Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE ESTACIO DE SÁ CURSO DE GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA Miguel Gonzalo Zapata de Arruda PCC – Prática como Componente Curricular Didática O Uso da Didática no Exercício da Docência Goiânia, GO 2021 A charge em questão trata de tendências pedagógicas e expressa de maneira enfática e realística uma má aplicação da pedagogia liberal sob tendência tradicional. Embora esta tenha efeitos positivos, seus riscos e perigos – na charge, a valorização de uma única cultura por parte da professora; a inadaptação cultural por parte dos alunos nordestino e sulista; e a impregnação nos outros alunos a uma aceitação passiva da aculturação agressiva – trazem consequências drásticas para a educação e sociedade. Eu, por exemplo, cursei o ensino médio em um colégio onde as salas com a letra A concentravam os melhores boletins e a letra G (última turma) sobrava para os alunos vindos do interior e de outros estados. Por sempre ter uma inclinação à preleção e simpatia às ciências humanas, eu dava monitorias para colegas da turma G. Aos 16 anos, sem conhecimento de didática e pedagogia, era-me nítido que o problema não estava nos alunos, mas na forma com que o conteúdo lhes era exposto. Lembro de um dia escrever no quadro toda a trajetória da Primeira Guerra Mundial, para um conjunto de amigos vindos da mesma área rural do interior de Goiás. Busquei fazer analogias e comparações utilizando elementos que lhes era comum, da roça, e me chamou a atenção vê-los associar e conversar entre si, pontuando suas opiniões, escolhendo lados, emergindo um debate, suposições e desenvolvendo senso crítico. Hoje, tendo maior contato com o recurso da didática e das tendências pedagógicas, caso estivesse na posição da professora da charge, eu certamente aproveitaria a deixa dos alunos nordestino e sulista para introduzir os aspectos culturais de cada região. Meu primeiro passo seria ouvi-los e dividir no quadro cada tópico levantado por eles acerca de suas regiões, para, a partir de suas percepções, apontar as diferenças entre Nordeste e Sul. Uma abordagem progressista de tendência libertadora onde o tema gerador parte da vida prática dos alunos; um bom ambiente para grupos de discussão. Caminhando para uma tendência crítico-social dos conteúdos, eu aplicaria uma atividade que relacionaria, por exemplo, as sensações de ambos os alunos acerca dos climas quente e frio, do Nordeste e Sul, respectivamente, para ensinar todos os tipos de clima e suas variações no Globo. Ligaria percepções pessoais para conectar ao global; parindo de conceitos específicos aos mais gerais. Por fim, meus métodos avaliativos seriam um trabalho em grupo para autoavaliação e evidenciação de progresso, e uma prova escrita que considere e aborde os contextos sociais somados às aulas expositivas, para uma sistematização da aprendizagem de modo vívido, prático, próximo e aplicável. Ao explanar este planejamento, o maior conselho que eu me daria no exercício da docência seria: considere os pontos positivos de cada autor, movimento e tendência pedagógica, para uma didática responsável, conscientizadora, agregadora e harmônica.