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VII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL 
Londrina de 08 a 10 novembro de 2011 - ISSN 2175-960X – Pg. 960-972 
 960 
TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS: PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA A 
INICIAÇÃO NA MODALIDADE 
 
FERNANDA GABRIELA QUIDIM
1
, 
MEY DE ABREU VAN MUNSTER
2
. 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS (UFSCAR). 
 
Introdução 
 
O esporte para pessoas com deficiência, também denominado de esporte adaptado foi 
modificado ou criado para ir ao encontro das necessidades específicas dos indivíduos com 
deficiência, mantendo assim os objetivos e a integridade da atividade a fim de maximizar as 
potencialidades individuais do praticante. 
As modificações do esporte base só ocorrem quando necessárias sempre respeitando 
as metas previamente determinadas e as regras já existentes, valorizando a diferença, 
promovendo desafios e, segundo Araújo (1998), minimizando assim a segregação já imposta. 
A aplicação de atividades esportivas para pessoas com deficiência iniciou-se como 
objetivo de colaborar para o processo terapêutico, tendo finalidade principalmente médica 
(GREGUOL; GORGATTI, 2005). Conforme afirma Winnick (1990), Souza (1994), Araújo 
(1998) e Stefane et al. (2005), o esporte com tais características terapêuticas consolida-se 
inicialmente no contexto europeu em 1944 no hospital de Stoke Mandeville, na Inglaterra, por 
iniciativa do neurologista e neurocirurgião alemão Ludwig Guttmann, que fora convidado 
pelo governo britânico para fundar um centro para tratamento dos soldados lesionados 
medulares. 
No Brasil, o esporte para pessoas com deficiência foi introduzido sob influência dos 
Estados Unidos e Inglaterra, tendo como ponto inicial a criação de dois clubes em 1958, um 
em São Paulo (Clube dos Paraplégicos de São Paulo) e outro no Rio de Janeiro (Clube do 
Otimismo) pelas mãos de Sergio Del Grande e Robson Sampaio de Almeida, paraplégicos 
que receberam tratamentos com esportes em cadeira de rodas em hospitais americanos na 
década de 50 e trouxeram tais experiências com o esporte aplicado à população com 
deficiência (MATTOS, 1994; SOUZA, 1994; ARAÚJO, 1998; FREITAS; CIDADE, 2002; 
GREGUOL; GORGATTI, 2005; STEFANE et al, 2005). 
O esporte firmado como “acelerador do processo de reabilitação” e como um recurso 
capaz de oferecer meios que levem a pessoa com deficiência a conviver com as limitações 
corporais e orgânicas (ARAÚJO, 1998), passou por uma evolução nos conceitos iniciais, 
possibilitando recentemente além da superação física e psicológica, e a inclusão do deficiente 
ao meio social, um reconhecimento de suas habilidades, capacidades e potencialidades 
envolvidas no esporte de alto rendimento (SILVA, 1999). 
 
1
 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos 
Rod. Washington Luis, Km 235 – São Carlos - SP 
fequidim@yahoo.com.br 
 
2
 Prof
a
. Drª. adjunta da Universidade Federal de São Carlos 
Rod. Washington Luis, Km 235 – São Carlos - SP 
mey@ufscar.br 
 
VII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL 
Londrina de 08 a 10 novembro de 2011 - ISSN 2175-960X – Pg. 960-972 
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Independente dos objetivos da procura do esporte e da manutenção desta prática pelas 
pessoas com deficiência, este meio cresce a cada dia e ganha muitos adeptos, evidenciando os 
benefícios do esporte. Com a evolução nestes conceitos e nas formas de prática, foram 
surgindo diferentes modalidades esportivas adaptadas para este público, que hoje conta com 
diversas opções voltadas para diferentes tipos e níveis de deficiência. 
Neste contexto surge o tênis em cadeiras de rodas (TCR) que teve seu marco inicial 
nos Estados Unidos no ano de 1976 pelo norte-americano Brad Parks e, segundo o Comitê 
Paraolímpico Brasileiro - CPB (2010), por Jeff Minnenbraker. Com a prática da modalidade 
firmada, surgiram as competições na modalidade, a fundação da Federação Internacional de 
Tênis em Cadeira de Rodas (IWTF) e a estréia da modalidade nos Jogos Paraolímpicos de 
Seul (1988), em caráter de exibição (CPB, 2010). 
No Brasil, o esporte começou a ser praticado em 1985 na cidade de Niterói (Rio de 
Janeiro) por José Carlos Morais, médico gaúcho que conheceu o esporte na Inglaterra. O tênis 
é uma modalidade muito recente no contexto brasileiro, daí também o número reduzido de 
atletas. 
Apesar da crescente participação de pessoas com deficiência nas modalidades e 
competições, o número de praticantes ainda é inexpressivo se comparado à população que 
possui algum tipo de deficiência física. E no tênis este proporção é ainda muito menor por 
inúmeros motivos, dentre eles a falta de profissionais voltados para o ensino do tênis, a falta 
de programas de prática de tênis em cadeira de rodas, a ausência de pesquisa sobre 
metodologia do ensino do tênis em cadeira de rodas, e pela visão elitizada atribuída a este 
esporte. 
O tênis em cadeira de rodas é um esporte de fácil aceitação e aplicabilidade prática por 
ser praticado nas mesmas quadras que o tênis convencional, salvo que existe a possibilidade, 
dentro de seu regulamento, de um segundo quique
3
 da bola antes dela ser rebatida, firmando 
assim um jogo mais dinâmico (CPB, 2010; ANTÚNEZ et al., 2007; AYALA, 2009). 
Para ser elegível para competir o interessado deve possuir um diagnóstico de 
deficiência permanente relacionada à locomoção. Esta deficiência física deve resultar em uma 
perda da função em uma ou ambas as extremidades inferiores (ITF WHEELCHAIR TENNIS, 
2009; BULLOCK; SANZ, 2010). 
Quanto às cadeiras de rodas, de uma maneira geral, todas podem ser usadas. 
Entretanto, é extremamente recomendável o uso de cadeiras esportivas, por sua maior 
mobilidade e segurança na quadra. Estas, segundo a International Tennis Federation 
(ITFTENNIS) (2010), são consideradas parte do corpo e todas as regras que se aplicam ao 
corpo de um jogador são aplicáveis à cadeira de rodas. 
Apesar do esporte para deficientes físicos no país ter seu início oficial em 1958 com a 
criação do Clube do Paraplégicos e do Clube do Otimismo, somente a partir da década de 80 
que se observa o desenvolvimento de pesquisas sobre o assunto (FREITAS, 1997). Quanto ao 
processo de ensino-aprendizagem no tênis evidenciamos na literatura específica poucas 
referências, entretanto algumas pesquisas têm pontuado algumas preocupações com questões 
relacionadas ao ensino e a aprendizagem da atividade motora, seja ela voltada ao esporte 
competitivo, lazer ou qualidade de vida (Píffero, 2007). 
Com base nos conhecimentos existentes a respeito da importância de uma estruturação 
no processo de ensino de modalidades esportivas afim de atingir as metas traçadas no plano 
 
3
 Nome dado ao momento que a bola toca o chão. 
 
VII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL 
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de ensino e da ausência de materiais científicos desta natureza, este estudo tem como tema a 
apresentação de uma estratégia dentro do processo de ensino-aprendizagem do tênis em 
cadeira de rodas . 
O objetivo deste artigo é elaborar e apresentar uma proposta pedagógica estruturada 
direcionada à iniciação da prática do tênis em cadeira de rodas. 
 
Método 
 
 Como técnica aplicada para a publicação deste artigo efetuamos uma pesquisa 
bibliográfica, método este que nos permitiu aproximação com o tema a ser estudado. Para a 
realização do estudo foram percorridas as seguintes etapas: identificação (permite 
reconhecimento do assunto), localização (busca em diferentes fontes), compilação (reunião 
sistemática das informações obtidas) e fichamento (transcrição dos dados em fichas 
bibliográficas) (MARCONI; LAKATOS, 1990). 
Foi realizado um levantamento bibliográfico cujas publicações abordadasfizessem 
referência aos unitermos: tênis em cadeira de rodas, processo de ensino-aprendizagem e 
estruturação das aulas de iniciação esportiva. Assim, foram realizadas consultas a partir dos 
unitermos em diferentes fontes (livros e periódicos) solicitando-os de forma inter-relacionada 
ou não, de forma que possibilitassem suporte conceitual ao tema. 
A próxima etapa foi estudar o conteúdo de cada artigo ou livro e realizar fichamento 
do conteúdo pertinente ao objetivo do estudo. 
 
Resultados 
 
 Após análise dos conteúdos obtidos nas pesquisas somados à conhecimentos pessoais 
e práticos referentes ao tênis, os exercícios propostos para cada sessão foram planejados com 
base na nova filosofia aplicada ao tênis convencional vinculada à idéia de aprender através de 
‘jogar o jogo’, ‘jogar par aprender’ e ‘aprendendo através do jogo’ (USTA (2006), PÍFFERO; 
VALENTINI (2010)), no qual a partir da aplicação de situações reais do jogo é que são 
estruturadas intervenções que visem o aprendizado da técnicas para jogar com mais sucesso, 
isto porque todos matérias que relatavam o tênis em cadeira de rodas enfatizava o uso 
semelhante de ensino do tênis convencional. 
 Focalizando o aprendizado inicial do TCR na característica tática do jogo, a idéia da 
iniciação à modalidade e das atividades propostas é a de manter a bola em jogo de forma 
consistente, e com a evolução, alguns exercícios para aperfeiçoamento dos fundamentos são 
aplicados de forma a melhorar o jogo individual. 
 Outro aspecto privilegiado nesta proposta de intervenção visando o ensino inicial da 
modalidade é a atividade realizada em jogos reduzidos, no qual a quadra de tênis é dividida 
em vários setores chamados de mini-quadras onde atuam duplas de jogadores. Estas 
atividades possibilitam que o praticante treine direção e precisão do fundamento, essencial 
para o aprendizado, assim como possibilita ‘servir’ a bola de forma orientada para o outro 
companheiro. 
 Ainda fazendo parte das propostas, as atividades sempre contam com a presença de 
alvos, para que desde o princípio o fundamento já se desenvolva no princípio da eficiência. 
 Os exercícios propostos seguem uma progressão relativa à dificuldade (do mais fácil 
para o mais difícil), complexidade (do mais simples para o mais complexo) e especificidade 
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(do mais geral para o mais específico), sempre vinculados a exercícios e habilidades já 
anteriormente ensinadas. 
 Todas as sessões a serem aplicadas devem conter a mesma estrutura: aquecimento 
(atividades que envolvem movimentos a serem utilizados durante a parte principal realizados 
de forma lúdica e sem carga); alongamento (geral e específico); parte principal (recuperação 
de habilidades já aprendidas e apresentação de novas atividades); e parte final (alongamento e 
feedback). 
 A seguir foram especificadas algumas estratégias a serem utilizadas para ser atingido 
cada objetivo proposto no processo de ensino-aprendizagem do TCR para jogadores 
iniciantes. Apenas foram contemplados neste artigo estratégias aplicadas na parte principal 
das aulas intervindo entre situações reais de jogo. 
 
Quadro 1. Objetivos, conteúdos e estratégias propostas para iniciação ao Tênis em Cadeira 
de Rodas. 
 
Objetivo Conteúdos Estratégias 
Deslocamentos e manejo da 
cadeira de rodas. 
Exercícios de deslocamento. - Diferentes deslocamentos 
orientados: frente, trás, giros, 
paradas bruscas, mudanças 
de direção. 
- Jogos pré-desportivos 
envolvendo ações variadas 
de deslocamento: pega-pega, 
pega-rabo, pique-bandeira. 
Maneabilidade e lançamentos 
dos implementos específicos 
da modalidade: bola. 
Exercícios estáticos e 
dinâmicos com bola. 
- Lançar a bola rasteira e 
deslocar a cadeira ao lado 
dela. 
- Lançar a bola ao alto e ter 
que bater o número máximo 
de palmas até que efetue a 
recepção. 
- Lançar a bola ao alto e 
passar em baixo dela quantas 
vezes possível antes que ela 
toque o chão. 
- Lançamentos simultâneos 
em duplas tendo que fazer as 
bolas chocarem-se no ar. 
- Em duplas: um lança de um 
lado da rede e outro com 
cone do outro tem que 
receber, a dupla que fizer 
primeiro 3 vezes vence. 
- Jogos lúdicos com a bola de 
tênis: bobinho, alerta, 
carimbador. 
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Maneabilidade e 
empunhadura dos 
implementos específicos da 
modalidade: raquete. 
Exercícios estáticos e 
dinâmicos. 
- Deslocamentos orientados 
com a raquete entre a mão e 
o aro da roda. 
- Exercícios estáticos: 
controlar bola com raquete 
quicando-a para cima, com a 
raquete quicar bola no chão. 
- Exercícios dinâmicos: 
Deslocamento levando bola 
sobre a raquete como se 
fosse uma bandeja, quicando 
bola para cima e para baixo. 
- Jogos lúdicos: hóquei com 
raquetes, bobinho tendo que 
utilizar a raquete para passar 
a bola, equilíbrio com a 
raquete na palma da mão. 
- ‘Compra de Raquetes’ – 
Duas equipes fazem com 
suas raquetes uma fileira com 
elas ordenadas no chão. Ao 
sinal saem os primeiros de 
cada equipe e deve pegar a 
primeira raquete do chão e 
levá-la na frente da ultima e 
então voltar, logo parte a 
segunda pessoa. A equipe 
que conseguir atingir 
primeiro a rede com as 
raquetes ordenadas no chão 
vence. 
Capacidades físicas 
(coordenação, agilidade, 
velocidade, força). 
Exercícios voltados para 
treinamento das capacidades 
físicas específicas do jogo. 
- ‘Gato e Rato’ – em duplas, 
conforme orientação do 
professor o aluno 
denominado gato ou rato 
foge enquanto outro tem que 
pegar. 
- ‘Semáforo’ – quando 
professor lança bola para 
cima é sinal verde que 
significa deslocar-se em 
grande velocidade, quando 
bola volta à mão do professor 
é sinal fechado, deve ocorrer 
uma parada brusca. 
- ‘Jogo dos Números’ – Duas 
 
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equipes, no qual cada um na 
tem seu número. O professor 
chama um número e então 
partem os números 
correspondentes de cada 
equipe que devem pegar uma 
raquete que está no chão no 
centro do círculo e com ela 
conduzir uma bola de tênis 
que também encontra-se no 
chão até á sua área de ponto. 
Quem fizer primeiro vence. 
- Força: com a bola 
‘medicine’ realizar 
lançamentos variados em 
duplas – lateral, por cima da 
cabeça. 
Fundamentos de fundo 
(forehand e backhand). 
Exercícios de aprendizado, 
desenvolvimento e fixação 
dos fundamentos. 
- Delimitar um pequeno 
quadrado no chão e em 
duplas devem executar o 
fundamento de forma a 
manter a bola somente 
quicando dentro do quadrado 
(trabalho de ponto de 
contato) – primeiro usando 
só forehand e depois só 
backhand). 
- Em duplas, um lança o 
outro deve efetuar o golpe de 
forma a tentar atingir o alvo 
(a princípio sem a rede e 
depois usando a rede)- 
primeiro só usando forehand 
e depois só backhand. 
- Professor solta bola para 
aluno golpear, e este logo 
voltar para o final da fila. 
Devem tentar acertar um alvo 
do outro lado da quadra. 
- ‘Sombra’ – dois alunos 
trocam bola em um jogo em 
mini quadra e atrás de cada 
um fica um parceiro que será 
a sua sombra tendo que 
executar o movimento como 
o companheiro da frente. 
 
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Saque. Exercícios em progressão 
para aprendizado e 
desenvolvimento do saque. 
- Em duplas: um arremessa 
bola ao alto,sendo que ela 
deve quicar uma vez no chão 
antes de chegar no 
companheiro. 
- Lançamento da bola ao alto 
com uma das mãos e realiza 
a captura da bola com a outra 
no ponto mais alto (enfatizar 
postura do braço no 
lançamento, chamado de 
toss). 
- Em duplas realizar o 
movimento completo do 
saque de forma que a bola 
chegue ao parceiro. 
- Idem anterior prosseguindo 
o mini jogo após o saque. 
Fundamentos de rede (voleio 
direita e esquerda, smash). 
Exercícios de aprendizado, 
desenvolvimento e fixação 
dos fundamentos. 
- Em duplas, um de um lado 
da rede lança e o outro 
segurando no coração da 
raquete realiza o voleio 
(primeiro só de direita depois 
só de esquerda). 
- Idem anterior segurando 
com empunhadura correta no 
cabo da raquete. 
- Em duplas usando mini 
quadra um realiza só 
forehand e outro só voleia. 
- Smash: em duplas, um 
lança bem alto o outro sai da 
rede recuperando de costas e 
realiza o fundamento 
Tática. Exercícios que englobam 
diferentes fundamentos 
visando situações reais de 
jogo. 
- Professor lança 3 bolas: 
aluno deve efetuar um 
forehand, um backhand e um 
voleio – sempre direcionando 
os golpes para um 
determinado alvo. 
- Professor lança 3 bolas: 
aluno realiza um fundamento 
de fundo, então sobe a rede e 
realiza um voleio (ambos 
acertando alvos) seguido de 
um smash vencedor. 
 
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- Idem exercícios anteriores 
em dupla, onde um aluno 
realiza o lançamento com a 
raquete para o companheiro 
que deve efetuar de forma 
eficaz 2 bolas dentro de um 
determinado alvo, assim que 
as duas bolas forem no alvo 
prossegue o jogo até a falha 
de algum dos dois jogadores. 
- ‘Torneios subida e descida’: 
em duplas iniciam jogos 
simultâneos de 1 minuto, ao 
termino do tempo os 
vencedores de cada jogo 
devem trocar de mini quadra 
para um lado determinado e 
os perdedores para o outro 
lado. Assim novas duplas 
começarão um novo jogo de 
um minuto. Ao término, 
ficará na mini quadra mais 
alta os que mais venceram e 
nas mini quadras mais baixas 
os que mais perderam. 
 
Discussão 
 
Características do programa foram estruturadas com base nos resultados e dados 
obtidos pelo levantamento bibliográfico. Os principais artigos sobre o tema estão relatados a 
seguir. 
 A pesquisa de Bullock e Sanz (2010) sobre o tênis em cadeira de rodas serve de 
referência para informações sobre como pode-se melhorar os treinamentos, sendo um artigo 
voltado para o aperfeiçoamento. Os mesmos autores citam a ausência de informação científica 
sobre o tênis em cadeira de rodas e enfatiza a necessidade, em conseqüência disso, de utilizar 
o tênis convencional para se ter algumas referências no esporte e a partir daí aplicar as 
particularidades do tênis de cadeira de rodas. 
Outro estudo com o objetivo de descrever a aprendizagem do tênis adaptado é a 
dissertação de mestrado da Leitão (1998) que focou proporcionar a aprendizagem do tênis 
para indivíduos com Síndrome de Down através de procedimentos adequados e adaptados a 
esse público. Optou-se primeiramente por permitir ao aluno a descoberta dos movimentos do 
tênis antes de dar maior ênfase à técnica e à tática do jogo. Após aplicação do procedimento 
de ensino escolhido e adaptado do tênis convencional, concluiu-se que a prática foi positiva 
em questões relacionadas ao deficit de atenção, aptidões sociais, saúde, segurança, autonomia 
e lazer. Dentre os fundamentos trabalhados na intervenção destacam-se: exploração dos 
 
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materiais utilizados, voleios e cortadas de forma semelhante ao trabalhado no tênis 
convencional. 
Sobre o processo de ensino e sua importância, segundo Píffero (2007) a participação 
em atividades físicas e esportivas permite ganhos nos aspectos físicos, psíquicos, cognitivos e 
sociais, contribuindo assim para um desenvolvimento integral. Porém, como o mesmo autor 
cita, as experiências por si só não garantem tais ganhos, tornando-se relevante a estruturação 
de propostas metodológicas que maximizem a aprendizagem e desenvolvimento das 
habilidades. Estas propostas devem ser cuidadosamente planejadas e adequadamente 
aplicadas, com o fim de potencializar as características pedagógicas da atividade física e do 
esporte. 
É comum dentre os professores e treinadores (como visto por Bullock e Sanz (2010)), 
assim como para o Pomme e Cavalcanti (2006) e para Young (2007) que deve-se manter os 
princípios fundamentais do ensino dos tenistas não cadeirantes às pesssoas com deficiências 
praticantes do mesmo esporte. Para Young (2007) como a modalidade é a mesma, logo não é 
necessário pensar que o ensino tem que ser diferente, afinal os treinamentos são baseados nas 
capacidades dos praticantes e não em suas deficiências. 
Segundo a problemática do processo de ensino, Píffero e Valentini (2010), citam que 
dentro da organização da aula deve-se contemplar o desenvolvimento técnico e o jogo. 
Aplicando o jogo como método de ensino o aluno cria estratégias para o sucesso no jogo e 
passa a ter mais interesse na prática posterior da habilidade. 
Já, com uma idéia contraditória ao estudo supra citado, Motta (2009), não cita o jogo, 
apenas enfatiza que a teoria do treinamento desportivo destaca a técnica como fundamental na 
preparação geral do atleta, juntamente com a tática, o condicionamento físico e o trabalho 
psicológico. E destaca que a maneira como é conduzido o aprendizado será vital para a 
formação do atleta. 
 Segundo a United States Tennis Association - USTA (2006) durante o processo de 
ensino do tênis em cadeira de rodas deve-se focar a abordagem do ensino pelo jogo 
propriamente dito pois acelera a aprendizagem, assim as estratégias, a tática e a técnica são 
desenvolvidas dentro da própria prática. Através do jogo como primeiro passo para o ensino, 
os praticantes passam a entender o jogo e identificar as competências mais importantes a 
serem desenvolvidas para melhorarem sua prática. 
O tênis em cadeira de rodas, apesar das divergentes abordagens a respeito da melhor 
forma de seu ensino, possui itens que devem ser considerados: por ser classificado como uma 
modalidade esportiva de característica aberta, o tênis necessita de maior repertório motor nas 
aulas para produzir uma resposta motora ou solução eficiente para cada uma das situações, e 
por ser intermitente, necessita de constantes alterações nos ritmos de jogo uma vez que se 
intercalam estímulos e pausas. 
 Outro fator importante é em relação à estruturação das aulas de tênis em cadeira de 
rodas, alguns autores citam que apenas algumas características devem ser determinantes e 
especiais: o tenista em cadeira de rodas está numa posição mais baixa e tem menos tempo 
para a preparação do golpe pelo fato de ter de movimentar a cadeira com as duas mãos 
tornando-se obrigado a tomar decisões com mais rapidez. O que se deve ter em mente 
também é que o tipo de lesão do jogador que determinará seu equilíbrio e estabilidade. O 
tenista em cadeira de rodas, para alcançar a bola com maior impulsão, apesar do menor tempo 
de preparação, pode utilizar o giro da cadeira na hora da batida, puxando a roda para trás 
(POMME; CAVALCANTI, 2006). 
 
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Segundo García (2009), o processo de ensino-aprendizagem deve enfatizar o modelo 
global por ser mais adequado, onde a execução completa do fundamento produz um 
aprendizado mais proveitoso e torna o aluno mais apto a enfrentar as situações presentes no 
jogo, assim como o ensino através de situaçõesespecíficas do jogo. 
Apesar do conteúdo presente em cada um destes estudos supra citados, nenhum trás 
uma real estrutura de uma aula que deve ser aplicada afim de proporcionar o aprendizado do 
tênis em cadeira de rodas para iniciantes, mas serviram de base para a estruturação do 
programa pelo fato de orientarem na construção de uma sistematização e de quais pontos 
levar em consideração na elaboração das sessões de iniciação do tênis em cadeira de rodas. 
 
Conclusão 
 
Sobre o processo de ensino e sua importância fica clara a preocupação de grande parte 
dos pesquisdores envolvidos neste assunto, porém ainda pouco se têm focado na real 
estruturação e sistematização de um programa pedagógico, e este aspecto é muito menos 
envidenciado quando nos tratamos em esporte e programas pedagógicos voltados para 
pessoas com deficiência, talvez pelo menor número de praticantes, falta de investimentos e 
infraestrutura e falta de profisionais capacitados. 
Uma proposta pedagógica a ser aplicada na iniciação do tênis em cadeira de rodas vem 
acrescentar conhecimentos referentes ao trabalho esportivo que pode ser desenvolvido com 
pessoas com deficiência física de forma a proporcionar novas experiências seja ela voltada 
para reabilitação, participação social ou rendimento esportivo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Referências 
 
ANTÚNEZ, R. M.; BARCIA, A. S.; GARCIA, J. P. F. Propuesta metodológica para el 
aprendizaje de los golpes del tenis em codiciones de interferencia contextual. Revista 
Eduacación Física y deportes, Buenos Aires, ano 12, n.110, julho 2007. Disponível 
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