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Seminário Farmaco I – Diabetes
1- Discuta as vantagens e desvantagens no uso da insulina NPH e o porquê de combinações com outros tipos de insulina como a regular e lispro.
R= A insulina NPH é uma suspensão de insulina em um complexo com zinco e protamina em tampão de fosfato, que se dissolve gradualmente visando simular a secreção basal de insulina. Possui um tempo de ação intermediária, com início entre 1-2h, pico em 6-10h e duração de ação efetiva entre 10-16h. A insulina NPH tem absorção pouco previsível e com variabilidade de até 80%, o que aumenta o risco de hipoglicemia, especialmente à noite. Além disso, os pacientes devem injetar insulina NPH 2-3 vezes ao dia para assegurar os níveis de insulina suficientes ao longo de um período de 24 horas. 
Como as insulinas NPH de ação intermediária necessitam de várias horas para alcançar níveis terapêuticos adequados, seu uso geralmente exige suplementos de insulina de ação rápida antes das refeições. A associação de diferentes insulinas mimetiza o padrão de secreção fisiológica da insulina pancreática em resposta à ingestão alimentar através da aplicação de insulina de ação rápida (regular, lispro) antes de cada refeição e da secreção de insulina basal através da NPH (dividida em 3 ou mais doses/dia).
2- Descreva os efeitos colaterais das aplicações subcutânea de insulina e 
como evitar ou minimizá-las.
R= A lipodistrofia, é a complicação mais freqüente da terapêutica insulínica e se caracteriza por distúrbios da deposição do tecido subcutâneo, nos pontos onde a insulina é aplicada, sobretudo quando as injeções são feitas repetidamente na mesma área da pele. Outras referências às características da complicação, descrita como lipodistrofia são depressão local que muitas vezes é tão profunda que deixa visível o relevo muscular subjacente, denotando desaparecimento do tecido adiposo subcutâneo naquela área. 
Pode ocorrer também lipohipertrofia, que é caracterizada por lesões fibrosas e pobremente vascularizada, localizando-se no tecido adiposo subcutâneo. A rotatividade dos locais de injeção deve ser obedecida. É necessário evitar injeções no mesmo local durante pelo menos duas semanas. Quando injetando em local próximo ao local anterior, deve-se deixar uma distância de aproximadamente dois dedos entre uma injeção e outra. Outro grande fator de risco para a lipohipertrofia é o reuso abusivo da mesma agulha para a aplicação de várias injeções de insulina, quando a recomendação correta é a de se utilizar uma agulha nova para cada injeção.
3- O que é CETOACIDOSE DIABÉTICA e SÍNDROME HIPEROSMOLAR HIPERGLICÊMICA e qual o manejo farmacológico de ambas as condições?
R= O diabetes, quando não tratado, pode resultar em alterações metabólicas graves que podem comportar risco de vida agudamente, como cetoacidose diabética e estado hiperosmolar hiperglicêmico. Essas complicações exigem a hospitalização do paciente para administração de insulina, reidratação intravenosa e monitoração dos eletrólitos e dos parâmetros metabólicos.
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação aguda do Diabetes Mellitus (DM) caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica, desidratação e cetose, na vigência de deficiência profunda de insulina. Acomete principalmente pacientes com DM tipo 1 e geralmente é precipitada por condições infecciosas, uso inadequado de insulina ou desconhecimento do diagnóstico de diabetes. 
A CAD resulta da deficiência profunda de insulina, seja ela absoluta ou relativa, e do excesso de hormônios contra-reguladores, como glucagon, cortisol e catecolaminas. Assim, tecidos sensíveis à insulina passam a metabolizar principalmente gorduras ao invés de carboidratos. Como a insulina é um hormônio anabólico, sua deficiência favorece processos catabólicos, como lipólise, proteólise e glicogenólise. A lipólise resulta em liberação de ácidos graxos livres (AGL), que são oxidados e convertidos em acetil-CoA. Quando a produção de acetilCoA ultrapassa a capacidade de utilização hepática, a substância passa a ser convertida em corpos cetônicos.
O estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH), é uma complicação aguda, típica do diabético Tipo 2, caracterizada por uma descompensação grave do estado diabético com uma taxa de mortalidade ainda muito significativa. O quadro clínico dessa condição manifesta sinais e sintomas de hiperglicemia e hiperosmolaridade acentuadas, desidratação grave, com envolvimento, em grau variável, do sistema nervoso central.
 O paciente típico de tal complicação é, geralmente, idoso e adentra as unidades de emergência por acentuação das alterações de consciência, crises convulsivas e sintomas sugestivos de acidentes vasculares cerebrais. Os sinais de desidratação grave, levando a alterações sensoriais graves e choque circulatório, são sempre muito evidentes ao exame físico do paciente. 
Os exames laboratoriais iniciais são os mesmos indicados para o paciente diabético que chega em CAD, porém, o quadro é não cetótico (cetonúria negativa ou fracamente positiva (+)), devido à presença de quantidades suficientes de insulina para bloquear a cetogênese hepática.
4- Em relação ao uso das sulfonilureias, qual as principais precauções que os pacientes devem ter ao fazer uso desta classe de hipoglicemiantes orais?
R= As sulfonilureias são as mais antigas drogas utilizadas no tratamento de diabetes tipo 2. Elas estimulam a secreção de insulina por meio de ligação a um sítio específico (SUR1) no canal de KATP , inibindo sua atividade.
Alguns efeitos colaterais são relatados ao uso de sulfonilureia. Ganho de peso e o mais importante, hipoglicemia, que é mais comum com as sulfonilureias de longa ação, tais como a clorpropamida e a glibenclamida. A maior supressão da produção hepática de glicose e uma ligação prolongada com o receptor da célula B provocada pela glibenclamida têm sido apontadas como a explicação para a alta incidência de hipoglicemia com essa droga. 
São fatores que aumentam o risco de hipoglicemia em usuários de sulfonilureias:
- Dose excessiva e omissão de refeições;
- Atividade física excessiva e ingestão excessiva de bebidas alcoólicas;
- Idade avançada e algumas doenças associadas como insuficiência renal, hepática e adrenal. 
5- Qual o medicamente euglicemiante de primeira linha recomendado para o controle glicêmico em pacientes com DMII? Explique seus mecanismos de ação.
R= Metformina. Atualmente a metformina é o único membro da classe das biguanidas de agentes hipoglicemiantes orais disponíveis para uso. Ela é considerada euglicemiante, pois mantém os níveis normais de glicose sem estimular diretamente a síntese de insulina.
Foram propostos vários mecanismos para explicar a ação farmacológica central da metformina, a redução da produção hepática de glicose (PHG) principalmente pela sua capacidade de limitar a gliconeogênese. A metformina possui ações específicas sobre a respiração mitocondrial que reduzem os níveis celulares de ATP e aumentam o AMP. Evidências também sustentam a ativação da proteína-cinase dependente de AMP (AMPK) pela metformina.
A ativação da AMPK leva a estimulação da oxidação de ácidos graxos, à captação de glicose, e ao metabolismo não oxidativo da glicose e redução da lipogênese e da gliconeogênese no fígado.

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