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(Modalidades de anestesia) Conceituação de Anestesia “Anestesia é a técnica utilizada para permitir que o paciente receba o tratamento cirúrgico sem sofrimento e sem risco, e que o cirurgião possa realizar o trabalho de maneira confortável e segura. " Histórico · Especialidade nascida nos EUA no século XIX. · 1846 - William Thomas Green Morton. · Anos subsequentes alta mortalidade. · Avanço na farmacologia, aparelhos de anestesia e de monitoramento. · Pos-guerra ajudou muito; Objetivos do ato anestésico · Suprimir a sensibilidade dolorosa do paciente durante a cirurgia, mantendo-o consciente ou não; · Promover relaxamento muscular; · Proporcionar condições ideais para que o cirurgião possa atuar da melhor maneira. Critérios para escolha de anestesia · Doenças coexistentes e sua gravidade; (Ex.: HAS, DM, cardiopatias, hipotireoidismo...) · Tipo, duração de efeito necessário e abordagem; (Avaliar a farmacocinética e farmacodinâmica) · Disponibilidade técnica (materiais, equipamentos e Fármacos); · Preferência do paciente por determinada técnica ou até mesmo sua recusa; · Topografia do procedimento e posição do paciente durante a cirurgia; · Condições do paciente na recuperação pós operatória; (Pode associar com uma anestesia local para melhor conforto) · Necessidade de técnica anestésica adjuvante. Anestesia loco-regional Anestésicos locais São substâncias que, em contato com a fibra nervosa, interrompem transitoriamente o desenvolvimento e a progressão do impulso nervoso. · Agem nos canais de sódio da fibra nervosa Ocupam os poros de troca iônica que permitiriam a despolarização por potencial de ação. Relação a concentração esses anestésicos locais em pequenos locais eles agem primeiramente no bloqueio sensitivo e depois com o aumento da concentração atuam no bloqueio motor e autônomo. Farmacocinética Dose total: os níveis plasmáticos alcançados são maiores para a administração intercostal, caudal, peridural e plexo braquial, nesta ordem. Fatores físico-químicos: · Grau de ionização: correlação entre o pH do meio e pKa (pH no qual 50% da substância se encontra na forma ionizada) do anestésico local, determina a proporção de moléculas polares e apolares, estas últimas favorecendo a absorção · Lipossolubilidade: favorecendo a absorção pela passagem através das membranas e reduzindo-a pelo maior depósito local dos anestésicos no tecido gorduroso subjacente à área de injeção · Ligação às proteínas (ex.:albumina) · Tamanho das moléculas Ações gerais · SNC - se atingido, sedação e sonolência · Cardiovascular - vasoconstricção e depressão miocárdica (EV antiarrítmicos) · Respiratório - antitussígeno, altas doses deprimem o bulbo · Útero - lidocaína estimula a contração uterina, bupivacaína não interfere · Metabolismo (Tamanho das moléculas dos anestésicos) · Ésteres - hepática e plasmática · Amidas – hepática Tipos de anestésicos locais Aminoésteres · Procaína · Tetracaína Aminoamidas · Lidocaína · Bupivacaína · Ropivacaina · Estudacaína Quinolina -pomadas · Debucaina · Nupercaína Quanto mais carbono mais lipossolúvel Procaína (Novocaína) · Einhorn, 1905; · 4 vezes menos tóxica que a cocaína; · Dose máxima:10mg/kg ou 7mg/kg sem vasoconstrictor; · Baixo poder de penetração em mucosas; · Indicado para anestesia local; · Injeção venosa lenta para: · Analgesia em queimaduras extensas; · Vasodilatação em espasmos vasculares periféricos; · Antipruriginoso. Tetracaína (Pontocaína) · Ester de maior potência e toxicidade; · Excelente penetração mucosa (ex: colírio); · Dose máxima: 1,4mg/kg; · Pequena margem de segurança devido maior toxicidade. Lidocaína (Xilocaína) · Baixa toxicidade, curto tempo de latência, grande difusibilidade, intensa atividade bloqueadora e ausência de irritação dos tecidos; · Mais utilizado; · EV - Antiarrítmico - 10 a 100mg ev dose única; · Dose máxima: · 7mg/kg sem vasoconstrictor; · 10mg/kg com vasoconstrictor (adrenalina) (1:200.000); · Latência: 1 - 5 minutos; · Ação: 1 - 2 h Bupivacaína (Marcaína) · Longa duração, tempo de latência longo; · Não atravessa a barreira hematoplacentária - preferência em obstetrícia; · Muito lipossolúvel, portanto, dilui no tecido subcutâneo e fica pouco disponível na circulação; · Dose máxima: 2mg/k. Ropivacaína (Naropin) · Menor cardiotoxicidade; · Início de ação 1 a 15 min; · Duração 2-6h; · Dose máxima: 2-5mg/kg; · Assim como a cocaína, causa vasoconstrição, portanto não há benefício em associar epinefrina; Etidocaína (Duranest) · Efeito duradouro, curto tempo de latência; · Baixa transmissão placentária por avidez intensa às proteínas do sangue materno; · Dose máxima: 2mg/kg. Reações tóxicas aos ALs · Reações alérgicas raras · Depressão das fibras inibitórias - sintomas iniciais de estimulação - contrações musculares, convulsões; · Paralisia a seguir; · Depressão miocárdica; · Depressão respiratória com hipóxia. Como evitar essas reações? · Conhecer características do anestésico; · Respeitar doses; · Saber a concentração do fármaco nos tecidos; · Condições do paciente; · Gravidez. Toxicidade Procaína Lidocaína Mepivacaína Bupivacaína Tetracaína Dibucaína Absorção · Absorção proprocional à vascularização dos tecidos; · Mucosas tem elevada capacidade de absorção, mas medicamentos tópicos são mais concentradados. Vasoconstrictor Adrenalina conc. 1:200.000 · Retarda absorção · Prolonga analgesia · Reduz possibilidade de intoxicação · Cuidado: risco de necrose isquêmica por vasoconstrição de extremidades · Contraindicações · HAS grave · Hipertireoidismo Cardiopatia grave · Arterioesclerose avançada Características do paciente · Extremos de idade e peso - dose por kg · Gestantes · Bupivacaína (de preferência) · Dutivacaína · Velocidade de injeção administração desse anestésico local. Prevenção da intoxicação: · Monitorizar o paciente; · Sedar o paciente; · Selecionar o anestésico e respectiva dose · Ajustar a dose de acordo com as características do paciente; · Aspirar com o embolo da seringa antes de injetar para evitar sua introdução na corrente sanguínea Fazer pressão negativa; · Suspender a injeção se o paciente apresentar sinais premonitórios superdosagem. Sinais iniciais de intoxicação · Sonolência · Sensação de frio · Opressão torácica · Distúrbios auditivos · Cafaleia · Insensibilidade nos lábios ou na língua · Diasartria · Tremores · Alterações comportamentais Tratamento da intoxicação Inicial · Sedar o paciente com benzodiazepínico EV · Administrar oxigênio Convulsões · BDZ · Relaxante muscular despolarizante · IOT Formas de administração · Anestesia de contato ou superfície · Anestesia local · Anestesia troncular ou plexular · Anestesia regional intravenosa · Bloqueio do neuroeixo: · Raquianestesia · Anestesia peridural 1. Anestesia de contato · Colírios, cirurgias oftalmológicas; · Mucosas – alta vascularização; · Zonas de alta vascularização e necessidade de penetração mínima. · Spray, tópicos 2. Anestesia local · Infiltração no subcutâneo da área que se quer anestesiar; · Para procedimentos cirúrgicos pequenos, curtos, cuja posição o paciente tolere; · Pode ser utilizada como forma de otimizar a analgesia pós operatória; lidocaína robvacaina · Pode ser associada com sedação. Segurança 3. Anestesia inflitrativa Infiltrativa de anestésico sob a lesão Bloqueio em campo · Infiltração sob a lesão em área delimitada · Segue a zona de ramificação dos nervos. 4. Anestesia troncular Constitui-se na administração da solução de anestésico local na proximidade de um nervo, acarretando cessação da condução dos impulsos nervosos que por ele trafegam, propiciando anestesia e/ou bloqueio motoro da área por ele inervada; A localização dos nervos a serem bloqueados é conseguida por referencias anatômicas especificas, para realização técnica de cada bloqueio, complementadas por sinal da perda de resistência, pesquisa de parestesia ou pesquisa de contração muscular. Bloqueio dos dedos · Evitar vasoconstritor; · Infiltraro subcutâneo dos dedos em ambos os lados da base do dedo, em forma de anel; · Ramos dorsais e ventrais. Indicações · Cada tronco bloqueado tem sua indicação conforme localização e zona de inervação. Contraindicações · Absolutas – recusa do paciente, infecção no local de punção, alergia ao anestésico local a ser utilizado e coagulopatias. · Relativas – lesão neurológica previa, sepse e uso de anticoagulantes. 5. Anestesia plexular · É o bloqueio de um tronco nervoso proximal, de onde se originam os demais ramos nervosos do mesmo membro, pela administração de anestésico local no estojo anatômico que contém o plexo nervoso de interesse · São três os troncos nervosos de interesse: plexo braquial, plexo lombar e tronco lombossacral. Bloqueio plexo braquial Via supraclavicular · Bloqueio na sua passagem pela 1 costela · Mais profundo · Reparos: clavícula, 1ª costela e escaleno anterior · Parestesia distal confirma posição · Risco: pneumotórax e injeção intravenosa · Pode ter como auxilio o US para evitar possíveis erros anatômicos 6. Anestesia regional intravenosa (Bier) · Usada bastante em membro superior; · Consiste em anestesia realizada peça administração venosa de anestésico local em membro previamente drenado e isquêmico; · Duração máxima de 2 horas; · Isquemia temporária desse membro, feita pelo garrote Bloqueio de Bier · Sedação EV-BDZ · Manguito pneumático na base do membro · Punção de veia periférica distal · Dessangrar o membro (manter elevado alguns minutos) · Insuflar a câmera superior · 20 a 50 ml de anestésico pela veia periférica distal · Manguito trocado para região anestesiada · Esvaziar e insuflar o manguito após o termino do procedimento. Complicações: · Lesões nervosas temporárias · Isquemia do membro · Hipotensão 7. Bloqueio do neuroeixe · Inibição da dor e do movimento (sensibilidade e motricidade); · Pode ser: raquianestesia e peridural. Raquianestesia · Infusão de anestésico no espaço subaracnóideo; · Anestésico local é injetado no espaço subaracnóideo e se mistura ao liquido cefalorraquidiano (LCR ou líquor); · Bloqueio nervoso reversível das raízes nervosas, levando o individuo à perda das atividades autonômica, sensitiva e motora; · Camadas da raquianestesia: Pele subcutâneo ligamento supraespinhoso ligamento interespinhoso ligamento amarelo (o mais resistente) dura-máter aracnoide LCR. Fármacos mais utilizados · Bupivacaína · Lidocaína · Ropivacaina · Cloroprovacaína Indicações · Cirurgias em andar inferior do abdômen, urológicas, ortopédicas de MMII e perineais. Procedimento: Administra-se ALs (ex.: bupivacaína), com ou sem opioides no espaço subaracnóideo difusão no líquor raízes nervosas. Geralmente ao nível de L2. Verificar gotejamento antes de infundir. Ocorre: · Perda sensitiva, autônoma e motora abaixo do nível desejado de bloqueio. Variáveis · Tipo de AL (anestésico local) administrado: potência e início de ação diferentes; · Volume e dose do AL: quanto > a dose> o tempo de bloqueio e > risco de extensão cefálica; · Uso de vasoconstritores: o uso de adrenalina associado a AL de curta ação aumentará a ação da droga; · Adição de opioides: prolongará o tempo de analgesia (fentanil, morfina); · Fatores fisiológicos e anatômicos: gravidez, obesidade, escoliose, entre outros. Características dos anestésicos Classificados de acordo com sua densidade em relação ao líquor: · Isobárica – mais utilizados · Hiperbárica · Hipobarica Não isobáricas se distribuem conformo a gravidade e apresentam maior previsibilidade na sua dispersão Vantagens · Evita manipulação das vias aéreas; · Mantem a consciência em procedimentos onde esta medida é necessária; · Apresenta menor incidência de delirium e confusão mental no pós-operatório. Complicações · Hipotensão – pacientes com riscos cardiovasculares · Bradicardia · Cefaleia pós punção · Dor lombar · Retenção urinaria · PCR por extensão cefálica Contraindicações absolutas · Coagulopatias · Elevação da PIC – herniação · Infecção no sitio de punção · Hipovolemia grave · Sepse/ bacteremia · Anticoagulação terapêutica Peridural Infusão do anestésico no espaço epidural Generalidades · Caracteriza-se pela injeção de AL, com ou sem opioudes, no espaço peridural. Após a identificação do espaço com a agulha, é inserido um cateter; · Pode-se utilizar os medicamentos de forma mais controlada, segura e em repetidas doses; · Pode ser feita em qualquer nível da coluna, promovendo um bloqueio segmentar cranial e caudal ao local de injeção do anestésico. Vantagens · Menor incidência de cefaleia · Bloqueio mais restritos · Utilização de cateter Desvantagens · Maior tempo de latência · Menor intensidade de bloqueio · Maior possibilidade de toxicidade pelo anestésico local · Maior experiencia do anestesista Complicações · Cardiovasculares hipotensão arterial, isquemia neural, parada cardiorrespiratória, morte · Hemorrágicas hematoma peridural, hematoma subaracnoide · Infecções neurológicas: meningite, abscesso peridural, raquianestesia total, cefaleia, lesão traumática de raiz nervosa · Relacionadas ao cateter subaracnóideo durante a raqui continua nó, rotura, migração do cateter para espaço subaracnóideo, vascular ou paravertebral E o cateter pode permanecer? Sim. Fornece analgesia pós-operatoria adequada, expande-se melhor a caixa torácica, reduz a FC e em alguns casos é bem superior a analgesia EV (endovenosa) E o uso de heparina associado ao cateter? O surgimento do hematoma peridural ocorre com maior frequência em dois momentos: na inserção e na retirada do cateter. Deve-se respeitar um intervalo de 12 horas após a ultima dose de heparina.