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Resumo Supremo de Urologia – P2 Aula 1 – Disfunção Erétil Introdução Caracteriza-se por incapacidade de obter intercurso sexual por disfunção. Nos EUA, possui prevalência de 50% em pacientes entre 50 e 70 anos. As principais estruturas que participam do processo de ereção são: corpo cavernoso, corpo esponjoso, túnica albugínea e uretra. A ereção é um processo passivo: no estado de relaxamento, os corpos cavernosos se enchem de sangue (principal transportadora do sangue ao pênis: artéria pudenda interna) até que haja a contenção pela túnica albugínea. Quando isso ocorre, as veias da túnica albugínea são comprimidas, impedindo o retorno venoso e aprisionando o sangue. Na fase de detumescência, após o orgasmo, o sangue começa a retornar para a circulação até que se atinja a flacidez peniana. Existem 3 mecanismos da ereção: ereção noturna (diante de um estado de relaxamento, no sono REM. Não necessita de excitação, apesar de sua origem central), ereção por estímulo central (origem psicogênica, é estimulada pelos sentidos, não necessariamente com contato físico) e ereção por estimulação genital (necessita de contato ou estímulo sexual, não necessariamente genital, principalmente o vibratório). A EREÇÃO MATINAL É UM BOM PREDITOR DA INTEGRIDADE VASCULAR: ELA PERMITE AVALIAR SE A ETIOLOGIA DA IMPOTÊNCIA É UM DEFEITO ANATÔMICO. SE HÁ EREÇÃO MATINAL, NÃO HÁ DEFEITO ANATÔMICO. A ereção é dividida nas seguintes fases: flácida (mecanismo ativo – não há ereção), latente (início do transporte do sangue ao pênis), tumescente (ereção incompleta), ereção completa (preenchimento completo do sangue nos corpos cavernosos e colabamento das veias), ereção rígida (pico máximo da ereção, com queda da pressão parcial de O2) e detumescente (fase de relaxamento após o orgasmo). O período refratário entre ereções é, em média, de 20 minutos. A ereção depende da liberação de acetilcolina e óxido nítrico pelo endotélio, sob estímulo dos nervos colinérgicos. Diante do estresse, a liberação da adrenalina (antagonista da acetilcolina) impede o enchimento dos corpos cavernosos. Etiologias Psicogênica → dividida em 2 tipos: generalizado ou situacional. O tipo generalizado ocorre por falta de excitabilidade sexual, por declínio da excitabilidade sexual relacionado à idade (seletividade sexual), por inibição generalizada, ou por transtorno crônico da intimidade sexual. Já o tipo situacional pode estar relacionada com a parceira, situação de conflito ou ameaça, relacionado ao desempenho (estresse por desempenho prévio ruim), ansiedade de desempenho sexual, relacionado ao medo de falhar, concomitância com depressão ou estresse, falta de intimidade ou sensação de pressão. Orgânica → possui causas neurogênica (lesão do plexo vasculonervoso. Ex: iatrogenia pós prostatectomia radical), hormonais (causa indireta: ausência de testosterona leva a ausência de libido), venogênicas ou arteriais (não chega sangue suficiente ou há escape venoso – DM e hipercolesterolemia) ou induzida por fármacos (beta-bloq, BCCa, tricíclicos, antidepressivos, fármacos que retardam a ejaculação e Finasterida). Reflexo Central ou Periférico Estímulo sexual Relaxamento vascular e da musculatura lisa do corpo cavernoso Aumento do fluxo sanguíneo Aumento da pressão Ereção TODO PACIENTE COM DISFUNÇÃO ERÉTIL DEVE INVESTIGAR DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA – “SE O VASO DO PINTO TÁ ENTUPIDO, POR QUE O DO CORAÇÃO NÃO VAI ESTAR?” – WILLIAM, CLÁUDIO (2019). Diagnóstico Anamnese: questionar satisfação com a opção sexual e parceiro, n° de relações por semana, presença de condições crônicas e uso de bebida alcóolica (hepatopatia → aumento de estrogênio → disfunção). Exame físico. Exames laboratoriais: estrogênio, progesterona, prolactina (prolactinoma = disfunção), FSH e TSH. Exames de Imagem: USG peniana com Doppler + teste de ereção induzido por fármacos, avaliando o fluxo (chegada deficiente ou fuga venosa) diante da ereção artificial. Tratamento Não-Farmacológico → melhora do estilo de vida, tratamento de comorbidades associadas, cessar uso de álcool e combater o Distúrbio do Envelhecimento Masculino (acúmulo de tecido adiposo no abdômen → acúmulo de estrogênio → disfunção). Farmacológico → reposição hormonal para aumento da libido (ineficaz na disfunção orgânica), Sildenafila, Verdenafila e Tadalafila (facilitadores de ereção = não alteram libido). Quanto maior o tempo de ereção, maiores os efeitos colaterais. Mecânicas → bomba à vácuo, anel de base do pênis, próteses semirrígidas, maleáveis ou infláveis e injeção intracavernosa. Aula 2 – Incontinência Urinária Introdução Perda involuntária de urina, relacionada a problemas higiênicos e sociais que afetam a qualidade de vida do paciente. Presente em 30-40% dos idosos, principalmente os com DM, HAS e depressão, mais comumente mulheres. DM e neuropatias podem facilitar o acometimento, e pode levar a depressão e dermatite amonical (a queda de urina no períneo modifica a estrutura da pele e facilita a contaminação por bactérias que desdobram a ureia em amônia e geram cheiro forte). Fisiopatologia: durante o ciclo normal de micção, o músculo detrusor deve relaxar durante o enchimento da bexiga, enquanto uretra e assoalho pélvico contraem. Já durante a micção, ocorre o contrário: contração do músculo detrusor e relaxamento do esfíncter uretral (sinergia vasoesfincteriana). Se houver disfunção na contração do assoalho pélvico ou da bexiga, desenvolvem-se diversos tipos de disfunções miccionais: • Contração esfincteriana involuntária. • Contração do detrusor + contração do esfíncter = aumento da pressão intravesical e renal, gerando IRA ou crônica, ITU de repetição e septicemia, necessitando de cateterismo intermitente. • Bexiga constantemente contraída: TTO com anticolinérgico + sonda intermitente. • Bexiga Hiperativa: causada por envelhecimento, mais comum em mulheres. TTO: beta-agonista, toxina botulínica. Não há necessidade de cateterismo devido à uretra curta. • Bexiga Neurogênicas: causada por doenças neurológicas, lesão sacra, neuropatia diabética e hipovitaminose de B12. A bexiga é associada ao sistema colinérgico, acetilcolina e receptores muscarínicos, Lesões acima do neurônio motor inferior liberam o arco reflexo, e quando acima de S2, geram contração constante da bexiga. Fatores de Risco: sexo feminino (principalmente na incontinência de esforço, devido à uretra mais curta, presença de 1 esfíncter, gestações e partos) • obesidade (associada à bexiga hiperativa) • idade (maior incidência de doenças senis e senescentes que aumentam o risco, uso de medicações, alteração na produção de ADH, incidência de cistocele e hiperplasia prostática). Tipos de Incontinência De Esforço (25%) → ocorre por fraqueza da musculatura uretral, do assoalho pélvico e insuficiência esfincteriana. Quando a musculatura do anteparo pélvico está enfraquecida, o aumento de pressão sobre a uretra causa o seu deslocamento ao invés do colabamento, forçando a urina a ir para a uretra posterior e desencadeando contração reflexa da bexiga. Mais comum em mulheres, associada a prolapso vaginal, uterino e retal, e homens que foram submetidos a prostatectomias radicais. TTO: terapia de fortalecimento da musculatura do períneo com cones vaginais ou eletrodos, suporte cirúrgico ao assoalho por meio de cirurgia de Marchow-Market (fixação da parede vaginal no promontório) ou colocação de faixa de Sling em volta da uretra (torna o anteparo da uretra mais rígido, e impede o deslocamento da uretra – cura de 80%, mas com efeitos colaterais: erosão, extrusão da tela, infecção, retenção de urina, lesão de nervos e vasos sanguíneos). De Urgência (20%) → é a bexiga hiperativa, relacionada a doenças neurológicas, ITU e tumores de bexiga no ureter terminal. A fisiopatologia está relacionada aos receptores beta-agonistas, muscarínicos e óxido nítrico,gerando nictúria 2-3x/noite e urgência miccional. TTO: evitar bebidas que estimulem contração vesical (café, mate, refrigerantes de cola), diminuir ingesta líquida principalmente à noite, perda de peso, fisioterapia com eletroestimulação do nervo tibial posterior. Tratamento farmacológico com beta 3 agonistas (relaxamento da parede vesical) e anticolinérgicos (relaxamento da parede vesical – efeitos colaterais: xerostomia, xeroftalmia, pele ressecada, HAS, miose, taquicardia, obstipação e diminuição da memória). Utiliza-se atropina (emergência), Oxibutimina (mais barato, mais xerostomia), Tolterodina (mais caro, menos efeitos colaterais), Solifenacina e Darifenacina (menos efeitos colaterais, sem alteração de memória). Mista (33%) → associação entre os dois tipos acima. Difícil TTO. Paradoxal → relacionada a estenose de uretra por CA de próstata, hiperplasia, tumor de colo de útero que se estende pela parede anterior da vagina (TTO: exenteração pélvica), com urina por gotejamento. Após a correção da causa-base, há risco de hipopotassemia e hiponetremia. Conduta: colocação de sonda ou cistostomia. Funcional → após cirurgia de grande porte, por estabelecimento de fístula, anomalia ou implantação do ureter na uretra. Cursa com incontinência total (perda constante de urina). Noturna (10%) → comum em crianças. Deve-se chegar mielomeningocele, ITU no EAS, hidronefrose e jato no USG. Se for enurese complicada, encaminhar ao urologista para o TTO: redução da quantidade de líquido à noite, uso de ADH antes de deitar (causa hiponatremia) e reforço positivo. Diagnóstico Clínico. Uma importante ferramenta diagnóstica é o diário miccional, no qual o paciente relata hora da urina, volume, perda de líquido e tipo de perda (associada ao esforço). A clínica está relacionada a sintomas provenientes do armazenamento, como aumento da frequência, urgência, vontade de urinar a todo o momento, nictúria, polaciúria. Anamnese: investigar história obstétrica, cirurgias prévias, RT (gera fibrose e alteração de receptores), história neurológica, uso de medicamentos que afetam a bexiga (anti-depressivos e diuréticos) e realizar o índice de qualidade de vida. Exame Físico: investigar prolapso. Exames Complementares: apenas em incapacidade diagnóstica, falha na resposta ao TTO e presença de hematúria, ITU de repetição e resíduo vesical elevado. • USG: utilizado de rotina para avaliação de cálculo, chegar TGU alto, medir resíduo vesical, hidronefrose e evitar desapercebimento de características do exame físico. • Cistoscopia: hematúria, CA de bexiga, cálculo de bexiga, corpo estranho e complicações de cirurgias prévias. • Urodinâmica: feita em suspeita de doença neurológica, dúvida diagnóstica e falha no TTO. É feita colocando uma sonda na bexiga (pressão vesical) e uma no reto (pressão abdominal. A diferença entre as duas é a pressão real do músculo detrusor. • Vídeourodinâmica: pode ser útil na necessidade de maior detalhamento, como em prolapsos, crianças e pacientes neurológicos. Tratamento Não Farmacológico: mudança de hábitos alimentares, redução na ingesta líquida, aumento na ingesta de fibras (reduz constipação), micção pelo relógio (estabelecer metas para segurar a urina), fisioterapia com eletroestimulação (em urgência) e biofeedback (em esforço). • Farmacológico: anticolinérgicos, beta-3- agonistas, Duloxetina (antidepressivo que contrai a uretra). • Hormonal: reposição de estrogênio 2x/semana para melhora da continência de esforço em mulheres pós-menopausa • Cirúrgico: faixa de Sling. Questões de Compreensão 1) Paciente, 35 anos, feminina, com quadro de frequência miccional diurna de cinco vezes, nictúria de três vezes, jato forte, sem esforço miccional, Gesta II/II, partos vaginais, chega ao consultório com exame de urina com 2 hemácias por campo, dois leucócitos e nitrito negativo, USG de vias urinarias normal. Durante o exame clínico identificou-se prolapso anterior (POP I), sem evidência de perda urinária e pequena dermatite amoniacal. Frente as diretrizes atuais de dispensão a realização de estudo urodinâmico para esta paciente, qual o grupo de medicamentos você poderia iniciar o TTO? a) B3 agonista e dudasterida b) Dudasterida e doxazosina c) Doxazosina e oxitibutina d) Oxitibutina e B3 agonista 2) Qual dos efeitos colaterais abaixo está mais comumente relacionado com o TTO medicamentoso anti muscarínico comumente utilizado nessas pacientes? a) Diarreia b) Xerostomia c) Bradicardia d) Hipotensão postural 3) Paciente de 75 anos, masculino, diabético, passado de crises convulsivas devido a TCE há 15 anos, em utilização de diabetogênico oral e anti-convulsivante. Não esteve internado nos últimos 3 anos, chega ao PR com quadro de tonteiras, refere disúria, polaciúria, sensação de dor em hipogastro. Ao exame físico, apresenta-se com FC de 120bpm, PA 100/60mmHg, temp axilar de 36,7, mucosas coradas e desidratação de +/++++, dor à palpação de hipogastro, toque retal com próstata dolorosa e algo amolecida, com 15.000 leucócitos, 10 bastões, PCR de 175. USG de vias urinarias com ectasia do sistema pilocaliceal bilateral. Resíduo pós-miccional de 30mL, foi coletado urina para cultura, mas seu resultado demora 5 dias. Qual a conduta mais adequada? a) Tratamento ambulatorial com hidratação oral e levofloxacino b) Internação para hidratação venosa e levofloxacino parenteral c) Sondagem vesical de demora e sulfametoxazol e trimetropim ambulatorial d) Internação para hidratação venosa e derrame parenteral Respostas: 1C / 2B / 3? Aula 3 – CA de Próstata Introdução CA não cutâneo mais comum em homens, acometendo 1 em cada 6 homens. Estuda-se que se todos os homens chegassem aos 100 anos de idade, todos o teriam, já que quanto maior a idade, mais chence de o desenvolver. Outro fator de risco, além da idade, é a história familiar direta, que dobra a chance do desenvolvimento dessa neoplasia. Mais frequente em negros, seu tipo histológico mais frequente é o adenocarcinoma. Pacientes obesos costumam desenvolver neoplasias mais agressivas, e entre os alimentos que aumentam as chances desse CA estão gordura saturada, carne vermelha, cálcio. Alimentos ditos como protetores envolvem peixes, brócolis, couve flor, tomate e nozes. Outro fator protetor é a ejaculação mais de 20 x/mês. Clínica: paciente normalmente assintomático, os sintomas são frequentemente relacionados a metástases, principalmente óssea, de disseminação linfogênica (claudicação, dor, evolução com paresia ou paraplegia súbita – colabamento de vértebra), ou associados ao aumento de tamanho da lesão (jato fraco, dor lombar, dificuldade de urinar, hematúria e disúria). Os sítios mais comuns de metástase óssea são coluna lombar, arco costal, fêmur, joelho, crista ilíaca e crânio. A linfonofomegalia é inguinal, e pode ser vista na TC. Complicações incluem compressão medular e insuficiência pós renal (obstrução). Sinais incluem hidronefrose (+ insuficiência renal se bilateral), edema linfático duro normalmente unilateral, compressão medular. Diagnóstico Presuntivo = PSA + toque retal. O PSA é um marcador extremamente específico para a próstata, que deve ser avaliado em curva (o melhor fator a ser avaliado é a velocidade de aumento do PSA > 0,75/ano). Os valores normais de PSA são até 4. Outros parâmetros a serem avaliados são a relação entre PSA total e livre, sugerindo CA quando > 15, e a produção de PSA por grama de próstata, sugerindo CA quando > 0,15 (< 0,15 = sugestivo de HPB). Sofrem influência de fatores como relação sexual e trauma do períneo (andar de moto, cavalo e bicicleta). Se o PSA estiver alterado, é necessário realizar o toque retal e a biópsia. Se não houver alterações nesse exame, aumentar a frequência de acompanhamento de anual para semestral. De Certeza = biópsia da próstata. Pode ser feita guiada pelo USG ou pela RNM multiparamétrica dapróstata, e deve ser feita quando, ao toque retal, é palpado um nódulo. A avaliação do achado pode ser feita através do PI-RADS, no qual 1-2 não são indicativos de CA, enquanto 3 a 5 possuem chances progressivamente maiores de CA. A multicentricidade é comum no CA de próstata, podendo gerar resultados falso negativos (lesões mais grave na base que não aparecem na RNM). A biópsia também permite a realização do Score de Gleason, utilizando as duas lâminas mais frequentes na peça e montando um escore de 2 a 10 (≤ 6 = baixa agressividade / 7 = intermediário / ≥ 8 = alta agressividade). Os tumores mais agressivos são altamente indiferenciados, e podem cursar com PSA baixo, já que a célula é tão diferente da célula prostática normal que ela parou de produzir PSA. A CINTILOGRAFIA ÓSSEA É FEITA EM PACIENTES COM PSA > 10 E/OU GLEASON > 7, E É UTILIZADA PARA AVALIAÇÃO DE METÁSTASES, JUNTO COM A TC. JÁ O PET-PSMA É UM EXAME NOVO UTILIZADO NA IDENTIFICAÇÃO DE RECORRÊNCIA. Rastreamento: recomendado acima dos 50 aos 75 anos em pacientes sem fatores de risco e a partir dos 45 em pacientes com fatores de risco (negro, parentes de 1º grau). É feito por meio de PSA e toque retal. Tratamento Doença Localizada: cirurgia, mais frequentemente robótica + radioterapia (complicações: cistite actínica, proctite e incontinência urinária), vigilância ativa (pacientes de baixo risco podem acompanhar pelo PSA e biópsia anual, com cirurgia se houver mudança dos parâmetros) e terapia focal (criocirurgia ou USG de alta intensidade. Difícil TTO devido ao seu caráter multicêntrico). Recorrência Bioquímica: análogos de RH ou LH ou RT bloqueiam a testosterona para evitar a recorrência. Outro método é a oorquiectomia. Após, pode-se reestadiar o paciente e tratar localmente com RT, QT ou bloqueio hormonal. Doença Metastática: QT e bloqueio hormonal. OS NÍVEIS DE PSA DEVEM ESTAR INDETECTÁVEIS ATÉ 6 SEMANAS APÓS A CIRURGIA, EM NÍVEIS < 0,1. A PARTIR DE 0,2, HÁ INDICAÇÃO DE RECORRÊNCIA BIOQUÍMICA POR RISCO DE METÁSTASE. A CIRURGIA TORNA O PACIENTE ESTÉRIL, DEVIDO A RETIRADA DA VESÍCULA SEMINAL E DA SECÇÃO DOS DUCTOS DEFERENTES. JÁ NA RT, COMO A PRÓSTATA NÃO É RETIRADA, O MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE RECORRÊNCIA É A VELOCIDADE DO PSA E A DENSIDADE DO PSA (PRODUÇÃO DE PSA/G DE PRÓSTATA). Aula 4 – Doenças Benignas da Próstata Introdução A próstata é um órgão glandular de cerca de 20g, consistência fibroelástica e localizada abaixo da bexiga. É atravessada pelo canal ureteral e possui a função de liberar o líquido para que os espermatozoides cheguem ao óvulo. A maior parte desse líquido é rica em PSA, um antígeno prostático que está aumentado diante de doenças da próstata, infecção urinária e trauma local. As doenças mais comuns da próstata são câncer de próstata, prostatite e hiperplasia prostática benigna. A hiperplasia prostática benigna é um aumento do tamanho da próstata com manutenção de seu aspecto liso, fibroelástico e limites precisos, na ausência de dor. Doença comum em homens acima dos 50 anos, relacionado a provável influência hormonal e genética, além de fatores como história familiar, idade, etnia negra e ingesta rica em gordura (relacionada a alterações da produção de testosterona). Diagnóstico e Investigação Clínica: maior frequência miccional e sintomas obstrutivos relacionados ao esforço que a bexiga precisa fazer para eliminar a urina através da próstata aumentada. A intensidade da sintomatologia não está diretamente relacionada ao tamanho da próstata. Os sintomas dividem-se em relacionados ao armazenamento (urgência urinária, alteração de frequência, urgi-incontinência e nictúria – sintomas irritativos) e de esvaziamento (jato fraco, esforço para urinar, jato intermitente, hesitação e retenção urinária). Investigação: EAS demonstra inflamação ou infecção, com bom valor preditivo (a ausência de nitrito exclui ITU) e avaliação de hematúria (indica doença grave). Toque retal distingue HPB, CA (nódulo / textura pétrea) e prostatite (febre, dor ao toque, dor perineal e textura amolecida). PSA (PSA alterado + nódulo = 90% CA) e USG de vias urinárias (tumores renais, DxDf e avalia quantidade de urina retida). Exames de Exceção: glicemia (poliúria) e USG transretal (abscesso retal, dúvida no tamanho da próstata – melhor exame para avaliar tamanho da próstata e biópsia guiada). Tratamento Farmacológico: visa relaxamento ou redução do tamanho da próstata. • Tansulosina: alfabloqueador que relaxa a musculatura lisa da próstata. Efeitos colaterais: hipotensão postural, rinite, dor em panturrilha e ejaculação retrógrada. • Finasterida: bloqueia a conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (mais ativo). Efeitos colaterais: fraqueza, perda muscular, astenia, irritabilidade e alteração do sono. • Dudasterida: bloqueio da 5-alfa-redutase 1 e 2. Efeitos colaterais: fraqueza muscular, astenia, irritabilidade e alteração do sono. ACREDITA-SE QUE A FISIOPATOLOGIA ENVOLVE O BLOQUEIO DE UM DOS RECEPTORES DA TESTOSTERONA, OCASIONANDO AUMENTO NO TAMANHO DA PRÓSTATA. TESTOSTERONA E DIHIDROTESTOSTERONA (DHT) ATUAM NO MESMO RECEPTOR, MAS A DHT AGE DE FORMA MAIS INTENSA. Cirúrgico: objetiva retirada do estroma glandular, e é indicada em IPSS > 19, ITU, ausência de melhora com TTO medicamentoso e passagem de sonda. As técnicas utilizadas são: ressecção transureteral prostática por via endoscópica (padrão-ouro para próstatas < 80g), vaporização prostática a laser (menor risco hemorrágica) e Cirurgia de Muller (cirurgia aberta para próstatas grandes). COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS: ESTENOSE URETRAL, ESTENOSE DE COLO VESICAL, INCONTINÊNCIA URINÁRIA POR LESÃO DE ESFÍNCTER, DISFUNÇÃO ERÉTIL, INFECÇÃO, EJACULAÇÃO RETRÓGRADA E SANGRAMENTO. Prostatite Inflamação da próstata secundária a infecção bacteriana, dividida em aguda e crônica. Acomete 10% de homens entre 30 e 50 anos de idade, e a via de entrada é ascendente pela uretra. Clínica de febre, dor perineal, odor, leucocitose, aumento de PSA em grande quantidade que demora a regredir. A PROSTATITE CRÔNICA CARACTERIZA-SE POR DOR PERINEAL CRÔNICA, COM TESTES PERINEAIS NEGATIVOS. O DIAGNÓSTICO EXIGE A COLETA DE MATERIAL POR MEIO DE MASSAGEM DA PRÓSTATA. HÁ ALTERAÇÃO DO TESTE DE SSTANLEY (BUSCA POR BACTÉRIAS). TTO: ATBterapia com Aminoglicosídeos e Sulfatrimetropina por 10-15 dias. Em pacientes diabéticos, é recomendada a internação. Aula 5 – CA de Rins e Pênis Tumor Renal Introdução São comumente incidentalomas descobertos em USG. O tipo histológico mais comum é o carcinoma de células renais, mas outros possíveis tipos são sarcoma, tumor de células transicionais e adenocarcinoma. O espectro varia de benigno a maligno. • Adenocarcinoma de Células Claras: padrão clássico. • Oncocitomas: incidentais e sem repercussão clínica. Devem ser acompanhados devido a dificuldade de identificar sua malignidade. • Angiomiolipoma: pode estar relacionado a esclerose tuberosa, quando bilateral, composto por adipócitos, músculo liso e vasos sanguíneos. Fatores de Risco: genética • tabagismo • exposição a asbesto, cádmio, solventes, anilina e combustível de foguete • neurofibromatose • doença de Von-Hippel-Lindau (gene VHL = cercinoma de células renais, hemangioblastoma cerebelar e angioma de retina) • diálise crônica com cistos renais simples (maior chance de o cisto ser maligno) • transplante renal • diálise peritoneal. Diagnóstico Clínica: tríade clássica de hematúria + dor em flanco + massa palpável em flanco, associado a anemia (produção de fatores mielotóxicos), hipercalcemia (produção de PTH), policitemia (produção de EPO), HAS refratária (produção de renina ou compressão da artéria renal), febre (produção de pirogênicos), Síndrome de Cushing (produção de ADH), galactorreia, hipoglicemia, etc. Sintomas relacionados a metástases incluem fratura patológica e dor óssea, disfunção hepática e crisesconvulsivas (metástase óssea, hepática e cerebral). CARCINOMA DE CÉLULAS RENAIS → PODE SIMULAR A CLÍNICA DE QUALQUER DOENÇA, E É UM GRANDE INDUTOR DE SÍNDROMES PARANEOPLÁSICAS, CONJUNTO DE SINAIS E SINTOMAS CAUSADOS NÃO PELO TUMOR, MAS POR SUBSTÂNCIAS PRODUZIDAS POR ELE, PRECEDENDO OU OCORRENDO CONCOMITANTEMENTE AO TUMOR. Dx: USG (identifica a massa) → TC ou RNM (diferenciar massa sólida de cística). • Massa Sólida: na maioria das vezes, corresponde a tumor maligno. Acompanhar se angiomiolipoma < 4 cm. TTO cirúrgico se angiomiolipoma > 4 cm (grande risco de sangramento) ou tumor. • Massa Cística: acompanhar se cisto simples ou complexo Bosniak 1 ou 2. TTO cirúrgico se cisto complexo Bosniak 3 ou 4. A ÚNICA IMAGEM SIMILAR A UM TUMOR SÓLIDO MALIGNO DE RIM É A PIELONEFRITE XANTOGRNULOMATOSA, INFECÇÃO CRÔNICA DO RIM NA QUAL OS MACRÓFAGOS NÃO DIGEREM A BACTÉRIA E ACUMULAM SUBSTÂNCIAS, FORMANDO UMA GRANDE MASSA. O PACIENTE É NORMALMENTE CONSUMIDO, FEBRIL E ANÊMICO. A DIFERENCIAÇÃO É FEITA NO HISTOPATOLÓGICO. O ANGIOMIOLIPOMA É UMA LESÃO BASEADA EM GORDURA, QUE POR ISSO FICA HIPERECOGÊNICA E SEM SOBRA ACÚSTICA NO USG E DE BAIXA DENSIDADE NA TC. O CISTO SIMPLES SÓ POSSUI MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS SE CRESCER AO PONTO DE COMPRIMIR AS VIAS EXCRETORAS, E POR ISSO, PODE SER APENAS ACOMPANHADO. A biópsia renal pode ser feita em pacientes que não têm condição cirúrgica em lesões sólidas, apesar de não ser padrão ouro, já que a sua negatividade não exclui a possibilidade de neoplasia. A TC permite a classificação e o estadiamento do tumor, associada ao RX de tórax, hemograma com dosagem de cálcio e cintilografia óssea. A RNM e a angioTC identificam invasão vascular. DxDf: cálculo renal (hematúria + dor lombar). Tratamento Nefrectomia parcial ou total por cirurgia aberta, videolaparoscópica ou robótica em tumores acima de 4 cm (devido ao risco de sangramento) e em sintomáticos. A nefrectomia total deve ser feita quando o tumor CLASSIFICAÇÃO DE BOSNIAK DEFINIÇÃO CONDUTA I CISTO RENAL SIMPLES E BENIGNO ACOMPANHAMENTO II CISTO RENAL BENIGNO COM ALGUNS SEPTOS E DISCRETAS CALCIFICAÇÕES ACOMPANHAMENTO III CISTOS GROSSEIROS COM PAREDES GROSSAS, VÁRIOS SEPTOS E MATERIAL DENSO CIRURGIA (40%) IV CISTO RENAL COM CARACTERÍSTICAS NEOPLÁSICAS (EX: CAPTAÇÃO DE CONTRASTE) CIRURGIA (80%) invade o sistema coletor, acomete maior parte do parênquima, estiver muito próximo do pedículo renal e tamanho grande. Caso contrário, deve-se tentar a nefrectomia parcial. Em tumores pequenos e que não possuem as características supracitadas, pode-se realizar crioterapia, apesar de não ser padrão ouro. Tumores do lado direito frequentemente complicam com trombose de veia cava, necessitando da realização de cirurgia aberta com grandes incisões, enquanto tumores sem trombose, mesmo que volumosos, podem ser abordados pela via laparoscópica. A ressecção do tumor primário aumenta a sobrevida global mesmo em pacientes com metástases. Tumor de Pênis Introdução Alta prevalência no Brasil, é relacionado a má higiene e à falta de hábito de circuncisão. O tipo histológico mais comum é o carcinoma de células escamosas (> 90%), e costumam sofrer disseminação linfática. A causa de morte mais comum é metástase para os linfonodos inguinais, com lesão expansiva que atinge a artéria femoral e causa sangramento. Fatores predisponentes mais relevantes incluem processo irritativo crônico da glande, fimose e HPV (aumento em 2x na incidência). Diagnóstico Clínica: lesões papilhosas, avermelhadas e que não melhoram no pênis, com aspecto friável que devem ser biopsiadas. Doenças pré-malignas que podem ocorrer incluem leucoplasia, balanite xerótina e condiloma, que devem ser tratados com postectomia, Iniquimode e ressecção. Já lesões in sítio incluem a Eritoplasia de Queyrat (glande) e Doença de Down (haste). Dx: biópsia. DxDf: condiloma acuminado e candidíase. Tratamento Penectomia parcial ou total, uma cirurgia desgastane e mutilante, com grandes danos psicológicos. Em alguns casos, pode-se fazer uma reconstituição posterior, com colocação de prótese peniana – difícil reconstituição da uretra. TTO Conservador: laser, Iniquimod, Fluorcil, excisão com margem de 2 cm e postectomia se lesão no prepúcio. Pode ser feito nos estágios I e II. Aula 6 – CA de Bexiga e Testículo Tumor Vesical Introdução A bexiga possui 0,5 cm de espessura, e é dividida em mucosa, muscular da mucosa, muscular superficial, muscular profunda e gordura perivesical. O tumor do urotélio é, na maioria das vezes, de células transicionais, possuindo característica vegetante e polipoide. O tipo histológico mais comum é o epidermoide, seguido pelo adenocarcinoma. Um fator de risco muito importante é o tabagismo e o sexo feminino (M: 6,2/H: 4,7), além de trabalho com indústrias químicas e agrotóxicos. Diagnóstico Clínica: o grande sintoma do tumor de células transicionais é a hematúria, que ocorre pela ruptura de pequenos vasos sanguíneos e pela descamação da parede d bexiga. Além disso, estão presentes sintomas irritativos (polaciúria, urgência miccional, frequência miccional) e relacionados a metástases ósseas, pulmonares, hepáticas e cerebrais. Dx: o primeiro passo é o USG. Caso ele mostre uma lesão na bexiga, os pacientes devem ser encaminhados para ressecção endoscópica, na qual retira-se o tumor e define-se o estadiamento e o grau histológico. Se o tumor for superficial, único e < 3 cm, seguimento com cistoscopia em 6 meses. Se outras áreas da bexiga estiverem hiperemiadas, pode haver carcinoma in situ nesses pontos, o que pode evoluir para tumor infiltrativo. Outros exames de imagem também podem ser utilizados: o RX simples e a TC são utilizados para a pesquisa de metástases (a cintilografia identifica a metástase, mas não diferencia entre osteogênica – CA de próstata e osteolítca – CA de bexiga. A TC e o RX diferenciam). A RNM é utilizada para identificar invasão local. Estadiamento: A. Crescimento envolve mucosa e túnica própria. B. Envolve a camada muscular: 1- menos da metade da espessura do músculo • 2- mais da metade da espessura do músculo está envolvida. C. Penetração completa da parede da bexiga. Tratamento Tumores Superficiais: ressecção endoscópica e BCG (TTO do carcinoma in situ → induz processo inflamatório e descamação da parede da bexiga, eliminando os tumores superficiais. Indicações: tumores superficiais recidivantes, carcinoma in situ, tumrores multicêntricos e tumores com > 3 cm de base). Tumores que Infiltram a Muscular: cistectomia parcial (raramente) ou total. Em pacientes com alto risco cirúrgico, pode-se realizar RT e QT em baixa dose. O padrão ouro e a retirada de toda a bexiga, com reconstituição com um segmento vascularizado do intestino. Complicações envolvem trombose, fístula urinária, fístula intestinal, alterações metabólicas (acidose metabólica) e distúrbios hidroeletrolíticos. Tumor Metastático: QT (Complicação: pancitopenia). Principal sítio = pulmão (RX e TC). Tumor de Testículo Introdução Tumor de células germinativas que ocorrem em adolescentes e adultos jovens. Devido ao alto metabolismo do testículo, esses tumores se desenvolvem muito rápido. Assim, na presença de massa testicular, deve-se solicitar USG e marcadores tumorais e encaminhar rapidamente ao urologia para cirurgia o mais rápido possível. O tipo histológico mais comum é o tumor de célula germinativa, que possui 2 linhagens: os semiomas (≈ 30-45 anos de idade) e os não semiomas (≈ 15-30 anos de idade – teratomas, coriocarcinomas e carcinomas embrionários, sendo os 2 últimos mais agressivos). FATORES DE RISCO: CRIPTORQUIDIA • ATROFIA TESTICULAR • HISTÓRIA FAMILIAR. O índice de cura chega a 98% quando o diagnóstico precoce é realizado, e mesmo quando há metástase supradiafragmática pulmonar, o índice de cura chega a 80%. Diagnóstico Clínica: dorou leve incômodo insidioso, presença de massa palpável pouco dolorosa em testículo. Eventualmente, sintomas de metástase como pulmonar (dispneia), mas sem febre. Dx: USG deve ser solicitado em qualquer massa palpável testicular, para distinguir se a massa é intratesticular ou extratesticular e identificar o aumento do fluxo sanguíneo. A biópsia transescrotal é contraindicada pelo risco de disseminação do tumor para outra cadeia ganglionar, sendo recomendado pela abertura e exérese de um pedaço do testículo. Marcadores tumorais podem ser solicitados, já que alguns tipos histológicos (coriocarcinoma e carcinoma embrionário) produzem substâncias como alfafetoproteína (eleva em tumores semiomatosos e não-semiomatosos, e quando muito alta, direciona o Dx para tumor de saco vitelínico), β-hCG (muito elevado nos tumores não-semiomatosos) e LDH. OS NÍVEIS DE MARCADORES TUMORAIS DEVEM REGREDIR APÓS A CIRURGIA. SE ISSO NÃO OCORRER, A PROBABILIDADE DE METÁSTASE É ALTA. A RNM permite uma boa avaliação de massas intratesticulares. A TC de abdômen deve ser indicada na pesquisa de metástase, já que as mais comuns são para abdômen e linfonodos da cadeia interaórticocava (periaórtica e perihilar), além de fígado, pulmão e cérebro. A presença de linfonodos acometidos indica a retirada do testículo. A retirada dos linfonodos periaórticos e perihilares é muito difícil e de alto risco, e a QT também não é ideal por causar aderências. DxDf: orquite (dor intensa, súbita, febre, leucocitose, piúria no EAS – USG diferencia) e cistos (diferenciação pelo USG). Tratamento A indicação do CA de testículo é sempre a orquiectomia imediata com inguiniotomia. A preservação do testículo só pode ser feita em tumores benignos ou muito pequenos. Deve-se associar RT e QT de baixa toxicidade. Indicar que o paciente congele o esperma, já que a QT pode afetar de forma irreversível a espermatogênese. Aula 7 – Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino Introdução O DAEM é uma síndrome clínica e bioquímica frequentemente associada ao envelhecimento, caracterizada por deficiência nos níveis séricos de androgênios, com ou sem alteração na sensibilidade de seus receptores. Pode afetar a função de vários órgãos, resultando em detrimento da qualidade de vida devido a alterações importantes da função sexual. Porém, a testosterona também é produzida pelas suprarrenais (2-5% da produção total), o que é suficiente para manter uma vida normal apesar da atrofia testicular na maioria dos homens. Cerca de 13% da população brasileira possui algum grau de deficiência androgênica a partir dos 40 anos, indicando a investigação de DAEM em homens acima de 40 anos com galha na ereção e sem resposta ao inibidor de fosfodiesterase 5, com sintomatologia depressiva, e nos que não respondem ao TTO antidepressivo. A dosagem de testosterona é obrigatória em qualquer depressão erétil. Somente 2% da testosterona total do organismo está na forma livre, que é capaz de interagia com receptores, enquanto 38% está ligada à albumina (componente mais estável) e 60% está ligada à globulina ligadora de hormônio sexual (SHBG – liberação muito fraca). A TESTOSTERONA ATUA NO HOMEM EM DIVERSOS LOCAIS: EMBRIOGÊNESE, INÍCIO DA PUBERDADE, SÍNTESE PROTEICA E ÓSSEA, HEMATOPOIESE, METABOLISMO LIPÍDICO, HEPATÓCITOS E CÉREBRO. COMO A TESTOSTERONA É METABOLIZADA NO FÍGADO, DOENÇAS HEPÁTICAS ESTÃO RELACIONADAS À DAEM. A SÍNDROME METABÓLICA TAMBÉM É ASSOCIADA À DAEM. Fisiopatologia: o metabólito ativo da testosterona é a DHT, que é produzido a partir da testosterona por pele e fígado (5-alfa-redutase 1), próstata, adrenal, vesícula, região peniana, pedículos pilosos e cérebro (5-alfa-redutase-2). Já a aromatase é uma enzima que metaboliza a testosterona em estradiol (estrogênio), e está presente em tecido adiposo, osso e próstata. O estrogênio também estimula a deposição de gordura e aumenta a SHBG, induzindo ginecomastia, perda de massa óssea e muscular, sensação de perda de libido e de ânimo, déficit de GH, redução da insulina, hipertireoidismo, hepatite, cirrose, envelhecimento acelerado, aumento da obesidade, hipotireoidismo e síndrome nefrótica. Estabelece-se um círculo vicioso, no qual o menor ânimo para atividade física aumenta o acúmulo de gordura, diminui a quantidade de testosterona, reduzindo a lipólise e a taxa metabólica, gerando maior deposição de gordura visceral e resistência insulínica. Efeitos da Deficiência de Androgênio: • ↓ do bem-estar: depressão, falta de iniciativa, dificuldade de concentração. • ↑ gordura corporal: obesidade visceral e síndrome metabólica. • Perda de massa muscular: ↓ força muscular, dores musculares e articulares. • Perda de massa óssea: dor lombar, perda de altura, fraturas. • Sintomas vegetativos: redução da libido, disfunção erétil. • Comprometimento sexual: redução da libido, disfunção erétil. • ↓ pelos: ↓ barba, pelos axilares e corporais, relacionado a diidrotestosterona. • Anemia: fadiga crônica, perda de energia. • Pele ressecada. Diagnóstico Anamnese: Tem observado redução da libido? • Tem observado falta de energia? • Percebe redução da força muscular? • Perdeu altura? • Reduziu a alegria de viver? • Fica triste ou rabugento com frequência? • Percebe que as ereções são menos vigorosas? • Tem diminuição da capacidade para atividades esportivas? • Sente sonolência após o jantar? • Tem percebido piora no desempenho profissional? Dx: dosagem de testosterona sérica, com dosagem de SHBG se os níveis forem limítrofes, ambas dosadas por radioimunoensaio, e de testosterona livre calculada (Testosterona Total – (testosterona ligada à SHBG + testosterona ligada à albumina). Além disso, testosterona biodisponível, FSH, LH e prolactina (prolactina alta inibe a testosterona, e pode indicar prolactinoma, geralmente com cefaleia associada). Se existir alguma alteração, dosar novamente para confirmação. Tratamento Reposição hormonal de testosterona, com formulação transdérmica, injetável e oral (pouco utilizada – hepatotóxica). A apresentação mais comum é o Undecanoato IM a cada 3 meses. Contraindicações: CA de mama e CA de próstata não tratado (contraindicações absolutas) • SAHOS • hemoconcentração ou policitemia • epilepsia • enxaqueca • retenção hídrica • AVC • elevação do PSA (não há estudos que comprovem a ausência TT NORMAL: 350 - 850 NG/DL SHBG NORMAL: 30 - 70 MMOL/L TLC NORMAL: 60 – 312 PG/ML ALBUMINA: 4,3 G/DL de associação entre a TRH e o desenvolvimento de CA de próstata) • deficiência de espermatogênese (evitar em homens muito jovens, pois a fonte endógena bloqueia a secreção de FSH e LH por feedback negativo, interrompendo a espermatogênese e causando infertilidade definitiva). DEFICIÊNCIA DE TESTOSTENOMA + QUEIXAS COMPATÍVEIS – CONTRAINDICAÇÕES = TTO + MONITORIZAÇÃO Acompanhamento: hemograma + enzimas hepáticas + perfil lipídico a cada 3 meses. Se o Ht ou a Hb estiverem muito elevadas, parar a reposição ou fazer sangria. PSA a cada 3 meses, acompanhando mais frequentemente se estiver elevado em mais de 1 ng/dL. Toque retal a cada 3 meses no 1º ano.