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1 SAMANTHA LEÃO F. LIMA SISTEMA CARDIOVASC. SEMIOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR • INSPEÇÃO E PALPAÇÃO ✓ São analisados em conjunto, pois os achados semióticos tornam-se mais significativos; ✓ Alguns parâmetros devem ser sistematicamente analisados: pesquisa de abaulamento, análise do ictus cordis ou choque da ponta, análise de batimentos ou movimentos visíveis ou palpáveis e pesquisa de frêmito cardiovascular. I. ABAULAMENTO: Para facilitar o reconhecimento de abaulamento, é preciso que se observe a região precordial ou precórdio (região que se situa acima do coração ou do estômago, nomeadamente, a região esquerda do tórax) deve ser feita em 2 incidências: tangencial, com o examinador de pé do lado direito do paciente, e frontal, o examinador fica junto aos pés do paciente, que permanece deitado. O abaulamento desta região pode indicar a ocorrência de aneurisma da aorta, cardiomegalia, derrame pericárdico e alterações da própria caixa torácica. É de suma importância diferenciar os abaulamentos por alterações da estrutura osteomuscular dos causados pelo crescimento do ventrículo direito. O elemento que os distingue é a ocorrência de impulsão do precórdio, que aparece nos casos de hipertrofia. II. ICTUS CORDIS: Ou pode também ser chamado de choque da ponta, é preciso que se investigue a localização, extensão, mobilidade, intensidade, ritmo e frequência. A localização do ictus cordis varia de acordo com o biotipo do paciente. Nos mediolíneos, situa-se no cruzamento da linha hemiclavicular esquerda com o 5 º espaço intercostal; nos brevilíneos, desloca-se aproximadamente 2cm para fora e para cima, situando-se no 4º espaço intercostal; nos longilíneos, costuma estar no 612 espaço, 1 ou 2 em para dentro da linha hemiclavicular. • OBS: Nos portadores de enfisema pulmonar ou quando há obesidade, musculatura muito desenvolvida ou grandes mamas, o ictus cordis pode tornar-se invisível e impalpável. Mesmo em pessoas saudáveis ou idosos, podem ter o ictus não visível e praticamente impalpável • O deslocamento do ictus cordis indica dilatação e/ ou hipertrofia do ventrículo esquerdo, como ocorre na estenose aórtica, insuficiência aórtica, insuficiência mitral, hipertensão arterial, miocardiosclerose, miocardiopatias e algumas cardiopatias congênitas. *QUANDO O PACIENTE TEM ESCOLIOSE, DEPRESSÃO DO ESTERNO, DERRAME PLEURAL OU ELEVAÇÃO DO DIAFRAGMA (ASCITE) >> DESLOCAMENTO DO ICTUS NÃO INDICA HVE; HIPERTROFIA DO VD >> NÃO REPERCUTE SOBRE O ICTUS 2 SAMANTHA LEÃO F. LIMA SISTEMA CARDIOVASC. • Avalia-se a extensão do ictus cordis procurando-se determinar quantas polpas digitais são necessárias para cobri-lo. Em condições normais, corresponde a 1 ou 2 polpas digitais. Nos casos de hipertrofia ventricular, são necessárias 3 polpas ou mais. Quando há grande dilatação e hipertrofia, o ictus cordis pode chegar a abarcar toda a palma da mão. • Intensidade do ictus> é avaliada com mão repousada sobre a região dos batimentos; Tenta-se palpar o ictus com o paciente em decúbito dorsal, se não conseguir>> decúbito lateral com o paciente em expiração. A intensidade pode ser variável, sendo mais forte em pessoas magras, após exercícios ou emoções, em todas as situações que provocam o aumento da atividade cardíaca (hipertireoidismo, exercício e eretismo cardíaco) OBS: Pode-se dizer que as HVE impulsionam as polpas digitais com mais vigor que as dilatações. III. BATIMENTOS OU MOVIMENTOS: Além do ictus cordis, podem ser encontrados no precórdio e áreas vizinhas outros batimentos visíveis ou palpáveis, ou seja, retração sistólica, levantamento em massa do precórdio, choques valvares, cliques, pulsação epigástrica e pulsação supraesternal. a. RETRAÇÃO SISTÓLICA: aparece em casos de hipertrofia direita. Durante a sístole, em vez de um impulso, o que se percebe é uma retração; b. LEVANTAMENTO EM MASSA DO PRECÓRDIO: também denominado impulsão sistólica, ocorre na hipertrofia do ventrículo direito e é percebido como um impulso sistólico que movimenta uma área relativamente grande da parede torácica nas proximidades do esterno (REGIÃO ESTERNAL E PARAESTERNAL); c. CHOQUE VALVAR: quando as bulhas cardíacas se tornam hiperfonéticas, podem ser sentidas pela mão como um choque de curta duração. Isso também ocorre com os cliques de maior intensidade, que também chegam a ser palpáveis; d. PULSAÇÕES EPIGÁSTRICAS: são observadas e palpadas em muitas pessoas e nada mais são do que a transmissão à parede abdominal das pulsações da aorta. Porém, podem denunciar hipertrofia ventricular direita. Neste caso, as pulsações serão mais intensas no nível do ângulo xifoesternal, em que se consegue inclusive perceber as contrações de ventrículo hipertrofiado. Uma outra causa dessas pulsações epigástricas é o pulso hepático, que pode ser em razão de estenose tricúspide (neste caso, a pulsação é pré-sistólica) ou de insuficiência tricúspide, quando então a pulsação é sistólica. e. PULSAÇÃO SUPRAESTERNAL OU NA FÚRCULA ESTERNAL: pode ser observada em pessoas normais e depende das pulsações da aorta. Quando muito intensas, levantam a suspeita de hipertensão arterial, esclerose senil da aorta, aneurisma da aorta ou síndrome hipercinética (insuficiência aórtica, hipertireoidismo, anemia). IV. FRÊMITO CARDIOVASCULAR: são vibrações produzidas no coração ou nos vasos. Ao encontrar-se um frêmito, 3 características precisam ser investigadas: localização, usando-se como referência as áreas de ausculta; situação no ciclo cardíaco, diferenciando-se, então, pela coincidência ou não com o ictus cordis ou o pulso carotídeo, os frêmitos sistólico, diastólico e sistodiastólico; e intensidade, avaliada em cruzes (1+ a 4+). • CLIQUES E ESTALIDOS: a característica semiológica básica dos cliques e estalidos é sua situação no ciclo cardíaco. 3 SAMANTHA LEÃO F. LIMA SISTEMA CARDIOVASC. I. ESTALIDO SISTÓLICO a. Estalidos protossistólicos (pulmonar e aórtico): também chamados ruídos de ejeção, por indicarem súbita ejeção de sangue nos vasos da base. Sua origem é vascular e são produzidos, portanto, pelas vibrações da parede do vaso. • Trata-se de ruídos de alta frequência, agudos e intensos, produzidos na artéria pulmonar e na aorta. É possível ouvir melhor o estalido protossistólico pulmonar na área pulmonar e na borda esternal esquerda, diferenciando- se do desdobramento da P bulha pelo seu timbre mais agudo. Este ruído pode ser encontrado na estenose pulmonar moderada, na dilatação idiopática da artéria pulmonar, na comunicação interatrial e na hipertensão pulmonar grave. • O estalido protossistólico aórtico, mais audível na região que vai das vizinhanças do 4° espaço intercostal esquerdo junto à borda esternal até a mitral, pode ser encontrado nas lesões valvares aórticas (estenose e insuficiência), coarctação da aorta, aneurisma da aorta, dilatação aórtica de etiologia aterosclerótica ou hipertensiva e em algumas cardiopatias congênitas cianóticas com desvio do fluxo sanguíneo para a aorta (tetralogia de Fallot grave). b. Estalidos mesossistólicos e telessistólicos: O surgimento de um ruído entre a 1ª e a 2ª bulha, no intervalo sistólico, é também chamado de clique sistólico. Trata-se de um ruído cuja origem pode ser decorrente de um prolapso da valva mitral. Sua identificação é feita pelas suas características estetacústicas: é um ruído de alta frequência, seco, agudo, situado no meio ou no fim da sístole, cuja intensidade varia nitidamente durante os movimentos respiratórios e com as mudanças de posição. É audível nas áreas mitral ou tricúspide. Não se deve confundi-lo com o desdobramento da 1ª bulha, com o estalido protossistólico pulmonar ou aórtico, nem com o atrito pericárdico.