Atualidades-Juridicas-15
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Atualidades-Juridicas-15


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REVISTA
Revista do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil 
Ano 2012 - Janeiro, Fevereiro e Março - Número 15 
Atualidades Jurídicas
Mais uma Revista Atualidades Jurídicas, de nº 15, passa 
estar à disposição do leitor.
Desta vez com variados e interessantes artigos sobre temas 
palpitantes, além de comentários e palestras, cumpre a 
revista prontamente o seu papel de divulgação de ideias e 
espaço destinado à reflexão jurídica.
Com destaque para a Lei da Ficha Limpa, cuja 
constitucionalidade vem de ser reconhecida em termos 
amplos pelo Supremo Tribunal Federal, os artigos 
discorrem sobre assuntos que vão desde a ampliação 
do prazo da suspensão dos direitos políticos por 
improbidade administrativa, passando pelos limites da 
publicidade na advocacia, até os sistemas de controle de 
constitucionalidade.
Esperamos que o leitor desfrute mais esta oportunidade 
de meditação.
Arnaldo Versiani Leite Soares
Membro do Conselho Editorial
CONSELHO EDITORIAL
Presidente
OPHIR CAVALCANTE JUNIOR
Pará 
Presidente Executivo
MARCELO HENRIQUE BRABO MAGALHÃES
Alagoas
Membros Efetivos
ALFREDO DE ASSIS GONÇALVES NETO
Paraná
ARNALDO VERSIANI LEITE SOARES
Distrito Federal
LUIZ ALBERTO GURJÃO SAMPAIO ROCHA
Pará
RONNIE PREUSS DUARTE
Pernambuco
TALES CASTELO BRANCO
São Paulo
Apoio Administrativo
ALINE MACHADO COSTA TIMM
FERNANDA DEL BOSCO DE ARAUJO
Projeto Gráfico
SUSELE BEZERRA MIRANDA
EDITORIAL
Envio de artigos, críticas ou sugestões: 
oabeditora@oab.org.br
www.oab.org.br/editora
ISSN 1982-890X
Advogadas e Advogados,
A Revista Atualidades Jurídicas de nº 15 dá 
continuidade ao árduo e altaneiro trabalho 
desenvolvido pelo Conselho da OAB Editora em 
conjunto com a ENA \u2013 Escola Nacional da Advocacia.
Trata-se a mesma de um instrumento de consulta 
obrigatória, de natureza plural, direcionado aos 
mais diversos ramos do direito, com artigos assaz 
interessantes, os quais tratam, em sua maioria, de 
temas polêmicos e novos.
Destacamos, na mesma, algumais discussões por 
demais interessantes, como palpitantes notícias que 
são relevantes para a advocacia e para a sociedade 
como um todo.
Sem dúvida, a finalidade almejada por todos nós 
está sendo atingida, propiciando que o advogado 
tenha, cada dia mais, um instrumento de informação 
e formação, que o auxilie no dia a dia e nos temas 
mais tormentosos que lhe forem confiados.
PALAVRA DO PRESIDENTE
Esperamos, cada vez mais, contar com a 
colaboração de todos, que podem participar deste 
projeto, que não é apenas da OAB Editora e da ENA, 
mas de toda a advocacia, enviando-nos, para tanto, 
artigos, palestras, comentários, sugestões, entre 
outros, de forma a podermos fazer uma revista cada 
dia mais completa, atual e de grande importância 
para o desempenho da nossa profissão e para o 
direito, sem descurar da causa cidadã a todos nós 
confiada.
Saudações Oabeanas!
Marcelo Henrique Brabo Magalhães
Presidente Executivo
REVISTA ATUALIDADES JURÍDICAS - N° 15
Destaques
Comentários e Palestras
Artigos Científicos
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22
87
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125
129
Lançamentos editoriais
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JANEIRO, FEVEREIRO E MARÇO/2012
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\u201cÉ uma vitória da cidadania, da ética e do povo 
brasileiro, que foi às ruas e disse para todo o Brasil 
que quer mudança na política\u201d. A afirmação foi feita 
pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados 
do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, ao enaltecer 
a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 
acolher a Ação Declaratória de Constitucionalidade 
(ADC) 30, ajuizada pela OAB, para declarar, por 
maioria de votos, a constitucionalidade da Lei 
Complementar 135/10 - a Lei da Ficha Limpa, em 16 
de fevereiro de 2012. 
Ao comentar a decisão, Ophir ressaltou que 
a lei vale para as próximas eleições municipais, 
conferindo mais segurança para o eleitor, aos 
candidatos e principalmente para o processo 
democrático. No entendimento do presidente 
da OAB, a declaração de constitucionalidade da 
Lei Ficha Limpa vai além, tornando-se, na prática, 
o início do processo de reforma política no país. 
\u201cO próximo passo agora será o Supremo Tribunal 
Federal acabar com o financiamento privado das 
campanhas eleitorais\u201d. 
A Lei Ficha Limpa não será capaz, no entanto, 
segundo ressalta Ophir Cavalcante, de acabar com 
todos os males da política brasileira, mas será um 
passo importante para evitar que \u201ccarreiristas\u201d 
ingressem na política com a intenção de fazer do 
mandato uma extensão de interesses privados. 
\u201cEsses vão pensar duas vezes porque a punição 
moral e política será grande\u201d, afirmou. \u201cA lei é um 
importante passo para a limpeza ética na política 
brasileira e o STF, ao declará-la constitucional, 
o fez em prestígio aos princípios da probidade 
administrativa e da moralidade pública\u201d. Ophir 
espera, ainda, que a nova lei propicie eleições mais 
transparentes e com maior credibilidade. \u201cEssa 
decisão fortalece a classe política e confere aos 
partidos políticos uma responsabilidade muito 
maior, ou seja, a de selecionar quadros de qualidade 
para representar o povo brasileiro, sob pena de 
terem as candidaturas indeferidas\u201d, afirmou. Ainda 
quanto à maior responsabilidade que recai aos 
partidos, Ophir Cavalcante entende que a Lei da 
Ficha Limpa veio para mudar os costumes políticos e 
propiciar que os partidos escolham seus candidatos 
não mais com base em sua capacidade econômica 
e com foco no aspecto meramente político. \u201cAgora 
os partidos terão de avaliar se o candidato tem 
o passado limpo. Isso é muito importante para 
mudarmos o caminho da política atual no sentido 
da ética e da moralidade\u201d. O presidente nacional 
da OAB acompanhou pessoalmente a votação do 
plenário do STF, em Brasília. 
O placar final do julgamento foi de sete votos 
a favor do artigo da lei que prevê a inelegibilidade 
de políticos condenados em órgão colegiado, 
quatro que consideraram que ninguém pode sofrer 
restrições até que haja uma sentença transitada em 
julgado (sem possibilidade de recursos). Os sete 
ministros a favor foram: Luiz Fux, Joaquim Barbosa, 
Rosa Weber, Carmen Lucia, Ricardo Lewandowski, 
Carlos Ayres Britto, e Marco Aurélio. Ficaram contra: 
Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar 
Peluso. Dentre os principais pontos da Lei da 
Ficha Limpa sobre os quais o STF se manifestou, 
destacam-se: A presunção de inocência - O principal 
questionamento sobre a ficha limpa era o de que 
a lei seria inconstitucional ao tornar inelegíveis 
políticos condenados que ainda poderiam recorrer 
da decisão. O STF decidiu que a lei não viola o 
princípio que considera qualquer pessoa inocente 
até que ela seja condenada de forma definitiva. 
Essa decisão permite a aplicação da lei a pessoas 
condenadas por órgão colegiado, mas que ainda 
podem recorrer da condenação.
Fatos passados - A ficha limpa também foi 
contestada por atingir fatos que ocorreram antes 
da sua vigência, inclusive ao determinar o aumento 
de três para oito anos do prazo que o político 
condenado ficará inelegível. A maioria do STF 
decidiu que a lei se aplica a renúncias, condenações 
e outros fatos que aconteceram antes de a ficha 
limpa entrar em vigor, em junho de 2010.
Renúncia - A proibição da candidatura nos 
casos de renúncia de cargo eletivo para escapar 
de cassação foi mantida pelos ministros do STF. 
D E S T A Q U E S
Ficha Limpa é vitória da Ética e 
Democracia
7
A maioria do tribunal defendeu que a renúncia é 
um ato para \u201cfugir\u201d do julgamento e que deve ser 
punido com a perda do direito de se eleger.
Prazo de inelegibilidade - A Lei da Ficha Limpa 
determina que os políticos condenados por órgão 
colegiado fiquem inelegíveis por oito anos. Esse 
período é contado após o cumprimento da pena 
imposta pela Justiça. Por exemplo, se um político é 
condenado a 10 anos de prisão, ficará inelegível por 
8 anos a contar do fim do cumprimento da pena. Na 
prática, ele não poderia se candidatar por 18 anos.
Rejeição de contas - A lei torna inelegíveis 
políticos que tiveram contas