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M.M JUIZO DA 100ª VARA DO TRABALHO DE SÃO PAULO/SP Processo nº XXXXX CONSTRUTORA VIVER BEM LTDA., nos autos da Reclamação Trabalhista ajuizada por PEDRO CASTILHO, ambos já qualificados no presente feito, vem apresentar: CONTRARRAZÕES AO RECURSO ORDINÁRIO Para o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, com fulcro no art. 900 da CLT. Satisfeitos os mandamentos legais, requer seja a peça processual recebida e enviada à apreciação do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Termos em que pede juntada e deferimento. Local, dia, mês e ano. _________________________ Advogado OAB nº xxxx CONTRARRAZÕES A RECURSO ORDINÁRIO PELA RECORRIDA, CONSTRUTORA VIVER BEM LTDA. Egrégio Tribunal Colenda Turma Senhores julgadores I – TEMPESTIVIDADE A recorrida foi intimada acerca interposição do Recurso Ordinário do reclamante em 15 de junho de 2020, segunda-feira. Dessa forma, o prazo para apresentação das contrarrazões se iniciou em 16 de junho de 2020, terça-feira, e finda em 25 de junho de 2020, haja vista a contagem em dias úteis, conforme proconiza o art. 775 da CLT. Assim, são tempestivas as contrarrazões. II – MÉRITO II. 1 – VALE-TRANSPORTE O reclamante requer o provimento do Recurso Ordinário para que a reclamada seja condenada ao pagamento de valores relativos ao seu deslocamento de casa para o trabalho, e vice-versa. Invoca o art. 4º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o qual, segundo ele, somente exonera a concessão do vale-transporte para o “empregador que proporcionar, por meios próprios ou contratados, em veículos adequados ao transporte coletivo, o deslocamento, residência-trabalho e vice-versa, de seus trabalhadores” (BRASIL, 1987, [s.p.]). Aduz, ainda, que não há nos autos documentos que digam respeito à eventual renúncia ao recebimento do vale-transporte. Com a devida vênia, a decisão de primeiro grau não merece reparo, neste particular. A sentença foi certeira ao julgar improcedente o pedido sob fundamento de que o obreiro não utilizou de transporte público coletivo municipal ou intermunicipal, o que afasta o seu direito ao vale-transporte e, consequentemente, à restituição dos valores gastos para fins de deslocamento. Pede-se vênia para transcrever o art. 1º da lei 7.418/85, que estabelece que somente é devido o custeio do transporte, via vale, quando o transporte público é utilizado: Art. 1º Fica instituído o vale-transporte, (Vetado) que o empregador, pessoa física ou jurídica, antecipará ao empregado para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência-trabalho e vice-versa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais. (BRASIL, 1985, [s.p.], grifo nosso) A decisão de primeiro grau é justamente neste sentido, isto é, diante do incontroverso uso de outros meios de transporte, a situação do reclamante não se amolda à previsão legal. Invoca-se, mais uma vez, a jurisprudência do Colendo TST: (...) 6. VALE TRANSPORTE. INDEVIDO. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. PROVIMENTO. Cinge-se a controvérsia em saber se é devido o vale-transporte na hipótese em que o empregado utiliza veículo próprio para seu deslocamento até o trabalho. Conforme se extrai do artigo 1º da Lei nº 7.418/1985, a qual instituiu o Vale-Transporte, a finalidade do vale-transporte é custear as efetivas despesas que o empregado realiza com transporte coletivo público para o deslocamento entre sua residência e o trabalho, e vice-versa. Se assim é, não há respaldo para o fornecimento do benefício ao trabalhador que não possui tais gastos. Tanto é que o empregador fica exonerado de tal obrigação se ele " proporcionar, por meios próprios ou contratados, em veículos adequados ao transporte coletivo, o deslocamento, residência-trabalho e vice-versa, de seus trabalhadores. " (artigo 4º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a referida lei). E isso ocorre exatamente porque nessa hipótese o trabalhador não tem qualquer custo com a utilização de transporte. De sorte que, se o reclamante utilizar veículo próprio, tal como no caso dos autos, não preenche os requisitos para o recebimento do vale-transporte, nos termos do artigo 1º da Lei nº 7.418/1985, visto que não teve qualquer dispêndio com o sistema de transporte coletivo. Assim sendo, uma vez não demonstrado o preenchimento dos requisitos para o recebimento do vale-transporte, o reclamante não faz jus ao benefício. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (RR-200300-31.2001.5.02.0076, 5ª Turma, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, DEJT 10/11/2017). Dessa forma, pugna-se pelo não provimento do Recurso Ordinário interposto pelo reclamante. II. 2 – GRATUIDADE JUDICIÁRIA No tocante ao indeferimento da gratuidade judiciária, a r. sentença não merece qualquer reparo. É que auferia remuneração de R$ 3.000,00 (três mil reais) por mês, o que ultrapassa o limite estabelecido no § 3º do art. 790 da CLT. Dessa forma, requer o não provimento do Recurso Ordinário. II. 3 – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS A condenação aos honorários advocatícios deve ser mantida, ante a previsão contida no art. 791-A da CLT, que determina o seu pagamento mesmo quando o trabalhador for beneficiário da justiça gratuita, podendo ser descontado dos créditos a que eventualmente faça jus nesta demanda. Destaca-se, ainda, que o obreiro sequer faz jus a tal benefício, como consignado em sentença. Ainda que o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho lhe conceda este benefício, o que se admite somente em atenção ao princípio da eventualidade, ele terá que arcar com o pagamento dos honorários, nos termos do invocado art. 791-A da CLT. III – PEDIDO Diante do exposto, requer seja negado provimento ao Recurso Ordinário, interposto pelo reclamante, nos termos da fundamentação supra. Nestes termos, Pede e espera deferimento. Local, 25 de junho de 2020. ADVOGADO OAB Nº XXXX