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PRÁTICAS DE ENSINO PARA A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL_ EDUCAÇÃO FÍSICA, ARTE E LUDICIDADE

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da Educação Inclusiva. 
 3 Conhecer projetos de Artes relacionados à Educação Inclusiva. 
 3 Relacionar os conhecimentos teóricos com as práticas que valorizam 
o	processo	inclusivo	de	alunos	com	deficiência	intelectual.
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 	Práticas	de	Ensino	para	a	Deficiência	Intelectual:	Educação	Física,	Arte	e	Ludicidade
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Arte e Ludicidade: Caminhos 
para a Inclusão do Aluno 
com Deficiência Intelectual
 Capítulo 3 
Contextualização
Este capítulo abordará a área das Artes e a sua relação com a ludicidade, 
bem	 como	 as	 possibilidades	 de	 inclusão	 do	 aluno	 com	 deficiência	 intelectual	
através	desta	área.
O trabalho com a Arte e a ludicidade contribui no desenvolvimento artístico, 
cultural e histórico de todos os alunos. A arte necessita ser compreendida como 
uma importante área do conhecimento a ser trabalhada na escola. Esta área 
vem ampliando seu espaço nos currículos, tendo em vista que as primeiras 
manifestações	 artísticas	 registradas	 datam	 desde	 a	 pré-história,	 conservadas	
através	das	pinturas	rupestres.
Neste capítulo abordaremos a importância do ensino da arte e suas relações 
com	a	ludicidade	com	foco	em	“todos”	os	alunos,	pois	acreditamos	na	necessidade	
de	 valorizar	 as	 produções	 de	 cada	 um,	 através	 do	 contato	 e	 da	 ampliação	 do	
repertório artístico e cultural. 
Arte,	Cultura	e	Inclusão:	Trajetória	
do	Ensino	da	Arte	na	Educação	
Inclusiva
A Arte está presente na vida das pessoas desde o início da 
humanidade	como	forma	de	comunicação	e	expressão.	Por	meio	das	
expressões	 artísticas,	 é	 possível	manifestar	 sentimentos	 e	 perceber	
o	mundo	de	forma	poética	e	sensível.	Assim,	ouvir	uma	música,	uma	
poesia,	 apreciar	 um	 quadro,	 uma	 fotografia,	 uma	 apresentação	 de	
teatro	ou	dança,	são	modos	de	sentir	Arte.	Sentir	Arte	é	um	processo	
pelo qual o ser humano conhece a respeito de si e do mundo. Assim, 
o trabalho com a Arte está relacionado à percepção, à emoção, à 
intuição, à sensibilidade. 
 
O trabalho com 
a Arte está 
relacionado à 
percepção, à 
emoção, à intuição, 
à sensibilidade.
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 	Práticas	de	Ensino	para	a	Deficiência	Intelectual:	Educação	Física,	Arte	e	Ludicidade
Figura 14 – Criança pintando
Fonte:	Disponível	em:	<http://www.correio24horas.com.br/noticias/
detalhes/detalhes-2/artigo/garotinha-de-cinco-anos-fatura-mais-de-
300-mil-reais-com-pinturas/>. Acesso em: 15 jan. 2013.
A Arte na escola, por exemplo, tem o papel de desenvolver a criatividade 
das crianças, possibilitando a expressão de sentimentos e de visão de mundo 
por	 meio	 das	 diferentes	 linguagens	 artísticas.	 Assim,	 a	 criança,	 quando	 cria,	
desenvolve	a	forma	de	pensar	e	de	comunicar-se	por	meio	da	Arte	e	normalmente	
o	faz	brincando.	
“A	arte	é,	por	conseguinte,	uma	maneira	de	despertar	o	indivíduo	
para	 que	 este	 dê	 maior	 atenção	 ao	 seu	 próprio	 processo	 de	 sentir”	
(DUARTE JÚNIOR, 1988, p. 65). Por meio da Arte, podemos conhecer 
e entender a cultura do nosso tempo, sendo este um processo 
fundamental	para	a	construção	humana	sensível.	
Para Pillotto (2004, p. 38), “A arte como linguagem, expressão 
e comunicação, trata da percepção, da emoção, da imaginação, 
da	 intuição,	 da	 criação,	 elementos	 fundamentais	 para	 a	 construção	
humana sensível.” Como vetor de construção humana sensível, a 
Arte possibilita contato com o mundo e consigo mesmo. Permite que, por meio 
dela, a criança conheça e compreenda o contexto onde está inserida, bem como 
desenvolva conhecimentos artísticos, culturais e históricos. 
Em se tratando desse contato da criança com o mundo, há muito tempo, 
Vigotsky (1998) já atentava para a importância de aprender por meio das relações 
com	 o	 outro,	 pois	 é	 por	 meio	 dessas	 relações	 que	 a	 criança	 desenvolve	 seu	
potencial, passa a observar-se e a perceber-se como sujeito de sua própria história. 
No	que	se	refere	ao	ensino	da	arte,	este	proporciona	aos	alunos	o	contato	
direto com imagens e obras de arte. 
A arte é, por 
conseguinte, 
uma maneira 
de despertar o 
indivíduo para 
que este dê maior 
atenção ao seu 
próprio processo 
de sentir.
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Arte e Ludicidade: Caminhos 
para a Inclusão do Aluno 
com Deficiência Intelectual
 Capítulo 3 
Figura 15 – Crianças apreciando obra de arte
Fonte: Disponível em: <http://ctamsap.com.
br/?pagina=noticias&acao=28>. Acesso em: 20 jan. 2013.
Este contato e o trabalho com as produções artísticas 
desenvolvidas	por	professores	no	contexto	escolar	permitem,	além	do	
contato com a Arte, momentos de criação e de expressão individuais 
e coletivos. Permitem ao aluno conhecer a realidade do seu tempo, a 
sua cultura e a sua história.
Se	 pretendemos	 de	 fato	 uma	 educação	 para	
a cidadania, que entenda os sujeitos como 
construtores de suas histórias, temos que garantir 
a	educação	estética	e	artística	nos	espaços	das	
instituições educacionais, talvez o único para 
a maioria das crianças, a única possibilidade 
para	 adentrarem	 no	 universo	 poético	 e	 estético	
(PILLOTTO, 2004, p. 59).
Garantir	 a	 educação	 estética	 e	 artística,	 como	 sugere	 Pillotto	
(2004),	 é	 papel	 do	 professor	 nos	 espaços	 educacionais.	 Além	 de	
compreender a Arte como possibilidade de desenvolvimento da 
criatividade de todos os alunos, pois, para Puccetti (2007), a arte-
educação nas escolas poderá servir como grande vetor de inclusão 
social, levando em consideração a diversidade humana no sentido de 
expressão, produção, imaginação e criação. 
A produção artística deve ser considerada sob 
a perspectiva da diversidade, propiciando a 
inclusão social, compreendida como abandono, 
paradigma	 da	 igualdade	 e	 da	 transformação	 da	
diversidade em singularidade, de ruptura com 
Se pretendemos de 
fato uma educação 
para a cidadania, 
que entenda os 
sujeitos como 
construtores de suas 
histórias, temos que 
garantir a educação 
estética e artística 
nos espaços 
das instituições 
educacionais, 
talvez o único 
para a maioria das 
crianças, a única 
possibilidade para 
adentrarem no 
universo poético 
e estético.
A produção 
artística deve ser 
considerada sob 
a perspectiva 
da diversidade, 
propiciando a 
inclusão social.
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 	Práticas	de	Ensino	para	a	Deficiência	Intelectual:	Educação	Física,	Arte	e	Ludicidade
a	 hierarquia,	 com	 a	 classificação	 segregacionista	 dos	 níveis	
cognitivos	e	demais	deficiências,	que	busca	não	o	tratamento	
especial, mas o singular e criativo. Nesse sentido, representam 
a possibilidade ilimitada de percepções do mundo e podem 
fugir	 ao	 sistemático,	 ao	 convencional,	 ao	normal,	 ao	modelo	
instituído,	pois	o	que	faz	a	diferença	é	o	olhar	que	se	tem	para	
a diversidade (PUCCETTI, 2007, p. 07).
A diversidade humana mencionada por Puccetti (2007) está passando 
despercebida	 nos	 ambientes	 escolares:	muitos	 professores	 ainda	 estão	 presos	
a	uma	concepção	de	educação	homogênea,	voltada	aos	conteúdos	que	deverão	
ser transmitidos, e distante do que pode ser chamado de educação para a 
diversidade.	São	poucos	os	professores	que	se	preocupam	em	observar	como	a	
criança	aprende	e	como	o	professor	ensina.
Entendemos	que	seja	fundamental	parar	para	refletir	sobre	o	modo	como	a	
criança aprende para que seja possível oportunizar uma educação voltada para a 
diversidade, uma educação que entenda os indivíduos como sujeitos construtores 
de	sua	própria	história,	a	qual	é	única,	carregada	de	particularidades	e	cultura.	
É por meio da Arte que podemos oportunizar o conhecimento da cultura e da 
história,	bem	como	o	conhecimento	das	diferentes	manifestações	populares	que	
ajudam a construir o contexto de cada indivíduo.
Segundo Barbosa (2000, p. 01), 
Todo	brasileiro	e	brasileira	 têm	garantido	pela	Constituição	o	
direito	de	através	da	arte	contemplar	sua	própria	cultura	e	a	
dos outros, qualquer que seja o seu nível intelectual e/ou a 
diferença	física,	mental	ou	social	que	ameaça	separá-lo/a	dos	
outros que constituem a maioria.
A inclusão
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