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DESENVOLVIMENTO PUBERAL E SEUS DESVIOS Introdução Está tudo dentro do normal. Não se pede exame. Tranquilizar a família e continuar seguimento. Também está normal! Puberdade normal ➔ Processo fisiológico de maturação hormonal e crescimento somático que torna o organismo apto a se reproduzir. ➔ Transição da infância para vida adulta! Limites de normalidade: ● Meninas: 8-13 anos; ● Meninos: 9-14 anos. É uma fase de desenvolvimento contínuo ● Hipotálamo → hipófise → gônada; ● Vida fetal → puberdade → maturação sexual plena e fertilidade. Ocorre uma sequência ordenada de eventos controlados por fatores neuroendócrinos até alcançar a maturidade. Desenvolvimento puberal ● Caracteres sexuais secundários; ● Estirão do crescimento; ● Gametogênese; ● Alterações psicológicas. Sistema endócrino ● GH; ● Tiroxina; ● Esteróides adrenais; ● Ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal; ● Esteróides gonadais. Influência dos fatores intrínsecos e ambientais - Fatores inerentes ao próprio indivíduo, e outros, representados por circunstâncias ambientais, podem induzir modificações nesse processo. Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca - Fatores climáticos, socioeconômicos, hormonais, psicossociais e, sobretudo, nutricionais são alguns dos interferentes do processo de crescimento e desenvolvimento. Início da puberdade normal ● Hipotálamo → secreção episódica e GnRH; ● Picos noturnos de gonadotrofinas; ● Gônadas produzem esteróides sexuais e gametogênese. Sistemas de regulação - Gene que codifica a síntese de GnRH está no braço curto do cromossomo 8; - Componentes neurais que controlam a secreção de gonadotrofinas → região média basal do hipotálamo, incluindo a região do núcleo arqueado. Esteróides sexuais Principais responsáveis pelas alterações físicas do período puberal Iniciam-se por: ● Características sexuais secundárias; ● Alteração da massa corporal magra; ● Redistribuição da gordura corporal; ● Aceleração da velocidade de crescimento (estirão puberal); ● Fusão das epífises ósseas com a parada do crescimento. Manifestações principais do período puberal ➔ Adrenarca: início da secreção de andrógenos adrenais ➔ Ativação ou desinibição dos neurônios produtores de GnRH ➔ Gonadarca: aumento da excreção de esteróides gonadais Cronologia fisiológica da puberdade Meninas Nos primeiros 2 meses a menstruação costuma ser irregular → até 2 anos da menarca considera-se normal o ciclo irregular. Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca Meninos Alterações hormonais na puberdade GnRH ● Na criança pré-púbere, não ocorre aumento significante da secreção de gonadotrofinas em resposta à administração endovenosa ou subcutânea de GnRH; ● Durante a puberdade a resposta de secreção do LH aumenta progressivamente em ambos os sexos; ● A resposta do FSH é menos pronunciada que a do LH. Gonadotrofinas ● Antes da puberdade - a secreção está sob controle tipo feedback negativo, exercido pelos esteróides gonadais; ● Puberdade - estímulo endovenoso do GnRH aumenta a secreção do LH, com aumento da secreção pulsátil durante o sono; ● Final da puberdade → diferença dos pulsos diurnos e noturnos desaparecem. Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca Testosterona ● Meninos e meninas pré-púberes têm a concentração plasmática menor que 0,3 nmol/L; ● Concentração plasmática tem relação com o estádio de desenvolvimento genital e o volume testicular; ● Aumento significante nos estádios 3-4. Estrógenos ● Aumento da concentração plasmática de estradiol; ● Na mulher, 90% do estradiol é secretado pelas células granulosas dos ovários e 10% pela conversão periférica a partir da testosterona e da androstenediona; ● FSH → estimula o crescimento folicular; ● LH → estimula a secreção de androgênios; ● O aumento do estradiol aumenta o LH → ovulação; ● No homem, 75% do estradiol provém da aromatização periférica da testosterona e 25% da secreção testicular. Andrógenos adrenais ● Concentração varia da infância à adolescência; ● Aumento da sua secreção ocorre antes da maturação da secreção das gonadotrofinas; ● Aumento professivo da androstenediona, DHEA e SDHEA em ambos os sexos; ● Inicia com 6-8 anos e termina com 13-15 anos; ● Adrenarca → aumento dos andrógenos adrenais; ● Está sob controle do ACTH, independente do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Inibina ● Hormônio glicoprotéico; ● Produzido pelas células de Sertoli e células da granulosa; ● Sob controle do FSH; ● Principal função: controle tipo feedback negativo sobre a biossíntese e a secreção hipofisária do FSH; ● Aumento da sua concentração na puberdade. Controle do crescimento puberal Estirão puberal ● Mulher → no início do desenvolvimento puberal (est. 2-3). Ganho puberal 6-11 cm; ● Homem → mais tardio (est. 3-4). Ganho puberal 7-12cm. Não ocorre de maneira uniforme, inicia-se pelos membros, seguindo uma direção distal-proximal, ou seja, pés e mãos, inicialmente, seguindo-se pernas e membros superiores, conferindo ao corpo do adolescente um aspecto desarmônico ou de desproporcionalidade, que volta a ser harmônico e proporcional ao término do estirão, após o crescimento final do tronco, principal responsável pela estatura final do indivíduo. Fases de crescimento: - Fase 1 (lactância): fase de crescimento rápido, 25 cm/ano - Fase 2 (infância propriamente dita): fase de crescimento lento, mais estável e constante, 4 a 6 cm/ano e é chamada de infantil ou pré-puberal - Fase 3 (puberdade): novamente uma fase de crescimento rápido, com aceleração e posterior desaceleração, até, finalmente, o término do processo de crescimento. Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca Caso clínico Puberdade precoce. Se ela entrar em menarca, a sua estatura será muito baixa. Resposta: letra E. Puberdade precoce Desenvolvimento dos eventos puberais esteróides sexuais antes dos 8 e 9 anos em meninas e meninos, respectivamente. Classificação - Puberdade precoce central - Puberdade precoce periférica: hetero ou isossexual - Puberdade precoce combinada Puberdade precoce na menina Puberdade precoce central - Idiopática - Forma mais comum; 90% dos casos; - 5x mais frequente que nos meninos; - Início do desenvolvimento entre 6-8 anos; - Sem história familiar; - Diagnóstico sempre de exclusão. - Lesão do SNC - 10% dos casos - Metade desses devido a tumores - 3,5x mais frequentes em tumores não parenquimatosos - Maioria tem sinais e sintomas de doença cerebral orgânica antes do desencadeamento da puberdade - Hipotireoidismo Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca Puberdade precoce periférica - Isossexual → principal causa é cisto ovariano; - Heterossexual → virilização → principalmente por tumor adrenal e hiperplasia adrenal congênita. Puberdade precoce em meninos Puberdade precoce central - Idiopática - Deve-se afastar causa orgânica em todo menino com puberdade precoce - Por lesões do SNC - 60% dos casos - Principalmente por tumor do SNC Puberdade precoce periférica - Isossexual - Heterossexual Tratamento da puberdade precoce periférica Cetoconazol → inibe a esteroidogênese por bloquear enzimas adrenais e gonadais; ○ Dose de 200-600 mg/dia de 12/12h; Testolactona → derivada da testosterona → inibidor da aromatase; ○ Dose 10 mg/kg/dia aumenta a cada 3-4 semanas até 40 mg/kg/dia de 6/6h. Diagnóstico laboratorial Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca Diagnóstico por imagem Idade óssea tem sido o exame inicial, de imagem, para avaliar que grau de avançar já houve → raio-x dos punhos; RM de crânio deve ser solicitada em todos os meninos com puberdade precoce e em meninas com menos de 6 anos de idade USG para avaliação de útero, ovários e adrenais em meninas com puberdade precoce é um exame útil Objetivos do tratamento ● Supressão do eixo hipotalâmico-hipofisário-gonadal, com supressão da secreção das gonadotrofinas e dos esteróides gonadais. ● Regressão dos caracteres sexuais secundários, incluindo a supressão da menstruação. ● Desaceleração doavanço da maturação óssea e retomada da velocidade normal de crescimento. ● Normalização dos problemas psicossociais associados a puberdade precoce Tratamento da puberdade precoce central Agonista do GnRH → inibe a secreção das gonadotrofinas por down regulation - Via subcutânea 20-50 mcg/kg/dia ou IM por 4 semanas Medroxiprogesterona → bloqueia a secreção das gonadotrofinas por feedback negativo - 100-200 mg IM por semana ou 20-50 mg/dia VO 12/12h; Acetato de ciproterona → inibe diretamente a esteroidogênese adrenal e ovariana - 75-100 mg/m2/dia de 12/12h Variações benignas do desenvolvimento puberal Telarca precoce: ● Crescimento uni ou bilateral das mamas, antes dos 8 anos, sem outros sinais de maturação sexual; ● Mais frequente nos 2 primeiros anos de vida; ● Não há aceleração do crescimento; ● Idade óssea compatível com a cronológica; ● Ocorre regressão espontânea em poucos meses; ● Acompanhamento com maior frequência. Adrenarca precoce ● Pelos pubianos ou axilares antes dos 8 anos sem outros sinais puberais ou de virilização ● Mais frequente após os 6 anos ● EEG pode estar alterado ● Pode ter lesões do SNC ● Não compromete a estatura final Atraso puberal Conceito: - Menina → nenhum sinal do desenvolvimento puberal aos 13 anos - Ausência de talarca após os 13 anos, pubarca aos 14 anos e menarca aos 16. - Menino → nenhum sinal de desenvolvimento aos 14 anos - Ausência de pubarca aos 14,5 anos e volume testicular de 3 ml após os 14 anos Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca Classificação etiológica do atraso puberal 1) Alteração do eixo hipotalâmico-hipofisário (atraso puberal constitucional); 2) Alteração da função hipotalâmica-hipofisário (hipogonadismo hipogonadotrófico); a) Doenças do SNC b) Deficiência isolada de gonadotrofina c) Pan-hipopituitarismo d) Outras doenças 3) Anomalia gonadal. Atraso puberal constitucional ● Alteração fisiológica do crescimento normal; ● Baixa estatura constitucional; ● Velocidade de crescimento e estatura compatíveis com a idade óssea; ● História familiar positiva. Hipogonadismo hipogonadotrófico ● Atraso puberal com crescimento normal e adrenarca em idade normal; ● Varia desde um infantilismo sexual severo até um quadro leve; ● Produção insuficiente do GnRH levando a deficiência da produção/secreção das gonadotrofinas; ● A deficiência das gonadotrofinas também pode ser causada por lesões hipofisárias. Causas: - Tumores: - Intra ou supra-selares; - Malformações congênitas, radioterapias, traumas, doenças inflamatórias e infecciosas; - Outras doenças do SNC: - Síndrome de Prader-Willi, síndrome de Laurence-Moon-Biedl; - Hipotireoidismo, diabetes e síndrome de Cushing; - Anorexia nervosa, bulimia, amenorréia psicogênica dos atletas e desnutrição crônica; - Pan-hipopituitarismo; - Deficiência isolada das gonadotrofinas: - Síndrome de Kallmann e hipoplasia adrenal congênita (ligada ao X). Hiponadismo hipergonadotrófico Homem - Disgenesia dos túbulos seminíferos e suas variantes (síndrome de Klinefelter) - Outras formas de insuficiência testicular, quimioterapia, radioterapia, resistência ao LH - Anorquia e criptorquia Mulher - Disgenesia gonadal e suas variantes: síndrome de Turner; - Disgenesia gonadal 46 XX e 46 XY; - Outras formas de insuficiência ovariana primária, quimio, radio, SOP Conduta no atraso puberal ● Pesquisar histórica clínica de atraso familiar ● Presença de doenças sistêmicas crônicas ● Estado nutricional ● Presença de sinais físicos de outras endocrinopatias associadas ou síndromes ● Exames complementares de acordo com a suspeita ○ Idade óssea ○ Raio-x de crânio Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca ○ Concentração de FSh e LH, testosterona e/ou estradiol Tratamento do atraso puberal Objetivos: ● Desenvolver e manter as características sexuais secundárias ● Induzir o estirão puberal ● Prevenir os distúrbios psicossociais do atraso puberal ● Manter a fertilidade, a libido e a potência Pais e crianças não ansiosos e socialmente adaptados - Explicar problema e seguir periodicamente o desenvolvimento do paciente Pais e crianças ansiosos e com problemas de adaptação social - Induzir a puberdade no momento adequado Indução feminina ● Após os 13 anos; ● Etinilestradiol VO, dose de 5-10 mcg/dia ou; ● Estrógenos conjugados VO, dose de 0,3 mg/dia. Indução no menino ● Após os 14-14,5 anos; ● Testosterona (enantato ou cipionato) dose de 50 mg/mês quando se tem somente baixa estatura; ● 100-200 mg/mês em caso de atraso do desenvolvimento puberal; ● Observar por 3-6 meses, podendo repetir o ciclo do tratamento. Hipogonadismo no menino ● Após 13-14 anos; ● Idade óssea abaixo de 14 anos; ● Testosterona 50 mg/mês → aumentando gradativamente à medida que a puberdade avança até atingir 200 mg/mês; ● Usar 2000 UI de hCG 1-2x por semana por 6 meses → hipogonadismo hipogonadotrófico → leva ao aumento do testículo. Hipogonadismo na menina ● 11-12 anos; ● Idade óssea abaixo de 12 anos; ● Etinilestradiol 5 mcg/dia VO, ir aumentando até 20 mcg/dia; ● Estrógenos conjugados 0,3 mg/dia VO, ir aumentando até 0,6-0,9 mg/dia; ● Por 2-3 anos. Talles Alberto Bispo da Silva - Medicina/UFAL/Arapiraca