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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA INSTITUTO MULTIDISCIPLINAR EM SAÚDE CAMPUS ANÍSIO TEIXEIRA CURSO DE FARMÁCIA QUÍMICA ORGÂNICA III Docente: Bruno Oliveira Moreira SÍNTESE DA ASPIRINA Vitória da Conquista - BA 2019 OBJETIVO INTRODUÇÃO A aspirina foi o primeiro fármaco a ser sintetizado na história farmacêutica, suas características envolvem efeitos anti-inflamatórios, antipiréticos, analgésicos e recentemente descoberta sua característica de prevenção de doenças cardiovasculares. Inicialmente achava-se que a salicina, que é um glicosídeo do álcool salicílico isolado primeiramente das cascas do salgueiro pelo farmacêutico francês H. Leroux em 1892 que apresentava tais características biológicas relatadas. Porém, após o isolamento pode-se observar que a salicina era convertida em um princípio ativo, o ácido salicílico, no trato intestinal e no fígado. E este sim desempenhava as ações terapêuticas. Mesmo na forma de sal sódico o salicilato de sódio apresentou dificuldades de ser consumido devido a grande irritabilidade da cavidade bucal, esôfago e estômago então em 1899 o químico Felix Hoffmann administrou em seu pai que sofria de dolores reumáticas o ácido acetilsalicílico, por conta do comprometimento do tratamento pelos efeitos colaterais da utilização do sal. Esta experiência resultou na comprovação de que o éster de ácido salicílico era tolerado pelo organismo não desencadeando tantos efeitos colaterais indesejados. Desta forma a aspirina foi introduzida na terapêutica. O nome aspirina é derivado da denominação alemã spirsaüre, atribuída ao ácido salicílico que é uma molécula bifuncional, podendo sofrer dois tipos de esterificação: na presença de anidrido acético forma-se a aspirina, enquanto que na presença de um excesso de metanol o produto obtido é o salicilato de metila. A presença dos grupos carboxila e fenólico leva a formação de polímeros. O ácido acetilsalicílico reage com o bicarbonato de sódio formando um sal sódico solúvel, enquanto o polímero é insolúvel na solução de bicarbonato. Esta diferença de solubilidade é utilizada na purificação do produto. O ácido salicílico é uma molécula bifuncional, podendo sofrer dois tipos de esterificação. Na presença de anidrido acético forma-se a aspirina. Figura 01: Estrutura do Ácido Salicílico e Ácido Acetilsalicílico MATERIAIS - Erlenmeyer de 250 mL - Provetas de 10 mL - Béquer - Suporte universal, garras - Banho maria - Papel de filtro - Placa de petri - Balança - Kitassato - Funil de Buchner - Bomba de vácuo - Espátula - Recipiente aberto contendo gelo - Vidro de relógio - Ácido salicílico - Anidrído acético - Ácido sulfúrico - Água - Tubo de ensaio - Chapa aquecedora - Cadinho de porcelana - Pipeta - Bastão de vidro PROCEDIMENTOS 1. Em erlenmeyer de 250 mL, colocou-se 2,5 g de ácido salicílico seco (previamente pesado) e foi adicionado lentamente 7,5g (4,0 mL) de anidrído acético. Posteriormente, adicionou-se 2 gotas de ácido sulfúrico concentrado e foi feito a homogeneização. 2. Os reagentes foram então aquecidos em banho-maria, em uma temperatura em torno de 50-60 °C durante 15 minutos, e agitado com auxílio de bastão de vidro. O ácido salicílico foi dissolvido totalmente, levando a reação de esterificação, não sendo necessário a permanência por mais 3 minutos (já que o meio ficou límpido) 3. O erlenmeyer foi então deixado sob a bancada, para que a mistura pudesse esfriar à temperatura ambiente. 4. Foi adicionado 50 mL de água gelada e agitamos. Observou-se assim, a precipitação de um sólido branco. 5. Filtrou-se em funil de buchner, lavando com pequena quantidade de água gelada. ● O ácido acetilsalicílico é solúvel em etanol e também em água quente, porém não é solúvel em água em baixas temperaturas, por este motivo, a lavagem dos cristais deve ser feita com água gelada, se não, ocorrerá uma solubilização dos mesmos. 6. Dissolveu o produto bruto em 20 mL de etanol, a quente, levando à ebulição, em erlenmeyer. 7. Adicionou-se a solução alcoólica quente sobre 50 mL de água quente, contida em um erlenmeyer de 125 mL. 8. Foi transferido a solução para béquer de 125 mL e deixado em repouso. Obtive-se então cristais após o resfriamento 9. Filtrou-se em funil de Buchner, foi lavado com alguns mL de água gelada. Posteriormente, foi deixado os cristais em estufa a 50 °C até secarem. 10.Após secagem, ocorreu a pesagem os cristais para calcular o rendimento. Etapa de confirmação O teste de confirmação é necessário para saber se na amostra tem um ester ou não. Procedimento 1: Em um cadinho, dissolveu-se alguns cristais em aproximadamente 1ml de etanol e posteriormente, adicionado 3 gotas de cloridrato de hidroxilamina e 3 do hidróxido de potássio. Aquecer o cadinho até o início da reação (formação de bolhas). Foi adicionado 8 gotas de ácido clorídrico e 1 gota de cloreto férrico . Procedimento 2: Em um tubo de ensaio, dissolveu-se alguns cristais do produto em 1mL de etanol para ajudar na solubilização. Adicionou-se então uma gota de cloreto férrico. RESULTADOS Rendimento: Cálculo da massa do anidrido acético (C4H6O3): m = d x V m = 1,08 g/mL x 4mL m = 4,32g Cálculo do reagente limitante e do reagente em excesso: - Mol do ác. salicílico = massa massa molec. Mol = 2,5g 138g Mol = 0,0181 - Mol do anidrido acético = 4,32g 102g Mol = 0,04235 Cálculo do rendimento teórico de ácido acetil salicílico: R = massa do reagente limitante x MM (AAS) MM ác. salicílico R = 2,5g x 180 g/mol 138 g/mol R = 3,26g Cálculo do rendimento real 3,26g _______ 100% 1,507g ______ X X = 46,227% DESENVOLVIMENTO A obtenção do ácido acetilsalicílico (C9H8O4), vem da reação do ácido salicílico (C7H6O3) juntamente com o anidrido acético (C4H6O3), em que a presença de ácido sulfúrico (H2SO4) atua como o catalisador da reação, uma vez que o H2SO4 diminui a energía de ativação, aumentando a velocidade da reação, sendo indispensável, uma vez que sem o mesmo a reação iria acontecer muito lentamente, ácido sulfúrico age como catalisador na reação de esterificação, tornando-a mais rápida e prática. A reação de síntese de obtenção da aspirina consiste em uma acetilação do ácido salicílico, em que o nucleófilo do ácido salicílico (-OH fenólico) ataca o centro catiônico do anidrido acético , após uma migração de H e seguido de uma eliminação do ácido acético que é um subproduto da reação. Mecanismo da reação de síntese: Quando adiciona-se o anidrido ao ácido acético é notado um precipitado branco, juntamente com o H2SO4 é visto que o precipitado branco continua visível mas nota-se mais transparência, assim como a subida da temperatura, este fato mostra que é uma reacção exotérmica .A reação teve como produto ácido acetilsalicílico e o ácido acético. Após o aquecimento em banho maria, foi adicionado água e foi notado a liberação de vapores, estes vapores era o ácido acético se perdendo no ar, e a adição de água destilada na mistura foi responsável pela decomposição do excesso de anidrido acético. Figura: Equação geral da aspirina É aconselhável que esfrie a solução lentamente, para que as moléculas se disponham em retículos cristalinos, com formação de cristais puros. Pode-se também utilizar o resfriamento em banho gelado, fricção com o bastão de vidro na lateral do béquer. A solução foi se resfriando e foi notado a formação de de cristais de ácido acetilsalicílico, ocorre devido a solubilidade do mesmo na água, e conforme a temperatura diminuía notava-se a formação de mais cristais , devido ao processo de recristalização. A escolha do solvente para a recristalização para ser considerado bom ele deve possuir ponto de ebulição relativamente baixo, proporcionar fácil dissolução da substância a altas temperaturas e pouca solubilidade da substância a baixas temperaturas. Após foi lavado com água fria pois a lavagem dos cristais devem ser feitas com água gelada, se não, ocorrerá uma solubilização dos mesmos. E para avaliar a eficiência da recristalização se dá partir da formação do precipitado cristalizado após o tempo de resfriamentoe da verificação com o cálculo de rendimento mostrado nos resultados. Mecanismos de confirmação: Após a recristalização foi feito o teste de confirmação, onde visa notar a presença de esteres. Foi dissolvido uma pequena quantidade de cristais obtidos na prática em 1ml de etanol no cadinho de porcelana e adicionou-se 5 gotas de cloridrato de hidroxilamina e 4 gotas de hidróxido de potássio, em seguida foi aquecido na chapa aquecedora. Notando o borbulhamento, retirou-se o mesmo da chapa e aguardou o resfriamento, em seguida acidulou-se e com 5 gotas de HCl a 5% e 5 gotas de FeCl3 a 1%. Homogeneizou e foi notado a alteração de cor para o violeta, confirmando a presença de ésteres. Figura: Teste de confirmação positivo Sobre o mecanismo da reação de confirmação temos que o reagente principal da reação, o ácido salicílico possui em sua estrutura um grupo fenol. Assim, para a confirmação da produção da Aspirina a partir do mesmo é realizado um teste de confirmação para verificar a presença do fenol. Desse modo, utiliza-se a determinação do ácido salicílico através do teste de identificação com cloreto férrico FeCl3. O ânion salicato em contato com os cátions Fe3+ forma complexos triquelatos e esse complexo ferro-fenol apresenta coloração vermelha a púrpura constituindo teste positivo para éster carboxílico. A cor púrpura da reação de confirmação diminui sua intensidade com o tempo, isto se dá porque essa é uma reação entre o fenol do ácido salicílico e o ferro. No produto final que é o ácido acetilsalicílico não há fenol em sua estrutura, logo a reação (ferro-fenol) não ocorre. Poderia utilizar outro método para o teste de confirmação que seria a determinação do ponto de fusão, as substâncias possuem um ponto de fusão determinado quando estão no estado puro, portanto, quando determinamos o ponto de fusão podemos identificar a substância, porém quando impuras as faixas de ponto de fusão são grandes indicando a presença de impurezas. Análise do espectro em Infravermelho Outro método de confirmação é a análise por espectro em infravermelho, e as principais bandas explicadas na literatura sobre espectro de absorção na região IV do AAS são as seguintes mostradas na tabela e comparadas com os estriamentos do espectrofotômetro. Figura: Espectro infravermelho do AAS (KBr) <https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119659/lima_tr_tcc_arafcf.pdf?sequenc e=1&isAllowed=y> Tabela: Bandas de Absorção do espectro no infravermelho relativos ao AAS (KBr). <https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119659/lima_tr_tcc_arafcf.pdf?sequenc e=1&isAllowed=y> LIMA, Thais Ramos. Síntese de novos derivados híbridos do Ácido Acetil Salicílico (AAS). 2011. 54 f. Trabalho de conclusão de curso (Farmácia-Bioquímica) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, 2011. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/119659>. CONCLUSÃO: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119659/lima_tr_tcc_arafcf.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119659/lima_tr_tcc_arafcf.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119659/lima_tr_tcc_arafcf.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/119659/lima_tr_tcc_arafcf.pdf?sequence=1&isAllowed=y http://hdl.handle.net/11449/119659 Observou-se que os cristais obtidos na prática são de ácido acetilsalicílico e tem uma cor branca, e para sua lavagem deve ser usado água fria, pois o aumento da temperatura favorece a solubilização dos cristais. O ácido acético encontra-se no estado gasoso à temperatura ambiente, possuindo um cheiro característico ao do vinagre. Devido à subida da temperatura a reação é exotérmica. Conclui que foi possível sintetizar AAS, porém o rendimento obtido foi de 46,227%, um valor baixo, evidenciando que pode ter ocorrido perdas durante a prática nas vidrarias, papel filtro ou em relação a pureza dos reagentes. Logo não é suficiente para que seja um procedimento considerado proveitoso e vantajoso, tanto nas aulas quanto nas farmácias de manipulação. REFERÊNCIAS: LIMA, Thais Ramos. Síntese de novos derivados híbridos do Ácido Acetil Salicílico (AAS). 2011. 54 f. Trabalho de conclusão de curso (Farmácia-Bioquímica) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, 2011. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/119659>. História - Sobre Aspirina. Disponível em : <https://www.aspirina.com.br/pt/sobre-aspirina/historia/> SIMÕES, Teresa; QUEIRÓS, Maria; SOMÕES, Maria – Técnicas Laboratoriais de Química – Bloco II, Porto, 1.ª ed., Porto Editora, 2001. ROSENBERG, Jeromel; EPSTEIN, Lawrence – Química Geral, Portugal, 1.ª ed., McGraw-Hill, 2001. MORAIS, Francisca Edivânia, Estudo Termoanalítico de Medicamentos de Referência Genérico e Similar, Natal, RN, 2011. http://hdl.handle.net/11449/119659 https://www.aspirina.com.br/pt/sobre-aspirina/historia/