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Teresa Raquel – Med XV Agressão e Defesa 3º CICLO - CASO CLÍNICO II Haroldo, 46 anos, divorciado, mora com três pessoas no mesmo apartamento, trabalha com transportes rodoviários desde 15 anos de idade, atualmente caminhoneiro de empresa que presta serviços agrícolas. Nos últimos 10 anos, teve contatos sexuais com vários parceiros, demonstrando um comportamento promiscuo. Há alguns meses evidencia emagrecimento importante e procurou o clínico do posto avançado do SEST/SENAT preocupado, pois vem manifestando múltiplas lesões pelo tronco e que observou há algumas semanas, uma lesão peniana, que apresentava aspecto de pápula única e indolor com base lisa e bordas elevadas, mas melhorou espontaneamente. Refere levedurose recorrente nos últimos meses e uso de fluconazol 150mg. O clínico observou uma linfadenomegalia axilar importante, e após exames mais refinados realizados dias depois da primeira consulta, o clínico evidenciou lesões elevadas, tipo placa, com contornos arredondados e que ao exame de sensibilidade, o paciente não demonstrava sensibilidade tátil e à dor. Diante de todos os achados clínicos o médico requereu alguns exames laboratoriais. INTERPRETAÇÕES DO CASO: ➢ “Divorciado, mora com três pessoas” – contato direto com pessoas com comportamento diferentes aumenta chances de contaminações. ➢ “Comportamento promíscuo” – aumento do risco de infecções sexualmente transmissíveis. ➢ “Lesão peniana”- indicativo de IST. ➢ “Levedurose recorrente”- infecções por cândida. ➢ “Emagrecimento importante” – HIV? (solicitar diagnóstico sorológico). HIV - Necessidade de padrão Th1 eficiente, porém, com baixa imunidade, não há padrão responsivo. Imunossupressão. Elisa IgM e IgG por 2x, Western Blot e PCR – comprovação de diagnóstico de HIV. ➢ “Lesões elevadas do tipo placa, ... não demonstrava sensibilidade tátil e à dor” – Hanseníase? ➢ Baciloscopia: contagem de bacilos no escarro – Tuberculose? ➢ PPD: teste de intradermorreação/teste tuberculínico – demonstração de forte reação baseada no padrão de resposta imune Th1. PPD avalia resposta Th1 para bactéria da tuberculose, deve ser testado em todos os familiares em caso de diagnóstico comprovado de tuberculose. PPD positivo: paciente já teve contato com o microorganismo, e é assintomático. Tratamento para tuberculose deve ser realizado. ➢ VDRL (triagem não treponêmico – existem falso positivos) e FTA-ABS (pesquisa de anticorpos antitreponêmicos): testes para sífilis . ➢ Baciloscopia em amostras de linfa positiva: Hanseníase. – coletada em áreas periféricas frias, preferência das bactérias. ➢ Leucocitose com linfocitose e monocitose: patógenos intracelulares. Tuberculose • PATÓGENO: Mycobacterium tuberculosis – morfologia bacilar ou cocobacilar. Bactéria possui baixa antigenicidade, o que reduz o processo inflamatório que irá destruí-la. Séculos XVII e XVIII a tuberculoses foi responsável pela morte de mais de 25% de mortes em toda a Europa, e nas últimas duas décadas, as taxas permaneceram altas. Estreptomicina foi o primeiro antibiótico usado no tratamento da tuberculose, porém, hoje é ineficaz. Motivos da persistência da tuberculose: pobreza mundial, HIV/AIDS, multidroga-resistência, uma doença negligenciada, têm-se desinformação da sociedade. Teresa Raquel – Med XV * O diagnóstico da tuberculose é especialmente clínico. BCG vacina utilizando o mycobacterium bovis em sua produção, potencializa Th1 em crianças de até 5 anos de idade, diminuindo os riscos formas graves de tuberculose (miliar e meningoencefálica) - Reduz mortalidade infantil, não protege adultos. • ESPÉCIES DE RELEVÂNCIA MÉDICA: Mycobacterium tuberculosis → tuberculose no homem. Mycobacterium avium → tuberculose em HIV+. Mycobacterium bovis → tuberculose em bovinos. Mycobacterium leprae → Hanseníase. Os patógenos são aeróbios obrigatórios, imóveis, não formadores de esporos. Possuem alta infectividade e baixa antigenicidade. Não produzem toxinas, não possuem cápsulas e são parasitos intracelular de macrófagos. Possuem crescimento lento (15-20hs), o que retarda o desenvolvimento inflamatório e contribui para que tenha muitos doentes assintomáticos. Formação de colônias pequenas – meios seletivos. • Parede celular do mycobacterium tuberculosis: Ácido micólico (60%), glicolipídeos, arabinogalactano + peptideoglicano (fosfolipoglicanos). Proteção contra os lisossomas. Possuem alta permeabilidade à agentes hidrófilos. Peptideoglicano: antigênico e receptores para fagócitos. Ácido micólico: antigênico, induz produção de TNF-alfa e formação de granuloma, inibe a formação do fagolisossoma. (Esporadicamente são encontrados granulomas em raio-X com células em latência no seu interior). Lipoarabidomano (LAM), o seu percursor lipomano (LM), e manosido fosfatil-mio-inositol (PIM): ativam linfócitos e T, e resposta granulomatosa. LOS, PGL, GPL: antígenos capsulares que inibem as respostas linfoproliferativas e o stress oxidativo (NO e H202); Além disso, suprimem atividade dos macrófagos e apresentação antigênica, diminuindo a linfoproliferação. (Maneira da bactéria permanecer na célula.) ESX-1 codifica uma série de genes que codificam proteínas como ESAT6: causa lise de membranas de células. Granulomas intactos geram tecido fibroso, podendo em pacientes resistentes, causar cicatriz. Interferons - produzidos por padrão Th1 são importantes na manutenção do granuloma ativo. Muita resposta Th1 gera muitos interferons, liberação em excesso de NO e H2O2, inflamação alta e danos teciduais, por isso é necessário um equilíbrio no padrão responsivo. O método de coloração Ziehl-Neelsen permite diferenciar bactérias BAAR positivas e negativas. Ele consiste no tratamento do esfregaço com fuccina seguido de seu descoramento a partir de álcool (97%) e ácido clorídrico (3%), após ser lavado com água, o esfregaço é corado com azul de metileno. Bactérias BAAR positivas reterão a fuccina, corando-se de vermelho. As demais reterão o azul de metileno corando de azul. Teresa Raquel – Med XV • FATORES DE RISCO PARA TRANSMISSÃO: Número de organismos expelidos. Concentração de organismos. Tempo de exposição ao ar contaminado. Sistema imunológico do indivíduo exposto. → Surgimento de microepidemias em ambientes. Tuberculose: alta infectividade, baixa patogenicidade e baixo adoecimento. Os indivíduos que manifestam a doença podem desenvolver formas graves. • FATORES DE RISCO PARA TUBERCULOSE: Pacientes infectados com HIV – imunossuprimidos. Alcoolismo; Debates mellitus; Terapias imunossupressoras; Crianças até 5 anos tem risco de desenvolver TB miliar. • SUSPEITO DE TUBERCULOSE: Tosse seca (qualquer período) - mais de 3 semanas; Expectoração; Febre (vespertina); Sudorese noturna; Perda repentina de peso; Escarro hemoptoico; Contato com TB. • INFECÇÃO: Proliferação da bactéria, pós desequilíbrio do padrão de resposta imune - Th1 e Th2, gera reação inflamatória contínua, , necrose caseosa, inflamação dos tecidos. Macrófagos com granulomas em latência geram proliferação das bactérias. Tuberculose extrapulmonar ou secundária: afeta outros órgãos do corpo humano pela difusão das bactérias nos linfonodos, sangue, etc. Imagem radiográfica de tuberculose é no ápice do pulmão. Além disso, os pacientes relatam algum aspecto na história clínica que cause imunossupressão. – HIV, alcoolismo, etc. Pessoa infectada tosse, espirra pequenas partículas de saliva e muco no ar, outras pessoas inalam e se infectam. • TESTE DA TUBERCULINA (PPD) Ajuda a identificar pessoas infectadas pelo MB e que não tenham sintomas. Realizado em indivíduos assintomáticos e que tiveram contato com pessoas doentes. – Latentes. Pacientes sintomáticos é realizado:baciloscopia, raio-X e cultura para BK. Grande parte dos pacientes sintomáticos não tem padrão Th1 ,por isso o PPD daria negativo, o que não diagnosticaria a tuberculose. • INTERPRETRAÇÃO TB: Considerar positividade: vacinados <2anos → PT maior ou igual 10mm. Teresa Raquel – Med XV Vacinados > 2 anos, não vacinados ou imunossupressão (HIV) → PT maior ou igual 5mm. • INFLUÊNCIAS NA PROVA TUBERCULÍNICA, FATORES RELACIONADOS AO HOSPEDEIRO: Alta reação: infecção recente, TB crônica, contato frequente com Tb, Tb extra pulmonar. • EVOLUÇÃO DA DOENÇA: • SINTOMAS DA TUBERCULOSE Perda de peso, perda de energia, perda de apetite; Febre vespertina; Tosse produtiva e seca com escarro hemoptóico ou não (mais de 3 semanas). • ALTERAÇÕES NO RAIO-X: • TUBERCULOSE MILIAR Nódulos difusos em diferentes locais do corpo. Inflamação difusa no pulmão. • TUBERCULOSE DE REATIVAÇÃO –PNEUMÔNICA • EPIDEMIOLOGIA NO MUNDO: Maior problema de saúde pública no mundo. Cada pessoa com TB ativa não tratada infectará 10-15 pessoas por ano. Uma nova infecção ocorre a cada segundo. → NO BRASIL: TB- 9ª causa de internações por doenças infecciosas, 7º lugar em gastos com internação (SUS) por doenças Teresa Raquel – Med XV infecciosas, 4ª causa de mortalidade por doenças infecciosas. 40 milhões de brasileiros albergam o bastonete, 90 mil casos clínicos/ano. • TENDÊNCIAS NA TB CLÍNICA Países industrializados: 80% dos casos ocorre em indivíduos com mais de 50 anos de idade. Países em desenvolvimento: 80% dos casos são observados em indivíduos entre 15 e 50 anos. História pregressa (precária alimentação, condições de moradia, qualidade da gestação, hábitos das mães) contribuem para uma baixa imunidade no organismo desses indivíduos. • TENDÊNCIAS NO DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA TUBERCULOSE: Semeadura de amostras clínicas em meios de cultura à base de ágar. Meio Lowenstein-Jensen. Aplicações da cromatografia líquido-gasosa e da cromatografia líquida de alto desempenho. Baciloscopia – exame de escarro (Ziehl-Neelsen). Raio-X do tórax. Teste tuberculínico (PPD). - CUIDADOS NA COLETA DO ESCARRO: Em jejum, 2 litros de água no dia anterior, dormir sem travesseiro, no mínimo 2 amostras espontâneas, encaminhar para o laboratório o mais rápido possível. • PREVENÇÃO DA TUBERCULOSE: Vacina BCG – prevenção da tuberculose miliar em crianças, mas não previne a tuberculose pulmonar no adulto. Vacinação indicada em países cuja taxa de infecção é maior que 1% por ano. Hanseníase Doença infectocontagiosa, granulomatosa, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae que atinge a pele, mucosas e os nervos periféricos. É uma das enfermidades mais antigas da humanidade e foi durante séculos o agravo à saúde mais temido pela sociedade. Bactérias infectam macrófagos, infecção por via aérea – porta de entrada são os pulmões. A bactéria prefere temperaturas por volta/abaixo de 36 graus, o que não permite uma infecção sistêmica, o que a difere da bactéria da tuberculose. A bactéria da hanseníase se dissemina pelo sistema periférico linfático, preferencialmente, a pele. (Ponta do nariz, joelhos e cotovelos – maior chance de acometimento, por possuir menores temperaturas). Atropia em regiões periféricas, levando a limitações musculares, necrose e feridas por falta de impulsos nervosos e utilização do tecido. Além de macrófagos, as bactérias possuem afinidade com células de Schwann em células motoras. Possui baixa patogenicidade, morbidade e alta infectividade (grande número de pessoas expostas apresentam anticorpos contra o bacilo). • IMUNOLOGIA: A resposta imune adaptativa pode ser humoral (anticorpos) ou celular. Para uma fase latente, de contenção da bactéria, é necessário um equilíbrio dos padrões de reposta imune Th1 e Th2, sendo o Th1 mais responsivo. Imunossupressão de Th2: forma mais grave da doença - virchowiana. Multibacilar. Th1 exacerbado: forma tuberculóide - Paucibacilar. Teresa Raquel – Med XV Os linfócitos (LTCD4) direcionam a partir da produção de citocinas, perfil Th1 ou Th2. Pacientes com a forma tuberculóide, apresentam padrão de células Th1, limitando a doença a nervos periféricos específicos, havendo predomínio de IFN, TNF-alfa e IL-2, com ativação de macrófagos. Pacientes com a forma virchowiana não formam granuloma, havendo predomínio de IL-4 e IL-10, com supressão de IL-12 e do padrão Th1 e ampla produção de anticorpos. Na tuberculose, o exame de baciloscopia é pra diagnóstico, juntamente com a cultura, na hanseníase é somente para classificar pacientes em paucibacilar ou multibacilar. A forma paucibacilar não é identificado na baciloscopia, o resultado é negativo, somente a multibacilar dará resultado positivo. O diagnóstico da hanseníase é basicamente clínico, laboratorialmente não existe um teste que comprove, a não ser o PCR que é inviável. Mais de cinco lesões é multibacilar, menos de cinco é paucibacilar - tuberculóide. Teste de Mitsuda: teste de intradermorreação que depende do padrão de resposta do indivíduo. Exame para hanseníase: por meio de uma pinça hemostática, fazendo uma pressão nos dois cotovelos e um corte com o bisturi para pegar a linfa bem na superfície da pele. • MYCOBACTERIUM LEPRAE Parasita intracelular obrigatório, com afinidade pelos macrófagos e células dos nervos (células de Schwann). Bacilo álcool ácido resistente (BAAR). Ácido micólico – 27 a 30⁰C. Bacilo – 36hs no ambiente ou 9 dias em 36⁰C e 77% de umidade. Período de incubação prolongado - de 2 a 7 anos. • TRANSMISSÃO O homem é o único reservatório natural do bacilo. A principal via de eliminação do bacilo é a via aérea superior, representada pela mucosa nasal e orofaríngea de pacientes das formas multibacilares sem tratamento. Somente a forma multibacilar é transmissível, pois na paucibacilar o inóculo não é suficiente. Brasil: 25,2 mil casos em 2016. A via de penetração do bacilo também é representada pela via aérea superior. Menos frequentemente pode ocorrer a eliminação do bacilo através de lesões da pele e também sua penetração pela mesma, desde que exista solução de continuidade. • INFLUENCIAM NO ADOECIMENTO: Fatores ligados ao bacilo (exposição e inóculo); Fatore ligados ao doente (resposta imunológica); Fatores ambientais (sócio - econômicas, sanitárias). O médico precisa classificar o tipo de hanseníase pra indicar o tratamento correto. Paucibacilares ficam em tratamento por volta de 6 meses e multibacilares por volta de 12 meses. O comprometimento dos nervos é observado quando houver: Espessamento; Dor espontânea ou à palpação; Alteração da função sensitivo-motora da área de inervação. Teresa Raquel – Med XV • HANSENÍASE INDETERMINADA: Forma inicial da doença, caracterizada por área circunscrita hipoestésica ou mancha, em torno de uma até cinco, hipocrômica ou com periferia eritematosa, com diminuição das sensibilidades térmica e dolorosa, da sudorese e dos pelos, cura espontaneamente. Não há comprometimento de tronco nervoso. Apenas uma lesão e é mais comum em crianças. As baciloscopias de pele revelam bacilos, portanto, é forma paucibacilar e não contagiante. • HANSENÍASE TUBERCULÓIDE Th1 muito responsivo, o que acaba lesionando o tecido. Placa eritematosa. Representa a forma de forte reposta imune celular Th1, ou seja, os macrófagos e linfócitos organizam-se em granulomas, localizando a doença e determinado a morte bacilar. Lesões em placa (elevadas e totalmente preenchidas) ou de borda papulosa, sempre com limites visivelmente nítidos, eritematosas ou acastanhadas, alterações da sensibilidade térmica, tátil, dolorosa, com ausência de suor e rarefação depelos. Baciloscopia dará negativa por ser forma paucibacilar. Aparece de forma assimétrica com poucas lesões. Pode comprometer troncos nervosos, evidenciado por espessamento, e, às vezes, dor ou choque. • HANSENÍASE VIRCHOWIANA Representa a forma de fraca resposta imune celular (Th1). São pacientes imunologicamente susceptíveis – exibem padrão Th2. Forma multibacilar – muitos bacilos. Falta de sensibilidade em todo o corpo. Exames laboratoriais que podem dar falso positivos: VDRL, FAN, FR, anticoagulante lúpico... Manchas hipocrômicas tornam-se infiltradas por macrófagos e repletos de bacilos, formando as pápulas, placas e nódulos (hansenomas), eritêmato-ferruginosas, mal delimitadas, com diminuição das sensibilidades térmica, dolorosa e tátil. A disseminação difusa na pele determina: queda do terço externo da sobrancelha (madarose), congestão nasal, diminuição da sudorese, rarefação dos pelos, comprometimento de mucosas, ossos, olhos e nervos periféricos. As baciloscopias de pele são positivas, sendo a forma contagiante, multibacilar. • HANSENÍASE DIMORFA “BORDELINE” Lesões características das formas tuberculóide e virchowiana, com lesões eritemato-acastanhadas, em placas, acometimento neurológico – limitação das funções flexoras – mãos em garra, áreas de anestesia. Teresa Raquel – Med XV • MAL PERFURANTE PLANTAR A paralisia do nervo fibular é decorrente da presença intensa de bacilos. Este nervo inerva todas as estruturas da planta e interior do pé, promove uma diminuição da atividade muscular, e pela insensibilidade, promove o surgimento de úlceras pela paralisia e amiotrofia muscular. Além da pele lisa e seca devido as alterações em fibras autonômicas que inervam glândulas sudoríparas. • DEFINIÇÃO DE CASO: Pessoa que apresenta uma ou mais características a seguir, com ou sem história epidemiológica. Lesões ou áreas da pele, com alterações de sensibilidade. Acometimento neural com espessamento de nervo, acompanhado ou não de alteração de sensibilidade e ou força muscular. Baciloscopia positiva para Mycobacterium leprae. O diagnóstico é clínico, realizado através da anamnese e do exame físico com avaliação dermato-neurológica. Baciloscopia da pele: realizada no momento do diagnóstico independente da forma clínica. É positiva para forma multibacilar. • TESTE INTRADÉRMICO – MITSUDA Injeta-se na derme o antígeno lepromina. Pápula igual ou maior que 5mm, após quatro semanas, indica positividade. Expressa o grau de imunidade celular, é positiva nos pacientes tuberculóides, pela reposta Th1 – não faz diagnóstico. Só na forma tuberculóide o teste é sempre positivo. ATENÇÃO: Não existe diagnóstico laboratorial que confirme hanseníase! • VACINAÇÃO Todo usuário que for contato intra-domiciliar deve ter os nervos periféricos e a superfície cutânea examinados. Contato sadio: avaliar necessidade de aplicar BCG. • TRATAMENTO: Paucibacilar: 6 meses (Dapsona e Rifampicina) Multibacilar: 12 meses (Dapsona, Clofazimina e Rifampicina). Esquemas terapêuticos alternativos: Minociclina e Ofloxacina. • REAÇÕES: Períodos de inflamação aguda no curso da doença crônica que podem afetar os nervos. Esta inflamação aguda é causada pela atuação do sistema imunológico do hospedeiro que ataca o Mycobacterium leprae. Teresa Raquel – Med XV A inflamação em um nervo pode causar graves danos, como a perda da função originada do edema e da pressão do nervo. TRATAMENTO DAS REAÇÕES: Antiinflamatórios: AAS, Indometacina, Prednisona, Talidomida, Pentoxifilina. • ACESSO: A porta de entrada na atenção à saúde é a Unidade de Saúde a Família, devendo ser de fácil acesso ao usuário com suspeita de hanseníase. O agente comunitário de saúde representa o elo entre a população em risco de adoecer por hanseníase e a equipe de profissionais responsáveis pelo seu cuidado. O diagnóstico tem sido realizado mais precocemente no Brasil, porque o SUS tem o Programa de Agentes Comunitários de saúde da família em cada bairro que visitam as residências e identificam possíveis vasos, marcando consultas. • ATRIBUIÇÕES DO ACS: Identificar situações de risco para o indivíduo, a família e a comunidade e servir de elo entre usuário e unidade de saúde, mediante: - Identificação e encaminhamento dos casos suspeitos à unidade de saúde de sua área. - Orientação à família e à comunidade sobre a hanseníase na visita domiciliar e/ou reuniões comunitárias. - Orientação e encaminhamento dos contatos para exame e BCG. - Acompanhamento mensal de pessoas em tratamento, verificando data da última dose supervisionada, se toma medicação diariamente, conferir a aplicação de BCG nos contatos e incentivar e ensinar a realização do autocuidado. - Identificação e busca de pacientes faltosos ou em abandono. - Administração da dose supervisionada nos domicílios dos pacientes faltosos ao tratamento na unidade de saúde. - Identificação na visita domiciliar e encaminhamento para unidade de saúde dos pacientes com estados reacionais, efeitos colaterais a medicamentos e outras intercorrências. Sífilis Treponema pallidum – bactéria causadora da patologia. Possui uma membrana translúcida, o que impede que exista um corante para classificá-la em gram positiva ou gram negativa. A sífilis possui fases primária, secundária e terciária. Alguns indivíduos não manifestam a lesão primária pois é necessário uma quantidade mínima de bactérias para o diagnóstico. É importante salientar a forma congênita, que faz com que muitas crianças nasçam doentes. A forma de proteção é o uso de preservativos, por se tratar de uma doença sexualmente transmissível. A tendência de crescimento das taxas de transmissão adulta e congênita é ascendente/crescente nos últimos 20 anos. É considerada uma doença sistêmica que se inicia na mucosa genital e depois consegue se disseminar pelas vias linfáticas. As lesões são observadas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, com mais frequência. Alguns estudos mostraram que a sífilis é a DST mais associada à contaminação pelo HIV. • FASES: Incubação→ Primária→ Secundária. Latência recente: dura em torno de um ano, equivale a 75% dos pacientes que poderão manifestar a doença. Latência tardia: pode durar até 10 anos, fazendo com que o paciente não venha manifestar a forma terciária. Representa 25% dos pacientes. Terciária; Teresa Raquel – Med XV • EPIDEMIOLOGIA: Tudo gira em torno de políticas públicas e conscientização a respeito da prevenção, com uma ⁰educação de base melhorada e que alcance cada vez mais pessoas. • ETIOLOGIA: Microbiologicamente falando, sífilis é muito difícil de identificar. Diagnóstico existe, mas é necessário exames sorológicos com a dosagem de anticorpos antitreponêmicos, que indicam que o paciente sofreu uma infecção por sífilis. Treponema pallidum – bactéria espiroqueta de baixa antigenicidade que gera pouco estímulo inflamatório, pela presença de lipídeos em sua estrutura. Viável em meio favorável: por sete dias a 35⁰c ou a 48horas a 37⁰c. Sua membrana externa é composta predominantemente por lipídeos e por poucos proteicos, o que dificulta o desenvolvimento de testes sorológicos e de vacinas. Possui um filamento axial (endoflagelo) responsável por sua locomoção. Aonde a bactéria penetrar ela irá infectar macrófagos naquela região e gerar lesões, de forma convencional nas mucosas das genitálias, eventualmente, em outros locais do corpo. • TRANSMISSÃO: - Sexual: beijo ou toque em pessoa com lesões ativas nos lábios, cavidade oral, seios, genitália. - Congênita: ocorre mais frequentemente intraútero, apesar de ser possível a aquisição da infecção durante o parto (canal do parto). A sífilis congênitapode ser prevenida pelo tratamento antes de 16 semanas de gestação. Transfusão: rara, atualmente, porque existe testagem sorológica nos bancos de sangue, gerando diminuição da incidência. Além disso, o t. Pallidum não sobrevive mais do que 24-48 horas nas condições de armazenamento dos bancos de sangue. Acidental: inoculação direta por picada de agulha ou durante manuseio de material infectado. Mais comum entre profissionais da saúde. Maior infectividade nos estágios iniciais: Cancro duro, lesões de mucosa, condiloma plano. • CONTROLE: Educação continuada, prevenção sexual, exames de rotina (pessoas que conviviam com comportamentos promíscuos), busca de parceiros. Tratar todos os contatos recentes, a menos que seja possível rigoroso acompanhamento dos contatos com exames seriados. • PATOGÊNESE: O que determina a quantidade de incubação em cada indivíduo será o inóculo a que ele teve contato. Ele varia de tamanho em cada paciente. O período de incubação é proporcional ao tamanho do inóculo. Quanto maior o inóculo, menor o período de incubação. Teresa Raquel – Med XV O treponema se divide a cada 30-33 horas. Lesões clínicas aparecem quando é atingida a concentração aproximada de 107 microorganismos por grama de tecido. A resposta da defesa local resulta em ulceração no local de inoculação, enquanto a disseminação sistêmica resulta na produção de complexos imunes circulantes que podem depositar-se em qualquer órgão. • ESTÁGIOS CLÍNICOS: • INCUBAÇÃO: A maioria dos pacientes que controlam a infecção não progridem para a doença tardia. Vários fatores relacionados à bactéria e ao hospedeiro são desconhecidos. Resposta imune intensa do tipo celular: Inflamação resultante é responsável pela maioria das subsequentes manifestação clínicas. Mudança do tipo de resposta de predominantemente Th1 (celular) para Th2 (humoral) Evento crítico a favor do parasita e o desenvolvimento de infecção crônica. Escape a uma resposta efetiva dos sistema imune. Devido à pobreza de proteínas e lipoproteínas na membrana externa do microorganismo. Variações antigênicas resultam em uma subpopulação de espiroquetas resistentes à fagocitose pelos macrófagos. • FASE PRIMÁRIA: O cancro duro não se desenvolve em todos os casos ou pode ser tão discreto que não chega a ser percebido. Podem ocorrer lesões múltiplas, em HIV (+). Espiroquetas podem ser demonstradas nessas lesões. Desaparecem espontaneamente dentro de 2 a 8 semanas, mas podem persistir por períodos mais longos, especialmente me imunossuprimidos. • MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: • SÍFILIS PRIMÁRIA - Cancro no local da inoculação Início como uma pápula única indolor. Erosão e induração. Base lisa e bordas elevadas e firmes, consistência cartilaginosa. Lesão limpa, sem exsudato. Indolor, mas sensível ao toque. - Linfadenopatia regional indolor. Lesões gumatosas: são consequências de respostas granulomatosas crônicas. • FASE SECUNDÁRIA: Ocorre quando o número de treponemas (grande carga antigênica) está presente no corpo, particularmente na corrente sanguínea. Treponemas podem ser demonstrados em vários outros tecidos, especialmente pele e linfonodos. Teresa Raquel – Med XV Anormalidades laboratoriais ou a presença de treponemas ou ambos pode ser detectados no SNC, em até 40% desses pacientes. Nesse momentos, a resposta imune se torna bastante intensa e então pode se desenvolver um quadro de glomerulonefrite. Imunocomplexos de anticorpos ligados a proteínas depositado nos glomérulos dos rins. • SÍFILIS SECUNDÁRIA: Erupção cutânea não pruriginosa, máculo-papular, acometendo tronco, palmas das mãos e plantas dos pés. Linfadenopatia generalizada, indolor. Lesões de mucosa “em placa”. Febre, adinamia, astenia. • FASE LATENTE: Após o quadro secundário desaparecer, tem início uma fase de latência em que o diagnóstico somente pode ser feito através de uma resposta positiva a testes sorológicos para sífilis. Como recidivas de quadro secundário podem ocorrer até quatro anos após o contato, essa fase latente é dividida em: Latente precoce ou recente: recidivas possíveis; Latente tardia: recidivas muito improváveis; 75% das recidivas ocorrem no primeiro ano após o contato e são uma consequência de uma disfunção da imunidade celular (ex: durante o último trimestre da gravidez). • FASE TERCIÁRIA: Doença ativa com manifestações clínicas aparentes ou inaparentes; Desenvolve-se em até 1/3 dos pacientes não tratados; Maioria das lesões envolvem o vaso vasorum (aneurisma) da artéria aorta ou de artérias do SNC, ou ambos; O resto consiste principalmente de gumas, lesão granulomatosa (lesões tumorais podem ser encontradas na pele, na boca e na garganta ou ocorrer nos ossos). Envolvimento cerebral (neurosífilis) pode causar dor de cabeça, vertigem, visão borrada, distúrbios mentais, paralisia e demência. Manifestações clínicas: lesões gumatosas de pele, ossos e tecido celular subcutâneo. Lesões cardiovasculares: aneurisma de aorta, insuficiência aórtica. Neurossífilis. *Principalmente em imunossuprimidos. • SÍFILIS CONGÊNITA Risco de transmissão: 50 a 70% em gestantes com sífilis primária, secundária ou latente precoce. Pode ser assintomática em 2/3 dos casos. Baixo peso ao nascer, rinite, hepatoesplenomegalia, rash cutâneo, anemia, lesões ósseas. Bebês natimortos. O RN pode apresentar manifestações de sífilis precoce nos primeiros dois anos de vida ou mais tarde. Um dos problemas mais relevantes, em se tratando de sífilis é a transmissão vertical, de forma congênita. Em lugares de precárias condições sociais e baixa informação, o pré natal não é realizado, e é justamente nesse período que as mães são diagnosticadas com sífilis. Existe uma defasagem em políticas públicas que cheguem à população geral. Dependem do período gestacional, os danos são maiores ao bebê, sendo o primeiro semestre mais propenso a quadros graves, prematuridade. Até a 16º semana de gestação, existe a possibilidade de conter a transmissão. Mesmo a mulher estando na fase latente, ela transmite. • MAL FORMAÇÕES CONGÊNITAS: Lesões ósseas de sífilis congênita: geradas por necrose de epífises, devido à disseminação da bactéria, já que o bebê não tem uma resposta imune para combate-la. Teresa Raquel – Med XV Lesões perianais de sífilis congênita: • DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Raspada das lesões (Fontana-Tribondeau) Lesões de cancro duro, condiloma plano. Secreção nasal de recém-nascidos. • SOROLOGIA Existe dois tipos de sorologia para sífilis, treponêmicos e não treponêmicos. TESTES NÃO TREPONÊMICOS: VDRL: Positivo com títulos >1/16. RPR: Positivos 1-4 semanas após o cancro primário. (Semelhante ao VDRL) 6 semanas após a exposição. Negativos entre 6 e 12 meses. VDRL ou RPR : são não treponêmicos porque utilizam antigênicos para bactérias de coelhos, que são idênticos aos antígenos nos homens. Os não treponêmicos são utilizados para triagem. Após resultado positivo em um teste não treponêmico, é realizado um teste treponêmico para confirmar o diagnóstico de sífilis. TESTES TREPONÊMICOS: FTA-ABS ELISA Positivos antes do VDRL. Teste treponêmico ( FTA-ABS) negativo, descarta sífilis. Teste não treponêmico (VDRL) negativo, descarta sífilis e não precisa realizar FTA-ABS. Teste na primeira ou segunda semana de infecção pode dar VDRL negativo, porém é difícil de um diagnóstico ser realizado tão precoce. • INTERPRETAÇÃO DA SOROLOGIA: • EXAME DO LÍQUOR Ajuda a fazer diagnósticos diferenciais, investigação de neurosífilis, meningites, etc. Análise de celularidade, proteínas, VDRL. Indicado em casos de sífilis congênita, terciária, manifestaçõesneurológicas, estado latente, VDRL >1:16, HIV+ com quadro neurológico. • TRATAMENTO: Sífilis primária, secundária e latente com menos de 1 ano de duração: - Penicilina benzatina 2.400.000 U IM. - Doxiclina 100 mg via oral 12/12h por 14 dias. - Gestantes com alergia à penicilina: Eritromicina 40mg/Kg/dia por 14 dias Sífilis latente com mais de um ano de duração: - Penicilina benzatina 2.400.000 U IM 1 vez por semana por 3 semanas seguidas. - Eritromicina por 28 dias. Neurossífilis: - Penicilina cristalina G 3-4 milhões U IV 4/4h (16-24 milhões por dia) por 10-14 dias. Outras opções terapêuticas: Ceftriaxone, Azitromicina.