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25/08/2020 1 CONTROLE DE QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICO Profa. Ms. Juliana Crespo UNIG - 2020 CONTROLE DE QUALIDADE “Tenha em relação a doença, duas coisas em vista: seja útil ou, ao menos não prejudique” Hipocrates 430 a.c. O QUE É CONTROLE DE QUALIDADE? 25/08/2020 2 • CONJUNTO DE OPERAÇÕES (PROGRAMAÇÃO, COORDENAÇÃO E EXECUÇÃO) COM O OBJETIVO DE VERIFICAR CONFORMIDADE DAS MATÉRIAS-PRIMAS, MATERIAIS DE EMBALAGEM E DO PRODUTO ACABADO COM AS ESPECIFICAÇÕES ESTABELECIDAS Art. 281. O Controle de Qualidade é responsável pelas atividades referentes à amostragem, às especificações e aos ensaios, bem como à organização, à documentação e aos procedimentos de liberação que garantam que os ensaios sejam executados e que os materiais e os produtos terminados não sejam aprovados até que a sua qualidade tenha sido julgada satisfatória. • Calibração: conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento ou sistema de medição ou valores representados por uma medida materializada ou um material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões; • Especificação: documento que descreve em detalhes os requisitos que os materiais utilizados durante a fabricação, produtos intermediários ou produtos terminados devem cumprir. As especificações servem como base para a avaliação da qualidade; Definições • Validação: ato documentado que atesta que qualquer procedimento, processo, equipamento, material, atividade ou sistema realmente e consistentemente leva aos resultados esperados; • Controle de qualidade: Conjunto de ensaios realizados com o objetivo de avaliar a qualidade de matérias primas, materiais de embalagem, produtos intermediários, acabados e verificar se os mesmos se apresentam de acordo com as especificações definidas; • Desvio de qualidade: afastamento dos parâmetros de qualidade estabelecidos para um produto ou processo Definições 25/08/2020 3 CONTROLE DE QUALIDADE • OBJETIVO PRINCIPAL: Detectar desvios de qualidade, ou seja, detectar pontos em matérias-primas e produtos acabados que não atendem aos parâmetros de qualidade especificados em compêndios oficiais. HISTÓRICO DA QUALIDADE • Em 1963, surgiram, nos Estados Unidos, as GMPs (Good Manufacturing Practices) - Boas Práticas de Fabricação (BPF) como uma recomendação do Food and Drugs Administration (FDA), sem efeito legal apenas como caráter de recomendação. • Em 1968 a OMS aprovou documento equivalente, que se difundiu a todos os seus países membros. • Em 1969, a OMS divulgou oficialmente as GMPs como um informe que representava apenas a opinião de um grupo de especialistas internacionais e não um critério da organização. • Em 1973, as GMPs passaram a ter amparo legal nos Estados Unidos e as empresas deviam cumprir suas normas para se evitar punições dos órgãos de fiscalização. HISTÓRICO DA QUALIDADE (Farmácia Magistral) • Em 2000, foi instituída a RDC 33/2000 – marco para início da qualidade no referido mercado o que permitiu sua evolução. • Em 18 de dezembro de 2003, RDC 354/2003. • Em abril de 2005, surge a consulta pública 31 participaram dessa consulta farmacêuticos, população em geral e membros da ANVISA. • Em 18 de dezembro de 2006, surge com a RDC 214/06 novas regras para garantir a segurança, qualidade e eficácia das fórmulas manipuladas. • Em outubro de 2007 foi revogada a 214/06. Está em vigor 67 de 08 de outubro de 2007. A RDC 67 modifica e esclarece alguns pontos da 214/06. HISTÓRICO DA QUALIDADE (Indústria Farmacêutica) • Em março 1995, as BPF passaram a ter efeito legal no Brasil, a partir da publicação da Portaria SVS/MS nº 16, • Em fevereiro 1997, Guide to Good Manufacturing Practice for Medicinal Products - Pharmaceutical Inspection Convention , • Em Janeiro de 2000, Consulta pública, • Em julho 2001, foi atualizada, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou a Resolução - RDC 134, essa Resolução cria os critérios de avaliação, com base no risco potencial de qualidade e segurança, inerentes aos processos produtivos de medicamentos. • Em 04 de agosto de 2003, entra em vigor a RDC 210, considerando a necessidade de atualizar as Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos seguindo as recomendações da OMS, sobre Certidão de Qualidade de produtos farmacêuticos. • EM 16 de abril de 2010 a RDC 17 revoga a RDC 210. 25/08/2020 4 • Em março 1997 - Portaria 348 de agosto de 1997 Em fevereiro 1997, Guide to Good Manufacturing Practice for Medicinal Products - Pharmaceutical Inspection Convention , • Em 1999 - Resolução 481 de 23 de setembro de 1999. • Em 2013 - RDC 48 de 25 de outubro de 2013. HISTÓRICO DA QUALIDADE (Indústria Cosmética) Evolução do Controle de Qualidade: • Primeira fase – INSPEÇÃO. • Segunda fase – ESTATÍSTICA. • Terceira fase – GARANTIA DA QUALIDADE. • Quarta fase – GESTÃO DA QUALIDADE. HISTÓRICO DA QUALIDADE MATÉRIA - PRIMA TRANSFORMAÇÃO PRODUTO ACABADO CQ CQ CQ CQ CQ Organograma convencional GQ/CQ Diretoria técnica Gerente de GQ Supervisor de GQ Gerente de CQ Supervisor de CQ Supervisor de estabilidade Gerente de P&D Supervisor de DMA Supervisor de validação Supervisor de estabilidade 25/08/2020 5 Escolha/descober ta da molécula Prospecção de fabricantes da molécula Escolha dos excipientes Definição das especificações Avaliação de possíveis processos produtivos Desenvolvimento da formulação Desenvolvimento e validação de metodologia analítica Produção piloto Estudos de estabilidade acelerada Estudos in vivo Estudos de estabilidade de longa duração Submissão regulatória Aprovação ANVISA Transferência CQ Análise de rotina (liberação) Estabilidade de acompanhament o RESPONSABILIDADES DO CONTROLE DE QUALIDADE I. Aprovar ou rejeitar as matérias-primas, os materiais de embalagem e os produtos intermediários, a granel e terminados em relação à sua especificação; II. Avaliar os registros analíticos dos lotes; III.Assegurar que sejam realizados todos os ensaios necessários; IV.Participar da elaboração das instruções para amostragem, as especificações, os métodos de ensaio e os procedimentos de controle de qualidade; V. Aprovar e monitorar as análises realizadas, sob contrato; Responsabilidades do CQ I. Verificar a manutenção das instalações e dos equipamentos do controle de qualidade; II. Assegurar que sejam feitas as validações necessárias, inclusive a validação dos métodos analíticos e calibração dos equipamentos de controle; e III.Assegurar que sejam realizados treinamentos iniciais e contínuos do pessoal da área de Controle de Qualidade, de acordo com as necessidades do setor. Responsabilidades do CQ 25/08/2020 6 • Equipamentos de laboratório • Metodologia analítica aprovada • Reagentes • Validação de métodos • Qualificação de equipamentos; • Procedimentos operacionais; • Especificações escritas MPs, PAs, MEs; • Análise química/física das MPs, PAs, MEs; • Boletins de Análise; • Aprovação e rejeição; • Estudos de Estabilidade. Atuações do CQ Dentro do conceito de qualidade, devem ser considerados alguns parâmetros: Contéudo do princípio ativo dentro dos limites experimentais; Uniformidade do contéudo de cada dose; Ausência de contaminantes incluindo a contaminação cruzada; Manutenção da potência, eficácia terapêutica e aspecto até o momento do uso; Liberação do ingrediente ativo de tal maneira que seja exercida a máxima disponibilidade biológica; Nas especificações do produto são determinados o objetivo desse produto e como deve ser apresentado. Atuações do CQ Testes gerais – Fármacos e excipientes Identificação Características físicas Solubilidade Doseamento ou teor Produtos de degradação/Impurezas Pureza quiral Polimorfismo Tamanho de partícula Resíduo por ignição Perda por secagem Umidade por karl fischer pH Ponto de fusão Densidade Solventes residuais Testes microbiológicos Rotação especifica A implantação de laboratórios de controle de qualidade • Objetivo: Atender às necessidades do mercado farmacêutico atual. 25/08/2020 7 ATUAÇÃO DO CONTROLE DE QUALIDADE • ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUAS E EFLUENTES • LABORATÓRIOS PRESTADORES DE SERVIÇOS • INDÚSTRIAS DE PRODUTOS QUÍMICOS • INDÚSTRIAS DE MEDICAMENTOS • INDÚSTRIAS DE COSMÉTICOS • INDÚSTRIAS DE ALIMENTOS Laboratórios de controle de qualidade indústria de medicamentos Resolução-RDC nº17/2010 Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos • objetivo de estabelecer os requisitos mínimos a serem seguidos na fabricação de medicamentos para padronizar a verificação do cumprimento das Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos (BPF) de uso humano durante as inspeções sanitárias. Laboratórios de controle de qualidade indústria de cosméticos RESOLUÇÃO - RDC Nº 48, DE 25 DE OUTUBRO DE 2013 • Regulamento Técnico de Boas Práticas de Fabricação para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, e dá outras providências. • Este Regulamento estabelece os procedimentos e as práticas que o fabricante deve aplicar para assegurar que as instalações, métodos, processos, sistemas e controles usados para a fabricação de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes sejam adequados de modo a garantir qualidade desses produtos. Laboratórios de controle de qualidade indústria de alimentos RESOLUÇÃO - RDC Nº 275/2002. • Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos 25/08/2020 8 Laboratórios de controle de qualidade indústria de produtos sanitizantes RESOLUÇÃO - RDC Nº 47, DE 25 DE OUTUBRO DE 2013 • O objetivo é regulamentar a fabricação de produtos saneantes, de modo que os fatores humanos, técnicos e administrativos (da fabricação) que podem ter influência na qualidade dos mesmos sejam eficazmente controlados, tendo como objetivo prevenir, reduzir e eliminar qualquer deficiência na qualidade dos mesmos, que podem afetar negativamente a saúde e segurança do usuário. Laboratórios de controle de qualidade realizam análises em produtos sujeitos a VISA RESOLUÇÃO - RDC N° 11, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2012 • Possui o objetivo de definir princípios e requisitos para a execução das análises com qualidade, confiabilidade e segurança, em produtos sujeitos à Vigilância Sanitária. Esta Resolução se aplica a todos os laboratórios públicos ou privados que realizem análise de produtos sujeitos à Vigilância Sanitária. Laboratórios de controle de qualidade terceirizados A estrutura física de todo laboratório deve constar de, no mínimo, os seguintes setores: • Sala de espera/recepção; • Sala administrativa; • Sanitários; • Área de recepção das amostras; • Laboratórios de análises físico-químicas - distintos para a análise de alimentos e saneantes / cosméticos; • Laboratórios de análises microbiológicas - distintos para a análise de alimentos e saneantes / cosméticos; Laboratórios de controle de qualidade terceirizados • Laboratórios de análises de resíduos de pesticidas; • Laboratórios de análises de resíduos de metais pesados; • Sala de pesagem; • Refeitório / copa; • Depósito de Material de Limpeza – DML; • Vestiários para funcionários diferenciados por sexo; • Abrigo de recipientes de resíduos sólidos. 25/08/2020 9 REFERÊNCIAS • AMARAL, M. P. H.; VILELA, M. A. P. Controle de qualidade na farmácia de manipulação. Juiz de Fora: UFJF, 2005. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE COSMETOLOGIA. Guia ABC de microbiologia: controle microbiológico na indústria de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. São Paulo, Pharmabooks, 2008 • BRASIL, Resolução RDC n° 11, de 16 de fevereiro de 2012. Dispõe sobre o funcionamento de laboratórios analíticos que realizam análises em produtos sujeitos à Vigilância Sanitária e dá outras providências. Diário Oficial [da] União, Brasília, DF, 22 de fevereiro de 2012. Seção 1, p. 23. • BRASIL, Resolução RDC no 17, de 16 de abril de 2010. Dispõe sobre as Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos. Diário Oficial [da] União, Brasília, DF, 19 de abril de 2010. Seção , p. 94. • BRASIL, Resolução RDC nº 48, de 25 de outubro de 2013. Aprova o Regulamento Técnico de Boas Práticas de Fabricação para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, e dá outras providências. Diário Oficial [da] União, Brasília, DF, 28 de outubro de 2013. Seção 1 p. 63. • BRASIL, Resolução RDC no 67, de 08 de outubro de 2007. Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias. Diário Oficial [da] União, Brasília, DF, 09 de outubro de 2007. Seção 1 p. 29. • GIL, E. Controle de qualidade físico-químico de medicamentos. 2 ed. São Paulo: Pharmabooks, 2007. • JAHNKE, M. Quality assurance workbook for pharmaceutical manufacturers. 1 ed. PDA/DHI, 2005 (English).. • LANÇAS, F. M. Validação de Métodos Cromatográficos de Análises. São Carlos:RiMa, 2004. • LONGO, R. M. J. Gestão da qualidade: evolução histórica, conceitos básicos e aplicação na educação. In: Seminário “Gestão da Qualidade na Educação: Em Busca da Excelência” – SENAC: JANEIRO 1996.