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Reconhecimento e Tratamento do Choque em Pediatria
• Choque em pediatria:
- Principal causa de PCR em crianças;
- Sinais de insuficiência cardiocirculatória – tanto
no sentido da contratilidade cardíaca e circulatória-
queda do DC – hipoperfusão para os tecidos;
- Quanto mais cedo detectar e iniciar tratamento =
melhor resultado.
AVALIAR – IDENTIFICAR – AGIR
- Hipotensão: sinal tardio. Quando deixo para
diagnosticar já nessa hora, os mecanismos
compensatórios já foram utilizados. Na pratica
muitas vezes no inicio ainda se consegue
compensar.
1. Mecanismos Fisiológicos:
• DC = VS x FC {volume sistólico x FC} – O
primeiro mecanismo para compensar o DC é o
aumento da FC, é sensível. Geralmente no choque
é de taquicardia sinusal {sinal isolado, taquicardia
por mais de 4hrs, inexplicada}; O que vai manter
esse DC são os 3 abaixo:
- Pré- carga: volume de sangue que chega no AD,
retorno venoso – se tiver diminuição desse retorno
– chega menos sangue – coração para compensar
aumenta a FC;
- Contratilidade ou inotropismo: propriedade do
coração de manter a contração das fibras
miocárdicas – se falho, falha no DC, não consegue
circular esse sangue – geralmente sintomas de
baixo DC e congestão {pulmonar - crepitações,
sistêmicas – edema};
- Pós- carga: resistência que o VE ejeta o sangue –
quando a periferia está fechada para proteção de
órgãos nobres – aumento da pós- carga/ força.
OBS: Em alguns casos, podemos ter esses
3 efeitos juntos – como no ‘’choque séptico’’, tem
diminuição da pré-carga, da contratilidade e
aumento da pós-carga. No choque hipovolêmico
tenho alterações da pré-carga. No choque
cardiogênico alterações da contratilidade. Mas
conforme a evolução e o aumento das disfunções,
o paciente evolui.
Mostra o transporte de O2 para as células.
Quando se fala de choque, falamos do desbalanço
da oferta e consumo de oxigênio. Se eu tiver uma
oferta diminuída- entro em desequilibro – choque.
Ou se tiver uma demanda aumentada –
desequilíbrio – choque.
Os trilhos são os pulmões, carregando o O2-
extração de oxigênio. O DC é como se fosse o trem,
que leva para todo o corpo. Para o DC dar a volta
toda, os tecidos extraem cerca de 25-35% de O2,
ou seja, 70% ainda volta. Mas no estado de choque,
esse consumo fica maior, ocorre mais extração do
O2.
Em um trabalho ‘’Saturação venosa
central’’, era passado um cateter na subclávia, para
ver a saturação, se tivesse abaixo de 70% mostrava
um sinal de choque. Ocorreu na época uma queda
na mortalidade pelo choque. Hoje o trabalho é
questionável, pelo tratamento intervencionista em
colocar várias terapias.
OBS: É importante entender o mecanismo para
saber o tratamento.
- Se eu tiver que melhorar a pré- carga para
melhorar o DC – preciso dar volume;
- Melhorar o DC pela bomba – dar inotrópico;
- E na pós- carga – dar amina vasoativa.
• Choque:
É o desbalanço entre a oferta e o consumo
de O2 para os tecidos. Se não intervir, o paciente
vai evoluir.
- Hipoxia tecidual;
- Disóxia;
- Morte celular;
Quando um paciente morre de falência múltipla
de órgãos e sistemas, ocorreu exatamente isso.
OBS: Outros mecanismos fisiológicos:
• Aumento da FC;
• Vasoconstrição – direcionar o fluxo
sanguíneo para os órgãos alvo.
Na criança, vai ser um pouco diferente de como
ocorre no adulto. A criança é muito mais
susceptível a hipovolemia- perde volume mais
rápido, ela reflete mais rápido – no tratamento ela
depende mais da reposição de volume para
responder. Outra coisa diferente é a FC, a criança
já tem uma FC mais alta, então como o mecanismo
compensatório é o aumento, ela não consegue
dobrar essa FC e evolui pior mais rápido. Observar
o tempo de enchimento capilar periférico.
2. Tipos de Choque:
- Choque hipovolêmico: diminuição do
volume, da pré-carga, o que chega no AD o volume
diastólico final.
- Choque distributivo {séptico, anafilático e
neurogênico}: mecanismos comuns fisiológicos,
envolve alteração nas 3 características
{hipovolemia relativa – aumento da
permeabilidade capilar e sai o liquido para o meio
extracelular; disfunção miocárdica direta;
vasodilatação dos vasos – perde o tônus vascular –
diminui o volume};
- Choque cardiogênico: problema na bomba
cardíaca – diminuição da contratilidade e do DC.
Ex: miocardites, cardiopatia reumática;
- Choque obstrutivo {pneumotórax e
tamponamento}: eles vao fazer pressão no coração,
que não vai ter espaço para bater – evolui com
sinais de choque.
OBS: O que vai levar ao choque: alteração da
perfusão, taquicardia, pulsos periféricos e centrais
diminuídos, alterações do nível de consciência,
diminuição da urina e hipotensão nos casos tardios.
Quando se tiver o paciente em choque, preciso
descobrir por qual causa está ocorrendo, para
intervir.
OBS: Sinais de choque - precoce:
- Taquicardia;
- Taquipneia;
- Alterações da perfusão periférica;
- Alterações no nível de consciência;
- Oligúria.
Obs: Choque séptico
- Adultos: vasodilatação – o adulto tem vasoplegia
‘’choque quente’’; por isso usa um vasopressor -
noradrenalina
- Crianças: 70% vasoconstrição ‘’ choque frio –
baixo DC’’.
3. Tratamento do Choque:
- Hipovolêmico: volume RL 20ml/kg em
bolus; a escolha do RL, é, pois, pode ocorrer uma
acidose hipercloremica pelo cloreto do soro.
Observar a melhora dos sinais de choque. Pode
fazer volume ate o paciente estabilizar ou mostrar
sinal de IC {crepitações e turgência jugular};
- Distributivo:
Anafilático: epinefrina IM + volume +
vasopressores;
Neurogênico: vasopressores - noradrenalina;
Séptico: fluxograma da primeira hora.
- Cardiogenico: inotrópicos {epinefrina/
adrenalina, dobutamina};
- Obstrutivo: punção tórax – alivio do
pneumotórax/ tamponamento - punção pericárdica.
4. Sepse:
- 22 casos a cada 100.000;
-Mais de 2000 casos de sepse neonatal/
100.000 nascidos vivos. A diminuição se deu pela
profilaxia com antibiótico– ampicilina 4hrs antes
do parto;
- Mais de 1,2 milhões de casos/ ano;
- Mortalidade variando de 4 – 50%.
- Diagnóstico de sepse: Precisa ter SRIS + foco de
infecção confirmada;
Nova tendência:
- Choque séptico: infecção grave levando a
disfunção cardiovascular;
- Disfunção orgânica associada a sepse: infecção
grave levando a disfunção orgânica cardiovascular
e/ou não cardiovascular.
• Mecanismo da sepse:
- Resposta imunológica desregulada do hospedeiro
e não propriamente ao hospedeiro;
- Fase pró inflamatória {muitos mediadores
químicos} e fase anti-inflamatória
{imunoparalisia- desfecho ruim};
- Desbalanço entre a oferta tecidual de O2 e
consumo;
- Hipoperfusão tecidual – disóxia celular - morte;
• Perfil Hemodinâmico:
+ Choque frio: alta resistência vascular
sistêmica – vasoconstrição, e baixo DC: 70% das
crianças
- Taquicardia;
- Taquipneia;
- Extremidades frias, pele pegajosa;
- Tempo de enchimento capilar aumentado;
- Pulsos finos com diferenças entre pulsos central e
periférico;
- Oligúria {DU menor 1ml/kg/h};
- Diminuição do nível de consciência.
+ Choque quente: baixa resistência
vascular {vasoplegia} + DC normal ou aumentado:
mais em adultos
- Extremidades quentes;
- Tempo de enchimento capilar imediato {em
flash};
- Pulsos amplos ou oscilantes;
- Oligúria {DU menor 1ml/kg/h}.
• Recomendações para o tratamento do
choque séptico na 1 hora:
Sala de emergência: reconhecer o choque:
- Monitorização cardíaca e SO2/ PA não
invasiva / diurese;
- Acesso vascular: periférico ou intraósseo;
- Kit sepse: hemograma – observar se anemia,
coagulograma, bilirrubina, creatinina, cultura s,
gasometria arterial, lactato – hipoperfusão tecidual,
PCR e procalcitonina – diferenciação dos quadros
bacterianos;- Fluidoterapia:
2 acessos venosos calibrosos
Na impossibilidade – acesso IO
Fluidoterapia agressiva – 20ml/kg pelo menos
60ml/kg cristaloides ou coloides;
Melhorar a hipovolemia relativa, aumentar o RV –
aumentar o DC; Se não melhorar com o volume –
inicia aminavasoativa;
- Correção de distúrbios hidroeletrolíticos e
metabólicos:
Glicose;
Cálcio – relacionado a contração.
- Antibioticoterapia:
Antibióticos amplo espectro na 1 hora –
ceftriaxona, pode ser feito EV/IM;
A cada hora de atraso na antibioticoterapia –
aumenta em 9% chance de mortalidade.
OBS: Qual droga vasoativa começar? Se o
paciente não tiver resposta ao volume:
- Se choque frio – adrenalina 0,05- 0,3 ucg/kg/min;
- Se choque quente – noradrenalina 0,05- 0,3
ucg/kg/min.
• Alvos do tratamento da sepse
pediátrica:
- Reestabelecer a volemia;
- Redução da FC// FR// PA normal para idade;
- Débito Urinário maior que 1ml/kg/h;
- Pulsos centrais e periféricos sem diferenças de
amplitude;
- Nível de consciência adequado;
- Tempo de enchimento capilar 2- 3 segs.