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GESTÃO DA BIODIVERSIDADE A3 GESTÃO DO AGRONEGOCIO

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Traçando todo um contexto histórico e argumentativo, o tema da biodiversidade ser inserido no contexto político foi um processo árduo e longo, o qual foi necessário a cooperação de todos os países e a ponderação de acordo com os hábitos os quais a população mundial estava adquirindo ao longo da história. 
O processo começou pela Conferência de Berna em 1913, na Suíça, pois foi a primeira vez que houve uma pequena movimentação – apenas 15 países participaram - para a discussão do impacto das indústrias e conservação do meio ambiente pelos países. Percorrendo pela fundação em 1948 da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês), trazendo no Pós 2ª Guerra Mundial diversas comissões de preservação, com o intuito de implementar na sociedade a necessidade de proteção à biodiversidade. Os frutos dessa tentativa de mudança de comportamento e mentalidade começaram a aparecer quando, em 1972 em Estocolmo, Suécia, houve a Conferência de Estocolmo; Que, finalmente, consolidou a fragilidade da biodiversidade como problema político. Com isso, 20 anos após, no Rio de Janeiro, houve a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (também conhecida como ECO-92), e tiveram várias criações, planejamentos e regulamentações quanto a pauta ambiental, como por exemplo a Agenda 21 e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente; a qual contou com a presença de 156 países. E durante a ECO-92, foram abertas as assinaturas para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
A Convenção sobre Diversidade Biológica é o principal fórum mundial de debate sobre a biodiversidade em três subcategorias: ecossistemas, espécies e recursos genéticos. Ela estabelece ações que os países devem incorporar para conservar a biodiversidade, como divulgar e informar a população sobre os recursos naturais nacionais, compor leis para delimitar o acesso aos recursos naturais e fomentar criações e acesso a tecnologias e o intercâmbio de informações. A CDB têm três pilares principais: A conservação da diversidade biológica, o uso sustentável da biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos benefícios advindos do uso dos recursos genéticos e conhecimento tradicional associado aos recursos, respeitada a soberania de cada nação sobre o patrimônio genético existente em seu território. O fórum funciona ainda como uma espécie de estrutura política e legal para diversas outras convenções e acordos ambientais mais específicos. 
Entre os quais estão o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que têm como foco o segundo pilar principal da CDB (sendo ele um acordo complementar) - assegurar um limite na produção, manipulação e uso dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s), também conhecidos como transgênicos, para que não haja “efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica, levando em conta os riscos para saúde humana [...]”, de acordo com o texto do próprio protocolo -. O Protocolo de Cartagena foi aberto à assinaturas em 2000.
Outro exemplo de acordo complementar, é o Protocolo de Nagoya, o qual se foca no terceiro pilar principal da CDB, que cuida da repartição justa dos benefícios oriundos dos recursos genéticos. Ou seja, o protocolo tem por objetivos organizar o acesso aos recursos genéticos – criando e cobrando regras específicas para o uso desses recursos, promovendo a transparência, estabelecendo monitoramento e etc -. Outra característica muito importante deste protocolo é a proteção dos conhecimentos tradicionais e de quem os descobriu, ou seja, beneficiamento de forma financeira às comunidades que detinham desse conhecimento, como por exemplo os indígenas resididos na Floresta Amazônica e seus conhecimentos milenares sobre a mesma, que quando utilizados pelo mundo, os índios recebam uma bonificação por este conhecimento compartilhado. Em vista disso, o Protocolo de Nagoya é um dos mais respeitados e relevantes para as populações tradicionais. Foi aberto à assinaturas em 2011.
Essas complementações a Convenção sobre Diversidade Biológica tem surtido bons efeitos em grande parte do mundo. No Brasil, o Protocolo de Cartagena foi promulgado no Brasil em 2006 e o Protocolo de Nagoya em 2021. Mesmo com tamanha discrepância de tempo em relação ao tempo de abertura às assinaturas e o processo realmente validar em nosso país, o Brasil teve alguns feitos positivos, mesmo estando com poucas metas batidas das Metas Nacionais de Biodiversidade. Entre os feitos positivos, podemos destacar a implementação de diversos programas governamentais como o PRONABIO (atualmente chamado de CONABIO – Comissão Nacional de Biodiversidade); a criação e implementação da Política Nacional de Biodiversidade e a criação do Conselho Nacional da Biossegurança.
E não somente houveram ações somente efetivadas pelo governo: Conforme essas medidas foram sendo colocadas em prática ao longo do tempo, as gerações começaram a focar na pauta ambiental também. Com isso, a sensibilidade da sociedade perante a possível extinção de grande parte da biodiversidade, foi um dos propulsores de tamanha criação e participação de diversas ONG´s em nossa sociedade. Um exemplo de ONG brasileira que possui méritos extraordinários é o Projeto Tamar, que por seu sucesso em preservar as espécies de tartarugas marinhas em extinção, possui certa ajuda estatal, mas ainda sim mobiliza ações de pesquisa e educação ambiental, e ajuda no desenvolvimento local com a geração de empregos.
Portanto infere-se que a mentalidade humana, em cerca de 110 anos, abriu os olhos para a preservação ambiental e para todas as outras pautas relativas ao meio ambiente. Sendo assim, considero um êxito a evolução que tivemos em preservar a biodiversidade, entretanto, acredito que ainda será um árduo caminho a seguir, para que o Planeta nem as próximas gerações sofram.

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