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8-Obesidade e sindrome metabolica - Copia

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interior dos capilares sanguíneos do tecido 
adiposo, graças à enzima lipase lipoproteica, produzida pelas células adiposas, ocorre a hidrólise 
dos triglicerídeos dos quilomícrons e também das lipoproteínas (VLDL) plasmáticas. 
Seus componentes– ácidos graxos e glicerol – são liberados e se difundem para o citoplasma das 
células adiposas. No citoplasma dos adipócitos, eles se recombinam para formar novas 
moléculas de triglicerídeos, que são depositadas nas gotas lipídicas. 
Além de receber ácidos graxos pela circulação sanguínea, as células adiposas podem sintetizar 
ácidos graxos e glicerol a partir de glicose, processo que é acelerado pela insulina. Esse hormônio 
estimula também a penetração da glicose na célula adiposa e em outras células. Quando 
necessária, a hidrólise dos triglicerídeos é desencadeada principalmente por ação de 
norepinefrina. Esse neurotransmissor é liberado nas terminações pós-ganglionares dos nervos 
simpáticos que inervam o tecido adiposo e é captado por receptores da membrana dos 
adipócitos. Estes ativam a enzima lipase sensível a hormônio, promovendo a liberação de ácidos 
graxos e glicerol – processo chamado lipólise. Os ácidos graxos e o glicerol difundem-se pelo 
citosol para fora da célula, em direção aos capilares do tecido adiposo. 
Após penetrarem na corrente sanguínea, os ácidos graxos, que são quase insolúveis na água, 
ligam-se à parte hidrofóbica das moléculas de albumina do plasma sanguíneo e são 
transportados pela circulação para outros tecidos, nos quais serão utilizados como fonte de 
energia. O glicerol é solúvel no plasma, circula no sangue e é captado pelas células do fígado e 
de outros locais, sendo reaproveitado. 
Após longos períodos de alimentação deficiente em calorias, o tecido adiposo unilocular perde 
quase toda a sua gordura e se transforma em um tecido com células poligonais ou fusiformes, 
com raras gotículas lipídicas. 
 
 Secreção pelo tecido adiposo 
O tecido adiposo unilocular é também um órgão secretor. Ele sintetiza várias moléculas, como 
a lipase lipoproteica, que fica ligada à superfície das células endoteliais dos capilares sanguíneos 
situados em volta dos adipócitos e cliva os triglicerídios do plasma. 
A leptina é um hormônio proteico constituído por 164 aminoácidos, sintetizado pelos adipócitos 
e, em menor proporção, por outras células, e secretado na circulação sanguínea. 
Diversas células no cérebro e em outros órgãos têm receptores para leptina. Esse hormônio 
participa da regulação da quantidade de tecido adiposo no corpo e da ingestão de alimentos. 
Atua principalmente no hipotálamo, diminuindo a ingestão de alimentos e aumentando o gasto 
de energia. 
Outros hormônios secretados pelos adipócitos são a adiponectina, que diminui a liberação de 
glicose pelo fígado, e a resistina, com função hiperglicemiante. 
 Inervação do tecido adiposo. 
O tecido adiposo unilocular e o multilocular são inervados por fibras simpáticas do sistema 
nervoso autônomo. No tecido unilocular, as terminações nervosas são encontradas na parede 
dos vasos sanguíneos, e apenas alguns adipócitos são inervados. Já no tecido multilocular, as 
terminações nervosas simpáticas alcançam diretamente tanto os vasos sanguíneos como as 
células adiposas. O sistema nervoso autônomo (simpático) desempenha importante papel na 
mobilização das gorduras quando o organismo é sujeito a atividades físicas intensas, jejuns 
prolongados ou frio. 
Tumores do tecido unilocular: Os adipócitos uniloculares com frequência originam tumores 
benignos, os lipomas, geralmente encapsulados e removidos cirurgicamente com grande 
facilidade. Os tumores malignos dos adipócitos uniloculares, ou lipossarcomas, são muito menos 
frequentes do que os lipomas, porém de tratamento muito mais difícil porque facilmente 
formam metástases. Lipossarcomas costumam aparecer somente em pessoas com mais de 50 
anos de idade. 
TECIDO ADIPOSO MULTINODULAR 
Histogênese: Sua formação é diferente da observada no tecido unilocular. As células 
mesenquimais que formam o tecido multilocular tornam-se epitelioides, adquirindo um aspecto 
de glândula endócrina cordonal, antes de acumularem gordura. Não há neoformação de tecido 
adiposo multilocular após o nascimento, nem ocorre transformação de um tipo de tecido 
adiposo em outro. 
O tecido adiposo multilocular é também chamado de tecido adiposo pardo, por sua cor 
característica que se deve à vascularização abundante e às numerosas mitocôndrias 
encontradas em suas células. Por serem ricas em citocromos, as mitocôndrias têm cor 
avermelhada. 
 Ao contrário do tecido unilocular, que é encontrado por quase todo o corpo, o tecido pardo é 
de distribuição limitada, localizando-se em áreas determinadas – na região das cinturas 
escapular e pélvica. Esse tecido é abundante em animais que hibernam. No feto humano e no 
recém-nascido, o tecido adiposo multilocular apresenta localização bem definida. 
Como esse tecido não cresce, sua quantidade no adulto é extremamente reduzida. As células do 
tecido adiposo multilocular são menores do que as do tecido adiposo unilocular e têm forma 
poligonal. O citoplasma é carregado de inúmeras gotículas lipídicas de vários tamanhos e 
contém numerosas mitocôndrias, cujas cristas são particularmente longas, podendo ocupar 
toda a espessura da mitocôndria. 
No tecido adiposo multilocular, as células apresentam um arranjo epitelioide, formando massas 
compactas em associação a muitos capilares sanguíneos, assemelhando-se a glândulas 
endócrinas. O tecido adiposo multilocular é especializado na produção de calor, tendo papel 
importante nos mamíferos que hibernam. 
Na espécie humana, a quantidade desse tecido só é significativa no recém-nascido, tendo 
função auxiliar na termorregulação. Na época da saída da hibernação, ao ser estimulado pela 
liberação de norepinefrina nas terminações nervosas abundantes em torno das suas células, o 
tecido adiposo multilocular acelera a lipólise e a oxidação dos ácidos graxos presentes em suas 
células. Neste tecido, ao contrário do que ocorre em outros, a oxidação dos ácidos graxos 
produz principalmente calor e pouco trifosfato de adenosina (ATP). Isso se deve ao fato de suas 
mitocôndrias terem, nas suas membranas internas, uma proteína transmembrana chamada 
termogenina, ou UCP 1. Ela possibilita que os prótons transportados para o espaço 
intermembranoso voltem para a matriz mitocondrial sem que passem pelo sistema de ATP 
sintetase existente nos corpúsculos elementares das mitocôndrias. 
Em consequência, a energia gerada pelo fluxo de prótons não é usada para sintetizar ATP, sendo 
dissipada como calor. O calor aquece o sangue contido na extensa rede capilar do tecido 
multilocular e é distribuído por todo o corpo, aquecendo diversos órgãos. 
Nas espécies que hibernam, o despertar da hibernação se deve em grande parte à ação de 
estímulos nervosos no tecido multilocular, que, nesses casos, distribui calor pela circulação 
sanguínea e estimula os tecidos hibernados. 
Obesidade 
 Conceituação e classificação: 
A obesidade pode ser definida, de forma simplificada, como doença caracterizada pelo acúmulo 
excessivo de gordura corporal, sendo consequência do balanço energético positivo e que 
acarreta repercussões à saúde, com perda importante na qualidade e no tempo de vida. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a obesidade baseando-se no índice de massa 
corporal (IMC) definido pelo cálculo do peso corporal, em quilogramas, dividido pelo quadrado 
da altura, em metros quadrados (IMC = kg/h²(m)), e também pelo risco de mortalidade 
associada. 
A obesidade é caracterizada quando o IMC encontra-se acima de 30 kg/m². A OMS define a 
gravidade da obesidade em: 
-Grau I (moderado excesso de peso) quando o IMC situa-se entre 30 e 34,9 kg/m2 ); 
-Obesidade grau II (obesidade leve ou moderada) com IMC entre 35 e 39,9 kg/m2. 
-Obesidade grau III (obesidade mórbida) na