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BRONCOPNEUMONIA DOS BEZERROS Clínica Médica de Grandes Animais Prof. Ms. Rodrigo Tavares Nieman ▪ Processo inflamatório que acomete as vias aéreas posteriores; ▪ Brônquios, bronquíolos e parênquima pulmonar/pleura; ▪ Incidência: 8,7-15% (animais jovens entre 2-6 semanas de idade); ▪ Multifatorial (ambiente, manejo e patógeno); ▪ Prejuízos econômicos: queda da produção, interferência no crescimento e engorda, custos com tratamento e óbito. ▪ Elevado grau de lobulação; (forte independência dos segmentos) ▪ Processos inflamatórios limitados por septos de tecido conjuntivo, entre segmentos doentes e saudáveis; Vias aéreas estreitas Caixa torácica rígida Volume pulmonar pequeno Compartimentalização pulmonar Trocas gasosas menos efetivas Atividade macrofágica alveolar mais lenta Menor velocidade de limpeza pulmonar Fatores Endógenos (imunidade colostral) PARTO Fatores Exógenos (tempo do parto) Elevação de cortisol Asfixia (diminuição do reflexo de sucção/deglutição) Alteração do perfil leucocitário Deficiência e/ou retardamento na ingestão de colostro IMUNOSSUPRESSÃO Susceptibilidade a doenças Diarreia (mais comum) Septicemia (E. coli) Infecções umbilicais AFECÇÕES PULMONARES ▪ Fatores associados/predisponentes - Adaptações diversas; - Transporte por longos períodos (estresse) – “Febre dos transportes”; - Funções maturas (respiração, termorregulação e nutrição); - Funções imaturas (sistema imunológico). ▪ Fatores associados/predisponentes - Ambiente *Lotação/agrupamento de animais, tipo de bezerreiro, umidade, temperatura interna, ventilação e fluxo de ar, insolação, tipo de cama, agentes irritantes/inflamatórios. ▪ Fatores associados/predisponentes - Transferência da Imunidade Passiva (TIP) *Placentação; *Agamaglobulinemia/hipogamaglobulinemia (primeiros 30 dias – período crítico); *Imunidade colostral (70-90% dos bezerros que não ingerem colostro morrem); *Imunidade própria/individual; *Asfixia neonatal, distocias, prematuridade. ▪ Fatores associados/predisponentes - Mecanismos de defesa X Exposição ao agente etiológico *Ambiente contaminado (rico em antígenos); *Ar inspirado (filtração); *Transporte mucociliar; *Defesa/imunoglobulinas; *Doenças intercorrentes. ▪ Fatores associados/predisponentes - Desbalanço de 3 principais fatores: *Imigração microbiana (inalação de microorganismos); *Eliminação de microorganismos (clearance mucociliar, tosse e imunidade do hospedeiro); *Condições regionais de crescimento microbiano (disponibilidade de nutrientes, pH, temperatura, competição entre microrganismos regionais e presença de células inflamatórias). ▪ Fatores determinantes - Agentes virais *HVBo-1(herpesvirus bovino tipo-1); *VDVB (diarreia viral bovina) *PIb-3 (parainfluenza bovina tipo-3); *VRSB (vírus respiratório sincicial bovino). - Agente parasitário *Dictyocaulus viviparus ▪ Fatores determinantes - Agentes bacterianos *Pasteurella multocida; *Salmonella spp; *Mannheimia haemolytica; *Staphilococcus aureus; *Mycoplasma bovis; *Staphilococcus epidermoides; *Haemophilus spp; *Arcanobacterium pyogenes. *Mycobacterium spp; *Streptococcus spp. ▪ Fatores determinantes INTERAÇÃO ENTRE OS MICRORGANISMOS (Sinergismo x Competição) Determinante para o processo de colonização da mucosa respiratória Hospedeiro (imunidade, nutrição e bem-estar) Ambiente (ventilação, higiene, temperatura) ▪ Sinais clínicos - Síndrome febre e desidratação; - Anorexia/inapetência/perda de peso; - Relutância ao exercícios e alteração de padrão de mucosa; - Taquipneia (intensidade/amplitude); - Respiração “tipo abdominal’’; - Eupneia x Dispneia (inspiração e expiração); - Secreção nasal mucopurulenta e ocular; - Tosse úmida produtiva (geralmente). Batista et al., 2010 Gomes, 2016 ▪ Exame clínico - Reflexo de tosse; - Percussão torácica: *Som submaciço à maciço (tecido pulmonar solidificado ou diminuição da quantidade de ar no órgão = broncopneumonia ou abscessos); *Som timpânico (enfisema pulmonar ou pneumotórax). - Auscultação das vias aéreas posteriores: *Crepitação grossa (estertor úmido) / fina (estertor seco); *Ronco/sibilo/roce pleural/inspiração interrompida (áreas de silêncio pulmonar) Gaeta, 2016. ▪ Modelo de Ficha Clínica (Sistema Respiratório) ▪ Diagnóstico - Anamnese/histórico; - Manifestações e sinais clínicos; - Exames complementares: *Hemograma completo/Sorologia/Parasitológico; *Hemogasometria; *Lavado traqueal/traqueobrônquico/broncoalveolar (análises citológicas, microbiológicas e imunológicas); *Raio-X/Ultrasssom/Endoscopia (broncoscopia); *Toracocentese/biopsia pulmonar. ▪ Diagnóstico ▪ Tratamento - Antibioticoterapia (ATB) *Oxitetraciclina (5-10mg/kg); *Ampicilina (22mg/kg); *Penicilina Sódica (66000UI/kg); *Enrofloxacina (2.5mg/kg); *Danofloxacina (1.25mg/kg); *Tilosina (25mg/kg); *Lincomicina + Estreptomicina (15mg/kg); *Espiramicina (25mg/kg); ▪ Tratamento - Antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs) *Flunixin Meglumine; *Diclofenaco sódico. - Antiparasitários/antihelminticos *Sulfóxido de Albendazole; *Ivermectina. ▪ Tratamento - Outros *Fluidoterapia; *Salicilatos (Ácido acetilsalicílico); *Broncodilatadores (Clembuterol); *Mucolíticos (Bromexina); *Oxigenioterapia; *Antipiréticos. ▪ Achados de Necropsia Martins et al., 2017 ▪ Prevenção e controle - Favorecer ventilação, evitando umidade excessiva, correntes de ar e gases tóxicos nas instalações; - Higiene rigorosa ambiental e pessoal; - Evitar superlotação e manipulação desnecessária dos animais; - Garantir administração de colostro de boa qualidade e quantidade; - Fornecer boa alimentação ao rebanho, principalmente fêmeas gestantes; - Local adequado para separar as fêmeas no momento do parto; ▪ Prevenção e controle - Separar os animais em pequenos grupos de acordo com a idade; - Realizar a cura do umbigo corretamente logo após o parto; - Combater sistematicamente as doenças intercorrentes; - Monitorar o rebanho (identificar e isolar precocemente animais doentes; - Induzir e melhorar a imunidade adquirida especifica do rebanho contra os principais agentes etiológicos.