • ExEmplo 3: Seja V x y x y,( ) = 1 3 2 2. Utilizando a diferencial da função V, vamos encontrar um valor aproximado para a variação ΔV quando passamos do ponto (1, 2) para o ponto (1,03; 2,01); em seguida, vamos avaliar o erro cometido nessa aproximação. Temos: 9.26 e, portanto, 9.27 Fazendo x = 1, y = 2, dx = 0,03 e dy = 0,01, temos 9.28 Por outro lado, 9.29 Fazendo x = 1, y = 2, dx = 0,03 e dy = 0,01, obtemos 9.30 o que nos leva à conclusão de que se trata de uma boa aproximação quando dizemos que ΔV é bem aproximado por dV. • ExEmplo 4: Vamos calcular um valor aproximado para (1,02)2,01. Em primeiro lugar, consideremos a função V(x, y) = xy e então temos: 9.31 e 9.32 e, portanto, 9.33 ∂ ∂ = ∂ ∂ = V x xy V y x y2 3 2 3 2 2 e dV xy dx x ydy= +2 3 2 3 2 2 dV ≅ 0 09, ∆ = + + −V x dx x dy x y1 3 1 3 2 2 2 2( ) ( ) ∆ ≅V 0 09, ∂ ∂ = − V x y x y. 1 (fazendo y constante) ∂ ∂ = V y x xy ln (fazendo x constante) dV y x dx x x dyy y= +−. ln1 174 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Fazendo x = 1, y = 2, dx = 0,02 e dy = 0,01, temos 9.34 Por outro lado, 9.35 • ExEmplo 5: Calcule aproximadamente 2 01 4 02 1 97, . , . , . Vamos considerar a função V x y z xyz( , , ) = e suas derivadas parciais: 9.36 9.37 9.38 e, portanto, 9.39 Fazendo x = 1, y = 4, z = 2, dx = 0,01, dy = 0,02 e dz = −0,03 temos 9.40 (Verifique!) Logo, 9.41 dV ≅ 0 04, ∆ = − ≅ − =V ( , ) , ,,1 02 1 1 0406 1 0 04062 01 2 ∂ ∂ = V x yz xyz2 ∂ ∂ = V y xz xyz2 ∂ ∂ = V z xy xyz2 dV yz xyz dx xz xyz dy xy xyz dz= + + 2 2 2 dV ≅ −0 01, 2 01 4 02 1 97 3 99, . , . , ,≅ 175 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 9.4 Derivada numa Direção e Máxima Derivada Direcional Consideremos uma direção e sentido especificados pelo versor: 9.42 isto é, um vetor que tem módulo unitário (para esses vetores colocamos um acento circunflexo a fim de denotar tal fato). Assim, 9.43 Um vetor derivado desse mediante a multiplicação por uma constante h, 9.44 tem a mesma direção e sentido do versor â, se h > 0, e tem sentido contrário se h < 0. O módulo desse vetor é, evidentemente, igual a |h|, uma vez que |â| = 1. Sendo V = V(x, y, z), (x0, y0, z0) um ponto do domínio de V, e h tal que os pontos (x0 + axh, y0 + ayh, z0 + azh) também pertencem ao domínio de V, definimos a derivada direcional de V, no ponto (x0, y0, z0) e na direção de 9.45 como 9.46 se tal limite existe e é finito. Denotamos a derivada direcional definida acima como 9.47 x y za a i a j a k= + + �� ��a a a a ax y z⋅ = ⇒ ( ) + ( ) + ( ) =1 12 2 2 ha ha i ha j ha kx y z = + + x y za a i a j a k= + + lim , , , , h x y zV x a h y a h z a h V x y z h→ + + +( ) − ( ) 0 0 0 0 0 0 0 D V x y z V x a h y a h z a h V x y z ha h x y z ( , , ) lim ( , , ) ( , , ) 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0= + + + − → 176 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Se a função V e suas derivadas parciais forem contínuas então a derivada direcional definida em 9.47 é dada por: 9.48 9.49 Observamos assim que a derivada direcional de V, no ponto (x0, y0, z0) e na direção de â , é igual ao produto escalar do vetor ˆ x y za a i a j a k= + + pelo vetor cujas componentes são as derivadas parciais da função V no ponto (x0, y0, z0). Este último vetor é denominado vetor gradiente da função V no ponto (x0, y0, z0) e é indicado com a seguinte notação: 9.50 Assim, escrevemos 9.51 Consequentemente, a derivada direcional de uma função pode ser escrita em função do ângulo θ entre o vetor unitário â e o gradiente da função (definido em 9.51), como: 9.52 E, assim, a direção e sentido, para os quais a deri- vada direcional de uma função V é máxima, são os do vetor gradiente de V, pois nesse caso cosθ = 1. Lembrando que a variação infinitesimal do vetor de posição ou, ainda, o vetor deslocamento infinitesimal é dado pela expressão: 9.53 D V a V x a V y a V z a Va x y z = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ = ⋅∇ 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 ˆ( , , ) ( , , ) ( , , ) ( , , )a x y z V V VD V x y z a x y z a x y z a x y z a V x y z ∂ ∂ ∂ = + + = ⋅∇ ∂ ∂ ∂ ∇ = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ V x y z V x x y z i V y x y z j V z x( , , ) ( , , ). ( , , ). ( ,0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 yy z k0 0, ). ˆ 0 0 0 0 0 0 ˆ( , , ) ( , , )aD V x y z a V x y z= ⋅∇ Figura 9.4: O gradiente de uma função determina a normal à superfície associada a valores constantes da mesma. cos a D V V a V= ∇ ⋅ = ∇ θ dr dxi dyj dzk = + + 177 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 podemos observar que a variação infinitesimal de uma função escalar V, sua diferencial, pode ser escrita sob a forma do produto escalar de dois vetores: 9.54 pois o vetor gradiente ∇V é, por definição, 9.55 • ExEmplo 6: Encontre o vetor ∇u no ponto (5,3,−1), sendo u(x, y, z) = 3x2 − 3y2 + z2. Temos 9.56 Como 9.57 obtemos 9.58 • ExEmplo 7: Sendo V(x, y, z) = x2 + y2 + z2, vamos encontrar a derivada direcional D V x y za ( , , )0 0 0 em (x0, y0, z0) = (1, 2, 3) na direção do vetor u i j k= + −2 2 2 13 . Sabemos que 9.59 Temos 9.60 dV x y z V dr, ,( ) = ∇ ⋅ ∇ = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ V V x i V y j V z k ∂ ∂ = ∂ ∂ = − ∂ ∂ = u x x u y y u z z6 6 2, e ∇ = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ u x y z u x x y z i u y x y z j u z x( , , ) ( , , ). ( , , ). ( ,0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 yy z k0 0, ). ∇ − = ∂ ∂ − + ∂ ∂ − + ∂ ∂ −u u x i u y j u z ( , , ) ( , , ). ( , , ). ( , , ).5 3 1 5 3 1 5 3 1 5 3 1 kk i j k= − −30 18 2 D V x y z a V x x y z a V y x y z a V z xa x y z ( , , ) ( , , ) ( , , ) (0 0 0 0 0 0 0 0 0 0= ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ ,, , )y z0 0 ∂ ∂ = ∂ ∂ = ∂ ∂ = V x x V y y V z z2 2 2, e 178 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciaturaem Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Logo, 9.61 Como â é um vetor unitário, versor do vetor u dado, vamos encontrar o módulo do vetor u: 9.62 Assim, 9.63 Logo, 9.64 • ExEmplo 8: Sendo 9.65 determine o vetor em que a derivada direcional no ponto (1,1,1) é máxima e encontre esse valor máximo. Em primeiro lugar, temos o vetor gradiente 9.66 e, portanto, como 9.67 9.68 A direção e sentido, segundo os quais a derivada direcional da função V é máxima, são os do vetor gradiente de V; logo, segundo o versor, 9.69 Como 9.70 o valor máximo procurado da derivada direcional é 6. ∂ ∂ = ∂ ∂ = ∂ ∂ = V x V y V x ( , , ) ( , , ) ( , , )1 2 3 2 1 2 3 4 1 2 3 6, e | |u = + + =4 8 13 5 2 2 2 13ˆ 5 5 5 a i j k= + − ˆ 2 2 2 13 4 8 2 6 13(1,2,3) 2 4 6 5 5 5 5a D V + −= ⋅ + ⋅ − ⋅ = V x y z xyz( , , ) = 2 ∇ = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ = + +V V x i V y j V z k yz i xz j xyz k2 2 2 ∇ = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ V x y z V x x y z i V y x y z j V z x( , , ) ( , , ). ( , , ). ( ,0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 yy z k0 0, ). ∇ = + +V i j k( , , )1 1 1 2 (1,1,1) 1 1 2ˆ 6 6 6 6 Va i j k∇= = + + ˆ ˆ ˆ| | . | | | |aD V V a V a V= ∇ ⋅ = ∇ = ∇ 179 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 • ExEmplo 9: Seja f(x,y) = 3x2 − 2y2. Encontre a derivada direcional de f no ponto (1,1) na direção que forma um ângulo de 120° com o eixo horizontal. Sendo f(x,y) = 3x2 − 2y2, temos: 9.71 Logo, 9.72 O vetor unitário que tenha a direção que forma um ângulo de 120° com o eixo horizontal é 9.73 Logo, 9.74 e, portanto, como 9.75 9.76 9.5 Perpendicular a uma superfície Consideremos uma função escalar de três variáveis 9.77 A equação 9.78 onde wi é uma constante, para cada i é a equação de uma superfície. ∇ = ∂ ∂ + ∂ ∂ = −f f x i f y j x i y j6 4 ∇ = −f i j( , )1 1 6 4 ˆ cos120 sen120a i j= ° + ° 1 3ˆ 2 2 a i j= − + ˆ ˆ aD f f a= ∇ ⋅ ˆ 1 3ˆ(1,1) (1,1) 6. ( 4). 3 2 3 2 2a D f f a = ∇ ⋅ = − + − = − − W W x y z= ( , , ) w W x y zi = ( , , ) 180 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Sendo wi uma constante, sua diferencial é nula. Escrevemos: 9.79 Tendo em vista que o vetor deslocamento pertence à superfície aludida, definida por 9.78 concluímos, de 9.79, que o gradiente de uma função escalar da forma 9.77 é tal que ele é perpendicular à superfície definida em 9.78. Assim, podemos dizer que a normal tem a direção do vetor 9.80 Em cada ponto P0 = (x0, y0, z0) pertencente a uma superfície, podemos determinar o vetor normal a ela passando pelo ponto P0. Esse vetor é dado por: 9.81 9.6 Plano tangente a uma superfície por um ponto Dada a função 9.82 que admite derivadas parciais contínuas no ponto P0 = (x0, y0), o plano de equação 9.83 é denominado plano tangente à superfície, que é o gráfico de f, no ponto (x0, y0, f(x0, y0)). dw W dri W wi = ∇ ⋅ = = 0 Figura 9.5: Direção da normal em pontos de uma superfície. n W W wi = ∇ = n x y z W x y z W wi 0 0 0 0 0 0, , , ,( ) = ∇ ( )= z f x y= ( , ) z f x y f x x y x x f y x y y y− = ∂ ∂ − + ∂ ∂ −( , ) ( , )( ) ( , )( )0 0 0 0 0 0 0 0 181 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Convém observar que a equação do plano tangente acima pode ser entendida como o resultado do produto escalar 9.84 onde o vetor ∂ ∂ + ∂ ∂ − f x x y i f y x y j k( , ). ( , ).0 0 0 0 é o vetor normal à superfície no ponto (x0, y0, f(x0, y0)). No caso de W = W(x, y, z), já vimos que ∇W x y z( , , )0 0 0 é normal à superfície de nível 9.85 no ponto (x0, y0, z0). O plano que passa por esse ponto e é perpen- dicular ao vetor ∇W x y z( , , )0 0 0 denomina-se plano tangente à superfície W(x, y, z) = wi no ponto (x0, y0, z0). A equação desse plano é obtida tomando o produto escalar 9.86 • ExEmplo 10: A equação do plano tangente à superfície dada por z = f(x, y) = x2 − y2 no ponto (x0, y0, f(x0, y0)) = (1, 2, −3) é: 9.87 isto é, 9.88 Agora 9.89 ∂ ∂ + ∂ ∂ − ⋅ − + − f x x y i f y x y j k x x i y y j( , ). ( , ). ( ). ( ).0 0 0 0 0 0 ++ −( ) =( ( , ).z f x y k0 0 0 Figura 9.6: Plano tangente a uma superfície. W x y z wi( , , ) = ∇ ⋅ −( ) =W x y z x y z x y z( , , ) ( , , ) ( , , )0 0 0 0 0 0 0 z f x y f x x y x x f y x y y y− = ∂ ∂ − + ∂ ∂ −( , ) ( , )( ) ( , )( )0 0 0 0 0 0 0 0 z f x x f y y+ = ∂ ∂ − + ∂ ∂ −3 1 2 1 1 2 2( , ).( ) ( , ).( ) ∂ ∂ = ∂ ∂ = − f x f y ( , ) ( , )1 2 2 1 2 4 e 182 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Logo, 9.90 de onde z − 2x + 4y − 3 = 0 é a equação do plano tangente à superfície dada no ponto (1,2,−3). Por outro lado, n i j k= − −2 4 é o vetor normal à superfície no ponto (1, 2, -3). Logo, a equação da reta normal é: 9.91 ou seja, 9.92 que são as equações paramétricas da reta normal procurada. • ExEmplo 11: Suponha que z = z(x, y) é uma função contínua que admite derivadas parciais contínuas e que é dada implicitamente pela equação x a y b z c 2 2 2 2 2 2 1+ + = . Mostre que x x a y y b z z c 0 2 0 2 0 2 1+ + = é a equação do plano tangente no ponto (x0, y0, z0), z0 ≠ 0. Vejamos: 9.93 acarreta, por derivação implícita, que: 9.94 derivando implicitamente com relação a x. Por outro lado, 9.95 derivando, agora, implicitamente com relação a y. Mas, então, 9.96 z x y+ = − − −3 2 1 4 2.( ) .( ) ( , , ) ( , , ) ( , , )x y z = − + − −1 2 3 2 4 1λ x y z = + = − = − − 1 2 2 4 3 λ λ λ x a y b z c 2 2 2 2 2 2 1+ + = 2 2 02 2 x a z c z x + ⋅ ∂ ∂ = 2 2 02 2 y b z c z y + ⋅ ∂ ∂ = ∂ ∂ = − ⋅ = − ⋅ ∂ ∂ = − ⋅ = − ⋅ z x x a c z c a x z z y y b c z c b y z 2 2 2 22 2 2 2 2 2 2 2 e 183 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Logo, a equação do plano tangente no ponto (x0, y0, z0) é: 9.97 de onde 9.98 isto é, 9.99 e, portanto, 9.100 9.7 Direções Normais a Superfícies e Tangenciais a Curvas Tomando um conjunto de três coordenadas Q1(x, y, z), Q2(x, y, z) e Q3(x, y, z) adotadas aqui como se fossem as mais gerais possíveis, consideremos o problema de determinar vetores normais a cada uma delas. Para cada superfície associada a um valor constante das coordenadas generalizadas, dada pela condição 9.2, podemos introduzir um vetor indicando a direção normal a essas superfícies. Temos, portanto, três direções normais a cada super- fície passando por um determinado ponto do espaço. 9.101 z z c a x z x x c b y z y y− = − ⋅ ⋅ − − ⋅ ⋅ −0 2 2 0 0 0 2 2 0 0 0( ) ( ) z z c z c x a x x y b y y. ( ) ( )02 0 2 2 0 2 0 0 2 0− = − − − − z z c z c x x a x a y y b y b . . .0 2 0 2 2 0 2 0 2 2 0 2 0 2 2− = − + − + z z c x x a y y b x a y b z b . . .0 2 0 2 0 2 0 2 2 0 2 2 0 2 21 1+ + = + + = pois Figura 9.7: Vetores b1, b2 e b3 normais às três superfícies. b x y z Q x y z b x y z Q x y z b x y z Q 1 1 2 2 3 , , , , , , , , , , ( ) = ∇ ( ) ( ) = ∇ ( ) ( ) = ∇ 33 1 1 x y z b x y z i x j y k z Q x y z , , , , , , ( ) ⇔ ( ) = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ (( ) ( ) = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ ( ) ( ) = b x y z i x j y k z Q x y z b x y z 2 2 3 , , , , , , ii x j y k z Q x y z∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ ( ) 3 , , 184 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 A curva representada pelo encontro de duas superfícies tem vetores tangentes a ela em cada ponto, vetoresesses dados por: 9.102 onde fica subentendida pela notação, que, por exemplo, b∗1(x, y, z) é um vetor tangente às curvas definidas pelas condições: 9.103 e que, ademais, esse vetor indica a direção de valores crescentes, ao longo da curva, da coordenada Q1. De acordo com as definições acima, verificamos que os vetores normais a superfícies são perpendiculares aos vetores tangentes e isso porque, como se pode verificar, a seguinte identi- dade é satisfeita: 9.104 Cada direção indica, por outro lado, a direção de máxima variação de cada coordenada. Tais vetores normais, no entanto, não são vetores unitários. Escrevemos, geralmente: 9.105 donde inferimos que os fatores hi são dados por: 9.106 b x y z x Q i y Q j z Q k r Q b x y z x Q 1 1 1 1 1 2 * * , , , , ( ) = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ = ∂ ∂ ( ) = ∂ ∂ 22 2 2 2 3 3 3 i y Q j z Q k r Q b x y z x Q i y Q j z + ∂ ∂ + ∂ ∂ = ∂ ∂ ( ) = ∂ ∂ + ∂ ∂ + ∂ ∂ * , , QQ k r Q3 3 = ∂ ∂ Q x y z Q Q x y z Q 2 20 3 30 , , , , ( ) = ( ) = b b Q Qi j i j ij⋅ = ∂ ∂ =* δ b h e b h e b h e 1 1 1 2 2 2 3 3 3 * * * = = = h bi i= * para i = 1,2,3. 185 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 E os versores ei são definidos, portanto, como: 9.107 9.8 Elementos de volume e de superfície O vetor deslocamento infinitesimal, escrito em termos das coordenadas generalizadas, é dado pela soma: 9.108 Assim, o vetor deslocamento infinitesimal para a curva associada à intersecção das superfícies de valores constantes das variáveis Q1 e Q2 constantes é dado por: 9.109 Portanto, o elemento de comprimento infinitesimal ao longo dessa curva será dado por: 9.110 Temos, assim, três elementos de comprimento infinitesimais: 9.111 e b h b bi i i i i = = * * * Figura 9.8: Vetores tangentes a curvas resultantes da intersecção de três superfícies. dr r Q dQ b dQ ii i i i i = ∂ ∂ = = = ∑ ∑ 1 3 1 3 * dr b dQ 3 3 3= * dl dr b dQ h dQ3 3 3 3 3 3= = = * dl h dQ dl h dQ dl h dQ 1 1 1 2 2 2 3 3 3 = = = 186 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 O elemento de volume infinitesimal, associado a volumes nos quais as coordenadas variam dQ, é dado por: 9.112 O elemento de superfície quando esta se encontra inteiramente na superfície Q3 = Q30 é: 9.113 Analogamente, podemos introduzir os elementos de superfície associados às superfícies Q1 = Q10 e Q2 = Q20. Eles são dados, respectivamente, por: 9.114 9.115 Assim, temos formas simples de determinar áreas contidas em superfícies e integrar sobre volumes delimitados por superfícies cujas formas são conhecidas. 9.8.1 Exemplo: Coordenadas Esféricas Definimos as coordenadas esféricas a partir das expressões: 9.116 Invertendo as relações acima, obtemos: 9.117 dV dl dl dl h h h dQ dQ dQ= =1 2 3 1 2 3 1 2 3 dS dl dl h h dQ dQ3 1 2 1 2 1 2= = dS dl dl h h dQ dQ1 2 3 3 2 3 2= = dS dl dl h h dQ dQ2 1 3 3 1 3 1= = x r y r z r = = = sen cos sen sen cos θ ϕ θ ϕ θ r x y z= + +2 2 2 ϕ θ = = + arctg arctg y x x y z 2 2 187 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 A superfície r = R (constante) Ou, equivalentemente, 9.118 corresponde a uma esfera de raio R. A superfície descrita por 9.119 Ou, equivalentemente, 9.120 descreve um semiplano, enquanto a equação 9.121 que implica a relação 9.122 descreve um cone de ângulo θ0. O encontro das três superfícies determina um ponto no espaço especificado pelas coorde- nadas (r0, θ0, φ0). x y z R2 2 2+ + = ϕ ϕ= 0 y x= tan ϕ0 θ θ= 0 x y z2 2 0+ = tgθ Figura 9.9: Superfícies associadas a valores constantes das coordenadas esféricas. Figura 9.10: Normais às superfícies esférica, cônica e semiplana. 188 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Os vetores bi(x, y, z), em coordenadas esféricas, são dados por: 9.123 Os vetores tangentes à curva determinada pela intersecção de duas superfícies são: 9.124 Donde inferimos que: 9.125 Nesse caso, os vetores normais e tangentes são vetores paralelos. Diferem apenas no valor do módulo. Por essa razão, é muito mais prático fazer uso de apenas um conjunto de vetores ortonormalizados. A esse conjunto de vetores denominamos er, eθ, eϕ. 9.126 b x y z r x y z i j k b x y z r , , , , sen cos sen sen cos , , ( ) = ∇ ( ) = + +θ ϕ θ ϕ θ θ (( ) = ∇ ( ) = + −( ) ( ) = θ θ ϕ θ ϕ θ ϕ x y z r i j k b x y z , , cos cos cos sen sen , , 1 ∇ ( ) = − +( )ϕ θ θ ϕ θ ϕx y z r i j, , sen sen sen sen cos1 Figura 9.11: Tangentes a curvas determinadas pela intersecção de duas superfícies. b x y z r r i j k b x y z r * * , , sen cos sen sen cos , , ( ) = ∂ ∂ = + + ( ) = θ ϕ θ ϕ θ θ ∂∂ ∂ = + − ( ) = ∂ ∂ = − r r i r j r k b x y z r r θ θ ϕ θ ϕ θ ϕϕ cos cos cos sen sen , ,* ssen sen sen cosθ ϕ θ ϕ i r j+ h h r h r r = = = 1 θ ϕ θsen e b b i j k e b b r r r = = + + = = + sen cos sen cos cos cos cos θ ϕ θ θ θ ϕθ θ θ θθ ϕ θ θ ϕ θ ϕϕ ϕ ϕ sen sen sen sen sen cos j k e b b i j −( ) = = − +( ) 189 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Esses vetores se constituem numa base ortonormal em coordenadas esféricas. O elemento de volume em coordenadas esféricas é dado por: 9.127 O elemento de superfície inteiramente contida numa esfera descrita por r = R é 9.128 Analogamente, o elemento infinitesimal de uma superfície contida no cone (superfície θ = θ0) é: 9.129 Assim, temos formas simples de determinar áreas contidas em superfícies planas, cônicas e esféricas. • ExEmplo 12 Determinar o volume delimitado pelas superfícies r = r1 e θ = θ1, θ = θ2 e φ = φ1, φ = φ2 (vide Figura 9.12). → REsolução: O volume solicitado é obtido a partir do produto de três integrais de funções de uma variável: 9.130 dV h h h drd d r drd dr= =θ ϕ θ ϕ θ θ ϕ 2 sen dS h h d d R d dr = =θ ϕ θ ϕ θ θ ϕ 2 sen dS h h drd r drdrθ ϕ ϕ θ ϕ= = 2 0sen Figura 9.12: Volume solicitado no exemplo 12. V r d d dr r dr d r r r r = = −( ) =∫∫∫ ∫ ∫2 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 ϕ ϕ θ θ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ θ θsen sen ϕϕ ϕ θ θ θ θ 2 1 2 1 2 1 2 −( ) ∫ ∫r dr d r r sen 190 9 Aplicações à Geometria Diferencial Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 Integrando em r e θ entre os limites propostos, encontramos: 9.131 Assim, o volume delimitado por uma superfície esférica de raio R e de abertura θ0 é: 9.132 • ExEmplo 13 Determine a área de uma superfície inteiramente contida numa esfera de raio R delimitada pelas superfícies θ = θ1 e θ = θ2, bem como pelas superfícies φ = φ1 e φ = φ2 (veja Figura 9.13). → REsolução: Tal área é dada pelo produto de duas integrais: 9.133 Assim, a área de uma calota delimitada pelo cone descrito pela condição θ = θ0 é: 9.134 Donde concluímos que a área de um hemisfério é A0 = 2πR 2 e que a área da superfície esférica é igual a 4πR2, resultados esses bastante conhecidos. V r r= −( ) −( ) −( )1 3 2 1 2 3 1 3 1 2ϕ ϕ θ θcos cos V R= ( ) −( )2 3 13 0 π θcos Figura 9.13: Área sobre uma esfera. A R d d R= = −( ) −( )∫∫ 2 2 2 1 1 2 1 2 1 2 ϕ ϕ θ θ θ θ ϕ ϕ ϕ θ θsen cos cos A R0 2 02 1= −( )π θcos 191 Fundamentos de Matemática II Licenciatura em Ciências · USP/Univesp · Módulo 2 9.9 Bases de Vetores Os vetores bi ∗ e bi, para i variando de 1 a 3, constituem-se em dois referenciais muito úteis. Assim, um vetor qualquer pode ser expresso em termos dos vetores de uma base - a base bi - da seguinte forma: 9.135 Podemos igualmente utilizar outros vetores - a base bi ∗ - denominada base dual. Utilizando essa base, escrevemos: 9.136 As duas bases definem dois tipos de componentes de um vetor. As componentes contravariantes (V i) e covariantes (Vi) são obtidas a partir das projeções: 9.137 e 9.138 Observe que os vetores bi e bi ∗ não são, necessariamente, versores. Podemos construir dois tipos de versores dividindo cada vetor pelo seu respectivo módulo. V V bi i i = = ∑ 1 3 V V bi i i = = ∑ * 1 3 V V bi i= ⋅ * V V bi i= ⋅ Agora é a sua vez... Continue explorando os recursos de aprendizagem disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem e realize a(s) atividade(s) proposta(s). 9.1 Introdução 9.2 Tangentes e perpendiculares a Curvas 9.2.1 Vetores Normais a uma Curva e Raio de Curvatura 9.3 Diferencial total de uma função escalar 9.4 Derivada numa Direção e Máxima Derivada Direcional 9.5 Perpendicular a uma superfície 9.6 Plano tangente a uma superfície por um ponto 9.7 Direções Normais a Superfícies e Tangenciais a Curvas 9.8 Elementos de volume e de superfície 9.8.1 Exemplo: Coordenadas Esféricas 9.9 Bases de Vetores