Prévia do material em texto
Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 1 Coma Definição: · Coma, do grego κώμα, é um estado profundo de inconsciência mencionado pela primeira vez nas obras Ilíada e Odisséia, de Homero, no século 8 a.C. A palavra coma deriva do verbo grego Koimão, ou seja, ato de dormir que originou o termo koimeterion, que significa cemitério ou dormitório e foi usada inicialmente por Hipócrates (460 a.C.- 351 a.C.). · Resolver o enigma da inconsciência começa pela definição do seu oposto: a consciência. · Para a neurologia, consciência é a capacidade de estar alerta e interagir com o meio e as pessoas, possuindo pleno controle das funções cognitivas. · É o resultado direto do bom funcionamento do encéfalo. · O coma é o contrário de tudo isso: um estado de inconsciência gerado por algum tipo de lesão no encéfalo, que causa a morte ou desativação de um grupo de neurônios, desligando ou afetando seriamente a consciência. · A alteração do estado mental envolve prejuízo da consciência, que é composta por dois pilares: ® Conteúdo (avalia a função do córtex cerebral, que seria memória, julgamento e linguagem) ® Despertar (porção rostral do tronco encefálico à avalia a vigília/alerta). • A maioria das lesões que levam a alteração na consciência estão ligadas, de alguma forma, com a função do tronco encefálico. • Perder o controle do tronco encefálico leva aos mais graves estados de coma, podendo ser até mesmo irreversíveis. · Para que haja comprometimento do nível de consciência, são necessárias lesões hemisféricas bilaterais ou do sistema reticular ativador ascendente (SRAA à situado no tronco encefálico e responsável pelo controle da vigília), situado no tronco cerebral, responsável pela promoção da vigília. · As lesões podem ser de origem mecânica, estrutural, metabólica. · Quando as lesões são mecânicas ou estruturais existem a destruição anatômica das áreas do tronco encefálico ou dos hemisférios cerebrais · As lesões metabólicas são lesões funcionais e elas atingem o tronco encefálico e os hemisférios cerebrais de forma difusa. · Essas lesões levam a hipóxia, hipoglicemia ou alteração da resposta da membrana neuronal. ® Por exemplo, em um paciente com intoxicação por álcool, droga ou acúmulo de um metabólico tóxico (por uma cirrose por ex.) leva a alteração na membrana neuronal. · Lesão hemisférica UNILATERAL geralmente não leva ao coma. Deve-se ter uma lesão hemisférica BILATERAL. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 2 · A formação reticular do cérebro é muito antiga, constituída por uma rede de neurônios curtos que vão da zona central média do bulbo e do mesencéfalo. Essa formação reticular atua de forma ASCENDENTE através do diencéfalo à córtex cerebral. · As vias descendentes influenciam o sistema sensitivo motor na medula espinhal. · O sistema ativador reticular ascendente (SARA) atua na regulação do estado de vigilância, ou seja, as percepções só se tornam conscientes quando o córtex é estimulado por impulsos contínuos procedentes da formação reticular. Essas vias ascendentes se ramificam ao longo da formação reticular, no tronco cerebral, e contribuem para essa energia intrínseca ativadora. · Os estímulos sensoriais diminuídos facilitam o sono. · SARA é a formação reticular localizada superiormente a ponte até o diencéfalo. · Nível de consciência: relacionado com o grau de alerta comportamental, que se apresentará de acordo com a integridade ou não dos hemisférios cerebrais ou do tronco encefálico. · Conteúdo de consciência: relacionado com as funções cognitivas e afetivas do ser humano, como atenção, memória, julgamento, organização do pensamento, experiências subjetivas, que possuem uma região anatômica correspondente no cérebro. · Conforme o coma se aprofunda a capacidade de resposta do indivíduo diminui ou desaparece (mesmo a estímulos dolorosos). · Sempre tem que levar em consideração tanto o conteúdo, quanto o nível da consciência. · Estados relacionados ao conteúdo da consciência: · Lúcido: o paciente mantém orientação no tempo, no espaço e discurso com nexo. No dia a dia nós estamos lúcidos. · Confusão mental ou estado confusional agudo: o paciente possui reduzida compreensão e raciocínio, o que leva à perda de nexo do discurso por incapacidade de manter uma sequência coerente de pensamentos. ® Ex.: paciente idoso com 60 anos, mas diz que tem 23 anos. ® Pode ocorrer de forma permanente ou temporária, logo, o paciente volta a sua consciência basal (normal). · Demência: estado de declínio global das funções cognitivas, de forma irreversível. Possui evolução crônica e irreversibilidade. ® Demência é o que ocorre no Alzheimer. Não tem memória recente, diz bom dia várias vezes. Estados relacionados ao nível da consciência: · Vigil: paciente se mantém alerta com os olhos abertos espontaneamente. · Sonolento/Letárgico: mantém-se com os olhos fechados, pode ser facilmente desperto com estímulos verbais (sonolência) ou táteis (letargia), mas volta a fechar os olhos algum tempo depois da suspensão desses. ® Início do sono ou aqueles 5 minutos a mais que dormimos, se não por o alarme no soneca dorme nocamente. · Obnubilado: acorda com estímulos táteis vigorosos, mas volta a fechar os olhos rapidamente após a suspensão desses. Coexistem sonolência e confusão mental/agitação, com amplas flutuações do nível de consciência. ® Paciente que fiz uso de álcool, barbitúricos, benzodiazepínicos (diazepan). Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 3 · Torporoso: acorda com estímulos dolorosos, vigorosos e contínuos, voltando a fechar os olhos após a suspensão destes. ® O torpor é um pouco mais grave do que o estado de obnubilação. · Coma: não acorda com qualquer tipo de estímulo ® Diferença principal do sono profundo, no sono profundo também estamos inconscientes, mas com estímulos vigorosos acordamos (voltamos ao estado de vigília), o paciente em coma não volta a esse estado. Causas e Tipos: · De acordo com sua Etiologia, podemos classificar o coma em: ® Estrutural ® Metabólico: algum acometimento clínico que irá gerar essa condição. COMA ESTRUTURAL: · É caracterizado por lesões que comprimem, deslocam ou destroem o SRAA. 1. Lesão Supratentorial Unilateral 2. Lesão Supratentorial Bilateral 3. Infratentoria · A maior causa de como estruturas é de origem física, sobretudo, acidentes: os quais levam a TCE, sangramentos, hematomas extensos, abcessos cerebrais que comprimem estruturas do SRAA, entre outros. · Lesão Supratentorial Unilateral: ® Hematomas ® Infarto extenso ® Trauma cranioencefálico ® Abcesso ® Tumor · Lesão Supratentorial Bilateral: ® Trauma cranioencefálico ® Múltiplos Infartos ® Infarto talâmico bilateral ® Encefalite ® Gliomatose ® Hidrocefalia · Lesão Infratentorial: ® Hemorragia pontina ® Oclusão da artéria basilar ® Mielinólise pontina ® Acidente vascular cerebelar ® Tumor Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 4 COMA METABÓLICO: · É caracterizado por uma disfunção cerebral DIFUSA por comprometimento dos processos metabólicos ou orgânicos do cérebro. ® Desordens Metabólicas: como infecção, meningite. ® Desordens Orgânicas: como encefalite. ® Agentes Exógenos: intoxicação por anticonvulsivante, álcool, antipsicóticos, benzoadiazepínicos em excesso. ® Causas Psiquiátricas · Uma das causas pode ser o estado epilético (crise epilética grave, por consequência, rebaixa o nível de consciência). · Desordens Metabólicas: costuma ocorrer em pacientes graves, internados, que evoluem para desordens metabólicas. ® Hipoglicemia • Paciente diabético que toma remédio e não se alimenta, pode ter hipoglicemia levando ao coma. ® Hiperglicemia ® Hiponatremia ® Hipernatremia ® Hipercalemia: paciente letargico com poliúria, deve-se se repor cristaloides, cálcio. ® Na crise etilotóxicao paciente vai apresentar febre, sudorese, taquicardia. · Desordens Orgânicas: ® Uremia: paciente vai apresentar náusea, vômito, anorexia. ® Encefalopatia Hepática ® Hipercarpnia ® Hipotireoidismo ® Doença de Addison ® Hipopituitarismo · Agentes exógenos: ® Drogas (ilícitas e abuso de medicação) ® Inalação de Gases ® Hipotermia · Causas Psiquiátricas ® Coma Psicogênico Estatísticas: · No Brasil estima-se que 1 a 2% das consultas em pronto atendimentos correspondem a pacientes com alterações de nível de consciência. · O coma metabólico é a causa mais comum de alterações de nível de consciência. · Mas há também muitas causas de coma estrutural. · As principais causas de coma de origem estrutural são: AVC hemorrágico, hematomas subdurais e AVC isquêmico de tronco. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 5 ESCALA DE COMA DE GLASGOW: · Avaliar qual o grau de rebaixamento de nível de consciência do paciente. · Foi desenvolvida de cidade de Glasgow, em 1974. · Tem como objetivo traçar uma estratégia que combina os principais indicadores de gravidade do TCE em uma escala. · A escala tem três variáveis: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. · Quando o paciente pontua o máximo (paciente vigil, totalmente adequado) é 15. · Não há uma pontuação zero a pontuação mínima é 3 e a máxima é 15. · Resposta verbal: ® Se o paciente entende, forma frases, mas responde errado a pergunta pelo qual foi perguntado (ex.: idade que ele tem) indica paciente confuso, mas que conversa à pontuação 4. ® “Senhor, qual idade você tem?” Tem 60 anos, mas responde 19. à pontuação 4. ® Responde outra resposta qualquer, que não a idade, uma palavra inapropriada como “mãe”à 3. · Resposta motora: ® Responde aos comandos: pede para levantar braço direito e ele levanta à 6. ® Localiza dor: paciente não obedece a comandos, mas ao apertar o braço direito do paciente, ele localiza a dor e retira com o braço esquerdo a mão do examinador que está o apertando à pontuação 5. ® Retirada inespecífica: Paciente não localiza dor, só foge do estímulo doloroso. Foge, tenta virar para o lado, é como um reflexo à 4. ® Decortificação (perda do córtex): flexão dos membros superiores à 3. ® DescErebração (perda de todo o cérebro): Extensão forçada dos membros superiores à 2 • Como descerebrarão é a perda de todo o cérebro, é mais grave e recebe menor pontuação. · Abertura ocular: ® Olho aberto de forma espontânea à 4. ® Paciente está de olho fechado e o abre quando é chamado à 3. ® Só abre a estímulos dolorosos à 2. · Coma profundo: paciente com nota 3. · Paciente com nota 8 ou menos: Devem ser entubados, indica que o paciente não possui mais capacidade de sozinho conduzir suas vias aéreas. · A pacientes que não respondem aos estímulos, mas não estão em coma, por isso é importante realizar o diagnóstico diferencial do coma. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 6 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DO COMA: · Síndrome do cativeiro (Locked in): entre os diagnósticos diferenciais do coma, essa síndrome é bem comum. ® Nela o nível e o conteúdo de consciência são preservados. ® O paciente fica tetraplégico, disfágico, não consegue falar e possui muita dificuldade para deglutir. ® É um AVC de ponte ventral bilateral. ® Consegue piscar e fazer virada vertical dos olhos, ou seja, mover o olho para cima e para baixo. Comunicam- se por meio dos movimentos oculares. · Estado vegetativo (persistente se for há > 1 mês) ® Ausência de consciência, tanto de si, quanto do meio. ® Pode ter abertura ocular espontânea, ciclo de sono e vigília. Mas não obedece a comandos, não fixa o olhar. ® Não reage a estímulos do meio de forma intencional. ® Pode emitir sons incompreensíveis . ® Indica lesões hemisféricas extensas, que poupam realativamente o tronco. · Estado minimamente consciente: ® Paciente que obedece a comandos esporadicamente, como estímulos afetivos. ® Paciente direciona o olhar a objetos e vozes. ® Por exemplo: Resposta com choros ou sorrisos a certo estímulo, como ao ver os filhos (consegue sentir a presença deles). ® Indica lesões hemisféricas extensas com menor comprometimento cortical. · Abulia: ® Lesão frontal medial bilateral. · Mutismo acinético: ® Nível da consciência preservado. ® Dificuldades extensas em iniciar o movimento ou a fala (se não houver paralisia). ® Lesão dos lobos frontais inferiores, do mesencéfalo basal ou do diencéfalo. ® Possíveis causas: TCE, hidrocefalia mais grave, neoplasia, infecção, aneurismas volumosos. Sendo TCE. A principal causa. · Catatonia: ® Geralmente é um distúrbio de postura e rigidez, com um comportamento bizarro. ® Paciente fica muito tempo parado em uma posição bizarra. ® É grave e de difícil manejo. · Pseudocoma: ® Tônus muscular resistente a movimentação passiva dos membros. ® Ausência de reflexos patológicos. ® Resistência a abertura dos olhos (faz força para não abrir os olhos). ® Resistência as manobras óculo-cefálicas. ® As pupilas permanecem normais. ® É um transtorno psiquiátrico. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 7 EXAME NEUROLÓGICO DO PACIENTE CRÍTICO: · No exame do paciente em coma, devem-se avaliar o nível de consciência, tamanho e reflexo pupilar, movimentação extrínseca do olhar, resposta motora, presença de sinais focais e o padrão respiratório. · Nível de Consciência à Utiliza-se a escala de coma de Glasgow AVALIAÇÃO PUPILAR · A região mesencefálica é a responsável pelas alterações pupilares. Observa-se o diâmetro da pupila (em mm), a simetria (isocóricas) ou assimetria (anisocóricas) e os reflexos fotomotores (direto e consensual). · O diâmetro da pupila normal é de 3-4mm, sendo que pode haver uma pequena diferença entre uma pupila e outra. · avaliação pupilar pode nos direcionar para qual região ocorreu o insulto · Incide-se a luz em um dos olhos e depois no outro. No indivíduo normal. ® Depois de um período de latência ocorre o reflexo fotomotor direto (miose da pupila do olho que recebe a luz. ® Também há o reflexo fotomotor consensual (miose da pupila que não está recebendoa luz). Portanto, deve-se sempre observar os dois olhos. · Todo o controle das pupilas possui relações com o mesencéfalo. Dessa forma, danos ao mesencéfalo provocam alterações pupilares. · Nervo oculomotor (III par) inerva o músculo esfíncter da íris e o múculo ciliado que é o que provoca MIOSE SIMULTÂNEA NOS DOIS OLHOS. · O sistema simpático (mesencéfalo) tem muito influência nas pupilas. ® O 1º neurônio (central) tem origem no hipotálamo e vai até a medula cervicotorácica ao nível de C8 e T2 e realiza um sinapse no funículo lateral, onde está localizada o centro cilio espinhal de Budge. ® O 2º neurônio sai da medula e atinge o gânglio cervical superior (no ápice pulmonar) faz sinapse com o 3º neurônio (na artéria carótida interna) penetra na cavidade craniana e a órbita, atingindo o músculo radial da íris, provocando MIDRÍASE. · Pupilas talâmicas: pupilas PEQUENAS/ MIÓTICAS, com reflexo fotomotor presente. Ocorre nas lesões encefálicas (hipotalâmicas, de onde sai o 1º neurônio simpático). Pela lesão o estímulo que vai predominar nessas pupilas é parassimpático e as principais causas são: hemorragias no tálamo e hidrocefalia em pacientes idosos. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 8 · Pupila médio fixas: tem 4-5mm de diâmetro, lesões na região ventral do mesencéfalo, chamadas lesões pré-tectais. Tem ação tanto simpática, quanto parassimpática. São pupilas que não respondem a luz, encontradas na morte encefálica. · Pupila tectal/ pupila de Hippus: lesões no teto do mesencéfalo (região posterior), possui de 5 a 8 mm de diâmetro, com reflexo fotomotor negativo. Apresenta FLUTUAÇÃO NO SEU DIÂMETRO, essa flutuação que se chama HIppus. ® Hippus = cavalgar, pupila aumenta e diminui seu diâmetro.Se dilatam na pesquisa do reflexo cilio espinhal de Budge ® Pesquisa do reflexo cilio espinhal de Budge = dilatação pupilar rápida em resposta a estímulos dolorosos na face. · Pupila uncal/ pupila de lesão no III par (oculomotor): diâmetro grande (7mm) e reflexo fotomotor negativo. Causada por uma herniação transtetorial do uncus, também conhecida como hérnia de uncus (no lobo temporal), comprimindo o n. oculomotor. ® Promove uma MIDRÍASE FIXA. Sinal direto de hipertensão craniana descompensada. · Pupilas puntinas/ puntiformes: ficam muito pequenas (1 - 1,5mm), são bilaterias, reativas a luz (mas só consegue ver isso com uma lupa) e ocorrem por lesão simpática bilateral na ponte. ® Geralmente em um infarto ou em alguma hemorragia. É grave. AVALIAÇÃO DA MOTRICIDADE OCULAR EXTRÍNSECA (MOE): · MOE é feita pelos nervos cranianos: III, IV e VI (respectivamente os n.n. oculomotor, troclear e abduscente). Localizados no mesencéfalo e na ponte. · Avaliado pelos movimentos espontâneos e manobras que testam os reflexos oculoencefálico, oculovestibular e cutâneopalpebral. Reflexo oculocefálico: · Também chamado de olho de boneca · Faz aprensão da cabeça do paciente e rodar passivamente de um lado para o outro. Dessa forma, obtém-se um desvio dos olhos no sentido oposto ao da orientação do movimento. · Envolve velocidade e direção. · Se os olhos do paciente rodarem para o mesmo lado do movimento o reflexo é considerado positivo (alterado). · Se positivo sugere uma LESÃO NO TRONCO-ENCEFÁLICO. Reflexo oculovestibular: · Faz estimulação do labirinto. · Primeiro faz uma otoscopia, para se certificar que não há alteração timpânica. · Inclina a cabeça do paciente 30 º para que o canal semicircular responsável pelos movimentos horizontais dos olhos sejam estimulados e coloca-se através de uma seringa 30mL de água bem gelada em um dos condutos auditivo. Aguarda 1 minuto para a resposta. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 9 · Faz de um lado e depois de 5 minutos no outro lado. · A irrigação com água fria gera uma corrente de convecção no labirinto e a resposta NORMAL é a presença de NISTAGMO (abatimento lento) em direção ao ouvido irrigado, isso é uma resposta do tronco encefálico. Depois ocorre um movimento rápido em direção ao ouvido oposto (resposta do córtex frontal). · Resposta normal: o desvio tônico conjugado do olhar indica que não há lesão na ponte, nem no mesencéfalo. · Paciente que tem alteração tem uma lesão supra tentorial como causa do coma. Reflexo corneopalpebral: · Piscamento ao tocar a borda córnea com um filete de algodão. A resposta é BILATERAL. · Estimulação da córnea é transmitida pelo trigêmeo até o núcleo que fica na ponte. · Verifica função da ponte. PADRÃO DE RESPOSTA MOTORA NO COMA: · Nunca beliscar o paciente, faz uma pressão sobre o esterno do paciente. Aperta o esterno ou o ângulo da mandíbula. · Realizar sempre um estímulo tanto de um lado quanto do outro, para verificar se não há hemiplegia. · Se o paciente não tiver nenhuma força avaliar se o paciente possui decortificação e descerebração. · Flexão dos MMSS, sobetudo, cotovelo e punho, com adução dos ombros e extensão dos MMII à DECORTIFICAÇÃO (lesão no tálamo e mesencéfalo) indica lesões ACIMA do tronco encefálico ou na sua porção superior, ou seja, PERDA DO CÓRTEX. ® Na decortificação, muitas vezes, o paciente consegue se recupera. · DESCEREBRAÇÃO: lesões bilaterais, superiores ao núcleo vestibular bulbar. Lesão na via que inibe a musculatura extensora, o que estimula os m.m. extensores e inibe os flexores. É BEM MAIS GRAVE e costuma ser irreversível. ® Como paciente extende os quatro membros, é comum que a descerebração seja confundida com uma crise epilética. Também há rotação interna dos cotovelos e punhos. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 10 PADRÃO RESPIRATÓRIO NO PACIENTE COMATOSO: · O centro respiratório também é bulbar. · Expiração é passiva. · Os quimiorreceptores, localizados no bulbo carotídeo, sentem quando há menor quantidade de oxigênio plasmático. Padrão respiratório no paciente comatoso: · Cheyne - Stokes: períodos alternantes de hiperventilação, uma diminuição progressiva da amplitude até uma hipoventilação, intercalados com apneia. ® Comprometimento no telecéfalo (lesão hemisférica bilateral) ou no tálamo e hipotálamo. ® Também pode sinalizar, precocemente, uma herniação transterritorial. Ocorre no coma metabólico, na Insuficiência cardíaca esquerda. ® Também pode ocorrer em pessoas normais durante o sono. · Hiperventição neurogênica central: Rápida e sustentada. FC: 40 a 70 incursões/ minuto. ® Lesões da ponte ou do mesencéfalo inferior. ® Diagnóstico diferencial: sepse, meningoencefalite, cetoacidose, hipoxemia devido comprometimento pulmonar. · Respiração apnêustica: Tem um platô e depois uma pausa. ® Lesão em um seguimento mais baixo da ponte. ® Há períodos de uma respiração bem rápida, depois uma parada, seguidos de respiração profunda e prolongada. ® É raro e indica que o paciente teve um infarto contínuo, com oclusão da artéria basilar (loc. no bulbo). · Respiração atáxica/ de Biot: ritmo breve, completamente irregular, as vezes puxa mais volume, as vezes menos, altera períodos de apneia, com uma respiração mais superficial e profunda. ® Lesão bulbar ou de segmentos superiores da medula. Comum na Hipertensão intracraniana. · Respiração em salvas: mov. respiratórios periódicos, de amplitude e frequência irregular. Parecida com a respiração atáxica mas, possui intervalos maiores de respiração. Lesão da porção inferior da ponte e superior do bulbo. Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 11 TRATAMENTO DO COMA: · Primero de tudo dar suporte ao paciente. · Controle de vias aéreas (ECG < 8 à Entubação) · Controle de ventilação e oxigenação · Estabilização circulatória · Estabilização da Coluna Cervical (trauma) · Estabilização da Glicemia (muitos pacientes diabéticos entram em coma por hipoglicemia) · Cuidados para crises epilépticas · Prognóstico (comas mais graves tem prognóstico mais rervado) · Etiologia da doença (e direcionar o tratamento de acordo com a etiologia). ® Ex.: coma por sepse, necessita de uma reposição de volume. Coma por AVC hemorrágico requer uma estabilização da pressão · Profundidade do coma · Grau de lesão inicial · Lesões secundárias (hipóxia, hipotensão, hipertensão intracraniana) · Comorbidades presentes Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 12 Vertigem Definição: · Vertigem é uma causa muito comum de consultas médicas, não apenas nos neurologistas. · Procurar definir o que é “tontura” à Tontura é um sintoma inespecífico. · É vertigem mesmo? Na anamnese, avaliar sinais e sintomas · Definir onde está a lesão? É central ou periférica? · É necessário internar o paciente? · Vertigem é a sensação ilusória de movimento. Paciente relata um movimento rotacional, como se estivesse em um barco, é uma sensação muito individual. · O sistema vestibular é nosso sensor de movimento. Ele reconhece a posição angular da nossa cabeça, movimento de flexão da cabeça, a velocidade em que isso acontece, a orientação dos nossos olhos, relação da cabeça com o corpo e do corpo com o mundo. · Vertigem está diretamente relacionada ao olho, labirinto e propriocepção. Pra que exista o equilíbrio esses três sistemas têm que estar funcionando completamente. · Dentro do osso occipital, há os receptores do aparelho vestibular, o qual é dividido em duas partes: ® O sáculo e o utrículo. São estimulados pela aceleração linear e pela gravidade. ® 3 canais semi circulares dispostos em um ângulo de 90º entre si e dentro deles há a perilinfa. • Os 3 canais semicirculares possuem uma posição anatômica que conseguem perceber todos os movimentos da nossa cabeça(essa é sua importância). · As otocônias (são cristais dispostos sobre os cílios) que despolarizam as fibras aferentes que vão até o nervo vestibular e levam nossas informações até o córtex. · Nos canais semicirculares, as células ciliadas são excitadas pelo movimento circular da cabeça (rotação angular). Dentro desses canais semicirculares, há a endolinfa. ® Quando giramos a cabeça para o lado, pela inércia, a endolinfa fica parada por um tempo e faz o movimento contrário ao movimento angular da cabeça. ® A endolinfa estimula os cílios e gera uma despolarização que propaga uma aferência para o nervo vestibular. ® A importância do sistema vestibular a posição do nosso corpo em relação ao espaço, se estamos girando, se estamos andando em linha reta à SENSOR DE MOVIMENTO. É essencial para a postura corporal e postura dos olhos. ® Nossos olhos tendem a permanecer fixos em um ponto enquanto caminhamos e se rotacionamos, no início do movimento eles ficam fixos, mas logo, acompanham o movimento, também rotacionando. · O sistema vestibular tem uma projeção para o núcleo do nervo oculomotor e do abduscente (no tronco encefálico) que mandam projeções para a musculatura dos olhos. · Nistagmo-vestibular: manutenção da posição dos olhos. O nistagmo tem 2 fases: ® Fase rápida que é no mesmo sentido da rotação da cabeça (relacionada ao núcleo no tronco encefálico). Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 13 ® Fase lenta no sentido contrário a rotação da cabeça (função dos núcleo vestibular). Por isso quando alguém tem um comprometimento vestibular não consegue manter os olhos fixos enquanto se movimenta. Portanto, a fase lenta do nistagmo: mantém os olhos fixos. · Núcleo vestibular também está relacionada ao cerebelo, eles tem o mesmo núcleo vestibular. Também faz com que o movimento dos olhos esteja em consonância com o nervo oculomotor. · Lesão no núcleo vestibular pode causar uma repercussão postural Como é a tontura? · Sensação de cabeça vazia: não é vertigem. · Tontura é rotatória: otorrinolaringologia-neurologia · Tontura com desequilíbrio: neurologia · Sensação de falta de equilíbrio, de que vai cair, de que está mais leve do que o normal. Vertigem é a sensação rotatória. · Tontura é uma sensação de desequilíbrio corporal, uma instabilidade que pode ser do tipo rotatória ou não. · As vertigens são as tonturas do tipo rotatório caracterizadas pela ilusão de que o ambiente está se movendo ao seu redor. Início: · Agudo: lesão vacular no cerebelo ou tronco (circulação vertebrobasilar) · Episódica: neurite vestibular, doença doença de Ménière, AIT, migrânia vestibular · Episódica posicional: VPPB, posicional central · Crônica: doença de Ménière, migrânia vestibular à maioria dos casos é crônica. · Também é importante avaliar o gatilho dessa vertigem: um movimento brusco, bater a cabeça, algum movimento específico (como olhar para esquerda). Onde é a lesão? · A lesão é central ou periférica? à Analisar pela anamnese e exame físico. ® Da orelha média para fora: periférica ® Da orelha média para dentro: lesão central. à pode ser decorrente de uma intoxicação por álcool ou AVC de fossa posterior. · Há síndromes vestibulares episódicas provocadas, como por uma hipotensão ortostática (ocorre quando há uma súbita diferença de PA, paciente, sobretudo, idosos, sentem uma tontura devido a diferença de pressão. Causas: · Periféricas: ® Labirintite = neurite vestibular: inflamação do nervo vestibular. Relacionada a reativação do Herpes simples (mesmo vírus da paralisia de Bell à atinge pessoas de 30 a 50 anos, gerando tontura, vômito, alteração de marcha. Mesmo depois da crise a perda de equilíbrio pode permanecer até por meses). ® Doença de Meniére (tontura e perda de audição progressiva); Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 14 ® Vertigem posicional benigna; · Há vertigem paroxística posicional benigna (PPB): comum de ocorrer com 50 – 60 anos, paciente sente um grande mal estar após movimento brusco. Dura em torno de 1 minutos e passa, mas são episódios recorrentes. ® A razão dessa tontura é o otólito, concreções de carbonato de cálcio dentro dos canais semicirculares. Quando esse otólito sai de um desses canais e vai para um lugar onde não deveria estar. ® Conforme o paciente muda a posição da cabeça sente a vertigem. ® Há manobras para fazer o diagnóstico e manobras para tratar a vertigem. · Há vertigem paroxística posicional central: surge por uma intoxicação por álcool. · Centrais: ® Lesão cerebelar ou nas vias centrais • AVC de fossa posterior (compreende AVC de cerebelo e de tronco encefálico, envolve artéria cerebelar posterior, a qual irriga o bulbo e o cerebelo. Paciente apresenta: náusea, vômito, vertigem e perda de equilíbrio. • Cuidar para não confundir AVC de fossa posterior com embriaguez (pelos sintomas). Abordagem da vertigem à Red-flags para vertigem potencialmente grave: · Episódios prévios de vertigem breve, se já teve outros episódios. · Se a instalação foi abrupta · Sintomatologia desproporcional, muito grave ou não. · Se foi associada a outro sintomas, como cefaleia/dor cervical nova. · Hipoacusia nova à perdeu a audição jutno a vertigem. · Sinais neurológicos novos à Perda de força, formigamento, nauseado, dificuldade em deglutir a saliva. · Sonolência ou estado alterado de consciência novo Exame do paciente com vertigem: · Movimentos oculares; ® Se o paciente apresentar diplopia apenas em um olho, não é um problema neurológico, e sim, oftálmico. ® Diploplia nos dois olhos, tem que perguntar se essa imagem duplicada é uma em cima da outra (vertical) ou uma do lado da outra (lateral). · Sinais de disfunção vestibular; · Sinais de disfunção da fossa posterior; ® Paciente disártrico (dificuldade ao engolir) pode ser por um problema bulbar. ® Solução que não passa. · Marcha, postura e reflexos posturais; ® Lesão no tronco e no cerebelo gera marcha estrelada, paciente não consegue andar em linha reta, tende a cair para o lado. · Manobras específicas; Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 15 Abordagem da vertigem à Movimentos oculares: · Posição primária · Perseguição · Sacadas, convergência · Nistagmo · Teste de cover - desalinhamento e vertical e skew deviation Abordagem da vertigem à Sinais de disfunção vestibular: · Reflexos oculovestibulares - VOR/doll's eyes · Provas calóricas (ORL) · Teste do impulso cefálico (head-thrust test, Halmagyi-Curthoys test) Abordagem da vertigem à Sinais de disfunção da fossa posterior: · Disfunção de pares cranianos · Disartria · Disfonia · Disfagia · Ataxia cinética ou estática · Déficit de força muscular · Déficit sensitivo Abordagem na vertigem à Marcha, Postura e Reflexos Posturais: · Marcha (incluindo marcha pé-ante-pé/tandem) · Prova de Fukuda/marcha em estrela · Prova de Romberg · Pesquisa de reflexos posturais (pull test) Abordagem na vertigem à Outros: · Otoscopia e avaliação da audição (ORL) · VPPB · Hiperventilação · Compressão tragus, Valsalva, vibração, head shaking · Sempre: AC, PA (descartar hipotensão ortostática) e glicemia capilar Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 16 · HINTS: acrônimo pra uma série de exames. · Se a vertigem é central pensa-se em AVC, lesão na artéria vértebro basilar ou de tronco (como cerebelo). · HI do Hint é o Head Impulse Investigação complementar: · Tomografia · RM com DWI · ECG · Laboratório Vertigem central: · AVC de fossa posterior · Migrânia vestibular · Esclerose múltipla · Doenças degenerativas (ataxias) · Causas tóxicas, infecciosas, paraneoplásicas · Neoplasias de fossa posterior (Schuwanomma vestibular) · Malformação de Arnold-Chiari (junção craniovertebral) Semiologia Neurológica Isabelle Padilha 17AVC de fossa posterior: · Isquemia em território de AICA, · PICA (Síndrome de Wallerberg) · Basilar · Perfurantes · DeadlyD’s Migrânia Vestibular: · Migrânea vestibular é uma variante de migrânea cujos principais sintomas são vestibulares. · O sintomas vestibulares típicos surgem vários anos após o início da doença, quando a cefaleia pode ser menos frequente ou mesmo ausente.